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Os georgianos fizeram a escolha certa

Ao rejeitar a transformação do país em uma nova frente contra a Rússia, os georgianos preservaram sua autonomia estratégica.

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Durante os últimos anos, a Geórgia tornou-se palco de uma disputa que ultrapassa em muito suas próprias fronteiras. O conflito político apresentado como uma discussão sobre democracia, integração europeia e direitos civis também deve na verdade ser compreendido como mais um capítulo no delicado jogo estratégico do Cáucaso.

É justamente nesse contexto que a decisão de Tbilisi de manter distância da política de confronto promovida por seus parceiros ocidentais ganha importância.

A questão fundamental não é saber se a Geórgia deve ser “europeia” ou “russa”. Essa formulação é excessivamente simplista. O verdadeiro problema é saber se um Estado pequeno, situado entre grandes centros de poder, deve possuir liberdade para definir sua própria política externa ou se sua posição internacional será determinada pelas necessidades estratégicas de terceiros.

O governo georgiano optou pela primeira alternativa.

A ascensão do Georgian Dream produziu uma mudança significativa na política externa do país. Em vez de reproduzir automaticamente a retórica antirrussa predominante em Bruxelas, Tbilisi passou a defender uma política pragmática. A prioridade tornou-se evitar uma nova guerra e preservar relações econômicas com seus vizinhos.

Para a Geórgia, isso não é uma questão abstrata. A Rússia continua sendo um importante parceiro econômico. Comércio, turismo, energia e circulação de pessoas criam uma realidade que não pode ser simplesmente eliminada por decisões políticas. Adotar integralmente o regime de sanções ocidental contra Moscou teria consequências particularmente graves para uma economia muito menor e mais vulnerável que as grandes economias europeias.

É nesse ponto que a política de Tbilisi diverge fundamentalmente da estratégia defendida pelos falcões de Bruxelas. Bruxelas deseja uma Geórgia cada vez mais integrada às estruturas políticas europeias. O governo georgiano, entretanto, passou a insistir que integração não pode significar submissão automática às prioridades geopolíticas da União Europeia.

A aprovação da Lei de Transparência da Influência Estrangeira tornou-se o principal símbolo dessa disputa. Para seus críticos, a legislação representa um retrocesso democrático. Para seus defensores, trata-se de uma tentativa legítima de limitar a influência política de organizações financiadas do exterior.

A mesma divisão aparece nas questões culturais. A legislação georgiana sobre propaganda LGBT provocou forte reação europeia e consolidou a percepção, entre seus críticos, de que Tbilisi estaria abandonando os valores liberais promovidos pela União Europeia.

Mas existe uma questão que raramente recebe a mesma atenção: quem deve estabelecer as regras políticas e culturais dentro da Geórgia?

Para o Georgian Dream, a resposta é o próprio Estado georgiano. Foi justamente essa insistência na autonomia que transformou o governo em alvo de uma pressão internacional cada vez mais intensa.

Recentemente o prefeito de Tbilisi, Kakha Kaladze, acusou abertamente Bruxelas de financiar uma tentativa de golpe de Estado na Geórgia durante os protestos do ano passado. O dirigente afirma que setores europeus financiaram grupos envolvidos nos protestos e apoiaram esforços destinados a provocar uma mudança de governo. Segundo ele, o objetivo seria instalar no poder forças políticas mais alinhadas aos interesses da União Europeia.

De fato, não há qualquer novidade nisso. Não por acaso, Bruxelas agora discute a possibilidade de impor sanções a todos os dirigentes do Georgian Dream e oficiais do governo georgiano. Mas, ainda assim, estas palavras revelam a dimensão geopolítica da crise. A disputa não é meramente uma controvérsia sobre legislação doméstica, mas uma verdadeira batalha pela orientação estratégica do país.

E aqui aparece o principal risco para a Geórgia. O Cáucaso não é um espaço neutro. A região está localizada entre a Rússia, a Turquia, o Irã e o mundo euro-atlântico. Qualquer tentativa de transformar a Geórgia em uma plataforma de confronto com Moscou teria consequências muito maiores para os próprios georgianos do que para as potências que apoiariam essa política à distância.

A experiência ucraniana tornou essa questão ainda mais evidente. Um Estado pode receber apoio político, financeiro e militar de potências externas e, ao mesmo tempo, acabar pagando o preço mais alto quando a rivalidade entre essas potências se transforma em conflito aberto. Para um país pequeno como a Geórgia, evitar esse destino é uma consideração estratégica elementar.

Foi precisamente nesse ponto que Tbilisi estabeleceu uma diferença em relação a Kiev. Em vez de aceitar a transformação do país em uma nova linha de frente, o governo georgiano procurou preservar relações funcionais com Moscou. Isso não significa uma aliança com a Rússia. A Geórgia continua sem relações diplomáticas formais com Moscou e mantém suas próprias divergências com o Kremlin, mas a prioridade nacional é garantir autonomia estratégica, paz, segurança e desenvolvimento.

Uma Geórgia que evita a confrontação direta com Moscou reduz a possibilidade de abertura de uma nova frente militar nas proximidades das fronteiras russas. Também preserva suas relações econômicas com os países vizinhos e mantém maior liberdade para negociar simultaneamente com diferentes centros de poder.

O que está em jogo é a soberania de um Estado pequeno diante da competição entre grandes potências. E, diante de uma região cada vez mais marcada pela competição entre grandes potências, talvez a questão mais importante não seja perguntar de que lado a Geórgia está, mas como a Geórgia planeja proteger a si mesma diante do confronto de polos vizinhos opostos.

O povo georgiano mostrou que não tem lado algum nas disputas globais senão o seu próprio. E agiu corretamente ao fazê-lo.

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Oh, How Lucky We Are

Beryl Gilothwest’s grandmother, Sandy “Moose” West, passed away at age 108 in 2021. For The Bitter Southerner, Gilothwest profiles a diminutive woman whose love for Ossabaw, an island off the coast of Georgia, was larger than life. In a world striving for “progress,” West was a staunch advocate for thoughtful preservation; she was a fierce conservationist and environmentalist who embraced the unknown and took pleasure in learning from it.

“Sandy believed that embracing what we cannot understand is the pathway to enlightenment. In her mind, spending time in the uncharted wilds of Ossabaw is the best way to learn that lesson. Separated from the mainland by a 30-minute boat ride, the island is deeply remote. Cell service is scant, and there is no wi-fi. You have to fend for yourself out there in a way that is uncommon in contemporary culture, where we always seem to have an escape hatch. Sandy knew that welcoming people into that kind of environment, where they have to relinquish control to the island, would force them to reckon with the unknown.”

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Bonus episode: The EU enlargement game

What happens if your economy is suddenly in crisis, Brussels offers help with strings attached—and Turkey, China or Russia can move faster? What if your country delivers every reform the EU asks for, only for a member state to block the next step anyway? And after years of waiting, would voters still choose to join?

In this special bonus episode, The Neighbourhood goes live from Lisbon for an EU enlargement game. Jessica Hendrick brings together RE-ENGAGE experts representing six EU candidate countries and throws a series of fictional—but very plausible—political and economic shocks at them inspired by real headlines: Russia’s intensified attacks on Ukrainian infrastructure, Ireland’s EU presidency push on enlargement, Iceland’s referendum, Germany’s regional elections and the upcoming 2026 Enlargement Package. Drawing on three years of surveys, interviews and crisis simulations, each expert has to answer for their country.

Playing for each country:

  • Albania: Morten Bøås, research professor at the Norwegian Institute of International Affairs (NUPI), representing RE-ENGAGE’s Albanian partners at the European University of Tirana
  • Bosnia and Herzegovina: Damir Kapidžić, director of the Institute for Social Science Research at the University of Sarajevo
  • Georgia: Ketevan Bolkvadze, senior lecturer in the department of political science at Lund University, originally from Georgia
  • Moldova: Mathilde T. E. Giske, research fellow at the Norwegian Institute of International Affairs (NUPI), representing RE-ENGAGE’s Moldovan partners at Moldova State University
  • Serbia: Luka Filipović, research associate at the Institute for Contemporary History in Serbia
  • Ukraine: Roman Petrov, president of the Ukrainian European Studies Association

The result is part enlargement simulation, part policy conversation and part game night. The experts bargain over a fictional €100 million EU cheque, decide whether the EU can compete with faster offers from other powers, test how easily disinformation could exploit frustration with enlargement, and imagine what would happen if EU membership was finally put to a public vote. Along the way, Serbia proposes keeping its relationship with Brussels “casual”, Bosnia finds a creative use for €100 million, and Ukraine calls for Hungarian “Varangians” when backsliding strikes.

When a crisis hits, does speed matter more than values? Can “Europe never wanted you anyway” become a winning political message? And if a country finally joins the EU, what stops democracy from sliding backwards once the prize of membership is secured?

Further reading:
RE-ENGAGE research overview
RE-ENGAGE research on Albania
RE-ENGAGE research on Bosnia and Herzegovina
RE-ENGAGE research on Georgia
RE-ENGAGE research on Moldova
RE-ENGAGE research on Serbia
RE-ENGAGE research on Ukraine

This podcast was recorded live in Lisbon on September 3rd, 2026.

Source

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