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DESPISTE MORTAL NA A13 EM TOMAR PROVOCA UM MORTO E UM FERIDO LIGEIRO

FOTO: Pedro Brutt Pacheco

Um violento despiste de um veículo ligeiro comercial na A13 provocou, na tarde desta sexta-feira, uma vítima mortal e um ferido ligeiro, na freguesia de Casais, concelho de Tomar. O alerta foi dado por volta das 15h20, tendo o acidente ocorrido ao quilómetro 138,942, no sentido Norte-Sul, nas proximidades da barragem do Carril e antes da saída para Tomar e para o IC9.

Segundo os dados recolhidos junto das autoridades e dos serviços de socorro, a vítima mortal é um homem de 50 anos, cujo óbito foi declarado no próprio local do acidente. Do mesmo despiste resultou ainda um ferido ligeiro, um jovem de 20 anos, que após ser assistido pelas equipas de emergência foi transportado para o Hospital de Abrantes.

Nas operações de socorro estiveram envolvidos 12 operacionais, apoiados por cinco viaturas, entre as quais a Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) do Médio Tejo e elementos da Guarda Nacional Republicana (GNR), que tomaram conta da ocorrência e procederam à regularização do trânsito.

Data: 7 de agosto de 2026
Por: Dino Frazão



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Presidente da República promulga diploma do Governo

O Presidente da República promulgou hoje o Decreto-lei que cria a Prestação Social Única (PSU) no âmbito do subsistema de solidariedade, tendo presente o prazo de 31 de agosto a que o Estado português se vinculou, no âmbito do cumprimento das metas do PRR, sob pena de perder o financiamento europeu associado a essa reforma específica.
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MOTOCICLISTA MORRE EM VIOLENTA COLISÃO NA EN103, EM CHAVES

📷canal Ntv

Um homem de 40 anos morreu na manhã desta sexta-feira na sequência de uma violenta colisão rodoviária ocorrida na Estrada Nacional 103, junto ao cruzamento do Alto da Forca, na cidade de Chaves.

De acordo com as informações apuradas, o acidente envolveu duas motas e um veículo comercial de distribuição de materiais. Segundo o Canal Ntv, os dois motociclistas circulavam no sentido Chaves–Curalha quando foram abalroados pelo veículo comercial, que seguia em sentido contrário.

Um dos motociclistas, de 40 anos, teve morte imediata, tendo o óbito sido declarado no local pela equipa da Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) do Hospital de Chaves. O segundo condutor da mota sofreu ferimentos de pouca gravidade, tendo recebido assistência no local e seguido depois para o hospital de Chaves.

Para a ocorrência, com o alerta a ser dado às 10:20, foram mobilizados os Bombeiros Voluntários Flavienses, com 10 operacionais, apoiados por vários meios de socorro, além da VMER de Chaves.

As circunstâncias em que ocorreu a colisão estão agora a ser investigadas pela Polícia de Segurança Pública, que tomou conta da ocorrência e desenvolve diligências para apurar as causas do acidente.

A circulação na saída para Curalha esteve condicionada durante as operações de socorro, remoção dos veículos e realização das perícias necessárias.

Data: 7 de agosto de 2026
Por: Dino Frazão

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FDUL forma quatro em cada dez licenciados em Direito no ensino público e regista desemprego de apenas 1,8%

Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa apresenta uma taxa de desemprego inferior à média das universidades públicas, apesar de ter formado quase dois mil licenciados em apenas quatro anos. A Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (FDUL) é responsável por mais de quatro em cada dez licenciados em Direito formados pelas universidades públicas […]
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Descida dos Preços dos Combustíveis para a Próxima Semana

Os preços dos combustíveis vão registar uma descida acentuada na próxima semana, entre os dias 10 e 16 de agosto de 2026.

Segundo Contas poupança, a gasolina vai sofrer uma redução de 12,5 cêntimos por litro, enquanto o gasóleo terá uma descida de 12 cêntimos por litro.

Esta queda expressiva nos valores traz um alívio considerável para o bolso dos condutores portugueses na hora de abastecer. Se não tem urgência em atestar o depósito, o ideal será aguardar pela entrada em vigor das novas tarifas a partir de segunda-feira.

Por: Dino Frazão
Data: 7 de agosto de 2026

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7 de agosto, nasce Mata Hari, a dançarina condenada por espionagem

Margaretha Gertruida Zelle nasceu em Leeuwarden, nos Países Baixos, a 7 de agosto de 1876, e ficou mundialmente célebre como Mata Hari. Foi uma dançarina exótica, acusada de espionagem e condenada à morte por fuzilamento, durante a Primeira Guerra Mundial. A vida de Mata Hari desde sempre suscitou o interesse de biógrafos, romancistas e realizadores […]
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Fim de semana em São Brás de Alportel

O fim-de-semana começa em festa, no Campo de Sousa Uva que volta a receber a animada Festa do Emigrante, com três noites de música, tradição e convívio.

Dias 7, 8 e 9 | 6.ª feira a domingo

O programa reúne nomes como Jorge Serafim, Filipe Romão, David Brito, Sniffy, Valter Reis, Rock On, DJs e ainda o tradicional Desfile de Vestidos de Chita, celebrando o reencontro de quem regressa à terra nesta época do ano.

Dia 8 | sábado

A manhã começa no Mercado Municipal com mais uma edição dos Sábados no Mercado, e o aroma dos alimentos frescos. A estes junta-se ainda a mostra de artesanato de Luísa Pires e a iniciativa ’A Biblioteca Fora de Si – Se sabe bem… o Mercado Municipal tem!’ com propostas para as suas leituras. Às 11h00, a Galeria Municipal inaugura a exposição ’LUCIFERASIS’, de Cláudia Martins, que ficará patente até 31 de agosto.Ao final do dia, o Largo de São Sebastião ganha nova vida com a Festa do Largo, onde não faltarão boa gastronomia, vinhos, música ao vivo e muita animação.

Dia 9 | domingo

O domingo arranca cedo com o 1.º Trail Entre a Serra e o Mar, que parte às 7h30 do Pavilhão Municipal Dr. José Sousa Pires, desafiando os participantes a descobrir as paisagens do concelho.Pelas 17h00, o São Brás Cineteatro Jaime Pinto recebe o espetáculo de dança ’Final Season 25/26’, da I Am Conteporâneo Fusion, um momento que celebra o talento e criatividade, e que conta com a participação especial da Escola de Dança Municipal de São Brás de Alportel.


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O futuro de Monchique depende das suas ideias!

A Almagem, Associação de Defesa do Património Cultural e Ambiental do Algarve, convida toda a comunidade a participar na Jornada “Pensar o Território” – um dia dedicado à partilha de ideias, ao diálogo e à construção de soluções para um concelho mais resiliente, atrativo e sustentável.

Jornada “Pensar o Território I em 21 de agosto (Monchique)

Este será um dia de reflexão para “Pensar o Território” de Monchique. 

» Manhã | Conhecer o território
Objetivos: observação direta de casos de boas práticas no território; reflexão pessoal sobre a relevância, ligação ao local e o impacto destes projetos no futuro.
Resultados: recolha e partilha, num painel, de contributos pessoais que permitam identificar valores comuns do território.

» Tarde | Pensar o território
Objetivo: recolher ideias concretas de ações a aplicar no território, com foco na dinamização da economia e sustentabilidade. Aumentar o sentimento de compromisso pessoal e institucional.
Resultados: documento que regista algumas destas ações, selecionadas de acordo com o grau de importância identificado pelos participantes na ação.

» Final da jornada l Produção do “Manifesto Pensar o Território”:

  • principais desafios;
  • oportunidades identificadas;
  • propostas prioritárias;
  • compromissos assumidos.

Inscrição no evento: https://forms.gle/im1aU9HRCdtMHL1j9

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Casa dos Barretos em destaque nas “Noites com Património”

No próximo sábado, 8 de agosto, pelas 20h, vai ter lugar mais uma visita temática “Noites com Património”, subordinada ao tema “Loulé no Século XV: da Vila à Casa Senhorial dos Barreto”, conduzida pelo historiador por Daniel Giebels.

No século XV, o quotidiano de Loulé foi marcado pela rápida ascensão da Casa dos Barreto, cujos titulares eram senhores de Quarteira e representantes da autoridade régia no Algarve. Para consolidar o seu prestígio na vila, ergueram uma imponente casa senhorial cujos vestígios ainda hoje guardam segredos fascinantes.
Como era o quotidiano de Loulé há mais de 500 anos? Que marcas deixou uma das famílias mais influentes da região? Na próxima edição das “Noites com o Património”, Daniel Giebels guia-nos numa viagem no tempo para desvendar esta história extraordinária.

As visitas orientadas são gratuitas, mas requerem inscrição prévia. Para mais informações contactar 289 400 953.  

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Carnaval de Verão traz energia, foliões e animação a Altura

A Avenida 24 de Junho, em Altura, vai transformar-se num autêntico sambódromo no sábado, dia 8 de agosto, com a realização do Carnaval de Verão, a partir das 22h00, com entrada livre.

Inspirado no cortejo de Carnaval, que é um dos mais celebrados no sotavento algarvio, esta iniciativa contará com carros e estruturas alegóricas, com foco no aproveitamento e na reutilização de materiais da edição que decorreu em fevereiro deste ano.

Com o mesmo tema, “Culturas e Tradições do Mundo”, o desfile contará com centenas de foliões e figurantes, que vão encher de cor e alegria a zona central da Avenida 24 de Junho, ao mesmo tempo que decorre o Mercadinho de Verão.

Integrado na programação da Animação de Verão em Altura, o evento termina no palco da Zona de Lazer, com um concerto dos “Pau de Arara”. 

A iniciativa é organizada pela Junta de Freguesia de Altura, em parceria com o Município de Castro Marim.

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38.º Festival do Marisco arranca na próxima segunda feira

O Jardim Pescador Olhanense volta a ser palco do maior evento gastronómico a sul do país.

De 10 a 15 de agosto, o 38.º Festival do Marisco reúne o melhor da gastronomia da Ria Formosa, um cartaz musical de excelência e várias novidades que prometem tornar a experiência dos visitantes ainda mais confortável e completa.

A inauguração oficial realiza-se na próxima segunda feira, dia 10 de agosto, pelas 19:30, e contará com a presença do presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco.

Considerado um dos eventos mais emblemáticos do verão algarvio, o Festival do Marisco volta a afirmar Olhão como capital da gastronomia ligada ao mar, dando destaque aos mariscos e bivalves mais frescos da Ria Formosa, preparados num ambiente único junto à frente ribeirinha.

À componente gastronómica. junta-se um cartaz musical de grande qualidade, com artistas nacionais e internacionais que prometem animar as seis noites do festival:

10 de agosto – Matias Damásio;

11 de agosto – Deejay Telio;

12 de agosto – Némanus;

13 de agosto – Calema;

14 de agosto – Mariza;

15 de agosto – Daniela Mercury.

A edição de 2026 apresenta, ainda, diversas novidades pensadas para melhorar a experiência de quem visita o recinto. Entre elas, destaca-se a criação de um novo espaço dedicado à venda de marisco, permitindo reduzir tempos de espera e proporcionar maior fluidez no serviço.

Na área de street food, para além das já habituais propostas como hambúrgueres e pizzas, estreia-se este ano o Poke Market, alargando a diversidade da oferta gastronómica disponível.

Os visitantes poderão, ainda, encontrar um espaço da pastelaria Kubidoce, que apresentará algumas das suas especialidades inspiradas na tradição e identidade do concelho, como o floripes e o moncarapachense.

Outra das novidades passa pela distribuição de pulseiras com um código QR em praias e outros locais estratégicos. Através desse código, os visitantes poderão aceder a uma comunidade oficial no WhatsApp, onde serão disponibilizadas informações úteis sobre o evento, nomeadamente estacionamentos, acessos, entradas, localização dos espaços de restauração e outras informações práticas. No final, será, igualmente, possível responder a um questionário de satisfação, contribuindo para a melhoria contínua do Festival.

Atendendo ao facto de os Mercados de Olhão serem semifinalistas nacionais da iniciativa Novas 7 Maravilhas de Portugal, o recinto contará, igualmente, com um espaço dedicado à divulgação da candidatura, onde os visitantes poderão conhecer melhor este património emblemático do concelho e receber brindes alusivos à campanha.

Os bilhetes encontram-se disponíveis na Ticketline, nos pontos de venda habituais e também nas bilheteiras do recinto durante os dias do evento.

Durante seis dias, o Festival do Marisco volta a reunir os sabores únicos da Ria Formosa, a melhor música e milhares de visitantes, reforçando o seu estatuto como um dos maiores e mais importantes eventos turísticos e gastronómicos de Portugal.

Mais do que um festival, o Festival do Marisco é uma celebração da identidade marítima de Olhão, da excelência da sua gastronomia e da hospitalidade do concelho.

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Esta praia de Portimão dispensa apresentações

Ícone incontornável do Algarve, a Praia da Rocha é muito mais do que um destino, é uma experiência completa.

Com um areal imenso que se estende por mais de um quilómetro, se não aprecia particularmente a areia sob os pés, pode, ainda assim, percorrê-la em toda a sua extensão através de um passadiço.

Se o esforço abrir o apetite pode entrar num restaurantes que vai encontrar pelo caminho.

Destaque, também, para a Área Desportiva, onde se realizam jogos e torneios das mais variadas modalidades desportivas de praia.

O extenso areal é, igualmente, um cenário ideal para a realização de grandes concertos musicais.

E é isso que acontece todos os anos, com os muitos que compõem o festival AfroNation.

A energia da marginal é contagiante: entre hotéis, o Casino e uma vida noturna de referência, as opções são quase infinitas.

Pode ainda aproveitar para dar um saltinho à marina ou, então, subir à Fortaleza de Santa Catarina, um dos miradouros mais fantásticos do Algarve.

Mas o verdadeiro segredo da Rocha continua a ser a sua beleza natural.

Por isso, não espanta que seja uma das praias mais procuradas do Algarve.

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Vencer eleições Não Basta

Em 2025, durante as eleições autárquicas, tive a oportunidade, tão inesperada quanto reveladora, de entrar em contacto com o ideólogo de um recém-criado partido brasileiro, o Partido Missão. Desde esse encontro fiquei a conhecer uma nova direita: uma direita energética, uma direita com missão, uma direita que compreendeu o principalproblema do nosso campo político e ousou nomeá-lo.

Assistimos, nos últimos anos, à ascensão daquilo a que convencionalmente se chamam partidos extremistas em todo o mundo. Liderados por personalidades carismáticas, sustentados por forte apoio popular, prometeram rompercom as velhas práticas políticas e resolver os problemas criados pelas burocracias sem alma das suas nações. Mas o que acontece quando essas figuras chegam ao poder? Ficam paralisadas pelo mesmo sistema que disseramcombater, muitas vezes por falta de coragem ou doutrinária ou por aquilo de que ainda não se aperceberam.

Milei, Trump, Bolsonaro, o AfD, o Vox, o Chega, Meloni. Todos atingiram posições de destaque nas suas nações. Mas em que se traduziram essas vitórias? A Itália, descrita como “o maior governo à direita desde Mussolini”, nãoconsegue travar a imigração ilegal no Mediterrâneo, que continua a ser uma rota de dissolução civilizacional. Em 2022, os brasileiros elegeram aquele que foi chamado de o maior congresso conservador da história e prometeram uma oposição feroz ao presidente Lula. Na prática, não conseguiram impedir a aprovação de legislação progressista. A força eleitoral dissipou-se ao contacto com a máquina do Estado.

A direita mundial sofre do mesmo problema: chama-se democracia. Todos acreditam que conseguirão mudar osistema através das regras do próprio sistema, vencendo eleições de quatro em quatro anos e disputando batalhas eleitorais. Estão errados.

Julius Evola, em Orientações, escrito após 1945, propõe uma doutrina assente na Hierarquia, na Autoridade e na Ordem, rejeitando o apelo às massas e apostando numa minoria resoluta portadora de uma ideia de regeneração,uma aristocracia espiritual capaz de permanecer de pé num mundo em ruínas. O que Evola compreendeu, e que a direita contemporânea recusa aceitar, é que uma minoria com convicção e energia supera frequentemente uma maioria.

Vivemos num regime que se apresenta como democrático, mas que fecha a porta a ideias verdadeiramente diferentes. Mesmo a democracia tem donos: as elites que a controlam e das quais o regime existe para proteção. Curtis Yarvin propõe aquilo a que chama neocameralismo, um sistema em que o Estado é administrado como umacorporação com um CEO soberano, combatendo a ilusão democrática e defendendo um governo de elite adaptado à era tecnológica. O poder real nunca foi nem será democrático, e a ficção democrática serve para domesticar aqueles que poderiam desafiá-lo.

Para Yarvin, o problema de “eleger um ditador benevolente é um problema de engenharia”. O despotismo corporativo garantiria estabilidade e continuidade. O paralelo com o pensamento do jurista fascista Alfredo Rocco é notável.Rocco concebia a sociedade como uma entidade orgânica que abarca e dá sentido às suas partes individuais, sendo o indivíduo verdadeiramente livre apenas quando em harmonia com o todo.

É por isso que chegamos ao ponto em que, em Portugal, o regime de Abril precisa de morrer para que Portugalrenasça. A nível mundial, precisamos da coragem intelectual para reconhecer que a democracia liberal, tal como existe, não é um fim em si mesma, mas um instrumento ao serviço de interesses de elites burocráticas.

Chegamos ao que Yarvin chama monarquia. Não necessariamente a monarquia medieval, embora mantenha algumas semelhanças funcionais, mas um modelo de governo concentrado e eficaz, capaz de agir sem ficar bloqueado pelos mecanismos do sistema.

O exemplo mais vivo é El Salvador com Nayib Bukele. O país era dominado por criminosos e por um sistemaincapaz de garantir segurança. Bukele demonstrou que a decadência não era inevitável. Através de um exercício firme do poder, transformou profundamente a realidade nacional. Hoje, El Salvador é um dos países mais seguros da América Latina.

Aqui reside a lição que a direita contemporânea recusa aprender: não basta chegar ao poder, é necessário ter acoragem de exercê-lo e romper com o sistema. A direita do século XXI possui dimensão eleitoral, mas carece deenergia; tem votos, mas não a vontade de os utilizar para construir algo duradouro.

Em Portugal, observo esse fenómeno a começar a manifestar-se. O maior partido da direita portuguesa, aquele em que milito e onde lidero uma estrutura regional de jovens, enfrenta um problema grave: a falta de energia no combate pela vida. Só em 2025 foram realizados 17.807 abortos em Portugal por decisão pessoal. A direita não demonstraqualquer intenção séria de tentar revogar essa realidade.

Essa falta de energia esbarra na ideia de que o referendo de 2007 encerrou definitivamente a questão, como se a defesa daquilo que se considera verdadeiro dependesse sempre da vontade da maioria. Mas que maioria? A maioria formada pela televisão, pelas universidades e pelo aparelho cultural do regime, aquilo que Yarvin designapor Catedral: o complexo mediático e académico que molda o consenso posteriormente ratificado pela democracia liberal.

Este é talvez o exemplo mais evidente de como a direita interiorizou as regras do jogo do adversário e não compreende que as grandes transformações políticas nunca nasceram apenas das urnas. Continuará a ser aquiloque é hoje: uma oposição que, quando colocada em posição de governação, será fraca e triturada pela máquina chamada democracia.

A energia que falta não é eleitoral. É mudar as regras pelas quais jogamos e romper com a era liberal, recuperando a energia transformadora dos movimentos do século XX, interiorizando a cultura nacional e opondo-se à decadência.

Só assim conseguiremos vencer.

Leonardo Duarte

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Um plano de igualdade e respeito mútuo

O dia da Mãe aproxima-se. Todas as Mães são, efetivamente, Mulheres.
Quando abordamos temas como a violência contra as mulheres e violência
doméstica, falamos daquilo que, não nos fazendo melhores que os homens,
nos torna diferentes, especiais, esta força que a natureza permitiu, entre
tantas outras coisas tão belas, gerar vida.
Mas, porque ainda subsistem violências direcionadas à mulher,
precisamente porque é mulher, entendida tantas vezes como mais fraca,
habitante em patamar inferior ao homem, e que, pasmemos pois, a este
deve ser submissa, e reduzir-se à sua insignificância histórica, foram
criados instrumentos legais, neste caso, internacionais, que visam, entre um
mundo que aqui não cabe, por razões óbvias, implementar a regra dos “três
P”, ou seja, Prevenir, Proteger, e Acusar (prossecution na língua inglesa).
Centrada nos direitos das vítimas, e na cooperação entre as instituições e
organizações, e nas autoridades competentes, é na sua génese que
encontramos a proteção imediata das vítimas, prevendo a possibilidade das
conhecidas decisões de emergência, aquelas que pretendem evitar o
“chegamos tarde demais, está morta”.
Falamos da Convenção do Conselho da Europa para a Prevenção e o
Combate à violência contra as mulheres e a violência doméstica
(Convenção de Instambul), que, acertadamente aponta o reconhecimento da
igualdade entre mulheres e homens como fundamento para o estudo e
tratamento deste tipo de violência, que trata como uma verdadeira violação
de direitos humanos, quando mulheres são discriminadas, produzindo-se
sofrimento físico, sexual, psicológico, económico, e até privação da
liberdade.
Chega mesmo a apontar a erradicação de preconceitos, costumes, tradições,
e de todas as práticas assentes na ideia de inferioridade das mulheres ou nos
papeis estereotipadas destas e dos homens.
Esta Convenção acaba por mostrar uma vertente educativa, sugerindo
alterações profundas na nossa cultura, costumes, tradições ou religião,
sempre que estes sirvam para justificar a prática de atos de violência contra
mulheres.

Nela é desenhado um plano de igualdade e respeito mútuo, com vista ao
término da violência de género.
Chama à atenção ao Estado Português para a necessidade urgente da
formação de profissionais que recebem as vítimas num primeiro momento,
sendo necessária uma centralização de informação, para que a vítima possa
confiar no agente de autoridade, se sinta protegida, acompanhada e
orientada, sobretudo quando a vítima é uma criança.
As autoridades policiais gerem todo este flagelo, recebendo as vítimas,
realizando relatórios que avaliam o risco em que estas se encontram,
encaminhando-as para os serviços sociais competentes, quando há vagas.
Esta Convenção foi assinada por Portugal em 2011, e em 2024 surgiu a
Diretiva 2024/1385 do Parlamento Europeu, que alerta Portugal para o
cumprimento destas recomendações respeitantes à violência contra as
mulheres.
Também o relatório do GREVIO (Grupo de Peritos no Combate à
Violência contra as Mulheres e a Violência Doméstica) de 2025 tem vindo
a alertar o Estado Português para a falta de cumprimento de grande parte
destas “recomendações” do Conselho da Europa.
No passado dia 29 e 30 teve lugar o III Congresso internacional sobre
violência doméstica e Convenção de Istambul, no qual especialistas das
mais diversas áreas do saber debateram este tema.
Façamos todos a nossa parte, fiquemos vigilantes neste cumprimento, não
sejamos alienantes sociais.

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O vício de virar costas

Há gestos que dispensam discurso. Virar costas é um deles — curto, seco, quase elegante na forma, mas brutal no conteúdo. É o equivalente corporal de dizer “não me interessa”, “não respondo”,” não assumo”, “não existes”. E, quando se repete, deixa de ser reação para passar a ser identidade.
Na vida comum, ainda se tolera: há dias em que ninguém tem paciência para o mundo. Mas na política, onde cada gesto é escrutinado, virar costas não é cansaço — é escolha. E, mais do que isso, é mensagem.
Quando, na Assembleia da República, um deputado decide deliberada e literalmente dar as costas, não está apenas a rejeitar quem fala. Está a rejeitar o próprio jogo democrático. Porque a democracia vive do incómodo, do confronto, do contraditório. Quem foge disso não está apenas a evitar uma conversa — está a desrespeitar e a expor a sua incapacidade de a sustentar.
No caso de Pedro Delgado Alves, o problema já não é o gesto. É a recorrência da supremacia arrogante. É o padrão quase coreografado de quem, perante o que não agrada, opta sempre pela mesma saída: virar costas, sair de cena, apagar o momento como se ele nunca tivesse existido. Recordemo-nos do fatídico episódio do atropelamento da cantoneira, por distração e negligência, e não por falha mecânica como foi relatado. O Ministério Público e o tribunal consideraram que o mesmo se deveu a desatenção, não se comprovando avaria. Pedro Delgado Alves foi condenado por crime de ofensa à integridade por negligência, porque dias depois o carro foi enviado para abate, supostamente por se encontrar bastante danificado, mas segundo a juiza, esta decisão inviabilizou a verificação técnica da viatura e impediu que se apurasse a eventual falha no carro. Uma clara tentativa de apagar evidências, de virar as costas à verdade dos factos e de se esquivar às responsabilidades.
É aqui que entramos no território onde a política se cruza com o caráter.
Porque há uma diferença entre errar e fugir. Entre explicar e desaparecer. Entre assumir e virar costas.
Quando a memória pública evoca episódios passados — alguns incómodos, outros controversos — não o faz apenas pelos factos em si, mas pelo fio que os une: a perceção de uma constante evasão. A imagem que se desenha é a de alguém que, perante o embate, não resiste — contorna. Não responde — esquiva-se. Não enfrenta — vira costas.
E isso não é estilo. É sintoma e esteriotipia. .
Sintoma de uma política que prefere a encenação à substância. Onde o gesto substitui o argumento e a fuga se disfarça de dignidade. Mas não há dignidade nenhuma em virar costas ao debate e às responsabilidades. Há apenas silêncio — e o silêncio, em política e na vida comum, raramente é inocente.
No fundo, virar costas é confortável. Evita o risco, protege o ego, poupa trabalho. Mas tem um preço: revela, sem margem para dúvidas, a medida e a pequenez ética de quem o faz.
E essa medida, quando repetida vezes suficientes, deixa de ser circunstancial.
Passa a ser caráter, ou falta dele.

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A Pressa de Ser Outro

Há temas que pedem delicadeza. E há momentos em que a delicadeza, se levada ao extremo, se transforma em silêncio cúmplice. A mudança de género tornou-se um desses territórios onde a prudência parece, muitas vezes, proibida, como se questionar fosse sinónimo automático de hostilidade.

Vivemos sob a exaltação da autodeterminação. “Sê quem és”, passou de princípio humanista a imperativo imediato. Mas quando esse “ser” implica intervenções médicas profundas, irreversíveis e com impacto vitalício, a questão deixa de ser apenas identitária: torna-se também clínica, psicológica e ética. E aqui, a pressa não é um detalhe — é o problema.

O que se observa, em muitos contextos, é uma validação quase instantânea de decisões que exigiriam tempo, maturidade e acompanhamento rigoroso. Em especial entre jovens, onde a identidade ainda está em construção, a ideia de que qualquer desconforto com o próprio corpo pode, ou deve, ser resolvido através de uma transição, levanta sérias reservas. Nem todo o sofrimento é sinal de disforia. Nem toda a dúvida é uma certeza à espera de ser confirmada.

Mas o espaço para esta nuance tem vindo a encolher. O debate tornou-se binário: ou se apoia sem reservas, ou se é colocado no campo da rejeição. Esta simplificação é perigosa. Porque apaga uma realidade incómoda — a de pessoas que se arrependem, que revisitam decisões tomadas cedo demais, que enfrentam consequências físicas e psicológicas que não lhes foram plenamente explicadas.

O arrependimento não é apenas uma nota de rodapé. É um sinal de alerta. E, no entanto, tende a ser desvalorizado, quase invisível, porque contraria a narrativa dominante. As consequências a médio e longo prazo : dependência de terapias hormonais, infertilidade, cirurgias complexas, são frequentemente tratadas como detalhes técnicos, quando na verdade redefinem vidas inteiras.

Importa também perguntar: o que está por detrás deste aumento de pedidos de transição? Será sempre uma questão identitária clara, ou haverá, em alguns casos, fatores mais difusos, como fragilidade emocional, necessidade de pertença, influência de ambientes digitais altamente polarizados? Quando uma resposta complexa se transforma numa solução rápida, é legítimo desconfiar da própria simplicidade da resposta.

Paralelamente, assistimos a um relevo crescente do ativismo LGBT… no espaço público. Muito do que foi conquistado nesse percurso é inegavelmente positivo em termos de direitos e dignidade, mas há uma diferença entre visibilidade e omnipresença. Quando determinadas causas se tornam quase imunes à crítica, o debate democrático empobrece.

É neste enquadramento, que decisões políticas como a recusa de hastear bandeiras ideológicas em edifícios públicos ganham significado. Não se trata, necessariamente, de rejeitar direitos ou identidades, mas de afirmar um princípio: o Estado não deve alinhar simbolicamente com uma causa específica, por mais legítima que seja, sob pena de perder a sua neutralidade. O espaço público não deve ser apropriado por nenhuma agenda, deve permanecer comum.

No fundo, a questão central não é a identidade de género em si, mas a forma como a sociedade a está a tratar: com urgência, com simplificação, com leviandade e, por vezes, com uma certa intolerância ao questionamento. E talvez o verdadeiro risco não esteja na liberdade de mudar — mas na ausência de espaço para pensar antes de o fazer.

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O Lado Invisível do SNS: Quando uma Cama Vazia Decide Quem Vive e Quem Espera

Um problema ético

RUI LEAL
Aluno do Mestrado Executivo em Administração Hospitalar
Faculdade de Economia da Universidade do Porto

Nos hospitais portugueses, a escassez de camas deixou de ser uma exceção. Tornou-se estrutural. E, como em qualquer sistema sob pressão constante, essa escassez não se limita a criar ineficiências — cria desigualdades.

Nas especialidades cirúrgicas, o problema é particularmente evidente. A capacidade de internamento passou a ser o verdadeiro fator limitativo da atividade. Quando alegadamente, não faltam equipas, nem blocos operatórios, nem competência clínica, falta, muitas vezes, uma cama.

O resultado é conhecido — e cada vez mais frequente: cirurgias canceladas à última hora. Não por decisão médica, mas por incapacidade organizacional. O doente está preparado, a equipa está pronta, os recursos estão mobilizados. E, ainda assim, a cirurgia não acontece.

Para quem espera, o impacto é real: mais ansiedade, mais tempo, mais risco. Para o hospital, é um desperdício evidente de recursos altamente diferenciados. Mas há uma dimensão mais profunda que raramente entra no debate público. Estamos, na prática, perante um problema de justiça distributiva.

Num sistema público como o Serviço Nacional de Saúde, a escassez não pode ser evitada — mas a forma como é gerida pode, e deve, ser questionada. Quando o acesso aos cuidados deixa de depender exclusivamente da necessidade clínica e passa a ser condicionado por limitações operacionais, a equidade fica comprometida. E isso não é um detalhe técnico. É uma escolha implícita sobre quem é tratado — e quem espera.

A duração do internamento pós-operatório é um dos principais determinantes desta pressão. Bastam alguns casos acima do esperado para desestabilizar todo o sistema. Há, porém, um fator frequentemente subestimado neste contexto: os casos sociais. Quando a alta clínica existe, mas a saída do hospital não ocorre por ausência de resposta social adequada, o internamento deixa de refletir apenas necessidade assistencial e passa a incorporar uma incerteza estrutural. Nos modelos preditivos de gestão de camas, estes casos funcionam como uma fonte relevante de entropia operacional — aumentam a variabilidade, reduzem a precisão das previsões e fragilizam o planeamento cirúrgico. Ignorá-los não é apenas uma limitação técnica; é aceitar modelos incompletos e, consequentemente, decisões potencialmente menos equitativas. A sua incorporação explícita nos modelos, através de variáveis sociais e de contexto, é essencial para aumentar a validade preditiva e evitar decisões sistematicamente enviesadas.

Ainda assim, muitos hospitais continuam a planear a sua atividade com base sobretudo na experiência, e não em análise estruturada de dados. É aqui que a mudança se impõe.

Hoje, existe informação suficiente para prever padrões de internamento, antecipar riscos e ajustar o planeamento cirúrgico. Ignorar essa capacidade analítica já não é uma limitação — é uma decisão. Mas antecipar não chega.

Sem mecanismos robustos de auditoria interna, o sistema permanece opaco. Não se compreende, com rigor, onde estão os desvios, por que razão se prolongam internamentos ou onde se perdem oportunidades de otimização. E sem essa compreensão, não há verdadeira melhoria.

A auditoria interna não deve ser vista como um instrumento de controlo burocrático, mas como uma ferramenta de gestão crítica. Permite tornar visível o que hoje é difuso, responsabilizar processos e alinhar a utilização dos recursos com os princípios que o sistema afirma defender. Eficiência e equidade não são objetivos concorrentes. São, neste contexto, inseparáveis.

Num sistema permanentemente pressionado, melhorar a utilização das camas não é apenas uma questão de gestão. É uma condição para garantir que o acesso aos cuidados não depende do acaso organizacional. E é aqui que recai uma das maiores responsabilidades dos administradores hospitalares. Gerir capacidade não é apenas otimizar fluxos. É tomar decisões que têm impacto direto sobre vidas concretas. Decidir quem espera. Decidir quem entra. Decidir quando.

Por isso, reduzir a gestão de camas a um problema operacional é um erro. Trata-se, na verdade, de um problema ético, organizacional e político. Porque, no limite, cada cama disponível representa mais do que um recurso. Representa uma escolha. E gerir escolhas, em contexto de escassez, é — inevitavelmente — gerir justiça. ■

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