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Festival de Teatro de Viana do Castelo apresenta 10 espetáculos em nove dias

9 October 2026 at 14:56

 A 10.ª edição do Festival de Teatro de Viana do Castelo, hoje apresentado publicamente, vai apresentar de 13 a 21 de novembro 10 espetáculos diferentes e 12 representações.

O festival, uma organização conjunta do Teatro do Noroeste – Centro Dramático de Viana e da Câmara Municipal, “que tem como marca a inclusão”, apresenta, pela primeira vez, uma peça com um ator com deficiência em palco.

Paulo Azevedo vai interpretar, no dia 20 de novembro, às 21:30, no teatro Sá de Miranda, a peça “O tamanho das coisas”, com direção de Marco Paiva, da Terra Amarela – Criação Artística Inclusiva.

“Uma das marcas do festival é a acessibilidade, estamos sempre a trabalhar para nos adaptarmos aos desafios da acessibilidade e esta peça ‘O Tamanho das Coisas’ tem, por isso, um simbolismo especial”, sublinhou o diretor artístico do festival, Ricardo Simões

Ricardo Simões destacou ainda a peça “Só eu é que não tenho!”, que arranca em digressão na segunda-feira, com 52 representações nas escolas do concelho de Viana do Castelo, sendo que o evento tem espetáculos para os idosos residentes em lares.

A peça “Os Lusíadas”, com interpretação de António Fonseca, da Companhia Nacional de Espetáculos, sobe ao palco do teatro municipal, no dia 15 às 19:00.

Outros dos destaques apontados por Ricardo Simões são os espetáculos “Veneno”, com Albano Jerónimo, da Teatro Nacional 21, e “Ensaio sobre a lucidez”, pela companhia de teatro do Chapitô.

Como destaque internacional, o diretor artístico do festival realçou a peça “Dolce far niente”, de Lucía Satta, uma coprodução da companhia Desattada/Centro Dramático Galego.

A programação arranca a 13 de novembro com “A Menina”, encenada por Rita Lello, pelo Teatro do Noroeste – Centro Dramático de Viana (CDV). No dia 14 de novembro, é levada ao palco “O Despertar das Borboletas”, por Ricardo Ribeiro, também do Teatro do Noroeste-CDV.

“Entrelinhas”, cocriação de Tiago Rodrigues e Tonán Quito, por Homembala, é apresentado a 18 e 19 de novembro.

O programa encerra dia 21 de novembro com “Esta noite improvisa-se com Bergman”, de Mónica Calle.

Uma oficina de escrita com Alex Cassal antecipa, no dia 11, o arranque do festival que inclui ainda uma residência artística com Mónica Calle e uma aula magistral de interpretação.

Com um “forte compromisso com a acessibilidade, o Festival de Teatro de Viana do Castelo é o único em Portugal em que todas as récitas incluem tradução simultânea em língua gestual portuguesa, legendagem em português e inglês, reconhecimento de palco e audiodescrição”.

O TUViana – Transportes Urbanos de Viana é uma das apostas do festival com a iniciativa “Venha ao Festival com o TUViana”.

Presente na conferência de imprensa de apresentação do festival, o vice-presidente da Câmara Municipal e vereador da Cultura, Manuel Vitorino, disse que o evento tem “créditos firmados”, realçando a relação com o público escolar.

O município apoia o evento, através do Contrato Programa de Desenvolvimento Cultural com o Teatro do Noroeste, com cerca de 37.800 euros.

Manuel Vitorino referiu que o festival sofre um interregno no dia 14 de novembro para a antestreia da longa-metragem de animação, produzida pela Watermelon Productions, inspirada numa lenda de Viana do Castelo.

“Viana, a Lenda dos Corações de Ouro” conta com as vozes de, entre outros, Daniela Melchior, Pêpê Rapazote, Diogo Piçarra, Luke Newton, Michael McElhatton, Melânia Gomes, Vasco Palmeirim e Nuno Markl.

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Engenheiro nuclear de Braga deixa o emprego para dar a volta ao mundo numa mini-mota

9 October 2026 at 11:50

Gonçalo Castillo, de 32 anos, nasceu em Lisboa, mas aos três meses veio para Braga, onde cresceu. Quando concluiu o secundário, foi para França estudar, tendo-se formado em Engenharia Nuclear pela Universidade Pierre et Marie Curie, em Paris. Há nove meses largou o emprego e lançou-se numa aventura única:  quer ser o primeiro a dar uma volta ao mundo na icónica mini-mota Honda Dax 125. Está há pouco mais de quatro meses na estrada e já soma mais de 18.000 quilómetros percorridos em 30 países. Atravessou a Europa, o Cáucaso e está, neste momento, no Tajiquistão. Passou pela Ucrânia, Rússia e em breve irá atravessar o Afeganistão e Irão, antes de chegar aos países do Golfo árabe. Daí, o plano é enviar a mota para a Índia e rumar para o Sudeste Asiático.

Em entrevista a O MINHO, Gonçalo Castillo conta que, antes de embarcar nesta aventura, trabalhava como gerente de desenvolvimento de negócios na Rosatom, a empresa estatal russa de energia atómica, no Rio de Janeiro, Brasil. “Trabalhei lá durante seis anos e meio. O russo que aprendi enquanto trabalhei lá tem sido extremamente valioso agora ao viajar pelas ex-repúblicas soviéticas da Ásia Central”, sublinha.

“Quando descobri a Honda Dax 125, achei-a supercharmosa”

O que o motivou a lançar-se nesta aventura foi, “principalmente”, o facto de, ao que sabe, “ninguém ter dado a volta ao mundo nesta mota”.

“Já existem muitas pessoas a viajar pelo mundo em motas grandes, e eu queria fazer algo diferente”, justifica, desenvolvendo: “Foi por isso que comecei a procurar uma mota pouco convencional. Quando descobri a Honda Dax 125, achei-a supercharmosa e percebi que era com ela que queria viajar. Além disso, tinha outra característica que me agradava muito: é uma mota extremamente simples, o que facilita a resolução de problemas mecânicos durante a viagem de uma forma fácil e barata”.

“A viagem podia acabar hoje e já teria valido completamente a pena”

“Espetacular”. O engenheiro nuclear não tem outra palavra para descrever a viagem: “Às vezes, olho para o mapa e vejo a dimensão daquilo que já percorri, e do que ainda falta, e custa-me acreditar que sou eu que estou a fazer esta viagem. Já conheci lugares incríveis e pessoas extraordinárias. A viagem podia acabar hoje e, mesmo assim, já teria valido completamente a pena. E o melhor é saber que ainda não estou sequer perto da metade”.

“Atravessar algumas fronteiras, nomeadamente na Rússia e a Ucrânia, trouxe alguma tensão”

Para Gonçalo Castillo, “os momentos mais assustadores têm sido sobretudo na estrada, em países onde a condução é mais imprevisível”.

“Na Moldávia, por exemplo, houve algumas ultrapassagens em que senti que os carros quase me iam atingir”, nota.

Engenheiro nuclear de Braga deixa o emprego para dar a volta ao mundo numa mini-mota
Foto: DR

“Mais recentemente, no Uzbequistão, um carro passou por mim na minha via a uma velocidade muito elevada. Eu circulava a cerca de 70 km/h, que era o limite naquela estrada, e calculo que o carro circulasse a 100 ou 110 km/h. Passou muito perto, foi um momento realmente assustador”, conta ainda.

E acrescenta: “Atravessar algumas fronteiras, nomeadamente na Rússia e na Ucrânia, também trouxe alguma tensão, mas, nada de mais. Felizmente, não tive muitos outros momentos verdadeiramente assustadores”.

“Polícia fez-me sinais para sair da mota. Obedeci, e em seguida ele pôs-se em cima dela e conduziu-a”

O que também não pode faltar numa volta ao mundo são peripécias caricatas. Questionado por O MINHO, o aventureiro bracarense recorda: “Sem dúvida um dos momentos mais caricatos foi na fronteira entre a Turquia e a Geórgia, onde um polícia me fez sinais para sair da mota. Obedeci, e em seguida ele pôs-se em cima dela e conduziu-a. No primeiro segundo pensei logo ‘será que fiquei sem mota?’, mas rapidamente ele deu meia volta e no fim foi apenas um momento bem caricato e mais um vídeo engraçado para as memórias! Depois ainda bebemos chá juntos”.

Outra: “No Cazaquistão, apanhei um comboio para percorrer cerca de 2.700 quilómetros de estepe e consegui levar a mota comigo como bagagem. A imagem de cinco homens a levantarem a pequena Honda Dax para a colocarem dentro de um vagão foi, sem dúvida, caricata”.

“Acho que a imagem desta motinha pequenina e citadina em tantos lugares inesperados é por si só caricata. Ela gera muita curiosidade: as pessoas buzinam quando me veem passar e quase sempre que paro, aparece alguém curioso a querer saber que maquininha é esta”, observa.

“Trabalhei, poupei e agora usufruo”

Gonçalo Castillo viaja sozinho e a aventura é totalmente financiada pelo próprio: “Trabalhei, poupei e agora usufruo. Planeei a viagem de forma bastante calculada, tanto do ponto de vista económico como cronológico”.

“Por isso, o único apoio financeiro é o meu próprio. Posso dizer que apenas conto também com a simpatia e a generosidade das pessoas que vou conhecendo pelo caminho, que tornam a experiência muito mais rica”, vinca.

Gonçalo Castillo dorme em hostels, albergues e casas de amigos: “Não levo uma tenda, porque o espaço na mota é muito limitado e achei que não a utilizaria vezes suficientes para justificar o espaço que ocuparia”.

Engenheiro nuclear de Braga deixa o emprego para dar a volta ao mundo numa mini-mota
Foto: DR

“No entanto, quando chegar aos Estados Unidos, ao Canadá e talvez à Nova Zelândia, onde o alojamento é bastante mais caro, pondero comprar uma tenda para acampar algumas noites e reduzir os custos”, aponta, notando que “é relativamente fácil encontrar alojamento acessível nas regiões por onde [tem] passado”.

“Isso permite-me ter uma cama confortável, tomar um duche e descansar devidamente. Também é mais uma oportunidade para conhecer outros viajantes”, destaca.

Quanto à alimentação, come quase sempre fora: “Muitas vezes onde fico não tem cozinha e quando tem, não fico tempo suficiente num local para justificar comprar ingredientes e cozinhar. Quando fico em casa de alguém, por vezes cozinhamos juntos ou oferecem-me uma refeição”.

“Quando estava na Europa, onde comer fora é bastante mais caro, recorria frequentemente ao supermercado para comprar ingredientes e preparar sandes para levar comigo durante o dia”, revela.

Faltam 40 países

Atualmente, o engenheiro nuclear está no Tajiquistão, o 30º país da viagem: “Pelas minhas contas, ainda pretendo visitar cerca de 40 países até ao final”.

Engenheiro nuclear de Braga deixa o emprego para dar a volta ao mundo numa mini-mota
Foto: DR

A previsão para o fim da volta ao mundo é no verão de 2028. “Claro, ainda tenho muito caminho pela frente e muita coisa pode mudar, mas é precisamente isso que torna esta aventura tão entusiasmante”, conclui.

A viagem pode ser acompanhada através do Instagram, onde Gonçalo Castillo vai documentando o seu dia-a-dia (aqui).

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