Carney will address the European Parliament next month



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Começou a campanha eleitoral, e como você já deve estar a par, nós da Agência Pública mais uma vez juntamos forças com sites parceiros (Aos Fatos, Amado Mundo e Núcleo) para investigar campanhas de desinformação.
Já publicamos um levantamento de quais perfis foram investigados por fake news e narrativas antidemocráticas e seguem publicando e influenciando o debate público e uma reportagem sobre como a IA tem sido usada para criar vídeos de TikTok no formato “povo fala”, nos quais falsos eleitores elogiam Lula ou Flávio Bolsonaro, ou, ainda, reforçam clichês sobre beneficiários de programas sociais do governo federal, afirmando que “não querem trabalhar”.
Mais reportagens virão, e enquanto isso, achei importante trazer alguns exemplos de como as eleições recentes na América Latina foram impactadas por campanhas desinformativas.
Aqui, trago três conclusões: primeiro, não existe mais campanha eleitoral sem fake news; segundo, as narrativas e estratégias são repetidas de um país para outro, e, portanto, vale a pena entender o que aconteceu com nossos vizinhos; e terceiro, há uma rede de marketeiros que tem participado de diversas eleições no continente propagando desinformação, a quem investigamos como “mercenários digitais” em 2023. Fernando Cerimedo, um de seus principais expoentes, acaba de ser preso na Bolívia, onde assessorava o presidente direitista Rodrigo Paz, acusado de tentar matar a namorada.
Houve muitas eleições, mas decidi focar em três delas: Honduras, Colômbia e Peru. Também escolhi a dedo algumas das narrativas e estratégias, por sentir que revelam mais do que as histórias em si, revelam a infraestrutura que hoje se usa para manipular a opinião pública em momentos de “crise informacional”, como as eleições.
Em Honduras, a corrida eleitoral em novembro de 2025 abriu com o ex-presidente Juan Orlando Hernández sentenciado em Manhattan a 45 anos por ligação com narcotráfico. Em seu lugar, o aliado conservador Nasry “Tito” Asfura entrou na disputa e recebeu apoio público de Donald Trump. O argentino Fernando Cerimedo teria articulado os bastidores para que Trump postasse o endosso em suas redes. Deu certo; o mandatário americano chegou a ameaçar cortar ajuda financeira ao país caribenho se Asfura não vencesse e, dias antes do pleito, Trump indultou Hernández.
A equipe de Asfura contou com consultores conhecidos em outros países: além de Fernando Cerimedo, Brad Parscale – que teria trabalhado no uso de dados para segmentar eleitores –, Dick Morris e o argentino Luis Rosales. O La Derecha Diário, jornal de Cerimedo sediado na Argentina, mantém um perfil hondurenho nas redes, criado três meses antes da eleição.
Como resultado, na reta final cidadãos receberam mensagens em massa nos celulares, pressionando votos na direita. A ameaça de Trump de cortar ajuda também foi replicada por este método. Também circularam narrativas falsas de que o crime organizado estaria tentando influenciar votos na esquerda e boatos de que os partidos de esquerda acabariam com a propriedade privada.
Asfura venceu com 40,27% dos votos. Ao fim da contagem, autoridades eleitorais e o governo de esquerda de Xiomara Castro denunciaram irregularidades, mas os EUA restringiram vistos dos magistrados que pediam recontagem.
Outro ponto fundamental foi o chamado Hondurasgate. O jornal Red e o site Hondurasgate divulgaram há alguns meses supostas gravações de áudio vazadas que indicam uma trama envolvendo Estados Unidos e Israel, com apoio de Honduras, para desgastar, com notícias falsas, os governos de Claudia Sheinbaum, no México, e Gustavo Petro, na Colômbia.
Segundo a fonte que entregou os áudios aos portais, as gravações ocorreram entre janeiro e abril de 2026. Os áudios mostrariam Juan Orlando Hernández, poucos meses depois de receber o indulto, organizando a ofensiva. Em conversas com Asfura, agora presidente, e sua vice-presidente, Hernandez pediu US$ 150 mil para alugar um apartamento nos EUA e montar uma unidade de jornalismo digital: “Alguém aqui, da equipe do presidente americano, vai cuidar disso para mim. É um dos republicanos que estão nos ajudando. Eles vão montar um site de notícias para nós”, disse.
Asfura confirmou a entrega da verba, que viria da Secretaria de Infraestrutura e Serviços Públicos. Hernández respondeu então: “Conseguimos conversar com Javier Milei, e ele também está contribuindo com US$ 350 mil.”
Em outra mensagem, Hernández teria reconhecido que o primeiro-ministro de Israel foi fundamental para sua libertação e que ele apoiaria o plano.
Vídeos falsos rodaram tanto no primeiro quanto no segundo turno das eleições colombianas, ocorridos em maio e junho. Ali, apareceu a mesma narrativa de tentar associar a esquerda com o crime violento. Em um deles, um homem que finge ser um dissidente das FARCs exigia que agricultores votassem em Ivan Cepeda, candidato da esquerda apoiado pelo ex-presidente Gustavo Petro.
Cepeda foi para o segundo turno contra o candidato trumpista, o empresário e advogado Abelardo de la Espriella, que venceu as eleições com 49,6%.
Por lá, um dos fenômenos mais interessantes, usado em especial por candidatos da direita, foram as “frutinovelas”, que por aqui são conhecidas como “novelas das frutas”. Feitas com IA, elas foram onipresentes nas redes durante a campanha eleitoral.
Abelardo de la Espriella, conhecido como “O Tigre”, usou vastamente o formato, aparecendo como um enorme tigre que destrói um trem representando a política tradicional. Outra candidata na direita, a senadora uribista Paloma Valencia, era retratada como um abacaxi feliz contra as bananas da esquerda e os cocos de De la Espriella.
Depois da derrota eleitoral, Petro passou a disseminar dúvidas sobre o sistema eleitoral colombiano, afirmando a existência de um mecanismo de edição dos votos, falta de transparência e de auditoria e apontando padrões matemáticos anormais na contagem.
Mas, assim como fez Jair Bolsonaro nas eleições de 2022, Petro já acusava fraude muito antes das eleições acontecerem, desde meses antes das eleições. Por isso, a Justiça Eleitoral exigiu que Petro se retratasse, o que ele não fez. As denúncias foram verificadas e desmentidas por agências de checagem. Ao final, Petro reconheceu a vitória de De la Espriella.
Outro fato digno de nota: o site de apostas preditivas Polymarket foi usado pela campanha de De la Espriella e citado como fonte confiável de pesquisa por veículos de imprensa colombiana.
O próprio candidato promoveu o site como um termômetro mais confiável que pesquisas, afirmando que arriscar dinheiro próprio exige um prognóstico correto. Pior ainda, jornais tradicionais como La República passaram a reportar estes dados como se fossem verdadeiras pesquisas eleitorais.
Mas obviamente as apostas no site são sujeitas a manipulação. Em setembro de 2025, o site La Silla Vacía revelou que apenas 82 contas participavam das apostas eleitorais sobre a Colômbia, e uma única conta concentrava 40% de todo o dinheiro investido a favor de De la Espriella, mais de 100 mil dólares. A pesquisa classificou várias dessas contas como “infladoras” de apoio, ou seja, eram simpatizantes usando a plataforma como vitrine política. O site Factchequeado revelou ainda que a Polymarket pagava publicidade a influenciadores para apresentar Espriella como o “Bukele ou Milei colombiano”.
No primeiro turno, em maio, o candidato favorito de Trump na eleição de 2026, Rafael López Aliaga ficou de fora do segundo turno por apenas 21 mil votos. Como resposta, ele alega fraude e pediu a anulação do resultado.
Rafael iniciou uma campanha apontando fraude, que, segundo investigação do site Ojo Publico, mobilizou perfis já pré-estabelecidos para espalhar sua mensagem. Foram 53 contas com impacto sobre milhares de usuários, espalhando mensagens para construir a imagem de uma eleição manipulada, sem apresentar qualquer evidência. Um exemplo: uma narrativa afirmava que mais de 1 milhão de eleitores haviam sido impedidos de votar em Lima, sendo que o número real de afetados pela não instalação de mesas – um erro da Justiça Eleitoral do país – foi de 55 mil pessoas. No final, o candidato trumpista perdeu e Keiko Fujimori acabou recebendo as bênçãos de Trump.
Assim, tanto a narrativa de fraude nas urnas está viva na América Latina, como a tentativa de associar qualquer grupo de esquerda com o crime organizado, dois motes que já estamos vendo acontecer também por aqui.
Como se sabe, nada se cria, tudo se copia.


© Rest of World
This week, Mark Leonard is joined by Jörg Lau, international correspondent at Die Zeit and Jana Puglierin, head of ECFR’s Berlin office, to explore the political turmoil in Germany ahead of an electoral autumn. Chancellor Friedrich Merz’s government is becoming increasingly unpopular: it faces collapsing approval ratings, growing tension within the governing coalition and mounting pressure from the far-right Alternative for Germany (AfD).
As regional elections approach, Jana argues that Germany’s traditional parties face difficult choices that could reshape the country’s political landscape, while Jörg discusses what the AfD’s rise means for Germany. A “firewall” has kept mainstream parties from cooperating with the far right in the post-war period—but Jörg reflects on the strain this is under, and whether the AfD’s first taste of regional power could transform German politics.
Together, Mark, Jörg and Jana assess the prospects for Merz’s leadership, the future of the CDU and whether Germany’s political centre can withstand such pressure. Are established parties capable of renewing themselves? What happens if the AfD makes gains at the regional level? And what would prolonged instability in Berlin mean for Europe?
This podcast episode was recorded on August 12th 2026.
Bookshelf
The Names, by Florence Knapp
The Nights Are Quiet in Tehran, by Shida Bazyar
The Invite, by Olivia Wilde


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For the second July running, a controversial decision from President Volodymyr Zelensky has sparked protests across Ukraine. Last year it was his attempt to weaken two anti-corruption bodies. This time it is the dismissal of his popular young defence minister, Mykhailo Fedorov, after just six months on the job. Zelensky cited a breakdown of relations between the ministry of defence and the military leadership as a key reason for his decision.
Fedorov was blunter. In a scathing statement, he criticised the commander-in-chief of the armed forces Oleksandr Syrsky for choosing loyalty over performance, sticking to outdated ways of war fighting, and sabotaging necessary reforms. “Instead of working out how to asymmetrically defeat Russia”, Fedorov said, “[Syrsky] has worked out how to split the country.” Such internal strife is the last thing Ukraine needs. But Fedorov’s allegations also call into question whether Western military assistance for Kyiv is being used in the best possible way.
Zelensky has proposed Yevhen Khmara to replace Fedorov, subject to approval by parliament. Khmara is a respected military commander and the acting head of Ukraine’s security service, so has credentials as a military leader. But Ukraine’s parliament must also decide whether he can be a trustworthy manager in the job.
This is, of course, Ukraine’s sovereign decision to make. But it is a consequential one for the rest of Europe, too: at the end of the second quarter, defence accounted for roughly 80% of Ukraine’s annual budget, with almost a third of this coming from external partners (who also supply a lot of the country’s civilian needs). The EU and European countries are by far Kyiv’s biggest financial and miliary backers. And how these funds are spent matters for Ukraine’s success; as does whether its military strategy, supplies, recruitment and procurement are aligned. The resources also need to be used efficiently. Fedorov’s allegations thus deserve proper scrutiny.
Ukraine’s European partners should not back any one choice of new defence minister. But they should make clear that, whether it is Khmara or somebody else, Fedorov’s replacement must be a credible, competent and trusted partner. This means he or she should be proven as a commander, but also be able to continue Ukraine’s defence reforms and address problems related to mobilisation, relations with the military, and corruption in the sector. Fedorov’s replacement should also be committed to continuing to build up the country’s defence technology base.
Before he became defence minister in January 2026, Fedorov headed Ukraine’s digital governance revolution. He transferred his tech-savviness to the ministry of defence and is widely credited with Ukraine’s recent advances in defence technology which helped turn the tide against Russia. Several military commanders have defended Fedorov’s work as defence minister and supported his claims against Syrskyi; others in the military have spoken in favour of the commander.
In his statement, Fedorov remained loyal to Zelensky but rumours about the outgoing official’s political ambitions have been circulating for weeks. Whether there is any truth in them or not, protesters see this as a motivation behind the president’s reshuffle. And the views of the public matter. Ukraine’s defence is a whole-of-society affair, partly sustained by volunteers and the private sector. So, Zelensky will need to dispel these rumours—a country at war can hardly afford to make decisions based on political preference at the expense of competence or defence logic.
The onus is now on Zelensky to convince everyone that Khmara is the man for the job. While parliament approved a new government led by Sergy Koretsky on July 15th, this did not include the names of the president’s (constitutionally required) proposals for defence and foreign ministers. Barring an extraordinary session, MPs will only reconvene in mid-August. This means they have time to reflect and engage in a dialogue. This should result in a defence minister who commands not just the president’s trust but also that of the military, society—and international partners.