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Câncer de pulmão: quem deve procurar avaliação médica mesmo sem sintomas

A repercussão das notícias sobre o câncer de pulmão do papa Leão XIV chamou a atenção para a importância do diagnóstico precoce da doença, que pode evoluir sem apresentar sintomas nas fases iniciais.

Pessoas com histórico significativo de tabagismo, especialmente entre 50 e 80 anos, devem procurar avaliação médica para verificar a necessidade de rastreamento. A orientação é do radiologista Antonio Azevedo, do Centro Diagnóstico Lucilo Ávila (CDLA), que ressalta a importância de avaliar individualmente o risco de cada paciente e a indicação de exames de imagem.

O tabagismo é o principal fator de risco para o câncer de pulmão. A probabilidade de desenvolver a doença aumenta conforme a quantidade de cigarros consumidos, o tempo de exposição e a idade. Mesmo quem deixou de fumar continua sujeito aos efeitos da exposição acumulada ao longo dos anos.

Outros fatores também podem contribuir para o desenvolvimento da doença, como o fumo passivo, a exposição ocupacional ao amianto e à sílica, a poluição do ar e o histórico familiar. Pessoas que nunca fumaram também podem desenvolver câncer de pulmão.

“Parar de fumar reduz progressivamente o risco de câncer de pulmão e traz benefícios importantes para a saúde, mas não elimina imediatamente o risco acumulado durante os anos de exposição”, explica Antonio Azevedo.

Tomografia ajuda na detecção precoce

O rastreamento busca identificar uma doença antes do aparecimento dos sintomas. Para pessoas com maior risco de desenvolver câncer de pulmão, a tomografia computadorizada de baixa dose (TCBD) é o principal exame utilizado nessa estratégia. O procedimento utiliza menos radiação do que a tomografia convencional de tórax e permite identificar pequenos nódulos e outras alterações pulmonares.

“O câncer de pulmão pode crescer durante um período sem produzir manifestações clínicas. A tomografia de baixa dose permite visualizar pequenos nódulos e outras alterações pulmonares que não seriam identificados por sintomas ou, em alguns casos, pela radiografia convencional”, afirma o radiologista.

Estudos internacionais apontam que o rastreamento com tomografia de baixa dose pode reduzir a mortalidade pela doença em grupos selecionados de alto risco. Quando o câncer é identificado em estágio inicial, aumentam as possibilidades de tratamentos com intenção curativa, como cirurgia e, em situações específicas, radioterapia.

Quem deve procurar avaliação?

A Força-Tarefa de Serviços Preventivos dos Estados Unidos (USPSTF) recomenda o rastreamento anual com tomografia de baixa dose para pessoas entre 50 e 80 anos que tenham histórico de pelo menos 20 maços-ano de tabagismo e que ainda fumem ou tenham parado de fumar há menos de 15 anos.

A medida de maços-ano é calculada multiplicando a quantidade média de maços de cigarros consumidos por dia pelo número de anos de tabagismo. Uma pessoa que fumou um maço por dia durante 20 anos, por exemplo, acumula 20 maços-ano.

Esses critérios são referências internacionais e não significam que todos os pacientes nessa faixa etária devam realizar o exame. No Brasil, o Ministério da Saúde e o Instituto Nacional de Câncer (INCA) não recomendam o rastreamento populacional do câncer de pulmão como política pública nacional.

A decisão deve considerar o histórico clínico, os fatores de risco e os possíveis benefícios e danos do procedimento. Entre os riscos estão resultados falso-positivos, exposição à radiação e a realização de exames complementares ou procedimentos desnecessários.

“Ter histórico familiar ou exposição ocupacional, isoladamente, não significa que a pessoa tenha indicação automática para tomografia de baixa dose periódica. As evidências que demonstram redução da mortalidade com o rastreamento são mais sólidas para grupos selecionados principalmente pelo histórico de tabagismo”, esclarece Antonio Azevedo.

Quais são os sinais de alerta?

Embora o câncer de pulmão possa não apresentar sintomas no início, algumas manifestações exigem investigação médica. Entre elas estão tosse persistente, sangue no escarro, falta de ar progressiva, dor no peito, rouquidão sem causa esclarecida, perda de peso inexplicada e infecções respiratórias recorrentes.

O diagnóstico costuma ocorrer em estágios avançados, em parte porque os sintomas podem demorar a aparecer ou ser confundidos com manifestações de outras doenças respiratórias.

Por isso, é importante diferenciar o rastreamento, realizado em pessoas sem sintomas que atendem a critérios específicos de risco, da investigação diagnóstica, indicada quando há sinais ou sintomas suspeitos.

“A ausência de sintomas não significa necessariamente ausência de doença. O câncer de pulmão pode permanecer silencioso nas fases iniciais, e esperar o aparecimento de manifestações clínicas pode atrasar o diagnóstico”, alerta o radiologista.

Pessoas com histórico importante de tabagismo devem procurar um médico, preferencialmente um pneumologista, para avaliar o risco individual e verificar a necessidade de exames. Já quem apresenta sintomas suspeitos deve buscar atendimento médico sem demora, independentemente da idade ou do histórico de tabagismo.

A prevenção também envolve evitar o cigarro e buscar apoio profissional para abandonar o hábito. Para quem já fumou por muitos anos, a orientação é conversar com um profissional de saúde sobre os riscos individuais e a eventual indicação de rastreamento.

“A principal orientação é que a prevenção e o diagnóstico precoce devem caminhar juntos. Não fumar e buscar apoio profissional para abandonar o cigarro são medidas essenciais. Para quem tem histórico importante de tabagismo, a recomendação é conversar com um profissional de saúde sobre o risco individual e a eventual indicação de rastreamento”, conclui Antonio Azevedo.

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© Foto: Divulgação

Dr. Antonio Azevedo, do Centro Diagnóstico Lucilo Ávila (CDLA)
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Mondim de Basto acolhe Feira da Saúde com diversas atividades

VTM

A Câmara Municipal de Mondim de Basto organiza a primeira edição da Feira da Saúde, que terá lugar nos dias 22 e 23 de outubro. O evento contará com um programa diversificado que inclui rastreios, conversas temáticas, showcooking, atividades para crianças, dádiva de sangue e desporto.

A abertura oficial está agendada para as 10h00 do dia 22 de outubro e será presidida por Bruno Ferreira, Presidente da Câmara Municipal de Mondim de Basto, e Pedro Cunha, Presidente do Conselho de Administração da ULS Alto Ave. O primeiro dia inicia-se com uma mesa-redonda intitulada «Esperança com Nome e Rosto», focada na prevenção do cancro.

O showcooking «Do Saudável ao Saboroso» será conduzido pelo chefe Fábio Bernardino, que demonstrará como é possível aliar uma alimentação equilibrada a refeições saborosas. Durante a tarde do primeiro dia, haverá atividades dedicadas à saúde infantil, incluindo o teatro «Pastilhas no Reino dos Sorrisos» e a iniciativa «Dentinho Feliz», centrada na saúde oral.

Na sexta-feira, dia 23 de outubro, as atividades começam às 09h30 com o teatro infantil «O Mistério da Água na Quinta da Tia Nini». O programa inclui várias conversas com especialistas sobre alimentação e saúde pública. Entre os temas abordados estarão as dietas da moda e a preparação de lancheiras saudáveis para crianças.

Os rastreios de saúde decorrerão nos dois dias entre as 10h30 e as 17h00 sob o lema «Prevenir, Avaliar e Cuidar», reforçando a importância da deteção precoce e do acompanhamento regular da saúde. Além disso, haverá uma campanha de dádiva de sangue na sexta-feira entre as 09h00 e as 12h30 e das 14h00 às 16h00.

O evento culminará com a «Caminhada/Corrida – Juntos pela Saúde», marcada para as 19h00 do dia 23. A Feira da Saúde visa promover uma cultura de prevenção junto da comunidade através do esclarecimento de dúvidas e contacto com especialistas na área da saúde.

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