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Macron acusa líderes estrangeiros de fazer "comentários estúpidos" sobre os protestos em França

21 October 2026 at 23:08

Entre os líderes que falaram sobre a violência vivida em França estão Donald Trump e Benjamin Netanyahu, que apontam a imigração como causa da instabilidade. Já o Presidente francês garante que a manipulação de informação levou a estes comentários "inaceitáveis"

Produtos roubados em protestos na França aparecem em sites de venda online

21 October 2026 at 22:47

O mercado online de artigos em segunda mão, Vinted, removeu anúncios de produtos franceses saqueados e intensificou a verificação de anúncios “suspeitos”, numa tentativa das autoridades do país de impedir que bens roubados durante os protestos sejam vendidos online.

A Vinted afirma que as equipes tomaram “medidas imediatas para identificar e remover anúncios ligados aos saques”.

“A venda de produtos roubados, ou a solicitação dos mesmos, é estritamente proibida no Vinted, e temos tolerância zero para isso”, afirmou a empresa em comunicado, observando que “intensificou o monitoramento de anúncios suspeitos”.

Contas que violarem as regras poderão ser banidas permanentemente, afirmou a Vinted, acrescentando que está trabalhando com as autoridades policiais e francesas para “detectar e combater riscos emergentes e comportamentos maliciosos”.

A resposta surge num momento em que o governo francês intensifica a fiscalização dos mercados online, após relatos de que bens roubados durante os protestos no fim de semana apareceram a venda na internet. 

Serge Papin, ministro francês para as Pequenas Empresas, disse no X que as autoridades convocaram uma reunião com operadores de mercados online e representantes dos ministérios do Interior e da Justiça.

Na terça-feira (20), ele afirmou que o governo obteve o compromisso das plataformas de detectar e remover anúncios de itens saqueados, e que também estava monitorando as vendas, alertando que qualquer pessoa que vender produtos roubados será rastreada e processada.

Grandes varejistas, incluindo grupos de luxo como Louis Vuitton e Rolex, e a varejista de cosméticos Sephora, foram atingidos pela violência, informou a Reuters.

Entenda os protestos estudantis que se espalharam por toda a França

 

Empregada com fome mordeu uma maçã. Encontrou um raro diamante rosa roubado

By: ZAP
21 October 2026 at 22:30
Há fruta rica em vitaminas. Esta maçã era rica em minerais. Um dos diamantes mais raros de França, roubado em 1926, foi recuperado de forma insólita. Está agora em exposição no Castelo de Chantilly. Era um dia normal de dezembro de 1926, e Suzanne Schiltz tinha fome. Fazer limpezas é um trabalho esgotante, sobretudo para uma empregada de hotel em Paris, uma das cidades mais visitadas do mundo. Por isso, quando viu uma maçã na mala de dois jovens, enquanto arrumava um quarto, tirou-a de lá. À primeira dentada, os dentes de Schiltz bateram em algo tão duro que quase

Macron promete que não haverá novo caos na França antes de novos protestos

21 October 2026 at 21:56

O presidente da França, Emmanuel Macron, prometeu impedir que os distúrbios e saques do último fim de semana se repitam, enquanto o movimento dos Coletes Amarelos apresentou planos para uma grande marcha em Paris no sábado (24).

Macron afirmou nesta quarta-feira (21) que aqueles que tentarem causar desordem nos próximos protestos serão impedidos, enquanto o primeiro-ministro Sébastien Lecornu se reuniu com líderes sindicais em um esforço para amenizar uma das piores crises que a França enfrenta nos últimos anos.

Um representante do movimento “Gilets Jaunes” (Coletes Amarelos), um grupo de base não vinculado aos sindicatos, apresentou planos para uma marcha pelo centro de Paris, incluindo áreas que foram saqueadas há poucos dias.

Grupos estudantis também convocaram protestos para o mesmo dia, a fim de pressionar por maiores investimentos na educação. Os ativistas dos Coletes Amarelos buscam reativar sua campanha, que surgiu em 2018, contra o aumento do custo de vida e o declínio dos serviços públicos.

As manifestações do último fim de semana degeneraram rapidamente em violência desenfreada, especialmente em Paris, Marselha, Lyon e Limoges, e a polícia, sobrecarregada, levou horas para conter os distúrbios.

Destacando a preocupação dos investidores com a situação, os custos de endividamento do governo francês dispararam nesta semana, elevando os rendimentos dos títulos de referência de 10 anos para 5%, o nível mais alto desde julho de 2002.

Analistas afirmaram que o movimento refletiu preocupações de que a agitação pudesse complicar os esforços do governo para sanar as finanças públicas em tensão, em um momento de pressões orçamentárias já crescentes.

Macron pontuou que se reuniria com autoridades de inteligência, Lecornu e outros ministros na quinta-feira (22) para obter um relato detalhado dos distúrbios de 17 de outubro.

“Aqueles que quiserem causar desordem nos centros das cidades no próximo sábado serão impedidos de fazê-lo”, declarou Macron a repórteres durante uma visita ao Catar, onde vem buscando acordos no setor de energia enquanto a França enfrenta o aumento dos custos dos combustíveis.

“Não pode haver hesitação no topo do Estado”, adicionou.

O líder francês acusou alguns líderes estrangeiros de espalharem desinformação sobre o que havia acontecido. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em particular, atribuiu a turbulência à imigração em massa e ao islamismo radical, dizendo que se tratava de um aviso para os norte-americanos.

Questionado se estava se referindo a Trump, Macron disse: “Entre outros”, acrescentando que alguns políticos estrangeiros estavam tentando tirar proveito político às custas da França.

“Não precisamos disso. Já temos dificuldades com as quais lidar”, afirmou.

Entenda os protestos estudantis que se espalharam por toda a França

Sindicatos franceses voltam a apelar à greve

21 October 2026 at 19:00
CGT e CFDT saem de Matignon de mãos a abanar. Lecornu não anunciou medidas e Macron, do Qatar, pede firmeza após violência de 17 de outubro.

© FIRAS ABDULLAH/EPA

Sophie Binet, secretária-geral da CGT: "Chegou o momento de levar a mobilização para o próximo nível; a greve deve assumir o comando"

Vídeo mostra destruição em protestos estudantis franceses?

21 October 2026 at 15:40
"É assim que os alunos franceses exigem mais professores e escolas mais modernas." Será verdade que vídeo partilhado nas redes sociais mostre destruição durante protestos estudantis em França?

Toulouse x Troyes é adiado após onda de protestos na França

21 October 2026 at 12:59

O jogo entre Toulouse e Troyes, válido pelo Campeonato Francês, foi adiado de sábado (24) para domingo (25) a pedido da prefeitura local. A mudança foi anunciada nesta quarta-feira (21) pela Liga de Futebol Profissional da França (LFP), entidade responsável pela organização da competição.

A decisão ocorre após a França registrar, neste mês, uma das ondas de distúrbios mais graves dos últimos anos. Milhares de pessoas foram presas, enquanto lojas foram saqueadas ou danificadas durante protestos contra a alta dos preços e a deterioração dos serviços públicos.

Após os episódios de violência, Toulouse adotou um toque de recolher durante a noite em algumas áreas da cidade. A medida tem previsão de terminar no domingo, mesmo dia em que a partida será disputada.

Em comunicado, a LFP confirmou que a alteração foi solicitada pela prefeitura do departamento de Haute-Garonne e acordada com a emissora Ligue 1+. Com isso, Toulouse e Troyes se enfrentam no domingo, 25 de outubro, às 17h15, no horário local (às 13h15 no horário de Brasília).

Saques atingem lojas oficiais de clubes da Ligue 1

Na segunda-feira (19), outros dois clubes da primeira divisão francesa, Olympique de Marseille e Lille, informaram que suas lojas oficiais foram saqueadas durante os distúrbios registrados no país. Os episódios ampliaram as preocupações com os impactos da onda de violência sobre o futebol francês.

Clube tradicional da França é vendido por R$ 6 e assume dívida milionária

Macron alfineta Trump por explorar crise da França em campanha nos EUA

21 October 2026 at 11:20

O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou nesta quarta-feira (21) que o país já enfrenta dificuldades e não precisa que líderes estrangeiros usem seus problemas em campanhas eleitorais.

O político, que está no Catar, também anunciou que se reunirá com os serviços de inteligência na quinta-feira (22), antes de novos protestos previstos para o sábado (24).

O presidente disse que não houve “interferência estrangeira visível nos acontecimentos”, em referência à recente onda de distúrbios na França, mas afirmou que “houve manipulação de informações por agentes estrangeiros após os acontecimentos.”

A fala trouxe indiretas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que tem criticado os protestos em meio à campanha para as Eleições de Meio de Mandato.

O republicano fez críticas às manifestações, afirmando que a imigração de pessoas vindas de mundos completamente diferentes “destruiu o país”.

Em uma publicação na rede social Truth Social, Trump insistiu que as fronteiras fossem fechadas antes que fosse tarde demais.

“A França está em chamas! A imigração de pessoas vindas de um mundo completamente diferente — pessoas com ódio no coração — destruiu o que um dia foi um grande país. Fechem as fronteiras e retomem o controle, antes que seja tarde demais!”, escreveu ele.

Para a analista de Internacional da CNN Fernanda Magnotta, Trump ainda trouxe o caso como pano de fundo retórico durante um comício realizado no Kansas, afirmando que os Estados Unidos “queimarão como a França” caso os democratas levem a maioria no Congresso, como estimam pesquisas.

A declaração foi feita a duas semanas do pleito, em um momento em que as pesquisas apontam para uma aprovação de apenas cerca de 30% do governo republicano.

Para a Magnotta, a fala de Trump representa uma mistura inadequada de elementos de naturezas distintas.

Os protestos europeus — que se estendem além da França, alcançando Itália, Áustria e outros países — têm como base comum a insatisfação com os serviços prestados pelo Estado, a qualidade da educação e, sobretudo, a percepção de aumento do custo de vida.

“A estética do que vem acontecendo em Paris, principalmente, tem chocado o mundo todo, com violência, repressão e uma série de atitudes”, afirmou Magnotta.

Expectativa para o fim de semana

As autoridades francesas prometeram uma presença policial “massiva” para os protestos planejados para sábado (24) e impuseram toques de recolher localizados pelo segundo dia consecutivo, enquanto o país lida com as consequências dos piores distúrbios vistos em anos.

As medidas ocorrem após protestos relacionados à educação e ao custo de vida terem se transformado, no fim de semana, em uma onda de violência letal por todo o país — cenário que desencadeou uma troca de acusações no campo político interno e ameaça se espalhar para países vizinhos na Europa.

O primeiro-ministro Sébastien Lecornu afirmou que os “toques de recolher pontuais” ajudaram a manter a calma durante a noite de segunda (19) para terça-feira (20). Ele admitiu que os serviços de inteligência falharam ao identificar a gravidade da situação e reconheceu que as estratégias de segurança adotadas anteriormente eram estáticas demais.

A polícia de Paris anunciou um toque de recolher noturno, a partir das 23h de terça-feira, nas áreas mais afetadas — nos arredores da Place de la République e de Les Halles. Outras cidades, incluindo Bordeaux e Lille, também vão adotar a medida.

O ministro do Interior, Laurent Nuñez, declarou aos parlamentares na Assembleia Nacional que lamenta profundamente a violência ocorrida no fim de semana e assumiu parte da responsabilidade, ao mesmo tempo em que apontou o papel de opositores políticos e dos envolvidos nos atos de destruição.

A UNEF, principal sindicato estudantil da França, convocou novos protestos para sábado e afirmou que o movimento não cessará até que suas reivindicações sejam atendidas. A CGT, uma das maiores centrais sindicais do país, informou que participará das manifestações, defendendo que elas sejam pacíficas.

Os toques de recolher foram implementados após a prisão de mais de 2 mil pessoas no último fim de semana. O saldo inclui pelo menos duas mortes e relatos de ferimentos graves — incluindo duas pessoas que perderam as mãos.

*Com informações da CNN

Protestos na França refletem o que será da Europa em 2027, diz especialista

 

Juros da dívida francesa superam 5% pela primeira vez desde 2002

21 October 2026 at 10:44

França continua sob intensa pressão nos mercados obrigacionistas perante a deterioração das contas públicas e o clima de tensão nas ruas. Os juros dos títulos a 10 anos superaram esta quarta-feira a fasquia dos 5% pela primeira vez desde 2002, refletindo a grande preocupação dos investidores com a situação gaulesa.

Esta manhã, a yield a 10 anos atingiu os 5,002%, mais oito pontos base em relação à sessão anterior, de acordo com os dados da Refinitiv. O prémio de risco em relação à Alemanha alargou-se para 157 pontos base, aproximando-se dos valores mais elevados desde 2011.

“A vontade política para qualquer consolidação orçamental antes das eleições é muito, muito baixa”, salientou Jeff Mueller, co-responsável pelo rendimento fixo da Morgan Stanley Investment Management, citado pelo Financial Times, acrescentando que há muito espaço para “a situação piorar a partir daqui”.

Nota: Se está a aceder através das apps, carregue aqui para abrir o gráfico.

Praticamente desde fevereiro que os mercados globais de dívida estão a ser fortemente pressionados, na sequência dos ataques dos EUA e Israel no Irão, que levou os juros em todo o lado a subirem à boleia do petróleo.

Mas o problema afetou sobretudo os países mais endividados e, por isso, França tem estado na mira dos investidores, com a perceção de risco a agravar-se de dia para dia para níveis preocupantes.

Os custos de financiamento do Estado francês foram os que mais subiram nas maiores economias do mundo desde o início do conflito no Médio Oriente, justamente por conta das dúvidas quanto à capacidade do governo de sanear as contas públicas, receios a que se juntaram nas últimas semanas a forte contestação nas ruas.

O Executivo de Sébastien Lecornu apresentou um pacote de consolidação orçamental de 43 mil milhões de euros, com o objetivo de reduzir o défice de 5,4% do PIB este ano para 5% em 2027. Contudo, a aprovação parlamentar é incerta e os analistas duvidam que as medidas sejam suficientes para conter o défice orçamental e estabilizar a dívida pública, que está nos 115% do PIB (final de 2025) e deverá continuar a subir este ano e no próximo.

Também há incerteza em relação às promessas de Marine Le Pen para sanear as contas públicas. A candidata presidencial do Rassemblement National e que lidera as sondagens para as eleições de abril prometeu uma redução significativa do défice público caso o seu partido vença as eleições. O plano passa por reduzir as necessidades de financiamento do Estado para 3,7% do PIB e baixar o défice para menos de 3% do PIB até 2030.

Esta semana termina com um outro momento de tensão para a segunda maior economia da Zona Euro, com a Moody’s a atualizar o rating do país na sexta-feira. Em cima da mesa pode estar uma descida da notação de risco, tendo em conta o outlook negativo do atual rating de Aa3, o iria adicionar pressão sobre os juros.

“Com a expectativa de mais protestos, recolher obrigatório noturno e o governo a enfrentar uma pressão renovada, o risco soberano francês continua a ser uma fonte adicional de incerteza para os mercados europeus de rendimento fixo”, consideram os analistas do Danske Bank.

Os juros a 10 anos de Portugal também estão a subir, situando-se nos 3,92% — aliviando, ainda assim, dos 4% do final do mês passado.

(Notícia atualizada às 10h53)

Paris limpa praça da República após onda de protestos e toque de recolher

21 October 2026 at 10:13

Autoridades de Paris limpavam pichações da estátua na Place de la République nesta quarta-feira (21), após um fim de semana de protestos e distúrbios que levaram as autoridades a impor um toque de recolher noturno nos arredores da praça e do bairro de Les Halles.

Os distúrbios ocorrem seis meses antes da próxima eleição presidencial da França, em um contexto de fragilidade econômica e aumento da dívida pública.

O primeiro-ministro Sébastien Lecornu havia descartado um toque de recolher geral em Paris, mas não a possibilidade de declarar estado de emergência.

Segundo ele, toques de recolher parciais e localizados eram mais apropriados naquele momento.

A polícia de Paris emitiu ordens proibindo protestos em determinadas áreas da capital a partir das 20h no horário local, além de impor um toque de recolher nos arredores da Place de la République e de Les Halles a partir das 23h. As duas medidas deveriam permanecer em vigor até as 6h desta quarta-feira (21).

Os distúrbios aumentaram a pressão sobre o frágil governo do presidente Emmanuel Macron, que tenta aprovar um projeto de orçamento para controlar as finanças da França, o que pode ampliar as preocupações dos investidores.

Entenda os protestos estudantis que se espalharam por toda a França

 

Após protestos, França promete presença policial “massiva” no fim de semana

21 October 2026 at 10:00

As autoridades francesas prometeram uma presença policial “massiva” para os protestos planejados para sábado (24) e impuseram toques de recolher localizados pelo segundo dia consecutivo, enquanto o país lida com as consequências dos piores distúrbios vistos em anos.

As medidas ocorrem após protestos relacionados à educação e ao custo de vida terem se transformado, no fim de semana, em uma onda de violência letal por todo o país — cenário que desencadeou uma troca de acusações no campo político interno e ameaça se espalhar para países vizinhos na Europa.

O primeiro-ministro Sébastien Lecornu afirmou que os “toques de recolher pontuais” ajudaram a manter a calma durante a noite de segunda (19) para terça-feira (20). Ele admitiu que os serviços de inteligência falharam ao identificar a gravidade da situação e reconheceu que as estratégias de segurança adotadas anteriormente eram estáticas demais.

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A polícia de Paris anunciou um toque de recolher noturno, a partir das 23h de terça-feira, nas áreas mais afetadas — nos arredores da Place de la République e de Les Halles. Outras cidades, incluindo Bordeaux e Lille, também vão adotar a medida.

O ministro do Interior, Laurent Nuñez, declarou aos parlamentares na Assembleia Nacional que lamenta profundamente a violência ocorrida no fim de semana e assumiu parte da responsabilidade, ao mesmo tempo em que apontou o papel de opositores políticos e dos envolvidos nos atos de destruição.

“Assumo minha parcela de responsabilidade, mas não gostaria que esquecêssemos a responsabilidade significativa de um determinado campo político que não hesita em jogar lenha na fogueira, nem a responsabilidade dos próprios agitadores”, disse Nuñez.

A UNEF, principal sindicato estudantil da França, convocou novos protestos para sábado e afirmou que o movimento não cessará até que suas reivindicações sejam atendidas. A CGT, uma das maiores centrais sindicais do país, informou que participará das manifestações, defendendo que elas sejam pacíficas.

Os toques de recolher foram implementados após a prisão de mais de 2 mil pessoas no último fim de semana. O saldo inclui pelo menos duas mortes e relatos de ferimentos graves — incluindo duas pessoas que perderam as mãos.

A polícia utilizou gás lacrimogêneo contra as multidões e entrou em confronto com manifestantes encapuzados e vestidos de preto, que atearam fogo a diversos locais e invadiram milhares de lojas e prédios públicos.

Imagens registraram, inclusive, edifícios históricos em chamas.

As repercussões políticas podem ser significativas, aprofundando as divisões entre os principais partidos, a apenas seis meses da eleição para suceder o presidente francês, Emmanuel Macron.

A grande maioria dos manifestantes tem agido de forma pacífica, ressaltam autoridades e líderes políticos — mas o nível de confrontos e destruição abalou o país e provocou condenações contundentes, tanto por parte de líderes quanto da população.

“Aqueles que destruíram devem pagar”, disse Macron na noite de domingo. “Aqueles que saquearam devem arcar com as consequências. Aqueles que tentaram derrubar a República serão responsabilizados.”

Ele também prometeu realizar reuniões esta semana para discutir “propostas concretas” e ouvir as demandas dos manifestantes — mas muitos deles permanecem céticos.

Como tudo começou?

Tudo teve início em setembro, com uma greve de estudantes e professores em uma escola de ensino médio nos subúrbios de Paris, que exigiam mais funcionários e recursos. As reivindicações foram atendidas e a greve terminou — mas o episódio serviu como uma faísca que logo se espalhou por todo o país.

Estudantes de várias regiões, há muito frustrados com um sistema educacional superlotado e com falta de pessoal, iniciaram protestos que, por vezes, tornaram-se violentos. Uma resposta policial excessivamente dura alimentou a indignação popular e levou centenas de milhares de pessoas às ruas, especialmente após a circulação de vídeos que mostravam um policial utilizando uma técnica de imobilização proibida contra uma jovem.

Em poucas semanas, os protestos ganharam força e se transformaram em um movimento mais amplo, indo além dos estudantes e refletindo um descontentamento generalizado com o custo de vida, a suposta inação do governo, o crescente abismo de riqueza e um profundo desejo por mudanças sociais e políticas.

“Isso não pode continuar”, disse Maria Pallas, de 57 anos, integrante de um importante sindicato francês, em entrevista à CNN durante o protesto realizado no sábado, em Paris.

“Há a questão do custo de vida. Há o desemprego. Há uma série de problemas. Um jovem sai em busca de trabalho, prometem-lhe muita coisa, mas, no fim, ele acaba sem nada”, afirmou.

O que aconteceu neste fim de semana?

Mais de meio milhão de pessoas manifestaram-se por toda a França no sábado. Na maior parte, as manifestações transcorreram de forma pacífica. Contudo, em vários locais, os protestos descambaram para a violência, especialmente ao cair da noite.

Em Paris, grupos de jovens mascarados saquearam lojas e atearam fogo a estabelecimentos; em Lyon, manifestantes incendiaram o posto de turismo da cidade; na cidade de Limoges, no centro do país, a torre de uma prefeitura de 143 anos desabou em meio às chamas — um episódio que, para alguns, trouxe à tona lembranças dolorosas do incêndio da Catedral de Notre-Dame. Cerca de 3 mil lojas foram saqueadas em todo o país, informou o ministro da Justiça, Gérald Darmanin, na terça-feira.

No domingo, também ocorreram focos isolados de protestos.

Ao final do fim de semana, Paris parecia uma “zona de guerra”, relatou um visitante à agência Reuters. Moradores de Paris e de outras cidades francesas ficaram chocados; alguns condenaram os saqueadores e vândalos, enquanto outros culparam as autoridades por não terem lidado com a crise mais cedo.

“É de partir o coração, é de partir o coração ver nossa cidade assim”, disse Farida, uma moradora de Marselha de 59 anos — que não revelou seu sobrenome —, segundo a Reuters. “Se todo protesto termina com vitrines quebradas e lojas destruídas, isso simplesmente não pode continuar — não pode continuar.”

Paola Formenti, uma moradora de Paris de 56 anos, expressou apoio à indignação “legítima” dos manifestantes, ao mesmo tempo em que condenou a violência.

O que vem a seguir, e será que os protestos vão se espalhar?

Os protestos e suas consequências podem influenciar as próximas eleições na França, na primavera do ano que vem.

A líder da direita, Marine Le Pen, que lidera as pesquisas de intenção de voto, afirmou neste fim de semana que “reivindicações sociais legítimas foram, mais uma vez, feitas reféns pela extrema-esquerda”. Seu rival da extrema-esquerda, Jean-Luc Mélenchon, defendeu repetidamente o direito dos estudantes de protestar.

Também ocorreram manifestações em outras partes da Europa no último fim de semana.

Na Bélgica, estudantes protestaram contra a situação do sistema educacional do país. Em Portugal, dezenas de milhares de pessoas marcharam em Lisboa no sábado para protestar contra o aumento do custo de vida e a crise habitacional no país.

Na Itália, Milão também registrou duas noites consecutivas de distúrbios neste fim de semana, resultando em prejuízos de cerca de 1 milhão de euros, segundo autoridades. Manifestantes atiraram pedras e saquearam supermercados; a polícia respondeu com gás lacrimogêneo e jatos d’água, efetuando 32 prisões.

O comércio só reabriu na terça-feira, após o governo anunciar uma série de medidas para lidar com os protestos violentos.

Entre elas, está a criação de um novo tipo penal: a “participação violenta em manifestação”. Os infratores podem enfrentar até cinco anos de prisão e multas de até 20 mil euros.

A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, afirmou que a pena aumenta caso o manifestante esteja com o rosto coberto, cause ferimentos a terceiros ou se um grupo de manifestantes praticar atos de vandalismo contra o patrimônio.

Como parte das novas medidas, os manifestantes — ou os pais daqueles que forem menores de idade — deverão arcar com os custos de quaisquer danos pelos quais sejam responsáveis.

Além disso, menores de idade agora podem ser submetidos à detenção preventiva, medida anteriormente restrita a adultos. A primeira-ministra mencionou que uma criança de 11 anos estava entre os manifestantes mais jovens identificados em Milão.

O ministro da Justiça da Itália, Carlo Nordio, declarou que aqueles que utilizarem as redes sociais para organizar protestos violentos poderão enfrentar penas de até 12 anos de prisão.

Meloni informou ainda que 500 militares adicionais serão enviados a Milão até o final do ano para apoiar as forças de segurança. Também serão abertas novas vagas em centros de detenção juvenil para acomodar um número maior de jovens detidos.

Enquanto isso, na Albânia, estudantes têm saído às ruas há meses para protestar contra o que consideram ser corrupção governamental. As manifestações na capital, Tirana, tornaram-se violentas neste fim de semana; uma pessoa foi fotografada lançando um coquetel molotov contra a tropa de choque.

Autoridades em vários desses países condenaram a violência e pediram calma. Os protestos chamaram a atenção da Casa Branca: o vice-presidente JD Vance publicou na rede social X um vídeo da prefeitura de Limoges em chamas, atribuindo os distúrbios a uma política de imigração fracassada.

O presidente dos EUA, Donald Trump, também mencionou os protestos durante um comício na Geórgia neste fim de semana, brincando: “Vamos para a França, participar da revolução e gastar nossos US$ 5 mil lá” — referindo-se ao dividendo prometido caso os republicanos vençam as eleições de meio de mandato.

(Com informações de Pierre Bairin, Max Saltman, Joseph Ataman, Niamh Kennedy, Lisa Courbebaisse, Lucie Lepellec, Catherine Nicholls, Sana Noor Haq, James Legge, Sharon Braithwaite, Stefano Pozzebon, Issy Ronald, Melissa Bell, Sarah Hutter, Hira Humayun e Antonia Mortensen, da CNN)

Entenda os protestos estudantis que se espalharam por toda a França

 

Tempos sombrios

21 October 2026 at 00:25
As governações de centro-direita ou centro-esquerda aqui e na Europa olharam para onde, pensaram em quê, cuidaram de quem? Se nenhuma violência é suportável nem admissível, a “malaise” é indisfarçável

Ainda ontem estava em França e agora já está cá?

21 October 2026 at 00:22
À data, são “só” acampadas e grandoladas que, às vezes, dão em cassetetadas. Mas seria um erro crasso ignorar o histórico testemunho de Dino Meira sobre a rapidez com que se chega cá vindo de França.

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