Leilão de gás natural da União vende toda oferta a 23 empresas, ágio de 35%
O primeiro leilão de gás natural da União, realizado nesta quinta-feira (22), em São Paulo, terminou com a venda de toda a oferta a 23 empresas. Foram arrematados os 110 lotes disponíveis, equivalentes a 1,1 milhão de metros cúbicos por dia, com fornecimento previsto entre março e dezembro de 2027. O ágio médio foi de 35%.
Entre as compradoras estão Braskem, Vale, CSN, Gerdau, Yara Brasil, Dexco, entre outros grupos. Organizado pela PPSA (Pré-Sal Petróleo), o certame destinou volumes a cinco grupos da indústria de base, em uma iniciativa voltada a ampliar a concorrência e reduzir o custo do combustível para o setor produtivo.
Todos os lotes foram negociados na primeira rodada, em disputas separadas por segmento industrial. Os grupos químico e petroquímico e de siderurgia, metalurgia e mineração concentraram 670 mil metros cúbicos diários, cerca de 61% do volume vendido.
O setor vidreiro registrou o maior adicional mínimo entre as ofertas vencedoras, de US$ 4 por milhão de BTU. Na outra ponta, as propostas vencedoras para fertilizantes nitrogenados partiram de US$ 1,82 por milhão de BTU.
Esses valores representam o componente adicional definido na disputa. Para formar o preço dos contratos, será considerado também o equivalente a 115% da média das cotações de referência do Henry Hub, indicador americano para o gás natural, no mês anterior ao fornecimento. O cálculo será feito mensalmente, com conversão em reais conforme a regra cambial do edital.
O custo do combustível entregue às fábricas incorporará ainda tributos, transporte e distribuição. Cada contrato considerará o adicional da respectiva oferta vencedora.
A distribuição dos volumes e os menores adicionais vencedores ficaram assim:
| Grupo industrial | Lotes vendidos | Volume diário |
| Químico e petroquímico | 35 | 350 mil m³ |
| Siderúrgico, metalúrgico e mineração | 32 | 320 mil m³ |
| Ceramista | 20 | 200 mil m³ |
| Fertilizantes nitrogenados | 13 | 130 mil m³ |
| Vidreiro | 10 | 100 mil m³ |
O químico e petroquímico contou com a maior oferta, os lotes foram adquiridos por Braskem, Evonik, Ingredion, Peroxidos e Rhodia.
Na etapa de siderurgia, metalurgia e mineração, as vencedoras foram CSN, Gerdau, Samarco Mineração, Ternium e Vale.
O setor ceramista teve oito compradoras: Biancogres Cerâmica, Cerâmica Formigres, Cerâmica Villagres, Delta Indústria Cerâmica, Dexco, Incepa Revestimentos Cerâmicos, Mohawk Revestimentos Cocal do Sul e Ruy R. da Rocha Produtos Cerâmicos.
Multitécnica e Yara Brasil arremataram os volumes destinados aos fertilizantes nitrogenados. No segmento vidreiro, os lotes ficaram com AGC Vidros do Brasil, Cebrace Cristal Plano e Wheaton Brasil Vidros.
O gás será disponibilizado na saída da Unidade de Tratamento de Gás de Itaboraí, da Petrobras, no Rio de Janeiro. A contratação da logística a partir desse ponto até as instalações industriais caberá aos compradores, diretamente ou por meio de uma comercializadora habilitada.

