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Ativo do dia. Navigator dá o pontapé de saída na temporada de resultados do PSI

22 October 2026 at 16:45

O ativo

A Navigator. É uma das principais produtoras de pasta de papel e de papel do mundo, sendo detida em 70% pela Semapa, que por sua vez é controlada pela família Queiroz Pereira.

Está atualmente avaliada em cerca de 2,16 mil milhões de euros na bolsa de Lisboa.

O marco

A empresa liderada por António Redondo dá esta quinta-feira o pontapé de saída na temporada de apresentação dos resultados relativos ao terceiro trimestre no PSI, o principal índice da bolsa nacional.

O calendário é retomado na próxima semana com Galp na segunda-feira (26) e depois Jerónimo Martins e BCP na quarta-feira (28), terminando um mês depois, com a Ibersol, no dia 27 de novembro. A apresentação das contas surge num contexto de forte volatilidade nas bolsas internacionais.

Conforme o ECO avançou esta quinta-feira, os analistas esperam que a energia e a banca continuem a destacar-se perante a subida dos preços energéticos e das taxas de juro, enquanto as exportadoras poderão ser afetadas pelo clima de instabilidade internacional.

A causa

Em relação à Navigator, a papeleira viu os lucros caírem mais de 40% para 49,1 milhões de euros no primeiro semestre devido ao aumento dos custos por causa da guerra.

O que terá acontecido no terceiro trimestre? “A pressão sobre os preços da pasta e do papel, juntamente com os custos de energia e produção, poderá continuar a condicionar os resultados. Será importante perceber se a empresa conseguiu controlar estes custos e melhorar as margens durante o terceiro trimestre”, salienta a XTB.

Com os investidores à procura de sinais de recuperação do negócio, a poll de estimativas da Bloomberg aponta para receitas de 434 milhões de euros no terceiro trimestre, que somam aos 868,6 milhões faturados no primeiro semestre do ano. Será menos do que no mesmo período do ano passado.

Além das receitas e do resultado líquido, a geração de caixa e a evolução da dívida serão indicadores importantes para avaliar a situação financeira da Navigator, acrescenta ainda a XTB.

Antes da apresentação das contas, as ações da papeleira desceram 0,85% para 3,036 euros, para mínimos desde o final do ano passado.

“A divulgação dos resultados poderá ser determinante para perceber se a cotação consegue recuperar esse nível, que poderá agora funcionar como resistência, ou se a pressão vendedora continuará a dominar. A evolução da ação dependerá tanto dos resultados apresentados como das perspetivas para os próximos trimestres”, dizem os analistas da XTB.

O que esperar a seguir

Como referido, depois da Navigator, será a vez da Galp, Jerónimo Martins e BCP apresentarem resultados já na próxima semana.

Quanto à petrolífera, a beneficiar da escalada do preço do barril de brent, que levou a margem de refinação a disparar 255% no terceiro trimestre, deverá anunciar lucros de 1,4 mil milhões de euros, segundo as estimativas dos analistas.

Os resultados do banco liderado por Miguel Maya também deverão refletir o ambiente macroeconómico favorável marcado por algum crescimento económico e um mercado de trabalho resistente, com a margem financeira a beneficiar da subida das taxas de juro. O Santander antecipa lucros trimestrais de 293 milhões.

Já a Jerónimo Martins, que teve uma redução de 9% nos resultados da primeira metade do ano, deverá ter alcançado um lucro na ordem dos 198 milhões entre julho e setembro.

A temporada de apresentação dos resultados das cotadas do PSI só termina no dia 27 de novembro, com a operadora de restauração Ibersol. Poderá acompanhar toda a earnings season portuguesa no ECO.

A frase

Perspetiva-se uma temporada marcada por uma evolução menos homogénea dos resultados do que aquela observada nos últimos dois anos. Os investidores deverão encontrar um PSI dividido entre setores que continuam a beneficiar de condições estruturais favoráveis, como a banca e parte do universo energético, e outros mais dependentes da evolução do ciclo económico europeu, onde a visibilidade permanece reduzida.

João Queiroz

Head of trading do Banco Carregosa

Bankinter já usou 75% da garantia pública e apela a “consenso” na crise da habitação

22 October 2026 at 11:34

O Bankinter Portugal já utilizou praticamente 75% da sua quota-parte da linha garantia pública no crédito à habitação para os jovens e, perante a onda de protestos nas ruas em várias cidades na Europa, a líder máxima do banco espanhol apelou a um consenso político para que sejam implementadas “políticas de longo prazo eficazes” a combater essa crise.

“Trata-se de um problema estrutural que exige políticas a longo prazo e que, por isso, o ideal seria que houvesse um consenso entre todos os partidos”, declarou Gloria Ortiz em conferência de imprensa de apresentação dos resultados relativos aos primeiros nove meses do ano.

“É isso que eu pediria: que, no que diz respeito aos aspetos estratégicos e aos problemas estruturais que nos afetam, sejam capazes de chegar a um consenso e que possamos ter políticas de longo prazo que sejam, no final de contas, eficazes”, salientou.

Ortiz deseja estabilidade nas políticas porque “as que são aplicadas num dia e no dia seguinte já não o são, não têm qualquer impacto”.

Não só Espanha, mas também em Portugal e noutros países, sobretudo a população mais jovem tem saído às ruas em protesto contra a falta de soluções para a crise da habitação.

É por isso que pediria que, no que diz respeito aos aspetos estratégicos e aos problemas estruturais que nos afetam, sejam capazes de chegar a um consenso e que possamos ter políticas de longo prazo que sejam, no final de contas, eficazes.

Gloria Ortiz

CEO do Bankinter

A CEO do Bankinter considerou que os bancos podem e estão a fazer a sua parte que é a concessão de crédito, apesar de insistir na ideia de que deve haver “um plano a longo prazo com medidas que realmente combatam os problemas estruturais existentes”.

No que toca a Portugal, onde registou um aumento de 13% dos resultados antes de impostos para 178 milhões de euros até setembro, o banco já usou praticamente 45 milhões do plafond de 60 milhões de euros que lhe foi atribuído pelo Estado português no âmbito da linha de garantia pública para os jovens, revelou o administrador financeiro Jacobo Dias.

“Está no bom caminho. Se chegássemos ao limite, certamente pediríamos mais, mas ainda não chegámos ao limite e continuamos a progredir. A verdade é que continuamos muito empenhados nestas medidas de apoio e, se fosse necessário, solicitaríamos mais, mas, por enquanto, ainda temos alguma margem”, declarou o responsável.

Gloria Ortíz, CEO do Bankinter, com o administrador financeiro, Jacobo Díaz.DR

“Não haverá problemas com dívida pública europeia”

Gloria Ortiz comentou ainda a instabilidade nos mercados obrigacionistas que estão a deixar França sob intensa pressão com os juros a dez anos a superarem a fasquia dos 5% pela primeira vez desde 2002. A líder do Bankinter afastou uma crise como a que tivemos na Zona Euro em 2010.

“É verdade que as suas finanças públicas exigem atenção e que a situação atual, na véspera das eleições, não contribui para que as mensagens transmitidas sejam tranquilizadoras”, começou por dizer relativamente a este tema.

“Mas acho que a situação vai certamente voltar ao normal quando este período de transição terminar. E, por isso, estamos convencidos de que não haverá problemas com a dívida pública europeia, embora, logicamente, estejamos a atravessar um período de volatilidade e haja momentos em que os prémios de certos países possam aumentar”, considerou ainda.

O Bankinter registou lucros de 901 milhões de euros entre janeiro e setembro, mais 11% em termos homólogos.

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