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O futuro da diáspora não se escreve só com saudade. Escreve-se com inteligência!

Créditos: MDC Media Group

Durante décadas, quem saía de Portugal levava o país na mala de cartão, embrulhado em cartas, fotografias gastas e na promessa ou mesmo juramento de voltar em agosto. Para os milhões de portugueses e lusodescendentes espalhados pelo mundo, muitos deles aqui mesmo, no Canadá, onde o gelo do inverno nunca conseguiu arrefecer o calor da nossa portugalidade, o cordão umbilical sempre se alimentou de sacrifício, nostalgia e muito trabalho.

Mas o mundo mudou. Hoje, a tecnologia e a Inteligência Artificial surgem não para nos afastar, mas como a ferramenta mais poderosa para humanizar, aproximar e potenciar a nossa comunidade global. O algoritmo, por mais incrível que pareça, está a aprender a falar português com sotaque de saudade. Para a nova vaga de emigração, aquela juventude altamente qualificada que hoje enche os escritórios pelo mundo, mas que continua a dominar também os estaleiros, a Inteligência Artificial é uma ponte de soberania económica.

Portugal não pode continuar a dar-se ao luxo de “perder” este talento para sempre. O Governo e as instituições têm de acordar para esta realidade: através de plataformas inteligentes, é perfeitamente possível cruzar os perfis dos cérebros que temos na diáspora com cérebros e projetos de investigação em solo nacional. Já não é preciso fazer as malas de volta para ajudar a construir o futuro do país; basta estarmos ligados em rede. O nosso maior drama, contudo, continua a ser a perda de identidade nas segundas e terceiras gerações. Quantas vezes vemos, nas nossas associações e clubes no Canadá, netos de portugueses que já mal dominam o idioma, mas que sentem orgulho no sangue que lhes corre nas veias? A resposta para não os perdermos está também na educação através da Inteligência Artificial. Virtualmente, é possível hoje ensinar a Língua Portuguesa, adaptando-se aos interesses de cada jovem, usando a história, a gastronomia ou até saber mais sobre a aldeia de onde os avós partiram um dia. A cultura deixa de ser uma obrigação curricular aborrecida e passa, assim, a ser uma experiência interativa, viva e emocional.

Mas a tecnologia também tem de servir quem mais precisa. Para a nossa emigração com mais idade, aquela que construiu as fundações desta diáspora com sangue, suor e lágrimas, lidar com consulados à distância, tratar de pensões ou atualizar moradas fiscais continua a ser um autêntico calvário burocrático. É urgente que a administração pública portuguesa avance sem medos: a introdução de assistentes virtuais de voz, por exemplo, permitiria que um idoso na diáspora pudesse simplesmente falar com o seu telefone e obter respostas claras e simplificadas sobre os seus direitos. Menos papelada, menos esperas, mais respeito por quem deu tanto ao país.

Proteger a Língua Portuguesa nestes dias não é um capricho, é uma questão mesmo de soberania. A Inteligência Artificial não vai substituir a portugalidade; vai expandi-la. Ao encurtar milhares de quilómetros através de dados com rosto humano, provamos que a distância já não é o que era.

O futuro da nossa diáspora já não se escreve apenas com lágrimas de nostalgia, mas sim com inovação, ligação e inteligência. Só falta que quem governa saiba aproveitar e não perca o comboio que está a passar a grande velocidade.

Vitor Silva/MS

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