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Aumentar salários não chega: é preciso devolver poder de compra aos portugueses

Portugal enfrenta uma realidade económica que merece uma reflexão séria: apesar dos aumentos salariais anunciados ao longo dos últimos anos, muitas famílias continuam a sentir enormes dificuldades em fazer face às despesas mensais. Para milhares de trabalhadores, receber mais ao final do mês não significa necessariamente viver melhor.

O problema está na diferença entre aquilo que aparece no recibo de vencimento e aquilo que efetivamente sobra depois de pagar a renda da casa, a alimentação, a eletricidade, a água, os transportes, os seguros e os impostos. É nesta diferença que reside uma das maiores preocupações da sociedade portuguesa: a dificuldade crescente em transformar o trabalho numa verdadeira garantia de estabilidade financeira.

Não basta aumentar os salários se o custo de vida continuar a absorver os rendimentos das famílias

Os aumentos salariais são importantes e necessários. Contudo, não podem ser apresentados como uma solução isolada, nem utilizados como único indicador da melhoria das condições de vida dos portugueses.

Quando o salário aumenta, mas as despesas essenciais acompanham essa subida, o resultado pode ser uma melhoria praticamente impercetível no orçamento familiar.

A questão fundamental é simples: o que interessa não é apenas quanto ganha um trabalhador, mas aquilo que consegue fazer com o dinheiro que recebe.

O peso dos impostos sobre quem trabalha

Uma política económica centrada nas pessoas deve começar por reconhecer o valor do trabalho. Quem trabalha a tempo inteiro, cumpre os seus deveres e contribui para o funcionamento do país deve ter condições para viver com dignidade, constituir poupanças e preparar o futuro.

É por isso que o aumento dos salários deve ser acompanhado por uma redução responsável da carga fiscal sobre os rendimentos do trabalho, em particular nos escalões baixos e intermédios. Não faz sentido promover aumentos salariais sem avaliar quanto desse esforço chega efetivamente ao bolso dos trabalhadores.

O objetivo deve ser claro: permitir que os portugueses conservem uma parcela maior do rendimento que conquistam com o seu trabalho.

Esta redução fiscal deve ser acompanhada por uma gestão eficiente dos recursos públicos, pela avaliação da despesa do Estado e pelo combate ao desperdício. Aliviar os impostos não pode significar ignorar a sustentabilidade das contas públicas, mas também não pode continuar a ser tratado como uma questão secundária para quem vive com um orçamento limitado.

O trabalho deve compensar, e o esforço de quem produz riqueza tem de se traduzir numa melhoria concreta das condições de vida.

A habitação tornou-se um dos maiores obstáculos à estabilidade financeira

A crise da habitação é outro dos fatores que mais contribuem para a pressão sobre os rendimentos das famílias. Em diversas regiões do país, o valor das rendas e dos imóveis afastou-se da capacidade financeira de muitos trabalhadores, incluindo aqueles que têm emprego estável.

Para um jovem que pretende sair de casa dos pais, para um casal que deseja constituir família ou para um trabalhador que procura viver perto do seu local de trabalho, encontrar uma habitação a um preço comportável tornou-se um desafio cada vez maior.

Quando uma parte excessiva do salário é destinada à renda ou à prestação da casa, ficam comprometidas outras necessidades fundamentais. Poupar torna-se difícil, enfrentar uma despesa inesperada pode representar um problema grave e o recurso ao crédito pode transformar-se numa solução de recurso para despesas correntes.

Não podemos normalizar uma realidade em que trabalhar não chega para garantir o acesso a uma habitação digna. É necessário travar a escalada dos preços através de uma resposta estrutural: aumentar a oferta de habitação, simplificar e acelerar os processos de licenciamento, disponibilizar terrenos, recuperar imóveis devolutos e criar condições para construir a custos mais comportáveis.

Devem igualmente ser avaliadas medidas proporcionais que reduzam os comportamentos especulativos e promovam uma utilização mais eficiente do património habitacional, sem desincentivar a construção, o arrendamento ou o investimento necessário para aumentar a oferta.

A solução não passa por procurar culpados de forma indiscriminada, mas por corrigir os desequilíbrios que impedem o mercado de responder às necessidades reais da população.

Combater a inflação e recuperar o poder de compra

A inflação representa outro desafio, sobretudo quando incide sobre despesas das quais as famílias não podem prescindir. A alimentação, a energia e os transportes ocupam uma parcela significativa dos orçamentos familiares, pelo que qualquer aumento persistente nestes custos reduz a margem financeira disponível. É importante, contudo, distinguir a inflação geral da evolução dos preços da habitação. São fenómenos relacionados com o custo de vida, mas que exigem respostas diferentes.

No combate à inflação, o país deve promover a concorrência, a produtividade e o funcionamento eficiente dos mercados, avaliando medidas temporárias e devidamente fundamentadas quando os aumentos dos bens essenciais colocam em causa as condições de vida das famílias mais vulneráveis.

Na habitação, é necessário atuar sobre a oferta, os custos de construção, o licenciamento e os desequilíbrios entre os preços praticados e a capacidade financeira dos agregados familiares. Os aumentos salariais devem, por isso, ser avaliados em função da evolução do poder de compra real, e não apenas pelo número de euros acrescentados ao vencimento.

Uma economia que permita viver, e não apenas sobreviver

Portugal precisa de uma estratégia económica que articule três objetivos fundamentais: salários dignos, impostos mais baixos sobre o trabalho e habitação acessível.

Estas medidas devem ser acompanhadas pelo crescimento da produtividade, pela valorização das empresas que investem e criam emprego e por uma utilização criteriosa dos recursos públicos. Só assim será possível construir uma economia que concilie melhores rendimentos com estabilidade financeira e oportunidades reais para as novas gerações.

O crescimento económico não pode ser avaliado exclusivamente através de indicadores macroeconómicos. Esses indicadores são importantes, mas devem ser acompanhados por uma pergunta essencial: estão os portugueses a viver melhor?

Uma economia pode crescer e, ainda assim, deixar muitas famílias sem capacidade para poupar, adquirir habitação ou enfrentar imprevistos. É precisamente por isso que as políticas públicas devem ser avaliadas pelos seus resultados concretos na vida das pessoas.

Não se pretende defender aumentos salariais artificiais, desligados da produtividade, nem ignorar as dificuldades das empresas. Pretende-se exigir uma política económica equilibrada, em que o Estado, as empresas e os decisores públicos assumam as suas responsabilidades e em que o trabalhador não seja o elemento esquecido desta equação.

A dignidade de quem trabalha deve estar no centro das prioridades nacionais

O verdadeiro progresso não consiste em ganhar mais euros para pagar despesas cada vez maiores. Consiste em ganhar o suficiente para viver melhor, poupar, constituir família e construir um futuro com segurança e liberdade.

Portugal precisa de devolver aos seus cidadãos a confiança de que o trabalho continua a ser um caminho de mobilidade social e de realização pessoal. Aumentar salários é necessário. Reduzir a carga fiscal sobre o trabalho é essencial. Garantir habitação acessível é urgente.

Sem estas três dimensões, corremos o risco de continuar a anunciar melhorias económicas que uma parte significativa da população não consegue sentir na sua vida quotidiana.

Trabalhar para sobreviver não pode ser o destino de quem trabalha honestamente.
Trabalhar tem de voltar a ser um caminho para uma vida melhor.

Para ler o artigo anterior publicado pelo autor, clique aqui.

* Vogal da Direção Política Nacional do REAGIR

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PSP registou quase 2500 infrações e deteve 239 pessoas na última semana em todo o país

No Algarve foram detidas 14 pessoas por diferentes ilícitos criminais

A Polícia de Segurança Pública (PSP) registou informa em comunicado que, na pretérita semana, entre 3 e 9 de outubro, registou 2.479 infrações em 271 ações de prevenção e fiscalização na sua área de responsabilidade em todo o país.

Adianta a PSP na sua missiva que foram fiscalizados 10.094 condutores e controlados 4.511 carros por radar, tendo sido detidas 239 pessoas por crimes rodoviários, dos quais 116 por condução sob efeito de álcool e 97 por condução sem carta.

No mesmo período e na sua área de responsabilidade, a PSP salienta que registou de 1.091 acidentes, dos quais resultaram 434 feridos, dos quais 17 graves e uma vítima mortal.

No que concerne ao Algarve, o Comando Distrital de Faro da PSP desenvolveu uma intensa atividade operacional da qual resultaram 14 detenções relacionadas com diferentes ilícitos criminais.

A PSP de Faro adianta que realiza diariamente ações de prevenção, fiscalização e patrulhamento de proximidade, reforçando o compromisso com a segurança pública, a ordem e a tranquilidade da população.

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Na próxima semana o gasóleo deve descer 1 cêntimo e a gasolina subir 5 cêntimos

A semana fechou com o preço do Brent acima dos 100 dólares, valor referência para Portugal, pelo que na próxima semana, 12 a 18 de outubro, o preço dos combustíveis volta a sofrer alterações com o gasóleo a descer 1 cêntimo e a gasolina a subir 5 cêntimos.

Segundo a Revista ACP, de acordo com a Direção-Geral de Energia e Geologia (DGEG), o preço médio do litro do gasóleo esta sexta-feira, 9 de outubro, custava 2,146 euros enquanto o preço médio da gasolina totalizava 2,073 euros.

Assim, a confirmarem-se as previsões para a próxima semana, o preço médio do diesel vai descer para 2,136 euros por litro e a gasolina vai subir para os 2,123 euros por litro.

Segundo a Revista ACP, esta previsão consiste em valores médios tendo como base os preços da matéria-prima no fecho dos mercados da última quinta-feira, ou seja, havendo oscilações nas cotações do crude e dos combustíveis até ao final desta sexta-feira, poderá ocorrer alguma variação de preços face ao previsto.

Pode ainda encontrar postos de combustível com variações de preços diferentes, uma vez que este setor, e consequentemente a sua política de preços, está liberalizado.

Os preços dos combustíveis continuam a ser impactados pela guerra no Médio Oriente, com os EUA, Israel e o Irão envolvidos em ataques militares na região. A guerra levou ao bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do comércio de petróleo e gás natural, levando o preço dos combustíveis a sofrer graves alterações.

Desde que começou a guerra no Médio Oriente, o Governo comprometeu-se a aplicar uma nova redução extraordinária e temporária no ISP, sempre que se verifique um aumento do preço dos combustíveis superior a 10 cêntimos, para mitigar a escalada de preços. A redução extraordinária tem um efeito cumulativo a cada semana.

De acordo com uma estimativa do Conselho das Finanças Públicas, o desconto extraordinário no ISP vai retirar à receita fiscal do Estado 777 milhões de euros. 

Além do ISP, o Governo avançou com medidas adicionais, incluindo libertar até 10% das reservas estratégicas do combustível do país, na sequência de uma ação conjunta com os países da Agência Internacional de Energia, para conter a flutuação de preços nos mercados internacionais.

Ainda segundo a Revista do ACP, mais recentemente, o executivo liderado por Luís Montenegro decidiu criar uma Contribuição de Solidariedade Temporária sobre o Setor Petrolífero, que vai ser aplicada às empresas dos setores do petróleo bruto e da refinação, cuja medida pretende taxar a 33% os lucros extraordinários das petrolíferas.

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D. Vitorino Soares lança «FAROL» para se aproximar das paróquias do Algarve

A iniciativa começa hoje em São Brás de Alportel. O calendário inclui encontros em Monte Gordo, Castro Marim, VRSA e Tavira.

O conteúdo D. Vitorino Soares lança «FAROL» para se aproximar das paróquias do Algarve aparece primeiro em Barlavento.

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D. Vitorino Soares inicia Semana das Missões este domingo em São Brás de Alportel

Bispo do Algarve vai estar com as comunidades paroquiais da Diocese a partir de 11 de outubro

O Bispo do Algarve, D. Vitorino José Pereira Soares, que iniciou o seu ministério no Algarve no passado dia 19 de setembro, começa este domingo, 11 de outubro, a iniciativa “FAROL – Fé que aproxima, Igreja que encontra”, cujo objetivo é estar presente e próximo das comunidades paroquiais da Diocese.

A iniciativa começa na Paróquia de São Brás de Alportel e coincide com o início da Semana das Missões, que este ano celebra o seu primeiro centenário.

Três semanas depois de iniciar o seu ministério na região algarvia, o Bispo quer criar momentos de encontro, escuta e diálogo e conhecer a realidade concreta de cada paróquia.

D. Vitorino Soares

D. Vitorino Soares quer também valorizar a diversidade das comunidades, o trabalho dos párocos e o empenho dos leigos na vida e na missão da Igreja. A iniciativa tem natureza pastoral e relacional e não pretende ser uma visita pastoral canónica.

FAROL = Um nome inspirado no mar e na luz

O nome FAROL vem da forte ligação histórica e simbólica do Algarve ao mar e à luz que orienta os caminhos. Na vida da Igreja, o farol lembra a luz da fé e a esperança cristã: uma presença que «orienta sem se impor» e «ilumina sem substituir o caminho de cada um». As letras do nome podem também ler-se como um acrônimo: Fé, Acolhimento, Relação, Oração e Ligação.

Objetivos

A iniciativa quer promover o encontro pessoal do Bispo com as comunidades e conhecer mais de perto a realidade humana, espiritual e pastoral de cada paróquia.

D. Vitorino Soares quer ainda escutar os párocos, valorizar o serviço de sacerdotes, diáconos, consagrados e leigos e favorecer uma cultura de proximidade, corresponsabilidade e participação na missão evangelizadora.

D. Vitorino Soares

Na nota pastoral que se publica a seguir, em que apresenta a iniciativa, D. Vitorino Soares sublinha que “O FAROL pretende ser mais do que uma ronda de visitas: deseja constituir-se como sinal de proximidade, escuta e comunhão entre o Bispo e as comunidades que formam esta querida Diocese do Algarve.”

Calendário dos primeiros encontros

11 de outubro – São Brás de Alportel

  • 10h30 – Eucaristia na Igreja Matriz de São Brás de Alportel
  • 12h00 – Eucaristia na Capela do Alportel

18 de outubro (domingo) – Castro Marim, Monte Gordo e Vila Real de Santo António (centésimo Dia Mundial das Missões)

  • 10h30 – Missa em Monte Gordo
  • 12h00 – Missa em Castro Marim
  • 17h30 – Missa em Vila Real de Santo António

25 de outubro – Tavira

  • 9h00 – Missa na Conceição de Tavira
  • 11h00 – Encontro com a comunidade de língua inglesa
  • 11h30 – Missa na Igreja de Santiago

A Diocese do Algarve convida todas as comunidades a acolher o seu novo Pastor e a participar nestes momentos de fé, encontro e comunhão.

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PJ detém no Algarve homem procurado na Alemanha

A Polícia Judiciária (PJ), informa em comunicado que, através da Unidade de Informação Criminal, localizou e deteve no Algarve sem especiaficar a localidade, no cumprimento de um mandado de detenção europeu, emitido pelas autoridades judiciárias da Alemanha, um cidadão estrangeiro, do sexo masculino, com 57 anos, suspeito da prática do crime de tráfico de estupefacientes.

Durante o ano de 2022, no decurso de uma investigação, diz a PJ que foi apurado que o homem dedicava-se ao tráfico de haxixe, no município de Bitz, na Alemanha.

Numa busca domiciliária, foi encontrado na sua posse, uma elevada quantidade de comprimidos de oxicodona e buprenorfina.

Por estes factos, poderá vir a ser condenado na pena de 15 anos de prisão. A PJ finaliza a sua missiva adiantando que o homem irá ser presente ao Tribunal da Relação de Évora, para aplicação de uma medida de coação.

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O dia em que subir um lanço de escadas deixou de ser normal

Tudo começou com um cansaço aparentemente banal. Uma pessoa ativa, profissionalmente realizada, habituada a uma vida normal, começa a sentir que algo mudou. As escadas parecem mais longas. O percurso habitual até ao trabalho torna-se mais exigente. Ao final do dia, a energia desaparece mais depressa do que seria expectável. Primeiro atribui-se a culpa ao stress. Depois à idade. Mais tarde, à falta de descanso. Mas o cansaço não passa.

Meses depois surgem outros sinais. Perda de peso sem explicação. Suores noturnos. Uma sensação constante de fraqueza. Finalmente, chega o diagnóstico: Mielofibrose. Para a maioria dos portugueses, o nome diz pouco ou nada. No entanto, para quem recebe este diagnóstico, representa uma mudança profunda na sua vida.

Embora seja uma doença pouco conhecida, a Mielofibrose tem um impacto significativo na vida de quem com ela convive. Por isso, vale a pena falar sobre esta doença, que permanece praticamente invisível para a sociedade até ao momento em que entra, sem aviso, na vida de alguém.

A Mielofibrose é um cancro raro do sangue que afeta a medula óssea. À medida que a doença evolui, a produção normal de células sanguíneas torna-se menos eficaz, levando frequentemente ao aparecimento de anemia, aumento do baço e sintomas constitucionais como febre, perda de peso, fadiga e suores noturnos.

Apesar dos avanços científicos das últimas décadas, continua a existir uma realidade difícil de ignorar: muitas pessoas vivem durante bastante tempo com sintomas que são subvalorizados, quer pelos próprios doentes, quer por quem os rodeia. Talvez porque todos nós nos habituámos a normalizar o cansaço.

Vivemos numa sociedade onde estar cansado é quase um estado permanente. Trabalhamos mais. Dormimos menos. Acumulamos responsabilidades. Por isso, quando alguém se queixa de fadiga persistente, raramente imagina que possa estar perante uma doença hematológica grave.

Contudo, para muitos doentes com Mielofibrose, a anemia torna-se uma das manifestações mais incapacitantes da doença. Os números ajudam a perceber a dimensão do problema: cerca de 38% dos doentes apresentam anemia no momento do diagnóstico, percentagem que ultrapassa os 50% durante a evolução da doença. Mas os números contam apenas parte da história.

A verdadeira dimensão da anemia mede-se de outra forma. Mede-se no avô que deixou de brincar com os netos porque já não tem energia. Na pessoa que abandona a atividade física que sempre praticou. No profissional que passa a ter dificuldade em cumprir um dia de trabalho. Na família que reorganiza a sua rotina em função de consultas, exames ou transfusões. Mede-se, sobretudo, na perda gradual de autonomia. É por isso que, quando falamos de Mielofibrose, não estamos apenas a discutir resultados laboratoriais. Estamos a falar de qualidade de vida.

Sabemos hoje que a anemia associada à Mielofibrose não é apenas um sintoma incómodo. Está associada a um pior prognóstico da doença e constitui um dos fatores considerados na avaliação do risco destes doentes. Além disso, pode aumentar a necessidade de cuidados médicos e condicionar profundamente o bem-estar físico, emocional e social.

Recentemente, um grupo de hematologistas portugueses, do qual faço parte, reuniu a evidência científica disponível e a experiência da prática clínica nacional para desenvolver recomendações destinadas a melhorar a abordagem das alterações sanguíneas que afetam os doentes com Mielofibrose. O objetivo é simples: contribuir para cuidados mais uniformes, mais eficazes e mais centrados nas necessidades reais das pessoas que vivem com esta doença. Mas os profissionais de saúde não conseguem mudar esta realidade sozinhos. A consciencialização da sociedade continua a ser uma peça fundamental.

Nenhuma campanha de sensibilização eliminará uma doença rara. Mas pode ajudar a reduzir o desconhecimento que frequentemente a acompanha. Pode fazer com que mais pessoas valorizem sintomas persistentes. Pode levar alguém a procurar ajuda mais cedo. Pode diminuir o isolamento que muitas vezes acompanha os doentes com patologias pouco conhecidas.

Por isso, deixo um convite simples. Valorizemos os sinais que o nosso corpo nos dá. Nem todo o cansaço esconde uma doença grave. Felizmente, a esmagadora maioria das vezes não esconde. Mas quando o cansaço é persistente, inexplicável e acompanhado por sinais como perda de peso involuntária, anemia, febre, suores noturnos ou aumento abdominal, merece ser investigado. Porque, por vezes, a diferença entre ignorar um sintoma e procurar uma explicação pode mudar o rumo de uma vida. Porque nenhuma doença rara deveria permanecer invisível apenas porque afeta poucos doentes. A cada uma dessas pessoas, a sua doença não parece rara. Parece apenas a coisa mais importante do mundo.

* Hematologista – ULS de Santa Maria, Coautora da publicação ‘Gestão prática das citopenias no doente com mielofibrose adaptada à realidade em Portugal’

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Outubro traz grandes histórias ao Teatro Municipal António Pinheiro

O cinema está de regresso ao Teatro Municipal António Pinheiro, em Tavira, com uma programação diversificada ao longo do mês de outubro. Entre as “Terças de Cinema”, com sessões pelas 21h00, e o Cineclube de Tavira, pelas 20h00, o público poderá descobrir comédias, thrillers, cinema de autor e propostas para toda a família.

No âmbito da Festa do Cinema Francês, é possível assistir, no dia 13, “A Comédia Francesa” (De la Comédie-Française), uma irreverente e enérgica farsa que mergulha no caos dos bastidores do prestigiado teatro parisiense nas três horas que antecedem uma atribulada estreia.

Ainda, nas Terças de Cinema, dia 20, o público terá a oportunidade de usufruir de “Santo António: O Casamenteiro de Lisboa”, a nova e popular comédia de Ruben Alves, onde dois funcionários municipais enfrentam o ultimato de revitalizar os célebres casamentos da capital para salvarem os seus postos de trabalho.

O dia 27 apresenta “Heart of the Beast: Heróis Inseparáveis”, um tenso thriller de sobrevivência protagonizado por Brad Pitt que acompanha o doloroso percurso de um veterano de guerra com stress pós-traumático e do seu leal cão de combate perdidos no implacável deserto do Alasca.

Integrado nas sessões do Cineclube, no dia 14, é a vez de “Natal Amargo”, a nova e aguardada obra de Pedro Almodóvar que mergulha num registo de autoficção íntimo e reflexivo.

No dia 21, o Cineclube de Tavira exibe “Animal”, uma comovente sessão de curtas-metragens que explora o reino animal e a profunda ligação entre humanos e a natureza, através de histórias de descoberta, cuidado e empatia familiar.

Os bilhetes têm o valor de €5,00 para as Terças de Cinema, sendo de €4,00 nas sessões do Cineclube de Tavira. Toda a programação disponível clicando AQUI. Os ingressos estão disponíveis na bilheteira do Teatro e online AQUI.

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INCULTA destaca a palavra, a criação e a participação na sua primeira edição, em Tavira 

A primeira edição da INCULTA – Iniciativa Cultural Álvaro de Campos | Tavira – que contará com a intervenção, entre outros criadores, de Lídia Jorge, afirma-se

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Tavira custody businesses face scrutiny following regulatory action and disputed civil claim

Public records show that businesses associated with Tavira have undergone changes to their custody operations following regulatory intervention in Dubai and Monaco. Separately, Tavira Monaco is a defendant in English civil proceedings concerning shares provided as collateral for a stock-backed loan.

The civil allegations remain disputed, and the public judgments reviewed for this article do not establish that Tavira knowingly participated in fraud. Neither Tavira nor its founder, Eliot Goodfellow, is charged in the related United States criminal case.

An international financial group

Tavira was founded in London in 2005 as Tavira Securities. It has since expanded into areas including agency brokerage, asset management, corporate broking and custody.

The group has operated through regulated businesses in several jurisdictions, including the United Kingdom, Monaco, Dubai, Australia and the United States.

Goodfellow remains Tavira Financial Limited’s controlling shareholder. Companies House records state that he owns at least 75 per cent of its shares and voting rights and has the right to appoint or remove directors.

Tavira Financial’s accounts for the year ending 31 March 2025 reported increased revenue alongside a wider annual loss. The accounts also referred to the closure of its contracts-for-difference business and restructuring of its custody activities as the group concentrated on agency brokerage, asset management and corporate broking.

The Salinas civil proceedings

Tavira Monaco is one of six defendants in English civil proceedings brought by Mexican businessman Ricardo Salinas Pliego and Corporacion RBS.

According to the claimants’ case, as summarised in a 2024 High Court judgment, Salinas transferred Grupo Elektra shares worth more than $400 million to two custodians, Weiser Global Capital Markets and Tavira Monaco. The shares were provided as security for loans under a stock-loan agreement concluded in July 2021.

The claimants allege that they entered the transaction after being led to believe that the lender was associated with the prominent American Astor family and that the shares would not be sold unless an event of default occurred.

They further allege that Vladimir Sklarov, who used the name “Gregory Mitchell” in connection with the transaction, caused the shares to be transferred and sold without their authority and used part of the proceeds to fund the loans themselves.

Financial Mail reported in June 2025, citing trading logs reviewed by Salinas’s team, that some of the disputed shares were sold through transactions involving Morgan Stanley, BBVA and Merrill Lynch. The report did not allege that those banks knew of or participated in the alleged fraud. Their appearance in a transaction chain does not, by itself, establish misconduct or knowledge of any underlying dispute.

These remain allegations in continuing civil litigation. In the interlocutory proceedings, the Sklarov defendants maintained that the transaction documents entitled them to trade the collateral and that Salinas’s advisers had been told this. The public decisions reviewed for this article do not amount to a final determination of Tavira Monaco’s liability.

The High Court granted freezing and proprietary injunctions in August 2024. An application by the Sklarov defendants to discharge those injunctions was rejected in October 2024. Later appellate proceedings concerned procedural and evidential issues rather than a final trial of the underlying claims. Tavira Monaco was not involved in the most recent appeal.

Separate US criminal case

A US federal indictment filed on 30 April 2026 and unsealed in May charges Sklarov with conspiracy to commit wire fraud, wire fraud and conspiracy to commit money laundering.

The US Attorney’s Office for the Southern District of New York alleges that Sklarov operated an entity presented as an established stock-backed lender associated with the Astor family. Prosecutors allege that he used aliases and false representations to obtain control of shares worth approximately $450 million.

Sklarov has not been convicted in that case. The charges are allegations, and he is presumed innocent unless and until proven guilty.

The publicly available indictment charges Sklarov, not Tavira Financial, Tavira Monaco, Goodfellow, Morgan Stanley, BBVA or Merrill Lynch. The existence of the criminal case should therefore not be taken as establishing criminal conduct by any of those companies or individuals.

Restrictions in Dubai

On 10 September 2024, the Dubai Financial Services Authority imposed restrictions on Tavira Financial Limited’s Dubai branch.

According to the DFSA public register, the firm was restricted from soliciting or conducting specified regulated financial-services business with new clients. It was also restricted from soliciting or onboarding new clients in connection with financial promotions.

The public register does not state the reason for the restrictions and does not connect them to the Salinas litigation.

Tavira’s accounts subsequently referred to a decision to close the Dubai branch’s custody operation and to restructure custody activities across the group. The DFSA register nevertheless continues to list Tavira Financial as an authorised firm, subject to the published restrictions.

Companies House records show that Goodfellow ceased to be a Tavira Financial director on 13 September 2024, three days after the restrictions were imposed. Neither the DFSA entry nor the Companies House filing gives a reason for his departure or establishes that it was connected to the restrictions or the Salinas proceedings.

Monaco sanction suspended pending challenge

Tavira Monaco has also been the subject of regulatory action.

On 12 February 2026, Monaco’s Commission de Contrôle des Activités Financières ordered the withdrawal of Tavira Monaco’s authorisation after upholding four regulatory breaches.

The published CCAF decision found that the company had failed to submit required accounts, activity reports and auditors’ reports within statutory deadlines. It also found that the company had not continuously maintained two people responsible for its strategic direction and management, had lacked a bank account in its own name with a Monaco credit institution since July 2023, and had lacked sufficient human and technical resources since 2023.

Tavira Monaco challenged the decision. On 21 May 2026, the President of Monaco’s Supreme Court suspended its execution. According to the CCAF’s current case notice, Tavira Monaco’s application to annul the decision remains pending.

The withdrawal decision should therefore not be described as presently effective without also reporting the suspension and continuing challenge.

Questions about custody controls

The Dubai restrictions, restructuring of custody operations and Monaco proceedings raise legitimate questions about governance and operational controls. They do not, by themselves, prove any connection to the alleged misconduct in the Salinas transaction.

The English civil case raises separate, disputed questions about the instructions received by Tavira Monaco, the authority it understood the relevant parties to possess, the movement of the collateral and the custody records maintained during the transaction. Those matters remain for determination in the civil proceedings.

Right of reply

EU Reporter sent Tavira Financial, Tavira Monaco and Eliot Goodfellow a detailed summary of the matters in this article and asked for their responses concerning the civil allegations, regulatory decisions, custody restructuring and Goodfellow’s departure from the board. EU Reporter has received no replies from Tavira Financial, Tavira Monaco and Eliot Goodfellow

EU Reporter also asked Morgan Stanley, BBVA and Bank of America, the parent company of Merrill Lynch, whether they could confirm the reported transactions and whether they wished to comment.  Morgan Stanley replied, saying “no comment”. The others,  BBVA and Bank of America, the parent company of Merrill Lynch, have not replied at all.

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