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Os pratos saem secos da máquina da loiça mas os recipientes de plástico continuam molhados? Resposta está na velocidade da perda de calor

A máquina termina o programa, os pratos e os copos parecem secos, mas os recipientes de plástico continuam cobertos de pequenas gotas de água. A diferença não significa necessariamente que exista uma avaria: o plástico perde o calor mais depressa, favorecendo a formação de condensação na superfície.

Segundo a empresa Electrolux, este comportamento pode ser observado em caixas de armazenamento, talheres e outras peças de plástico colocadas na máquina da loiça. Porcelana e vidro conservam o calor durante mais tempo e, por isso, tendem a apresentar resultados de secagem diferentes no final do mesmo ciclo.

Plástico arrefece mais depressa

Durante a lavagem, os diferentes materiais aquecem, mas não mantêm essa temperatura durante o mesmo período. Os utensílios de plástico libertam rapidamente o calor acumulado e começam a arrefecer antes de materiais como o vidro ou a porcelana.

É neste processo que pode surgir a condensação. Assim, encontrar gotas num recipiente de plástico enquanto um prato colocado ao lado está seco não permite, por si só, concluir que a função de secagem da máquina está a funcionar mal.

Programa escolhido pode mudar o resultado

A Electrolux recomenda avaliar primeiro a secagem em peças de porcelana e vidro. Caso também estas permaneçam frias ou demasiado molhadas no final, poderá fazer sentido experimentar um programa AUTO ou intensivo e verificar se o comportamento se mantém.

Os ciclos também não secam todos da mesma forma. Segundo a mesma fonte, os programas ECO e BIO recorrem a uma secagem passiva, enquanto alguns ciclos rápidos de cerca de 30 minutos nem sequer incluem uma sequência de secagem.

Máquina demasiado cheia também pode dificultar

A disposição da loiça dentro do equipamento influencia igualmente o resultado. Uma máquina sobrecarregada ou com peças colocadas de forma incorreta pode dificultar o escoamento da água e reduzir a eficácia das diferentes fases do programa.

Por isso, a marca aconselha a respeitar as indicações do manual e, depois de terminado o ciclo, permitir que o excesso de água evapore antes de retirar a loiça. Recipientes colocados de forma a acumularem água poderão naturalmente sair mais molhados.

Detergente e abrilhantador também contam

Pré-lavar a loiça com detergente antes de a colocar na máquina pode ter o efeito contrário ao pretendido. A marca alerta que o excesso de espuma pode reduzir o efeito do tensioativo e acabar por prejudicar os resultados de secagem.

Também pode ser útil verificar o detergente utilizado e, quando aplicável, ajustar o abrilhantador de acordo com o manual. Nos programas mais curtos, detergentes líquidos ou em pó podem ser preferíveis a algumas pastilhas combinadas, que poderão não dissolver-se completamente durante o tempo disponível.

Há verificações simples antes de chamar um técnico

Filtros e braços aspersores sujos podem igualmente interferir com o funcionamento normal do equipamento. A recomendação passa por verificar e limpar estes componentes seguindo as instruções específicas previstas pelo fabricante para cada modelo.

Algumas máquinas dispõem ainda de funções como Dry+, Dry Plus ou XtraDry, destinadas a melhorar a secagem, embora possam prolongar o programa e aumentar o consumo de energia. Assim, quando apenas o plástico permanece húmido, a explicação pode estar simplesmente na sua capacidade de perder calor rapidamente. Se a porcelana e o vidro também não secarem depois de verificadas estas condições, a Electrolux aconselha recorrer a assistência técnica autorizada.

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Muitos passam pela Praia da Rocha sem reparar: há uma ermida dedicada a uma santa egípcia ‘escondida’ na fortaleza

Quem passa pela Praia da Rocha tende a olhar primeiro para o extenso areal, para as arribas ou para o Atlântico, mas existe um pequeno espaço religioso que facilmente passa despercebido. No interior da Fortaleza de Santa Catarina de Ribamar, em Portimão, conserva-se uma ermida dedicada a Santa Catarina de Alexandria, santa cristã tradicionalmente associada à cidade egípcia de Alexandria.

Segundo o portal Visit Portimão, a ermida já existia naquele local antes da construção da fortaleza. Quando a estrutura militar foi levantada durante o reinado de D. Filipe II, o pequeno templo foi mantido e acabou integrado num conjunto que tinha uma função muito diferente: proteger a entrada marítima do rio Arade.

Ermida é mais antiga do que a própria fortaleza

A presença da capela naquele ponto elevado antecede, portanto, a transformação defensiva do promontório. Ao longo dos séculos, mesmo com a importância militar adquirida pelo local, a ermida dedicada a Santa Catarina permaneceu preservada e continua atualmente acessível como espaço de contemplação.

A figura que lhe dá nome está ligada ao Egito. Segundo a tradição cristã, Santa Catarina de Alexandria terá nascido em Alexandria no ano 287, sendo posteriormente venerada como mártir. A sua história foi transmitida durante séculos através de relatos religiosos, vários deles de natureza lendária.

Santa Catarina ficou associada à sabedoria

A tradição apresenta Catarina como uma jovem de grande formação e inteligência, características que contribuíram para que viesse a ser invocada como protetora de estudantes, filósofos e professores. Alguns dos episódios mais conhecidos da sua vida pertencem ao campo da hagiografia cristã.

Entre esses relatos encontra-se o chamado “casamento místico de Santa Catarina”, bem como o episódio em que terá enfrentado o imperador Maximino e debatido com dezenas de filósofos. Independentemente da componente lendária, a devoção à santa difundiu-se por diferentes territórios cristãos ao longo dos séculos.

Fortaleza foi construída para proteger o Arade

Já a estrutura militar que envolve a ermida surgiu por razões estratégicas. A mesma fonte explica que a Fortaleza de Santa Catarina de Ribamar foi construída por sugestão do engenheiro italiano Alexandre Massai, durante o reinado de D. Filipe II.

O objetivo era reforçar a defesa da barra do rio Arade, cuja entrada tinha importância para Portimão e para a circulação marítima da região. A posição elevada sobre a costa permitia vigiar o acesso ao estuário e controlar uma zona particularmente exposta.

Hoje é também um dos miradouros da Praia da Rocha

Com a perda da função militar original, o local ganhou outra utilização. A fortaleza tornou-se um dos pontos de visita da Praia da Rocha e funciona hoje também como miradouro sobre a costa, oferecendo uma perspetiva elevada sobre o areal e o oceano.

A Praia da Rocha estende-se por mais de um quilómetro e é delimitada por arribas de tonalidades quentes. Além da Fortaleza de Santa Catarina, o Visit Portimão identifica o Miradouro dos Três Castelos como outro dos locais procurados para observar a linha costeira.

Pequeno templo escondido num dos locais mais conhecidos

A dimensão da praia e a imponência da fortaleza podem fazer com que a pequena ermida passe despercebida a muitos visitantes. No entanto, é precisamente esse contraste que torna o espaço particular: dentro de uma construção militar permanece um local religioso cuja origem é anterior às muralhas que hoje o rodeiam.

Assim, quem subir à Fortaleza de Santa Catarina de Ribamar encontra mais do que uma vista sobre a Praia da Rocha. Ali conserva-se também uma ermida dedicada a Santa Catarina de Alexandria, santa tradicionalmente ligada ao Egito, mantendo lado a lado dois capítulos distintos da história do local: a devoção religiosa e a defesa marítima de Portimão.

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Lembra-se do burro Pacífico? Foi comprado a um agricultor de Monchique por menos de 1€ e levava os tacos de golfe nos campos da Penina

Um burro carregado de tacos de golfe tornou-se uma das imagens mais improváveis da transformação turística do Algarve. Chamava-se Pacífico, custou apenas 75 cêntimos e acompanhou durante anos Sir Henry Cotton pelos campos da Penina, em Portimão, numa altura em que a região estava ainda longe de ser associada internacionalmente à modalidade.

Segundo o Observador, a história está ligada ao nascimento do Penina Hotel & Golf Resort, inaugurado em 1966 por John Stillwell. O empreendimento juntou um hotel de cinco estrelas ao primeiro campo de golfe relvado do Algarve e ajudou a introduzir um tipo de turismo muito diferente daquele que, até então, procurava sobretudo as praias da região.

Henry Cotton encontrou Pacífico em Monchique

A compra aconteceu durante um passeio pela Serra de Monchique. Henry Cotton, antigo vencedor por três vezes do British Open e responsável pelo desenho do campo da Penina, encontrou um agricultor que seguia acompanhado por um burro e decidiu propor-lhe negócio.

Segundo Sandra Matos, então ligada à direção do hotel e citada pela publicação, Cotton pagou 75 cêntimos pelo animal. O burro recebeu o nome Pacífico e rapidamente ganhou uma função pouco habitual para um animal comprado numa região ainda fortemente rural: passou a transportar os tacos do golfista.

Chegou a acompanhar algumas das maiores figuras do golfe

Pacífico não se limitou a acompanhar partidas discretas. Ao lado de Henry Cotton, acabou por cruzar-se com nomes conhecidos do desporto e do entretenimento que passaram pela Penina durante aqueles anos.

Entre os visitantes mencionados encontram-se Bing Crosby, Bob Hope, Arnold Palmer, Jack Nicklaus, Tony Jacklin, Sean Connery e Lee Trevino. O burro assumia, assim, o papel de um verdadeiro caddie, transportando o equipamento e acompanhando Cotton durante as várias voltas ao campo.

Campo nasceu onde antes existia um arrozal

A história de Pacífico só se entende conhecendo a transformação realizada na Penina. No início da década de 1960, John Stillwell convidou Henry Cotton para projetar um campo de golfe numa área então ocupada por um arrozal na Tapada da Penina.

Foi necessário drenar o terreno antes de avançar com o projeto. Cotton promoveu ainda a plantação de cerca de 300.000 árvores, alterando profundamente a paisagem e criando o enquadramento para aquele que viria a tornar-se um dos campos mais conhecidos do Algarve.

Tradição continuou com Pacífico II e III

O primeiro Pacífico acompanhou Cotton durante vários anos e chegou mesmo a viajar com o golfista para Espanha. Foi nesse país que morreu, em 1972, quando o britânico estava envolvido no desenvolvimento de novos projetos de golfe.

Quando Cotton regressou à Penina, em 1975, encontrou Pacífico II, filho do primeiro burro, que voltou a assumir a função de acompanhante no campo até 1987. Mais tarde surgiu Pacífico III, nascido em 1990, que já não trabalhou como caddie, embora tenha participado num troféu dedicado a Sir Henry Cotton.

Algarve já tinha tido um campo bastante diferente

O golfe não começou propriamente na Penina. A modalidade tinha chegado ao Algarve décadas antes e, em 1937, existiu na Praia da Rocha um pequeno campo de nove buracos, cuja superfície era feita de terra batida e óleo queimado.

A experiência durou pouco e existem poucos registos sobre esse primeiro espaço. A mudança decisiva surgiu com a Penina, cujo campo começou a funcionar em junho de 1966, alguns meses antes da abertura do hotel, em novembro do mesmo ano.

Burro ficou ligado ao início do golfe moderno no Algarve

John Stillwell procurou desde cedo divulgar internacionalmente o projeto, convidando jornalistas estrangeiros e apresentando o Algarve como um destino onde sol e praia podiam ser conjugados com golfe e alojamento de gama elevada. A estratégia ajudou a atrair um público que até então tinha uma presença reduzida na região.

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Na Praia da Rocha ergue-se um hotel onde um “herói finlandês” conseguiu recuperar de uma doença em 1945

Antes de se tornar um dos hotéis mais reconhecíveis da Praia da Rocha, o edifício do atual Bela Vista Hotel & Spa teve outra vida. A antiga casa viria a transformar-se num espaço de hospedagem que, ao longo do século XX, recebeu aristocratas, artistas, refugiados europeus e até figuras ligadas à história militar do continente.

No site do Hotel Bela Vista pode ler-se que, entre os hóspedes que passaram pelo edifício esteve o barão Carl Gustaf Emil Mannerheim, uma das figuras históricas da Finlândia. Em 1945, já no final da II Guerra Mundial, escolheu aquele hotel algarvio para recuperar de uma doença.

Casa que acabou transformada em hotel

A história do Bela Vista acompanha a transformação da própria Praia da Rocha. O imóvel nasceu como residência, mas acabaria por ganhar uma nova função quando o turismo começou a alterar a relação de Portimão com aquela faixa de costa.

Ao longo dos anos, a adaptação não apagou por completo a identidade anterior do edifício. O próprio hotel apresenta atualmente a sua história como um equilíbrio entre preservação e renovação, procurando manter elementos do passado enquanto atualiza os espaços utilizados pelos hóspedes.

Aristocratas e artistas começaram a procurá-lo

Entre 1936 e 1940, o estabelecimento tornou-se ponto de passagem para aristocratas e artistas, segundo a história divulgada pelo próprio hotel. A localização junto ao Atlântico e o ambiente da Praia da Rocha ajudaram a criar um refúgio distante das grandes capitais europeias.

Essa função ganharia ainda outra dimensão durante os anos seguintes. Com a Europa mergulhada na II Guerra Mundial, Portugal manteve-se neutral e tornou-se passagem ou abrigo temporário para diferentes pessoas que procuravam afastar-se do conflito.

Guerra trouxe hóspedes pouco habituais ao Algarve

Foi nesse contexto que o Bela Vista recebeu refugiados europeus, oficiais alemães e nobres exilados. A mesma fonte refere ainda a passagem de espiões, mostrando como um hotel à beira-mar no Algarve acabou ligado, ainda que indiretamente, ao ambiente político e militar da época.

A Praia da Rocha estava então muito distante da realidade turística atual. O hotel assumia-se como um ponto de acolhimento numa região que começava a ser descoberta por visitantes estrangeiros, ao mesmo tempo que a guerra alterava profundamente os percursos de quem atravessava a Europa.

Mannerheim passou pelo hotel em 1945

Entre esses nomes encontra-se Carl Gustaf Emil Mannerheim, apresentado pelo Bela Vista como “herói da Finlândia”. O antigo chefe militar finlandês esteve hospedado no hotel em 1945, onde recuperou de uma doença, segundo a memória histórica preservada pelo estabelecimento.

A presença de Mannerheim acrescentou ao edifício uma ligação inesperada à história europeia. Num momento em que o conflito mundial se aproximava do fim, uma figura militar estrangeira encontrou na costa de Portimão um lugar para permanecer durante a recuperação.

Hotel continua a valorizar essa memória

Décadas depois, o Bela Vista mantém essa passagem como parte da narrativa do edifício. A história do hotel não se resume, por isso, ao alojamento turístico, cruzando-se também com períodos de instabilidade europeia e com hóspedes que chegaram ao Algarve por razões muito diferentes das férias.

Hoje, quem observa o edifício sobre a Praia da Rocha pode não imaginar tudo o que aconteceu entre aquelas paredes. O antigo lar que se transformou em hotel passou por aristocratas, artistas, refugiados e espiões, mas guarda ainda outro episódio singular: em 1945, Carl Gustaf Emil Mannerheim escolheu aquele ponto do Algarve para recuperar de uma doença.

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Frank Sinatra também passou pelo Algarve e não foi para cantar: elegeu a região de propósito para jogar golfe

O artista Frank Sinatra passou por Portugal em três momentos muito diferentes da sua vida, mas apenas um deles levou o cantor ao Algarve. Décadas depois de ter atuado pela primeira vez no país, o norte-americano regressou durante os anos 1970, não para subir a um palco, mas para jogar golfe no sul de Portugal.

Segundo o Blog Graciosa Online, essa terá sido a segunda passagem de Sinatra por território português. Não se sabe qual o ano exato, o campo escolhido ou a localidade algarvia onde esteve. Descubriu-se apenas que a deslocação ocorreu durante a década de 1970 e teve como motivo a prática de golfe.

Primeira passagem por Portugal aconteceu em 1945

A relação de Frank Sinatra com Portugal tinha começado cerca de três décadas antes, muito longe do Algarve. Em 1945, o cantor esteve na ilha Terceira, nos Açores, acompanhado pelo comediante Phil Silvers, num período em que a Base das Lajes já tinha um papel importante na presença militar norte-americana no Atlântico.

Sinatra atuou para os militares dos Estados Unidos estacionados na base, naquele que terá sido o seu primeiro concerto em território português. A música norte-americana encontrava então nas Lajes um importante ponto de difusão, através de bandas militares e de espetáculos destinados às forças ali estacionadas.

Passeou por Angra e deixou uma Kodak para trás

A passagem pelos Açores não ficou limitada ao espetáculo. Com base num relato do historiador Valdemar Mota, a publicação conta que Sinatra fez uma curta deslocação por Angra do Heroísmo, onde percorreu a Rua da Sé, deu autógrafos e conversou com comerciantes locais.

Foi durante esse passeio que terá reparado numa colcha regional de São Jorge pertencente ao comerciante José Pinto Enes. Sinatra propôs trocar a peça por uma máquina fotográfica Kodak que transportava consigo. O negócio foi aceite, o cantor levou a colcha para os Estados Unidos e a máquina permaneceu na Terceira.

Açores recebiam algumas das maiores estrelas da época

A presença de Sinatra não foi um caso isolado. Naquele período, as ilhas Terceira e Santa Maria funcionavam como importantes pontos de escala nas ligações aéreas do Atlântico Norte, recebendo passageiros vindos de diferentes partes do mundo.

Segundo a mesma fonte, por estas ilhas passaram também nomes como Bing Crosby, Bob Hope, Arturo Toscanini, Charlton Heston e Vivien Leigh. Glenn Miller esteve igualmente na Base das Lajes, onde realizou um dos seus últimos concertos.

Algarve foi escolhido para uma viagem de golfe

Só vários anos mais tarde Frank Sinatra voltaria a Portugal. A mesma fonte situa essa segunda passagem na década de 1970, quando o artista se deslocou ao Algarve para jogar golfe, numa visita que contrastou com aquela que o tinha levado às Lajes em 1945.

A terceira passagem aconteceu já perto do final da carreira. A 8 de junho de 1992, Frank Sinatra atuou no Estádio das Antas, no Porto, quando tinha 76 anos, naquela que foi a sua grande atuação em Portugal várias décadas depois do concerto destinado aos militares nos Açores.

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Aldeia em Arcos de Valdevez tem 24 construções de pedra que parecem túmulos mas serviam para guardar alimentos

À primeira vista, as pequenas construções de granito alinhadas sobre uma grande rocha podem fazer lembrar antigos túmulos. A verdadeira função, porém, era bastante diferente. Na aldeia de Soajo, no concelho de Arcos de Valdevez, existe uma eira comunitária formada por 24 espigueiros onde as famílias guardavam os cereais necessários à alimentação.

O conjunto encontra-se na periferia da zona habitada, num ponto elevado dominado por um grande afloramento granítico. Escreve o portal Visit Portugal que os espigueiros apresentam elementos dos séculos XVIII e XIX e foram utilizados sobretudo para conservar milho, uma cultura abundante nesta zona do norte do país.

O mais antigo nasceu em 1782

De salientar que o espigueiro mais antigo do conjunto data de 1782. A eira foi sendo ocupada por outras estruturas semelhantes até atingir as 24 construções que podem atualmente ser observadas lado a lado.

A escolha da pedra e da localização tinha uma função ligada à conservação dos alimentos. Ali eram armazenados os cereais recolhidos pela comunidade, numa época em que garantir reservas em boas condições era fundamental para assegurar a alimentação das famílias ao longo do ano.

Cruzes no topo não estão ali por acaso

Um detalhe chama particularmente a atenção em vários espigueiros: as cruzes colocadas na parte superior. Segundo o Visit Portugal, representam a proteção divina daquilo que se encontrava guardado no interior e, por extensão, da própria sobrevivência da comunidade.

A relação com o alimento era suficientemente importante para a fonte associar estas cruzes à ideia do “pão nosso de cada dia”. Os espigueiros eram, assim, mais do que simples elementos da paisagem rural, uma vez que protegiam uma parte essencial das colheitas de quem vivia em Soajo.

Eira comunitária continua ligada aos habitantes

O conjunto não deve ser entendido apenas como um vestígio abandonado de outros tempos. A eira comunitária ainda hoje é utilizada pela população, mantendo uma ligação entre o património e a vida da aldeia.

As 24 estruturas assentam sobre uma extensa base natural de granito. A concentração dos espigueiros num mesmo espaço revela também uma forma comunitária de organização, na qual diferentes famílias partilhavam a mesma área para armazenar aquilo que produziam.

Soajo guarda outro Monumento Nacional

Quem entra no núcleo da aldeia encontra ruas de pedra e pequenas casas construídas com blocos de granito. No centro destaca-se ainda o pelourinho de Soajo, classificado como Monumento Nacional desde 1910.

Um dos seus elementos mais curiosos é a representação de uma face humana, coroada por uma forma triangular que faz lembrar um chapéu de três bicos. A arquitetura tradicional acompanha o visitante até à zona onde se encontra a eira, um dos locais mais reconhecíveis da povoação.

Aldeia fica dentro do Peneda-Gerês

Soajo está inserida no Parque Nacional da Peneda-Gerês, numa área do concelho de Arcos de Valdevez marcada pela paisagem de montanha. Além do património construído, a região oferece percursos pedestres e outras atividades ao ar livre.

A gastronomia local mantém igualmente uma forte ligação ao território, com carne de raça barrosã, cabrito da serra, arroz de frango e vinho verde entre os produtos destacados pelo Visit Portugal. Contudo, é no alto da aldeia que permanece uma das imagens mais particulares de Soajo: 24 pequenas construções de granito que podem sugerir túmulos a quem as vê pela primeira vez, mas que foram erguidas para proteger o milho e outros cereais das famílias locais.

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Suspeitas de fraude no Museu dos Coches: PJ investiga bilhetes gratuitos e com desconto emitidos a visitantes sem direito

Bilhetes gratuitos ou com desconto terão sido emitidos a visitantes que não reuniam os requisitos para beneficiar dessas condições no Museu Nacional dos Coches, em Lisboa. A Polícia Judiciária (PJ) deteve dois funcionários da instituição, suspeitos de se apropriarem de parte dos valores pagos pelos visitantes através desse método.

Segundo a agência de notícias Lusa, a própria Museus e Monumentos de Portugal (MMP), empresa pública responsável pelo equipamento cultural, tinha detetado irregularidades relacionadas com a bilheteira e desencadeou os procedimentos que acabariam por conduzir à investigação policial.

Sistema de descontos está no centro das suspeitas

Os dois funcionários, um homem e uma mulher de 48 e 61 anos, são suspeitos de emitir bilhetes e documentos de faturação através de categorias destinadas a situações de desconto ou gratuitidade, mesmo quando os visitantes não estavam abrangidos por esses regimes.

Segundo os elementos divulgados pela PJ, os clientes pagariam o valor correspondente à entrada, mas no sistema ficaria registado um título mais barato ou gratuito. A diferença entre o montante entregue pelo visitante e aquele que surgia associado ao bilhete terá sido, segundo a suspeita das autoridades, apropriada pelos funcionários.

Investigação começou depois de alerta interno

A Museus e Monumentos de Portugal confirmou que a ação realizada pelas autoridades ocorreu no Museu Nacional dos Coches e esclareceu que o processo teve origem dentro da própria organização, após terem sido identificadas situações anómalas na operação da bilheteira.

A empresa pública garante estar a fornecer às autoridades todos os elementos solicitados para o apuramento dos factos. Apesar da investigação em curso, a entidade manifestou também confiança na direção do museu e nos restantes profissionais que trabalham diariamente naquela instituição.

PJ admite que esquema possa ser mais antigo

A investigação desenvolvida pela Unidade Nacional de Combate à Corrupção centra-se, para já, em factos ocorridos desde março de 2026. No entanto, a PJ admite que a alegada prática possa ter começado antes dessa data.

Determinar a duração exata da atividade será, por isso, uma das questões a esclarecer no decorrer do processo. A informação divulgada até ao momento também não quantifica o número de bilhetes envolvidos nem o montante total que poderá ter sido desviado.

Operação levou a quatro buscas

As detenções ocorreram no âmbito da operação denominada Free Pass, que incluiu o cumprimento de quatro mandados de busca, tanto domiciliários como noutros locais, na Área Metropolitana de Lisboa.

Na operação estiveram envolvidos nove inspetores e quatro especialistas de polícia científica da PJ, além de um magistrado do Ministério Público. Os factos investigados são suscetíveis de integrar crimes de peculato e falsidade informática, de acordo com a Polícia Judiciária.

Museu diz estar a colaborar com as autoridades

O Museu Nacional dos Coches integra a rede gerida pela Museus e Monumentos de Portugal, que sublinhou ter aplicado os procedimentos legalmente previstos assim que tomou conhecimento das irregularidades identificadas internamente.

A investigação deverá agora procurar perceber quantos bilhetes foram emitidos através das categorias alegadamente utilizadas de forma indevida, quais os valores envolvidos e desde quando poderá ter ocorrido a prática. Até uma decisão judicial, os dois funcionários detidos beneficiam da presunção de inocência e as suspeitas atribuídas pela Polícia Judiciária permanecem por provar.

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Condutor apanhado a circular a 292 km/h na Ponte Vasco da Gama percorreu 8,4 km em menos de 2 minutos

Foram necessários apenas 103 segundos, ou um minuto e 43 segundos, para um condutor percorrer cerca de 8,4 quilómetros na Ponte Vasco da Gama. O automobilista foi detetado na segunda-feira, dia 19, com uma velocidade média registada de 292 km/h, muito acima do máximo permitido naquela travessia.

De acordo com a SIC Notícias, trata-se da velocidade mais elevada alguma vez identificada pelo sistema de controlo de velocidade média instalado na ponte. A infração foi detetada pela GNR e ocorreu num troço onde os veículos ligeiros não podem ultrapassar os 120 km/h.

Radar não mede apenas a velocidade num ponto

Ao contrário dos equipamentos que registam a velocidade num local específico, este sistema calcula quanto tempo cada veículo demora a percorrer a distância existente entre dois pontos de controlo. A partir desse intervalo é obtida a velocidade média realizada durante todo o percurso.

Neste caso, estão em causa aproximadamente 8,4 quilómetros. O tempo registado entre os dois pontos foi de 103 segundos, permitindo ao sistema determinar uma velocidade média de 292 km/h ao longo do troço fiscalizado.

Circulava 172 km/h acima do limite

Na Ponte Vasco da Gama, a velocidade máxima permitida indicada para aquele troço é de 120 km/h. A diferença entre esse limite e o valor registado pela GNR chegou, assim, aos 172 km/h.

O número ganha outra dimensão quando é convertido em tempo: o condutor percorreu toda a extensão controlada pelo radar em menos de dois minutos. Como se trata de velocidade média, o registo não corresponde apenas a um pico momentâneo atingido durante alguns segundos.

Condutor arrisca ficar sem conduzir

Além da velocidade registada, o caso poderá ter consequências para o automobilista. A SIC Notícias refere que o condutor arrisca agora uma coima de 500 euros, na sequência da infração detetada pela GNR.

Está ainda prevista uma sanção acessória de inibição de conduzir, que poderá chegar aos dois anos, segundo a informação divulgada. Caberá agora às autoridades dar seguimento ao procedimento resultante do excesso de velocidade identificado.

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