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Falha global que deixou parte da internet fora do ar atingiu o Brasil

22 October 2026 at 19:00

Uma falha de segurança na linguagem de programação PHP, utilizada por boa parte da internet global, derrubou sites e plataformas digitais na quarta-feira (21). O problema também atingiu o Brasil, provocando interrupção nos serviços digitais do governo.

A linguagem PHP alimenta cerca de 70% dos sites em todo o mundo, incluindo o publicador e gerenciador de sites WordPress.

A falha de segurança afetou plataformas globalmente, em países como Inglaterra, Irlanda, França e Holanda.

No Brasil, o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos confirmou que emitiu um alerta para todas as unidades de tecnologia do governo federal, por meio do Ctir.Gov (Centro de Prevenção, Tratamento e Respostas a Incidentes Cibernéticos do Governo Federal).

A orientação foi retirar temporariamente do ar todos os sistemas desenvolvidos em PHP, desabilitando qualquer tipo de acesso externo.

Um dos impactados foi o SEI (Sistema Eletrônico de Informações), sistema federal para produção e gestão de documentos e processos administrativos eletrônicos. Segundo o Ministério, o SEI foi tirado do ar preventivamente. Demandas urgentes relacionadas a documentos devem ser tramitadas pelo GOV.BR ou por e-mail.

A Fundação PHP, organização responsável pela linguagem de programação, implementou na quarta-feira uma correção para os bugs. A fundação recomentou que os operadores de sites que usam o sistema passem pela atualização imediatamente.

Após a interrupção dos serviços, o Ministério orientou pela atualização dos sistemas PHP para a versão corrigida.

À CNN Brasil, a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) informou que retirou o SEI do ar na quarta-feira, entre 12h15 e 22h05 (horário de Brasília), para a correção. A agência explicou que a medida foi “estritamente preventiva e alinhada a recomendações internacionais”, e que não houve registros de invasão.

Depois da correção, a Anatel reestabeleceu o SEI da Anatel, que opera normalmente.

O Ministério também confirmou que o GOV.BR não foi afetado e que ainda avalia a dimensão da falha.

“As equipes de segurança cibernética do Governo Federal estão avaliando os efeitos da correção em todos os sistemas afetados e trabalhando para garantir a atualização e a disponibilidade de todos os sistemas”.

Falha atingiu sites no mundo todo

Após a identificação da falha, operadoras de plataformas digitais ao redor do mundo tiveram que correr para atualizar seus sistemas.

A ministra do governo do Reino Unido, Elizabeth Lloyd, afirmou nesta quinta-feira, na Câmara dos Lordes, que quase três dezenas de serviços do governo britânico ficaram indisponíveis e quatro ficaram “parcialmente indisponíveis” durante as atualizações.

O site de notícias irlandês The Journal, o segundo mais popular do país, ficou fora do ar. Na Europa, sites governamentais da França, Dinamarca, Finlândia e Holanda, incluindo o da agência holandesa de segurança cibernética, foram temporariamente desativados durante as correções.

Autoridades de mais países alertaram para a situação.

A Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos e a agência europeia de cibersegurança aconselharam as empresas a tomarem medidas imediatas para corrigir as falhas.

O primeiro-ministro holandês, Rob Jetten, afirmou que seu gabinete estava “monitorando de perto a situação em torno das vulnerabilidades do PHP”.

A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, afirmou que as empresas devem considerar a suspensão de serviços, se necessário, para reduzir sua exposição. A companhia aérea japonesa ANA, a operadora ferroviária JR West e o maior banco do país, o MUFG, estiveram entre as companhias que relataram a suspensão temporária de algumas páginas da web e serviços.

IA ajudou a identificar falha no PHP

As falhas na linguagem de programação foram descobertas por equipes da OpenAI, da empresa de cibersegurança Wiz (que pertence ao Google) e da empresa de cibersegurança Calif.

Os bugs, chamados PHP2Shell, poderiam permitir que invasores acessassem sites e lessem a memória contida neles, incluindo informações confidenciais e senhas. Segundo a Reuters, uma empresa de computação em nuvem identificou milhões de tentativas de invasão utilizando a falha.

À CNN Internacional, a Nigel Green, CEO da empresa de consultoria financeira deVere Group, avaliou o impacto: “Com o PHP por trás de uma parcela tão vasta da web, a exposição poderia alcançar praticamente todos os lugares onde as pessoas gastam dinheiro online”,

“Plataformas de reservas, marketplaces, serviços de assinatura, sites de venda de ingressos, aplicativos de entrega e portais de serviços públicos podem estar armazenando dados de cartão em sistemas construídos com o mesmo tipo de código”, acrescentou.

Pesquisadores da Wiz, em uma publicação de blog na quarta-feira, descreveram o PHP como uma “espinha dorsal da web”. Para os especialistas, a IA teve papel crucial na descoberta e na correção de vulnerabilidades “que permaneceram ocultas no código-fonte do PHP por mais de uma década”.

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PF faz ação para prender 23 envolvidos com facção criminosa no Rio

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A Polícia Federal (PF) cumpre 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão nesta segunda-feira (19). A operação Backbone mira pessoas acusadas de impor monopólio sobre a exploração de serviço de internet em áreas dominadas pela facção criminosa Comando Vermelho, no Rio de Janeiro. Até as 9h15, 19 pessoas já haviam sido presas.

De acordo com a PF, a facção criminosa impõe o monopólio sobre a oferta de serviço de internet nos complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão, na zona norte da cidade do Rio de Janeiro, por meio do uso de armas e de ameaças contra os moradores.

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Segundo a PF, o grupo também lava o dinheiro obtido com a atividade criminosa, por meio de produtoras de eventos, empresas de publicidade, imóveis de alto padrão pagos em dinheiro e criptoativos.

Estratégia

As investigações mostraram que criminosos armados cortam cabos e incendeiam caixas de distribuição de provedores de internet concorrentes, impedem reparos e obrigam moradores e comerciantes a contratar o serviço de internet controlado pela facção.

Segundo a PF, em um único mês, a cobrança sobre o serviço de internet respondeu por mais de 40% de toda a arrecadação do grupo criminoso no Complexo da Penha, mostrando que a exploração desse serviço tornou-se uma das principais atividades da facção criminosa, o que fomenta a guerra pelo controle de territórios.

Mandados

Os mandados foram expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nos municípios do Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, São João de Meriti, Teresópolis, Maricá e Magé. Parte dos mandados de prisão está sendo cumprida no sistema prisional, inclusive em uma unidade do Sistema Penitenciário Federal, onde está detido um dos acusados de liderar o grupo criminoso.

A Justiça determinou também o bloqueio de bens e valores de 40 pessoas e 42 empresas, no valor total de R$ 558 milhões. Foi determinada ainda a suspensão das atividades econômicas das pessoas jurídicas em questão, entre provedores de internet, produtoras de eventos, empresa de contabilidade e empresas de fachada.

De acordo com a PF, os investigados poderão responder pelos crimes de domínio social estruturado, extorsão majorada, atentado contra a segurança de serviço de utilidade pública, interrupção de serviço telemático, desenvolvimento clandestino de telecomunicações e lavagem de dinheiro.

Autorizações

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) será oficiada para a cassação das outorgas e a interdição dos serviços de telecomunicações prestados por essas empresas, além de ter que adotar providências para assegurar a continuidade do serviço aos moradores das localidades afetadas.

STF cobra cumprimento de acesso gratuito a sites da Justiça Eleitoral

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O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quarta-feira (14) que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) envie à Corte informações sobre falhas das operadoras no acesso gratuito aos sites da Justiça Eleitoral durante o primeiro turno das eleições.

No mês passado, Zanin autorizou que pessoas com franquia de dados esgotada tivessem acesso gratuito aos domínios oficiais da Justiça Eleitoral, incluindo os sites do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e dos tribunais regionais eleitorais, para que os eleitores pudessem acessar informações sobre local de votação, justificativa eleitoral, checagem de desinformação, entre outras. 

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O acesso gratuito também deverá ser liberado pelas operadoras 72 horas antes do segundo turno e 24 horas após a votação.

Contudo, após o primeiro turno, o Partido Verde (PV), legenda que entrou com o pedido de liberação da franquia, citou que houve falhas no acesso aos aplicativos e-Título e Pardal, usado para registro de denúncias de propaganda eleitoral.

Na decisão desta quarta, Zanin deu prazo de 48 horas para a Anatel esclarecer as falhas apontadas. 

“Determino à Anatel que, em 48 horas, esclareça a causa das falhas verificadas nos endereços sso.acesso.gov.br e form.omni.serpro.gov.br e nos aplicativos e-Título, Pardal e Boletim na Mão, identificando, por meio dos próprios testes, os endereços e domínios de terceiros de que esses serviços dependem e que não constam da lista”, decidiu o ministro.

Procurada pela Agência Brasil, a Anatel declarou que não vai comentar a decisão. 

O caso chegou ao Supremo após a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e o PV protocolarem uma ação para garantir acesso à internet móvel para todos os brasileiros, independentemente do limite da franquia de dados, nas 72 horas que antecedem as eleições. 

As entidades alegaram que a limitação de franquia de dados impede acesso à informação durante o pleito.

 

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