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Reitor de Fátima mantém otimismo sobre visita de Leão XIV

Carlos Cabecinhas diz manter "convicção profunda" de visita papal em 2027, apesar de Leão XIV ser internado esta terça-feira para remoção de nódulo pulmonar.

© PAULO NOVAIS/LUSA

Leão XIV anunciou no domingo que iria ser operado a um nódulo "circunscrito ao pulmão", que foi detetado "numa fase muito inicial"
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Reitor do Santuário mantém otimismo de que Papa visita Fátima em 2027

O reitor do Santuário de Fátima, Carlos Cabecinhas, disse hoje manter o otimismo face a uma eventual deslocação ao templo em 2027 do Papa Leão XIV, que será internado na terça-feira para remoção de um nódulo pulmonar.

“Eu começo por dizer que eu não tenho qualquer informação privilegiada (…), trata-se apenas de uma convicção profunda de que o Papa pode vir ou que é muito provável que o Papa venha no próximo ano”, afirmou aos jornalistas Carlos Cabecinhas, na conferência de imprensa que antecede a peregrinação internacional aniversária de outubro, que hoje começa.

O sacerdote adiantou que a notícia do problema de saúde do Papa não o faz esmorecer no seu otimismo.

“Eu mantenho o otimismo”, assegurou, referindo que, recentemente, o núncio apostólico, Andrés Carrascosa Coso, “dizia ‘o Papa, certamente, virá à Fátima quando a sua agenda lho permitir e virá assim que puder’”.

Para o reitor do santuário, aquelas “são declarações prudentes de quem de facto não sabe ainda a data”.

“Mas é este conforto que nos fica, do desejo que o Papa tem, efetivamente, de vir a Portugal e, concretamente, de vir a Fátima. Por isso eu mantenho esse otimismo em relação ao próximo ano, mas se não for possível no próximo ano, então que seja na primeira ocasião em que tal seja possível”, acrescentou Carlos Cabecinhas.

Também na conferência de imprensa, o presidente da peregrinação de 12 e 13 de outubro, o arcebispo de Braga, José Cordeiro, considerou que a atitude do Papa Leão XIV, no domingo, quando anunciou aos fiéis na Praça de São Pedro, no Vaticano, que iria ser submetido a uma intervenção, “foi desarmante”.

“O modo como ele o disse desarmou-nos também a nós e ao mesmo tempo manifesta essa confiança, porque diz que confia nos médicos, confia na ciência, confia nas pessoas que o acompanham”, declarou José Cordeiro.

Destacando que em Fátima se reza sempre pelo chefe da Igreja Católica, o prelado desejou que Leão XIV “sinta esta consolação”.

“Da nossa proximidade, da nossa amizade, da nossa profunda comunhão e confiamos ao coração da Mãe que acompanhe e ilumine os médicos que o vão assistir, que o vão acompanhar, para que tão breve quanto possível ele possa retomar todas as suas atividades”, adiantou, lembrando que Leão XIV tem prevista, no próximo mês, uma deslocação ao Uruguai, Argentina e Peru.

O também vice-presidente da Conferência Episcopal Portuguesa reiterou que “o Papa está sempre presente no Santuário de Fátima e na vida da Igreja”.

“O internamento acontece num 13 de outubro. (…) É uma motivação acrescida de ele também sentir, a partir deste grande santuário, que milhares e milhares de pessoas, também em muitas partes do mundo, unidas a Fátima e não apenas os que aqui estamos, têm este espírito ainda mais intenso e profundo com o sucessor de Pedro e com ele vivemos a saúde e a doença, a alegria e a tristeza, como se diz também no sacramento do matrimónio”, acrescentou.

Leão XIV anunciou no domingo que iria ser operado “nos próximos dias” a um nódulo “circunscrito ao pulmão”, que foi detetado “numa fase muito inicial”.

Hoje, o Vaticano anunciou que o Papa vai ser internado na terça-feira, ao fim da manhã, no hospital Gemelli, em Roma, para ser submetido a uma cirurgia de remoção do nódulo pulmonar.

Em 19 de maio, o Presidente da República, António José Seguro, convidou o chefe de Estado do Vaticano a visitar Portugal em 2027, por ocasião do 110.º aniversário dos acontecimentos de Fátima e quando se assinalam 500 anos da formalização da nunciatura apostólica em Portugal.

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Arcebispo de Braga “defende dignificação do trabalho” e “condições para habitação” mais “amigas da família”

O arcebispo de Braga defendeu hoje a dignificação do trabalho e condições para a habitação ao abordar o aumento do custo de vida em Portugal, que relacionou com a política global, guerras a “má orientação” do mundo.

“(…) A situação que estamos a viver no nosso país, como consequência daquilo que acontece ao nível global, afeta as famílias que nós conhecemos, as nossas próprias famílias, as famílias das nossas comunidades”, afirmou José Cordeiro, em conferência de imprensa no Santuário de Fátima, onde hoje começa a peregrinação internacional de 12 e 13 de outubro, a que vai presidir.

O também vice-presidente da Conferência Episcopal Portuguesa adiantou que a Igreja Católica acompanha “com a solicitude” que lhe é possível “e também com aquilo que é a própria missão da Igreja, de ser um sinal profético e do que de si depender, junto daqueles que têm a autoridade do Governo, fazer esse apelo permanente para a construção do bem comum, para a dignidade da pessoa humana, para a dignificação do trabalho, da vida em família, das condições para a habitação, das políticas que sejam mais amigas da família e para que seja um desenvolvimento integral e integrado”.

O prelado reconheceu que, “certamente, que muito se fez ao longo destes anos, mas muito mais se pode fazer e deve fazer numa cooperação recíproca” que a Igreja também quer construir.

O arcebispo de Braga recordou o contributo da Igreja Católica na área social “nomeadamente nos acordos com o Estado em relação às IPSS [instituições particulares de solidariedade social], às santas casas da misericórdia”, que têm como alvo crianças, adolescentes, jovens, adultos e, “de um modo especial”, os mais idosos e os mais carenciados.

José Cordeiro referiu ainda o trabalho das cáritas diocesanas e das conferências vicentinas, assim como dos grupos informais nas paróquias nas várias comunidades, tendo apenas “como referência sempre a centralidade da pessoa humana, a dignidade da pessoa humana”.

O arcebispo notou que o aumento do custo de vida, assim como dos combustíveis “são consequências desta política global, das guerras em curso, da má orientação que este mundo” está a seguir.

Já o bispo da Diocese de Leiria-Fátima, José Ornelas, declarou que “não é difícil identificar os motivos fundamentais que levam os portugueses e as portuguesas a estarem preocupados com a situação” económica.

“Eu não vivo amedrontado, mas seria inconsciente se não me preocupasse no sentido de dizer que temos de encontrar soluções para os problemas da habitação e soluções para o problema dos preços que vêm galopantemente a subir e que não dependem simplesmente de nós próprios”, mas de uma “conjuntura internacional que é muito complicada” e que deixa o país “com uma margem de manobra mais limitada”, declarou José Ornelas.

O bispo considerou que os problemas se devem ao facto de não haver entendimento como humanidade.

“Aqui no país, não nos entendermos para encontrarmos as soluções e também os limites de soluções que, forçosamente, a situação comporta”, sustentou, notando que “isto se passa tanto no plano nacional como a nível internacional”.

Neste último aspeto, José Ornelas recordou que “basta ver os entendimentos que em si seriam bons em qualquer tempo, mas que, neste momento, são simplesmente um negociar a partir de uma discussão que é mais de vendilhões do que de buscas sensatas de soluções”, referindo-se às “negociações sobre combustíveis, que é uma coisa que aflige o mundo inteiro e há quem queira privatizar”.

Para o bispo de Leiria-Fátima, a ausência de entendimento deve-se ao facto de cada um se fixar nos “seus próprios interesses”.

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