Coorganizada com a entidade galega “Conecta Galícia” e financiada pela Comissão Europeia, através do programa Erasmus+, a iniciativa promoveu o diálogo, a cooperação transfronteiriça e o envolvimento dos jovens na construção do futuro da região.
Os jovens abordaram questões relacionadas com a sustentabilidade, a fixação de jovens, a criação de oportunidades e o envolvimento das novas gerações nos processos de decisão.
Renato Gil, presidente da Inspira, disse à VTM que o objetivo é tentar encontrar soluções para que os jovens possam ficar na eurorregião em vez de sair dela. “Queremos que os jovens se fixem na região e tenham um papel decisivo no futuro desta eurorregião e não sejam os mais velhos a decidirem por eles”.
Artigo exclusivo PREMIUM
Tenha acesso ilimitado a todos os conteúdos do site e à edição semanal em formato digital.
Uma manifestação hoje na Corunha, Galiza, norte de Espanha, contra o partido de extrema-direita Vox acabou com cargas policiais e distúrbios, com várias pessoas feridas e pelo menos um detido, segundo os jornalistas que estavam no local.
Os distúrbios e as cargas policiais ocorreram no final de uma iniciativa do presidente do Vox, Santiago Abascal, dentro da pré-campanha para as eleições legislativas espanholas de 29 de novembro, na praça María Pita, no centro da Corunha.
Salvaje represión policial contra los estudiantes antifascistas que protestábamos contra los discursos de odio de la extrema derecha.
Los fachas con porra y placa protegiendo a los fascistas de Vox y golpeando a jóvenes un día más. Vergonzoso. pic.twitter.com/xiXHvKbPKZ
Segundo os meios de comunicação social espanhóis, a iniciativa mobilizou cerca de 300 apoiantes do Vox, que ouviram uma declaração de Abascal, mas também cerca de mil pessoas que foram até à mesma praça para se manifestar contra o partido com gritos como “a Galiza será o túmulo do fascismo”.
A praça foi dividida desde o início da manhã por uma barreira policial formada por elementos das forças de segurança e 12 furgonetas, que impediram que os dois grupos se aproximassem.
Foi no final da intervenção de Abascal que começaram os distúrbios que acabaram com cargas policiais sobre o grupo que se manifestava contra o Vox, depois do lançamento de objetos, como cadeiras, em direção à barreira da polícia.
Os meios de comunicação social no local relatam que pelo menos uma pessoa foi detida e que vários manifestantes ficaram feridos, assim como uma jornalista que foi levada para um hospital.
Não há, até agora, um balanço ou informações por parte das autoridades.
🇪🇸 ¡Gran recibimiento a @Santi_ABASCAL en la Plaza de María Pita!
Cientos de patriotas se han reunido esta mañana en el corazón de La Coruña para escuchar a nuestro presidente.
A concentração anti-Vox foi convocada por várias associações, sobretudo de estudantes, assim como juventudes partidárias de formações de esquerda.
O presidente do Vox disse, ainda antes dos distúrbios e das cargas policiais, que a presença daqueles manifestantes não lhe dava “nenhum medo” e que quando o Governo mudar em Espanha (atualmente está nas mãos da esquerda) “não será possível perseguir os cidadãos e ir às praças impedir que as pessoas se expressem em liberdade”.
Abascal reconheceu, por outro lado, que o Vox tem “uma espinha cravada na Galiza”, onde o partido não tem deputados. É a única região de Espanha com um parlamento autonómico sem qualquer representante da extrema-direita.
Espanha vai ter eleições legislativas nacionais antecipadas em 29 de novembro e Abascal garantiu hoje que o partido tem sondagens internas que dizem que poderá este ano eleger um deputado pela Corunha.
O Vox é atualmente o terceiro maior partido no parlamento espanhol, onde tem 33 deputados.
A eurorregião Galiza-Norte de Portugal quer construir um polo de competitividade transfronteiriço para se afirmar como “um território mais competitivo, inovador e capaz de atrair investimento”, foi hoje divulgado.
Em comunicado, o Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial Galiza-Norte de Portugal (AECT-GNP) explica que, tendo em vista esse objetivo, promove em Vigo, na Galiza, Espanha, a 12 de novembro, um fórum para “transformar capacidades partilhadas em novas oportunidades de investimento, inovação e desenvolvimento”.
Integrada na visão estratégica 2026–2028 do AECT, o Fórum Eurorregião Galiza–Norte de Portugal: Polo de Competitividade pretende marcar “um novo passo na evolução da cooperação transfronteiriça”.
A intenção é “passar da partilha de capacidades à criação de sinergias, projetos conjuntos e oportunidades de desenvolvimento económico e tecnológico”.
O fórum nasce com o objetivo de “identificar capacidades complementares entre a Galiza e o Norte de Portugal, aproximar empresas, universidades e centros tecnológicos e impulsionar novas parcerias que se traduzam em projetos conjuntos, investimento e inovação”.
A iniciativa “pretende lançar as bases de um ecossistema transfronteiriço mais integrado, competitivo e capaz de gerar valor económico para o território”.
Isto, “através do intercâmbio de conhecimentos e da identificação de oportunidades nas áreas das tecnologias emergentes, da colaboração público-privada em inovação e das infraestruturas estratégicas”.
A ambição é “mobilizar competências complementares, valorizar os recursos existentes e reforçar a capacidade conjunta da eurorregião para responder aos desafios da transformação industrial, da inovação tecnológica e da integração das suas infraestruturas”.
Nesta primeira edição, o fórum pretende centrar-se em três áreas estratégicas.
O AECT enumera “as tecnologias emergentes, como motor da transformação produtiva e da criação de novas oportunidades económicas”, e “a colaboração público-privada em inovação, como elementos fundamentais para promover a transferência de conhecimento, desenvolver novas capacidades tecnológicas e impulsionar projetos conjuntos”.
Outro dos domínios é o das “infraestruturas estratégicas, essenciais para melhorar a conectividade, atrair investimento e reforçar a integração socioeconómica do território”.
O AECT-GNP junta a Junta da Galiza e a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N).
A 29 de setembro, o presidente da CCDR-N defendeu que o Norte e a Galiza devem articular-se para transformar a proximidade geográfica e a cooperação numa “vantagem económica e industrial comum”.
“Não se trata apenas de termos duas regiões vizinhas com empresas competitivas, mas de percebermos que, em muitas das novas cadeias de valor industriais e tecnológicas, podemos ganhar escala, capacidade de inovação e presença internacional, se atuarmos de forma mais articulada”, sustentou Álvaro Santos.
Para o responsável, a cooperação entre a Galiza e o Norte de Portugal não se deve limitar “a uma sucessão de projetos”, mas afirmar-se como “capacidade permanente para identificar oportunidades comuns, aproximar empresas e centros de conhecimento, mobilizar investimento e construir respostas conjuntas”.
Áreas como a energia, a mobilidade, o setor naval, a aeronáutica, as tecnologias digitais ou as tecnologias de dupla utilização “oferecem oportunidades muito concretas para combinarmos competências e reforçarmos a presença das nossas empresas nos mercados europeus e internacionais”, exemplificou.
A eurorregião tem cerca de 6,4 milhões de habitantes, mais de 657 mil empresas, um PIB [Produto Interno Bruto] superior a 167 mil milhões de euros e mais de 57 mil milhões de euros de exportações anuais, de acordo com a CCDR-N.
A história partilhada entre a Galiza e o Norte de Portugal não é um conjunto de acidentes. É a prova de um ecossistema cultural que sempre ignorou as capitais.
Uma granada da Guerra Civil Espanhola (1936-1939) foi encontrada, por acaso, ontem, numa habitação particular em Ponteareas, província de Pontevedra, na Galiza, quando o proprietário fazia trabalhos de limpeza.
“Foi recuperada uma granada ofensiva ‘BREDA’, de fabrico italiano, utilizada durante a Guerra Civil Espanhola. O engenho foi encontrado numa habitação particular de Ponteareas, na província de Pontevedra, quando o proprietário realizava trabalhos de limpeza”, explica a Guarda Civil.
Em comunicado, aquela força policial acrescenta que o homem entrou em contacto com a Guardia Civil de Ponteareas, que acionou a equipa TEDAX, especializada em desativação de explosivos, com base em Pontevedra. Os especialistas procederam à remoção da granada para posterior destruição.
“Apesar das suas reduzidas dimensões, a granada apresenta um elevado grau de perigosidade devido à deterioração dos componentes do mecanismo de ativação. Por outro lado, mantém quase intactas as suas propriedades explosivas, graças à elevada estabilidade do explosivo que contém”, salienta o comunicado.
A Guardia Civil alerta, ainda, que, perante a descoberta de qualquer tipo de engenho ou substância explosiva, não se deve tocar no objeto e deve contactar-se de imediato as forças de segurança.
Neste barco não há remos, nem os dias de névoa serão os mais indicados para marcar uma saída em grupo, apesar do cenário místico bastante sugestivo. Contudo, a paisagem e o barco de madeira – uma réplica de uma embarcação de 1500, já posterior à era viking, mas que conserva a inspiração nórdica na sua construção – são bastante reais e constituem agora uma nova forma de descer e subir o rio Minho.
A Associação Galega de Atividades Náuticas (AGAN+) realizou um primeiro teste ao itinerário turístico-fluvial entre Tui e Vila Nova de Cerveira, ao final da manhã do passado sábado, uma espécie de ‘Cruzeiro entre Fortalezas’, com duração superior a uma hora e meia que contempla paragens em Valença do Minho, Goián (Galiza) e até nas várias ilhas desertas do rio Minho.
A nova proposta de turismo náutico e cultural será comercializada pela empresa Rio Minho de Barco (VECAN) e integra o projeto RED CIFT – Rede de Cruzeiros Ibéricos Fluviais Transfronteiriços, financiado pelo programa europeu Interreg VI-A Espanha-Portugal (POCTEP), destinado a promover a cooperação entre os dois países.
Foto: João Martinho / O MINHO
As viagens a bordo da embarcação tradicional de madeira contam com um guia que explicará, em português, espanhol ou inglês, conforme o grupo, a história da fronteira entre Portugal e Espanha, com destaque para as fortalezas de Tui, Valença do Minho, Goián e Vila Nova de Cerveira, as incursões vikings no território, o Caminho Português de Santiago, o contrabando e a pesca tradicional da lampreia nas pesqueiras do rio.
“Trabalhamos com diferentes operadores náuticos”
Foto: João Martinho / O MINHO
Em declarações a O MINHO no final desta viagem de teste, Elena Fernández, técnica de projetos europeus da Asociación Galega de Actividades Náuticas (AGAN+), explica a matriz do projeto e do roteiro, assim como as limitações dos principais pontões de acostagem, nomeadamente o de Vila Nova de Cerveira, onde a ausência de um ponto de carregamento elétrico impede que outro tipo de embarcações possa realizar uma rota mais extensa, desde A Guarda até Valença do Minho ou Tui.
“Trabalhamos com diferentes operadores náuticos que existem no território e o que queremos é dar a conhecer as atividades que eles fazem. A nossa associação tem uma embarcação elétrica que está em Camposancos (A Guarda, Galiza), onde criámos um produto novo, que vai até Vila Nova de Cerveira, para dar a conhecer toda esta zona, com uma navegação de cerca de uma hora e meia”, explica.
Foto: João Martinho / O MINHO
Resolvida a questão da oferta turística nas águas do rio Minho mais próximas da foz, impunha-se uma solução que permitisse subir o troço internacional do rio, até onde as embarcações de maior dimensão conseguem navegar.
“Este produto, desde Tui até Cerveira com o barco tradicional, uma réplica de um barco de 1500, é o que queremos propor como experiência para o período de inverno, com um percurso mais longo. Estamos em outubro e está um dia lindíssimo de sol e de calor, temos navegado em novembro e até em dezembro com muito bom tempo, aqui no Minho. Portanto, não nos assusta a questão da meteorologia”, nota Elena Fernández.
Foto: João Martinho / O MINHO
Para este outono/inverno, a proposta da AGAN+, a operacionalizar pelas empresas parceiras, é uma viagem neste invulgar barco tradicional de inspiração histórica que, apesar da aparência frágil e do espaço aparentemente exíguo para acomodar até 20 pessoas, se revela bastante estável e suficientemente robusto para navegar nas águas do rio Minho, mesmo nos períodos de maior caudal.
Na viagem de teste, o barco realizou o percurso entre Tui e Vila Nova de Cerveira sem paragens intermédias, mas a técnica de projetos europeus da AGAN+ adianta que esta rota pode contemplar até quatro paragens para recolher ou deixar passageiros nos principais pontos turísticos, nomeadamente em Valença e Goián.
“O barco que sai de Tui tem autorização para poder fazer paragens tanto em Valença como em Goián, ou seja, pode até fazer quatro paragens. Por enquanto, o percurso regular que nos propomos fazer é de Tui a Cerveira, mas poderíamos fazer algumas escalas intermédias sem problemas”.
Foto: João Martinho / O MINHO
Enquanto associação promotora das atividades turísticas no rio Minho, a AGAN+ mantém contacto com cerca de 14 operadores que desenvolvem atividades tendo o rio como principal atrativo, desde o rafting ao caiaque e ao hydrospeed, sobretudo nas zonas onde as embarcações de maior dimensão não conseguem navegar.
“De Tui ou Valença para cima, a navegação não é tão fácil. Há uma zona com muito pouca profundidade de água. Dá para embarcações mais pequenas ou para fazer em caiaque, mas para esta barca [tradicional, ou de inspiração ‘viking’] se calhar não é recomendável. Talvez até Caldelas de Tui, mas não muito mais acima”, explica Elena Fernández.
Contudo, existe já uma alternativa elétrica, a operar com bons resultados entre A Guarda e Vila Nova de Cerveira, que poderia estender-se até Tui ou Valença do Minho, caso o concelho português previsto como primeira paragem dispusesse de um ponto de carregamento para reforçar a autonomia das baterias.
Foto: João Martinho / O MINHO
“O barco [elétrico] poderia navegar mais. O problema é que não temos pontos de carregamento nos diferentes pontões para garantir bateria suficiente para voltar até Camposancos [A Guarda]. Se tivéssemos, o barco não tem problema em navegar mais para norte”, frisa a responsável.
“O ideal seria poder carregar em Cerveira durante um par de horas, depois seguir até Valença ou Tui e poder carregar mais um pouco. Os painéis solares que o barco tem vão fornecendo carga. Fizemos um teste no dia 25 de setembro, em modo elétrico entre Camposancos – Cerveira e Cerveira – Camposancos e nas baterias ainda restava 80% de energia. Ou seja, com 20% fizemos o trajeto de ida e volta. Claro que aproveitamos a força das correntes na descida, como se fazia antigamente, e poupou muito a bateria. Mas temos a certeza de que, com um ponto de carregamento intermédio, poderíamos fazer um percurso mais longo”, adiantou Elena Fernández.
“São milhares de peregrinos que atravessam”
Com a CIM Alto Minho a concentrar a sua atenção nas atividades do rio Lima, onde o lado galego não dispõe de uma oferta equivalente, cabe aos operadores portugueses e galegos que têm o rio Minho como atrativo saber captar os turistas e os peregrinos do Caminho Português de Santiago, que atravessam o rio ou o percorrem numa vertente diferente da sua jornada.
“São milhares de peregrinos que atravessam. Só no serviço da Xacobeo Transfer que asseguramos a partir da Galiza, estamos a falar de cerca de 20 000, só de um lado da margem. Do lado português há mais uns cinco ou seis operadores e cada um faz a sua parte das travessias. Estamos a falar de milhares de peregrinos que estão a conhecer o rio, a atravessá-lo e que podem interessar-se por conhecer mais”, notou ainda.
Foto: João Martinho / O MINHO
O trabalho da AGAN+, apoiado por fundos europeus, permite desenvolver e testar novos produtos turísticos em colaboração com os operadores, para posteriormente os promover através de um catálogo digital e de uma plataforma que reúna as experiências disponíveis, facilitando também a sua comercialização por agências de viagens nacionais e internacionais.
“O próprio projeto europeu, que é um projeto com fundos de cooperação entre Espanha e Portugal de [POCTEP, por confirmar na transcrição], são fundos Interreg que financiam 75% da despesa do projeto com fundos FEDER. Este tipo de projetos ajuda muito a trabalhar com os operadores, a criar produtos, a testá-los, a depois promovê-los num catálogo digital, a depois promovê-los num sítio Web onde se reúnam todas estas experiências que resultem dos cinco grandes rios e que as pessoas possam contratar. Que possamos também chegar a esses operadores, agências de viagens nacionais ou internacionais que possam vender estes produtos.”
“Este projeto não pretende ser mais uma atividade que transfere as pessoas de um lugar para outro, queremos que as pessoas consumam no território: nos nossos restaurantes, nos nossos hotéis, que visitem os nossos museus, a nossa natureza, que desfrutem e que deixem dinheiro na zona, que isso para nós é muito importante”, ressalvou Elena Fernández.
Nesta primeira fase, e para que o trajeto entre Tui e Vila Nova de Cerveira no barco tradicional possa implementar-se e realizar-se com maior frequência durante o inverno, está a ser avaliada a possibilidade de estabelecer datas fixas para inscrições.
Existe também a possibilidade de pequenos grupos, com um mínimo de 12 e um máximo de 20 pessoas, contratarem esta experiência através do operador, cuja oferta pode ser consultada em https://riominoenbarco.com/.
A viagem poderá ainda incluir propostas que a tornem mais atrativa e original, desde provas de vinhos a miniconcertos, tendo, durante mais de uma hora, as águas e as margens do rio Minho como moldura natural.