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Cochilo, poluição e desemprego estão associados ao Alzheimer, diz estudo

Cochilar frequentemente, passar por dificuldades financeiras, ter problemas emocionais e respirar um ar poluído são fatores, além do tabagismo e álcool, que podem estar associados ao risco de desenvolvimento do Alzheimer.

A associação está presente em um estudo desenvolvido por pesquisadores da Harvard, publicado na revista Alzheimer’s & Dementia, da Alzheimer’s Association, na edição de outubro. Os cientistas avaliaram cerca de 500 mil britânicos, entre 40 e 69 anos, do banco de dados UK Biobank, acompanhados por mais de 10 anos.

Ao todo, foram analisados 193 tipos de exposição divididos em cinco grupos (social, estilo de vida, químico, físico e ecossistema). Durante o período, 8.881 participantes, cerca de 1,77%, desenvolveram Alzheimer ou outro tipo de demência relacionada.

Dos fatores analisados, 76 apresentaram associação com a doença. Destes, 45 apresentaram risco e 31 apresentaram proteção.

Veja o índice: 

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Entre as condições destacadas como predispostas, estão:

  • Cochilar frequentemente: altera os padrões do sono e compromete a eficiência do sistema glinfático – via responsável por eliminar e limpar metabólitos e proteínas neurotóxicas do cérebro durante o descanso profundo.
  • Dificuldades financeiras: gera estresse contínuo, piora a qualidade de vida e limita o acesso a cuidados preventivos de saúde.
  • Polifarmácia: o número de remédios utilizados foi o preditor individual mais forte do modelo do estudo. O fator reflete a uma carga elevada de múltiplas doenças crônicas simultâneas (que podem contribuir), e não aos efeitos diretos dos medicamentos.
  • Problemas emocionais: depressão, ansiedade, solidão e oscilações do humor ativam respostas de estresse biológicas e sustentam um estado de neuroinflamação que acelera a degradação neurológica.
  • Ar poluído: a inalação de dióxido de nitrogênio e partículas finas está associada a maior risco e é apontada como agente neurotóxico, que pode causar inflamação no sistema nervoso central.
  • Cigarro e álcool: fumar atualmente, a exposição à fumaça de tabaco dentro de casa e o consumo inadequado de álcool também aparecem entre os fatores de risco.

Leia também: Exame de sangue capaz de diagnosticar o Alzheimer chega ao Brasil | CNN Brasil

O que pode ajudar a reduzir o risco

Por outro lado, 31 fatores apareceram como associados à redução do risco de desenvolvimento das doenças.

Veja a seguir alguns dos fatores:

  • Exercícios físicos regulares, atividades manuais e caminhadas: atuam por meio de mecanismos neuroprotetores diretos que podem preservar a idade do cérebro.
  • Convivência a dois: diminui o isolamento social, a solidão e o estresse, ajudando a promover o estímulo cognitivo. Quem mora com um parceiro teve risco 22% menor em relação a quem mora com outras pessoas.
  • Renda e segurança financeira: diminui a carga de estresse ligada à degradação do cérebro.
  • Consumo de ovos: pessoas que nunca comeram ovos apresentaram um risco 76% maior de desenvolver a doença.
  • Tecnologias digitais: o uso de computador e de celular foi associado a menor risco, o que reflete na estimulação cognitiva e na saúde do cérebro.

O estudo é observacional, ou seja, mostra associações e não comprova os fatores que causam a doença.

Leia também: Menopausa é associada a aumento de 15% no risco de Alzheimer, diz estudo | CNN Brasil

O que é o Alzheimer?

A doença de Alzheimer (DA) é um transtorno neurodegenerativo que ataca a memória e a capacidade cognitiva, comprometendo as atividades diárias e o comportamento do paciente.

Segundo a Febraz (Federação Brasileira das Associações de Alzheimer), cerca de 2 milhões de brasileiros vivem com demência, número que pode triplicar até 2030. No mundo, o índice chega a mais de 50 milhões de pessoas convivendo com a doença.

O Alzheimer é uma doença sem cura e não se sabe qual é a sua causa.  Apesar disso, existem diversos estudos que tentam identificar fatores de risco que não são atribuídos apenas à genética, como no caso da pesquisa feita pelos cientistas de Harvard.

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Alzheimer: Doença “não tem cura”, mas pode ser gerida

VTM

A perda de memória é uma característica natural do envelhecimento, mas quando começa a perturbar a vida quotidiana da pessoa, já não estamos a falar de algo natural, mas sim daquilo que poderá ser um sintoma de demência.

A VTM foi tentar compreender melhor esta doença, que é, cada vez mais, frequente em todo o mundo.

Ana João Marques, neurologista na Unidade Local de Saúde de Trás-os-Montes e Alto Douro (ULSTMAD), revela que a Alzheimer é uma doença que não tem cura, mas, hoje em dia, pode ser gerida. “Se até há 20 anos era uma doença com uma sentença quase de uma debilidade muito precoce e de uma mortalidade muito elevada, hoje em dia é possível viver-se com Alzheimer até mais tarde e com mais qualidade”.

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Museu de Portimão e Alzheimer Portugal unem-se para levar a arte a quem vive com demência

Museu de Portimão é o primeiro museu algarvio a integrar um programa de participação cultural e encontro com a arte, o património e o território, dirigido a pessoas que vivem com demência e aos seus cuidadores

O “Marcar o Lugar – Encontros no Museu” é desenvolvido através de uma parceria entre a Alzheimer Portugal e o Museu de Portimão e procura criar experiências de participação cultural que promovam o bem-estar, a expressão, a partilha e a inclusão social, aproximando as pessoas que vivem com demência e os seus cuidadores dos museus e do património cultural.

O Museu de Portimão é o primeiro museu do Algarve a acolher este projeto, que conta com o apoio científico e técnico da Associação Alzheimer Portugal e do Instituto de Ciências Médicas da Universidade Católica Portuguesa.

Seis encontros entre outubro e novembro

A edição do “Marcar o Lugar – Encontros no Museu” no Museu de Portimão realiza-se entre 19 de outubro e 23 de novembro, num total de seis encontros semanais, às segundas-feiras, entre as 14h30 e as 16h30.

As sessões decorrerão em diferentes espaços ligados ao património e à identidade local, nomeadamente na Antiga Lota de Portimão, no Museu de Portimão, no Centro Interpretativo do Salva-Vidas de Alvor e na zona envolvente do Museu de Portimão. Esta diversidade de espaços permitirá proporcionar diferentes formas de encontro com o património, com as histórias e com o território de Portimão.

Nesta primeira edição, o próprio território será entendido como parte da experiência museológica, estabelecendo ligações entre as coleções, os lugares, as histórias de Portimão e as experiências dos participantes.

O programa destina-se a pequenos grupos, entre 10 e 12 participantes, constituídos por pessoas que vivem com demência, em fase inicial a moderada, e pelos seus cuidadores. A participação é gratuita e não exige conhecimentos prévios sobre arte, nem o hábito de visitar museus ou outros espaços culturais.

Em cada encontro, os participantes são convidados a descobrir diferentes lugares, objetos, imagens, histórias e elementos do património. A partir desse encontro, criam-se oportunidades para observar, explorar, conversar, acrescentar contexto, estabelecer relações com experiências e questões humanas e construir significados em conjunto. A criação integra também as sessões, dando continuidade ao que foi observado e partilhado através de diferentes materiais e formas de expressão.

Um projeto que aproxima a arte e as pessoas

O «Marcar o Lugar – Encontros no Museu» foi originalmente concebido pelo MAAT – Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia, pelo Museu de Lisboa, pela Alzheimer Portugal, pela Acesso Cultura e pelo Instituto de Ciências Médicas da Universidade Católica Portuguesa, tendo tido a sua fase-piloto e de teste em 2021 e 2022. Após essa fase, o programa foi replicado noutros museus.

A metodologia desenvolvida parte da arte, do património e dos espaços culturais como lugares de encontro, descoberta, diálogo, relação e criação. Os resultados obtidos nas experiências-piloto evidenciaram efeitos positivos ao nível do humor, do bem-estar e da qualidade da experiência dos participantes, bem como na relação entre a pessoa que vive com demência e o seu cuidador.

Marcar o Lugar: Alzheimer, MAAT

Foram igualmente identificados efeitos positivos nos vínculos estabelecidos entre a pessoa com demência e o seu cuidador, assim como na criação de novas relações e no aumento da participação e inclusão social.

Mais do que uma visita ao museu, o “Marcar o Lugar” procura criar uma experiência de participação ativa, em que a arte, o património e os lugares podem funcionar como pontos de partida para a descoberta, a conversa, a expressão, a relação e a criação.

O programa procura ainda favorecer o desenvolvimento de novas relações, reforçar os vínculos entre a pessoa que vive com demência e o seu cuidador e promover uma maior participação na vida cultural e social.

Um trabalho de proximidade já desenvolvido em Portimão

A parceria com o Museu de Portimão vem reforçar um trabalho que a Alzheimer Portugal tem vindo a desenvolver de forma continuada no concelho, através do Núcleo do Algarve da Associação, com sede em Portimão.

Em Portimão, o Núcleo desenvolve também, com o apoio do Município, o Café Memória, que iniciou as suas sessões a 10 de setembro de 2022. Trata-se de um espaço de encontro mensal dirigido a pessoas com problemas de memória ou demência, familiares, amigos e cuidadores, promovendo a partilha de experiências, o convívio, o acesso a informação e o suporte mútuo, contribuindo para reduzir o isolamento social.

As sessões, de participação gratuita e sem necessidade de marcação prévia, realizam-se no Museu de Portimão, no segundo sábado de cada mês, entre as 10h30 e as 12h30.

Estas respostas reforçam o trabalho de proximidade desenvolvido em Portimão na área da demência e cria oportunidades de participação, encontro e inclusão na comunidade.

Mais informação sobre o projeto pode ser consultada no site da Alzheimer Portugal.

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Número de pessoas com demência em Portugal poderá chegar a 368 mil em 2050

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