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Ativo do dia. Índice de referência europeu com melhor semana desde julho

16 October 2026 at 17:54

O ativo

O índice de referência europeu, o Stoxx 600, agrega as 600 maiores cotadas do bloco em termos de capitalização bolsista. Regista um saldo positivo superior a 8% desde o início do ano e chegou, em agosto, a alcançar máximos históricos, acima dos 660 pontos. Empresas portuguesas como a EDP, Galp, Jerónimo Martins e BCP fazem parte deste benchmark.

O marco

Numa semana de elevada volatilidade para as bolsas mundiais, devido aos receios em torno dos elevados gastos das empresas de inteligência artificial (IA), o Velho Continente conseguiu escapar a essas perdas e teve quatro sessões positivas e apenas uma ligeiramente negativa na terça-feira. Acumulou, assim, um ganho semanal de 2,09%, o maior desde julho e terminou a sessão desta sexta-feira em máximos de mais de um mês nos 644,74 pontos.

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A causa

Se o menor peso das tecnológicas é por vezes visto como uma falha do principal índice europeu, outras vezes também pode ser uma bênção. Foi o caso desta semana volátil, marcada por um sell-off de grandes tecnológicas, devido a preocupações com a concorrência chinesa e os elevados níveis de endividamento das empresas para desenvolver infraestruturas de IA.

Esta sexta-feira, os investidores voltaram a entrar em empresas mais sensíveis às taxas de juro, após um abrandamento das yields das obrigações soberanas um pouco por todo o mundo.

Ainda a dar algum alívio aos investidores estiveram declarações de Kevin Warsh, presidente da Reserva Federal norte-americana (Fed) que manifestou esta sexta-feira otimismo quanto à solidez da economia dos EUA e surpresa com a forma como as economias globais têm conseguido “aguentar-se” no meio dos recentes choques geopolíticos, apesar da política monetária mais restritiva adotada para combater a inflação.

No entanto, em consonância com o seu estilo desde que assumiu o cargo de presidente do Fed em maio, não deu qualquer indicação sobre se considera se serão necessários mais aumentos das taxas de juro, nem quando. Os mercados interpretaram a ausência de uma postura restritiva como uma boa notícia, com a probabilidade de uma subida das taxas de juro no encontro de outubro, que se realiza nos dias 28 e 29, a descer de 30% para 15%.

O que esperar a seguir

Os investidores estão a acreditar na nova época de resultados do terceiro trimestre para levar o índice a novos patamares, com o Stoxx 600 a conseguir passar ao lado do cenário mais negativo nas restantes bolsas mundiais, onde o peso da tecnologia é maior. Para já essas duas características têm sido suficientes para os mais recentes ganhos.

A expectativa é que os lucros das empresas do Stoxx 600 aumentem 20,7% no terceiro trimestre face ao registado no ano anterior. “Uma época de resultados muito positiva vai, sem dúvida, impulsionar o otimismo dos investidores. Poderá levar os mercados de volta a alguns dos máximos que temos visto recentemente“, acredita Michael Field, estratega da Morningstar.

Mas apesar desse otimismo generalizado, o analista espera uma “verdadeira dicotomia” entre as várias cotadas europeias, uma vez que as empresas mais expostas aos preços da energia e ao sentimento do consumidor podem sair mais penalizadas. Este cenário contrasta com o das tecnológicas e do setor da energia.

A frase

Se os mercados conseguirem encadear algumas notícias positivas, as ações europeias poderão inverter a tendência e subir até ao final do ano; no entanto, uma época de resultados negativos ou comentários pessimistas por parte dos bancos centrais poderão consolidar o segundo lugar em relação ao mercado acionista norte-americano em 2026.

Michael Field

Estratega da Morningstar

FMI avisa que bastam “choques modestos” para empurrar Zona Euro para recessão

16 October 2026 at 11:00

Apesar da acumulação de choques adversos, as economias europeias continuam a crescer, embora de forma “frágil”. No entanto, o Fundo Monetário Internacional (FMI) avisa que “os desafios estruturais” do Velho Continente permanecem, o que leva a que “mesmo choques modestos ameaçam empurrar a Zona Euro para uma recessão“. O alerta consta da atualização do Regional Economic Outlook, publicado esta sexta-feira.

O FMI reviu recentemente em alta a estimativa de crescimento para os países da moeda única europeia para 1,1% este ano e manteve inalterada a projeção para 2027, nos 1,2%. No relatório, os economistas do Fundo alertam para a que consideram ser a principal fraqueza do bloco: o fraco crescimento da produtividade, “que prejudica o crescimento potencial e torna a Europa mais vulnerável a choques adversos”.

Com um potencial de crescimento a médio prazo de cerca de 1,1%,, mesmo choques modestos ameaçam empurrar a Zona Euro para uma recessão.

FMI

Regional Economic Outlook de outubro de 2026

A diferença, quando comparado com a evolução da produtividade nos Estados Unidos (EUA) é ainda maior. O FMI mostra que “o desenvolvimento e uso de capital intangível, incluindo recurso a inteligência artificial (IA), contribuiu com 0,75 pontos percentuais para o crescimento da produtividade laboral nos EUA na última década, entre 2014 e 2025, mais do dobro da União Europeia (UE)“. E esta disparidade não dá sinais de abrandar, uma vez que a Europa parece também estar a ficar de fora do atual boom de investimento e exportações relacionados com a IA, que tem contribuído para o crescimento noutras regiões, nomeadamente na Ásia.

Parte desta falta de produtividade também se deve às reformas estruturais com as quais a UE, à falta de consenso, não tem avançado. Entre elas contam-se um mercado único incompleto, incluindo um mercado de capitais fragmentado, e uma agenda reformista interna num impasse que mantém em vigor “barreiras que impedem as empresas de ajustar a sua dimensão, aceder a financiamento adequado, alcançar um mercado mais vasto e beneficiar das externalidades de aglomeração”.

A eliminação de todas as distorções nas políticas nacionais e a remoção de obstáculos entre fronteiras ainda existentes ao comércio e à mobilidade laboral na UE têm o potencial de aumentar a produtividade em cerca de 20%.

FMI

Regional Economic Outlook de outubro de 2026

Estas barreiras, que resultam também em menor inovação e escala, ganham nova relevância com as exportações a abrandarem tanto nas economias europeias avançadas, embora de forma mais modesta, como na Europa Central, Oriental e do Sudeste (CESEE). Além disso, apesar do caminho que tem vindo a ser feito pelo bloco na transição para as energias renováveis, o FMI conclui que os preços estruturalmente elevados da energia continuam a pesar na competitividade das exportações.

O staff da instituição de Bretton Woods fez mesmo as contas. “A eliminação de todas as distorções nas políticas nacionais e a remoção de obstáculos entre fronteiras ainda existentes ao comércio e à mobilidade laboral na UE têm o potencial de aumentar a produtividade em cerca de 20%. Por sua vez, esse ganho de produtividade poderia “atrair até 800 mil milhões de euros em investimento adicional ao longo de uma década e aumentar o PIB per capita em cerca de 35% ao longo do tempo”.

Renováveis reduziram impacto da guerra para as famílias em 8% da fatura com energia

O impulso dado pela invasão russa da Ucrânia que pôs a claro a elevada dependência da Europa dos combustíveis fósseis e acelerou o investimento em energias renováveis foi um dos principais fatores a que o FMI associa o menor impacto do conflito no Médio Oriente na economia europeia. O resultado está na fatura com energia. “A adoção de energias renováveis na Europa, aliada a uma maior eficiência energética, reduziu o impacto do choque energético nas despesas energéticas das famílias em cerca de 8%“, conclui o Fundo.

No ano passado, quase metade da eletricidade gerada na UE foi de energias renováveis, o que compara com cerca de um quarto nos Estados Unidos. A China, por seu lado, aproxima-se dos valores registados na Europa.

A adoção de energias renováveis na Europa, aliada a uma maior eficiência energética, reduziu o impacto do choque energético nas despesas energéticas das famílias em cerca de 8%.

FMI

Regional Economic Outlook de outubro de 2026

Além disso, um ambiente macroeconómico “benigno”, com a procura a abrandar e maior folga no mercado laboral, juntamente com uma resposta de política económica “apropriada”, têm ajudado a conter a inflação. Os bancos centrais subiram taxas ou fizeram uma pausa nos cortes, e a política orçamental tem “evitado um grande estímulo discricionário na maioria dos países e tem-se mantido, em termos gerais, neutra numa base ponderada pelo PIB”, embora os défices continuem elevados em alguns casos. Apesar de todos os países terem introduzido medidas para fazer face ao aumento dos preços da energia, estas “têm sido muito menos onerosas (cerca de 0,3% do PIB, em média, na UE, em meados de setembro) do que as implementadas após a invasão da Ucrânia pela Rússia“.

Apesar da elevada incerteza futura, muito dependente da evolução da guerra no Médio Oriente e dos preços das matérias-primas, como o petróleo e gás, os economistas do FMI acreditam que o Banco Central Europeu (BCE) deverá voltar a subir juros em 25 pontos base ainda este ano, para “assegurar que a inflação subjacente permanece contida“. Este aumento deverá somar-se às subidas de taxas em junho e setembro.

Olhando para o futuro, o Fundo alerta ainda para o risco de as medidas orçamentais para lidar com os impactos da guerra serem “mal calibradas” e poderem comprometer os esforços de desinflação. Num cenário de forte aumento da despesa com a defesa, com a transição energética, as pensões e os cuidados de saúde, “os custos estão a aumentar e o espaço orçamental é limitado“. O FMI antecipa que estes custos aumentem a despesa pública em 4,5% do PIB das economias europeias avançadas até 2040. Por outras palavras, não optar por consolidação orçamental não é uma opção.

Um quarto dos países da UE teria de consolidar mais de 5% do PIB para manter a dívida sustentável

É preciso agir para assegurar a sustentabilidade da dívida pública. Com esse objetivo, o FMI assume que três quartos dos países europeus tenham de adotar uma combinação de reformas estruturais, destinadas a aumentar o crescimento (por exemplo, a reforma do mercado único) e aliviar a pressão sobre a despesa (como a reforma das pensões), a par de medidas de consolidação orçamental, destinadas a reduzir o défice em cerca de 3,5% do PIB, em média, a médio prazo.

Um quarto dos países europeus teria de proceder a uma consolidação orçamental superior a 5% do PIB para manter a dívida pública sustentável, o que excede o que se revelou viável no passado.

FMI

Regional Economic Outlook de outubro de 2026

Se os planos orçamentais-estruturais de médio prazo da UE poderiam ser um passo nesse sentido, o Fundo alerta para a necessidade de reajustamento. Não só porque a consolidação prevista nestes planos poderá ficar aquém dos objetivos, tendo em conta as projeções da instituição, como também foram finalizados antes da adoção da nova meta da NATO, de investimento de cerca de 2% do PIB em defesa, o que desvirtua a consolidação orçamental acordada.

No novo cenário, detalha o FMI, um quarto dos países europeus teria de proceder a uma consolidação orçamental superior a 5% do PIB para manter a dívida pública sustentável, “o que excede o que se revelou viável no passado, não deixando outra opção senão repensar o âmbito da atividade do Estado e aumentar o papel do setor privado para colmatar essa lacuna”.

Eurostat confirma inflação de 3,8% em setembro na Zona Euro

16 October 2026 at 10:34

O Eurostat confirmou esta sexta-feira a inflação de setembro na Zona Euro em 3,8%, uma subida significativa face aos 3,2% registados em agosto, e que afasta a taxa da meta de 2% pretendida pelo Banco Central Europeu (BCE). No caso da União Europeia os valores são semelhantes.

Esta é a taxa de inflação mais elevada do conjunto de países da moeda única europeia desde setembro de 2023, ou seja, três anos. Nesse mês, a subida de preços foi de 4,3%.

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Em setembro de 2026, “os setores da energia (1,71 pontos percentuais), dos serviços (1,52 pp), dos bens industriais não energéticos (0,29 pp) e dos alimentos, bebidas alcoólicas e tabaco (0,25 pp) contribuíram positivamente para a taxa de inflação anual da Zona do Euro”, detalha o gabinete de estatísticas europeu.

As taxas de inflação mais elevadas foram registadas na Roménia (6,5%), na Lituânia (6,1%) e na Bulgária (5,6%), enquanto Suécia (1%), Hungria e Dinamarca (ambas com 2,1%) tiveram os menores aumentos. “Em comparação com agosto de 2026, a inflação anual diminuiu num Estado-Membro, manteve-se estável em 3 e aumentou em 23“, pode ler-se ainda.

Em Portugal, o Instituto Nacional de Estatística confirmou esta terça-feira que a inflação de setembro foi de 3,6% em setembro, uma subida de 0,3 pontos percentuais face a agosto.

BCE deve reagir em dezembro

A inflação na Zona Euro está assim há sete meses consecutivos acima da meta de 2% do BCE, o que tem levado os decisores em Frankfurt a subir juros por duas vezes este ano, elevando a taxa diretora para 2,5%.

Os mercados admitem uma nova subida de juros pelo BCE este ano, no encontro de dezembro. Na reunião de outubro, agendada para os dias 28 e 29 de outubro, é esperado que as taxas se mantenham inalteradas. Além da crescente inflação e da meta de estabilidade de preços, o BCE também terá de analisar a subida acentuada dos juros da dívida soberana dos países da moeda única.

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