É precisamente por isso que o rastreio é tão importante: procura alterações numa fase em que ainda não há sintomas, quando as opções de tratamento são, em geral, mais simples e eficazes.
Em Portugal, o cancro da mama é o tumor maligno mais frequente nas mulheres. Todos os anos são diagnosticados cerca de 9.000 novos casos e mais de 2.000 mulheres morrem da doença. Estes números lembram-nos que não basta confiar na ausência de sintomas.
Desde 2025, o programa organizado de rastreio do Serviço Nacional de Saúde abrange mulheres sem sinais ou sintomas, entre os 45 e os 74 anos, através de mamografia realizada de dois em dois anos. Entre 1990 e 2024, foram feitas mais de seis milhões de mamografias no âmbito do programa, tendo sido identificadas cerca de 36.000 mulheres com alterações suspeitas, encaminhadas para avaliação médica.
Uma imagem suspeita não significa necessariamente cancro. Significa que é preciso esclarecer o achado com outros exames ou, quando indicado, uma biópsia. O objetivo é não deixar passar uma doença potencialmente curável numa fase inicial. O diagnóstico precoce pode permitir tratamentos menos agressivos, cirurgias mais conservadoras e maior probabilidade de cura.
O rastreio destina-se a mulheres sem sintomas. Um nódulo novo, retração da pele ou do mamilo, alteração persistente do contorno da mama ou saída de sangue pelo mamilo deve motivar observação médica, sem esperar pela próxima convocatória.
Há ainda situações que exigem um plano individual: história familiar importante, mutações como BRCA1 ou BRCA2, radioterapia prévia no tórax ou mamas densas. Nestes casos, a idade de início e os exames adequados podem ser diferentes. A densidade mamária pode dificultar a deteção de algumas lesões e deve ser discutida com o médico.
A prevenção começa também no quotidiano: manter um peso saudável, praticar atividade física, moderar o consumo de álcool e não fumar. Estas medidas não eliminam o risco, mas ajudam a reduzi-lo.
Participar no rastreio é um gesto simples de cuidado individual e coletivo. Uma mamografia pode não mudar o dia de hoje – mas pode mudar decisivamente o futuro.
Duas mulheres de 45 anos procuram atendimento médico para saber quando devem realizar a próxima mamografia. A primeira não apresenta histórico familiar de câncer de mama nem outros fatores relevantes de risco. A segunda tem mãe e irmã diagnosticadas com a doença antes dos 50 anos. Embora tenham a mesma idade, suas necessidades de acompanhamento podem ser bastante diferentes.
Esse exemplo ilustra uma questão fundamental na medicina contemporânea: não basta perguntar quando uma mulher deve começar a fazer mamografia. É igualmente importante compreender qual é o seu risco individual de desenvolver câncer de mama.
A idade continua sendo um dos principais fatores de risco, mas não é o único. Histórico familiar, predisposição genética, antecedentes pessoais, densidade mamária e determinados tratamentos realizados no passado podem modificar as recomendações de acompanhamento.
Isso não significa abandonar as diretrizes de rastreamento. Significa reconhecer que elas são o ponto de partida para um cuidado mais individualizado.
Por que a idade não conta toda a história?
O rastreamento do câncer de mama é uma estratégia de saúde pública destinada a identificar a doença em mulheres sem sintomas, preferencialmente em fases iniciais, quando existem maiores possibilidades de tratamento eficaz.
No Brasil, o Ministério da Saúde atualizou, em 2025, suas orientações para o rastreamento mamográfico no Sistema Único de Saúde (SUS), estabelecendo como faixa prioritária a de mulheres entre 50 e 74 anos, com exames a cada dois anos. Para mulheres entre 40 e 49 anos, a realização da mamografia também deve ser considerada mediante informação sobre seus benefícios e possíveis riscos.
As recomendações internacionais não são inteiramente uniformes. Nos Estados Unidos, a US Preventive Services Task Force recomenda mamografia bienal dos 40 aos 74 anos, enquanto outras sociedades científicas adotam intervalos diferentes.
Essa diversidade de orientações não representa necessariamente uma contradição científica. Reflete diferentes interpretações sobre o equilíbrio entre benefícios, riscos e características das populações avaliadas.
A mamografia é um exame essencial para a detecção precoce, mas apresenta limitações. Pode produzir resultados falso-positivos, gerar investigações adicionais e identificar lesões que talvez nunca causassem manifestações clínicas, fenômeno conhecido como sobrediagnóstico.
Por outro lado, algumas mulheres apresentam risco elevado o suficiente para justificar acompanhamento mais intensivo, eventualmente iniciado antes da idade habitual de rastreamento. É nesse contexto que a avaliação individual ganha importância.
O que realmente modifica o risco de câncer de mama?
O histórico familiar é um dos primeiros aspectos a serem investigados. Ter mãe, irmã ou filha diagnosticada com câncer de mama, especialmente em idade jovem, merece atenção. Também são relevantes os antecedentes de câncer de ovário, os casos em múltiplos familiares e a ocorrência de câncer de mama em homens da família. É importante considerar tanto os parentes maternos quanto os paternos.
Entretanto, existe um equívoco frequente: acreditar que a ausência de histórico familiar significa ausência de risco. A maioria dos diagnósticos de câncer de mama ocorre em mulheres sem histórico familiar significativo da doença.
Alterações hereditárias em genes como BRCA1 e BRCA2 podem aumentar expressivamente a probabilidade de desenvolver determinados tipos de câncer. Quando há suspeita de predisposição hereditária, a avaliação especializada pode indicar aconselhamento genético e, em situações específicas, testes moleculares.
Outros fatores também merecem atenção, como radioterapia prévia na região do tórax em idade jovem e determinadas alterações identificadas em biópsias mamárias anteriores.
A densidade mamária é outra característica relevante. Mamas densas podem dificultar a identificação de lesões pela mamografia e estão associadas a maior risco de câncer de mama.
Isso, entretanto, não significa que toda mulher com mamas densas precise realizar automaticamente ultrassonografia ou ressonância magnética complementar. A decisão deve considerar o risco global e as evidências disponíveis.
O objetivo não é transformar cada fator de risco em um novo exame, mas reunir informações para orientar decisões mais adequadas.
Mais exames nem sempre significam mais proteção
É compreensível associar prevenção à realização frequente de exames. Entretanto, a qualidade do acompanhamento não deve ser medida apenas pela quantidade de procedimentos realizados.
Para mulheres com risco habitual, o rastreamento deve seguir recomendações fundamentadas em evidências, considerando idade, periodicidade e equilíbrio entre benefícios e possíveis danos. Já mulheres classificadas como de alto risco podem necessitar de estratégias específicas.
A American Cancer Society, por exemplo, recomenda mamografia e ressonância magnética anuais, geralmente a partir dos 30 anos, para determinados grupos de alto risco, incluindo mulheres com predisposição genética conhecida ou risco estimado ao longo da vida de aproximadamente 20% a 25% ou mais, conforme modelos apropriados.
Essa classificação precisa ser criteriosa. Ter uma familiar com câncer não determina, isoladamente, a necessidade de ressonância magnética, assim como não apresentar histórico familiar não elimina a importância do rastreamento.
Também é fundamental distinguir o rastreamento da investigação de sintomas. Uma mulher que percebe um nódulo persistente, secreção espontânea pelo mamilo (especialmente com sangue), retração recente da pele ou do mamilo, ou alterações suspeitas na mama deve procurar avaliação médica, independentemente da idade ou da data prevista para o próximo exame.
A presença de sintomas exige investigação diagnóstica, e não simplesmente aguardar o calendário de rastreamento.
Prevenir também significa cuidar dos fatores que podemos modificar
Nem todos os fatores de risco estão sob nosso controle. Não podemos modificar a idade, a herança genética ou os antecedentes familiares. Entretanto, algumas escolhas e condições de saúde podem influenciar o risco de desenvolver câncer de mama.
A prática regular de atividade física, a manutenção de um peso saudável, especialmente após a menopausa, e a redução do consumo de bebidas alcoólicas ou, preferencialmente, a abstinência delas são medidas relevantes. O acompanhamento médico também permite avaliar individualmente os riscos e benefícios de determinadas terapias hormonais.
É importante, contudo, distinguir prevenção de detecção precoce. Hábitos saudáveis podem contribuir para reduzir a probabilidade de adoecimento, mas não garantem proteção absoluta. Da mesma forma, a mamografia não impede o aparecimento do câncer: sua principal finalidade é identificar alterações antes do surgimento de sintomas, aumentando as possibilidades de tratamento oportuno.
Outubro Rosa: informação, acesso e cuidado individualizado
O Outubro Rosa representa uma oportunidade de ampliar o debate sobre a saúde da mulher para além da realização de exames. Precisamos falar sobre informação de qualidade, identificação de fatores de risco, acesso aos serviços de saúde e continuidade do cuidado.
A avaliação individualizada não deve ser entendida como um privilégio restrito a determinados grupos. Ela precisa fazer parte de uma assistência médica acessível, responsável e centrada nas necessidades de cada pessoa.
Duas mulheres podem ter a mesma idade e necessitar de estratégias diferentes de acompanhamento. O que não pode ser diferente é o direito à informação, à avaliação adequada e à investigação oportuna de qualquer alteração suspeita.
A melhor estratégia não é necessariamente realizar mais exames, mas oferecer o cuidado certo, no momento adequado, considerando o risco e a realidade de cada mulher.
*Texto escrito por Dr. Alexandre Pimenta, médico e responsável Técnico Nacional da AmorSaúde |CRM-MG 51971Médico
A prevalência da obesidade entre crianças e adolescentes brasileiros de 5 a 19 anos passou de 1,6%, em 1980, para 17,4%, em 2024, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). O aumento de mais de dez vezes em quatro décadas acende um alerta para os impactos da doença na saúde infantil, incluindo o risco de alterações metabólicas, como hipertensão, níveis elevados de glicose e colesterol e acúmulo de gordura no fígado.
O cenário reforça a importância da prevenção e do acompanhamento desde a infância. Para a endocrinologista Paula Fábrega, do Hospital Sírio-Libanês, em Brasília, o cuidado deve considerar fatores genéticos, ambientais, comportamentais e socioeconômicos, sem responsabilizar exclusivamente a criança pelo excesso de peso.
Segundo o Atlas Mundial da Obesidade 2026, publicado pela Federação Mundial da Obesidade, aproximadamente 16,5 milhões de brasileiros de 5 a 19 anos apresentavam sobrepeso ou obesidade em 2025. O relatório estima ainda que cerca de 4 milhões de crianças e adolescentes nessa faixa etária apresentavam doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica relacionada ao índice de massa corporal (IMC) elevado. Outros 1,4 milhão apresentavam hipertensão associada ao mesmo fator.
Os números são estimativas populacionais e não representam diagnósticos individuais. Ainda assim, ajudam a dimensionar as possíveis consequências do excesso de peso para a saúde na infância e na adolescência.
“Prevenir e tratar precocemente a obesidade infantil não significa colocar a criança em uma dieta restritiva ou fazê-la se preocupar com o peso. Significa criar, em família, um ambiente que favoreça uma alimentação equilibrada, movimento, sono adequado e uma relação saudável com o próprio corpo e com a comida”, orienta a especialista.
A relação entre alimentação e obesidade infantil envolve não apenas a quantidade de comida consumida, mas também a qualidade dos alimentos e os hábitos mantidos ao longo do tempo.
Uma revisão sistemática e metanálise publicada em 2026, que reuniu 23 estudos com aproximadamente 155 mil adolescentes, identificou uma associação entre o consumo elevado de alimentos ultraprocessados e o excesso de peso. Na comparação entre os grupos com maior e menor ingestão desses produtos, os pesquisadores observaram uma chance 63% maior de sobrepeso ou obesidade entre os adolescentes que mais consumiam esses alimentos.
Como os estudos analisados são observacionais, os resultados não comprovam uma relação direta de causa e efeito. O achado, porém, reforça a importância de observar os padrões alimentares, em vez de atribuir o ganho de peso a um alimento específico.
Nesse contexto, a prevenção não deve se limitar à retirada de doces ou à proibição de determinados produtos. O consumo ocasional de chocolate, sobremesas ou alimentos presentes em festas, por exemplo, não determina isoladamente o peso de uma criança. O mais importante é a frequência de consumo, a qualidade da alimentação cotidiana e o ambiente em que as escolhas são feitas.
“Doces e outros alimentos não precisam ser tratados como proibidos, mas devem fazer parte de uma alimentação equilibrada e não ser utilizados como recompensa por bom comportamento”, explica Paula.
A orientação é priorizar alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, verduras, legumes, feijão, ovos e carnes, evitando que os ultraprocessados substituam refeições habituais. A participação dos adultos nesse processo ajuda a tornar as mudanças parte da rotina familiar, sem que a criança se sinta punida ou responsabilizada individualmente.
Atividade física e sono também influenciam
A prevenção da obesidade infantil envolve outros fatores além da alimentação. A atividade física, a qualidade do sono, a genética e as condições do ambiente familiar também podem influenciar o desenvolvimento da doença.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), crianças e adolescentes de 5 a 17 anos devem realizar, em média, pelo menos 60 minutos diários de atividade física moderada a vigorosa ao longo da semana. A recomendação não exige necessariamente a prática de esportes competitivos ou o uso de academias. Brincar ao ar livre, andar de bicicleta, dançar, pular corda e jogar bola são algumas formas de incorporar movimento ao cotidiano.
Manter horários regulares para dormir, reduzir o tempo sedentário e criar oportunidades para atividades físicas também contribui para uma rotina mais saudável. A obesidade infantil está associada a um risco maior de problemas como apneia do sono, hipertensão arterial, diabetes tipo 2 e alterações osteoarticulares.
“Crianças aprendem muito mais observando os adultos do que ouvindo orientações. Por isso, mudanças que envolvem toda a família costumam ser mais sustentáveis”, afirma Paula Fábrega.
A adoção de hábitos saudáveis, portanto, não precisa ser uma responsabilidade exclusiva da criança. Quando os adultos também melhoram a alimentação, reservam momentos para atividades físicas e estabelecem uma rotina de sono, fica mais fácil incorporar essas práticas ao dia a dia.
Quando procurar acompanhamento médico?
A identificação da obesidade infantil não deve ser feita apenas pela aparência ou pelo número indicado na balança. Diferentemente dos adultos, a avaliação do índice de massa corporal (IMC) de crianças e adolescentes considera a idade e o sexo, além da evolução do crescimento e do desenvolvimento.
O acompanhamento pediátrico permite avaliar a trajetória de crescimento, os hábitos de vida, o histórico familiar e a necessidade de investigar possíveis alterações metabólicas. Quando necessário, o cuidado pode envolver profissionais de diferentes áreas, como endocrinologia, nutrição e psicologia.
A avaliação também é importante para identificar possíveis complicações e orientar mudanças adequadas à idade e às necessidades de cada criança. Dietas restritivas e outras intervenções alimentares não devem ser adotadas sem orientação profissional.
Outro aspecto importante é evitar comentários depreciativos sobre o corpo. O estigma relacionado ao peso pode contribuir para o sofrimento emocional, o isolamento social e dificuldades na relação com a alimentação.
“O objetivo é ensinar a criança a cuidar de si, e não fazê-la sentir vergonha do próprio corpo”, afirma a endocrinologista.
Para a especialista, o cuidado deve ser construído com orientações adequadas à idade e à realidade de cada família, sem soluções rápidas ou restrições alimentares estabelecidas sem avaliação profissional. “A melhor prevenção começa com pequenas escolhas feitas todos os dias”, conclui Paula Fábrega.
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A repercussão das notícias sobre o câncer de pulmão do papa Leão XIV chamou a atenção para a importância do diagnóstico precoce da doença, que pode evoluir sem apresentar sintomas nas fases iniciais.
Pessoas com histórico significativo de tabagismo, especialmente entre 50 e 80 anos, devem procurar avaliação médica para verificar a necessidade de rastreamento. A orientação é do radiologista Antonio Azevedo, do Centro Diagnóstico Lucilo Ávila (CDLA), que ressalta a importância de avaliar individualmente o risco de cada paciente e a indicação de exames de imagem.
O tabagismo é o principal fator de risco para o câncer de pulmão. A probabilidade de desenvolver a doença aumenta conforme a quantidade de cigarros consumidos, o tempo de exposição e a idade. Mesmo quem deixou de fumar continua sujeito aos efeitos da exposição acumulada ao longo dos anos.
Outros fatores também podem contribuir para o desenvolvimento da doença, como o fumo passivo, a exposição ocupacional ao amianto e à sílica, a poluição do ar e o histórico familiar. Pessoas que nunca fumaram também podem desenvolver câncer de pulmão.
“Parar de fumar reduz progressivamente o risco de câncer de pulmão e traz benefícios importantes para a saúde, mas não elimina imediatamente o risco acumulado durante os anos de exposição”, explica Antonio Azevedo.
Tomografia ajuda na detecção precoce
O rastreamento busca identificar uma doença antes do aparecimento dos sintomas. Para pessoas com maior risco de desenvolver câncer de pulmão, a tomografia computadorizada de baixa dose (TCBD) é o principal exame utilizado nessa estratégia. O procedimento utiliza menos radiação do que a tomografia convencional de tórax e permite identificar pequenos nódulos e outras alterações pulmonares.
“O câncer de pulmão pode crescer durante um período sem produzir manifestações clínicas. A tomografia de baixa dose permite visualizar pequenos nódulos e outras alterações pulmonares que não seriam identificados por sintomas ou, em alguns casos, pela radiografia convencional”, afirma o radiologista.
Estudos internacionais apontam que o rastreamento com tomografia de baixa dose pode reduzir a mortalidade pela doença em grupos selecionados de alto risco. Quando o câncer é identificado em estágio inicial, aumentam as possibilidades de tratamentos com intenção curativa, como cirurgia e, em situações específicas, radioterapia.
A Força-Tarefa de Serviços Preventivos dos Estados Unidos (USPSTF) recomenda o rastreamento anual com tomografia de baixa dose para pessoas entre 50 e 80 anos que tenham histórico de pelo menos 20 maços-ano de tabagismo e que ainda fumem ou tenham parado de fumar há menos de 15 anos.
A medida de maços-ano é calculada multiplicando a quantidade média de maços de cigarros consumidos por dia pelo número de anos de tabagismo. Uma pessoa que fumou um maço por dia durante 20 anos, por exemplo, acumula 20 maços-ano.
Esses critérios são referências internacionais e não significam que todos os pacientes nessa faixa etária devam realizar o exame. No Brasil, o Ministério da Saúde e o Instituto Nacional de Câncer (INCA) não recomendam o rastreamento populacional do câncer de pulmão como política pública nacional.
A decisão deve considerar o histórico clínico, os fatores de risco e os possíveis benefícios e danos do procedimento. Entre os riscos estão resultados falso-positivos, exposição à radiação e a realização de exames complementares ou procedimentos desnecessários.
“Ter histórico familiar ou exposição ocupacional, isoladamente, não significa que a pessoa tenha indicação automática para tomografia de baixa dose periódica. As evidências que demonstram redução da mortalidade com o rastreamento são mais sólidas para grupos selecionados principalmente pelo histórico de tabagismo”, esclarece Antonio Azevedo.
Quais são os sinais de alerta?
Embora o câncer de pulmão possa não apresentar sintomas no início, algumas manifestações exigem investigação médica. Entre elas estão tosse persistente, sangue no escarro, falta de ar progressiva, dor no peito, rouquidão sem causa esclarecida, perda de peso inexplicada e infecções respiratórias recorrentes.
O diagnóstico costuma ocorrer em estágios avançados, em parte porque os sintomas podem demorar a aparecer ou ser confundidos com manifestações de outras doenças respiratórias.
Por isso, é importante diferenciar o rastreamento, realizado em pessoas sem sintomas que atendem a critérios específicos de risco, da investigação diagnóstica, indicada quando há sinais ou sintomas suspeitos.
“A ausência de sintomas não significa necessariamente ausência de doença. O câncer de pulmão pode permanecer silencioso nas fases iniciais, e esperar o aparecimento de manifestações clínicas pode atrasar o diagnóstico”, alerta o radiologista.
Pessoas com histórico importante de tabagismo devem procurar um médico, preferencialmente um pneumologista, para avaliar o risco individual e verificar a necessidade de exames. Já quem apresenta sintomas suspeitos deve buscar atendimento médico sem demora, independentemente da idade ou do histórico de tabagismo.
A prevenção também envolve evitar o cigarro e buscar apoio profissional para abandonar o hábito. Para quem já fumou por muitos anos, a orientação é conversar com um profissional de saúde sobre os riscos individuais e a eventual indicação de rastreamento.
“A principal orientação é que a prevenção e o diagnóstico precoce devem caminhar juntos. Não fumar e buscar apoio profissional para abandonar o cigarro são medidas essenciais. Para quem tem histórico importante de tabagismo, a recomendação é conversar com um profissional de saúde sobre o risco individual e a eventual indicação de rastreamento”, conclui Antonio Azevedo.
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A Câmara Municipal de Mondim de Basto organiza a primeira edição da Feira da Saúde, que terá lugar nos dias 22 e 23 de outubro. O evento contará com um programa diversificado que inclui rastreios, conversas temáticas, showcooking, atividades para crianças, dádiva de sangue e desporto.
A abertura oficial está agendada para as 10h00 do dia 22 de outubro e será presidida por Bruno Ferreira, Presidente da Câmara Municipal de Mondim de Basto, e Pedro Cunha, Presidente do Conselho de Administração da ULS Alto Ave. O primeiro dia inicia-se com uma mesa-redonda intitulada «Esperança com Nome e Rosto», focada na prevenção do cancro.
O showcooking «Do Saudável ao Saboroso» será conduzido pelo chefe Fábio Bernardino, que demonstrará como é possível aliar uma alimentação equilibrada a refeições saborosas. Durante a tarde do primeiro dia, haverá atividades dedicadas à saúde infantil, incluindo o teatro «Pastilhas no Reino dos Sorrisos» e a iniciativa «Dentinho Feliz», centrada na saúde oral.
Na sexta-feira, dia 23 de outubro, as atividades começam às 09h30 com o teatro infantil «O Mistério da Água na Quinta da Tia Nini». O programa inclui várias conversas com especialistas sobre alimentação e saúde pública. Entre os temas abordados estarão as dietas da moda e a preparação de lancheiras saudáveis para crianças.
Os rastreios de saúde decorrerão nos dois dias entre as 10h30 e as 17h00 sob o lema «Prevenir, Avaliar e Cuidar», reforçando a importância da deteção precoce e do acompanhamento regular da saúde. Além disso, haverá uma campanha de dádiva de sangue na sexta-feira entre as 09h00 e as 12h30 e das 14h00 às 16h00.
O evento culminará com a «Caminhada/Corrida – Juntos pela Saúde», marcada para as 19h00 do dia 23. A Feira da Saúde visa promover uma cultura de prevenção junto da comunidade através do esclarecimento de dúvidas e contacto com especialistas na área da saúde.
Por exemplo, apanhar frio causa constipações? É necessário esperar algumas horas após as refeições para tomar banho? Estas são algumas das crenças que continuam presentes no quotidiano da população e que, muitas vezes, são tidas como factos.
A VTM procurou compreender a diferença entre factos e mitos na área da saúde e falou com o enfermeiro Joni Madureira, coordenador da Unidade de Cuidados na Comunidade (UCC) de Vila Real I. Segundo o enfermeiro, é essencial distinguir factos de mitos para evitar comportamentos que podem ser prejudiciais para a saúde. O profissional explica que muitas destas ideias são transmitidas no seio das próprias famílias e acabam por se tornar mais difundidas precisamente por serem simples e repetidas ao longo do tempo.
Um dos mitos mais comuns está associado ao cabelo molhado e às constipações. Segundo Joni Madureira, as constipações são provocadas por vírus, pelo que “sair à rua com o cabelo molhado não causa, por si só, a doença”. No entanto, acrescenta que a exposição ao frio pode favorecer o aparecimento de sintomas, uma vez que o arrefecimento pode provocar vasoconstrição nasal e diminuir a resposta imunitária local. “O frio pode facilitar, mas não é o culpado: sem vírus, não há constipação”, concluiu.
Outro mito frequente está relacionado com o consumo de água. Joni Madureira afirmou que beber água durante ou após as refeições não provoca aumento de peso, visto que a água não tem calorias. Da mesma forma, não é o simples facto de comer após as 18 horas que provoca aumento de peso. “Engordamos quando comemos mais do que gastamos ao longo do dia, não quando comemos depois das 18h”, explica Joni Madureira, alertando, no entanto, para o consumo excessivo de petiscos e porções maiores durante a noite.
“Nem todos os mitos são absurdos, alguns nasceram de uma verdade mas foram exagerados”
JONI MADUREIRA
Segundo Joni Madureira, a persistência destas crenças está relaci onada com a forma simples como são transmitidas e com o facto de muitas vezes terem origem em pessoas em quem confiamos. Neste contexto, a família assume um papel importante por ser frequentemente a primeira fonte de informação sobre saúde.
“Estes mitos são transmitidos como expressão de cuidado e afeto, o que lhes confere autoridade emocional”, explica Joni Madureira. Por isso, defende que a desmistificação destas crenças deve ser feita com respeito, compreensão e empatia.
O enfermeiro acrescenta ainda que nem todos os mitos de saúde são completamente infundados e alguns têm fundamento científico. “Nem todos os mitos são completamente absurdos, alguns têm uma base de v erdade, mas foram exagerados”, evidenciou Joni Madureira.
As redes sociais proporcionaram novas oportunidades para promover a literacia em saúde, mas também facilitaram a difusão de informação falsa. Conteúdos emotivos, promessas milagrosas e opiniões de pessoas apresentadas como especialistas podem alcançar rapidamente milhares de utilizadores.
Para distinguir a verdade dos mitos, Joni Madureira aconselha a verificar a fonte e o autor da informação, a desconfiar de promessas milagrosas, a procurar o consenso científico e a privilegiar entidades reconhecidas como a Direção-Geral da Saúde (DGS), o SNS 24 e a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Perante uma dúvida encontrada na internet, o conselho é “não agir por impulso com base num único conteúdo”. A informação deve ser confirmada junto de fontes oficiais ou de um profissional de saúde, por exemplo, o médico de família ou o enfermeiro. “A melhor defesa contra os mitos de saúde é uma população com literacia em saúde”.
Joni Madureira aconselha a população a ligar para o SNS 24, através do número 808 24 24 24, caso tenha alguma dúvida.
Luís Fernandes explicou que esta verba é usada para medicamentos e desparasitação, mas também financiar a administração vacinação, embora a vacina para a Língua Azul seja comparticipada pelo Governo.
Ainda de acordo com o autarca, o apoio do município para a sanidade animal é atribuído consoante as necessidades apresentadas pela Organização dos Produtores Pecuários (OPP).
Tanto a doença da Língua Azul como a Doença Hemorrágica Epizoótica são transmitidas pela picada de um inseto, podendo levar à morte do animal. Contudo, não são transmissíveis aos humanos.
No ano passado, no concelho de Vinhais, das 227 explorações de pequenos ruminantes, 85% foram afetadas pela Língua Azul, serotipos S3-8. Já nos bovinos, animais de grande porte, a Língua Azul e a Doença Hemorrágica Epizoótica afetaram 80% das 220 explorações do concelho.
Este ano, segundo Luís Fernandes, o cenário é diferente. “Felizmente não tem pelo menos até agora afetado muito o concelho [a doença da Língua Azul] e também essas são medidas preventivas”, salientou.
O município já investiu 140 mil euros, este ano, em apoios para os agricultores, incluindo a disponibilização de um piquete veterinário 24 horas por dia.
O apoio à sanidade animal, frisou, “assume particular importância num concelho onde a atividade pecuária constitui uma componente relevante da economia rural e da sustentabilidade das explorações agrícolas e familiares”.
No ano passado, esse investimento ultrapassou os 180 mil euros, devido ao surto de Língua Azul e de Doença Hemorrágica Epizoótica no gado do concelho, que obrigou a medidas extra, como vacinação e desinfestação.
Na 4.ª edição do Dia do Colaborador, Isabel Ermida, da comissão de Humanização da ULSTMAD e membro da organização do evento, explicou à VTM que se trata de “valorizar aquilo que fazemos no nosso dia a dia”, defendendo que o reconhecimento dos profissionais deve também passar pela criação de condições para que sejam felizes nos seus postos de trabalho. “Isso também se vai repercutir na qualidade dos cuidados que prestamos à nossa população”, acrescenta.
A enfermeira sublinha que a prestação de cuidados é hoje “muito mais pessoal” e exigente, numa realidade em que “a ciência evolui” e os profissionais têm de acompanhar esse desenvolvimento. “Temos de procurar a melhor qualidade de cuidados à nossa população”, refere, considerando que a exigência crescente dos utentes constitui também “uma mais-valia para os colaboradores”, por melhorar a resposta prestada.
Isabel Ermida destaca ainda o papel da ULS ao longo de todo o ciclo de vida. “Cuidamos desde a conceção do ser humano até à morte”, explica, referindo o acompanhamento da gravidez, o nascimento, a prevenção da doença, o tratamento e, numa fase final, os cuidados paliativos. Uma resposta que abrange também uma população cada vez mais diversificada, incluindo pessoas que chegam ao território para trabalhar e que necessitam igualmente de cuidados de saúde.
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