Milão encerra lojas de luxo. Louis Vuitton e Hermès saqueados durante motins em França
Em França, as lojas da Louis Vuitton e Hermès foram saqueadas em Marselha, o mesmo acontecendo com a Celine, em Paris, nas manifestações de sábado, em França, em protesto contra as condições nas escolas e o custo de vida. Várias outras marcas de luxo foram alvo de vandalismo no centro da capital francesa, de acordo com o Financial Times e o Le Monde.
Em Itália, depois de dois dias de distúrbios, o vice-primeiro-ministro, Matteo Salvini, anunciou que vai mobilizar 500 militares do exército para “defender Milão”, segundo a Reuters.
Esta segunda-feira, as lojas do centro de Milão fecharam mais cedo e taparam as montras com tábuas, receando uma nova vaga de violência. Na Via Montenapoleone, zona de compras de luxo da cidade, as lojas de marcas como Chanel, Tiffany e Dior retirou os produtos das montras por precaução.
Durante o fim de semana, centenas de manifestantes incendiaram caixotes do lixo e saquearam lojas no centro de Milão, entre elas a Decathlon e a Arc’teryx. Outras como a Levi’s e Under Armour, cobriram as montras com painéis de madeira e cartão.
A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, condenou a violência e a polícia italiana afirmou ter detido 271 jovens, 23 deles menores de idade, durante os distúrbios de domingo em Milão.
Os incidentes em Itália assemelham-se ao que aconteceu em França, onde foram detidas 1200 pessoas e há registo de saques e vandalismo nas principais cidades.
Lojas de luxo vandalizadas
As lojas da Hermès e Louis Vuitton de Marselha foram saqueadas este sábado durante as manifestações. Em Paris, a Celine também foi alvo de assalto e a loja da Louis Vuitton na Place Vendôme foi vandalizada por seis pessoas encapuzadas que usaram uma barreira rodoviária como arma de arremesso. Um funcionário da loja disse ao Financial Times que os alegados assaltantes não conseguiram entrar. “Não eram manifestantes, eram pessoas que tinham saído apenas para partir coisas e roubar”, relatou.
Os danos ficaram limitados à fachada do espaço comercial da Louis Vuitton tal como na joalharia Graff, na mesma praça, que estava encerrada esta segunda-feira, com as montras partidas.
As tentativas de vandalização estenderam-se a vários pontos da capital francesa e a outras lojas de luxo. Nas redes sociais circulam imagens que mostram uma dúzia de seguranças privados ao redor da loja da Dior na Avenue Montaigne. Outra loja da marca, na Rue Saint-Honoré foi grafitada com palavras de ordem contra a polícia. Já na Rue Royale, a loja da Dior ficou a salvo porque os funcionários baixaram as grades de segurança cerca das 16h00. Um funcionário da Dior relatou ter visto “a polícia ser empurrada pela multidão ao longo da rua”. Do outro lado da rua, as montras da loja Ralph Lauren foram partidas e a Kenzo foi saqueada. A Burberry também foi atacada.
As associações que representam as lojas da Place Vendôme, Saint Honoré e Champs-Élysées condenaram esta segunda-feira os atos dos manifestantes num comunicado conjunto. “Paris não pode ceder aos manifestantes violentos. Recusamo-nos a deixar que o medo se instale nas nossas ruas. Quem vive e trabalha aqui não aceitará isso”.
Não foram apenas as lojas de luxo que foram alvo de vandalismo ou saque. Foram assaltadas uma loja da Lacoste, lojas da JD Sports, lojas da Sephora por toda a França e uma loja da Apple em Lille. Na montra da Tesla, em Paris, um grafiti acusava Elon Musk de ser nazi.
Desta vez, segundo o Financial Times, não houve coordenação entre sindicatos e polícia e as forças de segurança foram rapidamente dominadas.
Nas manifestações de sábado, cerca de 3 mil empresas terão sido afetadas. As estimativas são do ministro do Comércio, Serge Papin. O governo francês prometeu um apoio de emergência. Os motins e saques deverão custar aos seguros mil milhões e 1,2 mil milhões de euros, segundo a Morningstar.
A polícia está a trabalhar para que os bens que foram roubados não sejam revendidos online em plataformas como a Vinted, Amazon ou eBay, adianta o Financial Times. Vários ministros reuniram-se com estas empresas de revenda para discutir a remoção de artigos suspeitos de terem sido saqueados.
Grupos de luxo como a Kering e Hermès apresentam esta semana as suas contas dos primeiros nove meses do ano.
