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Ativo do dia: Petróleo supera 117 dólares e alcança máximos de seis meses

23 October 2026 at 17:15

O ativo

Contrato de futuros do Brent. O contrato de referência para o mercado europeu esteve a subir para o valor mais elevado desde finais de abril, impulsionado pelos receios que os EUA voltem a atacar o Irão, depois de os houthis, aliados do Irão no Iémen, terem feito ataques a alvos sauditas.

A escalada das tensões no Golfo sustentou os preços da matéria-prima ao longo da semana, com o contrato de Brent a caminhar para a terceira semana de ganhos, com os preços a cotarem acima dos 117 dólares por barril.

O marco

Os preços do Brent, negociado em Londres e referência para as importações nacionais, seguia a valorizar 3,5% para 117,17 dólares por barril, o que representa o valor mais elevado desde 30 de abril. Já o West Texas Intermediate (WTI), disparava cerca de 3% para 102,56 dólares por barril.

No acumulado da semana o Brent acumula valorização superior a 6%, num momento em que permanece um elevado nível de incerteza em relação ao conflito no Médio Oriente e permanecem receios de quebra de fornecimento, com impacto na oferta de petróleo a nível global.

Nota: Se está a aceder através das apps, carregue aqui para abrir o gráfico.

A causa

“O sentimento dos mercados continua marcado pelo nervosismo. Embora as notícias sobre a retoma dos esforços de mediação na guerra com o Irão tenham alimentado as esperanças, os ataques dos rebeldes houthis a instalações na Arábia Saudita prosseguem. Há também notícias de que os EUA e Israel estão a planear novos ataques contra o Irão“, sintetiza uma nota do Commerzbank publicada esta sexta-feira, assinada por Barbara Lambrecht, Carsten Fritsch e Norman Liebke.

O presidente norte-americano, Donald Trump, adiantou na quarta-feira que Washington não estava a negociar com o Irão e que algo iria acontecer “dentro de relativamente pouco tempo”. Por outro lado, os houthis continuam a atacar a Arábia Saudita. Devido a estes ataques, o Departamento de Estado dos EUA ordenou a saída de todo o pessoal não essencial do país, enquanto a gigante petrolífera Saudi Aramco ordenou aos funcionários que evacuassem a sua sede em Dhahran e passassem a trabalhar remotamente, na sequência de uma série de ataques dos houthis, apoiados pelo Irão, noticiou a Reuters.

“Os investidores continuam a aumentar o prémio de risco geopolítico associado à escalada do conflito no Golfo Pérsico”, refere Ricardo Evangelista. O CEO da ActivTrades Europe realça que “a referência internacional está a caminho da terceira semana consecutiva de valorização, refletindo as crescentes preocupações com a segurança do abastecimento energético proveniente da região”.

Já os especialistas do Commerzbank notam que há ainda “uma incerteza considerável quanto à quantidade de petróleo físico atualmente disponível no mercado“. “Embora os dados sobre o transporte marítimo disponíveis até 7 de outubro apontem para uma descida significativa dos abastecimentos provenientes da região do Golfo, os dados da Kpler sugerem que, em meados de outubro, os carregamentos tinham praticamente regressado aos níveis anteriores à guerra, apesar do aumento do número de ataques no estreito de Ormuz”, explicam. Por outro lado, acrescentam, “vários países produtores de petróleo da região, mais recentemente o Iraque, anunciaram que as suas exportações de petróleo regressaram aos níveis anteriores à guerra”.

O que esperar a seguir

O desenrolar da guerra no Médio Oriente e a segurança no fornecimento da matéria-prima pelo Estreito de Ormuz vai continuar a determinar a evolução dos preços do petróleo.

“Embora os fluxos de petróleo provenientes do Médio Oriente tenham demonstrado uma relativa resiliência, a possibilidade de uma intensificação, juntamente com as ameaças à navegação através do Estreito de Ormuz e às rotas alternativas de exportação, está a levar os investidores a reavaliar os riscos para a oferta global“, explica Ricardo Evangelista.

O Commerzbank realça que, “neste contexto, os dados sobre as reservas estão a ganhar cada vez mais importância”. “Os dados semanais dos EUA apontam para um ligeiro alívio da situação das reservas comerciais de petróleo bruto. Embora os stocks tenham diminuído nas últimas três semanas, estão apenas 3,5% abaixo do nível habitualmente registado nesta altura do ano”, salientam os especialistas, acrescentando que “esta descida é explicada pela atividade de refinação invulgarmente elevada para a época de outono”.

Dito isto, “uma correção dos preços do petróleo deverá continuar fora de alcance para já. Embora a situação nos mercados físicos esteja a aliviar, as preocupações geopolíticas continuam elevadas”, sustentam os especialistas do Commerzbank.

A frase

A ausência de progressos diplomáticos significativos e a falta de perspetivas realistas de uma solução negociada no curto prazo estão a reforçar as expectativas de um período prolongado de instabilidade. Neste contexto, a evolução dos preços do petróleo está a ser determinada menos pelos atuais níveis de oferta e mais pelo potencial de uma nova escalada das hostilidades.

Ricardo Evangelista

CEO da ActivTrades Europe

Casas na Grande Lisboa já custam mais de 4.000 euros/m2. Estrangeiros pagam mais 47%

23 October 2026 at 12:25

O preço mediano dos alojamentos familiares transacionados em Portugal, no segundo trimestre do ano, subiu 18,4% face ao período homólogo, com as transações a baixarem 9%, segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE). Apesar dos valores de transação continuarem a subir, o ritmo de crescimento abrandou face ao trimestre anterior. A Grande Lisboa continua a apresentar os preços mais elevados, com o valor por metro quadrado acima dos 4.000 euros. Negócios feitos por pessoas com domicílio fiscal fora do país saem 47% acima do valor das vendas de quem vive no país.

O preço mediano dos 37.854 alojamentos familiares transacionados em Portugal atingiu 2.445 euros por metro quadrado, entre abril e o final de junho. “Este valor representa um aumento de 4,6% relativamente ao primeiro trimestre de 2026 e de 18,4% em relação ao período homólogo (19,8% no trimestre anterior)”, revela o INE. Apesar dos preços continuarem a aumentar, as transações recuaram 9%, o que compara com a quebra de 10,5% no trimestre anterior.

A Grande Lisboa e a Área Metropolitana do Porto, embora tenham registado decréscimos homólogos no número de transações, concentraram 34,3% das transações de alojamentos familiares no segundo trimestre de 2026. A liderar os preços continua a Grande Lisboa, onde o valor mediano das transações atingiu os 4.030 euros por metro quadrado. Na lista das sub-regiões mais caras segue-se o Algarve (3.500 €/m2), Península de Setúbal (3.069 €/m2), Região Autónoma da Madeira (2.816 €/m2) e Área Metropolitana do Porto (2.669 €/m2).

Os preços de transação continuam ainda a revelar uma grande disparidade quando os negócios são realizados por residentes e não residentes, destacando-se as áreas metropolitanas das maiores cidades portuguesas. Na Grande Lisboa e na Área Metropolitana do Porto, o preço mediano (€/m2) das transações efetuadas por compradores com domicílio fiscal no estrangeiro superou, respetivamente, em 47% e 37,5%, o preço das transações por compradores com domicílio fiscal em território nacional, divulga o INE.

“As cinco sub-regiões com preços medianos da habitação mais elevados apresentaram também os valores mais elevados envolvendo compradores com domicílio fiscal no estrangeiro e em território nacional: Grande Lisboa (5.878 €/m2 e 4.000 €/m2, respetivamente), Algarve (4.143 €/m2 e 3.368 €/m2), Península de Setúbal (3.240 €/m2 e 3.063 €/m2), Região Autónoma da Madeira (3.611 €/m2 e 2.785 €/m2) e Área Metropolitana do Porto (3.640 €/m2 e 2.648 €/m2)”, detalha o INE.

Em termos globais, o valor mediano de alojamentos familiares transacionados em Portugal, no segundo trimestre, envolvendo compradores com domicílio fiscal no estrangeiro foi 3.182 €/m2 (mais 15,7% do que no trimestre homólogo) e o das transações envolvendo compradores com domicílio fiscal em território nacional foi 2.421 €/m2 (mais 18,6% do que no trimestre homólogo).

No segundo trimestre deste ano, os preços da habitação aceleraram em dez dos 24 municípios com mais de 100 mil habitantes (em 11, no primeiro trimestre de 2026), tendo os municípios de Loures (+9,7 pontos percentuais) e de Matosinhos (+9,5 p.p.) apresentado os maiores acréscimos. Já o município de Guimarães (-13,4 p.p.) registou a maior diminuição na taxa de variação homóloga. Os municípios de Lisboa e do Porto registaram decréscimos de 8,9 p.p. e 5,4 p.p. nas taxas de variação homólogas do primeiro para o segundo trimestre de 2026.

Presidente do IHRU admite que não foi “feliz” nas suas declarações sobre habitação. Jovens “fazem-nos muita falta”

23 October 2026 at 11:17

O presidente do IHRU, Benjamim Pereira, admitiu esta sexta-feira que não foi “feliz em todas as expressões” que utilizou esta quinta-feira, quando sugeriu falta de capacidade de sacrifício dos jovens para comprar casa e afirmou que as gerações anteriores emigraram para ter habitação. Benjamim Pereira reforça que “em momento algum disse que os jovens não tinham dificuldades ou que não estavam a sofrer consequências com a carência de habitação“, rejeitando que tenha apelado à emigração ou qualquer “saudosismo” em relação aos “sacrifícios de outrora”

“Embora sem qualquer intenção, aceito não ter sido feliz em todas as expressões que utilizei, mas acredito no que estou a fazer, acredito no caminho delineado pela tutela e dou todos os dias o meu melhor, colocando ao serviço dos portugueses a minha experiência profissional e política adquirida ao longo de anos de trabalho e de serviço público”, adiantou o presidente do IHRU em comunicado.

O comunicado divulgado esta sexta-feira de manhã surge na sequência das declarações que fez na quinta-feira sobre a disponibilidade de compromisso dos jovens para adquirirem casa. As palavras do presidente do IHRU levantaram uma onda de críticas, com o próprio ministro da Habitação, Miguel Pinto Luz, a considerar que as declarações de Benjamim Pereira foram infelizes.

“O que fiz foi um paralelismo com o passado, evidenciando através de um exemplo pessoal, que a habitação sempre foi um problema neste país e que os portugueses sempre valorizaram e se sacrificaram muito para poderem ter uma habitação própria. Quando digo que se sacrificaram, é com tristeza que o constato, e não com algum tipo de saudosismo”, acrescentou, reforçando que, “como é evidente, não se pode exigir aos jovens de hoje os sacrifícios de outrora, o que significaria que nada tínhamos conseguido melhorar em mais de 50 anos de democracia”.

O presidente do IHRU diz ainda que não foi referido nas notícias o respeito que referiu ter pelo direito de manifestação e a compreensão pelas exigências dos manifestantes. “Muito menos aludi, em momento algum, à emigração”, argumenta. “Muito pelo contrário, não tivesse eu sofrido na pele a ausência dos familiares, exatamente nesse contexto de exigência que os forçou a sair. Os nossos jovens fazem-nos muita falta, são desejados e têm sido permanentemente convidados a ficar, assim como outros que outrora saíram têm sido convidados a regressar”, defende.

Benjamim Pereira destacou ainda as medidas que o Governo tem vindo a tomar para apoiar os jovens “na habitação, mas não só, através do IRS Jovem, das garantias públicas, da isenção de IMT e do Imposto de Selo, diga-se, aliás, com enorme sucesso”, defendeu.

“A instituição que lidero tem feito um esforço gigantesco para lutar precisamente contra este flagelo da carência habitacional, e os seus trabalhadores têm sido inexcedíveis“, adianta ainda no mesmo comunicado, referindo a superação das metas do PRR, com 31.700 fogos. “Aquilo que nos move é a certeza de que só unidos, jovens e menos jovens, Estado e sociedade civil, municípios e empresas, conseguiremos debelar este flagelo que nos atinge”, conclui.

João de Mello reeleito para ‘board’ da associação europeia da indústria química

23 October 2026 at 10:39

O chairman e presidente executivo da Bondalti, João de Mello, foi reeleito para um novo mandato como administrador do European Chemical Industry Council (Cefic). O líder da química controlada pelo Grupo José de Mello vai manter-se no board daquela que é considerada a mais importante associação da indústria química europeia nos próximos dois anos, órgão que integra desde 2023.

A reeleição de João de Mello, o único português membro dos corpos sociais da associação europeia que representa o setor químico, decorreu esta quinta-feira, em Lisboa, na assembleia geral da organização que teve lugar no âmbito da Convenção da Química, evento que está a decorrer pela primeira vez em Portugal.

“Enquanto membro do conselho de administração do Cefic, pretendo continuar a contribuir para uma indústria europeia mais competitiva e resiliente, num momento delicado devido aos conflitos internacionais e ao surgimento de mercados não europeus com peso significativo no setor“, disse João de Mello, citado em comunicado. O industrial acrescenta que a associação “continuará a dar todo o apoio necessário para a transformação da economia da União Europeia com soluções inovadoras e sustentáveis”.

Enquanto membro do conselho de administração do Cefic, pretendo continuar a contribuir para uma indústria europeia mais competitiva e resiliente, num momento delicado devido aos conflitos internacionais e ao surgimento de mercados não europeus com peso significativo no setor.

João de Mello

Membro do conselho de administração do Cefic

A indústria química europeia enfrenta um contexto adverso, pressionado por elevados custos energéticos, concorrência extra-comunitária e quebras na produção, que estão a pressionar as empresas do setor.

De acordo com os dados mais recentes do Cefic, a produção na União Europeia baixou 2% entre janeiro e julho de 2026, face ao mesmo período do ano anterior. O setor lida com uma procura fraca e pressões estruturais de competitividade que continuam a intensificar-se à escala global.

Fundado em 1972 e com sede em Bruxelas, o Cefic conta atualmente com cerca de 650 membros e entidades que representam cerca de 14% da produção química a nível global e que empregam 1,2 milhões de trabalhadores na União Europeia. A indústria química é o setor com maior valor acrescentado da União Europeia, avaliado em 335 mil milhões de euros, e o quarto maior produtor no setor da manufatura, revela o mesmo comunicado.

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