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Análise: Adiamentos de depoimentos marcam caso Master

A PF (Polícia Federal) remarcou para a próxima semana o depoimento de Fabiano Zettel, apontado como operador financeiro de Daniel Vorcaro e investigado no âmbito do caso Master. O interrogatório, que estava agendado para ocorrer por videoconferência a partir do presídio em Potim, interior de São Paulo, foi cancelado pela segunda vez.

Segundo o analista de Segurança Pública da CNN, Elijonas Maia, ao CNN Novo Dia, o episódio não é isolado. Uma série de depoimentos relacionados ao caso Master foram agendados e posteriormente cancelados ou adiados, transformando os atrasos em uma característica marcante da investigação.

Lista de adiamentos se acumula

Entre os investigados que tiveram depoimentos cancelados estão o próprio ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o empresário Augusto Lima, o senador Jaques Wagner (PT-BA), o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto — ouvido na condição de testemunha —, e André Esteves, do BTG Pactual, também como testemunha.

O depoimento de Fabiano Zettel, que seria realizado por uma equipe da PF de Minas Gerais, trataria sobre o grupo denominado “A Turma”, descrito como um grupo armado que, segundo consta na Polícia Federal, teria sido organizado para ameaçar e intimidar adversários de Daniel Vorcaro, incluindo jornalistas, adversários políticos e empresariais.

O interrogatório estava previsto para começar às 14h. Por volta das 14h20, a equipe de investigação recebeu um telefonema comunicando o cancelamento. O argumento foi que o presídio não dispunha de conexão à internet para a realização da oitiva por videoconferência. A Polícia Federal confirmou o cancelamento, mas não informou oficialmente o motivo do adiamento.

Mudança de advogados pode explicar os atrasos

De acordo com Elijonas Maia, fontes com acesso ao caso apontam que um dos fatores que explicam a grande quantidade de adiamentos é a troca frequente de advogados pelos investigados.

“Todos os principais investigados nesse caso mudaram de advogados e mais de uma vez”, afirmou o analista. Cada nova troca implica um novo pedido de acesso integral aos autos do processo, o que acaba por postergar os depoimentos.

Os sucessivos atrasos também têm impacto direto no prazo para a conclusão do inquérito. A previsão inicial da Polícia Federal era de que pelo menos um dos inquéritos fosse finalizado e relatado ao STF (Supremo Tribunal Federal) em julho, antes do início da campanha eleitoral.

Com os adiamentos, a data foi postergada para agosto, depois para setembro, outubro, e agora a nova estimativa aponta para novembro. Dois inquéritos estão mais adiantados: o referente a “A Turma”, que aguarda um ou dois depoimentos, incluindo o de Fabiano Zettel, e o que investiga a suposta atuação de servidores do Banco Central em favor de Daniel Vorcaro.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.
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Defesa de primo de Vorcaro pede a Fachin que devolva processo a Mendonça

A defesa de Felipe Vorcaro, primo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, pediu nesta quarta-feira (21) ao presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, que devolva ao ministro André Mendonça o processo em que ele é investigado no caso Master.

Preso preventivamente desde 7 de maio, Felipe aguarda desde 22 de junho a análise de um pedido de revogação da prisão, que, segundo os advogados, só pode ser decidido por Mendonça, relator original do caso.

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A solicitação vai na contramão da posição da PGR (Procuradoria-Geral da República). Para o órgão, enquanto os processos permanecerem reunidos na Presidência da Corte, cabe a Fachin examinar as questões urgentes ligadas às investigações do Master. A Procuradoria também se manifestou contra a soltura de Felipe e de outros investigados próximos a Vorcaro, incluindo seu pai, Henrique Moura Vorcaro.

Os autos relacionados ao Master foram remetidos à Presidência em setembro, em meio à crise interna provocada por apurações que passaram a atingir integrantes do próprio Supremo. Mendonça, no entanto, continuou formalmente como relator de parte dos casos.

Na petição, a defesa de Felipe Vorcaro sustenta que o processo, embora derive da Operação Compliance Zero, não guarda relação, direta ou indireta, com fatos atribuídos a ministros da Corte.

Os advogados argumentam ainda que a reunião dos processos na Presidência teve caráter preliminar e não autoriza que todos permaneçam indefinidamente sob a responsabilidade de Fachin. Nesse sentido, pedem que o caso seja devolvido imediatamente a Mendonça ou, alternativamente, que Fachin o autorize a decidir sobre as questões urgentes, em especial a revogação da prisão preventiva.

“Diante do exposto, requer-se a imediata devolução da PET 15.873/DF ao seu relator originário, o em. Min. ANDRÉ MENDONÇA, ou, desde logo, autorização expressa para que aprecie as questões urgentes do feito, especialmente o pedido de revogação da prisão preventiva pendente desde 22.6.2026, independentemente do desfecho das demais matérias”, escreveram os advogados.

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Vorcaro editava reportagens do Metrópoles antes da publicação, diz UOL

A direção do portal Metrópoles submetia a Daniel Vorcaro reportagens antes de serem publicadas, atendia pedidos dele de edição nos textos e sugeria matérias que pudessem favorecer os negócios do Master. As informações constam em mensagens extraídas pela Polícia Federal (PF) no celular do ex-banqueiro. Pelo menos 14 textos do site foram enviados previamente a Vorcaro, e 11 deles foram alterados após pedidos feitos por ele. Há também registros de duas reportagens publicadas a pedido do dono do Master.

A linha direta entre Vorcaro e a CEO do grupo Metrópoles, Lilian Tahan, foi estabelecida em 2024, mesmo ano em que o Master fechou um contrato de publicidade de R$ 20 milhões com o portal. Em abril de 2025, ao enviar um perfil sobre Vorcaro, Tahan escreveu: “Se tiver alguma incorreção, me avise!! Não publicarei sem nos falarmos”. Questionada sobre o envio de textos para Vorcaro ler, Lilian respondeu que “checar com a fonte se a matéria reflete o contexto passado para o veículo é uma prática que adoto com personalidades empresariais, da política e do Judiciário”.

Diálogos mostram que o banqueiro orientou e editou reportagens contra Renato Gomes, diretor de Organização do Sistema Financeiro e Resolução do Banco Central que apertou a fiscalização sobre o Master. Em uma das conversas, Tahan encaminhou a Vorcaro o texto de uma reportagem e perguntou: “Me diga o que acha!”. O banqueiro respondeu com sugestões de alterações, incluindo retirar menção à falência do banco e incluir informações sobre supostas divergências dentro do BC. Uma hora depois, Tahan devolveu o texto com as alterações sugeridas e avisou que seria publicado.

Mensagens também revelam negociações entre Tahan e Vorcaro sobre o patrocínio das transmissões do Campeonato Brasileiro da Série D pelo portal. A CEO apresentou o projeto ao banqueiro, que respondeu: “Pode contar comigo sempre”. Em julho, o Metrópoles anunciou acordo com a CBF para transmissão dos jogos, e o patrocínio foi firmado com o Will Bank, instituição vinculada ao Grupo Master.

Lilian Tahan afirma que o contrato de publicidade do Master com o Metrópoles não tinha nenhuma relação com a cobertura de interesse do banco. “Basta ver a quantidade de matérias publicadas pelo Metrópoles expondo a situação das empresas de Vorcaro, tais como Banco Master, Ambipar, Fictor, Oncoclínicas dentre outras”, declarou.

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