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Ativo do dia: Tumulto em França atira juros para máximos de 24 anos


O ativo:

O “benchmark” da dívida francesa voltou a estar sob forte pressão, no arranque da semana. Depois de um fim de semana de grande violência nas principais cidades francesas, com o clima de contestação a alastrar-se a outras cidades europeias, os investidores estiveram a desfazer-se da dívida e das ações gaulesas, com o euro a sofrer também com a crise no país.

Nota: Se está a aceder através das apps, carregue aqui para abrir o gráfico.

O marco:

O clima de grande contestação em França e os receios que a extrema-direita saia vencedor das eleições do próximo ano continua a pressionar as obrigações gaulesas, atirando os juros do país para máximos de várias décadas.

A taxa das obrigações a 10 anos voltaram a superar a fasquia dos 4,9%, o valor mais elevado desde 2002, com as yields gaulesas a registarem a maior subida diária (13 pontos base) desde finais de setembro. Além disso, o spread da dívida francesa face às alemãs bunds voltou a saltar para máximos de duas semanas, enquanto o diferencial para as obrigações italianas atingiu um novo recorde.

A causa:

A crise social e política que França atravessa continua a pressionar o sentimento dos investidores, que temem que o país não consiga aprovar um Orçamento do Estado para controlar as contas públicas. O clima de violência que se vive no país há várias semanas e que tem vindo a escalar está a deteriorar a confiança de investidores e empresários, a poucos meses das eleições presidenciais.

“O facto de isto acontecer após um fim de semana de protestos mostra que as esperanças de reforma estão em suspenso”, defende Hank Calenti, estratega global de mercados da SMBC, referindo-se aos esforços para reduzir os défices e reformar o sistema de pensões.

“França enfrenta atualmente uma crise social, uma crise migratória, uma crise energética, uma crise económica e uma crise orçamental, destaca Louis-Vincent Gave, da Gavekal Research. Os protestos relacionados com os aumentos do custo de vida estão a alastrar-se para outros países.

O que esperar a seguir:

A evolução da situação francesa e a capacidade — ou incapacidade — do Eliseu aprovar um orçamento para controlar as finanças do país será determinante para o desempenho dos juros do país.

A proposta inclui medidas no valor de 43 mil milhões de euros para reduzir o défice, mas os analistas receiam que alcançar um compromisso afigura-se difícil num Parlamento profundamente dividido e poderá tornar-se ainda mais complicado com as eleições presidenciais a apenas seis meses de distância.

“Embora os protestos violentos não sejam representativos da vasta maioria da população, os acontecimentos do fim de semana vêm, ainda assim, sublinhar o delicado equilíbrio que o Governo tem de encontrar entre satisfazer as exigências da população e tranquilizar os mercados”, afirmou Erik Liem, estratega do Commerzbank. “O agravamento dos protestos contra o elevado custo de vida está a aprofundar a divisão entre os extremos da esquerda e da direita, o que poderá deixar as discussões sobre o Orçamento num impasse“, defende. Uma situação que tenderá a continuar a pressionar as obrigações gaulesas.

A frase:

Os problemas orçamentais de França são, por si só, suficientemente difíceis de resolver, mas a tarefa torna-se ainda mais complicada com a aproximação das eleições presidenciais e a existência de um Parlamento sem maioria, onde a construção de consensos se tem revelado frequentemente uma missão impossível.

Themistoklis Fiotakis

Estratego do Barclays

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Nova porta-voz da Casa Branca despedida após cinco dias no cargo


A nova secretária de imprensa da Casa Branca, Katie Zacharia, foi despedida esta sexta-feira, menos de uma semana depois de ter assumido o cargo, avança o The New York Times. Esta saída relâmpago ocorre depois de o Presidente Donald Trump ter adiantado aos jornalistas que aconselhou a sua nova porta-voz a “reconsiderar” a sua posição.

“Sinceramente, se estivesse no seu lugar, reconsideraria”, afirmou, ao recordar a conversa que tivera com Zacharia. “Katie, precisa disto? Não me parece que precise disto“, acrescentou o republicano, numa referência à mesma conversa.

Zacharia, que assumiu as funções esta semana, teve um início atribulado, com a sua primeira e última conferência de imprensa na terça-feira, seguida de uma vaga de notícias em torno das qualificações da nova porta-voz da Casa Branca. Apesar de se apresentar como advogada, terá chumbado no exame de acesso à profissão.

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Produção automóvel volta a travar a fundo em setembro e já cai 10% no ano


Depois de ter tombado 45% em agosto, a produção automóvel voltou a travar em setembro. Após mais este resultado negativo, o setor acumula uma descida homóloga superior a 10%, nos nove primeiros meses do ano, mostram os dados da ACAP.

“Em setembro de 2026 foram produzidos em Portugal 24.691 veículos automóveis o que representou um decréscimo de 32,7% face ao mês homólogo de 2025″, adianta a associação que representa o setor, em comunicado. Em termos acumulados, acrescenta, entre janeiro e setembro, saíram das fábricas instaladas em Portugal 231.473 veículos, ou seja, menos 10,1% do que em igual período do ano anterior.

Recorde-se que, durante o mês de agosto, a fábrica da Autoeuropa viu a sua produção quase totalmente interrompida, devido às remodelações de modo a preparar a unidade para o fabrico do novo modelo elétrico ID.Every1. Após um período de férias, entre 25 de julho e 16 de agosto, seguiu-se mais uma paragem de uma semana, em lay-off, de 17 a 23 de agosto.

A produção na fábrica de Palmela só foi retomada a 24 de agosto, uma paragem que condicionou a produção automóvel, uma vez que a Autoeuropa é a principal exportadora nacional. No entanto, setembro manteve a tendência de quebra, mesmo sem paragens em Palmela.

Quase 98% para exportação

De acordo com os dados, 97,9% do total produzido no país seguiu para exportação. Segundo a ACAP, a Europa continuou a ser o mercado líder nas exportações dos veículos fabricados em território nacional, com 93,1%, com a Alemanha (21,2%), França (12,5%), Itália (12,4%) e Turquia (11,3%) no topo do ranking.

Em termos de grandes regiões, o mercado africano, liderado pela África do Sul (1,1%) e pela Tunísia (1,1%), manteve o segundo lugar nas exportações de automóveis fabricados em Portugal com 2,9% das exportações. Já a América ocupa o terceiro lugar com 1,6% das exportações de veículos automóveis fabricados em Portugal.

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