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Ativo do dia. Brent ‘espreita’ os 112 dólares e renova máximos de cinco meses

20 October 2026 at 18:00

O ativo

Contratos de futuros do Brent. A referência do petróleo para o mercado europeu escalou até aos 111,99 dólares por barril na sessão desta terça-feira, registando assim o valor mais elevado desde 18 de maio. O marco foi registado às 12h37, hora de Lisboa, que se traduziu numa subida de 2,2% do barril de petróleo. O West Texas Intermediate, referência norte-americana, tocou nos 110 dólares, o nível mais alto desde abril para um contrato de entrega próxima.

Atualmente, o Brent está a corrigir cerca de 1% para 108,6 dólares num contexto de guerra no Irão, de ataques a navios no Golfo e de limitações à passagem pelo estreito de Ormuz, numa altura em que o Irão intensificou os ataques a petroleiros.

Nota: Se está a aceder através das apps, carregue aqui para abrir o gráfico.

O marco

A sessão desta terça-feira tem sido particularmente volátil, com o Brent a negociar entre 105,95 dólares e 111,99 dólares, após ter começado o dia a negociar nos 109,15 dólares. Ao início da tarde, os contratos de Brent para a entrega mais próxima atingiram o valor mais alto desde 18 de maio.

Os preços do petróleo continuam bem sustentados. Isto sugere que o mercado está a incorporar um prémio de risco significativo, dada a volatilidade da situação.

Warren Patterson e Ewa Manthey

Analistas do ING

A causa

Os houthis, aliados do Irão no Iémen, anunciaram na segunda-feira ataques a alvos sauditas, entre os quais uma instalação da Aramco em Yanbu e o campo petrolífero de Shaybah, apesar de as autoridades sauditas não terem confirmado o ataque. A Kpler, uma plataforma global de dados e análise em tempo real focada na inteligência de comércio físico, fluxos de mercadorias e rastreamento marítimo, contabiliza pelo menos 18 navios atacados em duas semanas.

Os analistas do ING indicam que o mercado inclui um prémio de risco significativo no preço. A suspensão de sanções à Rússia, decretada por Donald Trump, não travou a subida da cotação do petróleo nos mercados internacionais, porque os investidores deram mais peso ao risco para as infraestruturas do Golfo.

O que esperar a seguir

O mercado vai acompanhar a decisão final de Washington sobre as sanções à Rússia, que Trump ainda não anunciou, e a evolução dos ataques no Golfo. O ING aponta que o prémio de risco só diminui se os fluxos de crude se mantiverem sem interrupções, o que ainda não se verificou.

A Agência Internacional de Energia (AIE) está pronta para coordenar novas libertações de reservas de emergência e quer acelerar a entrega de mais de 20 milhões de barris de gasóleo. Fatih Birol, diretor executivo da AIE, afirmou não ver “nenhum caminho credível” para a normalização em 2027.

A frase

“Os preços do petróleo continuam bem sustentados. Isto sugere que o mercado está a incorporar um prémio de risco significativo, dada a volatilidade da situação.”, afirmam Warren Patterson e Ewa Manthey, analistas do ING.

Os 10% mais ricos concentram 59% da riqueza das famílias

20 October 2026 at 11:16

Ordenando as famílias portuguesas das mais pobres para as mais ricas, os 10% do topo ficaram, em média, com 59% da riqueza líquida do país entre 2010 e 2025, enquanto as famílias com riqueza abaixo da mediana (que são metade do total) ficaram apenas com 6% desse bolo. Os números constam das contas de distribuição da riqueza, estatísticas experimentais do Banco de Portugal que passam a estar disponíveis esta terça-feira numa nova plataforma de dados do supervisor.

Conhecidas internacionalmente como Distributional Wealth Accounts (DWA), estas contas são produzidas trimestralmente no âmbito do Sistema Europeu de Bancos Centrais e juntam os dados macroeconómicos das contas nacionais à informação sobre as famílias recolhida no Inquérito à Situação Financeira das Famílias (ISFF), mostrando assim o valor total da riqueza e a forma como se divide por três grupos: os 10% mais ricos, as famílias entre a mediana e esse topo, e as que estão abaixo da mediana.

De acordo com os dados divulgados esta terça-feira pelo Banco de Portugal, no final de 2025, a riqueza líquida das famílias portuguesas totalizava 1.196 mil milhões de euros, cerca de 388% do PIB, e tem crescido desde 2010. A única exceção foi o período entre 2011 e 2013, em que diminuiu.

No primeiro trimestre de 2026, o valor subiu para 1.214 mil milhões de euros, mais 7,6% do que um ano antes. Desse total, 714 mil milhões (59%) estavam nas mãos do top 10% e 72 mil milhões nas das famílias abaixo da mediana.

O índice de Gini, que mede a desigualdade na distribuição da riqueza numa escala de 0 a 100 (em que 0 corresponde a igualdade perfeita e 100 a toda a riqueza numa só família), era de 72,5 em Portugal no primeiro trimestre de 2026. Na área do euro, o valor era de 73,1.

Entre os países analisados, o índice varia entre os 77 da Finlândia e da Áustria e os 53 de Malta. O Banco de Portugal conclui que a desigualdade evoluiu de forma semelhante em Portugal e na área do euro entre 2010 e 2025, tendo aumentado ao longo da década de 2010, diminuído no final desse período e voltado a subir nos anos seguintes.

Composição do património de ricos e “remediados”

A diferença da riqueza entre grupos não está só no valor da riqueza acumulada, mas também na composição do património. Em média, entre 2010 e 2025, os imóveis representaram 52% dos ativos das famílias, à frente dos depósitos (19%) e das participações em capital (16%).

A habitação é assim o principal ativo das famílias portuguesas. Na estatística apresentada pelo Banco de Portugal, os imóveis incluem a residência principal e outros imóveis residenciais que não sejam usados na atividade empresarial.

O peso da habitação varia, porém, muito consoante o nível de riqueza. No final de 2025, os imóveis representavam mais de 70% dos ativos das famílias abaixo da mediana e menos de 40% dos ativos das que pertencem ao top 10%.

As famílias mais ricas têm um conjunto de ativos mais diversificado, com maior peso das participações em capital, detidas em empresas cotadas ou não cotadas em bolsa, e de outros ativos, como títulos de dívida e fundos de investimento.

No lado das dívidas, os passivos das famílias somavam 167 mil milhões de euros no primeiro trimestre de 2026, dos quais 77,4% eram empréstimos à habitação. Os ativos totalizavam 1.382 mil milhões.

O supervisor sublinha que são estatísticas experimentais, com metodologia ainda em desenvolvimento, e que os resultados podem diferir dos do ISFF. Na habitação, por exemplo, o ISFF assenta na avaliação feita pelas famílias, e estas contas ancoram-se na evolução do stock de habitação das contas nacionais. Ficam também de fora os direitos associados a pensões e o numerário em carteira.

Investimento verde na indústria nacional cresce 71% em 2025

20 October 2026 at 11:02

Portugal responde por 2% do investimento verde reportado pelas grandes empresas da União Europeia (UE) em 2025, mas surge em quinto lugar quando esse investimento é comparado com o PIB, acima da média europeia de 1,7%.

O resultado consta do relatório “Monitoring Capital Flows to Sustainable Investments”, que é divulgado esta terça-feira pela Plataforma da UE para as Finanças Sustentáveis, um grupo independente de peritos que aconselha a Comissão Europeia sobre estas regras.

O estudo mede o investimento em equipamentos, redes e outros ativos duradouros (o chamado CapEx) que cumpre a taxonomia europeia, a lista de atividades consideradas sustentáveis do ponto de vista ambiental. Em 2025, esse investimento somou 313 mil milhões de euros na UE, reportado por atividade por 553 entidades, revelam os autores.

No conjunto dos países da União Europeia, as grandes empresas investiram 512 mil milhões de euros em projetos verdes e de transição em 2025, o equivalente a 21% do investimento empresarial total.

Quase um terço do total vem da Alemanha (31%), seguida de França (18%), Itália (12%) e Espanha (9%). Os Países Baixos (7%) e a Dinamarca (4%) completam um grupo de seis países que concentra 81% do investimento. Portugal pesa 2%, tal como a Áustria e a Polónia, o que corresponde a cerca de 6 mil milhões de euros.

Em percentagem do PIB, o investimento verde alinhado com a taxonomia ficou em 1,7%, em média, na UE. A Dinamarca e a Chéquia estão acima de todos, e vários países ficaram em 0,5% ou menos. Portugal surge depois da Dinamarca, da Chéquia, da Alemanha e da Letónia, e à frente de França, Países Baixos e Itália.

Total EU taxonomy-aligned CapEx in 2025

“Esta repartição por países reflete a domiciliação das entidades que reportam e não a localização física efetiva do investimento, que está fora do âmbito desta análise”, destacam os autores do relatório, acrescentando ainda que os totais nacionais “podem ser influenciados por um pequeno número de grandes empresas de serviços públicos, fabricantes ou operadores de transportes”. Na prática, o investimento é contado no país onde as empresas têm sede, mesmo que o dinheiro seja aplicado noutro.

Na indústria transformadora, o investimento alinhado da UE subiu 4%, para 81 mil milhões de euros, o que representa mais 2,8 mil milhões do que em 2024. Portugal investiu cerca de 400 milhões de euros em 2025, mais 71% do que em 2024, o que equivale a um aumento de perto de 170 milhões.

A Alemanha, por exemplo, investiu 49,6 mil milhões no ano passado (mais 15% face a 2024) e a Grécia aplicou 600 milhões, multiplicando o investimento por quase 3 vezes entre 2024 e 2025. Na direção oposta surge Espanha, que recuou 43%, os Países Baixos (-44%) e a Polónia (-43%). O relatório atribui parte destas quedas a mudanças na forma como uma grande empresa reporta, e não a uma redução real da atividade.

Numa altura em que a Europa tem de reforçar a sua competitividade e resiliência, precisamos de ligar de forma mais eficaz a poupança europeia ao investimento produtivo em todo o Mercado Único.

Carlos Eduardo Martins

Co-autor do relatório 'Monitoring Capital Flows to Sustainable Investments'

O relatório destaca ainda que o investimento alinhado concentra-se em poucos setores: eletricidade (46%), indústria transformadora (25%) e serviços de transporte (18%). Os edifícios, onde se incluem as casas, ficam-se pelos 5%.

“A base de evidência atual provém sobretudo de grandes empresas e, por isso, oferece uma visibilidade limitada sobre as empresas de média capitalização, as PME e outras entidades que não reportam”, salientam o autores do relatório, denotando com isso as limitações da análise. Referem ainda que os números “não indicam quanto flui para investimentos relacionados com combustíveis fósseis” e que os dados da taxonomia devem ser lidos “como um indicador da direção do investimento e não como uma medida completa da transição”.

No conjunto da UE, as grandes empresas investiram 512 mil milhões de euros em projetos verdes e de transição em 2025, o equivalente a 21% do investimento empresarial total. Os restantes 79% não estão nesta categoria.

O Banco Central Europeu estima que seria preciso um investimento verde adicional de 2,7% a 3,7% do PIB por ano para cumprir os objetivos climáticos da UE. O relatório cita ainda o instituto I4CE, segundo o qual só 61% do nível anual necessário foi atingido em 2025.

Para Bertrand Magné, co-correlator da Plataforma, “a Europa não carece de recursos financeiros. O desafio é ligar esses recursos de forma mais eficaz a oportunidades de investimento produtivo”, denotando com isso a necessidade de se proceder à conclusão da União da Poupança e dos Investimentos, o projeto europeu para que o capital circule mais facilmente entre países.

“Numa altura em que a Europa tem de reforçar a sua competitividade e resiliência, precisamos de ligar de forma mais eficaz a poupança europeia ao investimento produtivo em todo o Mercado Único”, refere Carlos Eduardo Martins, igualmente co-relator da Plataforma, que acrescenta que “um quadro de finanças sustentáveis coerente e credível será essencial para canalizar o capital para os investimentos de que a Europa necessita a longo prazo”.

Fundos sustentáveis deixam ‘fugir’ 37 mil milhões de euros em dois anos

20 October 2026 at 11:01

Os fundos de investimento europeus com objetivos de investimento sustentável perderam 20,7 mil milhões de euros em 2025, contabilizando assim o segundo ano consecutivo em que saiu mais dinheiro do que entrou num valor acumulado de 37 mil milhões de euros.

Em sentido oposto seguem os fundos com requisitos menos exigentes de sustentabilidade, que só no ano passado captaram mais de 800 mil milhões de euros em termos líquidos, num valor acumulado de 1,8 biliões de euros entre janeiro de 2024 e junho deste ano.

A divergência consta do relatório “Monitoring Capital Flows to Sustainable Investments”, divulgado esta terça-feira pela Plataforma da UE para as Finanças Sustentáveis, e mostra para onde foram as poupanças dos investidores depois de a União Europeia ter criado categorias para classificar estes produtos.

[Os fundos com objetivos sustentáveis] continuaram a ser demasiado específicos e dispendiosos para responder à procura do mercado geral, em termos das métricas tradicionais de classe de ativos e de risco.

Relatório 'Monitoring Capital Flows to Sustainable Investments'

A classificação resulta do regulamento europeu de divulgação de informação sobre sustentabilidade (SFDR, na sigla inglesa): os fundos do artigo 9 têm um objetivo de investimento sustentável, os do artigo 8 promovem características ambientais ou sociais, e os fundos do artigo 6 não fazem qualquer destas promessas.

Segundo dados da ESMA e da Morningstar citados no relatório, os fundos do artigo 8 captaram 327,3 mil milhões de euros em 2025, mais 47% do que em 2024, e os do artigo 6 receberam 493 mil milhões. Os do artigo 9 perderam 20,7 mil milhões, depois de saídas de cerca de 16 mil milhões em 2024. Em 2026, o padrão manteve-se: no primeiro semestre, os do artigo 8 captaram 145,3 mil milhões e os do artigo 9 perderam cerca de 700 milhões.

No segundo trimestre de 2026, os fundos do artigo 8 geriam 9,1 biliões de euros ou 59,6% dos 15,26 biliões dos fundos europeus abertos ao público em geral, conhecidos como UCITS. Os do artigo 6 somavam 5,83 biliões (38,2%) e os do artigo 9 apenas 337 mil milhões (2,2%). As saídas acumuladas do artigo 9 em 2024 e 2025 representam mais de 10% dos ativos da categoria.

Evolução das subscrições líquidas dos fundos sustentáveis

O alinhamento com a taxonomia europeia (a lista de atividades consideradas sustentáveis do ponto de vista ambiental) também difere do que os fundos declaram. Em média, os fundos do artigo 8 têm 2,3% da carteira alinhada com a taxonomia, embora declarem 35% de investimento sustentável. Nos do artigo 9, o alinhamento é de 8,8%, contra 92% declarados.

O relatório explica ainda que o universo de empresas que reportam à taxonomia “abrange apenas cerca de 2.000 empresas, enquanto a maioria dos fundos tem como referência universos europeus e não europeus muito maiores”.

Para o desempenho do artigo 9, os autores apontam que estes fundos “continuaram a ser demasiado específicos e dispendiosos para responder à procura do mercado geral, em termos das métricas tradicionais de classe de ativos e de risco” e que “a alteração significativa das condições gerais de mercado em 2025 e no início de 2026 acelerou a tendência de fluxos para os fundos dos artigos 8 e 6, que têm uma alocação de ativos ampla e baseada no mercado, uma vez que as taxas de juro e o desempenho dos setores acionistas determinaram a realocação dos fundos”.

Além disso, aponta também que a incerteza global de março de 2026 travou temporariamente as entradas no mercado europeu de fundos, sem alterar a tendência positiva do ano. Os autores do relatório acrescentam que “o atual processo de revisão do SFDR pode também ter contribuído para explicar a atual falta de tração no mercado”.

A Comissão Europeia propôs em novembro do ano passado substituir os artigos 8 e 9 por três categorias voluntárias: sustentável, de transição e de “ESG basics”, para os restantes produtos que integram critérios ambientais, sociais e de governação. Cada categoria exigiria que 70% da carteira apoiasse a estratégia escolhida, e as menções ESG no nome e na publicidade ficariam reservadas aos produtos classificados.

Segundo a Comissão Europeia, o SFDR tem sido usado como sistema de rótulos, o que gerou confusão entre investidores e aumentou o risco de “greenwashing”. O processo está na fase de negociação.

Ter uma casa em Lisboa e no Porto já não cabe num só salário. Quanto é preciso ganhar para ter um teto?

20 October 2026 at 07:05

Portugal registou no segundo trimestre a maior subida do preço das casas na União Europeia, que se traduziu num aumento de 16,5% num ano, segundo dados do Eurostat. Nas duas maiores cidades do país, este movimento de preços é só mais um sinal da pressão sobre o mercado da habitação nos últimos anos.

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