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Quebra na procura e maiores custos de energia voltam a travar lucros da Navigator

22 October 2026 at 20:38

O resultado líquido da Navigator baixou 44,8% para 65,4 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano, segundo adiantou a empresa em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). “Estes resultados refletiram um contexto macroeconómico e de mercado extremamente exigente, a par do aumento significativo dos custos de energia (eletricidade e gás natural) e logística, que estão a condicionar a procura em todos os mercados da Europa“, justifica a empresa.

O EBITDA situou-se nos 212 milhões de euros, um número que compara com os 300 milhões reportados no período homólogo de 2025, com uma margem de 16%. Já volume de negócios totalizou 1.333 milhões de euros, menos 10,5% que os 1.489,3 milhões entre janeiro e setembro do ano passado.

“O aumento dos custos da energia continua a pesar sobre a competitividade da indústria exportadora portuguesa. Entre dezembro de 2025 e setembro de 2026, os preços de mercado do gás natural mais do que triplicaram e os da eletricidade mais do que duplicaram”, destaca a empresa em comunicado.

Segundo a Navigator, “a persistência destes níveis de preços acentua as diferenças face a mercados com condições energéticas mais favoráveis, condicionando o investimento e a capacidade das empresas nacionais para competir no exterior”, acrescentando que “as medidas adotadas durante a crise energética de 2022 e 2023 oferecem referências para responder aos desafios atuais”.

O aumento dos custos da energia continua a pesar sobre a competitividade da indústria exportadora portuguesa. Entre dezembro de 2025 e setembro de 2026, os preços de mercado do gás natural mais do que triplicaram e os da eletricidade mais do que duplicaram. A persistência destes níveis de preços acentua as diferenças face a mercados com condições energéticas mais favoráveis, condicionando o investimento e a capacidade das empresas nacionais para competir no exterior.

Comunicado de apresentação de resultados

“Também os mecanismos de apoio utilizados noutros países europeus evidenciam o papel que estes instrumentos podem desempenhar na preservação da atividade industrial. A sua aplicação em condições comparáveis no espaço europeu poderá contribuir para atenuar os diferenciais de custos e salvaguardar o contributo da indústria para as exportações e para a economia nacional”, alerta.

Apesar do travão na rentabilidade, a empresa controlada pela Semapa destacou a evolução favorável dos preços do packagingnos nove meses, assim como no segmento de Papel de Impressão e Escrita não revestido (UWF). “A diversificação do negócio continua a ser um dos principais pilares de criação de valor, com Tissue e Packaging a representarem mais de 30% do volume de negócios e cerca de um terço do EBITDA nos primeiros nove meses de 2026.

No mercado europeu de tissue, a Navigator destaca que este segmento “continua a demonstrar resiliência, mesmo num contexto mais competitivo e exigente”. As vendas fora de Portugal representaram 79% do volume total nos primeiros nove meses de 2026 (vs. 54% em 2022, antes da integração da Tissue Ejea e Tissue UK), sendo os mercados mais representativos, o mercado espanhol, com 33% do total de vendas, o britânico, com 28% do total de vendas, e o francês, com peso de 16% das vendas, detalha.

A dívida líquida da Navigator situava-se em 765 milhões de euros, no final de setembro, “refletindo o elevado nível de investimento realizado ao longo do período e a manutenção de uma estrutura financeira sólida e equilibrada”. O rácio Dívida Líquida Remunerada/EBITDA situou-se em 2,66, com o aumento face ao período homólogo a resultar da redução do EBITDA.

“Perspetivas favoráveis” apesar da volatilidade na energia

Apesar da incerteza geopolítica, da volatilidade dos mercados energéticos e de um contexto económico exigente, a papeleira realça que “os indicadores do terceiro trimestre reforçam as perspetivas favoráveis para os próximos meses”.

Na pasta, a recuperação dos preços em setembro e a melhoria da disponibilidade operacional favorecem a atividade e o aumento dos volumes destinados ao mercado. Já no packaging, “a procura crescente por soluções sustentáveis, o alargamento da base de clientes e o arranque da PM3 reforçam o potencial de crescimento”.

No segmento tissue, o grupo adianta que beneficia da expansão internacional e prossegue o programa de eficiência operacional no Reino Unido. “No Papel de Impressão e Escrita, os aumentos de preços ao longo do ano e a ausência de novas paragens industriais relevantes sustentam uma perspetiva positiva para os próximos trimestres”, reforça.

“A Navigator manterá o foco na execução dos programas de eficiência, na otimização da base industrial, na inovação e na diversificação do portefólio. A gestão integrada da cadeia de valor e a solidez financeira mantêm a empresa bem posicionada para reforçar a competitividade e criar valor de forma sustentável no longo prazo“, conclui.

Navigator vê lucro cair para 65 milhões e pede apoios face aos custos da energia

Apesar da quebra de 44,8% nos lucros e de 10,5% nas vendas até setembro, o grupo diz que os indicadores do terceiro trimestre dão perspetivas favoráveis para os próximos meses. Para enfrentar a subida dos custos energéticos, pede medidas para a indústria semelhantes às adotadas na crise de 2022 e 2023.

Continental investe mais de 10 milhões em novo centro e prevê contratar centenas nos próximos anos

22 October 2026 at 17:41

A Continental Mabor deu esta quinta-feira um “um passo gigante” com o lançamento da primeira pedra da construção do novo centro de competências tecnológicas que vai construir no complexo industrial em Lousado, no concelho de Vila Nova de Famalicão, onde produz anualmente mais de 18 milhões de pneus. Este investimento acima de 10 milhões de euros deverá estar concluído no início de 2028 e tem capacidade para acolher 500 pessoas, o que significa que a empresa terá de contratar mais de duas centenas de colaboradores “nos próximos anos”.

“Vamos encher esse centro“. A garantia é deixada por Pedro Carreira, administrador da Continental Mabor, em declarações aos jornalistas, após a cerimónia que assinalou o lançamento da construção do novo centro de competências da empresa, em Lousado.

Sem se querer comprometer com prazos ou números, o líder da fábrica de Lousado, uma das mais importantes do grupo alemão a nível global, admite que a empresa terá de contratar mais de duas centenas. Hoje a empresa já emprega “duzentos e muitos” nas áreas de desenvolvimento que serão concentradas no novo centro.

“A inovação já existe, estamos a fazê-la, vamos continuar a fazer, mas o facto das sinergias se colocarem todas no mesmo sítio torna o efeito potenciador muito maior”, explicou.

Pedro Carreira, presidente da Continental Mabor Portugal, em entrevista ao ECORicardo Castelo/ECO

Para o responsável este investimento é um “passo gigante do que é a demonstração do que fazemos em Portugal”. “É a primeira vez que estamos a fazer de raiz num espaço próprio e fazê-lo crescer apropriado aos colegas de desenvolvimento, e ter uma atmosfera que achamos inspiradora para os deixar inovar”, adiantou, notando que há “muitos belíssimos e bons exemplos do que tem sido feito na área de manufatura dentro da empresa e foi isso que atraiu outras áreas para dentro da empresa”, o que tornou o espaço pequeno para acolher tantas pessoas.

O grupo alemão emprega atualmente mais de 3.800 pessoas em Famalicão, distribuídas por quatro empresas integradas no negócio de pneus: Continental Mabor, Continental Solutions Center, Continental Pneus Portugal e Continental Indústria Têxtil do Ave.

Ricardo Martins, gestor da Continental Solutions Center, considera que o centro “representa a confiança da Continental em Portugal” e é “a futura casa do hub em Portugal”. “É a base dos próximos capítulos da história da Continental em Portugal”. Com cerca de 7.600 m² de espaço utilizável, dividido por três andares, o centro de competências vai desenvolver desde “soluções informáticas, passando por soluções ligadas aos automóveis, aos pneus”.

“Temos duas grandes áreas, que é a investigação e desenvolvimento e tecnologias da informação, mas depois temos outras áreas que estão a desenvolver-se neste momento, como machine learning, o departamento de compras que temos integrado, que faz parte também de uma das nossas áreas, e outras atividades que estão a ser desenvolvidas mais no início e que são as atividades que irão crescer de serviços globais”, sintetiza Ricardo Martins.

Numa cerimónia onde também marcou presença Edwin Goudswaard, responsável pela investigação e desenvolvimento da Continental, o também administrador do grupo alemão insistiu que este é um “novo capítulo” para a empresa em Portugal, elogiando a capacidade de engenharia e desenvolvimento no país. “Estamos a celebrar um edifício que representa a confiança [na fábrica em Portugal]”, disse.

A Continental Mabor tem feito grandes investimentos ao longo dos últimos anos na fábrica de Lousado. Em junho garantiu ao ECO que tem “vários investimentos em curso, uns iniciados já no ano passado e que [pretende] continuar” a investir no Norte de Portugal.

Na mesma altura, assinou um memorando de entendimento com o município de Famalicão e a Escola Profissional Tecnológica do Vale do Ave (FORAVE), uma instituição que “desempenha um papel fundamental na preparação de jovens talentos para a indústria moderna, oferecendo formação em automação, robótica, manutenção industrial, eletrónica e mecatrónica, entre outras áreas”.

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