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Algarve tem de executar mais 58 milhões de euros de fundos europeus até ao final de 2026

Os beneficiários do Programa Regional Algarve 2030 terão de submeter, até dezembro de 2026, despesas correspondentes a mais 58 milhões de euros de financiamento europeu, de modo a cumprir as metas financeiras estabelecidas e salvaguardar os recursos atribuídos à região. O desafio esteve no centro de uma reunião de trabalho que juntou autarcas e responsáveis de várias entidades públicas, com o objetivo de identificar dificuldades e acelerar a concretização dos investimentos ainda durante este ano.

A reunião, promovida no âmbito do acompanhamento da execução do Programa Regional Algarve 2030, permitiu avaliar o estado dos projetos financiados e os procedimentos necessários para transformar as candidaturas aprovadas em investimentos efetivamente realizados.

O encontro reuniu presidentes de câmara, outros autarcas e representantes de municípios e empresas municipais, bem como responsáveis da Águas do Algarve, da Universidade do Algarve, da Unidade Local de Saúde, da Comunidade Intermunicipal do Algarve (AMAL), do Instituto Português do Mar e da Atmosfera e da Proteção Civil.

Execução de 58 milhões de euros é decisiva para assegurar financiamento

A necessidade de acelerar a execução financeira dos projetos constituiu um dos principais temas da reunião, tendo em conta os compromissos assumidos para 2026.

De acordo com a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve (CCDR Algarve), os beneficiários públicos terão de apresentar, até ao final do ano, despesas correspondentes a mais 58 milhões de euros de financiamento comunitário, garantindo o cumprimento da chamada regra N+3.

Esta regra estabelece prazos para a utilização dos fundos europeus, tornando essencial que os investimentos aprovados avancem dentro dos períodos definidos.

O cumprimento da meta é considerado determinante para salvaguardar os recursos financeiros destinados ao Algarve e assegurar a continuidade dos projetos apoiados pelo programa.

Entre as intervenções que exigem acompanhamento encontram-se as obras relacionadas com o ciclo urbano da água, cuja execução envolve procedimentos administrativos e trabalhos no terreno.

A reunião serviu igualmente para identificar obstáculos que possam comprometer o cumprimento dos prazos e avaliar as medidas necessárias para ultrapassar essas dificuldades.

Governo, autarquias e entidades regionais procuram acelerar projetos

O encontro contou com a participação do secretário de Estado do Planeamento e Desenvolvimento Regional, Hélder Reis, e de responsáveis pela gestão e acompanhamento dos fundos europeus.

Estiveram presentes José Apolinário, presidente da Autoridade de Gestão do Algarve 2030, e Aquiles Marreiros, vogal executivo da mesma entidade.

Participaram também Cláudia Joaquim, presidente da Agência para o Desenvolvimento e Coesão (AD&C), e Elisabete Quintas, vice-presidente daquele organismo.

Durante a sessão, os participantes analisaram os compromissos de cada entidade beneficiária e os passos necessários para converter os projetos aprovados em despesas efetivamente executadas.

A discussão centrou-se também na identificação de dificuldades e na definição de condições que permitam acelerar os investimentos, numa fase considerada decisiva para o cumprimento das metas financeiras do programa.

Cooperação entre entidades é considerada essencial para cumprir prazos

A CCDR Algarve destaca a importância de manter um acompanhamento próximo dos projetos e de reforçar a articulação entre a Autoridade de Gestão do Algarve 2030, a AMAL e as restantes entidades públicas beneficiárias.

O objetivo é assegurar que os investimentos avancem em tempo útil, evitando atrasos que possam comprometer a utilização dos fundos comunitários disponíveis.

A entidade regional considera ainda fundamental que o financiamento europeu se traduza em intervenções concretas, capazes de responder às necessidades da população e contribuir para o desenvolvimento sustentável do Algarve.

Com o final de 2026 a aproximar-se, a execução dos projetos financiados pelo Algarve 2030 assume particular relevância, numa altura em que os beneficiários públicos enfrentam o desafio de cumprir os compromissos financeiros e assegurar a continuidade dos investimentos previstos para a região.

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Europa para a Cultura – Cultura para a Europa | Por Hélder Sousa Silva

No âmbito da Bússola Europeia para a Cultura, apresentada pela Comissão Europeia no dia 12 de novembro de 2025, a assinatura da Declaração Conjunta “Europa para a Cultura – Cultura para a Europa”, pelas três instituições europeias – Comissão Europeia, Parlamento Europeu e Conselho da União Europeia – no dia 18 de junho de 2026, marca um momento histórico ao apresentar o quadro político mais ambicioso para a cultura europeia até à data.

Num mundo cada vez mais instável, marcado por conflitos, tensões geopolíticas, profundas transformações tecnológicas e crescentes desafios à coesão social, esta declaração recorda-nos que falar de Europa é, acima de tudo, falar de cultura. Porque é na cultura que se encontram as raízes dos nossos valores comuns, da nossa memória coletiva e da diversidade dos povos europeus. É também nela que o lema da União Europeia (UE) – “Unida na diversidade” – ganha o seu verdadeiro significado.

A Declaração Conjunta procura, por isso, afirmar a cultura, não como um domínio secundário, mas sim como uma dimensão essencial da democracia, da economia, da inovação, da educação e da identidade europeia. Reconhecendo simultaneamente o papel auxiliar da UE nesta área e as competências dos Estados-Membros, o documento estabelece 12 compromissos partilhados para tornar a Europa mais criativa, coesa e preparada para os desafios do futuro.

O primeiro compromisso prende-se com a defesa da liberdade de expressão artística e de criação, porque sem liberdade para criar, questionar, imaginar ou desafiar, não há cultura plena nem sociedades verdadeiramente democráticas. Torna-se, por isso, essencial proteger os artistas, os profissionais da cultura e instituições culturais contra a censura, intimidação ou interferência indevida. No entanto, esta liberdade só faz sentido se estiver assegurada a diversidade cultural e linguística que caracteriza o nosso continente, sendo esse o segundo princípio da Declaração Conjunta. Numa era em que a atenção é cada vez mais concentrada por grandes plataformas e algoritmos aditivos, a promoção da nossa diversidade, tanto ao nível das línguas, tradições, histórias e expressões artísticas, merece especial atenção no espaço digital.

A Declaração Conjunta faz ainda questão de destacar que a cultura precisa não só de ser protegida, como de ser acessível. Significa isso reconhecer a cultura como um instrumento indispensável de desenvolvimento regional e territorial, e em termos práticos, reforçar as infraestruturas culturais e promover a participação cultural a nível local, para que a cultura seja uma possibilidade real para todos. A um nível mais profundo, esta acessibilidade depende também das pessoas que criam, preservam e fazem chegar a cultura aos cidadãos, sendo, por isso, o quarto princípio da Declaração Conjunta, assegurar condições de trabalho justas para os artistas e profissionais da cultura, não sendo possível valorizar a cultura sem valorizar quem a cria. Num momento em que a competitividade ocupa um lugar central na agenda europeia, importa recordar que a cultura não é apenas um bem simbólico. De acordo com os dados recentes do Eurostat, o emprego na área dos setores culturais e criativos representa 3,8% do emprego total na UE. Além disso, mais de 2,1 milhões de empresas culturais geraram cerca de 202 mil milhões de euros de valor acrescentado em 2023, um valor ligeiramente superior ao do setor do comércio e reparação automóvel, com cerca de 181 mil milhões de euros. É cada vez mais evidente, que investir na cultura é investir em emprego, inovação, crescimento e competitividade.

As futuras gerações devem fazer parte deste projeto e isso significa garantir a sua participação na definição de políticas culturais e amplificar as suas vozes nos processos de decisão. Uma abordagem intergeracional é por isso importante para estimular a cooperação entre gerações, de modo que as competências, conhecimentos e tradições possam ser transmitidos, renovados e projetados no futuro. Neste ponto, a ligação entre a cultura, arte e educação é fundamental. Promover a educação artística ao longo da vida, em contextos formais, não formais e informais, é investir em cidadãos mais críticos, criativos e participativos. Além de entretenimento, é uma forma de aprender, compreender o mundo e participar nele.

Um dos compromissos mais relevantes da Declaração Conjunta é, naturalmente, a defesa do uso ético, sustentável e responsável da inteligência artificial (IA). A IA representa uma das maiores transformações do nosso tempo, oferecendo novas possibilidades de criação, produção, acesso e preservação cultural. Mas também levanta riscos concretos, como a utilização não autorizada de obras protegidas, falta de transparências e a ameaça à remuneração justa dos criadores. É por isso necessário defender uma abordagem que não encare a IA como um inimigo, nem desincentive a inovação, mas que seja centrada no ser humano, pondo-a ao serviço da sua criatividade e não contra ela. Trata-se de inovar responsavelmente, com regras claras sobre transparência, propriedade intelectual, remuneração e distinção entre conteúdos gerados por humanos e conteúdos gerados por sistemas de IA. Esta é precisamente a abordagem que pretendo adotar enquanto relator do relatório da Comissão da Cultura e Educação (CULT) no Parlamento Europeu, sobre o impacto da IA nos setores culturais e criativos, que deverá alimentar a estratégia atualmente a ser produzida pela Comissão Europeia sobre o mesmo tema, a ser comunicada no início do próximo ano.

O mesmo olhar sobre o futuro aplica-se ao património cultural, que a Declaração Conjunta reconhece como símbolo de unidade na diversidade e como pedra basilar da identidade, da democracia e da resiliência europeia. Proteger o património europeu é proteger a memória das gerações passadas e torná-la acessível às gerações futuras. As tecnologias digitais devem desempenhar um papel importante na sua preservação, investigação e divulgação, enquanto se reforça a cooperação contra o tráfico de bens culturais e outros crimes que ameaçam o nosso património comum.

Por fim, a Declaração Conjunta defende a integração da cultura nas políticas internas e externas da UE, o que requer a promoção da cultura nas relações com países terceiros e organizações internacionais, melhorar a circulação transfronteiriça de obras culturais europeias e melhorar a recolha de dados sólidos e comparáveis para o desenvolvimento de políticas públicas baseadas em evidência.

A Declaração Conjunta é, por tudo isto, um acontecimento histórico. Pela primeira vez, as instituições europeias assumem de forma clara que investir na cultura é investir na democracia, na liberdade, na coesão social, na inovação, na competitividade e nos valores comuns que unem a Europa. Mas o verdadeiro teste começa agora. O futuro deve ser encarado com otimismo, mas também com realismo. A Declaração Conjunta abre uma oportunidade única para pôr a cultura no lugar onde sempre deveria ter estado, no centro do projeto europeu. Mas uma declaração, por mais ambiciosa que seja, necessita de vir acompanhada pela transformação de princípios em políticas e em financiamento, pelo que a atual negociação do próximo Quadro Financeiro Plurianual 2028-2034 será absolutamente decisiva. Cabe agora às instituições e aos Estados-Membros garantir que este compromisso não fica apenas no papel.

Uma Europa que investe na sua cultura é uma Europa mais forte, mais coesa e mais preparada para o futuro.

Leia também: Horizonte Europa: a inovação como motor de competitividade | Por Hélder Sousa Silva

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Olhão recebe alunos de Espanha e Alemanha em projeto Erasmus dedicado às lendas europeias

Estudantes de Portugal, Alemanha e Espanha concluíram em Olhão a última mobilidade do projeto Erasmus+ “Be Creative, Feel Legendary 2.0”, numa semana dedicada às lendas e tradições europeias, ao trabalho colaborativo e ao contacto com diferentes realidades culturais.

Entre 6 e 13 de outubro, o Agrupamento de Escolas Dr. Francisco Fernandes Lopes (AEFFL), em Olhão, recebeu alunos e professores do Albertus Magnus Gymnasium, de Ettlingen, na Alemanha, e do Institut Els Pallaresos, de Tarragona, em Espanha.

A iniciativa encerrou os trabalhos desenvolvidos pelos três estabelecimentos de ensino em torno das lendas e tradições, através de workshops destinados a reforçar competências de trabalho em equipa e a reflexão sobre uma identidade europeia comum.

Lendas de Olhão ganharam nova vida com inteligência artificial

A Rota das Lendas de Olhão serviu de ponto de partida para as atividades realizadas durante a mobilidade. Além das histórias locais, os participantes trabalharam também a lenda catalã “Pont del Diable” e a alemã “Der Ring am Ettlinger Kirchthurm”.

As diferentes narrativas foram recriadas com recurso à inteligência artificial, numa iniciativa que procurou aproximar as tradições europeias das gerações mais jovens.

Os estudantes alemães e espanhóis tiveram ainda oportunidade de frequentar aulas juntamente com os colegas portugueses e de conhecer o quotidiano de Olhão, tendo ficado alojados junto de famílias locais durante a estadia.

O programa incluiu igualmente uma visita de estudo ao Barlavento algarvio, uma atividade de kayak dinamizada pelo Centro de Formação Desportiva do AEFFL, na Fuzeta, e uma expedição pela Ilha da Armona.

Gastronomia e cultura completaram programa

A componente gastronómica também integrou a mobilidade, através de um almoço com iguarias locais e nacionais preparado pelos alunos e docentes do Curso Profissional de Técnico de Cozinha e Restauração.

Para o AEFFL, “esta experiência representou mais uma oportunidade de enriquecimento cultural e pedagógico, reforçando o compromisso com a internacionalização e a partilha de boas práticas no contexto europeu”.

O agrupamento considera que a participação neste tipo de projetos contribui para aprofundar a colaboração com escolas internacionais e promover uma cidadania ativa e participativa, associada também aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

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