A deteção do vírus do Nilo Ocidental numa ave na Costa Esuri, em Ayamonte, junto à fronteira algarvia, levou as autoridades espanholas a declarar a zona em alerta. Após contactos do Jornal do Algarve, a Direção-Geral da Saúde (DGS) garante que mantém a vigilância epidemiológica em Portugal e confirma que o último caso humano identificado no país foi registado no Algarve, em 2015.
A DGS assegura que mantém os mecanismos de vigilância e deteção precoce de eventuais infeções pelo vírus do Nilo Ocidental em humanos, através da rede do Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica (SINAVE).
“A DGS mantém a monitorização da situação epidemiológica, bem como os mecanismos adequados para a deteção precoce de casos suspeitos ou confirmados em humanos”, refere a autoridade de saúde, numa resposta enviada ao Jornal do Algarve.
A vigilância envolve serviços de saúde dos setores público, privado e social, autoridades de saúde, laboratórios e a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), entre outras entidades. Portugal integra ainda uma rede europeia de vigilância da qual Espanha também faz parte.
A nível regional, a avaliação do risco e a implementação de medidas de controlo de vetores são asseguradas pelas autoridades de saúde, no âmbito do programa REVIVE – Rede de Vigilância de Vetores. “A nível regional as Autoridades de Saúde, no âmbito do Programa REVIVE – Rede de Vigilância de Vetores -, efetuam a avaliação do risco e implementam, em articulação com os parceiros locais, medidas de controlo de vetores”, explica a DGS.
Algarve registou último caso humano em 2015
O último caso humano de infeção pelo vírus do Nilo Ocidental identificado em Portugal remonta a 2015 e foi registado no Algarve. A DGS informa que, desde então, não foram notificados novos casos da doença no país.
“Até à data, não foram notificados, mais casos de doença”, sublinha a DGS.
O vírus é transmitido sobretudo através da picada de mosquitos infetados do género “Culex spp”, presentes em todo o território nacional. As aves constituem o principal reservatório do vírus, enquanto os seres humanos e os equinos são considerados hospedeiros acidentais.
“As aves são o principal reservatório deste vírus”, sublinha a autoridade de saúde, que descreve o mosquito transmissor como uma espécie nativa e amplamente distribuída pelo território.
A maioria das infeções humanas não provoca sintomas. Segundo a DGS, cerca de 80% dos casos são assintomáticos. Nos restantes, podem surgir sintomas semelhantes aos de uma síndrome gripal, como febre, dores de cabeça e dores articulares. Cerca de 1% dos casos evolui para formas mais graves da doença.
A deteção do vírus numa ave em Espanha não significa, por si só, que exista transmissão em Portugal ou que esteja confirmado um risco acrescido para a população algarvia. A DGS refere a existência de mecanismos de vigilância e avaliação do risco, mas não anunciou medidas adicionais específicas na sequência deste caso.
Autoridades espanholas reforçam prevenção
Este é o primeiro caso detetado em aves na costa da província espanhola de Huelva e o décimo positivo confirmado na Andaluzia, segundo a Consejería de Presidencia, Sanidad y Emergencias, avançou o jornal espanhol Huelva Hoy. A deteção foi também incluída no registo nacional espanhol de doenças animais de declaração obrigatória.
No último balanço divulgado pelas autoridades sanitárias andaluzas, não tinham sido identificados novos casos humanos, mantendo-se o total anual em 74 infeções. Destas, 42 apresentaram sintomas ligeiros e 32 evoluíram para doença neuroinvasiva. Foram registadas 36 hospitalizações e cinco mortes, permanecendo uma pessoa internada à data do balanço.
O alerta abrange localidades das províncias de Almería, Cádiz, Córdoba, Huelva e Sevilha e implica o reforço da vigilância de mosquitos, animais e seres humanos, bem como das ações de informação à população e das medidas de controlo dos mosquitos transmissores.
O Ayuntamiento de Ayamonte mantém também os tratamentos de controlo e prevenção de mosquitos, em colaboração com a Diputación de Huelva, e divulgou recomendações para reduzir o risco de picadas e limitar os locais de reprodução destes insetos.
DGS recomenda eliminar água parada e usar repelente
Para prevenir a proliferação de mosquitos, a DGS recomenda a eliminação de águas estagnadas nas imediações das habitações, a utilização de repelentes autorizados e o uso de roupa clara que cubra a maior parte do corpo.
A autoridade de saúde aconselha ainda a instalação de redes mosquiteiras nas janelas e portas e a evitar a exposição no exterior ao amanhecer e ao entardecer, períodos de maior atividade do mosquito transmissor. Em caso de sintomas compatíveis com a infeção, deve ser procurada assistência médica.