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Fusão da SpaceX e Tesla pode criar gigante de 3,5 biliões de dólares. Qual é o plano de Musk?

21 October 2026 at 16:04

A eventual fusão entre a gigantes SpaceX e a Tesla poderá dar origem a uma das maiores empresas tecnológicas do mundo, reunindo negócios que vão dos automóveis elétricos aos foguetões, passando pelos satélites, pela robótica e pela inteligência artificial (IA). A operação juntaria duas empresas avaliadas em cerca de 3,5 biliões de dólares (ou 3,5 trillions, no original em inglês), com potencial para explorar sinergias em áreas estratégicas para Elon Musk.

A possibilidade de unir as duas empresas não é nova, mas ganhou outra dimensão esta terça-feira. O Financial Times (FT) noticiou que ambas constituíram comités especiais para analisar uma eventual fusão, enquanto Musk manifestou publicamente o seu apoio à operação, embora tenha ressalvado que ainda não há acordo sobre os termos nem garantias de que venha a concretizar-se.

“Acho que seria uma boa ideia? Sim. Mas, no final de contas, os acionistas têm de apoiar esta iniciativa”, afirmou o empresário, acrescentando que, enquanto presidente executivo das duas empresas, não pode participar nas discussões. Musk considera que “há muitas vantagens em combinar as duas empresas”, apontando oportunidades de colaboração no desenvolvimento de inteligência artificial, na conceção de chips e na robótica.

Uma avaliação conjunta de 3,5 biliões de dólares

A dimensão financeira da operação ajuda a perceber a (grande) ambição do projeto. Com base nas cotações de fecho de terça-feira, a SpaceX, que entrou para o Nasdaq apenas em junho passado, está avaliada em cerca de 2,01 biliões de dólares, enquanto a capitalização bolsista da Tesla ronda os 1,48 biliões. Somadas, as duas empresas atingem aproximadamente 3,5 biliões de dólares, um valor que colocaria o grupo combinado entre as maiores cotadas do mundo, acima da Amazon, mas abaixo de empresas como a Nvidia, a Apple, a Microsoft e a Alphabet, de acordo com as avaliações de mercado atuais.

O valor conjunto, contudo, não corresponde necessariamente ao preço de uma eventual fusão. A capitalização bolsista resulta do valor de mercado das ações de cada empresa, enquanto os termos de uma operação desta dimensão terão de determinar a participação que os acionistas de cada uma receberão na nova estrutura. A relação de troca entre ações, eventuais prémios e a forma como os negócios serão avaliados poderão alterar a distribuição do capital e o valor atribuído à empresa resultante.

The SpaceX ‘Starship’ rocket takes off from the company’s Starbase facility in Boca Chica, Texas, USA, 19 November 2024. This is the company’s sixth test flight attempt to test the ‘Starship’ rocket and the second time that SpaceX is attempting to catch the rocket booster during landing. EPA/MICHAEL GONZALEZEPA/MICHAEL GONZALEZ

O FT estima que a entidade combinada poderá reunir mais de 155 mil trabalhadores e gerar receitas anuais na ordem dos 153 mil milhões de dólares. Para além da escala, a operação permitiria juntar atividades com perfis muito diferentes, desde a produção automóvel e o armazenamento de energia até aos serviços de internet por satélite, aos lançamentos espaciais e à infraestrutura de computação para inteligência artificial.

A avaliação reflete também as expectativas em torno dos negócios que Musk pretende desenvolver nos próximos anos. No caso da Tesla, os investidores não estão apenas a avaliar as vendas de automóveis elétricos, mas também as perspetivas associadas aos robotáxis, à condução autónoma e aos robôs humanoides Optimus. Na SpaceX, a expansão da Starlink e a entrada cada vez mais expressiva no negócio da inteligência artificial estão a ampliar o alcance da empresa para lá dos foguetões e dos serviços de lançamento.

A inteligência artificial aproxima os dois negócios

A IA é um dos principais pontos de ligação entre as empresas. A SpaceX tem vindo a reforçar a sua atividade em computação e serviços de IA, enquanto a Tesla procura aplicar esta tecnologia aos veículos autónomos, à robótica e à automatização industrial.

Os resultados do terceiro trimestre da SpaceX ilustram esta transformação. A empresa registou receitas de 14,6 mil milhões de dólares, mais 161% do que no período homólogo, e um lucro líquido de 4,4 mil milhões. A divisão de inteligência artificial, designada Super Intelligence, gerou 7,6 mil milhões de dólares em receitas, tornando-se a maior atividade da empresa em volume de negócios nesse trimestre. A área de conectividade, que inclui a Starlink, contribuiu com 5,2 mil milhões de dólares, enquanto o negócio espacial gerou 1,8 mil milhões, segundo dados divulgados pela empresa e noticiados pela Reuters.

Estes números ajudam a explicar por que razão a aproximação à Tesla poderá fazer sentido. A SpaceX dispõe de capacidade de computação e de uma rede global de satélites, enquanto a Tesla desenvolve sistemas autónomos, baterias, soluções de armazenamento de energia e tecnologias de fabrico. A partilha de recursos poderá acelerar projetos que dependem de investimento intensivo em tecnologia e infraestrutura.

Uma das iniciativas já anunciadas em conjunto é a Terafab, um projeto de fabrico de semicondutores e computação para inteligência artificial destinado a responder às necessidades dos veículos autónomos, dos robôs Optimus e dos centros de dados associados aos negócios de Musk. A produção em volume está apontada para o final de 2028.

A colaboração poderá estender-se ainda à utilização da conectividade da Starlink nos robotáxis e noutros sistemas autónomos, assim como ao aproveitamento das baterias e das soluções de armazenamento da Tesla para responder às necessidades energéticas dos centros de dados. A experiência industrial da fabricante automóvel na automatização de fábricas poderá, por sua vez, contribuir para aumentar a escala da produção de veículos espaciais.

Investimento elevado e riscos financeiros

A dimensão dos investimentos necessários para concretizar esta estratégia constitui, contudo, um dos principais desafios. Apesar do crescimento das receitas e dos lucros no terceiro trimestre, a SpaceX registou despesas de investimento de 19,6 mil milhões de dólares no período e prevê gastar entre 35 mil milhões e 40 mil milhões no trimestre em curso. Grande parte deste esforço está associada à expansão da infraestrutura de IA.

A fusão poderá facilitar a partilha de recursos financeiros e de serviços, reduzir custos administrativos e permitir que o capital seja aplicado nos projetos considerados prioritários. Mas a união não elimina as necessidades de financiamento: concentra numa única estrutura negócios que exigem investimentos avultados e cujos resultados dependem da concretização de objetivos tecnológicos ambiciosos.

Os acionistas da Tesla passariam a estar expostos aos resultados da atividade espacial e da infraestrutura de IA da SpaceX, enquanto os investidores desta última ganhariam acesso aos negócios de automóveis, energia, condução autónoma e robótica da fabricante. A diversificação poderá abrir oportunidades, mas também aumentará a exposição a riscos técnicos, comerciais e regulatórios que nem sempre estão relacionados entre si.

Além disso, o peso crescente da inteligência artificial na estratégia de Musk levanta questões sobre o retorno dos investimentos. A construção de centros de dados, o desenvolvimento de chips e a expansão da capacidade de computação exigem avultados recursos antes de todos os projetos atingirem maturidade comercial. O crescimento das receitas da SpaceX demonstra a dimensão da oportunidade, mas não garante que o investimento futuro gere retornos proporcionais ao capital aplicado.

Musk pode reforçar o controlo sobre o grupo

A eventual fusão poderá ter também consequências para a estrutura de poder dentro das empresas. Musk detém cerca de 85% dos direitos de voto da SpaceX, através de ações com direitos de voto reforçados, mas tem uma participação de cerca de 20% na Tesla. Uma operação que combine as duas empresas poderá alterar significativamente o equilíbrio acionista e reforçar a sua influência sobre o grupo resultante.

Segundo estimativas citadas pela Reuters, a participação de Musk nos direitos de voto da empresa combinada poderá atingir cerca de 57% a 58%, dependendo da relação de troca de ações escolhida. Não existe, contudo, qualquer rácio acordado entre as duas empresas, pelo que estes valores representam apenas cenários indicativos.

Elon Musk é o homem mais rico do mundo e prepara-se para criar uma das maiores empresas do planeta.Lusa

A governação constitui, por isso, uma questão central. Musk lidera ambas as empresas e tem interesses diretos na operação, razão pela qual afirmou não participar nas discussões. Os comités especiais de administradores independentes terão de analisar os termos e avaliar se a fusão corresponde aos interesses dos acionistas.

A aprovação dos investidores da Tesla será outro obstáculo. Musk reconheceu que será necessário obter o apoio de uma maioria de todas as ações, e não apenas da maioria dos votos expressos, o que torna a participação dos acionistas particularmente relevante. A operação poderá ainda enfrentar um escrutínio regulatório acrescido: a SpaceX mantém contratos com o Governo norte-americano, incluindo nas áreas da defesa e da exploração espacial, enquanto a Tesla tem uma presença industrial importante na China.

A combinação destes interesses poderá levantar questões de segurança nacional e de acesso a tecnologias estratégicas, tanto nos Estados Unidos como noutros mercados. A complexidade da operação não se limita, assim, à avaliação financeira, sendo que será necessário conciliar atividades sujeitas a enquadramentos regulatórios distintos e demonstrar que as sinergias justificam os riscos adicionais assumidos pelos investidores.

Por agora, a fusão continua em fase de análise. A dimensão dos negócios de Musk e a crescente sobreposição entre as suas estratégias de IA, robótica, energia e infraestrutura espacial tornam a operação plausível do ponto de vista industrial. Mas, para os acionistas, a questão decisiva será perceber se a concentração destes ativos cria valor suficiente para compensar os custos, os riscos financeiros e as dificuldades de execução de um projeto desta escala.

Waymo começa a testar carros autónomos em Madrid para lançar serviço em 2027

21 October 2026 at 11:16

A Waymo vai começar a operar em Madrid nos próximos dias, em fase de testes, à semelhança do que já está a fazer a Uber. Ambas as empresas, assim como a Bolt, preveem lançar os seus serviços de transporte sem condutor na capital espanhola em 2027.

A filial da Alphabet, empresa-mãe da Google, anunciou esta terça-feira que recebeu autorização para iniciar os testes em Espanha, depois de obter as licenças necessárias da Comunidade de Madrid, no âmbito das regras da Direção-Geral de Tráfego.

Segundo o Expansión, os veículos da Waymo vão começar por circular com um condutor ao volante, numa fase dedicada à recolha de dados e à avaliação do comportamento dos sistemas de condução autónoma em condições reais de trânsito. Os carros, do modelo Jaguar I-PACE, estão equipados com sensores LiDAR, radares e câmaras que permitem analisar o ambiente em redor.

A empresa não divulgou quantos veículos vão integrar a frota inicial, mas prevê aumentar o número de carros à medida que os testes avancem. As operações vão decorrer tanto durante o dia como à noite, em zonas urbanas de Madrid, Alcobendas e Getafe.

A passagem para a condução autónoma será feita de forma gradual, com uma fase de validação técnica que contará com especialistas locais na área dos veículos autónomos. A Waymo aponta para 2027 o início do serviço comercial sem condutor.

A entrada no mercado espanhol insere-se na expansão internacional da Waymo, que está a preparar o lançamento do serviço de transporte autónomo em novas cidades, como Londres e Munique. A empresa está também a trabalhar com as autoridades locais e os serviços de emergência para preparar as operações e garantir que a tecnologia se adapta às condições de circulação da região.

A Waymo, que já tem uma forte presença de carros autónomos sobretudo em São Francisco, na Califórnia, ainda não anunciou parcerias comerciais específicas em Espanha. Apesar de estar a trabalhar com operadores locais para preparar o lançamento, não confirmou qualquer acordo com plataformas de TVDE, nem integrações com outros serviços de transporte.

SpaceX e Tesla negoceiam fusão, que seria a maior de sempre

21 October 2026 at 09:11

A SpaceX e a Tesla estão a estudar um acordo para unir as duas empresas de Elon Musk cotadas em bolsa, numa operação que poderá valer mais de três biliões de dólares (ou three trillion dollars, no original em inglês).

Segundo o Financial Times, o magnata norte-americano afirmou esta terça-feira que ambas as empresas constituíram comités especiais para analisar uma possível união, naquela que seria a maior fusão de sempre. Este é o passo mais significativo até agora no sentido de uma fusão que criaria um conglomerado de grande dimensão, centrado na inteligência artificial (IA), indica a publicação britânica.

“Acho que seria uma boa ideia? Sim. Mas, no final de contas, os acionistas têm de apoiar esta iniciativa”, afirmou Musk, acrescentando que, enquanto presidente executivo de ambas as empresas, não pode participar nas discussões. “Os comités especiais ainda não chegaram a acordo sobre os termos de qualquer operação e, obviamente, não há garantias de que isso venha a acontecer”, acrescentou.

A concretizar-se, a operação juntaria duas empresas com avaliações de mercado que, em conjunto, ascendem a cerca de 3,5 biliões de dólares. A SpaceX está avaliada em dois biliões de dólares, enquanto a Tesla vale quase 1,5 biliões. De acordo com o FT, a nova entidade ultrapassaria a Amazon em valor de mercado, ficando apenas atrás da Microsoft, da Alphabet, da Apple e da Nvidia, que é a cotada mais valiosa.

“Há muitas vantagens em combinar as duas empresas, uma vez que estamos praticamente na singularidade da superinteligência (novo termo designado por Donald Trump para fazer referência à IA)”, afirmou Musk, numa referência à possibilidade de a inteligência artificial atingir capacidades que ultrapassem significativamente as humanas.

A colaboração estende-se também a outros projetos. As duas empresas estão a trabalhar no Roadster, um automóvel desportivo apresentado na semana passada que recorre a propulsores de gás frio desenvolvidos pela SpaceX para executar manobras aéreas, incluindo saltos e rotações invertidas. Além disso, o modelo de inteligência artificial Grok, desenvolvido pela xAI, outra empresa de Musk, está disponível gratuitamente em muitos veículos da Tesla.

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