O contrato futuro da soja para entrega em novembro fechou a sessão com valorização de 0,62% na Bolsa de Chicago, negociado a US$ 12,53 por bushel. O avanço foi impulsionado pelo forte crescimento das vendas externas dos Estados Unidos, com destaque para a demanda chinesa.
O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) informou vendas de 2,84 milhões de toneladas de soja na semana, ante 574,9 mil toneladas no levantamento anterior. A China respondeu por aproximadamente 77% do volume, sinalizando uma retomada das compras do principal importador mundial da oleaginosa.
O órgão também confirmou uma nova venda de 202 mil toneladas de soja americana para a China, referente a uma negociação realizada fora do período abrangido pelo relatório semanal.
A consultoria Royal Rural destacou que a valorização ocorre após três sessões consecutivas de queda dos preços em Chicago. Apesar do suporte da demanda externa, o avanço da colheita nos Estados Unidos continua limitando a recuperação. Até o momento do levantamento, 64% da área cultivada havia sido colhida, aumentando a disponibilidade de grãos no mercado.
Ainda de acordo com a Royal Rural, as compras chinesas ajudam a compensar a pressão da oferta americana. A continuidade do ritmo de vendas nas próximas semanas, porém, será determinante para avaliar a sustentação dos preços e a possibilidade de uma recuperação mais consistente na bolsa.
Milho
Mesmo com o aumento das vendas externas americanas, os preços do milho encerraram a sessão em queda na Bolsa de Chicago. O contrato futuro para entrega em dezembro recuou 0,59%, cotado a US$ 4,60 por bushel.
De acordo com a Granar, a perspectiva de ampla oferta nos Estados Unidos continuou limitando os preços. O USDA estima a produção do país em 407,28 milhões de toneladas, o que representaria a segunda maior safra da história americana.
Os números de exportação, por outro lado, superaram as expectativas do mercado. Entre 9 e 15 de outubro, as vendas de milho americano da safra 2026/27 totalizaram 1,527 milhão de toneladas, ante 1,122 milhão de toneladas na semana anterior. O resultado também ficou acima do intervalo projetado pelos comerciantes, de 800 mil a 1,5 milhão de toneladas.
Segundo o USDA, as vendas líquidas cresceram 36% em relação à semana anterior e 87% na comparação com a média das últimas quatro semanas. O México liderou as compras no período, com 477,7 mil toneladas.
Apesar da melhora no desempenho semanal, o acumulado da temporada permanece inferior ao do ano passado. Até 15 de outubro, os Estados Unidos haviam comercializado 22,19 milhões de toneladas de milho, volume 33,88% menor que as 33,56 milhões de toneladas registradas no mesmo intervalo de 2025.
Trigo
A perspectiva de uma safra robusta na Argentina aumentou a pressão sobre o mercado internacional de trigo. Em Chicago, o contrato futuro para entrega em dezembro encerrou a sessão com desvalorização de 0,56%, cotado a US$ 6,24 por bushel.
Segundo a Granar, os fundos de investimento ampliaram as vendas diante dos esforços diplomáticos para encerrar o conflito entre Rússia e Ucrânia. Apesar das negociações, o comércio agrícola na região permanece restrito, e os confrontos recentes reforçam as incertezas sobre a normalização dos fluxos de grãos no Mar Negro.
A oferta do Hemisfério Sul também está no radar dos investidores, com a proximidade da colheita e as perspectivas favoráveis para a produção argentina. Em sua primeira estimativa oficial para a temporada 2026/27, a BCR (Bolsa de Comércio de Rosário) projetou uma safra de 23,8 milhões de toneladas, acima dos 21 milhões de toneladas previstos preliminarmente em setembro.
Se confirmada, a produção será a segunda maior da série histórica, atrás apenas do recorde de 28,5 milhões de toneladas registrado na safra 2025/26. A estimativa considera uma área plantada de 6,95 milhões de hectares e produtividade média de 35,3 quintais por hectare, abaixo dos 7,1 milhões de hectares e dos 42 quintais por hectare registrados na temporada anterior.
A projeção da Bolsa de Comercio de Rosario também supera a estimativa do USDA, que calcula a produção argentina de trigo em 21,5 milhões de toneladas em 2026/27.
As cotações futuras do cacau recuaram para a mínima de duas semanas na sessão desta quinta-feira (22) na Bolsa de Nova York. O vencimento para dezembro finalizou o dia com queda de 4,47%, cotado em US$ 5.582 por tonelada.
De acordo com as informações do Barchart, os preços do cacau estão em forte queda hoje devido ao aumento dos estoques de cacau nas bolsas internacionais e às vendas técnicas.
Os estoques de cacau têm aumentado constantemente desde o início do ano, atingindo um pico de 3.635.354 sacas na última sessão, o maior nível em 2,5 anos.
Ainda segundo o Barchart, os preços do cacau estão sendo sustentados pela redução das remessas na Costa do Marfim. Dados do governo marfinense mostraram que os produtores entregaram 78.212 toneladas de cacau aos portos nesta temporada de comercialização, uma queda de 41% em relação às 133.209 toneladas entregues no mesmo período do ano passado.
Açúcar
O contrato futuro do açúcar para entrega em março encerrou o pregão com queda de 1,56% na Bolsa de Nova York, cotado a 20,13 centavos de dólar por libra-peso. A commodity atingiu a menor cotação em duas semanas, pressionada pela liquidação de posições compradas por investidores após alcançar a máxima do contrato na quarta-feira passada.
Segundo a Barchart, o posicionamento dos fundos de investimento também contribuiu para o movimento de baixa. A concentração de posições compradas aumenta a pressão sobre as cotações em momentos de realização de lucros.
Na segunda-feira, o governo do indiano determinou que as distribuidoras estatais de combustíveis interrompam, a partir de 1º de novembro, as compras de etanol produzido a partir da cana-de-açúcar. A medida pode direcionar mais matéria-prima para a fabricação de açúcar, ampliando a oferta do produto no mercado.
No Brasil, a previsão de tempo quente e seco nesta semana no Centro-Sul, principal região produtora de açúcar, também contribui para o viés negativo. As condições climáticas podem acelerar a colheita da cana-de-açúcar e favorecer a retomada da moagem nas usinas, aumentando a disponibilidade de açúcar.
Café
Os estoques de café arábica registraram um ganho nesta semana e isso influenciou para o pregão encerrar em queda na Bolsa de Nova York. O vencimento para entrega em dezembro teve queda de 1,55% e encerrou o dia negociado em U$S 3,11 por libra-peso.
A análise do Barchart apontou que os estoques tiveram um ganho de 4.847 sacas na sessão anterior, o que totaliza em torno de 239.748 mil sacas.
“O aumento nos estoques na última sessão foi consistente com os relatos do início da semana de que quase 280 mil sacas de café arábica aguardavam classificação na bolsa internacional, o maior volume em mais de um mês”, informou.
Suco de Laranja
Na Bolsa de Nova York, o preço futuro do suco de laranja para janeiro finalizou o dia com desvalorização de 1,96% e precificado em US$ 1,42 por libra-peso.
Algodão
O contrato futuro do algodão para entrega em dezembro encerrou a sessão com queda, cotado a 80,79 centavos de dólar por libra-peso.
Na Bolsa Intercontinental, os preços da fibra recuaram nesta quarta-feira, interrompendo a sequência de três sessões de ganhos. O mercado acompanhou o comportamento do dólar americano e o interesse dos investidores, enquanto o avanço da colheita nos Estados Unidos contribuiu para manter a cautela entre os operadores.
As atenções também se voltaram para o próximo relatório de vendas para exportação do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) e para a reunião do Fed (Federal Reserve), prevista para a próxima semana. As incertezas em torno desses eventos limitaram a disposição dos agentes para assumir posições no mercado.
O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) selecionou oito projetos de fabricação de fertilizantes que representam mais de US$ 1,34 bilhão em investimentos previstos no país. As iniciativas incluem aproximadamente US$ 573 milhões em recursos federais propostos e têm como objetivo ampliar a produção doméstica, reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros e aumentar a concorrência no setor.
O anúncio foi feito nesta quinta-feira (22) pelo vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, e pela secretária de Agricultura, Brooke Rollins. Os projetos foram selecionados no âmbito do Programa de Investimento e Expansão da Oferta Doméstica de Fertilizantes no Longo Prazo.
O programa conta com orçamento inicial de US$ 500 milhões. Além desses recursos, o governo pretende direcionar verbas recuperadas de projetos “malsucedidos” para “novas iniciativas com maior viabilidade financeira e investimentos privados”.
Segundo o USDA, os oito projetos abrangem a produção de fertilizantes nitrogenados, fosfatados, potássicos e sulfurados. Juntos, devem viabilizar aproximadamente 1,08 milhão de toneladas de produção e capacidade doméstica anual de fertilizantes.
A estimativa do departamento é que a ampliação da oferta reduza os preços dos fertilizantes nitrogenados em 4,4% e os da potassa em 5,3%, quando os projetos estiverem em operação. A produção doméstica de nitrogenados poderá crescer 3,7%, enquanto a de potassa poderá aumentar quase 40%.
Projetos selecionados
Entre os maiores investimentos está o da TalusAg, que prevê a instalação de 20 unidades modulares de fabricação de amônia em sete estados americanos. O projeto tem custo estimado em US$ 270,2 milhões, dos quais aproximadamente US$ 99,8 milhões em recursos federais propostos. A produção anual esperada é de 130 mil toneladas de amônia anidra.
A Intrepid Potash prevê construir uma unidade de sulfato de potássio nas proximidades de Carlsbad, no Novo México. O investimento total estimado é de US$ 265 milhões, com US$ 139 milhões em recursos federais propostos. A instalação deverá produzir 220 mil toneladas por ano.
Já a PCI Nitrogen pretende modernizar duas unidades de fabricação de fertilizantes no Texas e no Oregon, em um projeto de US$ 200 milhões. A iniciativa poderá receber aproximadamente US$ 100 milhões do USDA e deve sustentar uma produção anual de 148,3 mil toneladas de fertilizantes, incluindo ureia e sulfato de amônio.
Outro projeto prevê a construção de duas unidades da Agriculture Project Holdco, no Kansas e em Indiana, para transformar esterco de propriedades leiteiras em fertilizante líquido à base de nitrato de amônio. O investimento estimado é de US$ 360 milhões, com aproximadamente US$ 116,9 milhões em recursos federais propostos.
A lista também inclui a expansão da Peace Valley, na Flórida, com investimento de US$ 50,6 milhões; a modernização da AdvanSix, na Virgínia, em um projeto de US$ 98,1 milhões; a ampliação da SUL4R-PLUS Illinois, em um investimento de US$ 69,7 milhões; e a expansão da True Organic Products, com instalações na Califórnia, no Oregon e no Arizona, em um projeto de US$ 30,6 milhões.
O governo americano afirma que a ampliação da produção doméstica também busca reduzir a concentração do mercado de fertilizantes. De acordo com o comunicado do USDA, quatro empresas controlam aproximadamente 77% da capacidade de produção de fertilizantes nitrogenados da América do Norte. No segmento de fosfatados, duas companhias concentram mais de 90% da capacidade, enquanto outras duas respondem por cerca de 90% da produção regional de potassa.
A administração Trump afirma que os novos investimentos devem ampliar a capacidade de fabricação e a concorrência entre fornecedores, além de reduzir a exposição dos agricultores americanos às importações.
A participação brasileira na feira internacional de alimentos SIAL Paris 2026 resultou em US$ 452 milhões em negócios fechados durante os cinco dias do evento, segundo a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal). O valor representa alta de 256,7% em relação à edição anterior.
A entidade estima que os contatos e as negociações iniciados durante a feira possam gerar US$ 1,017 bilhão em exportações nos próximos 12 meses, crescimento de 15,6% em comparação com a projeção feita na edição anterior.
Encerrada na quarta-feira (21), a feira reuniu compradores de 40 mercados, países e regiões. As negociações envolveram destinos na Europa, Ásia, Oriente Médio, África, América Latina, Sudeste Asiático e Oceania.
De acordo com a ABPA, os contatos abrangeram mercados consolidados e novos destinos em expansão, com demandas que vão desde grandes volumes para abastecimento até produtos customizados e de maior valor agregado.
A ação brasileira foi promovida pela ABPA em parceria com a ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos). O presidente da associação, Ricardo Santin, afirmou que os resultados refletem a procura internacional por fornecedores de proteínas de aves e suínos.
“A diversidade dos mercados envolvidos e o volume de negócios alcançado mostram que a demanda internacional por proteínas de aves e suínos segue forte”, disse Santin, em nota. Segundo ele, compradores de diferentes regiões buscam fornecedores capazes de garantir qualidade, escala e regularidade.
A iniciativa reuniu 25 empresas e cooperativas em quatro espaços exclusivos, com área total superior a 670 metros quadrados. Entre as participantes estavam MBRF, C.Vale, Copacol, Frimesa, Lar Agroindustrial, Vibra Agroindustrial e Bello Alimentos. Seara Alimentos, Pamplona Alimentos e Aurora Alimentos também participaram da feira com espaços próprios.
A participação também promoveu as marcas setoriais Brazilian Chicken, Brazilian Egg, Brazilian Pork, Brazilian Breeders e Brazilian Duck, voltadas à divulgação dos produtos brasileiros no mercado internacional.
Segundo a gerente de marketing e promoção comercial da ABPA, Isis Sardella, a feira permitiu fortalecer relações comerciais existentes e iniciar negociações com novos compradores. A entidade também destacou a promoção de atributos da produção nacional, como qualidade, sustentabilidade, status sanitário e capacidade de adaptação às exigências de diferentes mercados.
A fabricante norueguesa de fertilizantes Yara registrou lucro líquido de US$ 199 milhões no terceiro trimestre, queda de 37,8% em relação aos US$ 320 milhões apurados no mesmo período do ano passado. O resultado refletiu, entre outros fatores, o aumento dos custos do gás natural na Europa e a redução das entregas de fertilizantes.
A receita líquida, por outro lado, cresceu 9,3% na comparação anual, para US$ 4,48 bilhões.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), recuou 9,5%, de US$ 770 milhões para US$ 697 milhões.
Segundo a companhia, os custos mais elevados do gás europeu e o menor volume de entregas superaram o efeito positivo dos preços mais altos do nitrogênio. A produção de produtos acabados ficou 8% abaixo da registrada um ano antes, devido a paradas operacionais não programadas e manutenções planejadas.
No acumulado de janeiro a setembro, a Yara registrou lucro líquido de US$ 1,07 bilhão, alta de 3,9% em relação aos US$ 1,03 bilhão do mesmo intervalo de 2025. A receita avançou 12,5%, de US$ 11,7 bilhões para US$ 13,16 bilhões, enquanto o Ebitda aumentou 34,3%, para US$ 2,66 bilhões.
Entregas e produção
As entregas globais de fertilizantes da Yara caíram 3,3% no terceiro trimestre, de 6 milhões de toneladas para 5,8 milhões de toneladas. No acumulado dos nove primeiros meses, o volume recuou 6,1%, de 18 milhões para 16,9 milhões de toneladas.
A produção de fertilizantes também diminuiu. No terceiro trimestre, foram produzidas 4,89 milhões de toneladas, queda de 7,7%. Entre janeiro e setembro, a produção totalizou 15,08 milhões de toneladas.
No Brasil, as entregas somaram 1,84 milhão de toneladas no terceiro trimestre, recuo de 3,7% em relação ao mesmo período de 2025. No acumulado do ano, o volume chegou a 4,22 milhões de toneladas, com uma redução de 1,4%.
A produção de fertilizantes NPK, que combinam nitrogênio, fósforo e potássio e são os mais utilizados na agricultura, caiu 9,4% no trimestre, de 1,75 milhão para 1,585 milhão de toneladas. Nos nove primeiros meses do ano, a produção recuou 4,1%, para 4,63 milhões de toneladas.
Em sentido contrário, a produção de SSP (superfosfato simples) aumentou. O volume passou de 24 mil toneladas no terceiro trimestre de 2025 para 35 mil toneladas no mesmo período deste ano, alta de 45,8%. No acumulado de janeiro a setembro, a produção cresceu de 94 mil para 157 mil toneladas, avanço de 67%.
A produção de amônia recuou 19,3% no terceiro trimestre, com 1,51 milhão de toneladas. No acumulado do ano, a queda foi de 13,3%, de 5,33 milhões para 4,62 milhões de toneladas.
As entregas de amônia tiveram redução mais moderada, de 465 mil para 458 mil toneladas no trimestre, queda de 1,5%. Entre janeiro e setembro, o volume passou de 1,39 milhão para 1,31 milhão de toneladas, recuo de 5,8%.
No resultado financeiro trimestral, a empresa também registrou perdas cambiais líquidas de US$ 64 milhões, enquanto teve um ganho de US$ 14 milhões um ano antes. Segundo a Yara, a valorização da coroa norueguesa em relação ao euro gerou perdas em posições de financiamento interno, parcialmente compensadas por ganhos relacionados à dívida denominada em dólares.
Margens nas Américas
O Ebitda das operações nas Américas, excluídos itens especiais, somou US$ 155 milhões no terceiro trimestre, queda de 38% em relação ao mesmo período de 2025. A companhia atribuiu o resultado principalmente à redução das margens comerciais no Brasil e ao menor volume de entregas.
As entregas da região diminuíram 5% na comparação anual. Além da redução dos volumes brasileiros, o desempenho foi afetado pela manutenção programada da unidade de Belle Plaine, no Canadá.
No acumulado dos nove primeiros meses, o Ebitda das Américas, excluídos itens especiais, foi de US$ 593 milhões, recuo de 8% em relação ao mesmo intervalo do ano passado. As margens comerciais menores no Brasil e a manutenção no Canadá mais do que compensaram as margens mais elevadas observadas no primeiro semestre.
As entregas globais da companhia também foram afetadas pela menor demanda e por paradas programadas de manutenção nas regiões das Américas, África e Ásia. Na Europa, a Yara identificou uma recuperação das entregas de produtos premium em direção ao fim do trimestre.
Custos do gás e perspectivas
A Yara informou que reduziu a produção europeia em resposta aos preços elevados do gás natural. No terceiro trimestre, a companhia restringiu 150 mil toneladas de produção de amônia e 115 mil toneladas de produtos acabados, principalmente na fábrica de Ferrara, na Itália.
Em 16 de outubro, os cortes de produção estavam em 270 mil toneladas de amônia por trimestre, incluindo 180 mil toneladas de amônia não integrada à produção de outros fertilizantes, e 140 mil toneladas de produtos acabados por trimestre.
A empresa utiliza a flexibilidade de sua estrutura produtiva para ajustar os volumes de acordo com os custos e as margens de cada produto. Segundo a companhia, é possível reduzir anualmente cerca de 1 milhão de toneladas da capacidade europeia de produção de amônia sem afetar a fabricação de produtos acabados.
No mercado internacional, a Yara afirmou que a comercialização de fertilizantes nitrogenados começou a nova temporada em ritmo lento. As incertezas relacionadas ao conflito no Oriente Médio, às exportações chinesas e às importações indianas levaram compradores a adiar decisões no início do terceiro trimestre. A companhia, porém, observou uma retomada das compras na Europa no fim do período e encerrou o trimestre com uma carteira de pedidos acima do normal para essa época do ano.
A empresa também destacou que uma parcela significativa das compras sazonais ainda precisa ser realizada, em um cenário de oferta mais restrita proveniente do Oriente Médio. Segundo a Yara, os preços agrícolas mais elevados também melhoraram a capacidade de compra dos produtores rurais em comparação com a temporada anterior.
A companhia estima que os custos com gás natural, considerando volumes equivalentes aos do período de comparação e com base nos mercados futuros de 13 de outubro, sejam US$ 450 milhões maiores no quarto trimestre de 2026 e US$ 445 milhões maiores no primeiro trimestre de 2027, em relação aos mesmos períodos de um ano antes. As projeções podem mudar conforme a evolução dos preços do gás e as condições contratuais locais.
A Yara ainda afirma que mantém um programa de melhoria de resultados que prevê acrescentar US$ 200 milhões ao Ebitda até o fim de 2027 e outros US$ 150 milhões até o fim de 2030. As medidas incluem maior utilização dos ativos industriais, otimização logística e realocação de capital.
Em julho, a companhia anunciou a aquisição de uma fábrica de amônia na Costa do Golfo dos Estados Unidos. O negócio busca diversificar a exposição da empresa aos custos de energia e ampliar sua capacidade de produção competitiva. A Yara espera concluir a transação até o fim de 2026.
Os incubatórios dos Estados Unidos colocaram 246 milhões de ovos de linhagens destinadas à produção de frangos de corte em incubadoras na semana encerrada em 17 de outubro de 2026, alta de 3% em relação ao mesmo período do ano passado, conforme os dados do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos).
No mesmo intervalo, os produtores norte-americanos alojaram 193 milhões de pintinhos para a produção de carne, volume 2% superior ao registrado um ano antes. Os números indicam avanço tanto na etapa de incubação quanto no início da criação das aves destinadas ao abate.
De acordo com o relatório semanal do NASS (Serviço Nacional de Estatísticas Agrícolas), vinculado ao USDA, a taxa média de eclosão dos pintinhos foi de 79,7%. O indicador é calculado pela divisão do número de pintinhos nascidos na semana pelo total de ovos colocados em incubadoras três semanas antes.
No acumulado de 2026, considerando o período da semana encerrada em 10 de janeiro até 17 de outubro, o alojamento chegou a 8,03 bilhões de pintinhos nos Estados Unidos, crescimento de 2% em comparação com o mesmo intervalo de 2025.
Os dados de incubação e alojamento são acompanhados pelo mercado porque ajudam a estimar a oferta futura de carne de frango e a orientar decisões de produtores, frigoríficos e demais agentes da cadeia avícola. Como os pintinhos alojados ainda precisam passar pelo ciclo de criação, os números funcionam como um indicador antecipado da disponibilidade de aves para abate nas semanas seguintes.
O avanço nas duas etapas aponta para uma expansão moderada da atividade avícola norte-americana em relação ao ano anterior. Os dados, no entanto, não permitem concluir isoladamente como será o comportamento dos preços ou da oferta efetiva de carne de frango, que também depende do desempenho produtivo, do peso das aves ao abate, da demanda interna e do comércio internacional.
A autoridade sanitária do Sudão autorizou a entrada de novos produtos agropecuários brasileiros, ampliando as possibilidades de comércio entre os dois países. As aprovações abrangem carnes, produtos cárneos e miúdos de aves, bovinos e caprinos, além de aves de um dia, ovos férteis e material genético para reprodução animal.
A lista de produtos autorizados também inclui bovinos e búfalos destinados à reprodução, bem como embriões bovinos e bubalinos produzidos por técnicas in vitro e in vivo. A medida abre espaço para ampliar as exportações brasileiras tanto de proteína animal quanto de genética e insumos voltados à produção pecuária.
No segmento de aves, a autorização contempla animais de um dia e ovos férteis, produtos utilizados na formação e na expansão de plantéis. Já a liberação de carnes, produtos cárneos e miúdos abrange três grupos de animais — aves, bovinos e caprinos —, ampliando a variedade de itens brasileiros que poderão acessar o mercado sudanês.
Na área de reprodução animal, a inclusão de bovinos e búfalos vivos, além de embriões produzidos por diferentes técnicas, cria oportunidades para o fornecimento de animais e material genético brasileiro destinado ao melhoramento dos rebanhos e à expansão da atividade pecuária.
A Raízen propôs um aumento de capital privado de, no mínimo, R$ 3,5 bilhões, com emissão de novas ações ordinárias e preferenciais das classes A e B. O preço de emissão será de R$ 0,25 por ação, independentemente da espécie ou classe, conforme comunicado ao mercado divulgado nesta quarta-feira (21).
A operação faz parte do plano de recuperação extrajudicial da companhia e de determinadas controladas, homologado em junho de 2026. A proposta prevê a subscrição mínima de 14 bilhões de ações e ainda depende de aprovações societárias.
O valor máximo da capitalização será definido posteriormente e levará em conta a eventual participação da Aguassanta Participações, a conversão de créditos sujeitos ao plano de recuperação e o exercício do direito de preferência pelos demais acionistas.
A criação das ações preferenciais classe B, a reclassificação das atuais ações preferenciais para a classe A, a instituição de um programa de Units e mudanças no estatuto social serão analisadas em assembleia geral extraordinária e assembleia especial de acionistas preferencialistas, convocadas para 30 de outubro.
Caso as propostas sejam aprovadas, o Conselho de Administração deverá deliberar sobre o aumento de capital em reunião prevista para 5 de novembro.
Direito de preferência
Os acionistas que detiverem ações da Raízen ao fim do pregão da B3 em 5 de novembro terão direito de preferência na subscrição dos novos papéis. As ações compradas a partir de 6 de novembro serão negociadas sem esse direito.
O período para exercício da preferência está previsto para começar em 6 de novembro e terminar em 7 de dezembro, totalizando 30 dias corridos. A proporção de subscrição e a quantidade de ações de cada classe a que os investidores terão direito serão definidas pelo Conselho de Administração e divulgadas posteriormente.
As ações preferenciais classe B não serão negociadas em bolsa de valores ou mercado de balcão organizado. Os papéis ficarão registrados exclusivamente nos livros da companhia, mantidos pelo escriturador.
As ações subscritas por meio do direito de preferência deverão ser integralizadas à vista, em dinheiro, na data de liquidação a ser informada pela empresa.
Mudança no código de negociação
Se a reclassificação das atuais ações preferenciais for aprovada nas assembleias, os papéis passarão a ser negociados como ações preferenciais classe A a partir de 3 de novembro, sob o código RAIZ5, em substituição ao ticker RAIZ4.
A Raízen prevê homologar a capitalização em reunião do Conselho de Administração marcada para 16 de dezembro, com crédito das novas ações aos investidores em 18 de dezembro. As datas são indicativas e podem ser alteradas.
A operação integra o plano de recuperação extrajudicial firmado em 5 de junho de 2026, cujo fechamento está previsto para ocorrer até 31 de março de 2027, prazo para o cumprimento das condições necessárias à conclusão do processo.
O contrato futuro da soja para entrega em novembro encerrou a sessão desta quarta-feira (21) com queda de 0,24% na bolsa de Chicago, cotado a US$ 12,45 por bushel. Segundo a Granar, a oleaginosa completou o oitavo pregão consecutivo de perdas, pressionada pelo avanço da colheita nos Estados Unidos.
As condições climáticas secas em grande parte do Meio-Oeste americano favorecem os trabalhos no campo, com previsão de continuidade desse cenário por pelo menos sete dias. O ritmo acelerado da colheita amplia a entrada da nova safra no mercado e contribui para pressionar os preços.
As cotações também não reagiram às novas vendas de soja americana da safra 2026/2027 confirmadas pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). Nesta quarta-feira, o órgão informou negócios de 134 mil toneladas para a China e 165 mil toneladas para a Espanha.
As operações se somam às vendas anunciadas entre segunda e terça-feira, que totalizaram 726 mil toneladas para a China e 261 mil toneladas para destinos não identificados.
No Brasil, o plantio da safra de soja avança em ritmo relativamente normal, ligeiramente acima do registrado no ano passado e da média dos últimos cinco anos. De acordo com a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), a semeadura alcançou 30,1% da área prevista até terça-feira, ante 21,4% no mesmo período de 2025 e média histórica de 26,4%.
Apesar do avanço dos trabalhos, a necessidade de chuvas permanece concentrada em regiões do Centro-Oeste e do Sul do país, onde a disponibilidade de umidade é importante para o desenvolvimento das lavouras.
Milho
O contrato futuro do milho para entrega em dezembro encerrou a sessão com valorização de 0,27% na bolsa de Chicago, cotado a US$ 4,63 por bushel.
Segundo a Granar, a alta interrompeu uma sequência de seis sessões consecutivas de perdas. O movimento foi favorecido por operações de hedge dos investidores, após a recente liquidação de contratos, e pela possibilidade de ampliação das exportações americanas para a União Europeia.
Apesar da recuperação, os ganhos foram limitados pelo avanço da colheita nos Estados Unidos, que caminha para se tornar a segunda maior da história do país. As condições climáticas secas no cinturão produtor de milho e soja favorecem os trabalhos no campo e aceleram a entrada de novos grãos no mercado, ampliando a oferta e pressionando os preços.
Trigo
O contrato futuro do trigo para entrega em dezembro encerrou a sessão com queda de 2,33% na bolsa de Chicago, cotado a US$ 6,25 por bushel.
Segundo a Granar, os preços do cereal voltaram a recuar nos mercados americanos, pressionados pela intensificação da liquidação de contratos por fundos de investimento. O movimento contribuiu para a sétima semana consecutiva de perdas para o trigo.
Entre os fatores que influenciam as cotações está o início da colheita no Hemisfério Sul, que deve ampliar a oferta global e abrir novas possibilidades de abastecimento para os importadores. A disponibilidade adicional pode favorecer compradores que buscam alternativas aos embarques prejudicados pela turbulência na região do Mar Negro.
A retomada das negociações diplomáticas em busca de uma solução para a guerra entre Rússia e Ucrânia também contribui para o movimento de baixa, diante das possíveis mudanças nas perspectivas de oferta e comercialização do cereal na região.
Os contratos futuros do café arábica fecharam em alta na sessão desta quarta-feira (21) bolsa de Nova York. O vencimento para dezembro avançou 1,56%, cotado a US$ 3,16 por libra-peso, recuperando parte das perdas registradas na sessão anterior.
Segundo a Barchart, a valorização reverteu grande parte da queda de 1,39% observada na terça-feira, quando o mercado foi pressionado pela informação de que quase 28 mil sacas de café arábica aguardavam classificação na bolsa internacional, o maior volume em mais de um mês.
Apesar desse aumento na fila de classificação, os estoques certificados de arábica na ICE recuaram para 234.901 sacas na terça-feira, o menor patamar em cinco semanas. O volume permanece próximo da mínima de 27 anos, de 217.646 sacas, registrada em 15 de setembro.
Cacau
O contrato futuro do cacau para entrega em dezembro encerrou o pregão com alta de 0,72%, cotado a US$ 5.843 por tonelada.
Segundo o Barchart, os preços da commodity avançaram pela terceira sessão consecutiva nesta sessão, diante de sinais de redução da oferta na Costa do Marfim. Dados do governo do país mostram que os produtores entregaram 78.212 toneladas de cacau aos portos entre 1º e 18 de outubro, volume 41% inferior às 133.209 toneladas registradas no mesmo período do ano passado.
Os indicadores de demanda, por sua vez, apresentaram resultados distintos entre as principais regiões consumidoras. Na América do Norte, a moagem de cacau recuou 2,5% no terceiro trimestre em relação ao mesmo período de 2025, para 109.978 toneladas, segundo a Associação Nacional de Confeiteiros.
Na Ásia, a moagem avançou 29% na comparação anual, para 233.767 toneladas, de acordo com a Associação de Cacau da Ásia. O crescimento superou a expectativa de alta de 15% e representou um recorde.
Já na Europa, a moagem aumentou 3,2% no terceiro trimestre, para 348.215 toneladas, conforme dados da Associação Europeia de Cacau. O resultado também surpreendeu o mercado, que esperava uma retração de 3,9% na comparação anual.
Açúcar
O contrato futuro do açúcar para entrega em março fechou o pregão com queda de 0,34% na bolsa de Nova York, cotado a 20,45 centavos de dólar por libra-peso.
Segundo o Barchart, os preços do açúcar recuaram pela quarta sessão consecutiva, pressionados pela liquidação de posições compradas após a commodity atingir a máxima do contrato na quarta-feira passada.
O movimento também reflete o posicionamento dos fundos de investimento. O relatório semanal Compromisso dos analistas, divulgado na última sexta-feira, mostrou que os fundos ampliaram em 16.184 contratos suas posições compradas em açúcar na Bolsa de Nova York na semana encerrada em 13 de outubro. Com isso, a posição líquida comprada chegou a 228.743 contratos, o maior nível em mais de cinco anos, o que aumenta a pressão para realização de lucros.
Além disso, os preços foram pressionados pela decisão do governo da Índia de determinar que as distribuidoras estatais de combustíveis interrompam, a partir de 1º de novembro, as compras de etanol produzido a partir da cana-de-açúcar. A medida pode direcionar mais matéria-prima para a produção de açúcar, ampliando a oferta do adoçante no mercado.
Suco de Laranja
O contrato futuro do suco de laranja para entrega em janeiro encerrou o pregão na Bolsa de Nova York com queda de 2,42%, cotado a US$ 1,45 por libra-peso.
Algodão
O contrato futuro do algodão para entrega em dezembro encerrou o pregão com valorização de 1,17%, cotado a 81,83 centavos de dólar por libra-peso.
Segundo o Barchart, o mercado Seam registrou a venda de 2.550 fardos na terça-feira (20), a um preço médio de 76,22 centavos de dólar por libra-peso. No mesmo dia, o índice Cotlook A avançou 20 pontos, para 91,15.
Os estoques de algodão certificados pela ICE aumentaram em 2.000 fardos em 20 de outubro, totalizando 18.618 fardos. Já o preço mundial ajustado subiu 80 pontos na semana passada, alcançando 64,61 centavos de dólar por libra-peso.
A Malásia se juntou ao México e anunciou a suspensão da importação de carnes, produtos cárneos e miúdos de aves de todo o país, após o Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária) confirmar um caso da doença de Newcastle em uma granja em Santa Catarina nesta segunda-feira (19).
Segundo a pasta, a Arábia Saudita também notificou o Brasil sobre a suspensão da importação de carne e produtos cárneos de aves provenientes de Santa Catarina.
O ministério reforçou que mantém diálogo com outros parceiros comerciais para assegurar a transparência das informações e avançar em tratativas para a adequação das exportações.
“O Mapa mantém articulação com as autoridades sanitárias dos países importadores, fornecendo informações técnicas sobre a ocorrência e as medidas de controle adotadas. A atuação busca assegurar a transparência das informações e avançar nas tratativas para a retomada segura do comércio, em conformidade com os requisitos sanitários de cada mercado”, destacou o ministério em nota.
“A situação dos demais mercados segue em monitoramento pelo Ministério, que divulgará novas informações à medida que houver atualizações confirmadas”, complementou.
Outras suspensões
Nesta semana, o México já havia anunciado a suspensão da importação, de todo o território nacional, de aves vivas, carne e miúdos de aves, ovos férteis, pintinhos de até três dias e aves canoras, ornamentais ou de rapina destinadas à comercialização e aves de companhia.
Na mesma data, China e Chile também comunicaram ao ministério a suspensão de produtos provenientes de Santa Catarina.
O país asiático, principal parceiro comercial do agronegócio brasileiro, restringiu os embarques de carne e produtos cárneos de aves.
Já o Chile anunciou que vai suspender a compra de ovos férteis, ovos SPF, pintinhos de um dia, aves ornamentais, carne fresca de aves, ovos para consumo humano e produtos cárneos contendo carne fresca de aves.
Doença de Newcastle
O caso de Newcastle foi identificado durante um programa de vigilância ativa da defesa agropecuária. De acordo com o ministro da Agricultura, André de Paula, a coleta de amostras ocorreu em 21 de setembro. Em 14 de outubro, os resultados indicaram a possibilidade de infecção, o que levou à suspensão das atividades da granja e à realização de novos testes. A confirmação ocorreu em 18 de outubro.
O Ministério da Agricultura iniciou as operações para eliminar o foco da doença. Na propriedade, as autoridades vão sacrificar as aves e realizar a limpeza e a desinfecção das instalações. A retomada da produção dependerá do cumprimento dos protocolos sanitários e da ausência de novos casos.
As medidas de vigilância e controle abrangem Nova Itaberaba e outros três municípios: Nova Erechim, Coronel Freitas e Águas Frias. Ao todo, 133 granjas estão incluídas na área de monitoramento, segundo o ministério.
As autoridades vão acompanhar a situação durante o período de incubação da doença, estimado em 21 dias. O protocolo prevê dois períodos de 21 dias, totalizando 42 dias de acompanhamento.
O Brasil poderá voltar a ser considerado livre da doença de Newcastle após 90 dias, conforme as regras sanitárias aplicáveis ao caso.
O excesso de chuvas durante a colheita e a ocorrência de doenças nas lavouras agravaram as perspectivas para a safra de trigo do Paraná e reduziram a oferta esperada de grãos de qualidade adequada à panificação. Segundo o Sinditrigo-PR (Sindicato da Indústria do Trigo do Paraná), a estimativa inicial de déficit de 1,6 milhão de toneladas entre a produção estadual e o volume processado pelos moinhos subiu para cerca de 1,7 milhão de toneladas.
Em setembro, o Deral (Departamento de Economia Rural do Paraná) reduziu em 10% a estimativa de produção estadual, para 2,13 milhões de toneladas. Um novo levantamento, previsto para 29 de outubro, deve trazer uma avaliação atualizada da safra, com expectativa de nova redução na produção.
No boletim conjuntural divulgado em 15 de outubro, o Deral informou que a avaliação das lavouras pendentes de colheita voltou a piorar. Dos 182 mil hectares ainda por colher, 12% foram classificados como ruins, 42% como médios e 46% como bons. Na estimativa de setembro, quando ainda havia 392 mil hectares pendentes, os percentuais eram de 7%, 29% e 64%, respectivamente.
O órgão também apontou que as chuvas frequentes durante o avanço da colheita comprometeram a qualidade dos grãos, inclusive em lavouras com potencial produtivo médio e alto. A previsão meteorológica indicava a continuidade das precipitações no estado, o que poderia dificultar a conclusão dos trabalhos em condições adequadas.
O cenário ocorre em um estado que responde por cerca de 30% da produção nacional de farinha de trigo, com moagem de 3,85 milhões de toneladas por safra.
A presidente do Sinditrigo-PR, Paloma Venturelli, afirma que a disponibilidade de trigo adequado à panificação é uma das principais preocupações do setor. No Norte do Paraná, a produção estimada para esta safra é de aproximadamente 750 mil toneladas, das quais apenas 400 mil devem ser de trigo Tipo 1, utilizado na fabricação de produtos de panificação.
No ano passado, a região produziu cerca de 900 mil toneladas, a maior parte classificada como Tipo 1. Segundo Venturelli, os números das regiões de Guarapuava e dos Campos Gerais ainda estão em apuração e serão importantes para dimensionar a oferta estadual de trigo de melhor qualidade.
“Para uma indústria formada, em grande parte, por moinhos de panificação, esse volume de 400 mil toneladas é muito baixo”, afirmou.
Importações e custos para os moinhos
A indústria já projetava um déficit de abastecimento nesta safra em razão da redução da área plantada com trigo. Com a piora da qualidade e da produtividade, o setor prevê maior dependência de importações, principalmente da Argentina, para atender à demanda dos moinhos paranaenses.
“Veja que essa piora de um cenário que já era muito ruim é realmente alarmante. Um quadro como esse coloca o Paraná numa dependência muito grande de trigo importado e aumenta a pressão sobre as margens dos moinhos, que vão precisar repassar o aumento de custos aos preços da farinha”, disse Venturelli.
Além da disponibilidade do cereal no mercado internacional, o sindicato aponta desafios logísticos para receber o volume importado. A operação nos portos e o transporte do trigo até as diferentes regiões do Paraná, onde estão instalados os moinhos, exigirão atenção do setor.
O Deral informou que os preços do trigo subiram 5% em setembro, em reação à menor disponibilidade interna, e ficaram estáveis na primeira quinzena de outubro. Embora o câmbio e a queda das cotações internacionais exerçam pressão de baixa, a escassez de trigo de alta qualidade continua sustentando os preços no curto prazo.
Incentivo ao plantio
A preocupação do Sinditrigo-PR também envolve o próximo ciclo agrícola. Segundo a entidade, a combinação de perdas de qualidade, redução de produtividade e dificuldades enfrentadas pelos produtores pode desestimular novos plantios e ampliar a diminuição da área cultivada com trigo no estado.
O sindicato pretende levar ao próximo governo propostas para ampliar o espaço da cultura na política agrícola. Entre as medidas defendidas estão a criação de um Plano Safra específico para o trigo e de um programa de seguro rural que incentive o plantio e ajude a tornar a atividade economicamente viável para os produtores.
A entidade argumenta que políticas de incentivo à produção são importantes para reduzir a vulnerabilidade do abastecimento interno e a dependência do mercado externo.
“A gente precisa falar de segurança de abastecimento, porque é o pãozinho nosso de cada dia”, afirmou Venturelli.
Em julho de 2026, a inadimplência atingiu 9,2 milhões de empresas brasileiras, somando R$ 238,6 bilhões em dívidas, segundo levantamento da Serasa Experian. Com a maior parte dos casos concentrada entre micro e pequenas empresas, o cenário reforça um desafio para os negócios: como identificar riscos com agilidade e confiança antes que se transformem em prejuízos?
Em um mercado que exige respostas cada vez mais rápidas, antecipar possíveis imprevistos pode fazer toda a diferença. A inteligência artificial tem ajudado para essa agilidade ao permitir a análise de grandes volumes de informações em poucos segundos. No entanto, antes fosse a rapidez o único fator relevante.
Para fazer escolhas mais seguras, é preciso ter informações confiáveis, especialmente quando um erro pode comprometer os resultados de uma empresa, tanto no curto quanto no longo prazo. Sem dados de qualidade e uma análise capaz de interpretar o contexto, até mesmo uma resposta rápida pode levar ao caminho errado.
É nesse ponto que entra a IA², abordagem desenvolvida pela Serasa Experian, a maior datatech do país. O conceito parte da inteligência analítica da companhia, potencializada pela inteligência artificial. Enquanto a capacidade analítica permite identificar e contextualizar os dados mais relevantes para uma avaliação precisa de cada situação, a IA amplia o poder de processamento para apoiar decisões mais ágeis e confiáveis.
Se antes dados e modelos analíticos já faziam parte das operações da Serasa Experian, hoje, com a inteligência artificial, a empresa intensificou ainda mais a velocidade e o volume de informações processadas, reforçando sua posição como referência no mercado de datatech.
Encontrar quem tem maior chance de comprar
Alcançar muita gente não significa chegar às pessoas certas. Para uma área de marketing, uma audiência numerosa perde valor se boa parcela dos consumidores tiver pouca afinidade com aquilo que está sendo anunciado.
Modelos de propensão cruzam diferentes variáveis para estimar a chance de compra. A IA acelera esse processamento e seleciona, entre milhões de consumidores, os grupos mais aderentes a cada campanha e os momentos mais adequados para abordá-los.
Segundo a Serasa Experian, clientes que combinam esses recursos registram economia de até 50% no investimento em mídia. Uma seleção mais precisa do público reduz o desperdício de verba com anúncios dirigidos a pessoas com baixa propensão à compra.
Em campanhas de grande alcance, essa seleção pode ser atualizada à medida que novos registros são incorporados. A inteligência artificial analisa grandes bases e atualiza os grupos de consumidores sem exigir uma avaliação individual de cada pessoa.
Mais dados entram na decisão de crédito
Histórico de pagamentos, Score e renda há tempos fazem parte da avaliação de crédito. Hoje, registros transacionais e aspectos do contexto domiciliar e relacional ajudam a ampliar essa análise sobre o consumidor.
O cruzamento dessas variáveis permite diferenciar os perfis de risco e identifica solicitações que reúnem condições para aprovação sem flexibilizar os critérios adotados pela empresa.
De acordo com a Serasa Experian, seus clientes registram redução de até 67% no tempo de análise, acompanhada de aumento nas taxas de aprovação.
Em operações com milhares de solicitações, reduzir etapas manuais encurta a espera por uma resposta e aumenta o número de pedidos analisados. A qualidade das informações, os modelos adotados e os critérios definidos para a concessão ajudam a sustentar cada decisão.
Fraude exige resposta em segundos
Poucos segundos separam uma compra corriqueira de uma transação que merece investigação. Reconhecer sinais suspeitos com agilidade é essencial, mas verificações excessivas criam atrito para clientes legítimos e prejudicam a conversão.
Na biometria facial, algoritmos examinam características da imagem e cruzam esses elementos com outros mecanismos de proteção. A análise procura indícios de irregularidade em plataformas que recebem um grande número de transações simultaneamente.
A Serasa Experian informa que suas análises de biometria facial atingem mais de 90% de acurácia. A tecnologia também identifica padrões emergentes e automatiza etapas da investigação, reduzindo o tempo de resposta diante de tentativas de fraude.
A automação, no entanto, exige acompanhamento, revisão de critérios e governança, da origem e do tratamento das informações à definição dos limites de cada tecnologia.
O endereço também pesa no crédito rural
Renda, dívidas e histórico de pagamentos não são os únicos elementos considerados na avaliação de um produtor. Cultura plantada, características da propriedade e localização também entram na análise de uma operação de crédito rural.
Dados financeiros e cadastrais são cruzados com aspectos comportamentais, produtivos e de conformidade. O monitoramento geoespacial reúne informações sobre a propriedade e seu entorno, enquanto modelos preditivos e IA entram na avaliação do risco de crédito e de fatores socioambientais.
Imagens, localização, histórico financeiro e características produtivas detalham cada operação. Em carteiras extensas, esse cruzamento direciona a atenção para casos que exigem investigação adicional e identifica oportunidades comerciais de acordo com as características de cada região.
Entre clientes da Serasa Experian que adotam essa abordagem, a redução da inadimplência em operações de crédito rural chega a 50%.
Diferentes desafios pedem análises sob medida
Cada área ou negócio enfrentam desafios próprios e, por isso, exigem respostas que considerem seus contextos. Com soluções que atendem a diferentes segmentos das empresas, a Serasa Experian aplica a abordagem IA² para transformar dados em análises mais personalizadas, de acordo com as necessidades de cada operação. Ao potencializar sua inteligência analítica com inteligência artificial, a datatech ajuda empresas a antecipar riscos e identificar oportunidades para tomar decisões mais ágeis e confiáveis.
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O domingo do primeiro turno terminou com uma surpresa, ao menos para quem acompanhava a maioria das pesquisas eleitorais e também para os próprios candidatos. “Confesso que estava convencido de que iria ganhar no primeiro turno”, disse Lula ontem. O atual presidente marcou 3,3 milhões de votos a menos do que no primeiro turno de 2022, enquanto Flávio Bolsonaro conseguiu 5 milhões de votos a mais que seu pai, Jair.
O resultado pode ser explicado por vários fatores: como a Agência Públicamostrou, escândalos políticos podem ter favorecido o desejo “antissistema” que – apesar de ser uma grande contradição –, é usado politicamente por Flávio e bolsonaristas. O caso do Master, inclusive, não foi capaz de impedir que muitos políticos diretamente citados nas investigações e vazamentos ligados ao banco conseguissem se reeleger. Isso inclui o próprio Flávio, investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas em relação ao financiamento do filme Dark Horse, sobre seu pai. Flávio pediu dinheiro diretamente para Daniel Vorcaro, trocou dezenas de mensagens com o ex-banqueiro e marcou encontros com ele.
Além dos escândalos políticos, outras variáveis ajudam a entender a diminuição de votos de Lula e o crescimento de Flávio, e elas ficam evidentes no próprio mapa do Brasil. Levantamento de dados feito pelo cientista político Marco Antonio Faganello, pesquisador do Centro de Política e Economia do Setor Público da Fundação Getúlio Vargas (FGV/CEPESP), mostra que Lula perdeu mais votos em municípios que não são capitais, e essa perda é ainda mais gritante em cidades menores onde a participação do agro na economia é grande. “Onde o agro está em mais de 50% no PIB (Produto Interno Bruto), no conjunto, Lula perdeu 8% dos votos em relação a 2022”, aponta.
A análise de Faganello mostra que municípios pequenos do interior, com alto PIB per capita, proporção de moradores que se declaram brancos e jovens mais alta e com grande atividade agropecuária estão onde Lula mais perdeu votos proporcionalmente a 2022. É esse o tipo de perfil de vários municípios de Goiás, estado onde a diminuição dos votos para Lula foi a mais significativa na proporção com 2022.
O pesquisador também aponta que o Nordeste, apesar de ser um reduto tradicional de Lula e não ter registrado uma queda significativa nos votos para o atual presidente, foi onde Flávio mais avançou. “A direita cresceu nos nove estados do Nordeste. Flávio superou o resultado de Bolsonaro em 98% dos 1.794 municípios da região. No Nordeste, Lula perdeu poucos votos, mas a direita cresceu em todos os estados: de 27% para 30,9% dos votos válidos”, detalha.
Na entrevista, Faganello também avalia como a abstenção, apesar de ter sido recorde, não parece ter impactado a perda de votos de Lula no Brasil como um todo, com exceção de Salvador, onde a ausência de eleitores impactou a votação do petista. Além disso, para o pesquisador, a proporção de evangélicos entre a população pode não explicar essa mudança. Contudo, Faganello ressalta que ainda há dados que o Tribunal Superior Eleitoral deve divulgar que podem detalhar esses aspectos.
Confira os principais trechos da entrevista aqui.
Marco Antonio Faganello é cientista político e pesquisador do Centro de Política e Economia do Setor Público da Fundação Getúlio Vargas (FGV/CEPESP)
Na sua análise, você conclui que Lula teve menos votos em 2026 em relação ao primeiro turno de 2022 em 98% dos municípios do Brasil. Mas isso aconteceu diferente nas cidades pequenas e nas capitais e também a partir de outros fatores, como atividade agropecuária. Você pode explicar melhor essa diferença?
Estamos falando em votação proporcional, isto é, no quanto os votos que foram para o Lula em 2022 aumentaram ou diminuíram em 2026, proporcionalmente. Os dados mostram que essa queda foi maior sobretudo nos pequenos municípios e nos municípios ligados ao agro, além de ter um recorte por região do país. São esses os três principais fatores: tamanho, agro e região.
Sobre o tamanho dos municípios, quanto menor, mais Lula perdeu votos em relação a 2022. Nos municípios com até 5 mil habitantes, ele perde cerca de 7% [comparando 2026 a 2022]. Nos com mais de 500 mil habitantes, ele perde só 1%.
É importante ressaltar que isso é uma faceta, porque se você olha pra outro lado, em números absolutos, esse contingente de municípios pequenos não contribui tanto para a diminuição dos votos do Lula.
Se você aumentar esse grupo para municípios com até 50 mil habitantes, você chega a 50% da perda de votos que Lula teve entre 2022 e 2026. Já por outro lado, o Flávio ganhou votos nesses mesmos municípios em que o Lula perdeu. Ou seja, o voto que o Lula perdeu foi pro Flávio. Os demais candidatos desidrataram demais, não chegaram a influenciar essa conta.
Explique mais sobre esse recorte da presença do agro nos municípios. Você comparou a porcentagem da participação da atividade agropecuária no PIB municipal? Você pode citar alguns exemplos?
Isso, eu peguei a porcentagem da atividade agropecuária no PIB municipal. Para se ter uma ideia, em municípios onde essa porcentagem está em menos de 5% do PIB, Lula perdeu 2% no conjunto de votos. Mas onde o agro está em mais de 50% no PIB, no conjunto, Lula perdeu 8% dos votos em relação a 2022. Esses municípios pegam só 2% da população brasileira.
É interessante que, cruzando porte [da cidade] e agro, você vê que, nos municípios bem pequenos, de até 5 mil habitantes e que têm mais de 50% de PIB no agro, Lula perdeu 9% dos votos. Já entre os pequenos que têm menos de 5% do PIB no agro, Lula perdeu bem menos votos, menos de 4%. E essa perda de votos do Lula foi para o Flávio, não virou abstenção.
Isso levanta a hipótese de uma afinidade ideológica forte em municípios muito pequenos e com alta participação do agro. Uma pergunta ainda a se fazer é porque isso não pesou tanto em 2022 quanto em 2026.
E como a diferença entre as regiões do país e dos estados entra nessa conta?
No Sul e no Centro-Oeste foram onde aconteceram as maiores perdas de votos para Lula. Mas existe uma queda generalizada no país: parece que o que foi conquistado em 2022 se perdeu.
Foram 3 milhões de votos a menos que no primeiro turno de 2022. Não é uma flutuação gigantesca, mas nas últimas eleições é isso que tem acontecido, uma proporção de votos menor, que fica no meio, que fica flutuando. E quem decide a eleição são justamente essas pequenas flutuações.
E sobre a abstenção? Você aponta que ela não teve efeito na perda de votos para Lula. Por que?
A abstenção aparece como algo generalizado no país. Onde você teve mais abstenção, Lula não perdeu mais votos. A abstenção não parece ter relação nem com agro, nem com região do país. Ela bateu recorde em números absolutos, mas não foi uma variável que ajude a explicar a perda de votos de Lula.
Na sua análise, você aponta que o fator da religião evangélica não pesou nessa diminuição de votos do Lula. Por quê? E outros fatores, como entraram?
A porcentagem de evangélicos na população dos municípios não aponta uma mudança significativa de 2026 para 2022, Lula nem perdeu nem ganhou votos nas cidades a partir desse recorte – ele já não tinha [esses votos].
Já quanto mais jovem a população do município, mais o Lula perdeu votos. Quanto mais branca, também, e renda per capita do município também influencia. Quanto maior a renda, mais o Lula perdeu.
E teve uma diferença muito gritante entre capital e interior: Lula quase não perdeu nada na maioria das capitais, mas bastante em cidades que não são capitais.
Então dá pra dizer que entre os municípios onde o Lula mais perdeu votos existe um perfil comum? Municípios com grande participação do agro na economia, com população mais branca, mais jovem e com PIB per capita maior?
Sim.
E o contrário, onde o Flávio ganhou votos em relação a Jair?
O PL [votos para Flávio] ganhou 5 milhões em relação a 2022, em todo o país. E desse total de ganhos que o Flávio teve em 2026, 32% vieram do Nordeste. Foi onde ele mais avançou.
A direita cresceu nos nove estados do Nordeste. Flávio superou o resultado de Bolsonaro em 98% dos 1.794 municípios da região. No Nordeste, Lula perdeu poucos votos, mas a direita cresceu em todos os estados: de 27% para 30,9% dos votos válidos (mais 1,6 milhão de votos). O maior ganho, em pontos percentuais, foi no Ceará e no Maranhão.
Você também aponta que o Lula cresceu em 102 municípios – há algum padrão nestas cidades?
Lula ganha mais percentualmente em municípios de regiões variadas, Sobral, no Ceará; Macapá, no Amapá; Belém, no Pará; Niterói, no Rio de Janeiro; Aracaju, em Sergipe; Recife, em Pernambuco; Santos, em São Paulo; Rio Branco, no Acre; Fortaleza, no Ceará; e até na cidade do Rio de Janeiro. No geral são cidades grandes e médias.
Já Lula perdeu mais em várias cidades de Goiás, ali perto de Rio Verde. Depois em municípios do Tocantins e do Rio Grande do Sul.
Olha que curioso: Lula perde mais [votos proporcionalmente] na Bahia, com 3,6%, que em São Paulo, 3% [entre 2026 e 2022].
Na Bahia, Salvador concentrou 38% da perda de votos de Lula no estado, mas só 6% do ganho da direita: em Salvador, Lula perdeu votos sobretudo porque menos gente votou. No interior, a direita cresceu com mais eleitores indo às urnas.
Começo a coluna aproveitando o gancho do meu colega Gustavo Faleiros, que gentilmente me trouxe para conversa ao falar sobre a inflação de alimentos, em sua coluna da semana passada. (Para quem ainda não leu, Gustavo traz uma excelente explicação sobre o impacto das mudanças climáticas no preço dos alimentos.)
Trago aqui mais algumas camadas desse problema tão complexo, me baseando no relatório “A Inflação de Alimentos No Brasil: Um Fenômeno Estrutural, Específico E Sistêmico”, do economista Valter Palmieri Junior., e nas formulações dos que são, indiscutivelmente, os maiores especialistas no assunto: o Instituto Fome Zero (IFZ).
Como bem colocado pelo Gustavo, a inflação de alimentos se tornou uma preocupação em vários países, especialmente a partir da pandemia do COVID-19. Mas, aqui no Brasil, o fenômeno propriamente dito é mais antigo, e já é percebido há duas décadas.
A inflação de alimentos acontece quando os preços de alimentos e bebidas crescem mais do que a inflação como um todo. Ou seja, quando o Índice de Preços de Alimentos e Bebidas (IPAB) cresce mais do que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) –pelo qual normalmente medimos a inflação no Brasil.
E isso acontece praticamente todo ano desde 2007. De lá para cá, o preço dos alimentos subiu 1,6 vez mais do que o restante dos preços. Por isso, especialistas vêm alertando para o problema da inflação dos alimentos há bastante tempo.
Mas, desde a pandemia, uma coisa mudou: o grupo que puxava o crescimento do IPAB até então era, sobretudo, o da alimentação fora do domicílio. Ou seja, preços de comida em bares, lanchonetes e restaurantes. Desde 2020 é o grupo de alimentos consumidos no domicílio quem cresce mais, acumulando uma alta de 65% em apenas seis anos!
Essa mudança tem efeitos perversos. A despesa com alimentação é incontornável: todos precisam comer. É claro que existem diferenças na alimentação de pessoas com mais e menos dinheiro, mas, no limite, todos gastam com isso. É uma conta que pesa mais para quem ganha menos e precisa destinar uma parcela maior de seu orçamento para a comida.
Dados do IBGE mostram que a alimentação representava, em 2018, 23,8% dos gastos das famílias que ganhavam até dois salários-mínimos. Já para as que ganhavam mais de 25 salários-mínimos, era apenas 11,5%. Com a escalada dos preços desde então, é bem provável que essa proporção tenha subido, com ainda mais intensidade para os mais pobres.
Comer fora muitas vezes é um luxo, a base da alimentação da maioria dos brasileiros é de refeições preparadas em casa. Essa opção segue sendo a mais barata, mas seu custo vem crescendo com maior rapidez.
Aqui, vale destacar: são os alimentos in natura e minimamente processados – aqueles colhidos diretos do pé ou compostos de poucos ingredientes – que recebem a maior alta de preços, o que também é grave do ponto de vista nutricional.
O preço das frutas cresceu 2,8 vezes mais do que a inflação geral nos últimos vinte anos, e o dos legumes, 1,9 vez mais.
Em resumo, o biscoito recheado é mais barato que a maçã. Assim, quem tem menos renda também está perdendo, aos poucos, o direito a uma alimentação saudável.
No relatório, Palmieri Junior. destaca cinco principais fatores que explicam a inflação de alimentos. Um deles, o Gustavo trouxe: as mudanças climáticas.
Escolho focar em outro: nosso modelo agroexportador. Em especial porque, curiosamente, defensores históricos do agronegócio decidiram ligar, neste período eleitoral, para o custo de vida dos brasileiros.
Flávio Bolsonaro (PL-RJ) mencionou, em seu discurso de lançamento da campanha, a preocupação das famílias brasileiras com os preços nas prateleiras.
Nikolas Ferreira (PL-MG) lançou um vídeo em que faz compras no mercado e, com preços mentirosamente inflacionados, reclama do custo das coisas.
No vídeo, o Nikolas acompanha uma mulher fazendo uma compra de cinco alimentos (café, ovo, feijão, leite e picanha), que soma R$255,96. Porém, o jornalista Guga Noblat foi a um supermercado de Brasília (DF) e comprou as mesmas coisas, a fim de fazer uma checagem de preços, e chegou a uma conta de R$137,36 – 86% a menos.
Acontece que é incoerente defender a expansão desenfreada do agronegócio e depois reclamar de uma de suas consequências mais imediatas, como fazem ambos os candidatos mencionados e muitos outros.
Explico.
A guinada agro do Brasil levou à redução expressiva dos hectares destinados ao cultivo de alimentos básicos, que foram perdendo espaço, principalmente, para a soja, o milho e a cana de açúcar, mais vendidos no mercado externo, como mostra o gráfica abaixo.
Fonte: Palmieri Junior (2026). A inflação de alimentos no Brasil: um fenômeno estrutural, específico e sistêmico
Isso mudou bastante a dinâmica e os custos de produção agrícola no Brasil, mesmo para alimentos que são mais consumidos internamente do que exportados. O feijão, por exemplo.
Como explica Palmieri Junior, ao privilegiar as culturas de exportação, recursos fundamentais, como terras, crédito e incentivos fiscais são deslocados para esses cultivos, o que acaba esvaziando a produção dos demais alimentos, que se tornam menos atrativos.
Também o preço da terra sobe, porque a agricultura se torna uma zona de investimento lucrativo, o que também encarece os alimentos à mesa.
Ainda que esse deslocamento produtivo não signifique uma escassez literal da comida no supermercado, certamente influencia sua dinâmica de preços, tanto pela falta de incentivos quanto pela redução da oferta.
O modelo agroexportador que prioriza o cultivo de commodities ao de alimentos não é o único fator para a elevação do preço da comida. Mas é um bem importante.
E em um mundo de instabilidades internacionais, guerra e mudanças climáticas, é um dos poucos sobre os quais a política interna ainda consegue decidir.
Talvez não possamos controlar totalmente o preço dos combustíveis e fertilizantes ou o tamanho do El-Niño – mesmo que a ação humana contribua para todos esses fatores.
Mas a forma como produzimos comida ainda é uma escolha política nossa.
Direcionar incentivos produtivos para alimentos – como feijão, arroz, mandioca e batata – em vez de commodities, como a soja, retomar os estoques reguladores da CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento) e investir na logística de transporte e armazenagem para o mercado interno são políticas públicas importantes, eficazes e, sobretudo, muito possíveis. Mas requerem vontade política.
Por isso, fica o apelo para que a soberania alimentar seja uma bandeira – atenta, e não demagógica – também nestas eleições.