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Especialista: decisões monocráticas no TSE e STF geram insegurança jurídica

22 October 2026 at 08:30

O nível de segurança jurídica na atuação dos tribunais superiores nas eleições é questionável. Essa é a avaliação de Gustavo Sampaio, professor de Direito Constitucional e Eleitoral da UFF ao WW, que aponta uma instabilidade decisória como principal problema no cenário atual.

Segundo Sampaio, o problema central reside no fato de que as cortes, muitas vezes, não se pronunciam como colegiados.

“Muitas vezes as Cortes não estão falando como Cortes, como colegiados”, afirmou o especialista.

Para ele, se houvesse a prática de julgamentos unânimes ou por maioria, a resposta judicial seria dada pelo tribunal como um todo, o que atenuaria significativamente o desnível de cumprimento da segurança jurídica.

Decisões monocráticas no centro do debate

O excesso de decisões monocráticas é apontado por Sampaio como o principal fator que compromete a segurança jurídica.

Ele explica que, embora essas decisões sejam posteriormente submetidas à apreciação colegiada, “muitas vezes, quando o colegiado delibera, o fato já se consumou, o fato já passou, já pereceu”.

Esse cenário, segundo o professor, é o que se tem vivido na prática.

TSE dividido e tensão com o STF

O contexto de instabilidade também se manifesta internamente no TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Segundo a participação do diretor de Jornalismo da CNN em Brasília, Daniel Rittner, Reuniões foram realizadas na Corte para discutir a questão de canais de WhatsApp na reta final da campanha eleitoral.

O ministro André Mendonça divulgou uma nota afirmando ter sido incumbido, por consenso, de elaborar uma norma sobre o tema.

No entanto, outros integrantes do TSE contestaram a amplitude do consenso, afirmando que ele se referia apenas a novos canais de WhatsApp, e não aos já existentes, explica Rittner.

A minuta de resolução apresentada por André Mendonça foi considerada excessivamente restritiva e gerou polêmica.

Uma ala do STF, que costuma divergir de André Mendonça e de Kassio Nunes Marques, fez chegar a Kassio um alerta de que, caso o caminho adotado fosse mantido, o STF interviria.

Diante disso, Kassio recuou.

O episódio evidencia, segundo a análise de Rittner, um TSE dividido, um STF disposto a intervir, ausência de colegialidade e um ímpeto de legislar que contrasta com a postura prometida por Kassio Nunes Marques ao assumir a Corte — a de agir como árbitro que intervém o mínimo possível e deixa o “jogo rolar”.

Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.

STF tira ISS do cálculo do PIS/Cofins; impacto pode chegar a R$ 35,4 bi

21 October 2026 at 23:24

O STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu, nesta quarta-feira (21), por 6 votos a 5, excluir o ISS (Imposto Sobre Serviços) da base de cálculo do PIS e da Cofins. O ministro Luiz Fux deu o voto de desempate e formou maioria a favor dos contribuintes, em uma decisão que pode reduzir a arrecadação da União.

O entendimento da Corte é de que o ISS, tributo de competência municipal, não constitui receita efetiva das empresas, uma vez que os valores arrecadados são posteriormente repassados aos municípios.

A decisão representa uma derrota para o governo federal. A Receita Federal estimou em R$ 35 bilhões o impacto potencial da discussão tributária sobre o ISS. O valor, no entanto, não representa uma perda já confirmada, uma vez que o Supremo ainda precisa definir os efeitos da decisão.

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O julgamento tem repercussão geral, o que significa que o entendimento deverá ser aplicado a outros processos judiciais que tratam da mesma controvérsia.

Fux acompanhou o voto do relator original, o ministro aposentado Celso de Mello, para quem o ISS não integra o faturamento das empresas por representar apenas um ingresso temporário de recursos.

Segundo Fux, o valor apenas transita pela contabilidade do contribuinte, sem se incorporar de forma definitiva ao seu patrimônio. Para o ministro, entendimento diferente violaria o artigo 195 da Constituição Federal.

Também votaram pela exclusão do ISS da base de cálculo Rosa Weber, Ricardo Lewandowski, André Mendonça e Cármen Lúcia, formando a maioria de seis votos.

Ficaram vencidos os ministros Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Luís Roberto Barroso, Alexandre de Moraes e Edson Fachin, que defenderam a manutenção do ISS na base de cálculo das contribuições federais. A ministra Cármen Lúcia ficará responsável pela redação do acórdão.

Entenda a decisão

O julgamento segue a mesma lógica da chamada “Tese do Século”, estabelecida pelo Supremo em 2017, quando a Corte determinou que o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) não poderia integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins.

Na ocasião, os ministros entenderam que valores arrecadados pelas empresas, mas destinados ao pagamento de impostos estaduais, não representam faturamento próprio e, portanto, não poderiam ser tributados pelas contribuições federais.

Agora, o STF estendeu esse raciocínio ao ISS, imposto municipal que incide sobre a prestação de serviços. A tese aprovada estabelece que o ISS não integra a base de cálculo do PIS e da Cofins porque representa um ingresso financeiro transitório, sem incorporação definitiva ao patrimônio do contribuinte.

A divergência foi aberta pelo ministro Dias Toffoli, para quem o ISS possui características diferentes das do ICMS. Segundo o magistrado, a sistemática de cobrança do tributo municipal não permite a aplicação automática do entendimento firmado em 2017.

Efeitos da decisão ainda serão definidos

Apesar da definição sobre a exclusão do imposto, o STF ainda deverá analisar a modulação dos efeitos da decisão, que determinará a partir de quando o novo entendimento será aplicado.

A discussão é relevante porque pode estabelecer se as empresas terão direito à restituição de valores recolhidos indevidamente nos últimos anos ou se a decisão produzirá efeitos apenas para o futuro.

Em seu voto, Fux defendeu que a exclusão tenha efeitos a partir da publicação da ata do julgamento, com exceções para ações judiciais e processos administrativos já em andamento, além de tributos referentes a períodos anteriores que ainda não tenham sido pagos.

O ministro André Mendonça também se manifestou favoravelmente à limitação dos efeitos retroativos.

A Corte definiu, porém, que a modulação dos efeitos da decisão será analisada no julgamento de embargos de declaração. A medida permite que os todos os atuais integrantes do STF também participem dessa etapa, já que o julgamento começou sob uma composição diferente da atual e parte dos ministros que votaram no mérito já se aposentou.

Modulação será determinante

A definição sobre a modulação será determinante para o impacto financeiro da decisão. Isso porque, além da redução da carga tributária daqui para frente, empresas podem buscar a recuperação de valores recolhidos nos últimos anos, a depender do marco temporal que vier a ser fixado pelo Supremo.

Para Tiago Conde Bussamra, presidente da Abradt (Associação Brasileira de Direito Tributário), a decisão terá efeitos especialmente relevantes sobre o setor de serviços, com potencial de reduzir custos e melhorar o fluxo de caixa das empresas.

“A decisão do Supremo Tribunal Federal produz consequências importantes para a economia brasileira, especialmente para o setor de serviços, que possui participação expressiva na atividade econômica nacional. Empresas dos segmentos de saúde, educação, tecnologia, transporte e prestação de serviços em geral poderão experimentar uma redução da carga tributária, com efeitos positivos sobre seus custos operacionais, fluxo de caixa e competitividade”, afirmou.

Segundo Bussamra, porém, a dimensão econômica do julgamento dependerá sobretudo da possibilidade de recuperação dos valores pagos no passado.

“Outro reflexo relevante é a possibilidade de recuperação dos valores recolhidos indevidamente ao longo dos últimos anos. Entretanto, essa consequência ainda dependerá da definição dos efeitos da modulação do julgamento.”

A discussão ganha peso diante da substituição do PIS e da Cofins pela CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) a partir de 2027.

“Com a substituição do PIS e da Cofins pela CBS a partir de 2027, os efeitos futuros da decisão sobre essas contribuições terão duração limitada. Por isso, a discussão acerca dos valores recolhidos no passado assume particular importância econômica e jurídica”, disse Bussamra.

À CNN, o advogado tributarista Eduardo Amirabile de Melo também afirmou que a principal questão em aberto passa a ser a eventual modulação dos efeitos da decisão. Para ele, uma limitação à recuperação de valores pagos anteriormente seria inadequada.

“A principal preocupação agora é a eventual modulação dos efeitos, a ser discutida em possíveis embargos de declaração da União. Os debates sinalizam o risco de restrição à recuperação dos valores indevidamente recolhidos, sob o argumento de preservação do erário. Em minha avaliação, essa solução seria inadequada, pois não houve ruptura jurisprudencial, mas confirmação de entendimento já acolhido pelos Tribunais Regionais Federais”, afirmou.

Em carta, juristas defendem candidato a favor de instituições democráticas

21 October 2026 at 22:00

Advogados, professores de Direito e ex-ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) assinaram nesta quarta-feira (21) uma carta em “defesa da democracia” e manifestando apoio ao candidato que “respeita as instituições democráticas brasileiras e o texto constitucional”. Entre os signatários, estão os ex-ministros Rosa Weber, Antonio Cezar Peluso e Celso de Mello.

No documento, os juristas lembram da promessa feita ao ingressar na profissão, de defender a “Constituição, a ordem jurídica do Estado Democrático de Direito, os direitos humanos, a justiça social, a boa aplicação das leis, a rápida administração da justiça e o aperfeiçoamento da cultura e das instituições jurídicas”.

Por isso, eles afirmam que, mesmo tendo posições políticas diversas, estão unidos na defesa do Estado Democrático de Direito.

Mesmo sem citar nenhum nome, os juristas dizem apoiar um candidato à Presidência que não tenha “a possibilidade ou intenção de concentrar em si os Três Poderes da República”.

“Em um momento de crise das instituições jurídicas, consideramos nosso dever tomar posição. O voto é o instrumento que a própria democracia oferece para corrigir rumos, proteger as instituições e reafirmar o compromisso com a justiça”, diz trecho do manifesto.

“É preciso, portanto, nesse momento histórico para o país, apoiar candidato que respeita as instituições democráticas brasileiras e o texto constitucional. É preciso apoiar candidato que não tenha a possibilidade ou intenção de concentrar em si os Três Poderes da República, e assim inviabilizar a garantia institucional de equilíbrio entre os poderes e o sistema de freios e contrapesos”, continua.

A carta é divulgada a 5 dias do segundo turno das eleições presidenciais. Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno à frente com 47,03%. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ficou com 45,16% e tenta a virada no próximo domingo (25).

Defesa de primo de Vorcaro pede a Fachin que devolva processo a Mendonça

21 October 2026 at 20:32

A defesa de Felipe Vorcaro, primo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, pediu nesta quarta-feira (21) ao presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, que devolva ao ministro André Mendonça o processo em que ele é investigado no caso Master.

Preso preventivamente desde 7 de maio, Felipe aguarda desde 22 de junho a análise de um pedido de revogação da prisão, que, segundo os advogados, só pode ser decidido por Mendonça, relator original do caso.

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A solicitação vai na contramão da posição da PGR (Procuradoria-Geral da República). Para o órgão, enquanto os processos permanecerem reunidos na Presidência da Corte, cabe a Fachin examinar as questões urgentes ligadas às investigações do Master. A Procuradoria também se manifestou contra a soltura de Felipe e de outros investigados próximos a Vorcaro, incluindo seu pai, Henrique Moura Vorcaro.

Os autos relacionados ao Master foram remetidos à Presidência em setembro, em meio à crise interna provocada por apurações que passaram a atingir integrantes do próprio Supremo. Mendonça, no entanto, continuou formalmente como relator de parte dos casos.

Na petição, a defesa de Felipe Vorcaro sustenta que o processo, embora derive da Operação Compliance Zero, não guarda relação, direta ou indireta, com fatos atribuídos a ministros da Corte.

Os advogados argumentam ainda que a reunião dos processos na Presidência teve caráter preliminar e não autoriza que todos permaneçam indefinidamente sob a responsabilidade de Fachin. Nesse sentido, pedem que o caso seja devolvido imediatamente a Mendonça ou, alternativamente, que Fachin o autorize a decidir sobre as questões urgentes, em especial a revogação da prisão preventiva.

“Diante do exposto, requer-se a imediata devolução da PET 15.873/DF ao seu relator originário, o em. Min. ANDRÉ MENDONÇA, ou, desde logo, autorização expressa para que aprecie as questões urgentes do feito, especialmente o pedido de revogação da prisão preventiva pendente desde 22.6.2026, independentemente do desfecho das demais matérias”, escreveram os advogados.

Fachin deve analisar pedido para prorrogar caso Lulinha

21 October 2026 at 15:01

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Edson Fachin, deve analisar o pedido da PF (Polícia Federal) para prorrogar o inquérito que investiga o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, por tráfico de influência no governo federal. A informação foi apurada pelo analista de Política da CNN Teo Cury, ao CNN Novo Dia.

A solicitação chegou a ser enviada ao ministro André Mendonça, mas foi redirecionada ao presidente da Corte, que atualmente está à frente dos casos envolvendo Lulinha.

Segundo Teo Cury, o processo acabou ficando no gabinete de Fachin diante de uma indefinição sobre os casos do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e do Banco Master. “Há uma expectativa sobre se ele tomará ou não essa decisão”, afirmou Cury.

Tudo vai depender, segundo ele, se o caso continuará com Fachin ainda nesta semana ou se, na semana seguinte, os processos retornarão a André Mendonça.

Crise institucional no STF

O contexto que levou à situação atual envolve uma crise no Supremo Tribunal Federal. Enquanto Fachin retirou a relatoria do inquérito das fake news do ministro Alexandre de Moraes, no caso de André Mendonça não houve retirada formal da relatoria, mas os autos dos casos do Banco Master e do INSS foram enviados ao gabinete de Fachin.

Isso ocorreu por volta do dia 12 de setembro, em uma tentativa de arrefecer os ânimos dentro da Suprema Corte e contornar a crise institucional que o STF atravessava.

Conforme explicou Teo Cury, apesar de Fachin ter recebido os autos, ele não assumiu formalmente a relatoria dos casos, que segue sendo de André Mendonça. “Esses processos deram uma esfriada ao longo do período eleitoral”, destacou o analista.

Ao longo das últimas semanas, reduziram-se também as decisões de um ministro contrariando o outro, em meio ao processo eleitoral e às tentativas de Fachin de acalmar os ânimos no STF.

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