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Fórum para Competitividade prevê crescimento de 2,1% a 2,3% este ano e ligeiro abrandamento em 2027

22 October 2026 at 18:24
economia portuguesa

O Fórum para a Competitividade prevê que a economia portuguesa cresça entre 2,1% e 2,3% este ano, abrandando para entre 2,0% e 2,2% em 2027, num contexto marcado pelo prolongamento do conflito no Médio Oriente e pela subida dos juros.

Nas “Perspetivas Empresariais” relativas ao terceiro trimestre, divulgadas hoje, a instituição estima uma aceleração face ao crescimento de 1,9% registado em 2025, mas alerta para os efeitos dos preços elevados da energia, das pressões inflacionistas e das dificuldades políticas e orçamentais em França.

“Em termos nacionais, existe agora um consenso de que o crescimento em 2027 deverá ser marginalmente inferior ao de 2026, que se tem mostrado mais resiliente do que o esperado, apesar dos choques, como as tempestades e o conflito no Médio Oriente”, refere o documento.

O Fórum sublinha, no entanto, que as perspetivas para o próximo ano também refletem “fragilidades estruturais”, em particular o reduzido potencial de crescimento da economia portuguesa, que considera continuar a aguardar reformas.

Para a inflação, a instituição antecipa uma subida de 2,3% em 2025 para entre 2,8% e 3,0% em 2026, seguida de um recuo para entre 2,3% e 2,5% em 2027. O regresso à trajetória de desinflação deverá ocorrer apenas em meados do próximo ano, segundo o relatório.

A análise assinala que a inflação portuguesa atingiu 3,6% em setembro, contra 3,3% no mês anterior, impulsionada por nova aceleração dos preços da energia. Já a inflação subjacente, que exclui os produtos energéticos e os bens alimentares não transformados, passou de 1,9% em fevereiro para 2,7% em setembro, sinalizando, segundo o Fórum, um alastramento das pressões sobre os preços.

Quanto à atividade económica, o documento aponta para um terceiro trimestre menos dinâmico do que o anterior, apesar do bom comportamento do consumo, sobretudo de bens duradouros, com destaque para os automóveis. Os dados do investimento são considerados menos conclusivos e as exportações terão sido condicionadas pelo enfraquecimento do ambiente internacional.

No segundo trimestre, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 0,8% em cadeia, após uma subida de 0,1% nos primeiros três meses do ano, com o contributo da procura externa líquida a passar de -2,0 para 0,7 pontos percentuais. Em contrapartida, a formação bruta de capital fixo recuou 1,9%, depois de ter aumentado 2,9% no trimestre anterior.

O Fórum destaca ainda uma diminuição de 0,5% da produtividade medida por hora trabalhada no segundo trimestre, após uma subida de 1,3% no primeiro, considerando a resolução deste problema necessária para sustentar o aumento dos salários e a convergência com a média da União Europeia.

No comércio externo, as exportações de bens registaram seis meses consecutivos de crescimento até agosto, após cinco meses de quedas até fevereiro, embora com um abrandamento desde junho. Em agosto, aumentaram 6,8% em termos homólogos, depois de uma subida de 7,8% em julho.

No mercado de trabalho, a instituição prevê uma redução da taxa de desemprego de 6,0% em 2025 para entre 5,8% e 5,9% este ano, situando-se entre 5,7% e 5,9% em 2027. O relatório admite que as entradas e saídas de imigrantes possam funcionar como uma “almofada” e limitar as oscilações do desemprego perante alterações da atividade económica.

Já no financiamento às empresas, os empréstimos às sociedades não financeiras cresceram 5,9% no trimestre terminado em agosto, o ritmo mais elevado desde julho de 2021. A expansão do crédito foi acompanhada por uma subida dos juros nos empréstimos superiores a um milhão de euros, de 3,54% em dezembro para 3,98% em agosto.

No plano externo, o Fórum identifica riscos sobretudo negativos, entre os quais a escalada dos conflitos, a renovação das tensões comerciais, as vulnerabilidades orçamentais e uma eventual reavaliação das expectativas sobre a inteligência artificial. Em sentido contrário, admite benefícios decorrentes de maior investimento e produtividade associados à tecnologia e de um alívio das tensões geopolíticas.

A situação francesa merece particular destaque, pelo risco de o impasse político e o agravamento dos custos de financiamento afetarem o crescimento daquele que o documento identifica como o terceiro parceiro comercial de Portugal, com consequências para as exportações nacionais.

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