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Emissão líquida de poluentes no país cai ao menor nível desde 2012

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O Brasil emitiu, em 2025, 1,41 bilhão de toneladas líquidas de CO2 equivalente (GtCO2e) em gases do efeito estufa. O valor significa uma redução de 9% em relação aos 1,489 bilhão de toneladas líquidos de gás carbônico equivalente emitidos em 2024, levando o país a atingir o menor valor líquido desde 2012.

Sem considerar a remoção de carbono pela vegetação secundária, que cresceu, e pelas áreas protegidas, o país emitiu 2,06 bilhões de toneladas de CO2 equivalente (GtCO2e) brutos em 2025. Isso representa uma queda de 6% em relação ao total bruto de 2,19 GtCO2e emitidos em 2024. Esse foi o menor volume bruto emitido desde 2018.

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Os dados são da 14ª edição do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa lançada nesta quarta-feira (21) pelo Observatório do Clima.

Na avaliação do coordenador do Seeg e pesquisador do Instituto de Energia e Meio Ambiente (Iema), David Tsai, os números mostram que nos últimos quatro anos o Brasil cortou em um quarto as suas emissões brutas.

“É um feito digno de nota, dado que nos 13 anos anteriores, desde que publicou sua Política Nacional do Clima em 2009, o país viu suas emissões crescerem em dois terços”, comemora.

Recorde

Em 2025, o valor total das emissões brutas foi novamente influenciado pela redução do desmatamento, classificado no Seeg como mudança de uso da terra. 

O setor respondeu por 814 MtCO2e, uma queda de 15% nas emissões brutas, em relação às emissões de 957 MtCO2e, no ano de 2024.

Quando considerados os valores líquidos do setor de mudança de uso da terra, a queda entre 2024 e 2025 foi de 48%, passando de 311 MtCO2e para 162 MtCO2e, o menor valor para o setor em toda a série histórica do Seeg.

Setores

As emissões brutas dos demais setores sofreram pouca variação para mais ou para menos em 2025. A agropecuária teve queda de 0,1%, tendo sido responsável por 626 MtCO2 do total de emissões britas.

O setor de energia cresceu 1,2% em emissões, passando de 422 MtCO2e, em 2024, para 427 MtCO2e, em 2025. Os processos industriais e uso de produtos variaram positivamente apenas 0,2%, ao manter as emissões em 94 MtCO2e.

O setor de resíduos foi o que registrou a maior alta entre 2024 e 2025, crescendo as emissões em 3,6%, de 92 MtCO2e para 96 MtCO2e.

A participação da mudança de uso da terra nas emissões brutas do país, em 2025, responde por 39% do total e as emissões diretas da agropecuária, respondem por mais 30%. Juntas, quando consideradas emissões diretas e indiretas do setor, elas tornam a agropecuária o maior emissor nacional.

O setor de energia aparece em seguida com 21%. 

Os processos industriais e a gestão de resíduos responderam, em 2025, por 5% do total de emissões, cada um.

Meta

Com essas reduções, o país ficou a apenas 85 milhões de toneladas de cumprir a meta climática estabelecida para 2025, em sua primeira Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC na sigla em inglês), apresentada em 2015.

A meta previa que o país limitaria as emissões líquidas de gases de efeito estufa a 1,32 GtCO2e, em 2025, valor que deverá ser alcançado este ano, após queda recorde de desmatamento na Amazônia e Cerrado.

“Infelizmente a gente ficou ainda um pouco acima, mas bem próximo da meta. Em 2030, tem uma meta mais baixa, mas em 2026 a gente vai estar entre a meta de 2025 e a de 2030 “, avalia David Tsai.

Dados prévios divulgados pelo Observatório do Clima apontam uma emissão líquida negativa por desmatamento para este ano, com um valor estimado em menos 24 milhões de toneladas de CO2 equivalente (MtCO2e).

Para 2030, a meta estabelecida pela segunda NDC do Brasil, apresentada em 2025, busca reduzir as emissões nacionais para uma faixa entre 850 milhões e 1,05 bilhão de toneladas de CO2e.

“É uma grande vitória a queda das emissões pelo desmatamento, mas se os outros setores, a partir de agora, não começarem a reduzir as suas emissões vai ficar difícil a gente conseguir cumprir as próximas metas da NDC”, alerta David Tsai.

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Chuvas voltam a ganhar força na maior parte do país

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A formação de uma área de baixa pressão entre o norte da Argentina, o oeste do Paraguai e o sul da Bolívia favorece o retorno das chuvas e tempestades ao Sul do Brasil, nesta quarta-feira (21).

No oeste da Amazônia, as chuvas persistem e deixam os dois extremos do país em alerta amarelo de perigo potencial para tempestades, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

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Na Região Norte, o Acre, centro e norte de Rondônia, sudoeste do Pará e em grande parte do Amazonas chove de forma intensa com trovoadas. Também a possibilidade de chuvas nas demais áreas de Rondônia, em Roraima, no centro e sul do Pará, no oeste e sul de Tocantins e no norte e leste do Amapá.

 A temperatura mínima entre as capitais será de 23°C em Rio Branco e a máxima de 36°C em Palmas.

No Sul do país, há previsão de chuva e trovoadas no oeste do Rio Grande do Sul, oeste de Santa Catarina e centro-oeste do Paraná, durante a maior parte do dia. Conforme anoitece, as pancadas de chuva com trovoadas avançam sobre as demais áreas do Paraná e persistem no oeste de Santa Catarina e no extremo noroeste do Rio Grande do Sul.

Nas capitais, a mínima será de 11°C em Curitiba, e a máxima chegará a 23°C em Porto Alegre.

Na Região Centro-Oeste, há previsão de pancadas de chuva com trovoadas no noroeste de Mato Grosso e de chuvas isoladas na região central e no leste de Mato Grosso, no norte de Goiás e no Distrito Federal.

A temperatura nas capitais varia entre a mínima de 19°C, em Brasília, e a máxima de 36°C, em Cuiabá.

No Sudeste brasileiro, deve chover de forma isolada no Rio de Janeiro, no Espírito Santo e no leste e norte de Minas Gerais. Conforme o dia passa, aumenta a possibilidade de chuva nas regiões central e leste de São Paulo.

Entre as capitais, a temperatura varia entre a mínima de 13°C, em São Paulo, e a máxima de 30°C, em Belo Horizonte.

Na Região Nordeste, há possibilidade de pancadas de chuva isoladas ocorrerem no leste de Alagoas, de Pernambuco e da Paraíba. Pode haver também chuva isolada no sul da Bahia. No restante da região, predomina o céu aberto com poucas nuvens.

A temperatura mínima nas capitais será de 23°C em Recife e a máxima de 39°C em Teresina.

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Segundo turno das eleições será referendo sobre futuro da Amazônia

Depois dos resultados do primeiro turno, observadores ambientais acreditam que o dia 25 de outubro não será apenas a disputa final entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro: a votação será também um referendo sobre o futuro da Floresta Amazônica.

“Estamos muito preocupados com os riscos para a Amazônia caso Flávio vença a eleição, porque ele nega as mudanças climáticas”, afirmou Carlos Nobre, uma das maiores autoridades na área e um dos cientistas brasileiros mais conhecidos do mundo. “Se ele for eleito, certamente o desmatamento na Amazônia vai aumentar. Estamos em uma situação muito grave.”

Flávio Bolsonaro faz campanha com uma agenda favorável ao agronegócio e à desregulamentação. O candidato do PL, que terminou o primeiro turno à frente de Lula por 2,2 milhões de votos, promete zerar o desmatamento ilegal até 2029. Mas o programa de governo do filho de Jair Bolsonaro também defende um processo de licenciamento ambiental “ágil e moderno”, que “não servirá mais como instrumento para bloquear quem deseja investir e gerar empregos”.

Monica de Bolle, economista do Peterson Institute for International Economics, nos Estados Unidos, avalia que uma vitória de Flávio repetiria o mandato de seu pai, marcado pelo aumento do desmatamento, pela queda acentuada no número de autos de infração ambiental e pela quase duplicação das emissões de carbono na Amazônia em 2019 e 2020, na comparação com a média registrada entre 2010 e 2018.

“Jair Bolsonaro basicamente desmantelou a estrutura de fiscalização. E acho que isso provavelmente aconteceria de novo”, afirmou de Bolle.

Onipresente, mas sem direito a voto na próxima eleição, a própria Amazônia está em jogo. A floresta enfrenta uma série de ameaças, da seca às queimadas, passando pela extração de madeira e pelo desmatamento. Embora o Código Florestal permita que proprietários rurais desmatem até 20% de suas terras na Amazônia, a rede de monitoramento MapBiomas estimou recentemente que 97% da supressão da vegetação nativa na Amazônia em 2025 apresentava indícios de ilegalidade.

Durante o atual mandato de Lula, as taxas de desmatamento na Amazônia caíram a cada ano. Se o Brasil voltasse ao ritmo registrado durante o governo de Jair Bolsonaro, a floresta perderia cerca de 45.600 quilômetros quadrados nos próximos quatro anos, em comparação com aproximadamente 23.000 quilômetros quadrados caso o ritmo observado em 2025 fosse mantido. A diferença equivale a uma área aproximadamente do tamanho do estado de Sergipe.

Os resultados do primeiro turno sugerem que os interesses do setor agropecuário provavelmente contribuíram para o bom desempenho de Flávio Bolsonaro. Lula perdeu votos em quase todos os municípios do país na comparação com seu desempenho em 2022. Mas, como a Agência Pública mostrou, nos municípios onde o agronegócio representa mais da metade da economia local, sua votação caiu quase oito pontos percentuais, três vezes a perda registrada nas áreas onde a atividade não predomina.

Se o próximo governo acelerar o desmatamento, as consequências podem ser devastadoras para a Floresta Amazônica, para seus moradores e para as atividades econômicas que dependem de sua preservação. Há décadas, cientistas que estudam florestas e clima alertam para um possível ponto de não retorno: se uma área grande demais da floresta for derrubada, o ciclo da água deixará de ser forte o suficiente para sustentar um ecossistema de floresta tropical.

Em seu lugar, a região se transformaria em uma floresta degradada e em um ambiente seco, como o cerrado, provocando a liberação líquida de carbono que intensifica o aquecimento global e reduzindo as chuvas que abastecem as plantações de soja nas áreas próximas.

O ponto de não retorno em questão depende de vários fatores e é difícil de estimar. No entanto, o limite de desmatamento mais citado é de 20% a 25% da cobertura florestal da Amazônia, intervalo proposto pela primeira vez em 2018, por Nobre e pelo biólogo conservacionista norte-americano Thomas Lovejoy.

Os dois argumentaram que “as sinergias negativas entre desmatamento, mudanças climáticas e uso generalizado do fogo” colocariam a floresta em um ciclo de retroalimentação quando esse limite fosse ultrapassado. Um estudo publicado na revista Nature, em maio deste ano, estimou que a faixa do ponto de não retorno estaria mais próxima de 22% a 28% de desmatamento, considerando o aquecimento global de 1,5 a 1,9 grau Celsius que o mundo provavelmente deve registrar até meados deste século.

Cerca de 18% da Amazônia — que se estende por nove países — e 22% da Amazônia brasileira já foram desmatados.

Nico Wunderling, cientista climático da Universidade Goethe de Frankfurt (Alemanha), liderou o estudo publicado em maio na Nature. Ele estimou que a retomada das práticas adotadas durante o governo de Jair Bolsonaro levaria ao desmatamento de cerca de 1% da floresta da bacia amazônica ao longo do próximo mandato presidencial. Nesse ritmo, “chegaríamos à zona de perigo em meados ou no final da década de 2030”, disse ele à Grist.

Por outro lado, se Lula cumprir sua promessa de zerar o desmatamento até o início da década de 2030, ainda seria possível evitar um processo descontrolado, na opinião de Wunderling. Embora as mudanças climáticas sejam um processo global que exige coordenação internacional, o desmatamento é “a alavanca sobre a qual é mais fácil agir para reverter o quadro”, afirmou.

O final da década de 2030 está além do período abrangido pela eleição de 2026, e a ciência ainda não permite determinar com precisão qual será o ponto de não retorno. Mesmo assim, o resultado da disputa pode colocar a Floresta Amazônica em uma trajetória decisiva. 

Ronaldo Christofoletti, oceanógrafo da Universidade Federal de São Paulo, compara a situação à contratação de um seguro para um veículo. “Por que pago o seguro? Porque um acidente pode acontecer. Quando? Não sei.”

Para Christofoletti, o que está em jogo na eleição é justamente como lidar com essa incerteza. “Não esperem milagres dos cientistas”, afirmou. “Mas confiem que o ponto de não retorno está cada vez mais próximo.”

A campanha de Flávio Bolsonaro não respondeu ao pedido de comentário para esta matéria.

Enquanto isso, o agronegócio organizado trabalha pela eleição de Flávio no segundo turno. A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) declarou apoio ao candidato do PL, que prometeu deixar a escolha de seu ministro da Agricultura a cargo da bancada.

Mesmo que Flávio não vença o segundo turno, o agro talvez já tenha saído vitorioso. Em 4 de outubro, o PL elegeu 121 deputados federais, o maior número de cadeiras conquistadas por um partido desde a promulgação da Constituição de 1988. Reportagem da Pública mostrou que a bancada indígena diminuiu no Congresso e lideranças já se preparam para um mandato de desmonte e retrocesso.

Para o agronegócio, isso significa que áreas atualmente protegidas de atividades econômicas poderão em breve ser liberadas para exploração. “Mesmo que Lula seja reeleito”, ele estará muito enfraquecido”, afirmou de Bolle.

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Projeto de resiliência climática capacita 20 moradores no bairro de Cajueiro

A Agência Recife para Inovação e Estratégia (ARIES) iniciou, nesta terça-feira (20), a capacitação de 20 moradores do bairro de Cajueiro e áreas vizinhas, na Zona Norte do Recife, para a implementação de Soluções Baseadas na Natureza (SbN). A formação integra o Projeto SbN Cajueiro, iniciativa de resiliência e adaptação climática orçada em R$ 2,4 milhões com recursos do Fundo Clima, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e o Ministério das Cidades.

Os participantes foram selecionados entre mais de 80 inscritos de 11 bairros da capital. A escolha priorizou moradores de Cajueiro e de localidades no entorno imediato, como Fundão, Campina do Barreto e Porto da Madeira. Durante o período de treinamento e atuação em campo, os integrantes receberão uma ajuda de custo.

Etapas de formação e cronograma técnico

As atividades da semana de integração seguem até quinta-feira (22), no laboratório de campo do projeto (CAJULab), e abordam o diagnóstico ambiental do território e protocolos de execução:

  • Diagnóstico da paisagem: apresentação de dados sobre a microbacia local para compreender a dinâmica do fluxo das águas e identificar pontos vulneráveis a alagamentos.
  • Planejamento de intervenções: exposição dos modelos de infraestrutura verde previstos para o bairro e das estratégias de implementação gradual.
  • Segurança do trabalho: orientações sobre normas técnicas e uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e Coletiva (EPCs) para as etapas práticas.

A execução técnica do projeto conta com o suporte de pesquisadores do Laboratório de Floricultura e Plantas Ornamentais (LaFlor) e do Laboratório de Sistemas Hidráulicos (LSH), ambos da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), além da colaboração do Coletivo RecifeMangueBoyz.

Engajamento comunitário e impacto local

Para os participantes, a formação oferece ferramentas práticas para mitigar transtornos recorrentes causados pelas chuvas e pelo descarte inadequado de resíduos no bairro.

"O que me trouxe até aqui foi a oportunidade de ter voz na minha comunidade. Desde pequeno, penso em como melhorar o lugar onde vivo. Sempre observei problemas como a poluição ambiental, o lixo no rio e a necessidade de melhorar a infraestrutura. Também acredito na importância de os moradores se ajudarem e fortalecerem essa corrente de colaboração. Espero que a gente consiga transformar a nossa comunidade", declarou o morador Bruno Freitas, de 28 anos.

A participante Maria Porfirio destacou a motivação para atuar na prevenção de danos ambientais na área: "Não sou diretamente afetada pelas chuvas e enchentes, mas sempre vi os efeitos na vida de amigos e de pessoas próximas. Queria ajudar, mas não sabia como. Quando soube dessa proposta, achei fenomenal. Desde que me falaram sobre ela, fiz questão de participar sempre que possível. Fiquei muito honrada com o convite e com a oportunidade de assumir essa responsabilidade. Estou aqui e podem contar comigo."

Segundo o gestor do projeto pela ARIES, Ciro Pedrosa, o objetivo do programa é formar multiplicadores locais de práticas ambientais: "Hoje foi justamente o pontapé inicial no processo de capacitação daqueles que serão os grandes guardiões da construção e disseminação do conhecimento sobre soluções baseadas na natureza em nossa comunidade. Durante o encontro, os participantes puderam se apresentar e compartilhar suas expectativas, enquanto a equipe do projeto detalhou o cronograma e as próximas atividades."

© Gerlaine Ferreira

Capacitação de aprendizes para soluções baseadas na natureza em Cajueiro
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Edital destina R$ 30 milhões para projetos de restauração na Caatinga

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em parceria com o Banco do Nordeste (BNB) e o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), abriu as inscrições para o segundo ciclo do Edital Recaatingar.

A chamada pública disponibilizará R$ 30 milhões para financiar projetos de restauração ambiental, conservação de recursos hídricos e recuperação socioprodutiva em áreas degradadas do Semiárido.

Na primeira etapa da iniciativa, foram aprovadas sete propostas que somam R$ 25 milhões em recursos nos estados de Pernambuco, Bahia, Paraíba, Ceará, Minas Gerais, Alagoas e Piauí. O novo ciclo expande o atendimento e passa a incluir também áreas prioritárias no Rio Grande do Norte e em Sergipe.

Regras e critérios das propostas

Os projetos submetidos devem combinar a recuperação ecológica do bioma com a adaptação às mudanças climáticas e o fortalecimento de atividades produtivas locais. O edital estabelece as seguintes diretrizes operacionais:

  • Recuperação de no mínimo 50 e no máximo 100 hectares por projeto;
  • Duração total de 60 meses (36 meses para implantação e 24 meses para monitoramento e manutenção);
  • Mínimo de 5% do valor solicitado, podendo ser financeira ou em bens e serviços;
  • Reflorestamento com espécies nativas, sistemas agroflorestais, proteção de nascentes, captação de água, assistência técnica e prevenção a incêndios florestais.

Elegibilidade e submissão

Podem se candidatar pessoas jurídicas de direito privado sem fins lucrativos (como associações, fundações e cooperativas) constituídas há pelo menos dois anos, além de entidades públicas estaduais e municipais. A União e órgãos dependentes do orçamento federal estão excluídos.

Propostas habilitadas no primeiro ciclo que não receberam verbas por limite orçamentário serão reavaliadas automaticamente, com a opção de envio de ajustes pelos proponentes para elevar a pontuação. As inscrições devem ser realizadas por formulário eletrônico gerido pela Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS).

© Divulgação

Caatinga, bioma que resiste a altas temperaturas
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Queda de desmatamento no Brasil gera R$ 1,16 trilhão à economia global

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A redução do desmatamento na Amazônia brasileira e no Cerrado desde 2023 pode ter rendido ganhos de cerca de R$ 1,16 trilhão para a economia mundial. Desse total, até R$ 192 bilhões corresponderiam a danos climáticos evitados para a própria economia brasileira.

A constatação faz parte de um estudo do economista Bráulio Borges, publicado esta semana pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), um think tank (centro de estudos) da Fundação Getulio Vargas (FGV).

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Para chegar à conclusão, o especialista comparou o desmatamento dos dois biomas no período de 2019 a 2022 e os comparou com os de 2023 a 2026.

A análise já leva em conta os dados divulgados na última sexta-feira (16) pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), órgão vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

De acordo com o Inpe, de agosto de 2025 a julho de 2026, o desmatamento caiu 41,8% na Amazônia e 23,8% no Cerrado. A área desmatada na Amazônia ficou em 3.335 km², a menor desde 1998. No Cerrado, os 5.516,69 km² representam a menor extensão desde 2001.

O estudo revela que, de 2019 a 2022, a área desmatada nos dois biomas chegou a 78,9 mil km². Já de 2023 a 2026, 56,7 mil km². O dado representa que cerca de 22,3 mil km² (21 mil km² na Amazônia e 1,4 mil km² no Cerrado) deixaram de ser desmatados, uma área um pouco maior que Sergipe (21,9 mil km²).

O pesquisador explica que a comparação é feita como se o nível de desmatamento dos quatro anos anteriores fosse mantido no mesmo ritmo.

Ele ainda esclarece que os dados do Inpe consideram os períodos de 12 meses terminados sempre em julho.

Há cerca de quatro anos, um levantamento semelhante de autoria dele revelou que o “forte aumento” dos desmatamentos e das emissões de GEE em 2019-22, comparativamente à extrapolação do nível observado em 2018, havia gerado um prejuízo para a economia mundial da ordem de R$ 1,22 trilhão (a preços daquele momento).

Emissão de gases

Bráulio Borges utilizou modelos para estimar a emissão de gases do efeito estufa (GEE) no período e o valor monetário dos danos causados.

Os cálculos apontaram que a redução do desmatamento evitou 1,49 bilhão de toneladas de emissões de GEE no período de 2023 a 2026.

Os GEE, entre eles o dióxido de carbono (CO₂), conhecido como gás carbônico, são liberados durante queimadas, contribuindo para o aquecimento global e as mudanças climáticas. Florestas em pé funcionam como reservatórios de carbono, armazenado na vegetação e nos solos.

O levantamento utiliza uma estimativa chamada Custo Social do Carbono (CSC), uma forma de calcular em valores monetários o impacto negativo das emissões.

Com base em estudos de outros autores, o pesquisador do Ibre chegou à média ponderada de um CSC de US$ 145 por tonelada de CO₂, no chamado cenário central.

Valor dos danos evitados

Bráulio Borges utilizou os dados de área que deixou de ser desmatada e CSC para estimar que a floresta em pé gerou R$ 1,16 trilhão em valor econômico dos danos climáticos globais que teriam sido evitados.

Uma estimativa mais conservadora aponta que esse benefício seria de R$ 621 bilhão, enquanto o cenário mais otimista leva a cifra a R$ 9,8 trilhões.

Trazendo os números para o Brasil, o estudo projeta benefícios de R$ 67 bilhões a R$ 192 bilhões.

“Em ambos os casos, trata-se de um benefício que se materializa majoritariamente sob a forma de danos evitados, menos perdas de safras, menor estresse térmico sobre a produtividade do trabalho, menos eventos extremos, entre outros”, descreve o economista.

Rios voadores

O pesquisador acrescenta que a estimativa não incorpora os efeitos diretos e regionais que o desmatamento da Amazônia exerce sobre o regime de chuvas, a temperatura e a disponibilidade de água no território brasileiro.

O analista contextualiza que a economia brasileira tem “enorme dependência” do insumo água/chuvas para geração hidrelétrica, agropecuária, abastecimento urbano etc.

Ele se utiliza de diversos estudos para assinalar valores aos chamados “rios voadores”, as correntes de umidade que, alimentadas pela evapotranspiração da floresta, transportam vapor d’água para o Centro-Oeste, o Sudeste e o Sul do país”.

Há pesquisas, cita o estudo, que fazem relação entre aumento de desmatamento e diminuição de chuvas proporcionadas pelos rios voadores.

“Valorando essa água pelo preço da água utilizada para irrigação na agricultura, os autores estimam que a chuva gerada pela Amazônia brasileira vale cerca de US$ 20 bilhões por ano, ou aproximadamente US$ 60 por hectare de floresta ao ano”, conclui Borges.

“A redução dos desmatamentos não é incompatível com a expansão da produção agropecuária, até porque, o próprio agronegócio é um dos principais beneficiários da chuva gerada pela floresta”, observa.

Borges ressalta que, diferentemente das emissões de GEE evitadas, o ganho capturado pelos rios voadores é constante, se repete indefinidamente enquanto a floresta permanecer em pé.

O economista pondera que os benefícios são ainda maiores, uma vez que não entram no cálculo os ganhos para a geração hidrelétrica, a navegação fluvial, a redução dos incêndios, a biodiversidade e o abastecimento urbano.

“O Sistema Cantareira, em São Paulo, está na rota dos rios voadores”, lembra. 

Sem remuneração

Bráulio Borges conclui que os benefícios globais gerados pelo fato de as florestas permanecerem em pé no Brasil são maiores que a remuneração que o país recebe de entidades internacionais e outros países.

Segundo ele, mecanismos como o Fundo Amazônia (que recebe doações de dentro e de fora do país), o mercado de crédito de carbono (compensação financeira para quem não emite ou captura GEE) e o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), lançado pelo Brasil na COP30, em Belém, no ano passado, vão na direção correta de monetizar a floresta em pé.

“Mas os valores envolvidos ainda são uma fração muito pequena dos ganhos estimados aqui”, pondera.

Sugestão

O economista sugere que formuladores de políticas públicas passem a incorporar explicitamente o conceito de Custo Social do Carbono nas análises de custo-benefício de políticas.

“Isso vale para obras de infraestrutura na Amazônia, para o planejamento da expansão do setor elétrico e para a calibração de tributos e subsídios. Sem isso, continuaremos tomando decisões com base em uma contabilidade que enxerga apenas metade do balanço”, diz. 

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Estiagem: governo federal reconhece emergência em municípios do Amapá

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O governo federal reconheceu nesta terça-feira (20) situação de emergência em 14 municípios do Amapá em decorrência da estiagem. O estado tem 16 cidades, ao todo.

A Portaria nº 3.595, da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, considera decreto do governo do Amapá, que trata da situação provocada pela falta de chuva.

O texto cita os seguintes municípios:

  1. Amapá;
  2. Calçoene;
  3. Ferreira Gomes;
  4. Itaubal;
  5. Laranjal do Jari;
  6. Macapá;
  7. Mazagão;
  8. Oiapoque;
  9. Pedra Branca do Amapari;
  10. Porto Grande;
  11. Pracuúba;
  12. Santana;
  13. Serra do Navio;
  14. Vitória do Jari.

Recursos 

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Em outras duas portarias, publicadas nessa segunda-feira (19), o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional autorizou a transferência de R$ 4,1 milhões para ações de Proteção e Defesa Civil no estado.

O governo do Amapá receberá R$ 3,18 milhões, enquanto o município de Tartarugalzinho terá R$ 945,8 mil. 

Os recursos serão destinados, em parcela única, a ações de resposta à estiagem e outros desastres. O prazo estabelecido para uso dos recursos é de 180 dias.

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Chuvas permanecem intensas nas regiões Norte e Nordeste

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A Zona de Convergência do Atlântico Sul permanece atuando sobre as regiões Norte, Nordeste e parte do Centro-Oeste, nesta terça-feira (20), informa o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

As chuvas se concentram principalmente no Amazonas, Acre, Roraima, Rondônia, centro-sul do Pará, norte e noroeste de Mato Grosso, Tocantins, centro-sul do Maranhão, oeste do Piauí e oeste e sul da Bahia.

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Na Região Norte, um aviso amarelo de perigo potencial alerta para chuvas intensas no Acre, no centro e norte de Rondônia, no Amazonas, no oeste e sul de Roraima, no centro e sul do Pará e no Tocantins. Também pode chover de forma isolada no Amapá.

Nas capitais, a temperatura permanece elevada, com mínima de 23°C em Rio Branco e máxima que pode chegar a 37°C em Boa Vista.

No Nordeste brasileiro, há aviso laranja de perigo para grandes acumulados de chuva no sul da Bahia, incluindo a região de Porto Seguro.  Outro aviso amarelo de perigo potencial alerta para chuvas intensas no centro e sul do Maranhão, no centro e sul do Piauí, no sudoeste de Pernambuco e em grande parte da Bahia.

Pode chover de forma isolada no noroeste do Maranhão, no centro do Piauí, no sudoeste e sul do Ceará e no oeste de Pernambuco, de Alagoas e de Sergipe. Entre as capitais, a temperatura mínima será de 23°C, em Maceió, e a máxima pode chegar a 39°C, em Teresina.

Para o Centro-Oeste do país, há aviso amarelo de perigo potencial que alerta para pancadas de chuva e trovoadas isoladas no norte de Mato Grosso e de Goiás. Também podem ocorrer chuvas isoladas no Distrito Federal e nas regiões central de Goiás e de Mato Grosso.

Os termômetros marcam, nas capitais, mínima de 16°C em Campo Grande e máxima de 36°C em Cuiabá.

Na Região Sudeste, o aviso amarelo de perigo potencial vigora para chuvas intensas na divisa de Minas Gerais com a Bahia e no norte do Espírito Santo. Há ainda a possibilidade de chuvas isoladas no norte e nordeste de Minas Gerais e no Espírito Santo.

As capitais registram a temperatura mínima de 13°C, em São Paulo, e máxima de 30°C, em Belo Horizonte.

No Sul brasileiro o tempo permanece ensolarado e frio, com possibilidade de geada no leste do Rio Grande do Sul e nas serras de Santa Catarina. A temperatura mínima, entre as capitais, será de 10°C em Porto Alegre e a máxima chega a 20°C nas três capitais.

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Confira o que muda no licenciamento ambiental da aquicultura

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Os aquicultores que cultivam peixe, crustáceos, moluscos, algas e outros seres vivos em ambientes controlados – como tanques e áreas delimitadas em rios e no mar –, terão novas regras de licenciamento ambiental a partir de abril de 2027.

Uma resolução aprovada pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) e publicada na última sexta-feira (16) modifica a forma como os empreendimentos são classificados e as regras para o licenciamento ambiental por porte de empreendimento e potencial poluidor.

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Atualmente, os empreendimentos são classificados por área que ocupam e se produzem espécies nativas ou exóticas. Com as mudanças, o volume de produção vai determinar se o empreendimento é de pequeno, médio ou grande porte, variando conforme a espécie cultivada.

A forma como será o processo de licenciamento vai depender do porte associado ao potencial poluidor do sistema de cultivo adotado pelo empreendimento.

Modalidades

Na prática, poderão realizar o processo de Licença por Adesão e Compromisso (LAC) autodeclaratório, os pequenos empreendimentos. Caracterizados como baixo potencial poluidor, englobam tanto os que produzem em sistema aberto – que lança a água utilizada em rios e no mar – quanto os sistemas fechados.

Já os empreendimentos de médio porte poderão emitir a licença por LAC apenas se fizerem uso de sistema fechado de cultivo, com baixo potencial poluidor. Os empreendimentos de médio porte com médio potencial poluidor, que fazem uso de sistema aberto de cultivo, terão que emitir o Licenciamento Ambiental Único (LAU).

Para esse grupo, os documentos exigidos são semelhantes aos do processo completo de licenciamento, mas a decisão sobre a análise se dá em uma única etapa.

Empreendimentos de grande porte com uso de sistema fechado com médio potencial poluidor, também poderão emitir o LAU.

Já os empreendimentos de grande porte com sistema aberto, e grande potencial poluidor, terão que passar pelo processo ordinário de licenciamento em três fases: licença prévia, de instalação e de operação.

Duas etapas do licenciamento podem ser aglutinadas em um processo bifásico, conforme o potencial poluidor da espécie cultivada. Por exemplo, o cultivo de algas em sistemas abertos tem menor risco de poluição do que de outras espécies como peixes, crustáceos e moluscos.

Casos específicos

O cultivo de espécies exóticas, alóctones (de outro habitat) ou híbridas não será considerado mais um fator que condiciona o procedimento do licenciamento, considerando que continuam obrigatórias as medidas específicas de prevenção e mitigação de potenciais impactos ambientais por escapes dessas espécies ao meio ambiente natural em que são cultivadas.

As novas regras não valerão para empreendimentos relativos à cultura de camarão em zona costeira, que são normatizados por instrumentos legais específicos.

 

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Incêndios avançam sobre o oeste do Pará e deixam ar insalubre

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Com 922 focos ativos, o Pará é o estado com mais ocorrências de incêndios florestais no país, de acordo com a plataforma Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). No vizinho Amazonas, atualmente estão ativos 90 focos, após o estado ter registrado mais de mil pontos de fogo este mês.

Enquanto a qualidade do ar em Manaus, na manhã desta segunda-feira (19), permanece classificada como insalubre, com índice de 153, segundo a plataforma IQAir; a cidade de Santarém, no oeste do Pará, registra o índice de 260, considerado muito insalubre.

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A estação na cidade do Pará registrou concentração de 185 microgramas por metro cúbico de material particulado fino, um tipo de poluição inalável e muito prejudicial à saúde. O limite usado atualmente pela legislação brasileira é uma média de 32 microgramas por metro cúbico ao longo de um dia.

No domingo (18), o ministro da Defesa, José Mucio Monteiro, informou que a força-tarefa que atua no enfrentamento aos incêndios florestais na região foi reforçada com a instalação de um Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, em Manaus, e a adaptação de mais 5 aviões para combate ao fogo, somando 16 aeronaves que atuam na região.

Nesta terça-feira (20), também está prevista a implantação de uma base da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) para reforçar a assistência à população atingida pela poluição.

Também foram disponibilizados pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) R$ 14 milhões ao Governo do Amazonas para ações relacionadas à situação de emergência.

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Sem educação, clima ou fome: O dito e não dito na propaganda eleitoral de Flávio Bolsonaro

Investigamos o que importa para os brasileiros além do que passa na campanha eleitoral. Leia mais reportagens como essa clicando aqui.

“A boca fala do que o coração está cheio”, diz o versículo 31 do capítulo 12 do livro bíblico de Mateus. E apesar de a fé ter entrado em cheio na campanha presidencial, a lição não parece ter sido colocada em prática pela propaganda eleitoral do candidato de extrema direita Flávio Bolsonaro (PL). Educação, fome, moradia, mobilidade e clima foram termos que nenhum dos guias de exibição gratuita na TV mencionaram ao longo de sua corrida presidencial. A palavra “constituição”, inclusive, não foi sequer mencionada pelo candidato em 14 inserções gratuitas até o momento.  

Segundo especialistas ouvidos pela Agência Pública, até então, o foco do discurso de Flávio Bolsonaro esteve em provocar comoção nos eleitores, através do medo e projetar força pessoal, através da autopromoção. 

A palavra “Brasil”, por exemplo, é a mais usada pela campanha do ultradireitista, numa frequência mais de 18 vezes superior a termos como “proposta(s)”. Embora faça parte do seu slogan “O Brasil vai Vencer”, “Brasil” também é usado conjuntamente a “Brasileiro(s)” e “Soberania” para criar sentido de pertencimento nacional, unidade, identidade coletiva e à defesa da nação. É o que diz a professora e pesquisadora em semiótica da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) Lilian Muneiro.

A responsabilidade pela elaboração do conteúdo dos guias – roteiro, cenário e edição, por exemplo – é integralmente do partido político. A legislação garante o espaço na programação de rádios e televisões, comerciais e públicas, para veiculação do guia ou propaganda eleitoral de candidatos a cargos estaduais, federais e presidência durante 70 minutos por dia, distribuídos entre os comerciais da emissora. 

O levantamento da Pública identificou as palavras mais repetidas por Flávio Bolsonaro nos 14 vídeos de seu guia eleitoral até agora. As peças estão disponíveis no perfil do candidato no YouTube e foram exibidas em rede nacional de 28 de agosto a 14 de outubro. O levantamento também identificou palavras que o candidato não citou, mesmo sendo assuntos de preocupação mundial. 

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Para a professora do Departamento de Letras da UFRN e pesquisadora em análise do discurso, Cellina Muniz, a escolha de palavras de Flávio Bolsonaro não deve ser interpretada como coincidência, pois para seu campo de estudos, as palavras que usamos não são só nossas, e carregam uma história. A construção narrativa visa projetar uma imagem de si “historicamente associada a regimes tipicamente autoritários. Governos totalitários, de diferentes posicionamentos ideológicos, sempre se pautaram na idolatria da figura mítica de um ‘chefe’ que tenta se afirmar simultaneamente como combatente e como guardião”, avalia.

Reprodução de vídeo de campanha de Flávio Bolsonaro
Reprodução de vídeo de campanha de Flávio Bolsonaro

O dito…

O termo “medo” aparece duas vezes mais que “esperança” nos guias eleitorais de Flávio Bolsonaro. “Esse discurso tenta comover seu público e construir sua adesão por meio do apelo emocional com a criação de um ‘inimigo’ a ser combatido (as milícias, o petismo etc.)”, avalia a professora Cellina Muniz.

“O Brasil nunca teve tanto medo”, disse o candidato no programa exibido no dia 1º de setembro, se referindo a grupos de facções espalhados pelo Brasil. “Comando Vermelho”, “facções”, “PCC” “organizações narcoterroristas” e “milícias” não são termos dos mais recorrentes no guia eleitoral, mas aparecem duas vezes mais que as palavras “democracia” e “paz” na mensagem passada aos eleitores.

Apesar do apelo ao medo, alguns fatos conectam o candidato ao universo que critica. Ainda em setembro, a revista piauí expôs que em 2023, o senador Flávio enviou emenda parlamentar para o Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (Ifop), uma ONG sediada na Taquara, reduto miliciano na Zona Oeste do Rio. O pedido partiu de Robson Calixto Fonseca, o “Peixe”, preso e condenado por agir como braço operacional da organização criminosa dos irmãos Brazão, os mandantes do assassinato de Marielle Franco. Peixe é apontado como o elo entre os Brazão e os milicianos da região de Jacarepaguá.

Em sua análise, a pesquisadora de semiótica Lilian Muneiro comentou que os vocábulos sobre segurança produzem juntos um “eixo de sentido associado à vulnerabilidade, ao risco, à necessidade de proteção e ao restabelecimento da ordem. Nesse conjunto, também é possível observar a dimensão passional do discurso”, afirma.

As escolhas do que compõe o discurso repetido de Flávio Bolsonaro também ajuda a indicar suas prioridades narrativas. O candidato do PL falou mais em picanha do que em Deus ou saúde durante a propaganda eleitoral. O termo “picanha” foi repetido sete vezes, e superou também os vocábulos “corrupção”, “trabalhador” e “escola”. “A picanha é o símbolo do velho, do que tem de mais velho na política, que a gente não aguenta mais, tem uma diferença fundamental entre o atual presidente e eu”, disse o candidato no vídeo veiculado uma semana antes do dia da votação.

“No conjunto dos termos e expressões que são reiterados na fala do candidato, constróem-se eixos discursivos que focam em uma ideia sem aprofundamento, imediatista, apressada e impregnada de um senso de urgência e de ‘medo’, que não dá conta nem explica o processo de construir um ‘Brasil’, como se um país continental pudesse se resumir a soluções simplistas e genéricas”, avalia especialista em semiótica e professora de ciências do consumo da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Jaqueline de Melo.

Outra palavra de grande incidência foi “mulher(es)”, a quinta mais citada. No discurso de Flávio Bolsonaro ela está constantemente relacionada a “mães”, como visto no primeiro programa do guia, exibido em 29 de agosto: “Quando eu aprendi com a minha mãe, que formou a minha visão de como as mulheres são. De como elas lideram de uma forma diferente. Em muitas coisas, muito melhor do que os homens”. “Família(s)” também ganhou destaque, sendo a oitava palavra mais citada.

A recorrência destes termos ligados ao feminino conotam um sentido de proteção, cuidado e à reprodução social, o que sugere uma valorização dos vínculos familiares, falou a pesquisadora Muneiro. Essa valorização não significa necessariamente uma relação harmônica na “vida real”. 

Em junho deste ano, a madrasta do candidato e senadora eleita, Michelle Bolsonaro (PL), publicou em suas redes sociais dois vídeos onde se dizia “apunhalada”, “humilhada” e “maltratada” por Flávio Bolsonaro. “Ele disse que seria melhor eu ficar fora das decisões do partido. Disse que eu havia chegado ontem e não entendia nada de política. Diante dessa humilhação, eu disse a ele que estava tudo bem. Entendi que ele não queria o meu apoio ou que este era insignificante. E então eu me recolhi”, disse a ex-primeira-dama no vídeo, que, semanas depois, fez nova publicação indicando reconciliação com o enteado.

Reprodução de vídeo publicado por Michelle Bolsonaro nas redes sociais
Reprodução de vídeo publicado por Michelle Bolsonaro nas redes sociais

…O não dito…

Um elemento do discurso que também é campo de estudo para analistas é o silêncio. “O não dito faz sentido também. Temas que são importantes para o cotidiano das pessoas não estão presentes, o que nos leva a entender não serem prioridades”, opina Lilian Muneiro. Cultura, Amazônia, meio ambiente, mobilidade urbana, moradia e clima são alguns dos termos tradicionais no debate democrático mas que não foram mencionados até agora pela propaganda eleitoral de Flávio Bolsonaro. 

Segundo pesquisa divulgada em setembro deste ano pela Ipsos, saúde, corrupção financeira/política, pobreza e desigualdade social, educação, mudanças climáticas e ameaças ao meio ambiente estão entre as dez principais preocupações dos brasileiros.

“A pergunta que me faço é: de que Brasil está se falando quando as palavras ‘ladrão’ e ‘bandido’ aparecem mais que as palavras ‘escola’ e ‘trabalhador’? Como é possível mencionar os termos ‘melhor’, ‘mudar’ e ‘futuro’, sem ao menos se referir a um projeto de ‘educação pública’ e de ‘oportunidades de emprego’ e ‘geração de renda?’”, reflete Jaqueline de Melo. 

As duas vezes em que cita o pai, o discurso de Flávio indica continuidade/referência do governo dele. “[…] gera mais empregos e o consumo aumenta. E o governo arrecada mais, taxando menos. Sem sufocar você. Isso já aconteceu com o Bolsonaro”, disse no programa exibido no dia 3 de setembro. 

O “sufoco”, no entanto, não se limita a questões de tributação, como o candidato faz parecer. No primeiro ano de governo, Jair Bolsonaro bloqueou R$ 5,839 bilhões de investimento na educação brasileira, o que levou os estudantes às ruas contra o congelamento. No âmbito do meio ambiente, em 2020 a Amazônia Legal teve 276 quilômetros quadrados de área desmatada, um aumento de 10% em relação a dezembro de 2019, segundo dados do Sistema de Alerta do Desmatamento. A gestão Bolsonaro também foi marcada pelo retorno do Brasil ao Mapa da Fome em 2021, de acordo com o relatório das Nações Unidas e a ameaça constante de direitos. 

Outra ausência notada foi a da palavra “agro”. Embora se diga aliado do Agronegócio, e seja apoiado por figuras do setor, como o presidente da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), deputado federal reeleito Pedro Lupion (Republicanos/PR), o candidato à presidência não fez nenhuma menção ao tema durante a propaganda eleitoral gratuita. Os termos “feminicídio” e “racismo” também ficaram de fora das peças de campanha do filho 01 de Jair Bolsonaro.

Nossa Senhora Aparecida estava entre os temas do programa de Flávio Bolsonaro exibido no dia 12 de outubro

…e o mutante

A propaganda eleitoral do segundo turno começou em 9 de outubro e, até agora, dois programas do candidato Flávio foram ao ar: um dia 12, outro dia 14 de outubro, e as palavras trazidas por elas mantêm a tônica do que é dito no primeiro turno. 

De novidade nos roteiros da propaganda eleitoral para a TV há termos curiosos, como “hospital”, ausente em todo o primeiro turno, e menções a programas do governo federal, como o Farmácia Popular e o Bolsa Família. 

O posicionamento é uma clara resposta à campanha do adversário petista, Lula, que prioriza esses mesmos temas e põe em xeque a manutenção do investimento deles em um eventual governo Flávio Bolsonaro. 

Essa estratégia fica evidente quando se percebe que Nossa Senhora Aparecida, protagonista da polêmica, que envolveu sua campanha, sobre a suposta alteração do título de “padroeira do Brasil” para “padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”, estava entre os temas do programa exibido no dia 12 de outubro, feriado nacional em homenagem à santa. 

O Farmácia Popular é um dos programas sociais protagonistas destas eleições, sendo usado pelas candidaturas de formas diferentes. A medida foi implementada em 2004 durante o primeiro mandato de Lula, que nessas eleições fala em dar continuidade à proposta. O programa conta com ampla aprovação da população, que, segundo uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira (14) pelo AtlasIntel/Bloomberg, é um acerto para 89% dos entrevistados.

Este programa também esteve na mira dos cortes orçamentários do mandato de Jair Bolsonaro, que em 2022 enviou ao congresso uma proposta que previa 59% de redução nos recursos do Farmácia Popular. Em seu plano de governo, Flávio não cita o programa social, mas no programa exibido no dia 12 de outubro, afirma que o Farmácia Popular “continua, claro”. 

Metodologia

  • Foram identificados os 14 vídeos institucionais que integraram o guia eleitoral de TV para a corrida presencial 2026 do candidato Flávio Bolsonaro;
  • As peças foram transcritas e analisadas de acordo com a densidade de vocábulos utilizados;
  • Conectores, artigos, preposições e pronomes foram excluídos do levantamento;
  • Variações de um mesmo termo, por gênero ou número, foram unidos para melhor refletir o sentido do discurso exibido no guia;
  • A partir da lista das 106 palavras mais recorrentes, a nuvem de palavras foi criada para representar as prioridades discursivas.

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Chuvas ficam mais intensas no Norte, Centro-Oeste e Sudeste do país

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Uma Zona de Convergência do Atlântico Sul, sistema meteorológico que forma um corredor de nuvens com chuvas intensas, deixa parte da Amazônia e do Sudeste do país em alerta amarelo de perigo potencial para tempestades, nesta segunda-feira (19), informa o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

Na Região Norte, chove com trovoadas no Amazonas, Acre, Rondônia, Roraima, no centro e sul do Pará e no Tocantins. Apenas no Amapá e na faixa litorânea do Pará não há previsão de chuva, mas pode haver nebulosidade.

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Entre as capitais, a temperatura mínima será de 24°C, em Palmas, e máxima de 36°C, em Porto Velho.

Centro-Oeste

No Centro-Oeste do país, chove com trovoada no noroeste e norte de Mato Grosso e no norte de Goiás. No centro de Mato Grosso, no centro de Goiás e no Distrito Federal o dia também será chuvoso.

Nas capitas a temperatura vai variar entre a mínima de 16°C, em Campo Grande, e a máxima de 34°C, em Cuiabá.

Sudeste

No Sudeste brasileiro, chove com trovoadas no extremo norte de Minas Gerais. A chuva será com menos intensidade no centro de Minas Gerais, inclusive Belo Horizonte, e no Espírito Santo. Já no oeste e sudeste de Minas Gerais e no leste do Rio de Janeiro a chance de chover é menor, mas não está descartada.

Os termômetros nas capitais vão da temperatura mínima de 14°C, em São Paulo, até a máxima de 30°C, em Belo Horizonte.

Nordeste

Na Região Nordeste, chove com trovoadas no sul do Maranhão, no centro-sul do Piauí, no sudoeste de Pernambuco e em grande parte da Bahia. Na região de Teresina, no Piauí, no sudoeste do Ceará, na região central de Pernambuco e no oeste de Alagoas e de Sergipe também pode chover de forma isolada.

Entre as capitais, a temperatura mínima será de 23°C, em Salvador, e a máxima chega a 38°C, em Teresina.

Sul

No Sul do país, as temperaturas permanecem baixas devido à atuação de uma massa de ar frio, que também mantém o tempo sem chuvas. Pode ocorrer formação de geada no norte do Rio Grande do Sul, nas serras e região central de Santa Catarina e no sudoeste, sul, centro e leste do Paraná.

Os termômetros continuam marcando temperaturas amenas nas capitais, variando da mínima de 9°C, em Porto Alegre, e máxima de 20°C, em Florianópolis. 

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COP17 da Biodiversidade começa segunda-feira na Armênia

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Representantes de mais de 200 países se reunirão a partir desta segunda-feira (16), na Armênia, na 17ª Conferência das Partes das Nações Unidas (COP17) da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB).

O encontro sobre ações de proteção e restauração da natureza ocorre na capital do país, Yerevan, até o próximo dia 30.

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Neste ano, será realizada a primeira revisão do Marco Global de Kunming-Montreal (GBF, na sigla em inglês), assinado por 196 países. O documento reúne 23 metas a serem alcançadas pelas nações até 2030.

A conferência é realizada a cada dois anos e tem como objetivo debater estratégias e firmar acordos para enfrentar a crise global da perda de biodiversidade.

Nesta sexta-feira (16), o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, fez um discurso sobre o relatório que avalia o progresso coletivo na implementação do GBF e que servirá como base para a revisão na COP17.

Guterres alertou que os compromissos assumidos para travar a perda de biodiversidade continuam longe de ser cumpridos. Ele também destacou avanços, como a definição de metas nacionais por quase todos os países signatários da convenção e a proteção legal de mais 1,3 milhão de quilômetros quadrados (km²) de território terrestre e de 6 milhões km² de áreas marinhas.

Por outro lado, no ritmo atual, em 2030, apenas 26% dos ecossistemas terrestres e 12% dos ecossistemas marinhos estarão protegidos, afirma Guterres. Por isso, o secretário-geral lembrou que é preciso acelerar e fazer o suficiente para que as promessas assumidas sejam cumpridas.

“Yerevan é o nosso momento de prestação de contas”, destacou Guterres.

Biodiversidade em risco

Uma análise realizada Global Cooperation Institute (GCI), a pedido do WWF, mostrou que a implementação está atrasada em relação a metas importantes. Além disso, o nível de ambição continua insuficiente em muitos países.

Os ambientalistas concluem que os modelos econômicos atuais contribuem não só para a perda de biodiversidade, mas também para as mudanças climáticas, a escassez de água, a insegurança alimentar e riscos à saúde.

O estudo mostrou ainda que países com alta biodiversidade frequentemente assumem custos significativos para conservar ecossistemas que geram benefícios globais. Por isso, é necessário um maior esforço das nações para tornar acessíveis o financiamento, a capacitação e a cooperação internacional.

De acordo com o relatório do GCI, os custos não contabilizados desses impactos são estimados em pelo menos US$ 10 trilhões a US$ 25 trilhões ao ano.

“A COP17 precisa levar os países a agir e implementar seus compromissos. Os benefícios da ação coletiva em favor da natureza são claros: maior resiliência ecológica, sistemas alimentares e hídricos mais seguros e menor vulnerabilidade econômica”, afirma a diretora-geral do WWF Internacional, Kirsten Schuijt.

 

São Paulo (SP), 12/11/2024 - zoológico de SP criou um inovador centro de conservação das ararinhas-azuis (espécie em risco de extinção) onde o visitante verá a reprodução do ambiente natural da ave. Diretor de cinema Carlos Saldanha participou do evento ( Animação RIO). Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil São Paulo (SP), 12/11/2024 - zoológico de SP criou um inovador centro de conservação das ararinhas-azuis (espécie em risco de extinção) onde o visitante verá a reprodução do ambiente natural da ave. Diretor de cinema Carlos Saldanha participou do evento ( Animação RIO). Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Zoológico de SP criou um inovador centro de conservação das ararinhas-azuis, espécie em risco de extinção. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Brasil

Representantes da delegação brasileira na COP17 consideram que o Brasil tem papel estratégico na implementação do Marco Global da Biodiversidade, seja pela vasta biodiversidade, seja pela contribuição com modelos exitosos de conservação da natureza, que podem ser adotados em escala global.

Um exemplo é o avanço da conectividade de áreas de conservação terrestres, de água doce e marinha, por meio de corredores verdes e azuis. O WWF-Brasil destacará esse tema nos debates da conferência, em busca do reconhecimento dessa ferramenta como elemento fundamental para manter a integridade dos ecossistemas, fortalecer sistemas de áreas protegidas e conservadas e garantir a sobrevivência das espécies.

“A conservação da biodiversidade exige olhar para além dos limites de áreas protegidas individuais e considerar os ecossistemas como sistemas interligados”, diz o diretor técnico de Biodiversidade do WWF-Brasil, Marcelo Oliveira.

A organização social pretende reforçar a proposta brasileira de incorporar a conectividade ecológica ao Programa de Trabalho sobre Áreas Protegidas, adotado desde 2004, na COP7, com o objetivo de criar e acompanhar redes globais de áreas protegidas.

“Proteger e reconectar paisagens terrestres, rios e ambientes marinhos e costeiros é fundamental para ampliar a efetividade da conservação e alcançar as metas de biodiversidade até 2030”, conclui Marcelo Oliveira.

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Rio: reserva marinha alia proteção ambiental com atividades econômicas

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A cidade do Rio de Janeiro agora conta com uma reserva de desenvolvimento sustentável de 3 mil hectares com

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Reserva marinha alia proteção ambiental com atividades econômicas. Divulgação do governo do estado do Rio Reserva marinha alia proteção ambiental com atividades econômicas. Divulgação do governo do estado do Rio
Reserva marinha alia proteção ambiental com atividades econômicas

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"É um passo fundamental para o cumprimento das metas que o Brasil aderiu em relação à Convenção para Proteção da Biodiversidade. São conhecidas como metas 30x30, que é ter 30% do seu território protegido dentro de unidades de conservação", afirma o secretário estadual do Ambiente e Sustentabilidade, Rodrigo

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 Mascarenhas.

Estabelecida na COP-15 da Biodiversidade, em Montreal, no Canadá, em 2022, a meta 30x30 prevê que 30% da superfície terrestre, mar e águas interiores do país façam parte de unidades de conservação, até 2030.

"É uma meta que o Estado já alcançou no que se refere à proteção da parte terrestre do seu território. A outra meta é de ter 30% das águas jurisdicionais de cada país, também protegidas", destaca o secretário.

A categoria de Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) permite conciliar a conservação com as atividades tradicionais.

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 De acordo com o projeto Ilhas do Rio, mantido por uma organização da sociedade civil, que participou da criação da unidade de conservação,

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 as comunidades pesqueiras participam da gestão da área.

Além disso, estão previstas ações como monitoramento participativo dos recursos pesqueiros e dos ecossistemas, pesquisas científicas, educação ambiental, fiscalização reforçada e desenvolvimento ordenado do ecoturismo e da visitação, segundo o Ilhas do Rio.

Levantamento

Estudo técnico feito pelo

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 Ilhas do Rio

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  para embasar a criação da reserva identificou, por exemplo, 102 espécies de peixes que habitam recifes de corais, das quais três são endêmicas do país. Trinta e nove espécies do ecossistema da região são de interesse de pescadores, como garoupas (Epinephelus sp.), corvinas (Micropogonias furnieri), sargos (Anisotremus surinamensis), robalos

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  (Centropomus sp.) e xaréus (família Carangidae).

Também foram identificadas 143 espécies de organismos que vivem no leito do mar, os chamados seres bentônicos, como polvos e lagostas de alto valor pesqueiro. Nesse ambiente, ainda foram

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 encontradas espécies ameaçadas de extinção, como o coral-cérebro (Mussismilia hispida), a estrela-do-mar Astropecten brasiliensis e o ouriço-lilás (Lytechinus variegatus).

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"Esses estudos mostraram que a região, as ilhas, os costões rochosos, áreas rasas, elas são muito importantes para as espécies de peixe, por exemplo, espécies ameaçadas como garoupas e chernes [Hyporthodus niveatus], são

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 locais onde aquelas espécies estão se reproduzindo. Ao mesmo tempo, a gente tinha esse conhecimento que existiam as comunidades locais de pesca tradicional, que tinham aquilo ali como um território de pesca. Então, é muito importante você balancear e entender quem são as pessoas que dependem daquele território e proteger esses usos também", explica a gerente de pesquisas do Ilhas do Rio, Aline Aguiar.

Nessa parte do litoral também transitam espécies ameaçadas como a

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 cabeçuda (Caretta caretta), de pente (Eretmochelys imbricata), oliva (Lepidochelys olivacea) e de couro (Dermochelys coriacea).

Há também aves ameaçadas que frequentam o local, como o trinta-réis-de-bico-vermelho (Sterna hirundinacea) e trinta-réis-de-bando (Thalasseus acuflavidus), e invertebrados

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 como a borboleta-da-praia (Parides ascanius) e a formiga Atta robusta.

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 Segundo o governo fluminense, o nome Urupirá resgata a memória histórico-cultural da região. De origem indígena, a palavra é uma designação ancestral atribuída à atual Ilha das Palmas e remete à expressão “cesto do peixe”, em referência à identidade pesqueira do território.
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Chuvas provocam alagamentos e deslizamentos pelo interior paulista

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As fortes chuvas que atingiram o estado de São Paulo nas últimas horas provocaram alagamentos, queda de árvores, deslizamentos de terra e até interdições de rodovias em diversos municípios paulistas.

Apesar das várias ocorrências, a Defesa Civil do estado de São Paulo informou que não houve registro de feridos.

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Em São Sebastião, no litoral paulista, foram registradas fortes chuvas e rajadas de vento, que ocasionaram a queda da cobertura da garagem da empresa de transporte público da cidade.

Uma das cidades que também sofreu com o temporal foi Presidente Prudente. Segundo informações da Defesa Civil do estado de São Paulo, as chuvas provocaram um deslizamento de terra nas proximidades da Avenida Miguel Damha, no sentido da Rodovia Júlio Budisk, com rompimento de uma tubulação de água. O local precisou ser interditado preventivamente.

Em Itapevi, a chuva causou diversos pontos de alagamento e também o escorregamento de um muro no Bairro Colinas de São José. Segundo a Defesa Civil, não houve vítimas.

Em São Luiz do Paraitinga, uma descarga elétrica provocou a morte de oito bovinos. As chuvas também contribuíram para um deslizamento de terra na Rodovia Oswaldo Cruz, na altura do quilômetro 42, provocando a interdição parcial da pista.

Na cidade de Jundiaí, houve quedas de muros e de árvores e um deslizamento de terra no acostamento da Rodovia Vereador Geraldo Dias.

Em Paulicéia, além dos pontos de alagamento, as chuvas contribuíram para a erosão da cabeceira de uma ponte que liga o município ao Balneário Municipal, que foi interditada parcialmente.

Já na cidade de Estiva Gerbi, uma árvore caiu sobre a fiação elétrica e ocasionou a queda de um poste de energia sobre dois carros. Não houve vítimas, mas o município enfrentou falta de energia.

Em Jaú, a enxurrada provocou o carreamento de parte do pavimento asfáltico e foi necessária uma interdição parcial do local.

Na cidade de Arujá, duas residências foram afetadas pela queda de um muro no Condomínio Vila dos Ipês.

Previsão

Segundo a Defesa Civil, o estado ainda deverá enfrentar pancadas de chuva leve ou moderada no decorrer deste sábado. A maior possibilidade de chuvas ocorre principalmente na Baixada Santista e em áreas próximas à divisa com o estado de Minas Gerais. A tendência, no entanto, é de volumes de chuva mais baixos e de menor abrangência.

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Desmatamento cai 41,8% na Amazônia e 23,8% no Cerrado em um ano

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O desmatamento caiu 41,8% na Amazônia e 23,8% no Cerrado entre agosto de 2025 e julho de 2026, na comparação com os 12 meses anteriores, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (16) pelo governo federal com base no monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Com a queda, o desmatamento nos dois biomas em um ano chegou às menores extensões das séries históricas. Veja abaixo:

  • Amazônia: de 5.731 km² para 3.335 km², a menor área desde 1988;
  • Cerrado: de 7.235,27 km² para 5.516,69 km², a menor área desde 2001.

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>> Confira aqui os dados completos por estado

O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, comemorou os números, que classificou como "um sonho para ambientalistas como ele".

“Quantas vezes não ouvimos essa frase de que é impossível obter o desmatamento zero? Estamos trazendo resultados concretos para os biomas Amazônia e Cerrado”, disse.

Segundo ele, a redução gradativa, ano a ano, pode ser explicada com base em três “pilares essenciais”, que garantem a execução de políticas de combate ao desmatamento.

O ministro descreve que o primeiro pilar é seguir a ciência, respeitando dados e estudos; o segundo é a democracia, trazendo a sociedade para participar dos debates, com conselhos estaduais e municipais; e o terceiro pilar é o pacto federativo, com prefeitos e governadores aderindo ao plano de combate ao desmatamento, não importando o partido ou se são políticos de oposição ou da base do governo federal.

 

Carolina MA), 12/10/2025 – Vista do Rio Itapecuru. em meio à vegetação do cerrado, que abastace mais de 50 municípios do Maranhão. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil Carolina MA), 12/10/2025 – Vista do Rio Itapecuru. em meio à vegetação do cerrado, que abastace mais de 50 municípios do Maranhão. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Vista do Rio Itapecuru, que abastace mais de 50 municípios do Maranhão. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, também reforçou a importância da integração entre todos esses fatores.

“Houve uma coordenação ministerial eficaz para contribuir com esse resultado. Houve cooperação com estados e municípios e participação da sociedade. Foi um jogo de ganha-ganha. Todo mundo trabalhou”.

O governo federal acrescenta que, entre as ações que contribuíram para a queda no desmatamento, estão o fortalecimento das operações da Polícia Federal, com quase 8 mil inquéritos instaurados sobre crimes contra o meio ambiente entre 2023 e 2026.

Também foi citado o aumento do investimento no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a criação de 18 novas unidades de conservação e a homologação de 20 terras indígenas.

Agronegócio

Na opinião do ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, o mercado exportador do agronegócio nacional é o maior beneficiário da redução do desmatamento. Ele cita a exigência cada vez maior de vários países e blocos de países de que seus parceiros comerciais promovam uma agricultura sustentável.

André de Paula citou como exemplo a União Europeia, que proíbe a entrada de produtos oriundos de áreas desmatadas.

“Esse é um passaporte para entregar os produtos brasileiros. Sem esses números, seria muito difícil comercializar os produtos brasileiros no mundo”.

Segundo ele, o Brasil superou os Estados Unidos em 2026 e se tornou o maior exportador de alimentos do mundo.

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Manaus é capital com maior poluição atmosférica do país nesta sexta

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Manaus voltou a registrar a pior qualidade do ar entre as capitais brasileiras na manhã desta sexta-feira (16) por causa da fumaça provocada por queimadas.

Por volta das seis horas da manhã, a plataforma internacional IQAir registrou índice de qualidade do ar de 167, classificado como insalubre. Com isso, a capital amazonense voltou ao primeiro lugar no ranking de capitais com maior poluição atmosférica do país, após ter apresentado melhora nos índices no dia anterior.

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O sistema eletrônico de vigilância ambiental da Universidade do Estado do Amazonas também apontou agravamento da situação. Na maior parte da cidade, a qualidade do ar variava entre as categorias muito ruim e péssima.

No bairro Aleixo, na zona centro-sul, a concentração de partículas chegou a 139,6 microgramas por metro cúbico, considerado péssimo. Já no bairro Tarumã, na zona oeste, o índice era de 39 microgramas por metro cúbico, considerado moderado.

Por causa da piora da qualidade do ar, as aulas presenciais da rede municipal de ensino foram suspensas nesta sexta-feira como medida preventiva para reduzir a exposição de alunos e profissionais da educação à fumaça.

A Universidade do Estado do Amazonas também suspendeu as aulas e as demais atividades acadêmicas presenciais em todas as unidades, na capital e no interior, durante os três turnos. Na universidade, parte das atividades administrativas passou a ser realizada remotamente.

Saúde

A fumaça que atinge Manaus é resultado de queimadas no interior do Amazonas e em estados vizinhos, como Rondônia, Pará e Mato Grosso. As partículas liberadas pelo fogo podem permanecer suspensas no ar por vários dias e ser transportadas pelo vento por longas distâncias. A falta de chuvas também contribui para a permanência dos poluentes na atmosfera.

O avanço das queimadas levou o governo federal a reforçar o monitoramento dos impactos sobre a saúde da população amazonense.

Segundo o Ministério da Saúde, 12 municípios já foram identificados como necessitados de algum tipo de apoio nos serviços de saúde. Equipes da Força Nacional do SUS, em articulação com as autoridades sanitárias do estado e dos municípios, realizam diagnóstico da situação da rede de atendimento.

O Ministério da Saúde também avalia o consumo e a capacidade de fornecimento de oxigênio nas unidades de saúde, incluindo os distritos sanitários especiais indígenas. O objetivo é preparar a rede para eventuais emergências e garantir a disponibilidade de insumos essenciais.

Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças pré-existentes estão entre os grupos que exigem maior atenção, já que a exposição à fumaça pode agravar problemas respiratórios e cardiovasculares.

No combate aos incêndios, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) informou que extinguiu 303 focos de incêndio no Amazonas desde o início das operações.

Para reforçar o trabalho, 11 aeronaves foram disponibilizadas, entre aviões de combate direto ao fogo, helicópteros e uma aeronave de apoio logístico. Entre os equipamentos, estão seis aviões Air Tractor e um avião KC-390 mobilizado pelo Ministério da Defesa para o lançamento de grandes volumes de água.

No dia 10 de outubro, o governo do estado decretou situação de emergência em cerca de 36 municípios por causa das queimadas.
 

Ouça na Radioagência 


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Cidade de São Paulo terá mais chuvas nesta sexta-feira

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A madrugada desta sexta-feira (16) no estado de São Paulo foi marcada por chuva forte, raios e rajadas de vento, além de granizo em algumas localidades. Entre as 2h e 5h horas da manhã, a Defesa Civil do estado emitiu 15 alertas preventivos.

Os avisos abrangeram municípios das regiões de Avaré e Botucatu, Campinas, Registro e Vale do Ribeira, região metropolitana da capital, litoral paulista, Bragança Paulista, Vale do Paraíba e litoral norte.

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Por volta das 2h30, a região da Água Espraiada entrou em alerta para transbordamento. Às 4h19, a subprefeitura do Ipiranga entrou em estado de alerta em razão do extravasamento do Ribeirão dos Meninos. Até o momento, a Defesa Civil não obteve relatos de ocorrências graves.

Nas últimas 24 horas, diversas cidades do estado registram grandes índices de acúmulo de chuva. O município de Diadema concentrou 64mm de chuva, Arujá teve 58mm e Taboão da Serra, 57mm.

Foram enviados 10 alertas por SMS e cinco por Cell Broadcast, sistema que permite o envio de mensagens diretamente aos celulares em áreas sob risco.

Previsão para o dia

De acordo com a Defesa Civil, o tempo deve permanecer instável ao longo desta sexta-feira (16). São esperadas pancadas de chuva isoladas, que podem vir acompanhadas de rajadas de vento e descargas elétricas.

Na faixa leste paulista e nas regiões próximas à divisa com Minas Gerais, a atenção deve ser redobrada. Nesses locais, o solo encharcado aumenta o risco de alagamentos, enxurradas e elevação dos níveis de rios e córregos. Nas demais regiões do estado, as chuvas apresentam menor potencial para provocar transtornos.

Confira mais detalhes sobre a situação das chuvas em São Paulo no Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil

*Estagiário da Agência Brasil sob supervisão de Odair Braz Junior

 

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Focos de incêndio no Amazonas diminuem após ação de força-tarefa

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Mais de 300 focos de incêndio florestal foram extintos, nos últimos cinco dias, pelas equipes da força-tarefa que atuam no combate às chamas que atingem o Amazonas.

Após o pico de 494 novos focos, no dia 10 de outubro, o estado registra nesta sexta-feira (16) 188 focos de incêndio, segundo o painel Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

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De acordo com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, atuam na força-tarefa 330 brigadistas em equipes coordenadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Também foram deslocadas para o estado 11 aeronaves, além de 32 veículos terrestres e oito embarcações.

Segundo o ministro do MMA, João Paulo Capobianco, ao focos resultam de ação humana intencional e as polícias Federal, Rodoviária Federal e Civil do Amazonas já investigam a origem dos incêndios.

Entenda

A diretora de Ciência do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), Ane Alencar, explica que quase a totalidade dos incêndios na Amazônia têm origem na ação humana.

“A única forma natural de ignição para incêndios na Amazônia são os raios, mas normalmente quando eles acontecem, está chovendo e a vegetação está úmida, então é muito difícil carregar um fogo, tem que ter uma condição muito especial”, explica.

Em regra geral, o uso do fogo na vegetação é proibido pela legislação brasileira, salvo em exceções previstas em lei, como a Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo, que exigem autorizações e condições legais.

O período de estiagem na Amazônia, de agosto até novembro, é quando a vegetação fica mais propensa a propagação do fogo, por isso historicamente é o período em que a região mais sofre com incêndios florestais. Neste ano, no entanto, o dado aumentou pois a base de comparação em 2025 teve redução dos focos.

“Ano passado foi o ano que a gente menos teve fogo na Amazônia como um todo, na série histórica. Então, neste ano a gente teve um aumento, mas esse aumento, quando a gente compara com os meses de agosto a outubro de outros anos, a gente teve anos anteriores com muito mais fogo”, explica Ane Alencar.

El Niño

A atuação de um super El Niño em 2026 agrava ainda mais a situação dos incêndios em toda a região amazônica. O fenômeno se caracteriza pelo aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico Tropical e torna os volumes de chuvas irregulares.

Para Ane Alencar, todos esses fatores contribuíram para que os focos de incêndio aumentassem:

“A gente está tendo um momento da influência do El Niño, em uma região onde passamos por um período em que o fogo tende à propagação. E, eu não sei se é uma coincidência ou não, mas as pessoas começaram a usar mais o fogo depois das eleições.”

Grilagem

As imagens de satélite analisadas pela pesquisadora mostram que, nos 19 municípios próximos a Manaus, onde estão concentrados os focos, são áreas de floresta – seja floresta alagada, seja floresta de terra firme –, em terras públicas ainda não destinadas a cumprir função socioambiental.

“Então, aí tem um indício forte de grilagem que pode estar incentivando esse processo de geração desses focos”, explica.

A pesquisadora Ane alerta que nos próximos meses é preciso controlar ainda mais novas fontes de ignição, porque a região estará mais seca e os efeitos do El Niño estarão mais intensos.

“A gente começa a sentir os efeitos do El Niño a partir de agora, nessa região centro-norte da Amazônia. Então, a partir de agora, essa região de Manaus, de Santarém, do nordeste paraense, do norte do Maranhão, Amapá, Roraima, todas essas áreas vão sofrer bastante”, conclui.

Saiba mais sobre a situação da qualidade do ar em Manaus no Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil

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Formação de ciclone próximo à Região Sul traz ventos costeiros

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A formação de um ciclone extratropical próximo à costa da Região Sul, nesta sexta-feira (16), pode ocasionar ventos costeiros intensos no litoral da região e favorecer o avanço de ar frio sobre o centro-sul do Brasil.

Na Região Sul, um aviso amarelo de perigo potencial alerta para ventos costeiros em toda a faixa litorânea do Rio Grande do Sul e no litoral de Santa Catarina até a região de Florianópolis.

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Com a entrada de ar mais seco e frio, a nebulosidade diminui e o sol predomina, principalmente no oeste do Rio Grande do Sul. Já os termômetros continuam marcando temperaturas amenas. A mínima será de 13°C, em Curitiba, e a máxima não ultrapassa 22°C, em Florianópolis.

No Sudeste do país, as condições de chuvas com trovoadas continuam. Um aviso laranja de perigo alerta para tempestades no Triângulo Mineiro, no centro, sul e sudeste de Minas Gerais, no centro e sul do Espírito Santo, em todo o estado do Rio de Janeiro e nas porções norte e leste de São Paulo.

A massa de ar seco e frio proveniente da Região Sul começa a diminuir o volume de chuvas em São Paulo e no Triângulo Mineiro, somente durante a noite. Nas capitais, a mínima será de 15°C, em São Paulo, e a máxima de 30°C no Rio de Janeiro.

No Centro-Oeste, há um aviso laranja de perigo para tempestades no sul de Goiás e aviso amarelo de perigo potencial para tempestades no noroeste, norte, centro e leste de Mato Grosso, no leste de Mato Grosso do Sul, no Distrito Federal e nas demais áreas de Goiás.

As temperaturas apresentam tendência de queda na região e, entre as capitais, a mínima será de 18°C, em Campo Grande, e a máxima de 30°C, em Goiânia.

Na Região Nordeste, um aviso amarelo de perigo potencial alerta para tempestades no oeste, centro e sul da Bahia, incluindo áreas em torno de Salvador. Também deve chover no centro e sul do Maranhão e no sudoeste do Piauí.

Entre as capitais, a temperatura mínima será de 22°C, em Maceió, e a máxima será de 39°C, em Teresina.

Na Região Norte, um aviso amarelo de perigo potencial alerta para tempestades no Amazonas, em Rondônia, no Acre, no sul do Pará e no centro e sul do Tocantins. Também pode chover de forma isolada no centro do Pará, no norte do Tocantins e em Roraima.

A temperatura nas capitais varia entre a mínima de 24°C, em Rio Branco, e a máxima de 37°C, em Palmas.

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