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“Conceção-construção em esteróides” – Executivos do projeto da Estação Union destacam dinâmica da aliança

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Altos executivos da Kiewit, WSP e Metrolinx que trabalham no complexo Projeto de Ampliação da Estação Union (Union Station Enhancement Project), em Toronto, analisaram em detalhe os meandros do primeiro projeto-piloto do Canadá sob o modelo contratual de aliança (alliance contracting model), durante uma conferência do setor da construção realizada recentemente em Toronto.

Numa sessão que decorreu a 6 de outubro no simpósio de dois dias Best Practices in Construction, promovido pela Associação Canadiana da Construção (CCA), os gestores revelaram a contratação de preparadores comportamentais (behavioural coaches) no estrangeiro para ajudar os parceiros a alcançar consensos em matérias complexas — profissionais que permanecem no projeto há cinco anos —, bem como a forma como conseguiram desenvolver requisitos essenciais do projeto em tempo real.

Trata-se de um processo inédito no Canadá, sugeriu Marcia Medrano, vice-presidente executiva da Metrolinx para a expansão do GO e projetos conexos da Estação Union.

“O contrato de aliança é provavelmente um dos mais simples que já li, porque diz essencialmente que é preciso encontrar uma forma de trabalhar em conjunto e estabelece os princípios básicos. Portanto, a dimensão do comportamento humano é gigantesca”, afirmou.

“Toda a energia de cada interveniente é gasta a resolver o problema e não a calcular o risco do parceiro. As horas de trabalho são investidas com as pessoas que estão efetivamente a resolver as questões.”

O projeto de melhoria em curso (USEP) na Estação Union irá disponibilizar uma interface de transportes ampliada, com novas plataformas e linhas ferroviárias, ajudando a lançar várias melhorias nos corredores da rede GO, rumo à eletrificação do sistema regional. A obra arrancou em 2020 sob a liderança da ONTrack Alliance.

Medrano explicou: “A Estação Union é o coração de todo o sistema e o USEP foi o ponto de partida. Sabíamos que tínhamos de nos antecipar.”

O presidente da CCA, Rodrigue Gilbert, serviu de moderador do painel intitulado The Union Station Enhancement Project: Delivering Complexity (O Projeto de Ampliação da Estação Union: Gerir a Complexidade).

O USEP inclui a construção de novas plataformas com coberturas e elementos de acesso vertical, tais como escadas e elevadores; o desenvolvimento de novas vias concebidas para permitir velocidades ferroviárias mais elevadas com os respetivos trabalhos de sinalização; a criação de um novo átrio inferior sob as novas plataformas, ligando os átrios York, Bay e Via, a Union Square, a Scotiabank Galleria e as ruas York e Bay; além do desenvolvimento de um sistema de gestão de águas pluviais e outras infraestruturas técnicas do edifício.

DCN/MS

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Sporting perde com o LASK e desce à terra na Champions

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O Sporting sofreu a primeira derrota na Liga dos Campeões 2026/27, ao ser surpreendido, em Alvalade, pelo LASK Linz (2-3). Após os triunfos sobre o Galatasaray e o Lens nas duas primeiras jornadas, a equipa de Rui Borges teve uma noite para esquecer e perdeu uma oportunidade de ouro para ficar numa excelente posição para o apuramento para a fase a eliminar.

O duelo começou com uma grande penalidade sobre Irankunda e Luis Suárez, dos 11 metros, não perdoou. A vantagem não fez, no entanto, nada bem ao Sporting, que mostrou pouca capacidade criativa e, até, de segurar a bola.

O castigo chegou em cima do quarto de hora. Suárez perdeu a bola no meio-campo e Jorgensen cruzou para Lang fazer, com um remate colocado, o golo do empate.

O descanso não fez bem à equipa de Rui Borges, bem pelo contrário. O LASK entrou donminador e aproveitou, na perfeição, as ofertas leoninas. Aos 63 minutos, foi Altimira a perder a posse de bola e a lançar o contra-ataque concluido por Kalajdzic para a reviravolta.

O cenário ficou ainda pior para os verde e brancos cinco minutos depois, com Danek a aproveitar a avenida que se abriu no flanco direita para, com alguma sorte à mistura – a bola desviou em Inácio – bater Kaique e assinar o 1-3.

Sem criar muitas oportunidades, o Sporting ainda conseguiu reduzir a diferença a um minuto dos 90, com Luis Suárez a aproveitar uma defesa incompleta do guarda-redes do LASK.

JN/MS

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Liga dos Campeões – F. C. Porto volta a perder duas vezes seguidas em casa, 13 anos depois

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Com a derrota do F. C. Porto frente ao PSV (0-1) na terceira jornada da fase de liga da Liga dos Campeões, Francesco Farioli repitiu o registo negativo que não acontecia desde a era Paulo Fonseca no banco portista.
O mau início de campanha do F. C. Porto na Liga dos Campeões condenou a equipa de Francesco Farioli a repetir um registo negativo que não se via desde 2013/14.
O regresso à Liga dos Campeões, após dois anos de ausência, está a ser um pesadelo para o F. C. Porto e ameaça fazer derrapar uma temporada que no campeonato tem corrido de feição aos dragões. Uma semana depois da derrota infeliz em Sevilha, a equipa da Invicta surgiu irreconhecível na receção ao PSV e o terceiro desaire seguido na fase de liga pode ter deitado tudo a perder na luta pelo apuramento para as rondas a eliminar da competição milionária.
Como se esperava, Francesco Farioli mexeu muito na equipa que tinha iniciado o jogo com o Betis, com Samu e Pietuszewski como novidades no ataque, mas, sem que nada o justificasse, a estratégia foi entregar a posse aos neerlandeses. Os portistas ficaram a ver jogar durante toda a primeira parte e lá conseguiram aguentar o nulo até ao intervalo, perante um adversário que trocava a bola com toda a facilidade, quase sempre nas redondezas da área de Diogo Costa.
Pensou-se que o descanso podia trazer outras ideias ao futebol portista na segunda parte, mas o que se viu continuou a ser uma equipa sem ritmo, com pouca bola e a cometer erros sucessivos, tanto a defender como a atacar. O minuto 57 trouxe o golo do PSV, que fez por merecer a vantagem pelo pé do médio Guus Til, num lance infeliz de Zaidu, já depois de Diogo Costa ter visto o poste salvá-lo por alguns segundos.
A perder, Farioli fez cinco substituições de jogador por jogador, sem arriscar um milímetro para tentar evitar uma derrota num jogo que o próprio definiu como o início de uma montanha para escalar. O jogo arrastou-se num final penoso para o F. C. Porto, ao qual um tiro cruzado de Pepê, já nos descontos, podia ter dado um tom diferente.

JN/MS

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Neemias Queta em ano de justificar os 50 milhões

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Poste luso parte para a nova época da NBA depois da renovação milionária do contrato com os Celtics. Voltará a ser peça chave.

O regresso da NBA traz mais uma época de grandes expectativas, de novo com Neemias Queta envolvido ao mais alto nível. O poste português, de 27 anos, começou a quarta temporada ao serviço dos Boston Celtics, depois de ter assinado no defeso um contrato astronómico com os “verdes”, que lhe renderá garantidamente 56 milhões de dólares, até 2030. O bom rendimento no campeonato passado, no qual assumiu a titularidade e fez 25 minutos por jogo, dobrando as médias de pontos (10,2) e ressaltos (8,4), sem esquecer a forte presença defensiva, mereceu a confiança da histórica formação de Boston.

Numa época em que a equipa treinada por Joe Mazzulla viverá uma nova realidade (o extremo Jaylen Brown saiu para os Philadelphia 76ers e a batuta ficará a solo nas mãos da estrela Jayson Tatum), Neemias terá concorrência mais apertada para a posição interior: no defeso, os Celtics contrataram mais um poste, Mitchell Robinson, também especialista defensivo e grande ressaltador, peça importante no título conquistado na temporada transata pelos New York Knicks.

Eliminada nos playoffs da época passada, logo na primeira ronda, após uma fase regular acima das expectativas (56 vitórias-26 derrotas), a equipa de Boston terá por objetivo chegar mais longe no momento das decisões, mesmo sabendo que a concorrência na Conferência Este está muito apertada: os campeões Knicks mantêm praticamente o plantel que lhe valeu o título, os Sixers estão mais fortes com Jaylen Brown e Lebron James, Cleveland Cavaliers e Pistons também têm aspirações, os Miami Heat fizeram a maior aposta do defeso com a contratação da estrela Giannis Antetokounmpo (ex-Milwaukee Bucks) e os Indiana Pacers, finalistas em 2025, podem voltar a aparecer em alta, com o regresso após lesão grave do base Tyrese Haliburton.

Naquele que poderá ser o último ano da liga com 30 equipas – está previsto o alargamento para 32 em 2027/28, ficando uma das novas formações em Las Vegas – a Conferência Oeste é outro enigma, com os San Antonio Spurs liderados pelo gigante Wembanyama à procura de nova final. Oklahoma City Thunder, com o duplo MVP Shai Gilgeous-Alexander em ação, Denver Nuggets e Minnesota Timberwolves também são candidatos.

JN/MS

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Cristiano Ronaldo castigado com 30 dias de suspensão e multa de 255 euros

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Cristiano Ronaldo foi sancionado com 30 dias de suspensão e uma multa de 255 euros por ter abandonado o estágio da seleção nacional na Dinamarca.

O castigo foi divulgado nesta segunda-feira pelo Conselho de Disciplina (CD) da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), depois de analisado o processo disciplinar instaurado ao capitão da seleção nacional. Cristiano Ronaldo já estava suspenso preventivamente.

“O Conselho de Disciplina – Secção Não Profissional – da Federação Portuguesa de Futebol decide, nos presentes autos, julgar totalmente procedente a acusação e, em consequência, condenar o arguido Cristiano Ronaldo dos Santos Aveiro pela prática, por uma vez e a título doloso, da infração disciplinar prevista e sancionada pelo n.º 1 do artigo 160.º do RDFPF [regulamento disciplinar], aplicando-lhe, em consequência, a sanção de suspensão por 30 (trinta) dias e, acessoriamente, a sanção de multa que se fixa em 2,5 UC, ou seja, € 255 (duzentos e cinquenta e cinco euros)”, pode ler-se no documento.

JN/MS

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Artigo da “Science” marcou o “fim do Mundo” para 13 de novembro. E agora?

O apocalipse foi marcado para sexta-feira, dia 13 de novembro, segundo um artigo publicado em 1960 na revista “Science”, uma das mais importantes publicações científicas do Mundo. Porém, pode manter os planos para o fim de semana a seguir, já que a previsão dependia de uma condição que não se verificou.

Publicado a 4 de novembro e assinado por Heinz von Foerster, Patricia M. Mora e Lawrence W. Amiot, o estudo anunciava que, a 13 de novembro de 2026, a população aproximar-se-ia do infinito se continuasse a crescer como nos dois milénios anteriores. “Os nossos tetranetos não morrerão de fome. Serão esmagados até à morte”, argumentavam.

Por trás da data estava uma tentativa de descrever matematicamente o crescimento da humanidade. Os investigadores reuniram estimativas históricas e identificaram uma aceleração superior à do crescimento exponencial. Ao prolongar essa trajetória, o modelo chegava a uma singularidade em 2026: um ponto em que os valores calculados disparavam sem limite. Uma população infinita é fisicamente impossível e a data assinalava o resultado extremo dessa extrapolação.

Em meados do século XX, houve uma crescente preocupação da sociedade com o crescimento populacional global e o potencial para levar à escassez de recursos e a conflitos geopolíticos. A hipótese assentava na capacidade de comunicar e cooperar dos humanos, o que poderia significar mais colaboração e maior capacidade para resolver problemas, permitindo ultrapassar obstáculos ao crescimento. A mudança decisiva, contudo, foi a descida da fecundidade. Segundo as Nações Unidas, em 2024 a média mundial era de 2,25 filhos por mulher, menos um do que na geração anterior. A ONU descreve a transição demográfica como a passagem histórica para vidas mais longas e famílias mais pequenas, transformação incompatível com a continuação indefinida do crescimento acelerado.

Porém, na época, a publicação do artigo causou alvoroço imediato nos meios de comunicação social e a revista “Science” publicou cartas escritas por matemáticos e demógrafos a atacar o trabalho de von Foerster, considerando-o “ridículo” e “manifestamente absurdo”. Em resposta, os autores argumentaram com defesas vigorosas que reafirmavam os fundamentos matemáticos e as suas conclusões.

A ideia persistiu em parte porque as previsões para as populações futuras se mostraram bastante precisas. A equação central produziu projeções melhores do que as da maioria dos demógrafos ao longo das décadas de 1970 e 1980. Só em 1993 é que a precisão começou a falhar e a população mundial começou a ficar aquém das previsões.

Hoje, a taxa de natalidade global é um pouco menor do que a metade da taxa de 1960. Segundo a ONU, a população mundial deverá passar dos 8,2 mil milhões de pessoas estimados nesse ano para um máximo de cerca de 10,3 mil milhões em meados da década de 2080. Depois, deverá diminuir ligeiramente, para aproximadamente 10,2 mil milhões no final do século. Embora estejam sujeitas a incerteza, estão longe de uma trajetória rumo ao infinito.

JN/MS

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“Estúpida” e “tonta”. Trump insulta jornalistas da CNN e da ABC News

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a insultar jornalistas ao chamar “tonta” a uma repórter da CNN e “estúpida” a outra profissional da ABC News, que lhe perguntavam sobre a libertação de um americano detido na Rússia.

À saída da Casa Branca para ir a um comício na Carolina do Sul, as repórteres perguntaram ao Presidente se a libertação do professor americano Stephen James Hubbard estava ligada ao recente alívio das sanções de Washington a Moscovo. “Não sabes do que estás a falar. Tens um baixo coeficiente intelectual, és tonta e trabalhas para a CNN”, respondeu o presidente a Kaitlan Collins, uma das figuras mais conhecidas do canal. Quando à outra repórter, da ABC News, colocou-lhe questões sobre o mesmo assunto, e Trump voltou a atacar: “És uma pessoa estúpida e, já agora, o teu canal é o pior de todos”.

No entanto, o próprio Trump tinha confirmado na sua rede Truth Social que a libertação de Hubbard estava ligada à sua decisão de não aplicar as sanções à Rússia. “Se as sanções tivessem sido impostas, sem dúvida essas negociações teriam parado completamente”, escreveu o presidente dos EUA, que assegurou que várias pessoas que tinham pedido para sancionar a Rússia o chamaram para se desculpar, porque “não sabiam que ele estava a negociar a libertação de Stephen Hubbard”.

Estes insultos a jornalistas acontecem um dia depois de Trump ter-se confrontado na sala Oval com Andrew Feinberg, do jornal The Independent, a quem alertou de que mais valia “ter cuidado” e perguntou-lhe se era “um doente”.

O presidente norte-americano já entrou em confronto diversas vezes com jornalistas, especialmente com repórteres mulheres, durante o seu segundo mandato, que começou em janeiro de 2025. Em novembro daquele ano disse: “cala-te, porquinha” à jornalista da Bloomberg Catherine Lucey quando esta lhe perguntou, a bordo do avião presidencial Air Force One, sobre o caso do pedófilo Jeffrey Epstein. Em maio passado, o Trump chamou “tonta” a Akayla Gardner, da MS NOW, depois de a jornalista lhe perguntar sobre o sobrecusto das obras de um grande salão de baile na Casa Branca. Além disso, o republicano mantém uma batalha judicial para impedir o acesso à Casa Branca de repórteres da CNN, MS NOW e Politico, uma medida que um juiz federal bloqueou por enquanto.

Segundo publicou esta semana o The New York Times, Trump pondera transformar a atual sala de imprensa da Casa Branca numa piscina coberta, o que, na prática, expulsaria a imprensa do recinto presidencial.

JN/MS

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Flávio Bolsonaro e Lula empatados a quatro dias das presidenciais

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De acordo com o instituto de pesquisas e sondagens Quaest, Bolsonaro e Lula continuam tecnicamente empatados dentro da margem de erro, que é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%.

Há uma ligeira descida de Flávio Bolsonaro e uma ligeira subida de Lula face à sondagem da mesma Quaest há precisamente uma semana, no dia 14.

Flávio Bolsonaro (PL, Partido Liberal) tinha 46% e, agora, 45%, ou seja, desceu um ponto. Considerando a margem de erro, tem de 43% a 47%.

Lula, do PT, Partido dos Trabalhadores, aparecia há uma semana com 44%, que mantém nesta última sondagem. Com a margem de erro, pode ir de 42% a 46%. Os indecisos são 2%. e os votos brancos, nulos ou que já decidiram que não vão votar estão estimados em 9%.

Os números que revelam um encurtamento da distância entre quem ficou à frente na primeira volta e o atual incumbente, vão ao encontro da tendência verificada nas últimas semanas, revelada igualmente no estudo da Nexus (sobretudo vocacionada para o mercado financeiro) que, no início desta semana, colocava a diferença em apenas seis décimas percentuais entre Bolsonaro e Lula.

A aprovação do governo de Lula sobe de 45 para 46%, a desaprovação desceu de 48 para 47. Segundo o estudo da Quaest, Flávio Bolsonaro tem 52% de índice de rejeição (apesar de tudo desce dois pontos percentuais em relação ao estudo divulgado na semana passada), e Lula, 47%. São boas notícias para o presidente: o mesmo estudo dava-lhe mais seis pontos percentuais de rejeição, na semana passada, ou seja, 53%.

44% dos inquiridos temem o regresso da família Bolsonaro ao poder, e 42% receiam mais um mandato de Lula.

JN/MS

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Estado vai comparticipar 15% dos medicamentos para a obesidade em doentes acompanhados

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O Estado vai comparticipar em 15% os medicamentos para a obesidade a utentes integrados num plano especifico de acompanhamento nos hospitais, desde que prescritos por endocrinologistas, médicos de medicina interna e pediatras, segundo a portaria publicada.

De acordo com a portaria que define o regime especial de disponibilização pública para medicamentos destinados ao tratamento da obesidade e que entra em vigor em fevereiro de 2027, a comparticipação tem a duração de 12 meses, contados a partir da primeira dispensa, que corresponde ao tempo de intervenção mínimo previsto no Percurso de Cuidados Integrados para a Pessoa com Obesidade (PCIPO) para avaliação do sucesso ou insucesso terapêutico.

Para terem direito à comparticipação destes fármacos, os utentes têm de ser seguidos no Núcleo de Cuidados Hospitalares não Cirúrgicos da Equipa Multidisciplinar de Obesidade (EMO) da respetiva Unidade Local de Saúde (ULS), integrados num modelo de abordagem multidisciplinar que inclua planeamento de atividade física e intervenção nutricional e psicológica.

O Estado vai comparticipar em 15% os medicamentos para a obesidade a utentes integrados num plano especifico de acompanhamento nos hospitais, desde que prescritos por endocrinologistas, médicos de medicina interna e pediatras, segundo a portaria.

Os médicos de família lamentaram que o Governo dê “uma no cravo e outra na ferradura” na comparticipação dos medicamentos para tratar a obesidade, ao restringir o acesso, excluir os cuidados primários e entupir consultas hospitalares.

“Mais uma vez, isto é dar uma no cravo e outra na ferradura. Queremos fingir que estamos a acompanhar estes doentes e que vamos acompanhar os doentes com obesidade em Portugal e, depois, criamos aqui uma limitação gigantesca no acesso”, considerou o presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), Nuno Jacinto.

“Nada [temos] contra a prescrição por estas especialidades, mas temos diversas Unidades Locais de Saúde neste país que não têm endocrinologistas ou que têm um acesso muito difícil”, afirmou, acrescentando: “E com a medicina interna temos enormes dificuldades de acesso também”.

“Dizer às pessoas que só podem ter acesso à comparticipação nestas consultas é a mesma coisa que dizer a muitos doentes que não vão ter acesso à medicação comparticipada para a obesidade”, considera Nuno Jacinto, para quem não faz sentido excluir os cuidados primários de saúde e os médicos de família da possibilidade de prescrever estes fármacos.

JN/MS

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Parlamento levanta imunidade parlamentar a deputado do JPP Filipe Sousa

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A Assembleia da República aprovou o levantamento da imunidade parlamentar ao deputado do JPP, Filipe Sousa, indiciado por crime de recebimento ou oferta indevidos de vantagem, suspeita contestada pelo parlamentar madeirense.

O deputado do PS Pedro Delgado Alves absteve-se, tendo os restantes partidos e parlamentares votado a favor.

O ofício do Tribunal da Comarca da Madeira a pedir o levantamento da imunidade relaciona-se com uma alegada prática do deputado do Juntos Pelo Povo (JPP) enquanto presidente da Câmara Municipal de Santa Cruz no mandato 2021-2025.

Está em causa, segundo o Ministério Público, um crime de recebimento ou oferta indevidos de vantagem punível com pena de prisão de um a cinco anos – moldura penal que configura uma situação de levantamento obrigatório da imunidade parlamentar do deputado do JPP por parte da Assembleia da República, por ser superior a três anos.

Em conferência de imprensa, no Parlamento, depois de ser conhecido o ofício, o deputado Filipe Sousa acusou o Ministério Público da Madeira de lhe fazer uma perseguição política, classificando o processo como uma narrativa sem fundamento.

O Ministério Público considera que Filipe Sousa celebrou com a sociedade Cassiano’s Rent Car, Lda, em 10 de fevereiro de 2025, um contrato de aluguer de veículo automóvel pelo período de 28 dias e pelo preço global de 1.618,96 euros, tendo restituído o veículo em 10 de março de 2025.

De acordo com o Ministério Público, o gerente da referida sociedade terá decidido não cobrar o aluguer “unicamente em virtude de este ser o presidente da Câmara Municipal de Santa Cruz e por causa dessas funções”. E Filipe Sousa terá “aceitado não pagar o aluguer, bem sabendo que tal correspondia a uma vantagem patrimonial que não lhe era devida”, o que se poderá enquadrar na prática de “crime com dolo direto”.

Perante os jornalistas, Filipe Sousa contrapôs que nessa altura tinha o mandato suspenso como presidente da Câmara e assegurou que provará com facilidade, através de cópias de documentos que estão na sua posse, que efetivamente pagou o aluguer do carro.

Depois, atacou o procurador deste processo: “Está a manchar o trabalho credível que todos nós queremos dos serviços do Ministério Público”.

JN/MS

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Presidente do IHRU lembra “sacrifícios” dos avós e dos pais: “Tiveram de emigrar para ter casa”

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O presidente do Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU) disse, esta quinta-feira, não saber “se a sociedade atual está disponível para o nível de sacrifício” da anterior, recordando que os seus próprios avós emigraram “para poderem ter uma casa”.

“Já fomos todos jovens, não é? (…) E percebemos essa dificuldade. Eu não sei se a sociedade atual está disponível para o nível de sacrifício que os nossos pais e os nossos avós fizeram para ter uma casa”, disse aos jornalistas Benjamim Pereira, em Vila Nova de Gaia.

Falando acerca das manifestações pela habitação que têm ocorrido sobretudo no Porto e em Lisboa, e questionado sobre se a geração atual está a ter menos sacrifício do que a geração anterior, o responsável do IHRU disse não querer ir “por esse caminho”.

“Só estou a dizer que os meus avós emigraram para o Brasil e para a Argentina para poderem ter uma casa. O meu pai emigrou durante 20 anos, sacrificou a vida”, prosseguiu, e perante as questões dos jornalistas sobre se os jovens também devem emigrar, afirmou que não estava “a dizer isso”.

Pedindo para “concluir o raciocínio”, Benjamim Pereira disse que os seus familiares emigraram “porque a casa era, efetivamente, uma coisa muito importante para a sua vida, a sua base logística, como é hoje”.

Frisando que fazia “um apelo” e não “uma crítica”, Benjamim Pereira pediu “a todos que se possam unir” pois “é um problema que tem de ser resolvido por todos e os jovens também fazem parte desta equação”.

“É preciso que haja um compromisso de todos. Reparem, os jovens podem organizar-se, fazer cooperativas. Eu já recebi pessoas no IHRU que agora, com os seus 60 e 70 anos, que quando eram da idade dos jovens que agora se estão a manifestar organizaram-se, fizeram cooperativas e fizeram as suas próprias casas”, afirmou.

JN/MS

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Médicos nos Açores não estão sensibilizados para prescrever canábis medicinal

DRPortugal é o segundo maior exportador de canábis medicinal, mas ainda há uma grande falta de médicos prescritores deste remédio. A conclusão é de Graça Castanho, organizadora do CannAzores, conferência internacional dedicada à canábis medicinal e ao cânhamo industrial, cuja sexta edição decorreu entre os dias 16 e 17 de outubro, em São Miguel. “Portugal é o segundo maior exportador de canábis medicinal do mundo, depois do Canadá. (…) No ano passado, Portugal exportou 80 toneladas de canábis medicinal. Temos feito coisas realmente fantásticas, como a legalização do uso medicinal em 2018 e a colocação dos medicamentos nas farmácias. O que nós não temos são médicos prescritores. E nós não temos uma população sensibilizada para os benefícios da canábis”, afirmou Graça Castanho.

Para a organizadora, isto deve-se à ausência de formação sobre o sistema endocanabinoide nas faculdades de medicina e à falta de conhecimento por parte dos médicos, devendo apostar-se numa formação. “Ninguém vai prescrever sem ter tido formação. Mas há quem forme, inclusivamente cursos gratuitos na Universidade de São Paulo, que já formou mais de 20 mil alunos on-line”.

No entanto, Graça Castanho não deixa de apontar o dedo ao desinteresse que sente dos profissionais de saúde neste campo, pois ao fim de seis edições da conferência internacional que organiza, “contam-se pelos dedos as pessoas da área da saúde que vêm aos nossos evento e nós fazemos isto sempre com médicos. Tivemos aqui sumidades autênticas, como a maior sumidade de investigação na América Latina toda, que é o professor José Alexandre Crippa, que vem da Universidade de São Paulo. E eu vi aqui dois médicos: isto é impensável! Eu não vi aqui enfermeiros, eu não vi aqui psicólogos, eu não vi aqui psiquiatras”. No entanto, o uso do canábis não se circunscreve ao medicinal, tendo a CannAzores também dado a conhecer algumas das aplicações que cânhamo industrial já têm, atualmente,  desde a construção civil ao têxtil. Por exemplo, um dos usos prende-se com o revestimento para habitações: “Nós estamos a falar do material para além de ser sustentável, biodegradável, que se desfaz, que se integra no meio ambiente, é  um material respirável, com particularidades acústicas, térmicas, que não cria fungos, é antibacteriano”.  No caso do têxtil, o preço ainda é um problema, devido à falta de escala, reconhece Graça Castanho. No entanto, é uma opção ecológica, tratando-se de uma fibra ecológica. “O que nós precisamos é de materiais biológicos, sustentáveis, ecológicos, que se degradem e que não danifique o meio ambiente, pelo contrário, às vezes até o enriquece”, finaliza.

AO/MS

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Funchal reúne 18 associações para reforçar respostas sociais e de saúde

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A Câmara Municipal do Funchal reuniu 18 associações das áreas social e da saúde no primeiro encontro “AssociaFunchal”, realizado no Colégio dos Jesuítas, para promover a partilha de experiências e identificar respostas às necessidades da população. Na abertura, o presidente da autarquia, Jorge Carvalho, destacou o papel do movimento associativo, revelando que o Município apoia atualmente 37 associações, num investimento de cerca de 800 mil euros. O encontro contou com a participação do reitor da Universidade da Madeira, Sílvio Fernandes, e de Soraia Garcês, responsável pela conferência de abertura. O programa integra três painéis dedicados às áreas social e da saúde, envolvendo as 18 entidades participantes. As associações desenvolvem trabalho em áreas como a deficiência, o apoio à população idosa e a violência doméstica, assumindo um papel de proximidade e complementaridade na resposta às necessidades da comunidade. Segundo Jorge Carvalho, a iniciativa pretende aproximar o Município das associações, criando um espaço de diálogo que permita conhecer dificuldades, partilhar experiências e encontrar soluções para melhorar as respostas sociais e de saúde no Funchal.

JM/MS

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Ministra dá 15 dias à proprietária da Stelco para reverter despedimentos antes de recorrer aos tribunais

CBC

A Ministra da Indústria, Mélanie Joly, está a dar 15 dias à casa-mãe americana da Stelco, sediada em Hamilton, para reverter os despedimentos antes de avançar para os tribunais.

Numa “carta de interpelação” (demand letter) enviada à Cleveland-Cliffs, sediada no Ohio, Joly afirma que a empresa está a violar os compromissos assumidos ao abrigo da Lei do Investimento no Canadá (Investment Canada Act).

“Caso a Cliffs não cumpra esta exigência, a Ministra poderá, nos termos do artigo 40.º da Lei, apresentar um recurso junto de um tribunal superior”, lê-se na missiva.

Joly indica que, caso o governo avance com a ação judicial, solicitará aos tribunais a aplicação de sanções financeiras contra a Cleveland-Cliffs e, potencialmente, que determine a alienação (divestment) da Stelco por parte da empresa.

“Continuo disponível para me sentar com a Cleveland-Cliffs para encontrar uma solução. Mas a nossa linha vermelha é clara: proteger os empregos canadianos, defender a nossa indústria siderúrgica e garantir que os compromissos assumidos com o Canadá são respeitados”, declarou Joly em comunicado.

No final do mês passado, a Cleveland-Cliffs anunciou que planeia despedir até 500 trabalhadores ao suspender temporariamente determinada produção de aço na Stelco, uma decisão que o governo federal afirma violar os “compromissos vinculativos” assumidos quando a empresa foi adquirida em 2024.

O governo federal sublinhou que a compra da Stelco incluiu a promessa de empregar “pelo menos o mesmo número de trabalhadores sindicalizados e a grande maioria dos trabalhadores não sindicalizados” existente em 2024, até ao ano de 2029.

A empresa alegou que os despedimentos previstos visam “garantir a sobrevivência” da companhia, numa altura em que as tarifas aduaneiras dos EUA sobre o aço pressionam as suas vendas. No entanto, Joly rejeitou esse argumento.

“Deixem-me ser clara: nenhum caso de força maior ou alteração nas condições de mercado pode desobrigar a Cleveland-Cliffs dos compromissos que assumiu com o Canadá. Esses compromissos não são opcionais”, afirmou na sua declaração.

Apesar de a empresa insistir que os despedimentos são necessários para assegurar a sua sobrevivência, a Cleveland-Cliffs declarou há apenas alguns dias que o terceiro trimestre deste ano foi o “mais forte” da Stelco desde a aquisição da fábrica de Hamilton.

Se o governo federal avançar com o processo judicial contra a Cleveland-Cliffs, não será a primeira vez que a Stelco se encontra no centro de uma batalha legal. Em 2009, o Ministério da Indústria do Canadá processou a anterior proprietária da Stelco, a U.S. Steel, por motivos de proteção de emprego. O litígio acabou por ser resolvido por acordo fora dos tribunais em 2011.

CBC/MS

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Uso dos bancos alimentares no Canadá atinge 2,3 milhões de visitas mensais 

CBC

 

Um novo relatório da Food Banks Canada revela que o número de canadianos a lutar contra a insegurança alimentar continua a crescer, com as visitas aos bancos alimentares a baterem um novo recorde de mais de 2,3 milhões em março.

O mais recente relatório HungerCount da organização sem fins lucrativos indica que a crise do custo de vida e as pressões económicas estão a pesar gravemente sobre quase 10 milhões de canadianos que enfrentam a insegurança alimentar.

O seu inquérito anual registou mais de 2.355.000 visitas aos bancos alimentares em todo o Canadá em março de 2026, um aumento de 8,7% face ao recorde de março de 2025, que ultrapassara os dois milhões de visitas.

O documento refere que mais de um terço das visitas aos bancos alimentares deste ano, ou seja, quase 776.000, foram feitas por crianças.

A diretora-executiva da Food Banks Canada, Kirstin Beardsley, afirma que as pessoas estão “a ficar sem opções” enquanto tentam equilibrar despesas essenciais, como o pagamento da renda, com os custos crescentes dos cabazes de compras.

O relatório HungerCount salienta que, desde 2021, os preços dos alimentos subiram cerca de 30%, os custos de habitação cerca de 28% e os transportes sensivelmente 24%.

Um em cada cinco bancos alimentares no Canadá está a ficar sem comida antes de conseguir responder às necessidades de todos os seus utentes.

CBC/MS

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Chow e 15 vereadores criticam plano de Bradford para transformar a Toronto Water em empresa pública autónoma

 

CBC

Olivia Chow, acompanhada pelo ambientalista David Suzuki, lançou um novo ataque ao plano do seu rival Brad Bradford de transformar a Toronto Water numa empresa pública autónoma (public utility).

A atual autarca não esteve sozinha. O sindicato que representa os trabalhadores da Toronto Water e 15 vereadores em funções também emitiram uma carta aberta a criticar o plano do candidato à câmara de Toronto.

“Usar dívida para pagar infraestruturas de água é uma má ideia”, escreveu em comunicado Jon Burnside, que se candidata à reeleição em Don Valley East. “A longo prazo, vai custar mais aos habitantes de Toronto.”

Em declarações aos jornalistas, Chow afirmou: “O meu opositor não pode prometer qual será o valor da fatura da água nem garantir que Toronto manterá o controlo.”

Suzuki foi mais contundente na sua avaliação do plano, classificando-o de “loucura”.

Atualmente, a Toronto Water é gerida diretamente pelo Município de Toronto e pelos seus vereadores. Uma empresa autónoma de serviços públicos passaria a ser governada por um conselho de administração independente, fora do âmbito do conselho municipal, ao abrigo de legislação provincial recente.

Os críticos da proposta argumentam que a medida poderá deixar a cidade sem palavra sobre um ativo atualmente controlado na totalidade por vereadores eleitos.

Bradford tem defendido a sua ideia, afirmando que pode reduzir as tarifas de água e, ao mesmo tempo, aumentar as receitas do município, retirando a gestão da água da esfera do conselho municipal e criando uma nova entidade com capacidade para ter endividamento próprio.

O candidato tem reiterado que a empresa permanecerá sob controlo público e não aumentará os custos para as famílias. Bradford afirmou que a sua proposta irá cortar a fatura média da água (cerca de 1.100 dólares por ano, segundo documentos municipais) em cerca de 25%.

A empresa pública de água, disse Bradford, terá “tarifas que refletem o custo do fornecimento de água, tal como acontece hoje”. “A diferença”, explicou ao programa Metro Morning da CBC Radio, “é que não vamos cobrar às pessoas dois terços a mais na fatura da água.”

O sindicato CUPE Local 416, que representa os trabalhadores da Toronto Water e apoia a reeleição de Chow, sublinhou esta quarta-feira os seus receios quanto à proposta.

O sindicato reuniu a oposição de 16 membros do atual conselho municipal, incluindo Chow e alguns vereadores que não se recandidatam, afirmando que o plano assenta em endividamento e levanta sérias dúvidas quanto ao controlo do serviço.

CBC/MS

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Escultura homenageia vítimas de acidentes rodoviários em Toronto

Francisco Pegado

Uma escultura criada por membros da comunidade foi instalada no parque de estacionamento do Tom Riley Park, junto à Bloor Street West com a Islington Avenue, em homenagem às pessoas que perderam a vida nas ruas de Toronto. Com bicicletas pintadas de vermelho, velas, flores e pequenas caveiras, o memorial recorda as vítimas de acidentes na Bloor Street, Yonge Street e University Avenue, bem como duas décadas de luta por ruas mais seguras.

Segundo a Cycle Toronto, entre 2000 e 2020, morreram 32 pessoas nestas três artérias: 21 peões, quatro ciclistas, três motociclistas e quatro automobilistas. Entre as vítimas estavam três crianças em idade escolar, além de pais, professores e amigos.

A homenagem surge numa altura em que prossegue a remoção das ciclovias em Etobicoke, apesar dos protestos de ciclistas e de associações que alertam para os riscos para a segurança rodoviária.

A Cycle Toronto, a Friends and Families for Safe Streets e outros grupos organizaram uma concentração na terça-feira (20) no Tom Riley Park, para assinalar uma semana desde que conseguiram suspender temporariamente os trabalhos de remoção.

A Cycle Toronto está a tentar travar a remoção de 19 quilómetros de ciclovias em Toronto, recorrendo ao Supremo Tribunal do Canadá. O processo surge após o Tribunal de Recurso do Ontário ter anulado uma decisão que considerava a medida um risco para a segurança dos ciclistas. O recurso poderá influenciar o futuro de outras ciclovias da cidade, mas não deverá impedir a remoção das existentes na Bloor Street.

FP/MS

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Emma Lazarus e as suas raízes portuguesas: da memória sefardita à Estátua da Liberdade

 

Emma Lazarus (1849-1887). DR

Na história das relações entre Portugal e os Estados Unidos da América, marcadas por mais de dois séculos de amizade diplomática e por fortes laços humanos, destaca-se a figura de Emma Lazarus (1849-1887), célebre poetisa norte-americana de ascendência judaico-sefardita portuguesa, autora do poema The New Colossus (“O Novo Colosso”), gravado numa placa de bronze no pedestal da Estátua da Liberdade, um dos maiores símbolos universais da liberdade, da esperança e do acolhimento.

Emma Lazarus nasceu a 22 de julho de 1849, em Nova Iorque, no seio de uma família judaica de ascendência sefardita, ligada à história dos judeus de Portugal e de Espanha. A expulsão dos judeus de Espanha, em 1492, e as medidas decretadas em Portugal a partir de 1496, seguidas das conversões forçadas de 1497, deram origem a sucessivas vagas de exílio. Os seus descendentes estabeleceram-se em diferentes países, preservando memórias, tradições e ligações à Península Ibérica.

Em 1883, Emma Lazarus escreveu The New Colossus, a pedido de William Maxwell Evarts, no âmbito de uma iniciativa de angariação de fundos destinados à construção do pedestal da Estátua da Liberdade. Inaugurado a 28 de outubro de 1886, o monumento, oferecido pela França aos Estados Unidos, adquiriu, em parte graças ao poema, um significado que ultrapassou a celebração da liberdade política, passando a representar também a esperança dos imigrantes e dos refugiados. Emma Lazarus morreu em 1887, e os seus versos só foram inscritos numa placa de bronze no interior do pedestal em 1903.

Muito antes, no século XVII, a história dos judeus sefarditas portugueses já se cruzara com a formação das comunidades judaicas na América do Norte. Durante o domínio holandês de parte do Nordeste brasileiro, o Recife acolheu uma comunidade judaica que beneficiou de condições de maior liberdade religiosa. Com a reconquista portuguesa da região, em 1654, e perante o receio de perseguições inquisitoriais, um grupo de judeus refugiou-se em Nova Amesterdão, então uma colónia holandesa na ilha de Manhattan, lançando as bases de uma presença judaica duradoura na cidade que viria a chamar-se Nova Iorque.

A congregação Shearith Israel, de tradição sefardita e historicamente conhecida como Spanish and Portuguese Synagogue, tornou-se uma das instituições centrais desta comunidade. A sua história testemunha a importância dos judeus de origem ibérica na vida religiosa, económica e cultural da América do Norte.

Entre as famílias que ilustram esta herança encontra-se a dos Mendes Seixas. Isaac Mendes Seixas, nascido em Lisboa no início do século XVIII, era trisavô de Emma Lazarus, poetisa norte-americana de ascendência judaico-sefardita portuguesa. Estabelecida na América do Norte, a família teve uma participação relevante na vida religiosa, económica e cívica das comunidades judaicas. Entre os seus descendentes destacou-se Moses Mendes Seixas, dirigente da comunidade judaica de Newport, no estado de Rhode Island, que, em 1790, dirigiu uma carta a George Washington por ocasião da visita do presidente à cidade. Na resposta, Washington reafirmou os princípios da liberdade religiosa e da igualdade cívica, num testemunho significativo dos ideais da nova república americana.

A ascendência sefardita portuguesa de Emma Lazarus inscreve-se neste percurso de exílio, reconstrução e participação cívica. A sua obra, porém, não se limitou à evocação das origens familiares. Sensível à situação dos judeus perseguidos na Europa, a poetisa envolveu-se no apoio aos imigrantes em Nova Iorque, experiência que contribuiu para a dimensão humanista do seu pensamento.

No célebre soneto, a Estátua da Liberdade deixa de ser apenas um monumento à grandeza nacional. Emma Lazarus transforma-a na «Mãe dos Exilados», uma figura que ergue a tocha para acolher aqueles que chegam de terras distantes, cansados da perseguição, da pobreza e da opressão. Os versos «Dai-me os vossos cansados, os vossos pobres, / as vossas massas apinhadas, ansiosas por respirar liberdade» tornaram-se uma das mais conhecidas expressões do ideal de acolhimento associado aos Estados Unidos.

Esta mensagem permanece atual num mundo marcado por guerras, deslocações forçadas e debates sobre a imigração. A história demonstra que a liberdade não se esgota na proclamação de princípios, exige também respeito pela dignidade humana, proteção dos perseguidos e capacidade de acolher quem procura reconstruir a sua vida.

A diáspora portuguesa faz igualmente parte desta história. Atualmente, cerca de 1,5 milhões de pessoas nos Estados Unidos identificam-se com ascendência portuguesa, segundo estimativas baseadas em dados censitários. Ao longo de gerações, os portugueses e os seus descendentes têm contribuído para a vida económica, social e cultural do país, preservando os laços com Portugal e construindo pontes entre as duas margens do Atlântico.

A história de Emma Lazarus recorda-nos que as identidades nacionais também se constroem através de percursos familiares que atravessam fronteiras. As suas raízes sefarditas portuguesas ligam a memória da Península Ibérica à história dos Estados Unidos e à experiência universal da diáspora.

A tocha que ilumina a entrada do porto de Nova Iorque permanece, assim, como símbolo de uma história que também passa por Portugal, uma história de exílio e esperança, de memória e integração, que continua a interpelar a diáspora portuguesa e o mundo contemporâneo.

Daniel Bastos/MS

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O tempo dá razão a quem salvou a TAP: o mérito de Pedro Nuno Santos

JN

A recente decisão do Conselho de Ministros de selecionar o Lufthansa Group para a aquisição de uma posição de até 49,9% do capital da TAP por 1,2 mil milhões de euros não é apenas um excelente negócio financeiro; é a prova cabal do sucesso do plano de reestruturação desenhado no passado e o reconhecimento do mérito inequívoco de Pedro Nuno Santos. 

Como bem recordamos, esta venda ao gigante alemão só foi possível porque existiu a coragem política de resgatar e salvar a companhia quando a sua sobrevivência estava seriamente ameaçada. Olhando para trás, a atuação do anterior Governo liderado por António Costa, pautou-se sempre por uma postura de responsabilidade, assunção de consequências e defesa do interesse público, contrastando fortemente com a herança e a postura completamente errada do PSD. Quando a Inspeção-Geral de Finanças concluiu pela invalidade do acordo de saída de Alexandra Reis, a reação do executivo socialista foi imediata, rigorosa e transparente. O Governo agiu bem ao exigir a devolução da indemnização e ao exonerar a liderança da empresa, cujas funções estavam manifestamente feridas por lacunas graves de gestão. Ao contrário do que a oposição tentou colar à opinião pública, a responsabilização política aconteceu no tempo e no momento próprio, materializada na demissão de governantes dos ministérios das Infraestruturas e das Finanças. O PS demonstrou que não vacila na salvaguarda dos dinheiros públicos e no respeito pelas instituições.

A escolha de Luís Silva Rodrigues para assumir a liderança da TAP foi um passo acertado e de mérito inegável. Vindo de um percurso de excelência na SATA, onde provou capacidade de gestão em contextos insulares complexos, o gestor trouxe à TAP a competência técnica e a serenidade operacional de que a empresa carecia. O seu mandato provou que a estabilidade e o rigor financeiro, incluindo o bom senso na contenção de salários de topo, são o único caminho para devolver a confiança aos mercados, aos clientes e aos portugueses, legítimos investidores no plano de reestruturação da companhia. 

Para compreender o presente da TAP, é imperativo recordar o passado. O Governo do PSD desenhou um processo de privatização ruinoso, onde se tentou comprar a companhia com o dinheiro da própria empresa através de esquemas de capitalização questionáveis. Foi o PS, muito por mérito de Pedro Nuno Santos, que estabilizou a empresa e garantiu uma reestruturação profunda, cujo impacto positivo se reflete na modernização da frota e na solidez das rotas. É essa frota moderna e essa rede de rotas altamente atrativa, especialmente a liderança no mercado transatlântico e nas ligações à América do Sul, que hoje levam a Lufthansa a classificar a TAP como uma “oportunidade imperdível” de consolidação europeia

Hoje, o tempo dá inteira razão à postura de Pedro Nuno Santos. O atual desfecho do negócio, ganho pela Lufthansa após uma disputa renhida, é a validação definitiva de que os milhares de milhões injetados foram um investimento estratégico e rentável para Portugal, e não um desperdício. O incómodo evidente do atual Primeiro-Ministro ao anunciar estes números vistosos só demonstra que a narrativa da direita desmoronou-se face à realidade. 

A TAP necessita de tempo, rigor de gestão e tranquilidade para cumprir o seu papel estratégico na economia nacional e na ligação à Diáspora. A responsabilização foi assumida, a gestão foi profissionalizada e o país reconhece agora que o valor gerado pela TAP é o fruto direto da visão resiliente e do mérito de Pedro Nuno Santos.

Vitor M. Silva/MS

 

 

 

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NO PRINCÍPIO ERA O VERBO

DR

A oralidade é meu culto.

As mães embalam os filhos cantando 

ou dizendo palavras nas nossas línguas todas.

Ana Paula Tavares, entrevista à revista Buala, 2010.

No passado sábado, dia 17, realizou-se na Universidade Autónoma de Lisboa, o VI Encontro EscritAfricando, um projeto da Associação Ser Mais Valia (SMV), que tem como objetivo satisfazer o anseio de jovens africanos que querem iniciar-se na escrita de textos em língua portuguesa e vê-los publicados. Habitualmente, a parte da manhã deste encontro tem um programa de caráter mais prático em que se trabalha uma oficina temática. Depois de, em anos anteriores terem sido tratados o texto literário e não literário, a poesia, o conto, a crónica, desta vez coube à escritora guineense, autora de literatura infantojuvenil, Kátia Casimiro, orientar uma oficina sobre a oralidade.

Sabemos que a voz antecede a escrita e é pelas diferentes vozes que nos chega a perceção do mundo que nos cerca. É pela voz do colo que nos embala, das canções de ninar que nos adormecem, do chamamento a que de imediato reagimos, das lengalengas rimadas, de todos os que habitam o mesmo espaço das nossas memórias (a que chamamos casa) numa diversidade de entoações, que aprendemos a descodificar a palavra a partir dos primeiros dias da nossa existência.

Se a voz é importante para todos nós, ela ganha particular destaque nas comunidades africanas para a preservação da história, da cultura e dos valores éticos que contribuem para a afirmação de uma identidade coletiva. É nestas sociedades que a oralidade ganha o estatuto de oratura, ou seja, em que o saber é transmitido de geração em geração sem o suporte físico da escrita.  A Ilíada e a Odisseia de Homero, inicialmente transmitidas de forma puramente oral durante séculos, chegaram até nós graças à perenidade da palavra escrita.

Em determinado momento da sessão de trabalho, Kátia Casimiro lembrou um episódio passado na Guiné, quando aí se deslocou a convite de uma escola onde teve a oportunidade de dar a conhecer a sua obra. Exímia contadora de histórias, interagia com as crianças quando, a propósito de uma das personagens dos seus contos, perguntou ao grupo o que queriam ser quando fossem grandes. Estamos habituados a que a maioria se sinta atraída por um conjunto de referências e modelos a que os meios de comunicação e as redes sociais se encarregam de dar maior visibilidade (jogadores de futebol e outros desportistas), cantores, atores ou outras profissões que conferem um determinado estatuto profissional. Um dos miúdos, porém, fugiu a esta corrente dominante e disse que queria ser “avô”. A Kátia, espantada com a resposta, e pensando que tinha ouvido mal, insistiu para desfazer a dúvida: “Queres ser o quê?” E a resposta veio novamente pronta: “Quero ser avô.” Segura agora do que ouvira, perguntou: “E queres ser avô, porquê?” A criança não hesitou: “Porque o meu avô conta muitas histórias.” E é porque somos feitos de histórias que vale a pena ouvi-las, enquanto palavra falada tiver a força criadora para despertar o nosso imaginário e nos ligar aos nossos ancestrais. Os avôs são, por isso, os guardiões das linhagens familiares que preservam comportamentos traduzidos numa sabedoria prática e filosófica acumulada ao longo de séculos.

Durante o longo período da colonização, foi prática corrente impedir que as populações se exprimissem nas línguas maternas. Foram, portanto, as narrativas orais, as músicas e os cantos que conseguiram manter viva as línguas locais como resistência à interdição de quem as usava. Ora, os avôs mais não são do que os velhos guardiões dessa memória, que faz jus ao que afirmou o escritor e historiador maliano Amadou Hampâté Bâ: “Quando um velho morre, é uma biblioteca que se queima.”

Aida Batista/MS

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