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Exportadores temem impactos da política externa na venda de produtos

Nos últimos dias, a CNN acompanhou em Paris a SIAL (Salão Internacional da Alimentação), uma das principais feiras mundiais de alimentos e bebidas, onde mais de 150 empresas brasileiras participaram além de dez cooperativas da agricultura familiar com stands próprios pela primeira vez. Nos corredores, entre degustações, reuniões com compradores e apresentações de novos produtos, conversamos com exportadores brasileiros que tentam ampliar a presença do país no mercado internacional.

Havia de tudo: carnes, bebidas, óleos essenciais e produtos de empresas que começam a dar os primeiros passos fora do Brasil.

Nas conversas com empresários, a reportagem perguntou o que o governo brasileiro precisa fazer para ajudar o país a vender mais no mercado internacional. As demandas envolveram a abertura de novos destinos, a negociação de barreiras comerciais, o apoio às empresas que querem exportar e a manutenção de relações diplomáticas com os principais parceiros.

As respostas também trouxeram preocupações sobre a condução da política externa no próximo mandato presidencial, especialmente diante da disputa eleitoral entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).

Nos planos de governo apresentados ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), os dois candidatos prometem ampliar a presença brasileira no mercado internacional, mas partem de ênfases diferentes. Lula  defende a continuidade da diversificação de mercados, o fortalecimento da diplomacia comercial e a ampliação de acordos, com prioridade para o multilateralismo e a integração regional.

Flávio propõe uma política externa orientada pelo pragmatismo econômico, com maior abertura comercial, aproximação com parceiros estratégicos e apoio à internacionalização de pequenas e médias empresas. Os dois também preveem medidas diplomáticas para enfrentar barreiras comerciais impostas por outros países.

A escolha de quem conduzirá a política externa e de quais interlocutores ocuparão posições estratégicas está entre as preocupações dos exportadores ouvidos pela reportagem.

No atual governo, o embaixador Celso Amorim, assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, é uma das figuras centrais da política externa. Parte do empresariado critica a orientação diplomática do governo e manifesta preocupação com os efeitos de divergências políticas sobre as relações comerciais.

No atual governo, o embaixador Celso Amorim, assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, é uma das figuras centrais da política externa. Parte do empresariado critica a orientação diplomática do governo e manifesta preocupação com os efeitos de divergências políticas sobre as relações comerciais.

Um dos pontos de discussão é a aplicação da Lei de Reciprocidade Econômica, criada para permitir que o Brasil responda a medidas comerciais consideradas prejudiciais aos seus interesses. Em episódios envolvendo restrições impostas por parceiros como Estados Unidos, China e União Europeia, o debate passou pela forma como o país deve reagir e pelos possíveis efeitos das contramedidas sobre as empresas brasileiras.

Para os exportadores, a questão é conciliar a defesa dos interesses nacionais com a manutenção do acesso aos mercados. Uma resposta comercial pode servir como instrumento de negociação, mas também exige avaliar os impactos sobre produtores e empresas que dependem das vendas externas.

Entre os empresários que acompanham a eleição, também há preocupação com os nomes que poderão ocupar postos estratégicos em um eventual governo Flávio Bolsonaro. A possibilidade de Eduardo Bolsonaro assumir o Ministério das Relações Exteriores ou a Embaixada do Brasil nos Estados Unidos é vista com ressalvas por parte dos interlocutores ouvidos pela reportagem.

Entre os empresários que acompanham a eleição, também há preocupação com os nomes que poderão ocupar postos estratégicos em um eventual governo Flávio Bolsonaro. A possibilidade de Eduardo Bolsonaro assumir o Ministério das Relações Exteriores ou a Embaixada do Brasil nos Estados Unidos é vista com ressalvas por parte dos interlocutores ouvidos pela reportagem.

O mercado americano é um destino importante para diferentes cadeias do agronegócio brasileiro, assim como China e União Europeia. Por isso, a composição da equipe diplomática é acompanhada pelo setor, que depende de canais de negociação com governos estrangeiros para tratar de tarifas, exigências sanitárias e condições de acesso.

Além das relações políticas, os exportadores apontam medidas práticas para ampliar os negócios. Entre elas estão a negociação de protocolos sanitários para permitir a entrada de produtos brasileiros, o fortalecimento da rede de adidos agrícolas nas embaixadas, a organização de missões comerciais e o apoio às empresas interessadas em acessar novos mercados.

A abertura de um mercado, porém, não significa que as exportações começarão imediatamente. Depois da autorização, as empresas ainda precisam atender às exigências do país importador, encontrar compradores, negociar preços e estruturar a logística.

Desde 2023, o Brasil abriu mercados para cerca de 700 produtos agropecuários em 99 países, segundo dados divulgados pelo governo federal. Essas aberturas estão associadas a uma corrente de comércio estimada em US$ 4 bilhões. O indicador reúne oportunidades comerciais relacionadas aos novos acessos, mas não deve ser confundido com receita já obtida exclusivamente com essas autorizações.

A diversificação também busca reduzir a dependência de poucos destinos. A China, por exemplo, tem peso relevante nas exportações brasileiras de soja, carnes e outros produtos. Mudanças nas regras de importação, nas tarifas ou nas condições de compra podem afetar diretamente setores que concentram suas vendas em determinados mercados.

Para as empresas, ampliar o número de compradores não significa substituir os parceiros tradicionais, mas criar alternativas para escoar a produção e reduzir a exposição a restrições comerciais.

A próxima gestão terá de dar continuidade às negociações em andamento, buscar novos acordos e apoiar a transformação das autorizações sanitárias e comerciais em embarques efetivos. Também precisará lidar com eventuais conflitos comerciais sem interromper os canais de diálogo com os principais destinos das exportações brasileiras.

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Clima favorece lavouras de trigo na Argentina que projeta 2ª maior colheita

 A colheita de trigo da Argentina para a safra 2026/27 deverá totalizar 23,8 milhões de toneladas métricas. Acima dos 21 milhões estimados no mês passado, devido a rendimentos maiores do que o esperado, informou a Bolsa de Valores de Rosário nesta quarta-feira (21).

Caso essa meta seja alcançada, a safra representará a segunda maior colheita de trigo já registrada na Argentina, um importante exportador mundial de alimentos.

A província de Santa Fé espera rendimentos próximos a 4 toneladas por hectare, superando ligeiramente Buenos Aires, a tradicional região produtora de trigo da Argentina.

As temperaturas abaixo do normal para o início da primavera estão beneficiando o desenvolvimento das plantações, embora haja preocupação com o número limitado de dias ensolarados.

A colheita de trigo na Argentina começa em novembro. A bolsa manteve inalteradas suas previsões para soja e milho em 2026/27, em 47,8 milhões e 67,5 milhões de toneladas, respectivamente.

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Santa Catarina vistoria 1,6 mil granjas após foco de Newcastle

O governo de Santa Catarina iniciou um amplo processo de vistoria em mais de 1.600 propriedades rurais após a confirmação de um caso da doença de Newcastle em uma granja de perus no município de Nova Itaberaba, localizado no oeste catarinense. O caso foi confirmado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária na última segunda-feira.

A Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (CIDASC) informou que identificou o foco da doença durante uma visita de rotina realizada em propriedades rurais do estado. Em resposta, o governo federal decretou emergência zoosanitária por 60 dias, abrangendo não apenas Nova Itaberaba, mas também os municípios vizinhos de Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim.

Medidas de contenção e protocolos sanitários

As equipes da CIDASC (Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina) e do Ministério da Agricultura e Pecuária atuam tanto na propriedade afetada quanto em um raio de 10 quilômetros ao redor, alcançando propriedades rurais vizinhas.

A granja onde foi identificado o foco de newcastle está interditada, com acesso restrito a profissionais devidamente autorizados.

Entre as medidas previstas estão a eliminação das aves da propriedade, a limpeza e desinfecção completa do local e o descarte de todos os materiais que tiveram contato com os animais.

Além das ações na propriedade afetada, o governo de Santa Catarina pretende vistoriar as 1.600 propriedades rurais no estado.

Em algumas poderão ser coletadas amostras de sangue dos animais para verificar a ocorrência ou não de contaminação.

Segundo a CIDASC, a população pode continuar consumindo carne de aves e produtos inspecionados, sendo recomendável identificar estabelecimentos regularizados com selo de inspeção sanitária.

Países suspendem importações e impacto econômico preocupa

O caso já gerou repercussões no comércio exterior brasileiro.

China, que é o maior mercado comprador, Chile e Arábia Saudita suspenderam as compras provenientes de Santa Catarina. Medida considerada positiva por restringir o embargo apenas ao estado e não ao Brasil inteiro.

O México adotou uma postura mais severa, suspendendo todos os produtos avícolas brasileiros — a situação considerada mais grave entre as restrições impostas até o momento. A Malásia se juntou ao México e anunciou também a suspensão da importação de carnes, produtos cárneos e miúdos de aves de todo o Brasil.

Santa Catarina é responsável por entre 20% e 30% das exportações de produtos avícolas do Brasil. O país exportou 5,3 milhões de toneladas no ano passado, o que rendeu cerca de 10 bilhões de dólares.

Na última ocasião em que o Brasil enfrentou um embargo semelhante, as perdas foram estimadas em aproximadamente 139 milhões de dólares em vendas que não se concretizaram para o exterior, com produtos que acabaram sendo direcionados ao mercado interno. Naquela oportunidade, o problema foi solucionado em cerca de 26 dias. As autoridades trabalham para que as medidas fitossanitárias em curso permitam retomar as exportações o quanto antes.

O Ministério da Agricultura e Pecuária reforçou que mantém diálogo com outros parceiros comerciais para assegurar a transparência das informações e avançar em tratativas para a adequação das exportações.

Monitoramento sanitário

As medidas de vigilância e controle abrangem Nova Itaberaba e outros três municípios: Nova Erechim, Coronel Freitas e Águas Frias. Ao todo, 133 granjas estão incluídas na área de monitoramento, segundo o ministério.

As autoridades vão acompanhar a situação durante o período de incubação da doença, estimado em 21 dias. O protocolo prevê dois períodos de 21 dias, totalizando 42 dias de acompanhamento.

O Brasil poderá voltar a ser considerado livre da doença de Newcastle após 90 dias, conforme as regras sanitárias aplicáveis ao caso.

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Agricultura familiar e fome: o que Flávio Bolsonaro e Lula propõem

O acesso a alimentos a preços compatíveis com a renda da população e o fortalecimento da agricultura familiar estão entre os desafios da política agrícola brasileira. Além de produzir, o país precisa garantir que os alimentos cheguem ao consumidor, criar condições para que pequenos produtores permaneçam na atividade e ampliar a oferta de comida saudável.

Os programas de governo de Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresentam abordagens diferentes para esses temas.

Flávio associa a redução dos preços dos alimentos à melhoria da logística e ao aumento da capacidade de armazenagem das safras.

Lula prevê ampliar as compras públicas da agricultura familiar, fortalecer linhas específicas de crédito e manter a aquisição de alimentos desses produtores para a alimentação escolar.

A diferença também aparece no tratamento da segurança alimentar. O programa de Lula inclui medidas voltadas à produção de alimentos, à agricultura familiar e ao acesso da população à alimentação. No documento de Flávio, não há propostas específicas para a agricultura familiar nem referências diretas à fome ou ao Bolsa Família. Veja maias detalhes abaixo:

FLÁVIO BOLSONARO

Logística e armazenagem para reduzir preços dos alimentos

O programa de Flávio Bolsonaro propõe reduzir o preço dos alimentos ao consumidor por meio de melhorias na logística e da ampliação da capacidade de armazenagem das safras.

A proposta parte do diagnóstico de que uma parcela dos custos é formada entre a produção no campo e a chegada dos produtos ao varejo. O documento menciona a criação de corredores logísticos inteligentes e a ampliação da armazenagem como instrumentos para melhorar o escoamento da produção e reduzir custos.

O plano também associa a segurança alimentar à produção agropecuária nacional e à redução da dependência externa de fertilizantes. A proposta é apoiar a produção nacional desses insumos, com aproveitamento de recursos minerais disponíveis no país.

O programa, porém, não apresenta medidas específicas para fortalecer a agricultura familiar. Não há previsão de ampliação do Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), de assistência técnica direcionada aos pequenos produtores ou de programas de compras públicas de alimentos produzidos por esse segmento.

Programas sociais e combate à pobreza 

O documento apresentado ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) também não estabelece metas específicas para a ampliação do PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) , alimentação escolar ou Bolsa Família.

Flávio, porém, propõe manter os programas sociais existentes, com aperfeiçoamento da gestão, correção de distorções e combate a fraudes. O plano afirma que as famílias que dependem desses benefícios para garantir a alimentação continuarão recebendo assistência, desde que cumpram os critérios estabelecidos.

Ao mesmo tempo, o candidato defende que os programas sociais sejam associados a iniciativas de qualificação profissional e acesso ao mercado de trabalho.

Regularização de pequenas propriedades rurais 

Uma das medidas diretamente relacionadas aos pequenos produtores no programa do PL é a ampliação da regularização fundiária e da titulação de propriedades rurais. A proposta busca garantir que pequenos proprietários tenham documentos que comprovem a posse legal de seus imóveis, permitindo maior segurança jurídica para investir na produção e acessar financiamentos.

O candidato defende o fortalecimento da proteção ao direito de propriedade no campo e a regularização fundiária como uma condição para ampliar a capacidade de investimento dos produtores e estimular o desenvolvimento das atividades agrícolas

“Vamos promover ampla regularização e titulação do pequeno proprietário rural, para que quem trabalha a terra tenha o documento que prova que ela é sua, possa acessar crédito e investir com segurança. E traremos segurança jurídica sólida, irreversível e sem margem para relativizações do direito de propriedade, porque ninguém planta e investe no que teme perder

Seguro rural e proteção da produção 

Flávio Bolsonaro propõe ampliar o seguro rural para oferecer maior previsibilidade aos produtores diante dos riscos da atividade agrícola.

O documento também prevê a adoção de instrumentos de securitização e reorganização das dívidas do setor, com o objetivo de melhorar as condições de planejamento financeiro das atividades no campo.

Produção nacional de fertilizantes 

Flávio Bolsonaro também propõe ampliar a produção brasileira de fertilizantes, com o objetivo de reduzir a dependência das importações.

Na avaliação apresentada pelo candidato, a dependência de fertilizantes estrangeiros aumenta a exposição dos produtores às variações de preços internacionais, o que pode pressionar o custo da produção agrícola e dos alimentos.

LULA

Compras públicas e fortalecimento da agricultura familiar

O programa de Lula prevê ampliar o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) e as compras públicas de produtos da agricultura familiar. A política conecta o apoio aos pequenos produtores à oferta de alimentos para a população, utilizando compras governamentais como instrumento de comercialização.

O documento também prevê manter percentuais mínimos de aquisição de alimentos da agricultura familiar e de alimentos in natura para a alimentação escolar. Entre as metas apresentadas no programa estão a participação de 45% da agricultura familiar e de 80% de alimentos in natura na alimentação escolar.

A proposta busca criar demanda para os produtos dos pequenos agricultores e ampliar a presença de alimentos frescos nas refeições oferecidas nas escolas públicas. O resultado depende da implementação das metas, da capacidade de compra dos municípios e dos estados e das condições de produção e entrega dos fornecedores.

Crédito e apoio à produção de alimentos

Na agricultura familiar, o programa também prevê expandir o Plano Safra específico para o segmento, com juros compatíveis com o perfil do produtor e o tipo de produto financiado. A produção de alimentos da cesta básica aparece entre as prioridades.

O texto prevê reforçar linhas para agroecologia, produção orgânica, sociobiodiversidade, inovação e aquisição de máquinas adaptadas às propriedades familiares. Também estabelece condições diferenciadas para jovens agricultores, mulheres, cooperativas e associações.

Outra frente é simplificar o acesso ao crédito por meio de soluções digitais. O programa ainda prevê fortalecer o Garantia-Safra e ampliar o acesso ao seguro rural da agricultura familiar.

Apesar da variedade de medidas, o documento não apresenta metas quantitativas para o número de novos agricultores familiares atendidos nem define valores específicos para cada linha de apoio no próximo mandato.

Assistência técnica, mecanização e proteção contra perdas 

O candidato também prevê ampliar a oferta de Assistência Técnica e Extensão Rural, com o objetivo de apoiar a produção agrícola.

O plano estabelece ainda o fortalecimento do programa Mais Alimentos, voltado ao acesso à mecanização adaptada às pequenas propriedades e ao aumento da produtividade.

Diante dos eventos climáticos extremos, a proposta prevê o fortalecimento do Programa Garantia-Safra e a ampliação do acesso ao seguro rural para os agricultores familiares.

Também está previsto o aperfeiçoamento das regras de segurança agropecuária aplicadas às agroindústrias familiares, para facilitar a comercialização de produtos entre os estados.

O plano também estabelece medidas de regularização fundiária e de titulação de territórios quilombolas e de comunidades tradicionais.

Infraestrutura e permanência no campo 

Outra prioridade apresentada é ampliar o Programa Cisternas em regiões com estresse hídrico, garantindo água para consumo humano e produção agrícola.

Lula também propõe aumentar os investimentos em saneamento rural, ampliar o acesso à energia elétrica no campo, com prioridade para fontes renováveis, e fortalecer o Pronera, Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária.

Combate à fome e garantia de renda 

O plano de governo associa o combate à fome às políticas de transferência de renda, ao aumento do poder de compra da população e ao fortalecimento da produção de alimentos.

Para o próximo governo, Lula propõe dar continuidade ao fortalecimento das instâncias de participação e governança em segurança alimentar, além de manter a atuação brasileira na Aliança Global contra a Fome e a Pobreza. 

O QUE É AGRICULTURA FAMILIAR

É considerada Agricultura Familiar o agricultor que dirige diretamente sua produção; utiliza predominantemente a mão de obra familiar; tem a maior parte da renda proveniente das atividades exercidas em seu próprio estabelecimento, um imóvel rural com até quatro módulos fiscais. Para não deixar dúvidas essas definições estão descrita em lei(nº 11.326/2006.).

O último Censo Agropecuário de 2017 mostrou que 67% das pessoas que atuam no campo, ou 10,1 milhões de pessoas, trabalham com esse modelo de produção.

São 3,9 milhões de propriedades, equivalentes a 77% das unidades agropecuárias do país. Elas ocupam quase 81 milhões de hectares, ou 23% das áreas produtivas e agricultáveis do país.

Dessas propriedades saem alimentos frescos, básicos mas essenciais. Como banana, leite, mandioca…

Segundo o programa “Pacto para Fome”, criado em 2023 por coalizão multissetorial e suprapartidária da sociedade civil, entre as contribuições da agricultura familiar está a garantia da segurança alimentar com produção diversificada de alimentos frescos, saudáveis e nutritivos para as comunidades locais.

A Organização das Nações Unidas estima que mais de 80% dos alimentos no mundo são produzidos em pequenas propriedades, consolidando a participação desse modelo de produção nas metas de segurança alimentar e combate a fome.

 Aviso ao leitor: Esta reportagem faz parte de uma série da CNN Brasil sobre as propostas dos candidatos à Presidência da República para o agronegócio. Os textos abordam diferentes temas relacionados ao setor; por isso, esta análise se concentra na agricultura familiar, no fomento para os pequenos produtores e na produção destinada a segurança alimentar e ao combate à fome.

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USDA aponta alta de 3% na produção de ovos nos Estados Unidos

Os incubatórios dos Estados Unidos colocaram 246 milhões de ovos de linhagens destinadas à produção de frangos de corte em incubadoras na semana encerrada em 17 de outubro de 2026, alta de 3% em relação ao mesmo período do ano passado, conforme os dados do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos).

No mesmo intervalo, os produtores norte-americanos alojaram 193 milhões de pintinhos para a produção de carne, volume 2% superior ao registrado um ano antes. Os números indicam avanço tanto na etapa de incubação quanto no início da criação das aves destinadas ao abate.

De acordo com o relatório semanal do NASS (Serviço Nacional de Estatísticas Agrícolas), vinculado ao USDA, a taxa média de eclosão dos pintinhos foi de 79,7%. O indicador é calculado pela divisão do número de pintinhos nascidos na semana pelo total de ovos colocados em incubadoras três semanas antes.

No acumulado de 2026, considerando o período da semana encerrada em 10 de janeiro até 17 de outubro, o alojamento chegou a 8,03 bilhões de pintinhos nos Estados Unidos, crescimento de 2% em comparação com o mesmo intervalo de 2025.

Os dados de incubação e alojamento são acompanhados pelo mercado porque ajudam a estimar a oferta futura de carne de frango e a orientar decisões de produtores, frigoríficos e demais agentes da cadeia avícola. Como os pintinhos alojados ainda precisam passar pelo ciclo de criação, os números funcionam como um indicador antecipado da disponibilidade de aves para abate nas semanas seguintes.

O avanço nas duas etapas aponta para uma expansão moderada da atividade avícola norte-americana em relação ao ano anterior. Os dados, no entanto, não permitem concluir isoladamente como será o comportamento dos preços ou da oferta efetiva de carne de frango, que também depende do desempenho produtivo, do peso das aves ao abate, da demanda interna e do comércio internacional.

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Sudão autoriza importação de carnes, aves e material genético do Brasil

A autoridade sanitária do Sudão autorizou a entrada de novos produtos agropecuários brasileiros, ampliando as possibilidades de comércio entre os dois países. As aprovações abrangem carnes, produtos cárneos e miúdos de aves, bovinos e caprinos, além de aves de um dia, ovos férteis e material genético para reprodução animal.

A lista de produtos autorizados também inclui bovinos e búfalos destinados à reprodução, bem como embriões bovinos e bubalinos produzidos por técnicas in vitro e in vivo. A medida abre espaço para ampliar as exportações brasileiras tanto de proteína animal quanto de genética e insumos voltados à produção pecuária.

No segmento de aves, a autorização contempla animais de um dia e ovos férteis, produtos utilizados na formação e na expansão de plantéis. Já a liberação de carnes, produtos cárneos e miúdos abrange três grupos de animais — aves, bovinos e caprinos —, ampliando a variedade de itens brasileiros que poderão acessar o mercado sudanês.

Na área de reprodução animal, a inclusão de bovinos e búfalos vivos, além de embriões produzidos por diferentes técnicas, cria oportunidades para o fornecimento de animais e material genético brasileiro destinado ao melhoramento dos rebanhos e à expansão da atividade pecuária.

Exigências da UE geram impacto limitado nas exportações de carnes

 

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Raízen propõe aumento de capital de ao menos R$ 3,5 bilhões

A Raízen propôs um aumento de capital privado de, no mínimo, R$ 3,5 bilhões, com emissão de novas ações ordinárias e preferenciais das classes A e B. O preço de emissão será de R$ 0,25 por ação, independentemente da espécie ou classe, conforme comunicado ao mercado divulgado nesta quarta-feira (21).

A operação faz parte do plano de recuperação extrajudicial da companhia e de determinadas controladas, homologado em junho de 2026. A proposta prevê a subscrição mínima de 14 bilhões de ações e ainda depende de aprovações societárias.

O valor máximo da capitalização será definido posteriormente e levará em conta a eventual participação da Aguassanta Participações, a conversão de créditos sujeitos ao plano de recuperação e o exercício do direito de preferência pelos demais acionistas.

A criação das ações preferenciais classe B, a reclassificação das atuais ações preferenciais para a classe A, a instituição de um programa de Units e mudanças no estatuto social serão analisadas em assembleia geral extraordinária e assembleia especial de acionistas preferencialistas, convocadas para 30 de outubro.

Caso as propostas sejam aprovadas, o Conselho de Administração deverá deliberar sobre o aumento de capital em reunião prevista para 5 de novembro.

Direito de preferência

Os acionistas que detiverem ações da Raízen ao fim do pregão da B3 em 5 de novembro terão direito de preferência na subscrição dos novos papéis. As ações compradas a partir de 6 de novembro serão negociadas sem esse direito.

O período para exercício da preferência está previsto para começar em 6 de novembro e terminar em 7 de dezembro, totalizando 30 dias corridos. A proporção de subscrição e a quantidade de ações de cada classe a que os investidores terão direito serão definidas pelo Conselho de Administração e divulgadas posteriormente.

As ações preferenciais classe B não serão negociadas em bolsa de valores ou mercado de balcão organizado. Os papéis ficarão registrados exclusivamente nos livros da companhia, mantidos pelo escriturador.

As ações subscritas por meio do direito de preferência deverão ser integralizadas à vista, em dinheiro, na data de liquidação a ser informada pela empresa.

Mudança no código de negociação

Se a reclassificação das atuais ações preferenciais for aprovada nas assembleias, os papéis passarão a ser negociados como ações preferenciais classe A a partir de 3 de novembro, sob o código RAIZ5, em substituição ao ticker RAIZ4.

A Raízen prevê homologar a capitalização em reunião do Conselho de Administração marcada para 16 de dezembro, com crédito das novas ações aos investidores em 18 de dezembro. As datas são indicativas e podem ser alteradas.

A operação integra o plano de recuperação extrajudicial firmado em 5 de junho de 2026, cujo fechamento está previsto para ocorrer até 31 de março de 2027, prazo para o cumprimento das condições necessárias à conclusão do processo.

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