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Flávio Bolsonaro propõe ‘voucher’ para creche: a troco de quê?

22 September 2026 at 16:00

Uma grande novidade deste período eleitoral é a constatação por parte das campanhas – de todos os espectros políticos – de que 51,5% do eleitorado é composto de mulheres. E que, por isso, falar delas e de pautas que as interessam talvez seja uma boa ideia. 

A aproximação da direita e da extrema direita ao público feminino não é de hoje. O crescimento de figuras como a Senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e a própria Michelle Bolsonaro (PL-DF), ex-presidente do PL Mulher, são exemplos disso. 

Claro, existem personalidades e falas misóginas também na esquerda. Mas essa “direita pró-mulher” me é um pouco estranha porque, afinal, o projeto da direita é, em essência, machista. Afinal, o neoliberalismo é ancorado em políticas econômicas que não só prejudicam relativamente mais as mulheres como dependem de forma basilar da exploração gratuita de seu trabalho. 

Um exemplo bastante conhecido é o das creches públicas. Um projeto de Estado mínimo que se desresponsabilize do investimento na educação infantil nunca vai se preocupar em garantir vagas para todas as crianças. 

Isso, por um lado, reduz a possibilidade de autonomia econômica das mães, que têm restrita sua possibilidade de trabalhar fora porque precisam ofertar cuidado para as crianças em tempo integral – sem compensação financeira. Já que hoje, cerca de 30% das mulheres que não buscam trabalho remunerado afirmam não o fazer por precisarem se dedicar ao cuidado de familiares e a afazeres domésticos. 

Por outro lado, este projeto terceiriza para a figura das famílias – na prática, quase sempre só às mulheres – uma carga que deveria ser da sociedade como um todo, a de manter e reproduzir a vida. 

No caso das crianças, elas são a força de trabalho do futuro. 

Ou seja: o país só cresce, produz e prospera porque há algumas décadas uma parte das mulheres dedicou anos de suas vidas para criar gratuitamente quem hoje compõe a massa de trabalhadores. 

O benefício da educação das crianças é apropriado por todos, mas os custos são vistos como uma responsabilidade privada – e que tem gênero. 

Ou seja, a direita neoliberal prega o desmonte de um aparato de políticas públicas importantíssimas para a autonomia feminina. 

Voltando ao exemplo das creches, uma das propostas de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é a ampliação da vaga de creches, usando como recurso, no caso de falta das vagas públicas, a distribuição de “vouchers” para creches particulares. 

Por trás de uma aparente defesa da autonomia das mulheres (que pouco convence a quem conhece o candidato, sua família e seu entorno político, com histórico de falas bastante machistas, diga-se de passagem) há uma repetição dessa mesma lógica neoliberal que estamos discutindo.

Ofertar “vouchers” para a educação pública é, de novo, tirar a responsabilidade do Estado e da coletividade e direcionar para o mercado privado. Além disso, tem efeitos ambíguos, pois raramente conduz a uma melhoria do serviço ofertado. Mercantilizar um serviço que não segue a lógica operacional de mercado traz mais malefícios do que ganhos. 

Uma política de “vouchers” expande, a princípio, o número de vagas, porque gera um incentivo financeiro para a criação de equipamentos de creche particular. Mas dificilmente os valores repassados às famílias serão suficientes para custear uma educação de elite. Criam-se aparelhos voltados para o atendimento desse mercado, com pior qualidade, superlotação e outras estratégias para garantir que uma atividade que não é muito lucrativa por princípio vire um bom “negócio”.

A educação infantil vira uma máquina de fazer dinheiro, e assim há ainda menos incentivo para resolver o problema da falta de vagas na rede pública. 

Quem perde são as crianças. E as mulheres que cuidam delas. 

Num outro caminho, a Política Nacional de Cuidados, instituída em dezembro de 2023, dá um passo na garantia do direito universal às creches públicas. Sua aprovação e a subsequente criação do Plano Nacional de Cuidados Brasil que Cuida foram uma vitória importante do movimento feminista no governo atual. Meses antes fora criada a Secretaria Nacional da Política de Cuidados e Família, no Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), e da Secretaria Nacional de Autonomia Econômica e Política de Cuidados, no Ministério das Mulheres. São dois órgãos criados para construir políticas sólidas para as mulheres. 

O Plano prevê a criação de 100 mil novas vagas em creches e pré-escolas até 2027. 

Segundo o MEC, no ano de 2025, 48,5 mil dessas vagas foram criadas. Uma melhoria, mas que não garantiu o cumprimento da meta do Plano Nacional da Educação, que estipulava 50% das crianças de 0 a 3 anos matriculadas até esse mesmo ano. O percentual final foi de 41,8%, o maior da história, mas ainda aquém do planejado. 

Ou seja, o caminho está colocado, mas os esforços atuais não bastam. Até porque a execução integral desta e de outras ações do plano depende de garantia orçamentária e compromisso político, que não estão dados por enquanto.

Mesmo numa vitória petista, será preciso pressionar pela continuidade e ampliação das políticas, e sobretudo por espaço para elas no orçamento.  

Percebendo que as mulheres serão força definidora nesta eleição, todos os candidatos direcionam a nós muitas propostas. 

Mas não sejamos ingênuas. Se, para uns, somos parte da vida e da agenda política – e, com eles, conseguimos negociar pelo avanço de nossas pautas – para outros, nossas aflições se tornam belos tíquetes para ainda mais mercantilização. 

Bodies of 10 women found dead in South Africa, sparking societal debate on GBV

22 September 2026 at 16:36

Fear and anger are growing in South Africa after the bodies of nine women were discovered across the Ekurhuleni municipality, east of Johannesburg, over the past two months, with police investigating whether the deaths are connected, a 10th body was confirmed this week. Three suspects have been arrested, and police have acknowledged a possible connection between some of the killings. What is not in dispute is the scale of the crisis the discovery has exposed, and the outrage it has provoked, protests against femicide have been held in the country in the weeks since.

Four of the nine women have so far been publicly identified, Elizabeth “Tsontso” Moselakgomo, 38, a mother who vanished during her regular afternoon run and was found days later behind a hotel in Rhodesfield; Itumeleng Kekana, 32, missing since July and found in August with multiple stab wounds; Dineo Evelyn Motapane, 38, found in KwaThema; and Gracious Nkomo, 28, a lodge worker in Kempton Park missing for more than two weeks before she was found. 

Anger over the response

The deaths have triggered protests and renewed criticism of the country’s response to gender-based violence. Residents and women’s rights campaigners have questioned why women are repeatedly advised to change their behavior, avoid isolated areas, walking alone or running alone, rather than placing greater emphasis on preventing perpetrators from committing violence.

The National Union of Metalworkers of South Africa (NUMSA) has been among the sharpest voices responding to the killings. In a statement condemning the deaths, the union insisted the killings should not be treated as a “crime wave” or a mystery, describing them instead as femicide and, more precisely, a war being waged against women. NUMSA’s argument is that this is not an aberration but the visible edge of something structural. The union points to police figures showing at least 569 women murdered nationally between April and June 2026 alone, by the verified count, with an unverified estimate closer to 892, roughly six women killed every day. Against this, nine deaths in one metro over two months is, in the union’s words, closer to the ordinary condition of the country, made visible only because the fear of a serial killer has made it a story the wider public can imagine touching them.

The statement also pushes back on the instinct to treat this primarily as a street-level danger. Of thousands of rape cases registered by police in the same quarter, the majority occurred in a residence, not a public place. The killings that draw headlines, a body beside a highway, represent a fraction of a type of violence whose center of gravity is the home.

The economics underneath the violence

NUMSA also refuses to treat gender-based violence as an individual pathology alone. It traces a line from the colonial and apartheid-era migrant labor system, which depended on women’s unpaid domestic and reproductive labor to keep wages artificially low through to the present, where South African women remain disproportionately unemployed (an official rate near 37.5%, against 44.9% for men) and disproportionately head of household. Over four in ten nationally, and closer to half in rural areas. Close to two million employed women work informally, without pensions, medical aid, or written contracts. When a woman who is also a breadwinner is killed, the union argues, it is not only a life lost but a household’s income and caregiving capacity lost with her.

Gender-based violence and femicide were declared a national disaster in South Africa in November 2025. Nearly a year on, the killings in Ekurhuleni are evidence, in the union’s reading, that the declaration has not translated into protection.

What’s being demanded

NUMSA has rejected the idea of policing alone and the state’s response so far has leaned on a security “lockdown” of Kempton Park to answer a crisis this size. Its demands include full funding of the national plan on gender-based violence and femicide, functioning forensic and mortuary capacity so victims can be identified quickly, safe transport for workers on early and late shifts, and the implementation of the ILO Convention 190 on violence and harassment in the workplace, which South Africa has ratified but not fully enforced. Alongside state accountability, the union is calling for community-based structures, street and area committees, explicitly modeled on the civic organizing of the anti-apartheid period to accompany women, support survivors, and track cases through the courts.

Investigations continue, but the fear, concern and anger surrounding the killings remain. The deaths of the women in Ekurhuleni have already forced a public reckoning with the scale of violence against women in South Africa and the urgent need for stronger action to protect women and hold perpetrators accountable.

Depuis le 31 août, il n'y a plus de service de médecine à Condom

22 September 2026 at 13:49

Depuis le 31 août 2026, le centre hospitalier de Condom (Gers) n’a plus de service de médecine générale. Vingt lits fermés faute de médecin titulaire. L’Agence régionale de santé (ARS) d’Occitanie a prolongé une suspension temporaire "jusqu’à nouvel ordre".

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Le 20 septembre, le conseil municipal a voté une motion de soutien aux personnels, s’opposant à cette fermeture de fait et exigeant une réouverture pérenne. Il a saisi l’ARS... c’est tout ce que la commune peut faire.

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Une fermeture devenue indéfinie

Le service de médecine générale du centre hospitalier de Condom devait déjà composer avec des interruptions temporaires. Durant deux ans, des médecins intérimaires se sont succédé sans permettre de stabiliser les effectifs. Début septembre, même un remplacement prévu a été annulé à la dernière minute, rendant impossible la continuité des soins. Les derniers patients ont alors été orientés vers d’autres structures.

Motion de soutien au service médecine - Gers - Condom - Le Petit Journal
Depuis le 31 août 2026, le service de médecine du centre hospitalier de Condom est fermé faute de médecin. Cette Lire la suite

Le directeur départemental de l’ARS, Frédéric Lopez, reconnaît que le service de vingt lits connaissait des difficultés récurrentes. Les urgentistes de Condom, déjà mobilisés le soir et le week-end, avaient été sollicités pour assurer la continuité. Mais cette organisation n’était pas tenable durablement. Selon l’ARS, aucune date de réouverture ne peut aujourd’hui être annoncée. Malgré le coût élevé des médecins intérimaires, calculé en milliers d’euros par vacation, l’ARS estime que l’absence d’activité coûte encore davantage à l’établissement. La fermeture ne constitue donc même pas une économie évidente.

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Quand l’administration suspend sans fermer

Le conseil municipal, dans sa motion du 20 septembre, demande une réouverture « rapide et pérenne » et saisit officiellement l'ARS. Mais une motion municipale n'a aucune force contraignante face à une agence régionale de santé qui répond à une tutelle parisienne, elle-même arbitrée par des enveloppes budgétaires nationales. Les élus et les personnels réclament des réponses alors que le territoire de la Ténarèze dépend de cet établissement de proximité.

Val de Briey : les urgences ferment encore cette nuit, après onze jours de fermeture en août
À Val de Briey, les urgences de l’hôpital Maillot ferment une nouvelle fois leurs portes, cette fois du 9 septembre à 20 heures au 10 septembre à 9 heures. Après onze jours de fermeture consécutifs en août, cette succession de suspensions pose une question simple : comment un service d’

Cette fermeture le rapport de force entre une administration centrale et des territoires ruraux dépossédés de toute capacité de décision. Les communes paient le prix d’une organisation sanitaire qui concentre les moyens ailleurs et laisse les petites structures à la merci d’un recrutement national défaillant. Pendant que l’ARS parle de sécurité et de pérennité, les patients du Gers perdent un service de proximité sans que quiconque ait réellement tranché devant eux.

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Where Cities and Oceans Meet

22 September 2026 at 13:00

What does it mean to live in a disappearing place? For Pioneer Works’ Broadcast, Brad Bolman, a professor of history and environmental studies at Tulane University, writes about New Orleans, the shifting borders between land and sea, and the political and economic forces that continue to shape the city’s fate in a time of climate catastrophe.

If Los Angeles is the city that has been imaginatively destroyed again and again in film and TV, as Thom Andersen argues in Los Angeles Plays Itself, New Orleans is the one that has been destroyed countless times in reality. We have survived worse and rebuilt before, many insisted. We’re staying.

It was a reaction as understandable emotionally as it was disconnected from environmental reality. But that gap is a feature of life in the Crescent City. As I watched my first Mardi Gras parade this spring, junk falling in never-ending torrents from brightly decorated floats, a friend sympathetically interjected, “This must be driving you crazy.” What they meant was that as someone who teaches about environmental history but isn’t from here, I must be especially affected by the throwaway culture of the city’s most famous fête and its tons and tons of plastic beads, made from the same fossil fuels that are causing sea levels to rise around us.

Au 1er octobre, votre garagiste n'aura plus le droit de faire votre carte grise

22 September 2026 at 08:30

Dès le 1er octobre, des milliers de garages pourraient perdre leur habilitation à établir les cartes grises. Pour s'y conformer, ils devront justifier de trois ans d’ancienneté et traiter au moins 200 dossiers par an. Une réforme qui entend répondre aux fraudes du Système d’immatriculation des véhicules (SIV), mais qui risque surtout de faire payer aux petits professionnels les défaillances du système public.

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Depuis 2009, les préfectures ont progressivement abandonné l’accueil physique pour les démarches d’immatriculation. Le SIV repose désormais largement sur un réseau de professionnels habilités : environ 33 000 entreprises réalisent près de 85 % des immatriculations.

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Trois ans d’ancienneté et 200 dossiers : le couperet du 1er octobre

L’arrêté du 21 juillet 2026 durcit les conditions d’habilitation. À compter du 1er octobre, les professionnels devront notamment justifier de trois années d’activité et avoir traité au moins 200 dossiers par an. Des garages pourtant habilités depuis la création du SIV en 2009 pourraient ainsi perdre leur autorisation s’ils n’atteignent pas ce volume.

Habilitation carte grise : ce qui change au 1er octobre 2026
Arrêté du 21 juillet 2026 : 3 ans d’ancienneté, 200 opérations, local dédié. Ce que le durcissement de l’habilitation carte grise change pour vous.

La Fédération nationale de l’automobile (FNA), qui représente plus de 170 000 entreprises, a alerté le 11 septembre sur les conséquences de cette échéance rapprochée. Dans certaines zones rurales, le retrait d’un professionnel peut signifier plusieurs dizaines de kilomètres supplémentaires pour effectuer une démarche autrefois accessible localement.

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La fraude du SIV sert-elle de justification à une concentration ?

La réforme intervient après la découverte d’un dispositif de fraude d’ampleur : près d’un million de véhicules auraient été immatriculés entre 2022 et 2024 par l’intermédiaire de structures fictives, avec environ 550 millions d’euros de pertes fiscales. L’État cherche donc à renforcer le contrôle d’un réseau devenu indispensable après la fermeture des guichets préfectoraux.

Cartes grises piratées: les garagistes victimes reçoivent la facture du fisc — plus de 6 millions d’euros réclamés
Depuis la fermeture des guichets préfectoraux, l’État a confié la gestion des cartes grises aux professionnels de l’automobile, tout en abandonnant la sécurité de son propre système. Le Trésor public réclame aujourd’hui aux garagistes victimes d’usurpation de compte les taxes foncières et d’immatriculation des véhicules

Mais la réponse soulève une question de responsabilité. Pourquoi un garagiste rural, qui n’a commis aucune fraude, devrait-il perdre son habilitation parce que l’administration n’a pas suffisamment surveillé son propre fichier ? Le seuil de 200 dossiers favorise mécaniquement les professionnels disposant d’un volume d’activité important, tandis que les petits garages assurant un service de proximité sont davantage exposés.

Carte grise : même si vous devez être tous chômeurs, la caste ne lâchera aucun de ses privilèges !
Pas une semaine ne passe sans que le secteur de l’automobile en Europe n’annonce des plans sociaux. Il faut dire

La FNA demande le retrait de l’arrêté, ou à défaut une période transitoire d’un an et un seuil abaissé à 100 dossiers. Elle envisage également un recours en urgence devant le Conseil d’État. Cet arrêté illustre une fois de plus comment la bureaucratie, après avoir failli, se retourne contre ceux qui rendent encore le service qu’elle a abandonné.

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How does the diversification of African partnerships with the East and West obstruct the continent’s development path?

22 September 2026 at 05:59
Even as the Euro-American stellionate collapses under its own weight and two-faced diplomacy signs its own bankruptcy, at the same time, Africa is charting its own paths to sovereignty beyond the impasse of hybrid partnerships. Since time immemorial, a basic principle of law has dictated that one should never be both judge and party. Yet […]
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