Vital Moreira considera acampadas em praças públicas uma ocupação ilícita

As atuais acampadas pela habitação começaram no Porto, a 10 de outubro, com a instalação de tendas na Praça D. João I, e chegaram a Lisboa uma semana depois, com a ocupação do Rossio. Os protestos surgiram num contexto de forte contestação aos preços da habitação e ao aumento do custo de vida, reivindicando medidas para facilitar o acesso a uma casa, combater a especulação e reduzir a pressão sobre os orçamentos familiares. A mobilização foi promovida por movimentos cívicos e difundida sobretudo através das redes sociais.
A questão deixou rapidamente de ser apenas política para passar também para o terreno jurídico, depois das intervenções da PSP para retirar as tendas. É neste contexto que Vital Moreira, num texto publicado no LinkedIn, defende que a ocupação de praças com tendas não pode ser confundida com o simples exercício do direito de manifestação. Segundo o constitucionalista, os manifestantes estarão a delimitar e reservar para si uma parte do espaço público, retirando-a ao uso comum.
Por essa razão, considera as acampadas ilícitas e entende que a polícia pode intervir para lhes pôr termo, desde que respeite o princípio da proporcionalidade. A posição surge num momento em que a PSP justificou as operações no Porto e em Lisboa, entre outros motivos, pela remoção de estruturas de acampamento instaladas sem a necessária autorização legal.
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