Preços das casas disparam. “Pressão está a expandir-se territorialmente”, diz CEO da Century 21 Portugal
O aumento do preço das casas em 18,4% no segundo trimestre são vistos pelo CEO da Century 21 Portugal como a confirmação de um mercado que “continua a valorizar fortemente”, apesar de registar uma descida de 9% no número de transações de 41.608 para 37.854 alojamentos no período em análise.
Em declarações ao Jornal Económico, Ricardo Sousa considera, contudo que “o mais relevante é perceber como esta pressão se está a expandir territorialmente”, dando os exemplos da subida do preço das casas acima da média nacional nas regiões do Médio Tejo (+25,4%), Oeste (+24,0%), Lezíria do Tejo (+23,9%) e Península de Setúbal (+22,2%), mas também “valorizações muito superiores às de vários mercados centrais”.
“É um padrão coerente com aquilo que observamos no terreno: famílias que trabalham nos grandes centros estão a alargar a procura para concelhos próximos, com preços mais baixos, melhores ligações e maior qualidade de vida. Quando rendimentos gerados em mercados mais caros se deslocam para territórios com menor poder de compra local, essa procura adicional pode também pressionar os preços nesses mercados”, afirma.
Como tal, o CEO considera que “afastar a procura dos centros não resolve por si só o problema da acessibilidade”, defendendo a que habitação, a mobilidade, o rendimento e planeamento territorial “têm de ser pensados em conjunto”, à escala metropolitana e regional. “Construir mais é indispensável, mas continua a ser decisivo perceber onde, para quem e a que preço construímos”, salienta.
Lisboa e Porto com subidas abaixo da média nacional
Os preços da habitação aceleraram em 10 dos 24 municípios com mais de 100 mil habitantes, destacando-se Loures (9,7 p.p.) e Matosinhos (9,5 p.p.). O município de Guimarães (-13,4 p.p.) registou a maior desaceleração. Os municípios de Porto e Lisboa registaram decréscimos de 5,4 p.p. e 8,9 p.p. nas taxas de variação homóloga do primeiro para o segundo trimestre de 2026, respetivamente.
No trimestre em análise todos os municípios com mais de 100 mil habitantes da Grande Lisboa, Península de Setúbal e Área Metropolitana do Porto, com exceção de Santa Maria da Feira, registaram preços medianos de habitação superiores ao valor nacional (2.445 euros/m2).
Na Área Metropolitana do Porto, apenas Gondomar (22,9%) e Maia (18,8%), apresentaram taxas de variação homóloga superiores à nacional (18,4%). Na Grande Lisboa, apenas Oeiras (13,0%) e Lisboa (8,9%) ficaram aquém do crescimento do país, tendo Odivelas igualado o valor nacional. Na Península de Setúbal apenas o município de Almada (14,1%) apresentou uma taxa de variação homóloga inferior à do país.