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Copacol quer ampliar produção de tilápia para 300 mil por dia em 2027

23 October 2026 at 08:30

A paranaense Copacol (Cooperativa Agroindustrial Consolata) quer ampliar os negócios com tilápia em 2027, apoiada no crescimento do consumo doméstico e na possibilidade de ampliar o processamento em suas instalações no Paraná. Há potencial para abater 300 mil tilápias ao dia, alta de 42,9% em relação à capacidade atual, de 210 mil peixes.

O volume se concentra nas duas unidades de processamento de peixes no oeste do Paraná, nos municípios de Nova Aurora e Toledo, este último tem operação de apenas um turno, o que abre espaço para dobrar o volume processado na unidade, explica Alexandre Lachi, gerente de marketing da cooperativa.

A Copacol é a maior produtora e processadora de tilápia do Brasil, e uma das maiores da América Latina. No varejo, difundiu as vendas desse peixe e popularizou o comércio porcionado de produtos frescos e congelados.

A estratégia, entretanto, vai além da capacidade operacional. De acordo com o gerente, “é preciso ajustar a oferta à demanda para preservar os preços e o valor da categoria”, que são competitivos e asseguram que a população brasileira agregue a tilápia no cardápio diário.

Por isso, acrescenta, a Copacol definiu plano de crescimento “mais sustentável”, o que significa investimentos mais rígidos e ampliação da capacidade mais lenta.

A expectativa é aproveitar a estrutura disponível à medida que o mercado absorva os volumes adicionais.

Segundo Lachi, a Copacol detém aproximadamente 33% do mercado nacional de tilápia no varejo e comercializa mais de mil toneladas por mês do pescado no Brasil.

O executivo relata um desempenho recorde da categoria na cooperativa em 2026, acompanhado de maior presença do produto nas refeições durante a semana.

Na avaliação dele, mudanças nos hábitos alimentares abrem oportunidades para o pescado. Lachi inclui nesse movimento a disseminação dos medicamentos à base de GLP-1 – as canetas emagrecedoras -, que a cooperativa acompanha como uma tendência com potencial para influenciar as escolhas dos consumidores.

Atualmente, o Paraná é o maior produtor de tilápia do Brasil, com uma marca de 273,1 mil toneladas registradas, de acordo com Associação Brasileira da Piscicultura – Peixe BR. O país alcança recordes de produção de pescado, com destaque para a tilápia, cuja produção anual é de mais de 700 mil, conforme o Observatório do Peixe, da Alianima. 

Estrutura do frango pode apoiar exportações

A expansão internacional é outra frente de interesse. Segundo Lachi, as duas unidades de peixes têm habilitações para exportar, mas o avanço das vendas depende da abertura dos mercados pretendidos.

A cooperativa quer aproveitar a experiência adquirida com a carne de frango, exportada para 85 países, para ampliar a presença do pescado no exterior.

“Temos cadeia, logística, e, para incluir o pescado, é meio caminho andado”, diz à CNN. O controle das etapas produtivas é apontado pelo executivo como um diferencial para essa estratégia com rastreabilidade ao longo da cadeia.

O modelo, afirma Lachi, permite controlar características como qualidade e sabor e acompanhar o produto nas diferentes fases da produção.

Negócio integra cooperativa de R$ 11,1 bilhões

A piscicultura faz parte de uma estrutura diversificada, que reúne atividades como avicultura, produção de grãos, suinocultura e bovinocultura de leite. Fundada em 1963 e sediada em Cafelândia, no oeste do Paraná, a cooperativa registrou faturamento de R$ 11,1 bilhões em 2025, alta de 4,7% sobre o ano anterior.

No mesmo exercício, a Copacol distribuiu R$ 224,9 milhões em sobras, complementações e juros sobre o capital aos cooperados. Segundo a instituição, a diversificação das atividades contribuiu para os resultados em um período de custos elevados e desafios logísticos e sanitários.

Os indicadores atualmente divulgados pela cooperativa apontam 10,5 mil cooperados e 16,8 mil colaboradores. A estrutura processa 58,1 milhões de peixes e 217,4 milhões de aves por ano, além de receber 2,3 milhões de toneladas de grãos anualmente.

Na tilápia, cuja operação industrial se consolidou em 2008, a próxima etapa de expansão deve acompanhar a evolução do consumo.

A prioridade, segundo Lachi, é usar o espaço disponível nas fábricas sem comprometer o equilíbrio entre oferta, demanda e remuneração da cadeia.

Newcastle pode pressionar preço do frango no Brasil em 2027, diz Itaú BBA

23 October 2026 at 00:15

O aumento da produção brasileira de carne de frango, combinado com possíveis restrições às exportações após a confirmação de um caso de doença de Newcastle em Santa Catarina, pode pressionar os preços da proteína no mercado interno no início de 2027. A avaliação é do Itaú BBA, que aponta riscos para a comercialização da produção catarinense caso os mercados importadores demorem a retomar as compras.

Em relatório divulgado, a consultoria destaca que o impacto do episódio sobre o setor brasileiro tende a ser limitado, mas pode ser mais significativo para os produtores e frigoríficos de Santa Catarina. O estado é o segundo maior produtor de frango do país e tem forte dependência do mercado externo, com cerca de 63% da produção destinada às exportações.

Em 2025, Santa Catarina produziu aproximadamente 1,9 milhão de toneladas de carne de frango, o equivalente a 13,4% da produção nacional. No comércio exterior, respondeu por 1,2 milhão de toneladas exportadas, que geraram US$ 2,45 bilhões, representando 22,5% do volume e 25% da receita das exportações brasileiras da proteína.

A confirmação do foco de Newcastle em uma granja comercial de perus em Nova Itaberaba, no oeste catarinense, levou alguns países a impor restrições às compras. A China suspendeu 14 unidades de Santa Catarina entre as 61 plantas brasileiras habilitadas, enquanto Arábia Saudita e Chile também adotaram medidas direcionadas ao estado. México e Malásia, por sua vez, suspenderam as importações de carne de frango de todo o Brasil.

Segundo o Itaú BBA, a extensão e a duração dessas restrições serão determinantes para avaliar os efeitos econômicos do episódio. Caso os embarques não sejam retomados rapidamente, parte da produção que seria exportada poderá permanecer no mercado brasileiro ou precisar ser armazenada por mais tempo, elevando os custos das empresas.

Esse cenário pode aumentar a disponibilidade interna de carne de frango justamente em um período em que a produção nacional já apresenta crescimento. Entre janeiro e setembro de 2026, os abates de frangos avançaram 3,7%, enquanto o volume de carne produzido aumentou 6,2%, de acordo com os dados citados no relatório. Para o ano, a expectativa é de expansão próxima de 6% na produção.

Com mais produto disponível e dificuldades para escoar parte dos volumes ao exterior, frigoríficos podem recorrer a descontos para vender os estoques, pressionando as cotações. O efeito, porém, dependerá da capacidade de redirecionar as exportações para outros destinos, da velocidade de reabertura dos mercados suspensos e do comportamento da demanda doméstica.

Equilíbrio do mercado

O Brasil vinha registrando crescimento na produção e nas vendas externas de carne de frango em 2026, com possibilidade de alcançar um novo recorde anual de exportações. Nesse contexto, a perda temporária de acesso a determinados mercados pode dificultar o escoamento da oferta, sobretudo para empresas com maior exposição a Santa Catarina.

A China representou cerca de 10% das exportações brasileiras de carne de frango entre janeiro e setembro de 2026. A Arábia Saudita também tem peso relevante, tendo sido o terceiro principal destino da proteína brasileira no período, com aproximadamente 327,8 mil toneladas, o equivalente a cerca de 8% dos embarques.

A possibilidade de redirecionar os volumes para outros compradores pode reduzir os efeitos das suspensões, mas não elimina necessariamente os custos de transição. Mudanças de destino podem exigir renegociação de contratos, ajustes logísticos e maior tempo de armazenamento, com consequências para o fluxo de caixa dos frigoríficos e cooperativas.

O relatório ressalta que a duração dos embargos comerciais pode ser tão importante quanto o controle sanitário do foco. Em episódios anteriores, a retomada das compras variou conforme o país importador e as regras adotadas para regionalizar as restrições, o que torna incerto o prazo de normalização dos embarques.

Mercado doméstico

Para o mercado doméstico, o início de 2027 concentra um risco adicional. A demanda por carne costuma perder força sazonalmente no primeiro trimestre, enquanto o eventual redirecionamento de volumes antes destinados à exportação pode ampliar a oferta disponível no país.

Se a produção continuar crescendo e as restrições comerciais persistirem, a combinação de maior disponibilidade e demanda sazonalmente mais fraca poderá pressionar os preços do frango. O movimento também dependerá do ritmo de consumo, dos estoques acumulados e da capacidade de absorção do mercado interno.

Além dos preços da carne, uma eventual redução dos abates em Santa Catarina pode repercutir na cadeia de insumos, com efeitos sobre a demanda por milho e farelo de soja utilizados na alimentação das aves. Integrados, cooperativas e frigoríficos também podem enfrentar ajustes nos alojamentos, nos contratos e na remuneração ao longo da cadeia produtiva.

Apesar dos riscos regionais, o Itaú BBA avalia que o efeito agregado sobre o setor brasileiro tende a ser limitado, desde que não ocorram novos focos e que as restrições sejam gradualmente revistas. A consultoria recomenda acompanhar a evolução sanitária, as decisões dos países importadores e a retomada das compras, fatores que ajudarão a dimensionar a pressão sobre os preços e as margens do setor nos próximos meses.

Fundos contestam fusão entre Marfrig e BRF em arbitragem de R$ 60 milhões

22 October 2026 at 21:57

A MBRF informou nesta quinta-feira (22) que foi formalizado o termo de arbitragem envolvendo uma disputa societária relacionada à incorporação de ações da BRF pela Marfrig, concluída em setembro de 2025. O procedimento, instaurado por dois fundos de investimento, tem valor total de R$ 60 milhões para fins de cálculo das taxas de administração da CAM (Câmara de Arbitragem do Mercado).

Os requerentes são o Nova Almeida Fundo de Investimento Financeiro Multimercado e o Latache IV Fundo de Investimento Financeiro Multimercado Crédito Privado, que estimaram a disputa em R$ 10 milhões. Já a MBRF e a BRF, que figuram como requeridas no processo, apresentaram pedido contraposto de R$ 50 milhões.

Segundo comunicado divulgado ao mercado, o termo de arbitragem foi disponibilizado pela CAM em 13 de outubro de 2026. A demanda havia sido recebida pelas companhias em 14 de outubro de 2025 e questiona a operação aprovada em assembleias gerais extraordinárias realizadas em 5 de agosto daquele ano, com fechamento em 22 de setembro.

Os fundos eram acionistas da BRF e passaram a deter ações da Marfrig após a operação. Eles alegam que o processo teria sido conduzido sob suposto conflito de interesses, sem independência efetiva dos comitês especiais e dos assessores financeiros envolvidos na negociação.

Também questionam a relação de troca de 0,8521 ação da Marfrig para cada ação da BRF, que consideram desfavorável aos acionistas minoritários da companhia, além de apontarem suposto tratamento desigual entre investidores.

Os requerentes pedem a anulação das deliberações das assembleias que aprovaram a operação e o desfazimento dos atos relacionados à sua conclusão.

Também solicitam que as companhias sejam condenadas a reparar os prejuízos alegados, cujo valor deverá ser definido em uma etapa posterior, além de reembolsar as despesas do procedimento arbitral e os honorários envolvidos.

A MBRF e a BRF defendem a regularidade da operação e sustentam que os fundos abusaram de seus direitos como acionistas e do direito de recorrer à arbitragem. As companhias pedem que as solicitações sejam julgadas improcedentes e requerem que os investidores sejam condenados, solidariamente, a indenizá-las por danos materiais e morais, em valores a serem apurados durante o processo. Também solicitam o pagamento integral dos custos da arbitragem pelos requerentes.

A operação foi negociada por comitês especiais constituídos conforme o Parecer de Orientação nº 35 da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e contemplou a distribuição de dividendos extraordinários aos acionistas que permanecessem nas companhias.

Como último andamento relevante, o tribunal arbitral emitiu a Ordem Processual nº 1, que estabeleceu o calendário do procedimento. Não há acordo celebrado entre as partes sobre a demanda.

A MBRF informou que manterá os acionistas e o mercado atualizados sobre os próximos desdobramentos da arbitragem.

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