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Milão encerra lojas de luxo. Louis Vuitton e Hermès saqueados durante motins em França

By: ECO
20 October 2026 at 12:05

Em França, as lojas da Louis Vuitton e Hermès foram saqueadas em Marselha, o mesmo acontecendo com a Celine, em Paris, nas manifestações de sábado, em França, em protesto contra as condições nas escolas e o custo de vida. Várias outras marcas de luxo foram alvo de vandalismo no centro da capital francesa, de acordo com o Financial Times e o Le Monde.

Em Itália, depois de dois dias de distúrbios, o vice-primeiro-ministro, Matteo Salvini, anunciou que vai mobilizar 500 militares do exército para “defender Milão”, segundo a Reuters.

Esta segunda-feira, as lojas do centro de Milão fecharam mais cedo e taparam as montras com tábuas, receando uma nova vaga de violência. Na Via Montenapoleone, zona de compras de luxo da cidade, as lojas de marcas como Chanel, Tiffany e Dior retirou os produtos das montras por precaução.

Durante o fim de semana, centenas de manifestantes incendiaram caixotes do lixo e saquearam lojas no centro de Milão, entre elas a Decathlon e a Arc’teryx. Outras como a Levi’s e Under Armour, cobriram as montras com painéis de madeira e cartão.

A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, condenou a violência e a polícia italiana afirmou ter detido 271 jovens, 23 deles menores de idade, durante os distúrbios de domingo em Milão.

Os incidentes em Itália assemelham-se ao que aconteceu em França, onde foram detidas 1200 pessoas e há registo de saques e vandalismo nas principais cidades.

Lojas de luxo vandalizadas

As lojas da Hermès e Louis Vuitton de Marselha foram saqueadas este sábado durante as manifestações. Em Paris, a Celine também foi alvo de assalto e a loja da Louis Vuitton na Place Vendôme foi vandalizada por seis pessoas encapuzadas que usaram uma barreira rodoviária como arma de arremesso. Um funcionário da loja disse ao Financial Times que os alegados assaltantes não conseguiram entrar. “Não eram manifestantes, eram pessoas que tinham saído apenas para partir coisas e roubar”, relatou.

Os danos ficaram limitados à fachada do espaço comercial da Louis Vuitton tal como na joalharia Graff, na mesma praça, que estava encerrada esta segunda-feira, com as montras partidas.

As tentativas de vandalização estenderam-se a vários pontos da capital francesa e a outras lojas de luxo. Nas redes sociais circulam imagens que mostram uma dúzia de seguranças privados ao redor da loja da Dior na Avenue Montaigne. Outra loja da marca, na Rue Saint-Honoré foi grafitada com palavras de ordem contra a polícia. Já na Rue Royale, a loja da Dior ficou a salvo porque os funcionários baixaram as grades de segurança cerca das 16h00. Um funcionário da Dior relatou ter visto “a polícia ser empurrada pela multidão ao longo da rua”. Do outro lado da rua, as montras da loja Ralph Lauren foram partidas e a Kenzo foi saqueada. A Burberry também foi atacada.

As associações que representam as lojas da Place Vendôme, Saint Honoré e Champs-Élysées condenaram esta segunda-feira os atos dos manifestantes num comunicado conjunto. “Paris não pode ceder aos manifestantes violentos. Recusamo-nos a deixar que o medo se instale nas nossas ruas. Quem vive e trabalha aqui não aceitará isso”.

Não foram apenas as lojas de luxo que foram alvo de vandalismo ou saque. Foram assaltadas uma loja da Lacoste, lojas da JD Sports, lojas da Sephora por toda a França e uma loja da Apple em Lille. Na montra da Tesla, em Paris, um grafiti acusava Elon Musk de ser nazi.

Desta vez, segundo o Financial Times, não houve coordenação entre sindicatos e polícia e as forças de segurança foram rapidamente dominadas.

Nas manifestações de sábado, cerca de 3 mil empresas terão sido afetadas. As estimativas são do ministro do Comércio, Serge Papin. O governo francês prometeu um apoio de emergência. Os motins e saques deverão custar aos seguros mil milhões e 1,2 mil milhões de euros, segundo a Morningstar.

A polícia está a trabalhar para que os bens que foram roubados não sejam revendidos online em plataformas como a Vinted, Amazon ou eBay, adianta o Financial Times. Vários ministros reuniram-se com estas empresas de revenda para discutir a remoção de artigos suspeitos de terem sido saqueados.

Grupos de luxo como a Kering e Hermès apresentam esta semana as suas contas dos primeiros nove meses do ano.

Os 10% mais ricos concentram 59% da riqueza das famílias

20 October 2026 at 11:16

Ordenando as famílias portuguesas das mais pobres para as mais ricas, os 10% do topo ficaram, em média, com 59% da riqueza líquida do país entre 2010 e 2025, enquanto as famílias com riqueza abaixo da mediana (que são metade do total) ficaram apenas com 6% desse bolo. Os números constam das contas de distribuição da riqueza, estatísticas experimentais do Banco de Portugal que passam a estar disponíveis esta terça-feira numa nova plataforma de dados do supervisor.

Conhecidas internacionalmente como Distributional Wealth Accounts (DWA), estas contas são produzidas trimestralmente no âmbito do Sistema Europeu de Bancos Centrais e juntam os dados macroeconómicos das contas nacionais à informação sobre as famílias recolhida no Inquérito à Situação Financeira das Famílias (ISFF), mostrando assim o valor total da riqueza e a forma como se divide por três grupos: os 10% mais ricos, as famílias entre a mediana e esse topo, e as que estão abaixo da mediana.

De acordo com os dados divulgados esta terça-feira pelo Banco de Portugal, no final de 2025, a riqueza líquida das famílias portuguesas totalizava 1.196 mil milhões de euros, cerca de 388% do PIB, e tem crescido desde 2010. A única exceção foi o período entre 2011 e 2013, em que diminuiu.

No primeiro trimestre de 2026, o valor subiu para 1.214 mil milhões de euros, mais 7,6% do que um ano antes. Desse total, 714 mil milhões (59%) estavam nas mãos do top 10% e 72 mil milhões nas das famílias abaixo da mediana.

O índice de Gini, que mede a desigualdade na distribuição da riqueza numa escala de 0 a 100 (em que 0 corresponde a igualdade perfeita e 100 a toda a riqueza numa só família), era de 72,5 em Portugal no primeiro trimestre de 2026. Na área do euro, o valor era de 73,1.

Entre os países analisados, o índice varia entre os 77 da Finlândia e da Áustria e os 53 de Malta. O Banco de Portugal conclui que a desigualdade evoluiu de forma semelhante em Portugal e na área do euro entre 2010 e 2025, tendo aumentado ao longo da década de 2010, diminuído no final desse período e voltado a subir nos anos seguintes.

Composição do património de ricos e “remediados”

A diferença da riqueza entre grupos não está só no valor da riqueza acumulada, mas também na composição do património. Em média, entre 2010 e 2025, os imóveis representaram 52% dos ativos das famílias, à frente dos depósitos (19%) e das participações em capital (16%).

A habitação é assim o principal ativo das famílias portuguesas. Na estatística apresentada pelo Banco de Portugal, os imóveis incluem a residência principal e outros imóveis residenciais que não sejam usados na atividade empresarial.

O peso da habitação varia, porém, muito consoante o nível de riqueza. No final de 2025, os imóveis representavam mais de 70% dos ativos das famílias abaixo da mediana e menos de 40% dos ativos das que pertencem ao top 10%.

As famílias mais ricas têm um conjunto de ativos mais diversificado, com maior peso das participações em capital, detidas em empresas cotadas ou não cotadas em bolsa, e de outros ativos, como títulos de dívida e fundos de investimento.

No lado das dívidas, os passivos das famílias somavam 167 mil milhões de euros no primeiro trimestre de 2026, dos quais 77,4% eram empréstimos à habitação. Os ativos totalizavam 1.382 mil milhões.

O supervisor sublinha que são estatísticas experimentais, com metodologia ainda em desenvolvimento, e que os resultados podem diferir dos do ISFF. Na habitação, por exemplo, o ISFF assenta na avaliação feita pelas famílias, e estas contas ancoram-se na evolução do stock de habitação das contas nacionais. Ficam também de fora os direitos associados a pensões e o numerário em carteira.

O carro ‘voador’ de Elon Musk é para quem gosta de conduzir?

20 October 2026 at 10:00

Alguém escreveu na quinta-feira, após a apresentação do novo Roadster, que este carro serve para a Tesla mostrar do que é capaz. Provavelmente, tem razão. E, provavelmente, estava a falar dos avanços tecnológicos deste automóvel, nomeadamente propulsores semelhantes aos dos foguetões SpaceX.

Sem um veículo realmente inovador, não estaríamos aqui a falar deste carro. Sem a capacidade de dar espetáculo de Elon Musk também não. Porém, o Tesla Roadster não é só um automóvel nem é só show (sendo ambos). É alta-costura motorizada.

Conduzir o Rocket, que é o modelo mais exclusivo dentro dos modelos exclusivos do Roadster, não serve para chegarmos mais depressa a lado nenhum nem para ser transportados de forma mais cómoda. Chega a ser inútil tal é a falta de funcionalidade.

O que traz para a conversa também não é a possibilidade de conduzir um desportivo. Para isso há clássicos, e até novos modelos, como o Ferrari Luce, o primeiro elétrico da marca italiana, desenhado em São Francisco no estúdio de Marc Newson e Jony Ive.

A Ferrari está apostada em falar para uma nova geração de milionários, oriundos das tecnológicas, e a Tesla também.
A diferença é que, quando se fala em Silicon Valley, Elon Musk está a jogar em casa. Não é sobre utlidade, não é sobre condução, é sobre ter uma experiência de filme de ação.

Um carro que faz acrobacias, paira no ar e pousa envolto num nuvem de gás frio branco é para quem sonha protagonizar o Velocidade Furiosa dentro do carro do Regresso ao Futuro e viver para contar a história.

Portugal Fashion vai ter 2,67 milhões até 2028 para apoiar internacionalização da moda nacional

20 October 2026 at 07:08

O Portugal Fashion tem ‘luz verde’ para o seu plano de ação para a internacionalização da moda portuguesa até fevereiro de 2028, confirmou a diretora Mónica Neto ao ECO Avenida. A candidatura da organização da ANJE foi aprovada no âmbito do Portugal 2030 e contempla um investimento de 2.667.818,16 euros.

Desse valor, 85% correspondem a apoio público, o que representa cerca de 2,27 milhões de euros. Os restantes 15%, aproximadamente 400 mil euros, são responsabilidade da ANJE (Associação Nacional de Jovens Empresários) e dos parceiros estratégicos da organização. O projeto é apoiado pelo Sistema de Apoio a Ações Coletivas (SIAC) para a internacionalização, no âmbito do Compete 2030, com fundos da União Europeia através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional.

“Vamos ter novamente ações de internacionalização e o nosso Portugal Fashion Experience, também no início de julho do próximo ano”, refere Mónica Neto, lembrando que em setembro já foi possível marcar presença na semana de moda de Milão. Para os próximos meses, o plano prevê novas ações em Milão, Paris e Copenhaga.

“Queremos ser constantemente uma plataforma que identifica e acelera a entrada no mercado e há também uma ligação fundamental – e que tem que ser apoiada – entre designers e indústria. Aquilo que faz com que os mercados internacionais nos respeitem cada vez mais é também a eficácia, a sustentabilidade e a qualidade da nossa indústria”, frisa Mónica Neto.

Mónica Neto, diretora do Portugal FashionRicardo Castelo / ECO

A responsável lembra o caso de Gabriel Figueiredo, fundador da marca De Pino, um dos nove finalistas do prémio LVMH deste ano, e um dos designers que o Portugal Fashion está a acompanhar de perto. Fez recentemente uma apresentação internacional bem recebida pela imprensa e pela crítica, nota.

“Com o Gabriel, aquilo que está previsto é o apoio a um desfile uma vez ao ano. Pode haver algo mais pequenino na próxima estação, mas estamos a falar também de passos sustentáveis em relação àquilo que faz sentido para uma marca emergente”, adianta Mónica Neto.

Em 2026, o Portugal Fashion apoiou a realização do primeiro desfile de Ernest W. Baker, em Paris, já com a marca lançada e representada em concept stores de vários pontos do globo. “Eles são um caso de sucesso em alguns mercados, por exemplo na Coreia, e também este ano tivemos ali uma sinergia com uma loja na Coreia, o que realmente significa que ainda é possível reinventarmos aqui algumas estratégias e, acima de tudo, há aqui neste nosso ecossistema algo particularmente interessante para acelerar uma marca que tem como base a identidade e a criatividade, mas que depois também está muito assente nesta conexão com as fábricas“, refere Mónica Neto.

“As fábricas têm sido os verdadeiros parceiros de marcas como esta”, reflete Mónica Neto. “E o que o Portugal Fashion também tem tentado nos últimos tempos é que isso não fique tão escondido nos bastidores e venha um bocadinho mais para o storytelling e para a nossa responsabilidade de comunicação”, assume. Em julho, o Portugal Fashion Experience já procurava refletir essa ligação com visitas à indústria incluídas o programa oficial.

O financiamento aprovado coincide com o momento em que o Governo prepara um programa de apoio mais alargado à moda portuguesa, como anunciou a ministra da Cultura, Juventude e Desporto na ModaLisboa, citada pelo Público. O Executivo pretende apresentar nos próximos meses medidas destinadas, em particular, a apoiar novos criadores.

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