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Bateu com o carro dentro de uma propriedade privada? Norma de 2026 esclarece quando o seguro pode responder

Bater com o carro num portão, noutro veículo ou numa pessoa dentro de uma propriedade privada não significa que o seguro obrigatório deixe de responder. Em 2026, as condições gerais da apólice foram atualizadas para explicitar que a cobertura não depende de o acidente acontecer numa estrada aberta ao trânsito. Esta proteção, porém, não começou com a nova norma.

De acordo com a Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF), considera-se que o veículo está em circulação quando é utilizado de forma compatível com a sua função habitual de transportar pessoas ou coisas, independentemente do terreno onde se encontra e de estar estacionado ou em movimento.

Garagem privada também pode estar abrangida

A Norma Regulamentar n.º 2/2026-R, de 16 de abril, introduziu esta definição nas condições gerais da apólice. Na informação divulgada sobre a alteração, a ASF salienta que a formulação explicita a abrangência de vias privadas e de zonas de acesso restrito. A localização do acidente, isoladamente, não basta para afastar a cobertura.

Imagine, por exemplo, que um condutor faz marcha-atrás no pátio de um condomínio ou numa propriedade privada e embate no automóvel de outra pessoa. Se estiver a utilizar o carro como meio de transporte, o facto de o acidente não ter ocorrido na via pública não exclui automaticamente a intervenção do seguro, sem prejuízo da responsabilidade apurada e das exclusões legais.

Até um veículo estacionado pode estar em “circulação”

A formulação pode parecer contraditória, mas o conceito jurídico de circulação é mais amplo do que um automóvel estar simplesmente a deslocar-se. A cláusula 2.ª das condições gerais refere expressamente que o veículo pode encontrar-se “estacionado ou em movimento”, desde que a utilização seja compatível com a sua função habitual de transporte.

Também não se deve confundir estacionamento com dispensa de seguro. O portal gov.pt recorda que um veículo matriculado e em condições de circular deve, em regra, manter o seguro mesmo quando está guardado num terreno particular ou numa garagem. A lei prevê exceções, nomeadamente para veículos formalmente retirados e proibidos de utilização, o que não equivale apenas a deixá-los estacionados.

Seguro obrigatório protege terceiros

Há, contudo, uma diferença importante entre o seguro responder pelo acidente e pagar todos os estragos. Segundo a ASF, o seguro obrigatório de responsabilidade civil automóvel garante a indemnização pelos danos corporais e materiais causados a terceiros, dentro das condições e dos limites legais.

Assim, se o condutor danificar o carro de outra pessoa dentro de uma propriedade privada, a cobertura obrigatória poderá ser acionada. Já os estragos no próprio automóvel responsável não estão cobertos por essa garantia, podendo ser abrangidos por uma cobertura facultativa de danos próprios, quando contratada e aplicável.

O mesmo cuidado é necessário quando está em causa um portão. Se pertencer ao próprio condutor responsável ou ao tomador do seguro, os danos materiais estão excluídos da cobertura obrigatória, conforme o artigo 14.º do Decreto-Lei n.º 291/2007, de 21 de agosto. O diploma também exclui os danos corporais sofridos pelo condutor responsável pelo acidente.

Há utilizações que ficam fora desta lógica

Não basta existir um veículo para que qualquer acidente ocorrido numa propriedade privada fique automaticamente abrangido pelo seguro automóvel. É necessário perceber para que estava a ser utilizado no momento do sinistro.

O artigo 4.º do Decreto-Lei n.º 291/2007, na redação dada pelo Decreto-Lei n.º 26/2025, de 20 de março, afasta a obrigação deste seguro nas situações em que os veículos desempenham funções meramente agrícolas ou industriais. A distinção depende da utilização concreta: estar numa quinta ou numa instalação industrial não basta, por si só, para aplicar essa exceção.

Alteração entrou em vigor em junho de 2026

A Norma Regulamentar n.º 2/2026-R entrou em vigor em 16 de junho de 2026. Para os contratos que já estavam em vigor, o artigo 5.º prevê a aplicação das alterações a partir da primeira renovação que ocorra depois de decorridos 60 dias sobre aquela data. A seguradora deve comunicar as mudanças e os respetivos motivos com, pelo menos, 30 dias de antecedência relativamente a essa renovação.

Importa distinguir esta atualização contratual da existência da proteção. O conceito de circulação já constava do artigo 1.º-A do Decreto-Lei n.º 291/2007, introduzido pela alteração de 2025. A norma de 2026 adaptou a apólice a esse enquadramento, não criou de raiz a possibilidade de cobertura em propriedade privada.

Por isso, num acidente dentro de uma garagem, quinta ou pátio, a pergunta não deve limitar-se a “aconteceu na estrada?”. Importa saber como estava a ser utilizado o veículo, quem responde pelos danos e quais as exclusões aplicáveis. O seguro obrigatório pode responder longe da via pública, mas isso não significa que pague todos os prejuízos de qualquer acidente ocorrido nesse local.

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Conheça a praia no Algarve onde é possível caminhar entre três areais diferentes quando a maré está baixa

Há um ponto da costa algarvia onde a descida da maré transforma a paisagem e permite percorrer, a pé, três praias diferentes sem sair praticamente do areal. Acontece na Praia da Cordoama, no concelho de Vila do Bispo, onde a extensão de areia fica ligada às vizinhas praias do Castelejo e da Barriga quando o nível do mar recua.

Segundo o portal Visit Algarve, a Cordoama integra um troço costeiro do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina e distingue-se pelo areal comprido, enquadrado por arribas que ultrapassam, em alguns pontos, os 100 metros de altura. Apesar da frequência de surfistas e praticantes de bodyboard, a dimensão da praia permite encontrar zonas mais afastadas e tranquilas.

Maré baixa cria uma ligação entre três praias

É precisamente nessa altura do dia que surge uma das características mais curiosas do local. Com a maré suficientemente baixa, o areal da Cordoama passa a comunicar com os da Praia do Castelejo e da Praia da Barriga, formando uma faixa contínua junto ao oceano.

A situação muda quando a água começa a subir. A mesma fonte alerta que, durante a maré cheia, a faixa de areia disponível se torna bastante mais estreita, pelo que quem pretenda percorrer esta zona deve ter em atenção as condições do mar e evitar ficar encurralado junto às arribas.

Arribas chegam a ultrapassar os 100 metros

A paisagem não é marcada apenas pelo oceano. As falésias elevam-se de forma acentuada sobre a praia e criam uma sucessão de recortes ao longo da costa, que vão perdendo nitidez à distância e ajudam a explicar o aspeto mais selvagem deste setor do litoral.

Existe ainda um morro utilizado como miradouro natural, a partir do qual é frequente realizarem-se saltos de parapente. A altura do relevo permite observar uma larga extensão da costa e perceber a dimensão do areal que une as diferentes praias durante a maré baixa.

Há líquenes, dunas e uma linha de água

Nas paredes rochosas viradas a norte podem observar-se áreas esbranquiçadas que, à primeira vista, podem parecer diferentes tipos de rocha. Na realidade, tratam-se de extensas coberturas de líquenes que se desenvolveram sobre as arribas.

Mais abaixo, uma pequena linha de água percorre um barranco até chegar à praia. Nas dunas encontram-se espécies adaptadas às condições costeiras, entre as quais o estorno, o cardo-marítimo e o narciso-das-praias, enquanto o aroma da esteva se mistura com a maresia.

Ondulação atrai praticantes de surf

A Cordoama está exposta ao Atlântico e recebe uma ondulação forte e relativamente regular. Estas características tornam a praia procurada para a prática de surf e bodyboard, existindo inclusive apoio ligado a uma escola de surf durante a época balnear.

Apesar das boas condições para estes desportos, quem visita a praia deve igualmente respeitar as características naturais do local. O Visit Algarve recomenda manter uma distância de segurança das arribas devido ao risco de derrocadas e queda de pedras, além de utilizar os caminhos existentes para não degradar as pequenas formações dunares.

Fica a cerca de cinco quilómetros de Vila do Bispo

O acesso faz-se a partir de Vila do Bispo, junto ao Mercado Municipal, seguindo depois por uma estrada alcatroada durante aproximadamente cinco quilómetros. No local existe estacionamento amplo e organizado, além de restaurante, instalações sanitárias e apoio balnear.

A praia dispõe também de vigilância durante a época balnear. Contudo, é na maré baixa que revela uma das suas particularidades mais marcantes: o recuo da água permite que Cordoama, Castelejo e Barriga fiquem unidos pelo areal, oferecendo a possibilidade de caminhar entre três praias diferentes ao longo da mesma faixa costeira.

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Lembra-se do falso tsunami de 1999 em Faro? Estas são as zonas da cidade que podem ser afetadas por um fenómeno real

Quem estava no Algarve a 22 de agosto de 1999 poderá recordar a tarde em que uma alegada onda gigante colocou banhistas e autoridades em alerta. Praias foram evacuadas, formaram-se filas de trânsito e espalhou-se a informação de que uma onda com vários metros de altura se aproximava da costa. O episódio é recordado numa reportagem de Nuno Couto, publicada pelo Jornal do Algarve em agosto de 2019.

O tsunami nunca chegou. Também não é possível determinar que zonas teriam sido inundadas por uma onda que não existiu. Num fenómeno real, os efeitos dependem da origem do tsunami, das características das ondas, da maré e da configuração do terreno e dos fundos marinhos.

Praia de Faro encontra-se na frente costeira

O Estudo do Risco Sísmico e de Tsunamis do Algarve, publicado pela então Autoridade Nacional de Proteção Civil em 2010, reúne relatos sobre o impacto de 1755 nas formações arenosas que separam Faro do oceano.

No capítulo de Fantina Tedim e João Gonçalves, as descrições históricas referem ondas que ultrapassaram as ilhas e provocaram danos nas barreiras litorais. É nesta frente costeira que se encontra a atual Praia de Faro, diretamente exposta ao oceano.

Aeroporto também surge entre as zonas vulneráveis

Um estudo de Henrique Vicêncio, publicado no volume de 2022 da revista científica Territorium, analisou diferentes cenários para o Aeroporto de Faro. A inundação até cotas de quatro a cinco metros poderia impedir voos comerciais, embora o autor admitisse operações de emergência.

No cenário de seis metros, uma parte considerável da pista ficaria inundada. As instalações dos bombeiros aeroportuários surgem expostas já à cota de três metros.

São, contudo, hipóteses simplificadas: o trabalho utiliza a altitude do terreno, sem simular a propagação das ondas e a sua interação com a costa. As cotas indicadas não correspondem à altura da onda no mar nem à profundidade da água em todo o aeroporto.

Ria Formosa pode atenuar o impacto, mas também sofrer danos

A geografia de Faro cria uma situação particular. Entre o núcleo urbano e o oceano encontram-se as ilhas-barreira e a laguna da Ria Formosa. Segundo a análise histórica publicada pela Proteção Civil, essa configuração contribuiu para reduzir o impacto de 1755 na cidade.

Um dos relatos citados refere que a maré estava baixa e que a água, depois de ultrapassar as ilhas e encontrar os bancos de sedimentos, não excedeu na cidade os limites de uma maré grande. As barreiras naturais sofreram, porém, danos importantes.

Faro não está livre do risco por estar atrás das ilhas

O comportamento descrito em 1755 não garante uma proteção idêntica num próximo tsunami. As condições de maré e as características do fenómeno podem ser diferentes, pelo que os relatos históricos não devem ser usados para classificar o núcleo urbano como uma zona automaticamente segura.

O planeamento municipal reconhece a necessidade de preparação. A versão do Plano Municipal de Emergência de Proteção Civil de Faro aprovada pela comissão municipal em 2011 inclui expressamente os tsunamis entre as situações consideradas. O documento regista ainda um exercício realizado em novembro de 2010, articulado com o plano regional para o risco sísmico e de tsunamis.

Já a revisão do Plano Diretor Municipal, publicada pelo Aviso n.º 20948/2024/2, de 20 de setembro, contempla zonas inundáveis e condicionantes associadas à sismicidade. Essas disposições não devem, contudo, ser confundidas com um mapa que indique até onde chegaria um tsunami.

Em 1999, tentar fugir também provocou dificuldades

O falso alarme revelou problemas que não dependem diretamente da altura da água. Segundo a reportagem do Jornal do Algarve, a informação sobre uma suposta onda entre 12 e 25 metros provocou congestionamentos no litoral. Ao mesmo tempo, houve pessoas que permaneceram perto do mar para tentar observar o fenómeno anunciado.

As alturas divulgadas naquele dia pertencem ao relato do falso alarme, não a medições de um tsunami. Não podem, por isso, ser usadas para calcular os danos que teria provocado em Faro.

Os estudos e os relatos históricos permitem reconhecer vulnerabilidades na frente costeira e no aeroporto, mas não estabelecer uma lista definitiva das zonas que seriam mais afetadas em qualquer cenário. A experiência de 1755 ajuda a compreender o papel das ilhas-barreira, sem permitir garantir que um novo tsunami teria o mesmo comportamento ou produziria os mesmos efeitos.

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BP e Moeve de Portimão assaltadas no mesmo dia: suspeitos levaram 270€ e maços de tabaco

Dois postos de combustível em Portimão foram assaltados no mesmo dia por dois homens que terão atuado de cara tapada e armados com uma pistola. Os crimes ocorreram no domingo, 18 de outubro, e tiveram como alvo instalações da BP e da Moeve, estando agora sob investigação da Polícia Judiciária.

Escreve o Correio da Manhã que os dois suspeitos terão chegado aos locais num motociclo e usado capacetes para esconder o rosto. Apesar de o método descrito ser semelhante nos dois casos, o valor levado em cada posto foi bastante diferente.

Primeiro assalto terminou com fuga rápida

O primeiro episódio terá ocorrido cerca das 16:30 h num posto da BP em Portimão. Os suspeitos entraram no estabelecimento, mas acabaram por abandonar o local sem conseguir levar dinheiro da caixa. Segundo a mesma fonte, durante essa ocorrência foi roubado apenas o telemóvel do funcionário. Os dois homens terão sido obrigados a fugir pouco depois, seguindo então para outro posto de combustível da cidade.

O segundo assalto ocorreu num posto da Moeve. Neste caso, os autores conseguiram apoderar-se de cerca de 270 euros em numerário, além de vários maços de tabaco existentes no estabelecimento. O Correio da Manhã refere que as autoridades trabalham com a hipótese de os mesmos dois homens estarem envolvidos nas duas ocorrências.

PSP esteve nos locais após os assaltos

A PSP deslocou-se aos locais na sequência dos crimes e tomou conhecimento das duas ocorrências. A investigação, porém, não ficou a cargo daquela força policial.

Os dois processos foram entregues à Polícia Judiciária (PJ), que deverá agora procurar determinar a identidade dos suspeitos e perceber com maior detalhe o percurso seguido entre os dois postos de combustível.

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Há 2.700 casas à venda em Portugal por mais de 3.000.000€ e este é o perfil dos compradores

Portugal tem atualmente cerca de 2.700 casas colocadas no mercado por valores superiores a três milhões de euros, num segmento em que o comprador chega sobretudo do estrangeiro. Britânicos, norte-americanos, alemães e brasileiros estão entre as nacionalidades com maior presença num mercado onde privacidade, sustentabilidade e eficiência energética começam também a ganhar peso na decisão.

De acordo com o portal de notícias Dinheiro Vivo, existem ainda aproximadamente 17.000 imóveis à venda por mais de um milhão de euros. Apesar dos números, Eva Peribáñez, diretora da divisão de arte e clientes privados da Hiscox Ibéria, considera que esta oferta é relativamente reduzida quando comparada com a dimensão global do mercado habitacional português.

Três regiões concentram 75% destas casas

Lisboa, Algarve e Porto reúnem cerca de três quartos da oferta nacional de habitações com preços superiores a um milhão de euros. A concentração ajuda a explicar porque determinadas zonas têm continuado a registar aumentos expressivos no valor das propriedades mais caras.

No segmento acima dos três milhões, Cascais registou uma subida média de preços de 13% e Sintra de 14,9%. No sul do país, Lagos avançou 13,5% e Loulé 11%, enquanto na Madeira a valorização indicada pela responsável da Hiscox chegou aos 21,7%.

Comprador vem sobretudo de fora de Portugal

O perfil dominante não é, contudo, o de um comprador nacional. Segundo Eva Peribáñez, a procura é atualmente maioritariamente internacional e tornou-se mais diversificada, não estando dependente apenas de programas de vistos ou de investimentos realizados com objetivos de curto prazo.

As motivações também variam. Há quem procure estas propriedades para residência permanente, quem pretenda uma segunda habitação e quem veja o imobiliário português como uma forma de diversificar ou preservar património. Britânicos, norte-americanos, alemães e brasileiros destacam-se entre os compradores mais ativos.

No Algarve os britânicos continuam em primeiro lugar

A presença estrangeira é particularmente visível no Algarve. Entre as transações internacionais acima de um milhão de euros, os compradores do Reino Unido representam 33,2%, mantendo uma vantagem significativa sobre as restantes nacionalidades mencionadas.

Os franceses surgem depois, com 19,3%, seguidos pelos alemães, com 8%, neerlandeses, com 5%, e suecos, com 4,8%. A mesma fonte refere que o valor médio das moradias unifamiliares de luxo no Algarve se mantém acima dos 4,5 milhões de euros desde 2017, tendo alcançado aproximadamente 5,13 milhões em 2025.

Há compradores mais jovens a entrar neste mercado

O mercado de luxo também está a passar por uma transformação geracional. Ao perfil tradicional, frequentemente ligado à compra de uma segunda residência ou à conservação de património, está a juntar-se uma geração mais jovem associada a setores como tecnologia, finanças e empreendedorismo internacional.

Estes compradores acrescentam novos critérios à escolha da casa. Privacidade e design continuam relevantes, mas sustentabilidade, eficiência energética e boas condições de conectividade assumem uma importância crescente nas propriedades de elevado valor, segundo a responsável da Hiscox.

Portugal continua mais barato do que outros mercados de luxo

O preço relativo é apontado como uma das razões para a capacidade de Portugal continuar a atrair compradores estrangeiros. Um estudo recente da Hiscox, citado pela publicação, concluiu que o valor médio do mercado residencial de luxo em Lisboa é aproximadamente 25% inferior ao encontrado em Paris ou Londres.

A diferença aumenta na comparação com Nova Iorque, onde os valores médios serão cerca de 45% superiores aos da capital portuguesa. Segurança, estabilidade, clima, qualidade de vida e ligações internacionais são outros fatores destacados por Eva Peribáñez para explicar a procura. Mesmo num mercado onde existem apenas cerca de 2.700 propriedades anunciadas acima dos três milhões de euros, Portugal continua, assim, a captar compradores internacionais interessados tanto em viver no país como em manter aqui parte do seu património.

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“Abriu o teatro do absurdo”: José Sócrates pronuncia-se após sessão do julgamento que durou apenas 5 minutos

José Sócrates reagiu à primeira sessão do novo julgamento em que responde, juntamente com Carlos Santos Silva, por três crimes de branqueamento de capitais. A audiência da última segunda-feira, 19 de outubro, no Campus de Justiça, em Lisboa, durou cerca de cinco minutos, depois de duas questões levantadas pela defesa terem levado o tribunal a interromper os trabalhos. O processo prossegue a 30 de outubro.

À saída do tribunal, o antigo primeiro-ministro voltou a contestar a existência deste processo separado daquele que já está a ser julgado no âmbito da Operação Marquês. “Abriu o teatro do absurdo”, afirmou aos jornalistas, defendendo que existem factos relacionados a serem apreciados simultaneamente em dois tribunais.

Ministério Público pediu três dias

A curta duração da sessão ficou a dever-se a dois requerimentos apresentados pela defesa de Sócrates na sexta-feira anterior ao julgamento. O juiz-presidente do coletivo, Rúben Vieira, deu conta dessas questões logo no início dos trabalhos.

Como o Ministério Público apenas teve acesso aos documentos pouco antes da audiência, pediu três dias para os analisar e responder. Segundo o Jornal de Notícias, o tribunal aceitou o prazo, pelo que não chegou a ser iniciada a discussão sobre os crimes imputados aos dois arguidos.

Defesa quer processos reunidos

Uma das questões colocadas por Filipe Baptista, atual advogado de José Sócrates, está relacionada com a própria separação deste processo. A defesa entende que os crimes de branqueamento aqui em causa estão ligados aos factos apreciados no julgamento principal da Operação Marquês.

Sócrates sustenta, por isso, que deveria existir um único julgamento, contestando aquilo que descreve como uma duplicação da apreciação dos mesmos factos. O antigo governante reiterou publicamente essa posição após sair do Campus de Justiça.

Segundo requerimento invoca garantias de defesa

A outra questão levantada prende-se com alterações introduzidas na acusação na sequência de uma decisão do Tribunal da Relação de Lisboa. A defesa contesta que essas modificações possam produzir efeitos neste processo autónomo sem uma decisão própria do tribunal que o está a julgar.

Segundo a posição transmitida por Sócrates, deverá também ser assegurada a possibilidade de a defesa responder especificamente às alterações que passaram a integrar este processo. Será agora necessário aguardar pela posição do Ministério Público e pela decisão do coletivo sobre estas questões prévias.

Sócrates rejeita intenção de atrasar processo

O momento escolhido para apresentar os requerimentos também foi questionado, uma vez que os documentos chegaram ao processo na sexta-feira, dia 16, no último dia útil antes da audiência. Sócrates rejeitou que a iniciativa tivesse como objetivo adiar o julgamento.

O antigo primeiro-ministro relacionou o momento da entrega com a mudança recente na sua defesa. Filipe Baptista substituiu Pedro Delille e, segundo Sócrates, dispôs de pouco tempo para analisar o processo e preparar as questões que entendeu colocar ao tribunal.

Sócrates e Santos Silva respondem por três crimes

Este processo foi autonomizado da Operação Marquês em 2021 e tem como arguidos José Sócrates e o empresário Carlos Santos Silva. Ambos respondem por três crimes de branqueamento de capitais e negam ter praticado os crimes pelos quais estão acusados.

Segundo a acusação do Ministério Público, estão em causa movimentos financeiros realizados entre 2011 e 2014 através de contas associadas a Carlos Santos Silva, à mulher do empresário e ao antigo motorista de Sócrates, que terão permitido fazer chegar ao antigo primeiro-ministro verbas que a acusação considera de origem ilícita. Essa versão é contestada pelos arguidos. Depois da sessão desta segunda-feira ter terminado praticamente assim que começou, o julgamento tem agora 30 de outubro como próxima data marcada.

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Há uma vila no Algarve onde os romanos já procuravam águas que consideravam “sagradas” há mais de 2.000 anos

Se recuarmos mais de 2.000 anos no tempo, quando o Algarve fazia parte do mundo romano, as águas que brotam na Serra de Monchique já despertavam interesse. Os romanos procuravam-nas e chegaram a associá-las a um caráter sagrado, numa relação com as nascentes que deixou vestígios arqueológicos na região.

Existem referências à utilização das águas de Monchique desde o século I antes de Cristo, quando eram procuradas para aliviar o cansaço do corpo e da mente. A tradição ficou ligada à expressão “águas sagradas”, uma designação que atravessou séculos de história local.

Inscrição romana reforça a ligação às águas

Entre os achados arqueológicos feitos nas proximidades das nascentes encontra-se uma ara votiva com uma inscrição em latim dedicada às “Águas Sagradas”. O portal Visit Monchique aponta este elemento como um dos testemunhos da importância que as águas já assumiam durante o período romano.

Os vestígios encontrados na zona levam ainda a admitir que tenha existido aqui um primeiro complexo termal naquela época. A procura pelas águas não seria, portanto, ocasional, mas parte de uma utilização organizada de um recurso natural que continuaria a marcar Monchique durante os séculos seguintes.

Água chega à superfície a cerca de 32 graus

As Caldas de Monchique encontram-se num vale da serra, aproximadamente 250 metros acima do nível do mar. É neste cenário rodeado de vegetação que as águas mineromedicinais chegam naturalmente à superfície com uma temperatura próxima dos 32 graus.

A água apresenta ainda um pH de 9,5 e é descrita pela fonte local como a mais alcalina de Portugal. A sua composição inclui bicarbonato, sódio e flúor, características que estão na base da utilização termal atualmente feita neste ponto do Algarve.

Até um rei português procurou estas águas

A fama das nascentes atravessou a Idade Média e chegou à monarquia portuguesa. Em 1495, no último ano da sua vida, D. João II terá tomado banho nas águas de Monchique, antes de morrer posteriormente em Alvor, no atual concelho de Portimão.

O episódio mostra como o local continuou associado ao bem-estar muito depois do desaparecimento do domínio romano. Ao longo do tempo, a utilização das nascentes foi ganhando novas formas, até dar origem à atividade termal que permanece atualmente.

É a única estância termal do Algarve

Segundo a mesma fonte, a Villa Termal das Caldas de Monchique é atualmente a única estância termal existente no Algarve. Entre os tratamentos disponibilizados encontram-se duches de jato e de Vichy, massagens, hidromassagens e aplicações de lamas.

Existe também um circuito de relaxamento termal com piscina interior de hidromassagem aquecida, sauna e banho turco. A utilização contemporânea das águas mantém assim uma ligação direta a um recurso natural conhecido e procurado há vários períodos históricos.

Serra guarda muito mais do que as termas

A localização contribui igualmente para distinguir este território do Algarve mais associado às praias. As Caldas de Monchique encontram-se num vale serrano marcado pela vegetação, enquanto o ponto mais elevado da região é a Fóia, de onde se observa uma ampla parte do território envolvente.

Entre vestígios romanos, águas quentes que emergem naturalmente e uma tradição termal com séculos, Monchique conserva uma história pouco habitual no sul do país. Aquilo que hoje é uma estância termal já era procurado há mais de 2.000 anos por populações que deixaram gravada em pedra uma expressão que continua associada ao local: “Águas Sagradas”.

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