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Mês Internacional da Biblioteca Escolar em São Brás de Alportel propõe desatar “nós” temáticos

20 October 2026 at 18:45

São Brás de Alportel volta a celebrar o Mês Internacional da Biblioteca Escolar com mais uma edição do “EnLeio das Histórias” – uma iniciativa da Rede de Bibliotecas do Concelho que convida as crianças pré-escolar e os alunos do 1.º ciclo a descobrir o prazer da leitura através de histórias e experiências participativas.

Ao longo de três dias, os livros e as histórias voltam a assumir o papel de protagonistas, num programa diversificado de atividades lúdico-pedagógicas que procura despertar a imaginação, estimular a criatividade e promover o gosto pela leitura.

“EnLeio das Histórias” 2026 é um programa que integra diferentes propostas, dinamizadas por autores, mediadores de leitura, ilustradores e outros convidados, numa edição que este ano decorre de 21 a 23 de outubro de 2026, na Biblioteca Municipal Dr. Manuel Francisco do Estanco Louro e no Centro de Artes e Ofícios.

Entre as atividades previstas encontram-se sessões de narração oral de histórias, encontros com escritores, oficinas de ilustração, experiências de criação de histórias com recurso a LEGO e Realidade Virtual, experiências sensoriais, troca de livros e iniciativas dedicadas ao teatro.

Refira-se também, que o programa inclui momentos de surpresa e descoberta, envolvendo diferentes entidades do concelho e promovendo o contacto das crianças com novas formas de contar e viver histórias.

É por isso importante destacar que a iniciativa organiza-se em torno de vários “nós” temáticos, os quais convidam os participantes a explorar diferentes dimensões do universo das histórias:

  • Nó do Conto, dedicado à narração oral;
  • Nó da Leitura, que promove o encontro com escritores;
  • Nó da Transmedia, que cruza a narrativa com ferramentas criativas e experiências imersivas;
  • Nó da Ilustração, centrado na expressão artística;
  • Nó da Surpresa, que proporciona momentos inesperados;
  • Nó Sensorial, dedicado à exploração dos sentidos;
  • Nó da Troca, que incentiva a partilha de livros; e
  • Nó do Teatro, que dá espaço à expressão dramática.

Desta forma, São Brás de Alportel reforça a importância das bibliotecas enquanto espaços de encontro, conhecimento e descoberta, aproximando as crianças dos livros e promovendo o prazer de ler, imaginar e criar em conjunto.

‘ANT GAMES’ juntam mais de 3.000 participantes nos três primeiros dias

20 October 2026 at 16:02

Quarta edição do evento escolar de Albufeira tem novamente o apoio do Comité Olímpico de Portugal e do IPDJ e termina a 21 de outubro, na Escola Básica da Guia.

“Nos dois primeiros dias passaram cerca de 2.500 participantes pelo Estádio Municipal de Albufeira, ONDE Experimentaram modalidades individuais e coletivas com técnicos de clubes locais e federações nacionais. Vestiram a farda de bombeiro, viram por dentro veículos da GNR e interagiram com os parceiros nas áreas da ciência, ambiente, natureza, empreendedorismo, cidadania e skills sociais. É isto que os ‘ANT GAMES’ fazem: juntam pessoas e instituições locais, regionais e nacionais e dão acesso inclusivo e multidisciplinar a todas estas crianças e jovens”, afirma André Lima, professor de Educação Física do Agrupamento de Escolas de Albufeira Poente e coordenador geral do projeto.

Mil alunos do 1.º ciclo passaram pelo recinto em cada uma das manhãs de 15 e 16 de outubro. Na tarde de dia 15 juntaram-se 500 alunos dos 2.º e 3.º ciclos e do secundário. Ao terceiro dia, o evento saiu das escolas e abriu-se à comunidade, no Parque de Vale Faro.

A quarta edição tem, uma vez mais, o apoio institucional do Comité Olímpico de Portugal e do IPDJ. Ambas as instituições estiveram presentes, com os programas de Educação Olímpica e Cuida-te. A Decathlon é a parceira desportiva oficial.

ANT GAMES 2026

Durante os dois primeiros dias, as turmas passaram por um circuito de estações com mais de trinta parceiros: desporto federado, ciência, ambiente, proteção civil, cidadania e jogos de tabuleiro. Os alunos dos cursos profissionais da Escola Secundária de Albufeira integraram a organização, no apoio às turmas e parceiros, receção e bar, e registos multimédia.

“A participação do Comité Olímpico de Portugal nos ‘ANT GAMES’ 2026 realça a importância de proporcionar às crianças e jovens experiências educativas e desportivas que promovam, de forma lúdica e participativa, os Valores Olímpicos da Excelência, Amizade e Respeito. Através de uma atividade que desafiou os participantes a conquistar os cinco Anéis Olímpicos e a construir a sua própria Bandeira Olímpica, foi possível transformar a aprendizagem numa experiência de cooperação, descoberta e espírito de equipa”, diz Rita Nunes, diretora do Departamento de Educação e Memória Olímpica do Comité Olímpico de Portugal.

O Curso Profissional de Técnico/a de Massagem de Estética e Bem-Estar da Escola Secundária de Albufeira levou a massagem das mãos aos mais novos. O Curso Profissional de Apoio Educativo acompanhou os grupos participantes e animaram o evento com pinturas faciais e modelagem de balões.

ANT GAMES 2026

“As crianças e jovens são convidados a explorar, brincar e participar em experiências diversificadas, que estimulam a autonomia, a criatividade e a confiança”, afirma Sónia Guerreiro, diretora do Curso Profissional de Técnico/a de Massagem de Estética e Bem-Estar.

O que dizem os parceiros

“Para o Minibasquete do Imortal Basket, estas iniciativas são de extrema importância, pois permitem dar a conhecer aos alunos do 1.º ciclo a modalidade, as dinâmicas do clube e a sua metodologia de trabalho”, argumenta Amândio Amorim, Imortal Basket.

“Foi uma boa experiência ver muitos destes adolescentes aproximarem-se de nós, por sua iniciativa, e praticarem Suporte Básico de Vida. Para os nossos jovens da escolinha também foi uma ótima experiência. Entre pares, a dinâmica flui muito melhor”, afirma Verónica Silva Afonso, dos Bombeiros Voluntários de Albufeira.

ANT GAMES 2026

“O projeto sQIlls desenvolve atividades para a melhoria das competências pessoais e sociais das crianças e jovens, com vista a mais sucesso escolar e à conclusão dos estudos”, refere Pedro Brazão, Santa Casa da Misericórdia de Albufeira.

“Foi a minha primeira vez no “ANT GAMES” e fiquei rendida. Acredito que os jogos de tabuleiro são muito mais do que momentos de diversão: promovem a atenção, a concentração, a resolução de problemas, o respeito pelas regras e o trabalho em equipa, e falamos de crianças e adultos”, afirma Aurora Coelho, Na Mira jogos de tabuleiro.

Formação em contexto de trabalho

O terceiro dia, no Parque de Vale Faro, serviu também de formação em contexto de trabalho para os alunos dos cursos profissionais de Desporto, Ação Educativa, Massagem e Estética, Restauração e Bar e Multimédia.

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ANT GAMES 2026

O encerramento na Guia

A edição termina na quarta-feira, 21 de outubro, na Escola Básica da Guia, com turmas do pré-escolar, do 1.º e 2.º ciclos da freguesia e com a creche ‘Tempos de Infância’, da Santa Casa da Misericórdia de Albufeira. São vinte estações, entregues por vinte parceiros.

Os ‘ANT GAMES’ 2026 são organizados pelo Agrupamento de Escolas de Albufeira Poente, em coorganização com a Junta de Freguesia de Albufeira e Olhos de Água, a Junta de Freguesia da Guia e a Associação Albufeira Activa.

Faro | Município assinalou Dia da Alimentação com iniciativas dirigidas à comunidade escolar

19 October 2026 at 19:42

Sessões de educação alimentar, rastreios e abertura do Gabinete de Nutrição no Faro Youth Lab decorreram na passada quinta e sexta-feira, dias 15 e 16 de outubro. O Município de Faro assinalou o Dia Mundial da Alimentação com um conjunto de iniciativas dirigidas a crianças e jovens do concelho, promovendo a literacia alimentar e nutricional, […]

Faro assinalou Dia da Alimentação junto da comunidade escolar

19 October 2026 at 13:06

Sessões de educação alimentar, rastreios e abertura do Gabinete de Nutrição no Faro Youth Lab decorreram na passada quinta e sexta-feira, dias 15 e 16 de outubro

O Município de Faro assinalou o Dia Mundial da Alimentação com um conjunto de iniciativas dirigidas a crianças e jovens do concelho, promovendo a literacia alimentar e nutricional, a adoção de hábitos alimentares saudáveis e uma maior proximidade dos jovens aos serviços municipais na área da nutrição.

No âmbito das atividades desenvolvidas junto do 1.º ciclo do ensino básico, foram dinamizadas as sessões “O que vai para a barriga? – Vamos alimentar o João!”, dirigidas a alunos dos 1.º e 2.º anos. Através de uma abordagem lúdica e participativa, recorrendo a uma “caixa-mistério” com diferentes alimentos e a um boneco com a barriga visível, foram trabalhados temas como a importância de uma alimentação variada, o consumo de fruta e de produtos hortícolas, a água como bebida principal e a distinção entre alimentos de consumo mais frequente ou de consumo ocasional. No total, esta iniciativa envolveu 12 turmas e cerca de 295 alunos.

As comemorações incluíram ainda atividades no Faro Youth Lab – Espaço Jovem Municipal de Faro, dirigidas a alunos do 3.º ciclo do ensino básico e do ensino secundário, com a participação de quatro turmas. Foram realizados rastreios nutricionais e promovidos momentos de sensibilização e esclarecimento sobre alimentação e nutrição, marketing alimentar, leitura de rótulos, mitos alimentares e influência das redes sociais nas escolhas alimentares.

O programa ficou ainda marcado pela abertura do Gabinete de Nutrição, uma nova resposta municipal em funcionamento no Faro Youth Lab e destinada a jovens com idades entre os 14 e os 30 anos, que disponibiliza acompanhamento nutricional gratuito, orientação e esclarecimento de dúvidas relacionadas com a alimentação e os hábitos de vida.

Através desta nova valência, o Município de Faro pretende reforçar a promoção da saúde e da literacia alimentar junto da população jovem, disponibilizando um espaço próximo, acessível e orientado para a adoção de hábitos alimentares mais conscientes e equilibrados.

No conjunto, as iniciativas desenvolvidas no âmbito do Dia Mundial da Alimentação abrangeram 15 turmas e cerca de 375 crianças e jovens, reforçando o compromisso do Município de Faro com a promoção da alimentação saudável e do bem-estar desde as idades mais jovens.

Quem desejar mais informações sobre este novo serviço deverá contactar o Gabinete de Nutrição e o Faro Youth Lab – Espaço Jovem Municipal de Faro, através do email espacojovemfaro@cm-faro.pt  ou do telefone 289 870 884.

Literacia em emergência leva formação prática a cerca de 1300 pessoas

16 October 2026 at 12:22

VTM

O objetivo é reforçar a literacia em emergência, levando para a comunidade conhecimentos que podem fazer a diferença nos primeiros minutos de uma situação de paragem cardiorrespiratória.

Daniel Bernardo, presidente da associação, e Ricardo Ribeiro, vice-presidente, são ambos enfermeiros e trabalham no serviço de urgência do hospital flaviense. Foi precisamente a experiência profissional e a constatação das dificuldades sentidas perante situações de emergência fora do hospital que esteve na origem do projeto.

“Muitas das vezes estas pessoas já nos chegam num contexto onde não há praticamente nada a fazer”, explica Daniel Bernardo, referindo-se sobretudo às situações de paragem cardiorrespiratória. A intervenção dos meios de emergência é fundamental, mas o tempo que decorre até à chegada de uma equipa diferenciada pode ser determinante.

Foi dessa preocupação que nasceu a vontade de “passar um bocadinho de dentro para fora” e mostrar à população que “um pequeno gesto realmente pode salvar”. A associação foi formalizada em março de 2024, com 19 fundadores, e conta atualmente com cerca de 95 associados, entre enfermeiros, médicos, bombeiros, psicólogos, auxiliares e outros profissionais.

Ao longo deste período, foram realizadas 57 ações de formação certificadas pelo INEM e outras iniciativas dirigidas à comunidade. Os responsáveis contabilizam 1300 participações, destacando que, na maioria dos casos, houve contacto direto com manequins e treino das técnicas. “Não é só ouvir falar. São cerca de 1300 pessoas com prática”, sublinha Ricardo Ribeiro.

A metodologia passa por combinar uma componente teórica com a prática. “É fazer a junção daquilo que é a teoria e com o que é a prática”, resume Daniel Bernardo. A intenção é que a pessoa não fique apenas com uma informação, mas adquira ferramentas que possa utilizar perante uma situação real.

Suplemento Saude Formacao da APUEAF Daniel Bernanrdo Chaves PAM

“Um idoso de 70, 75 ou 80 anos que é perfeitamente autónomo, tem que ter o direito a ser salvo”
DANIEL BERNARDO
PRESIDENTE APUEAF

Um dos principais focos tem sido a comunidade escolar, envolvendo alunos, professores, funcionários e encarregados de educação, mas também as populações do interior mais afastadas dos centros urbanos. Para Daniel Bernardo e Ricardo Ribeiro, a instalação dos equipamentos não deve ficar limitada às zonas com maior concentração populacional. “Um idoso de 70, 75 ou 80 anos que é perfeitamente autónomo, tem que ter o direito a ser salvo”, defende Daniel Bernardo

“Se nós perguntarmos, no fim, se alguma vez tinha feito isto na vida, a resposta é não”, relata Daniel Bernardo, a propósito das ações.

“Não podemos só contar com a ajuda externa”, afirma Daniel Bernardo, defendendo uma maior consciencialização da população para a necessidade de intervir nos primeiros minutos. O objetivo passa por criar uma verdadeira cultura de emergência, começando pelas escolas e estendendo-se às famílias, empresas, instituições e forças de segurança.

Nesse âmbito, a associação tem também apostado na formação em suporte básico de vida com desfibrilhador automático externo (DAE). A formação certificada tem sete horas, inclui componentes teóricas e práticas e termina com uma avaliação prática. Os formadores passaram por formação específica e a própria associação está acreditada enquanto entidade formadora.

O DAEé considerado pelos responsáveis como um passo importante na cadeia de sobrevivência. O equipamento analisa o ritmo cardíaco e, quando deteta uma situação compatível com desfibrilhação, permite administrar um choque elétrico para tentar reverter a arritmia.

A associação esteve na origem de uma proposta no âmbito do Orçamento Participativo Municipal de Chaves para a instalação de desfibrilhadores em diferentes pontos do concelho. Está agora em fase de implementação pelo município, que decidirá a localização dos equipamentos.

“O importante não é só chegar à comunidade”, explica Ricardo Ribeiro. “Queremos informação, queremos partilhar, queremos ferramentas no local e queremos que aquelas pessoas que foram formadas possam dar continuidade a isto.”

Saber reconhecer uma situação, ligar para o 112, iniciar compressões e utilizar um desfibrilhador quando disponível são, defendem, conhecimentos que deveriam fazer parte da cultura da população. “Hoje soueu que posso estar a ajudar a salvar, mas amanhã posso precisar de ser salvo”, resume Ricardo Ribeiro.

 

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Pesquisa aponta queda no interesse pela escola e alta da violência

Entre o 4º e o 7º ano do ensino fundamental, a escola perde parte do encanto que tem para os estudantes, indica a 3ª edição do relatório anual de Saúde Mental & Bem-Estar Escolar, da Great Place to Study Brasil. A parcela de alunos entrevistados que afirma se sentir feliz e empolgada ao ir para a escola cai de 79,9% para 50,8%. No mesmo período, a parcela que relata exposição à violência mais que dobra, de 16,6% para 39%.

O levantamento ouviu 89.744 pessoas, entre 41.958 estudantes, 9.347 educadores e 38.439 familiares no país por meio de questionários digitais específicos para cada público. As respostas foram coletadas de agosto de 2025 a agosto de 2026, e a base de famílias foi acompanhada de março de 2025 a outubro de 2026. Segundo a organização, a análise adotou nível de confiança de 95%, além de testes de correlação e consistência dos índices.

Vínculo com a escola diminui ao longo dos anos

Foi identificada uma mudança no vínculo com a escola ao longo da trajetória. Entre os alunos do 8º ano e do 3º ano do ensino médio, 57% citam bullying frequente ou violência física normalizada no dia a dia.

Outros dados mostram a diminuição do vínculo: 40,6% não se sentem valorizados pela escola, 40,1% dizem que professores não se importam com seus sentimentos e 44% das vítimas de bullying não creem em ação da escola.

Em ambientes de baixa violência, 27% dos estudantes dizem frequentar a escola apenas por obrigação. Em locais de violência muito alta, o índice chega a 60%.

João Hoeppner, diretor da Great Place to Study Brasil, afirma que a relação com a escola tende a diminuir à medida que o estudante avança e o foco no conteúdo e no vestibular ganha espaço. “O coletivo e a convivência tendem a ficar mais frios e a escola se envolver cada vez menos.”

Segundo o diretor, quem estuda apenas para evitar consequências negativas relata mais sobrecarga. “Mesmo no melhor cenário, 1 a cada 4 estuda ali por medo. Quando a gente está falando do fundamental, é mais ou menos 1 a cada 3”, afirma.

Violência e bullying afetam a convivência

Violência e bullying dentro da escola | Foto: Freepik

A violência é um dos fatores que atravessam esse processo, segundo indicam as respostas. Dos 57% que relatam bullying frequente ou violência física normalizada, 1 em cada 5 se declara alvo direto de agressões.

Hoeppner chama atenção para o papel dos colegas que presenciam os episódios e afirma que a escola precisa trabalhar também a consciência de quem assiste. “O principal trabalho que as escolas precisam fazer é um despertar, uma provocação em relação à consciência da plateia. Se não tem plateia, não tem show.”

Para ele, campanhas contra o bullying também podem partir dos próprios estudantes. “As campanhas de bullying mais efetivas que a gente vêpartem dos estudantes mais do que somente da escola.”

Marina Ribeiro, diretora de comunidade da Great Place to Study Brasil, afirma que a participação dos pares pode favorecer essa reflexão. “É um processo de entender como esse adolescente funciona e ir buscando essas estratégias mesmo para fomentar a consciência.”

Foco em avaliações pode reduzir o sentido da escola

Para Maria Amélia Santoro Franco, doutora em educação pela USP e organizadora do livro “Pedagogias Emergentes: Princípios e Práticas”, a queda no entusiasmo ao longo da escolarização, não pode ser explicada apenas pela idade. Na passagem para os anos finais do fundamental, aumenta o número de professores e disciplinas, enquanto a convivência com os colegas ganha importância.

Segundo Maria Amélia, quando o conhecimento fica restrito ao que será cobrado nas avaliações, o aluno pode cumprir tarefas, mas deixa de se reconhecer nelas. “À medida que a transmissão de conteúdos, as metas e os rankings de desempenho passam a organizar a vida escolar, a escola pode perder sentido para os estudantes.”

A professora afirma que a violência compromete a aprendizagem. Um estudante que teme ser ridicularizado pode deixar de perguntar ou participar das atividades. “O sentimento de pertencimento se rompe quando o aluno passa a pensar: como me percebem aqui?”.

Professores também enfrentam desgaste emocional

Uma professora com sinais de desgaste emocional severo | Foto: Shutterstock

No entanto, o sofrimento não se restringe aos alunos, segundo o relatório. Um em cada sete professores ouvidos relata sofrimento constante, com sinais de desgaste emocional severo, falta de alegria e incapacidade de descansar. Entre eles, 66,3% dizem que gostariam de ter escolhido outra profissão.

Além disso, 24,4% apontam cobranças excessivas e questionamentos à autoridade como principal desgaste mental. Para Hoeppner, o conflito pesa na rotina, mesmo envolvendo poucas famílias.

Famílias confiam na escola, mas diálogo é limitado

As famílias, por sua vez, demonstram confiança na escola. Mais de 95% dizem confiar na proposta pedagógica, considerar o ambiente seguro e avaliar que os filhos recebem uma boa educação. Porém, o vínculo não se traduz na mesma proporção em diálogo: são 54,6% os que dizem concordar plenamente que se comunicam com a escola para pensar em conjunto sobre a educação dos filhos.

Maria Amélia afirma que reconstruir esse vínculo passa por criar relações de confiança e não apenas por reforçar regras. Segundo a professora, o estudante precisa saber que situações de violência serão levadas a sério e que haverá adultos responsáveis por cuidar delas.

“Temos um costume de falar muito que a escola tem três funções: ser a vida de um estudante, preparar esse estudante para o futuro e para o mundo que ele vai encontrar, mas também trazer competências para que ele de fato consiga construir um mundo diferente, um futuro diferente.” (Lucas Leite/FOLHAPRESS)

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