Ativo do dia. Índice de referência europeu com melhor semana desde julho

O ativo
O índice de referência europeu, o Stoxx 600, agrega as 600 maiores cotadas do bloco em termos de capitalização bolsista. Regista um saldo positivo superior a 8% desde o início do ano e chegou, em agosto, a alcançar máximos históricos, acima dos 660 pontos. Empresas portuguesas como a EDP, Galp, Jerónimo Martins e BCP fazem parte deste benchmark.
O marco
Numa semana de elevada volatilidade para as bolsas mundiais, devido aos receios em torno dos elevados gastos das empresas de inteligência artificial (IA), o Velho Continente conseguiu escapar a essas perdas e teve quatro sessões positivas e apenas uma ligeiramente negativa na terça-feira. Acumulou, assim, um ganho semanal de 2,09%, o maior desde julho e terminou a sessão desta sexta-feira em máximos de mais de um mês nos 644,74 pontos.
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A causa
Se o menor peso das tecnológicas é por vezes visto como uma falha do principal índice europeu, outras vezes também pode ser uma bênção. Foi o caso desta semana volátil, marcada por um sell-off de grandes tecnológicas, devido a preocupações com a concorrência chinesa e os elevados níveis de endividamento das empresas para desenvolver infraestruturas de IA.
Esta sexta-feira, os investidores voltaram a entrar em empresas mais sensíveis às taxas de juro, após um abrandamento das yields das obrigações soberanas um pouco por todo o mundo.
Ainda a dar algum alívio aos investidores estiveram declarações de Kevin Warsh, presidente da Reserva Federal norte-americana (Fed) que manifestou esta sexta-feira otimismo quanto à solidez da economia dos EUA e surpresa com a forma como as economias globais têm conseguido “aguentar-se” no meio dos recentes choques geopolíticos, apesar da política monetária mais restritiva adotada para combater a inflação.
No entanto, em consonância com o seu estilo desde que assumiu o cargo de presidente do Fed em maio, não deu qualquer indicação sobre se considera se serão necessários mais aumentos das taxas de juro, nem quando. Os mercados interpretaram a ausência de uma postura restritiva como uma boa notícia, com a probabilidade de uma subida das taxas de juro no encontro de outubro, que se realiza nos dias 28 e 29, a descer de 30% para 15%.
O que esperar a seguir
Os investidores estão a acreditar na nova época de resultados do terceiro trimestre para levar o índice a novos patamares, com o Stoxx 600 a conseguir passar ao lado do cenário mais negativo nas restantes bolsas mundiais, onde o peso da tecnologia é maior. Para já essas duas características têm sido suficientes para os mais recentes ganhos.
A expectativa é que os lucros das empresas do Stoxx 600 aumentem 20,7% no terceiro trimestre face ao registado no ano anterior. “Uma época de resultados muito positiva vai, sem dúvida, impulsionar o otimismo dos investidores. Poderá levar os mercados de volta a alguns dos máximos que temos visto recentemente“, acredita Michael Field, estratega da Morningstar.
Mas apesar desse otimismo generalizado, o analista espera uma “verdadeira dicotomia” entre as várias cotadas europeias, uma vez que as empresas mais expostas aos preços da energia e ao sentimento do consumidor podem sair mais penalizadas. Este cenário contrasta com o das tecnológicas e do setor da energia.
A frase
Se os mercados conseguirem encadear algumas notícias positivas, as ações europeias poderão inverter a tendência e subir até ao final do ano; no entanto, uma época de resultados negativos ou comentários pessimistas por parte dos bancos centrais poderão consolidar o segundo lugar em relação ao mercado acionista norte-americano em 2026.



