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Solidão pode tirar até seis anos de vida saudável

22 October 2026 at 03:20

Um estudo apontou que cerca de metade dos adultos americanos sofrem de solidão, enquanto quase o mesmo percentual está socialmente isolado. A análise “A solidão pode roubar quase 6 anos de boa saúde”, divulgada pela revista científica Science Daily, no início de outubro, aponta que a solidão e o isolamento social são generalizados nos Estados Unidos.  

Além das consequências para a saúde, os problemas destacados pelo estudo continuam sendo negligenciados como questões urgentes de saúde pública. 

Os pesquisadores da Escola de Medicina Pública e Tropical Celia Scott Weatherhead da Universidade de Tulane tentaram quantificar esse impacto. Eles descobriram que a solidão e o isolamento social estavam associados à perda de quase seis anos de vida livre de transtornos mentais como depressão e ansiedade.  

A especialista destacou que a solidão pode afetar a saúde por dois caminhos que se reforçam: as alterações biológicas e as mudanças no comportamento. 

Como a solidão afeta o organismo? 

A psiquiatra Elaine Bida, ressalta que a solidão persistente pode colocar o organismo em um estado de alerta contínuo, como se a pessoa estivesse permanentemente diante de uma ameaça. 

“Esse processo pode provocar alterações na produção de cortisol, o hormônio relacionado ao estresse, além de favorecer processos inflamatórios e alterações no funcionamento do sistema imunológico. Com o tempo, essas mudanças podem contribuir para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares e metabólicas”, afirma a psiquiatra.  

Além disso, existe também um impacto sobre o comportamento.  

“Pessoas que se sentem solitárias podem dormir pior, praticar menos atividades físicas, alimentar-se de maneira inadequada e apresentar maior dificuldade para manter os cuidados com a própria saúde”, aponta.  

O estigma da solidão  

A solidão foi tratada por muito tempo como uma questão exclusivamente emocional. Hoje, ela também já é entendida como um comportamento que pode afetar o funcionamento do organismo, interferindo na resposta ao estresse, no sistema imunológico e na saúde cardiovascular. 

Segundo o estudo, aos 50 anos, pessoas que vivenciavam simultaneamente solidão e isolamento social apresentaram, em comparação àquelas que não vivenciavam nenhuma dessas condições: 

  • Homens: 5,8 anos a menos de vida livre de transtornos mentais e 1,7 ano a menos de vida livre das doenças físicas avaliadas. 
  • Mulheres: 3,7 anos a menos de vida livre de transtornos mentais e 2,4 anos a menos de vida livre das doenças físicas avaliadas. 

“Esses números não significam necessariamente viver menos, mas passar menos anos da vida sem desenvolver as doenças investigadas”, destaca Elaine.  

A condição é reversível? 

A especialista indica que a condição é reversível, tal qual os impactos. Porém, os resultados dependam de cada pessoa e das intervenções utilizadas. 

“Não basta simplesmente incentivar alguém a sair de casa ou frequentar ambientes movimentados. As intervenções psicológicas, especialmente aquelas que ajudam a modificar pensamentos negativos sobre si mesmo e sobre os relacionamentos, podem contribuir para reconstruir a confiança, fortalecer a autoestima e desenvolver habilidades sociais”, disse.  

Além disso, atividades físicas, participação comunitária e oportunidades de convivência também são importantes, sobretudo quando favorecem relações verdadeiramente significativas, aponta a psiquiatra.  

 

*Sob supervisão de Thiago Félix

Indústria da solidão: idosos chineses contratam ‘filhos de aluguel’ para conversar e ajudar em casa

21 October 2026 at 23:19

A chamada “epidemia da solidão”, reconhecida pela Organização Mundial da Saúde, deu origem a uma série de novos contratos de prestação de serviço baseados no convívio social e no alívio do isolamento. Em países do leste asiático, já é possível pagar pela companhia de jovens que desempenham papéis antes restritos aos familiares, amigos e até namorados.

Na China, um serviço de “filhos comunitários” inclui visitas, reparos simples em casa, entrega de marmitas e compartilhamento de refeições, além de conversar com clientes que frequentemente não têm outras pessoas a quem recorrer. A oferta é mais popular entre idosos que vivem sozinhos, sem filhos que morem perto e, com frequência, viúvos.

A clientela em potencial é farta. Com o aumento da expectativa de vida, a população idosa na China está crescendo, e a OMS estima que 28% do povo chinês tenha 60 anos ou mais até 2040. Com a restrição ao número de filhos que durou até 2015, muitos acabaram vivendo distantes de seu único descendente.

Visitas diárias e refeições compartilhadas

Wang Yingwei trocou seu trabalho como vendedor em uma loja de celulares para iniciar sua própria empresa na “indústria da solidão”. Ele contou à BBC que se inspirou em seu próprio sogro, paciente de Alzheimer e residente de uma casa de repouso. Insatisfeito com as condições de cuidado oferecidas ao idoso, Wang disse querer oferecer uma alternativa para aqueles que desejam continuar vivendo em casa.

É de sua autoria o termo “filho comunitário”: “Significa colocar-se no lugar das pessoas mais velhas e considerar suas necessidades com cuidado”, disse.

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Além dele, outros três funcionários fazem visitas de frequência variável a clientes fixos. Yang, 91, recebe Wang em sua casa duas vezes por dia para fazer refeições e prestar apoio em tarefas como conserto de eletrodomésticos. Para a chinesa que sofre com glaucoma, o serviço é mais do que uma conveniência.

“A solidão realmente é meu maior problema. Às vezes, quando eu quero conversar, falo com a televisão”, disse. Ela ainda contou que, depois da morte do marido, chegou a apresentar ao filho seu interesse em eutanásia médica: “Ele me disse que é proibido. Eu disse a ele que se um dia fosse legalizada, eu queria fazer. Não queria mais viver.”

O prestador diferencia o serviço desempenhado por ele do papel dos cuidadores de idosos. Além de cobrar metade do preço, “os mais velhos nos tratam como seus filhos. Nós os tratamos como nossos pais.”

Apesar de não ser classificada como atividade médica ou cuidado à saúde, a oferta de companhia pode reduzir riscos físicos e psicológicos associados à solidão. O isolamento social é ligado por pesquisadores à má função imunológica e a problemas cardiovasculares, como hipertensão, e aumenta o risco de acidente vascular cerebral em 30%. Contribui também para o declínio cognitivo e estão associados a um aumento de 50% na demência.

Pessoas isoladas também tendem a ter mais hábitos não saudáveis, como fumar e/ou beber em excesso, além de serem mais sedentárias. Ainda, as perdas auditiva ou de visão muito frequentes na velhice tendem a contribuir com o isolamento, criando barreiras à conexão social.

Experiências fora de casa

Em agosto, o Washington Post descreveu ofertas de jovens chineses que se dispõem a acompanhar idosos em passeios, visitas médicas e compras. Uma “sessão” de três horas pode custar entre US$ 29 e US$ 88 (cerca de R$ 145 a R$ 442), a depender da qualificação para os serviços. Os chamados “acompanhantes de saúde” ou “escortes médicos”, por exemplo, defendem os interesses dos pacientes durante consultas e exames e ajudam a mediar conversas com profissionais da saúde, garantindo o entendimento necessário para o sucesso do tratamento.

Mas esta categoria de prestador não é restrita à China. Nos Estados Unidos, a empresa Papa oferece encontros com os “Papa pals” para auxílio com “tarefas do dia a dia, transporte, trabalho doméstico simples e companhia amigável”, a partir de US$ 30 por hora. O contato é feito por aplicativo em um modelo similar a plataformas de trabalho freelance.

Campanha de adoção procurou trazer lares para animais do canil

14 October 2026 at 20:04

VTM

Com o lema “Companhia é o melhor Remédio”, a iniciativa visou consciencializar a população para a importância da adoção responsável e aproximar os animais de possíveis famílias adotantes. Durante os dois dias da campanha, esteve disponível um espaço onde foi possível adotar cães sem quaisquer custos.

Em declarações à VTM, Lina Pinto, chefe de serviço da FCC Meio Ambiente, destacou a importância de promover a adoção de cães adultos, que enfrentam maiores dificuldades em encontrar uma família. “O nosso principal objetivo é também promover a adoção destes animais, pois temos muitos animais adultos no CRO”, afirmou.

A responsável salientou ainda os benefícios da convivência com animais, que ajudam a combater a solidão e promovem o bem-estar. “Eles são um remédio que não se compra na farmácia”.

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