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Chega quer investigar obras, bitcoins e 200 armas desaparecidas nos mandatos de Luís Neves na PJ

23 October 2026 at 18:51

O Chega quer alargar a investigação parlamentar aos mandatos de Luís Neves à frente da Polícia Judiciária (PJ) a um conjunto de episódios que vai desde obras realizadas em instalações da polícia e numa propriedade particular aos bens apreendidos em operações criminais, passando pelo desaparecimento de uma carteira de bitcoins e de cerca de 200 armas.

O partido pretende ouvir o atual ministro da Administração Interna Luís Neves, o atual diretor nacional da PJ, Carlos Cabreiro, o seu antecessor, Almeida Rodrigues, e vários antigos e atuais dirigentes da polícia, incluindo Pedro do Carmo, antigo diretor nacional adjunto, João Melo e Veríssimo Milhazes.

Entre os nomes propostos estão também Álvaro Pires, responsável pela gestão financeira e patrimonial da PJ desde 2018, e antigos responsáveis de diferentes áreas da instituição. O Chega quer ainda ouvir as antigas ministras da Justiça Francisca Van Dunem e Catarina Sarmento e Castro, bem como a atual titular da pasta, Rita Alarcão Júdice. A lista inclui igualmente o antigo primeiro-ministro António Costa e Vítor Escária, que foi chefe de gabinete do então primeiro-ministro.

O PCP apresentou uma lista mais restrita, propondo ouvir apenas quatro pessoas: Luís Neves, Luísa Proença, antiga diretora nacional adjunta da PJ, o atual diretor nacional, Carlos Cabreiro, e Álvaro Pires, responsável pela gestão financeira e patrimonial da polícia.

Um dos principais eixos do pedido é a contratação pública relacionada com a ConstruBarcelos e as obras em diversas instalações da PJ. O Chega quer receber os 17 processos de contratação completos, incluindo cadernos de encargos, convites, propostas, relatórios dos júris, despachos de adjudicação e autos de medição e receção das obras.

Pede ainda todos os contratos celebrados entre a empresa e a PJ, a documentação relativa à execução e aos pagamentos e a fundamentação jurídica para o recurso à adjudicação direta ou a regimes de contratação excluída. Pretende também conhecer os preços inicialmente contratados, os valores finais e os montantes efetivamente pagos, incluindo eventuais modificações, adendas e trabalhos adicionais.

A proposta abrange também responsáveis ligados à empresa ConstruBarcelos, que realizou obras em instalações da PJ, e intervenientes em processos relacionados com bens apreendidos. O Chega pretende apurar eventuais irregularidades na contratação pública, na gestão de património e na utilização de recursos da polícia durante o período em análise, entre 2018 e 2026.

O deputado e presidente do Chega, André Ventura, intervém na sessão plenária no dia da discussão na generalidade do Pacote Laboral, na Assembleia da República, em Lisboa, 18 de junho de 2026.MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

A comissão deverá ainda analisar o caso de um trailer com produtos químicos apreendidos na Operação Pacoba, incluindo os registos de apreensão, armazenamento, transporte e eventual destruição dos materiais. O Chega pede também comunicações entre responsáveis da PJ e intervenientes no processo, para esclarecer quem tomou decisões e onde ficaram os bens.

Outro dos pontos é o desaparecimento de uma carteira de bitcoins apreendida pela polícia. O partido quer consultar os registos de apreensão e transferência, os mecanismos de controlo de acessos e as eventuais averiguações internas. A lista de documentos inclui igualmente inventários e registos relativos a cerca de 200 armas desaparecidas, bem como informação sobre bens apreendidos que terão sido utilizados por elementos policiais.

Ventura quer esclarecer atuação da PJ na Operação Influencer

A atuação da Polícia Judiciária na Operação Influencer – em que o ex-PM António Costa é visado – também integra os pedidos documentais. O partido quer obter as comunicações sobre a participação, não participação ou eventual regresso da PJ à operação, com identificação das datas, dos autores e dos destinatários.

Pede igualmente os “pedidos de esclarecimento feitos pela tutela, as respostas de Luís Neves, as notas de reunião e as decisões relativas à fiscalização ao abrigo da orgânica da PJ. Pretende ainda consultar as comunicações entre a PSP, a PJ e o Ministério Público sobre a composição da equipa mista, a afetação de elementos e a disponibilidade de meios”.

O documento, apresentado pelo grupo parlamentar do Chega na comissão, pretende estabelecer “uma cronologia de decisões, identificar os responsáveis por cada procedimento e cruzar a documentação administrativa, financeira e operacional”. Entre os pedidos estão os processos completos de 17 procedimentos de contratação, os contratos celebrados com a empresa Construbarcelos e as comunicações relativas à guarda, transporte e destruição de produtos químicos apreendidos na Operação Pacoba.

A comissão parlamentar de inquérito foi constituída para avaliar a atuação de Luís Neves durante os seus mandatos como diretor nacional da PJ, entre 2018 e 2026, e apurar uma eventual responsabilidade dos membros do Governo que o nomearam e tutelaram. Luís Neves é agora ministro da Administração Interna.

A iniciativa foi desencadeada pelo Chega na sequência de polémicas relacionadas com obras realizadas numa propriedade do atual ministro por uma empresa que celebrou contratos com a PJ e com a guarda, nas instalações dessa empresa, de um atrelado associado a produtos químicos apreendidos numa operação policial.

 

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