O ‘Speak Up’ Vila Real celebrou, no dia 7 de outubro, o seu 24.º aniversário, assinalando quase um quarto de século de dedicação ao ensino da língua inglesa e à formação de alunos em Vila Real.
A data foi comemorada num ambiente de alegria e boa disposição, com um bolo de aniversário personalizado, especialmente preparado para a ocasião. Depois de se cantarem os parabéns, procedeu-se à abertura e partilha do bolo, seguindo-se um momento de convívio, com bebidas e boa disposição entre os presentes.
Mais do que assinalar mais um ano de existência, esta comemoração foi uma oportunidade para celebrar o percurso do ‘Speak Up’ Vila Real e do trabalho desenvolvido ao longo de mais de duas décadas na promoção da aprendizagem da língua inglesa.
O ambiente vivido na escola refletiu também a importância da componente humana no processo de aprendizagem. Para além dos conhecimentos adquiridos nas aulas, a relação entre alunos e professores, a partilha de experiências e a criação de memórias são elementos que contribuem para tornar o percurso educativo mais enriquecedor.
Aprender inglês
Essa dimensão é particularmente valorizada pelos alunos. Rafael, aluno do Speak Up Vila Real, destaca a importância de aprender num ambiente em que se sente acompanhado e motivado. “Aprender inglês é importante para o meu futuro, mas também gosto de vir às aulas porque aprendemos de uma forma dinâmica. Foi muito giro poder celebrar o aniversário da escola com os colegas e os professores”.
Também Sandra, aluna da escola, sublinha a importância da aprendizagem para além da sala de aula. “O inglês abre muitas portas, tanto na escola como no futuro profissional. No Speak Up, sinto que vou ganhando mais confiança para falar e cometer erros sem ter medo. Foi bom poder festejar esta data com todos”.
Num mundo cada vez mais globalizado, o domínio da língua inglesa assume uma importância crescente na educação, na comunicação e no mercado de trabalho. A aprendizagem de uma língua estrangeira permite não só desenvolver competências linguísticas, mas também alargar horizontes e criar novas oportunidades.
Ao longo do seu percurso, o ‘Speak Up’ Vila Real tem procurado afirmar-se como um espaço de aprendizagem e desenvolvimento pessoal, construindo uma relação de proximidade com os seus alunos e respetivas famílias.
A celebração do 24.º aniversário foi “um momento para recordar o caminho percorrido, reconhecer todos aqueles que fazem parte desta história e renovar a motivação para os desafios que se seguem”, revela.
Com os olhos postos no futuro, a escola aproxima-se agora de uma data particularmente especial: os seus 25 anos de existência, um “marco que permitirá celebrar um quarto de século dedicado à aprendizagem da língua inglesa em Vila Real”.
Os assistentes operacionais das escolas de Albufeira denunciaram esta segunda-feira uma crescente sobrecarga de trabalho, que dizem ter sido agravada pelo fim da contratação externa dos serviços de limpeza, situação que levou à pré-convocatória de uma semana de greve para novembro.
O protesto decorreu em frente à Câmara Municipal de Albufeira e foi promovido pelo Sindicato de Todos os Profissionais da Educação (S.TO.P), reunindo “cerca de uma centena e meia” de trabalhadores dos três agrupamentos escolares do concelho, segundo fonte sindical citada pela Lusa.
Daniel Martins, dirigente do sindicato, considera que a escassez de profissionais é “um problema nacional”, mas sustenta que, em Albufeira, os assistentes operacionais “andam exaustos” porque “são paus para toda a obra”, acumulando um elevado número de tarefas.
Entre as funções desempenhadas pelos trabalhadores no concelho algarvio estão o acompanhamento e a vigilância dos alunos, o apoio às refeições, os serviços de manutenção e a assistência a crianças com necessidades educativas especiais, entre outras, enumerou o sindicalista.
Sindicato alerta para sobrecarga após fim da limpeza externa
“Toda uma panóplia de situações que nem sequer integram o conjunto de funções que lhes são atribuídas e que eles fazem de bom grado, mas sem a formação devida”, sustentou o dirigente do S.TO.P.
Este problema, acrescentou, foi agravado pelo fim do contrato de prestação de serviços de limpeza nas escolas do concelho, no final de setembro, causando “uma sobrecarga extra”.
“Se as colegas já estavam sobrecarregadas de trabalho, agora ainda lhes foi atribuído mais trabalho. As limpezas, sendo função delas, tinham sido privatizadas, mas essa subcontratação terminou agora. As colegas não aguentam, muitas estão a meter baixa, outras estão a dar mais uma hora ao final do dia para pôr as coisas no mínimo exequível. Quem paga são as crianças, que não têm escolas em condições”, afirmou Daniel Martins.
Segundo o S.TO.P, a situação pode comprometer a segurança dos alunos, uma vez que os assistentes operacionais têm de dividir o tempo entre a limpeza dos espaços e a vigilância das crianças.
“Ou existem funcionários para limpar ou funcionários para vigiar, o que não podem é estar a fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Isso significa que a segurança está em causa”, alertou o dirigente sindical.
Trabalhadores admitem greve entre 9 e 13 de novembro
Num plenário realizado hoje, os profissionais aprovaram a entrega de um caderno reivindicativo à Câmara de Albufeira, esperando “obter respostas até final do mês de outubro”, revelou Daniel Martins.
Já está agendado um novo plenário, com marcha pelas ruas da cidade, para 04 de novembro, em que será avaliada e ratificada uma greve de uma semana, já pré-convocada para os dias 09 a 13 de novembro, “dependendo do que a câmara responder”, destacou o dirigente do S.TO.P.
Câmara anuncia novas contratações e investimento em vigilância
Contactado pela Lusa, o presidente da Câmara de Albufeira, Rui Cristina (Chega), considerou as críticas injustas e revelou que, até final deste ano letivo, a autarquia espera contratar cerca de uma centena de profissionais para as escolas.
“A partir de amanhã [terça-feira], vão entrar 20 novos assistentes operacionais. Vamos apresentar em reunião de câmara uma proposta de concurso para contratar mais 35 assistentes operacionais, além de 14 cozinheiros, e contamos ter disponíveis mais 30 em colaboração com o Instituto de Emprego e Formação Profissional”, referiu.
A Câmara de Albufeira vai investir também 150 mil euros em serviços de vigilância na entrada das escolas, libertando assistentes operacionais para as suas funções, acrescentou o autarca eleito pelo Chega, lembrando que a contratação externa para a limpeza “tinha um custo de mais de 1 milhão de euros”.
“Não há nenhum município no Algarve em que os assistentes operacionais não façam limpezas. Compreendo muitas das suas queixas, acho que estes profissionais têm de ser valorizados, mas no dia a dia vão ter de cumprir o que está no seu contrato”, defendeu.
O turismo português continua a crescer em receitas, dormidas e projeção internacional.
A eleição de Portugal como Melhor Destino da Europa e a distinção do Algarve como Melhor Destino de Praia da Europa nos World Travel Awards 2026 são motivo de orgulho e confirmam a atratividade dos nossos destinos. Mas estes prémios devem também levar-nos a refletir sobre o que significa, na prática, ser um destino de excelência. Num território onde o acesso à habitação se tornou uma preocupação crescente, importa perguntar se quem contribui diariamente para essa excelência consegue também viver na região, desenvolver uma carreira e projetar nela o seu futuro. A reputação de um destino não se constrói apenas com aquilo que oferece a quem o visita, mas também com as condições que proporciona a quem nele trabalha. Para além dos indicadores de sucesso, importa colocar uma pergunta essencial:
“Estamos a construir um setor onde as pessoas querem permanecer, evoluir e desenvolver uma carreira?”
A dificuldade em atrair e reter profissionais qualificados é frequentemente apresentada como um problema de falta de mão de obra, sazonalidade ou evolução demográfica. São fatores relevantes, mas há outra questão que merece atenção: como valoriza o setor as competências de que necessita?
Esta não é uma preocupação nova. Durante décadas, a hotelaria e a restauração conheceram mecanismos de reconhecimento profissional que associavam categorias, preparação técnica, experiência e, em determinados casos, remuneração. As carteiras profissionais e os enquadramentos previstos na contratação coletiva ajudavam a estruturar percursos e a distinguir funções.
Conheço esta realidade também pela minha experiência profissional. Comecei na hotelaria como bagageiro, passei a aprendiz de receção e evoluí para rececionista de segunda e, posteriormente, de primeira, até chegar a diretor hoteleiro. Não era apenas uma sucessão de funções: existia um percurso profissional reconhecível. O conhecimento de línguas estrangeiras, quando devidamente reconhecido, podia também traduzir-se num prémio remuneratório. A competência adquirida tinha, assim, uma expressão concreta no trabalho.
A legislação e a contratação coletiva conheceram, entretanto, alterações profundas. Em 2011, o Decreto-Lei n.º 92/2011 instituiu o Sistema de Regulação do Acesso a Profissões, simplificando o acesso a diversas profissões e eliminando, nos casos abrangidos, determinados requisitos de acesso. A simplificação do acesso ao mercado de trabalho tinha objetivos próprios, mas deixou uma questão que continua atual: como assegurar que a facilidade de entrada nas profissões não se traduz numa menor valorização da preparação técnica e da experiência?
Não se trata de idealizar o passado nem de defender o regresso às antigas carteiras profissionais. Trata-se de recuperar a função de reconhecimento que importa preservar: distinguir competências, valorizar o saber-fazer e criar perspetivas de progressão.
Hoje, dispomos do Quadro Nacional de Qualificações, de referenciais de formação certificada e de instrumentos de contratação coletiva que continuam a definir categorias profissionais e níveis remuneratórios. O desafio está em articular melhor estes mecanismos, para que a qualificação, a especialização e a experiência tenham consequências efetivas nas oportunidades de carreira e na remuneração.
Se alguém investe tempo e esforço numa formação profissional, é legítimo esperar que esse investimento faça diferença. Não significa que um diploma deva garantir automaticamente uma categoria ou um salário. Significa que as competências adquiridas e demonstradas não podem ser tratadas apenas como um requisito para entrar no mercado de trabalho.
Quando as perspetivas de evolução são reduzidas e a experiência acumulada não encontra reconhecimento, torna-se mais difícil reter profissionais. A rotatividade representa então mais do que um problema de recrutamento: implica perda de conhecimento, sobrecarga das equipas e riscos para a consistência e a qualidade do serviço.
Que caminhos podemos seguir?
Em primeiro lugar, precisamos de reforçar a ligação entre qualificação e carreira. Os níveis do Quadro Nacional de Qualificações, incluindo os níveis 4 e 5, podem ajudar a estruturar percursos profissionais, desde que articulados com as competências demonstradas, as responsabilidades assumidas e mecanismos transparentes de progressão e remuneração.
Em segundo lugar, importa aprofundar a colaboração entre entidades formadoras e empresas. Experiências como o Hotel Academy Lab ilustram o potencial da aprendizagem em contexto real de trabalho. Mas a colaboração não deve terminar com a formação ou o estágio. Deve incluir acompanhamento, tutoria e condições para uma integração profissional efetiva.
Em terceiro lugar, temos de reconhecer o valor da experiência e da transmissão de conhecimento. Os profissionais mais experientes representam um património que importa preservar. Valorizar a tutoria, criando condições para que acompanhem e desenvolvam os mais novos, é investir na qualidade do serviço, na continuidade das equipas e na dignificação das profissões.
Estas mudanças exigem o envolvimento das empresas, dos trabalhadores, dos parceiros sociais, das entidades formadoras e das instituições públicas. Nenhum destes intervenientes conseguirá, isoladamente, responder a um desafio que atravessa todo o ecossistema turístico.
É também aqui que a valorização profissional se liga à sustentabilidade. Um destino não pode avaliar o seu sucesso apenas pelas receitas geradas ou pelos visitantes recebidos. Deve igualmente perguntar se cria condições para que as pessoas que nele trabalham possam desenvolver competências, progredir e construir um futuro profissional.
O turismo português não tem de escolher entre crescer e valorizar as pessoas. Tem de demonstrar que consegue crescer criando mais valor económico, profissional e social.
A questão já não é apenas onde encontrar os trabalhadores de que o setor precisa. É perceber que razões lhes estamos a dar para escolher este setor, permanecer nele e querer fazer melhor.
Não precisamos de regressar ao passado. Precisamos de garantir que, no turismo de hoje, a qualificação, a competência e o saber-fazer voltam a ser razões concretas para reconhecer, valorizar e fazer progredir quem trabalha.
A greve de 24 horas dos trabalhadores não docentes, convocada pelo Sindicato Nacional dos Profissionais da Educação (Sinape), está a afetar também o Algarve, onde o sindicato indicou ter conhecimento de escolas encerradas em Silves, Albufeira e Lagoa. A paralisação levou ainda ao fecho de vários estabelecimentos de ensino nos distritos de Lisboa, Coimbra e Setúbal.
Em Lisboa, as aulas estavam suspensas durante a manhã na Escola Secundária José Gomes Ferreira, segundo a diretora do agrupamento de escolas de Benfica. A situação deverá ser reavaliada a partir das 13:00, com a mudança de turno dos funcionários.
Também a Escola Básica 1/2/3 Pedro de Santarém encerrou devido à greve dos profissionais não docentes, tal como a Escola Básica 2/3 Luís de Camões, a Escola Secundária D. Filipa de Lencastre e a Escola Básica de Telheiras.
Na Escola Secundária Gago Coutinho, em Alverca, os alunos ficaram igualmente sem aulas.
Encerramentos registados em vários distritos
Na margem sul, no distrito de Setúbal, a Escola Básica 2, 3 Costa da Caparica também estava fechada.
Ainda no distrito de Lisboa, o cenário é o mesmo na Escola Secundária Damião de Goes, em Alenquer, e na Escola Básica D. António de Ataíde, em Castanheira do Ribatejo, concelho de Vila Franca de Xira.
Em Coimbra, a Escola Secundária Infanta Dona Maria também encerrou devido à greve.
Contactado pela Lusa por telefone, o dirigente do Sindicato Nacional dos Profissionais da Educação (SINAPE), Francisco Pinto, disse, cerca das 08:45, ter já conhecimento de “muitas escolas fechadas por todo o país”.
O dirigente sindical indicou que, em Lisboa, estão ainda encerradas as escolas dos agrupamentos de Olaias, Pedro Santarém, José Gomes Ferreira e Camões.
Sinape aponta escolas fechadas em Silves, Albufeira e Lagoa
“O panorama é idêntico por todo o país, temos conhecimento de escolas fechadas em Viseu, Pedras Salgadas, Aveiro, Coimbra, Silves, Albufeira, Lagoa, Palmela, Setúbal e Sesimbra, entre outras localidades. Pensamos que se vai concretizar o que pensávamos: uma sessão de 70% de trabalhadores não docentes”, disse.
Segundo o sindicato, a greve abrange trabalhadores não docentes, como assistentes operacionais, assistentes técnicos e técnicos especializados e superiores.
Trabalhadores reivindicam carreiras próprias
De acordo com um comunicado do Sinape, os trabalhadores não docentes — técnicos superiores, assistentes técnicos e operacionais — reivindicam carreiras próprias, tendo em conta a especificidade das funções que desempenham.
O sindicato acrescenta que os trabalhadores “encontram-se em regime de precariedade consecutiva, sem carreira, sem progressão e sem reconhecimento funcional na administração pública”.
Estudantes de Portugal, Alemanha e Espanha concluíram em Olhão a última mobilidade do projeto Erasmus+ “Be Creative, Feel Legendary 2.0”, numa semana dedicada às lendas e tradições europeias, ao trabalho colaborativo e ao contacto com diferentes realidades culturais.
Entre 6 e 13 de outubro, o Agrupamento de Escolas Dr. Francisco Fernandes Lopes (AEFFL), em Olhão, recebeu alunos e professores do Albertus Magnus Gymnasium, de Ettlingen, na Alemanha, e do Institut Els Pallaresos, de Tarragona, em Espanha.
A iniciativa encerrou os trabalhos desenvolvidos pelos três estabelecimentos de ensino em torno das lendas e tradições, através de workshops destinados a reforçar competências de trabalho em equipa e a reflexão sobre uma identidade europeia comum.
Lendas de Olhão ganharam nova vida com inteligência artificial
A Rota das Lendas de Olhão serviu de ponto de partida para as atividades realizadas durante a mobilidade. Além das histórias locais, os participantes trabalharam também a lenda catalã “Pont del Diable” e a alemã “Der Ring am Ettlinger Kirchthurm”.
As diferentes narrativas foram recriadas com recurso à inteligência artificial, numa iniciativa que procurou aproximar as tradições europeias das gerações mais jovens.
Os estudantes alemães e espanhóis tiveram ainda oportunidade de frequentar aulas juntamente com os colegas portugueses e de conhecer o quotidiano de Olhão, tendo ficado alojados junto de famílias locais durante a estadia.
O programa incluiu igualmente uma visita de estudo ao Barlavento algarvio, uma atividade de kayak dinamizada pelo Centro de Formação Desportiva do AEFFL, na Fuzeta, e uma expedição pela Ilha da Armona.
Gastronomia e cultura completaram programa
A componente gastronómica também integrou a mobilidade, através de um almoço com iguarias locais e nacionais preparado pelos alunos e docentes do Curso Profissional de Técnico de Cozinha e Restauração.
Para o AEFFL, “esta experiência representou mais uma oportunidade de enriquecimento cultural e pedagógico, reforçando o compromisso com a internacionalização e a partilha de boas práticas no contexto europeu”.
O agrupamento considera que a participação neste tipo de projetos contribui para aprofundar a colaboração com escolas internacionais e promover uma cidadania ativa e participativa, associada também aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
A Sociedade Portuguesa de Literacia em Saúde (SPLS) está a promover “miniassembleias da saúde” em escolas básicas e secundárias para esclarecer os jovens sobre infeções sexualmente transmissíveis. As iniciativas envolvem mais de 1.000 alunos entre os 14 e os 18 anos, que participam no debate e na transmissão de informação aos colegas.
As sessões integram a campanha #semvergoha, com o apoio científico da Associação Portuguesa para o Estudo Clínico da Sida (APECS). Em declarações à Lusa, a presidente da SPLS, Cristina Vaz de Almeida, defendeu que os jovens devem ser “os protagonistas da mudança”.
A iniciativa surge num contexto em que quase 30% dos novos casos de VIH registados em 2024 ocorreram em pessoas com menos de 30 anos. No conjunto dos novos diagnósticos, 53,9% foram identificados numa fase avançada da infeção, segundo os dados citados pela Lusa.
Informação simples e discussão em pequenos grupos
As miniassembleias são desenvolvidas com os próprios alunos. Médicos ou enfermeiros começam por transmitir informação em linguagem simples, seguindo-se a divisão dos participantes em grupos para debater temas como a sífilis, o VIH e a sida, a transmissão das infeções e a utilização correta do preservativo.
“Para haver desenvolvimento de competências nestes jovens, não pode ser uma ação meramente expositiva. Temos de adaptar ao perfil”, explicou Cristina Vaz de Almeida.
A responsável associa o aumento das infeções sexualmente transmissíveis entre os jovens a “comportamentos de risco e falta de literacia em saúde”, tanto dos adolescentes como das famílias.
A abordagem procura reduzir o estigma e “normalizar os comportamentos protetores”, permitindo que a informação circule de forma simples e que os alunos transmitam mensagens corretas entre si.
No final, as miniassembleias são publicadas e os participantes podem rever-se. “Gostam de ver que são eles os atores da mudança”, afirmou a presidente da SPLS.
Saber aceder à internet não significa saber usar informação de saúde
Cristina Vaz de Almeida alertou que a familiaridade dos jovens com o meio digital não garante capacidade para compreender e utilizar informação sobre saúde.
“Têm literacia digital, sabem aceder ao digital, mas não têm literacia em saúde digital, não sabem usar o conhecimento quando estão dentro do digital”, observou.
Perante a dificuldade de mudar comportamentos, a responsável considera as escolas um espaço privilegiado de intervenção.
“Promover a literacia em saúde nas escolas é investir na capacidade dos jovens para compreenderem a informação, avaliarem as suas opções e tomarem decisões informadas sobre a sua saúde e o seu bem-estar”, defendeu.
Para isso, acrescentou, é necessário “criar espaços de confiança, onde os jovens possam falar sem vergonha, esclarecer dúvidas sem receio de julgamento e aceder a informação clara, rigorosa e adequada à sua idade”.
Sessões previstas em Lisboa, Peniche, Felgueiras e Lousada
Em outubro, as miniassembleias passam pela Escola Secundária Padre António Vieira, em Lisboa, nos dias 20 e 22, e pela Escola Básica Marquesa de Alorna, também na capital, no dia 29.
Em Peniche, a Escola Básica dos 2.º e 3.º Ciclos de Atouguia da Baleia recebe a iniciativa em 28 de outubro.
No dia 18 de novembro, estão previstas sessões nas escolas secundárias de Felgueiras e de Lousada.
Aos 17 anos, Agastya Rekhi, estudante do ensino secundário em Hong Kong, ensina finanças e economia a crianças mais novas há quase três anos. Durante o seu trabalho voluntário, conheceu famílias que tinham dificuldade em compreender de que forma os preços, os investimentos e as notícias económicas afetavam o seu quotidiano. De acordo com o South China Morning Post, essas experiências levaram-no a concluir que o acesso à informação era apenas parte do problema. A forma como essa informação era transmitida era igualmente importante. Finalista na categoria Spirit of Youth dos Prémios Spirit of Hong Kong de 2026, Rekhi desenvolveu
No Agrupamento de Escolas Miguel Torga, em Sabrosa, foi criado o Clube de Solidariedade e Saúde, um desafio lançado pela professora Carla Fernandes à turma do terceiro ano do curso profissional de técnico do desporto.
O clube começou a funcionar no ano letivo 2024/2025, em que a professora de desporto, em conjunto com os alunos, decidiu criar um projeto que pudesse ter um “tronco comum” de todas as outras disciplinas. “Lancei-lhes o repto de criarmos qualquer coisa que pudesse ir de encontro às necessidades das pessoas. Foi aí que surgiu a criação do Clube da Solidariedade e Saúde”, explica Carla Fernandes, adiantando que os alunos foram visitar escolas, infantários e lares para ver se teriam algumas necessidades mais prementes que eles pudessem colmatar.
“Quando fomos visitar o Lar de São Martinho de Anta soubemos que o incêndio do verão de 2025 destruiu alguns equipamentos. Desde logo nos prontificamos a arranjar cadeiras de rodas e cadeirões. Eram duas cadeiras de rodas e dois cadeirões que precisavam. E eu disse logo, então nós vamos tratar de arranjar esse material”.
O desafio estava lançado e era necessário colocar mãos à obra. “Lançamos um peditório através das redes sociais e andamos na rua a pedir às pessoas para colaborar. O certo é que conseguimos entregar mais equipamentos, nomeadamente quatro cadeiras de rodas, três poltronas e quatro cadeirões”, explicou Carla Fernandes, acrescentando que o clube não ficou por aí e já enviou material escolar para São Tomé e Príncipe, colchões e computadores para Timor, por exemplo.
“O clube precisa de voluntários, pelo que vou lançar o repto a uma das minhas turmas para aderirem. Eles podem fazer a diferença”
CARLA FERNANDES
PROFESSORA
“À medida que íamos conseguindo os donativos, fazíamos as entregas. Também ajudamos a Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental de Sabrosa com 500 euros para a criação de uma sala de lazer”, sublinhou a professora.
Para angariar fundos, o clube de alunos promove caminhadas solidárias, participa em eventos com ‘barraquinhas’, onde vendem bolos, crepes, panquecas, espetadas de frutas, como contou à VTM a antiga aluna do Agrupamento de Escolas Miguel Torga, Inês Lourenço. “Durante o ano letivo fizemos quatro caminhadas e organizamos as barraquinhas para arranjar dinheiro para ajudar os outros”, refere, adiantando que se sente bem ao participar nas iniciativas. “Nunca tinha feito nada semelhante e o sentimento que fica é de satisfação pessoal por ajudar quem precisa”.
Outra voluntária, Marta Lopes, de 15 anos, entrou no clube depois da professora a ter convidado a aderir. “Aceitei logo, porque ajudar os outros não dá trabalho nenhum. Sempre gostei de ajudar as pessoas e sinto-me realizada por fazer este trabalho solidário”.
Carolina Gomes, de 16 anos, conheceu o clube através de cartazes que viu nas ruas de Sabrosa, e como era do grupo de amigos do Eduardo e da Inês (que começaram o projeto no âmbito de uma disciplina), decidiu inscrever-se e participar nas iniciativas. “Ao fazer o bem aos outros, sentiu-me feliz e realizada. Agora quero continuar a ajudar e participar nas iniciativas que vamos fazer, porque a felicidade é maior do que o trabalho que nos dá”.
Os próximos desafios do Clube da Solidariedade e Saúde já estão no terreno e passam por ajudar uma menina chamada Luane, que sofreu um acidente em Quarteira (Algarve) e tem familiares em Parada do Pinhão. O clube está também a angariar fundos para a requalificação do infantário da Santa Casa da Misericórdia de Sabrosa.