❌

Normal view

A maior fusão da história pode estar a caminho. Musk estuda união entre SpaceX e Tesla

21 October 2026 at 09:27
Elon Musk

Elon Musk abriu a porta à união das duas empresas que lidera. SpaceX e Tesla criaram comités especiais para analisar uma eventual fusão, confirmou o empresário durante a apresentação dos resultados trimestrais da SpaceX. Musk considera que a operação “seria uma boa ideia”, mas deixou claro que ainda não existe qualquer acordo sobre os termos do negócio.

A combinação das duas empresas daria origem a um grupo avaliado em cerca de 3,5 biliões de dólares (3,1 biliões de euros), colocando-o entre as maiores empresas cotadas do mundo, apenas atrás de gigantes como Nvidia, Apple, Alphabet e Microsoft. A Reuters estima que a operação poderia tornar-se a maior fusão empresarial da história.

Musk, que é fundador e CEO das duas companhias, não participa diretamente nas discussões dos comités devido ao potencial conflito de interesses. O próprio empresário procurou travar as expectativas, dizendo que a concretização da operação não deve ser dada como garantida.

A aproximação entre SpaceX e Tesla não é, contudo, inteiramente nova. As duas empresas têm vindo a cruzar interesses em áreas como inteligência artificial, robótica, chips, computação e infraestruturas. Um dos exemplos é a Terafab, uma parceria para desenvolver e produzir chips de inteligência artificial, que tem como objetivo iniciar produção em volume em 2028.

SpaceX dispara nas receitas

O anúncio surgiu no mesmo dia em que a SpaceX revelou um trimestre de forte crescimento. A empresa registou 14,6 mil milhões de dólares (12,5 mil milhões de euros) de receitas entre julho e setembro, mais 161% do que no mesmo período de 2025. O lucro líquido atingiu 4,4 mil milhões de dólares (3,8 mil milhões de euros), contra um prejuízo de 1,1 mil milhões de dólares (980 milhões de euros) um ano antes.

A grande surpresa está na área de inteligência artificial, denominada pela empresa Super Intelligence. As receitas deste segmento chegaram aos 7,56 mil milhões de dólares (6,5 mil milhões de euros), contra 813 milhões de dólares no terceiro trimestre de 2025. O crescimento foi impulsionado, entre outros factores, por novos contratos de serviços de computação na nuvem e pela aquisição da Cursor.

A conectividade, onde se encontra a Starlink, continua também a ser um dos motores do negócio, com receitas de 5,25 mil milhões de dólares (4,5 mil milhões de euros), enquanto a área espacial gerou 1,77 mil milhões de dólares (1,5 mil milhões de euros).

A SpaceX está, entretanto, a investir fortemente nesta expansão. As despesas de capital chegaram a 19,6 mil milhões de dólares (16,8 mil milhões de euros) no trimestre, dos quais 16,4 mil milhões de dólares (14,6 mil milhões de euros) foram destinados ao negócio de Super Intelligence.

Musk mantém a fasquia elevada e acredita que a SpaceX poderá chegar a um bilião de dólares (890 mil milhões de euros) de receitas até ao final de 2027. Para já, a empresa parece estar a deixar de ser apenas uma companhia de foguetões e satélites para se transformar num conglomerado tecnológico cada vez mais centrado na inteligência artificial.

Aumento de 6% na despesa não chega para as necessidades

21 October 2026 at 07:41

O Orçamento do Estado para 2027 não responde às expetativas da Confederação Nacional das Cooperativas Agrícolas (Confagri) para o setor agroalimentar, que continua sem ver medidas concretas para reduzir os custos de produção, reforçar o investimento agrícola e aproximar as condições dos agricultores portugueses das dos congéneres europeus, nomeadamente dos espanhóis.
A despesa total consolidada do Ministério da Agricultura e Mar vai aumentar 6,5% em 2027, para 1.625 milhões de euros, sem o efeito do PRR. Apesar do crescimento, o investimento recua 44,6%, para 120,8 milhões de euros, enquanto as transferências de capital caem 31,8%. Com o PRR, a despesa total consolidada diminui 9,5%, para 1.647,3 milhões de euros.

Nuno Serra, secretário-geral da Confagri, considera que o aumento de 6% da despesa não demonstra que exista financiamento suficiente para responder às necessidades do setor. “O orçamento que está inscrito no Ministério da Agricultura não tem tradução nenhuma daquilo que são as pretensões da Confagri”, afirma.

Um dos principais problemas é a diferença de custos face a Espanha, nomeadamente nos combustíveis. Nuno Serra recorda que os agricultores portugueses receberam apoios de 10 cêntimos por litro de gasóleo agrícola, enquanto em França o apoio chegou aos 30 cêntimos. A proposta orçamental não apresenta, na sua leitura, sinais de uma resposta para atenuar estas diferenças. Uma posição partilhada por Luís Mira, Secretário Geral da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP).

A Confagri alerta ainda para a falta de verbas adicionais para investimento, numa altura em que o quadro comunitário está esgotado. Segundo Nuno Serra, excluindo as verbas do PTRR, o investimento previsto diminui, deixando o setor numa situação “cada vez mais débil”, sublinhando que o setor agroalimentar representa 3.700 milhões de euros em volume de negócios.

Para Mira a execuação do orçamento é mais importante do que a verba prevista, apontando as tempestades de 2026 como um dos exemplos de necessidade de maior agilidade na resposta do Governo perante situações de emergência. “O que falhou em 2026.” Questionado sobre a redução da verba, o responsável alerta para as dificuldades de comparação entre orçamentos, uma vez que as rubricas podem mudar de ano para ano e os valores podem ser influenciados por despesas extraordinárias.

❌