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Bankinter Portugal já utilizou cerca de 75% da garantia pública de crédito à habitação e admite pedir mais quando esgotarem

22 October 2026 at 11:47
Bankinter

O Bankinter Portugal já utilizou cerca de 75% da garantia pública ao crédito à habitação. A revelação foi feita pelo CFO (Administrador Financeiro) do Grupo Bankinter Jacobo Díaz, na conferência de imprensa de apresentação dos resultados do terceiro trimestre. “Já foi utilizada cerca de três quartos (quase 75%) da linha”, disse. O que, segundo as contas do Jornal Económico, equivale a ter concedido crédito com garantia pública no montante de 437,5 milhões de euros.

O banco diz que está “num bom caminho”, que ainda tem margem e que, se chegar ao limite, pedirá um reforço ao Estado.

Ao Bankinter foi atribuída uma quota de 60 milhões de euros na linha da garantia pública do Estado para o crédito à habitação jovem (destinada a mutuários até aos 35 anos).

Gloria Ortiz, CEO do Bankinter, revelou ainda que, ao nível da produção hipotecária Portugal cresce quase 20%, contra 40% na Irlanda. Em Espanha, a queda homóloga da nova produção atenuou-se de 40% (1.º trimestre) para 28% (2.º) e 9% (3.º) e o banco espera que continue a atenuar-se.

O banco não vê, por ora, travão à procura de crédito por causa da subida de taxas, nem menor produção hipotecária no próximo ano.

Questionado sobre a exposição à divida francesa o CFO explicou que o Bankinter em Portugal não tem carteira própria.

Segundo as contas apresentadas esta quinta-feira, o Bankinter Portugal continuou a acelerar a sua atividade comercial nos primeiros nove meses de 2026. A carteira de crédito atingiu os 12 mil milhões de euros em setembro, crescendo 9% face ao período homólogo de 2025 e acrescentando 1 mil milhões de euros face ao fecho do exercício anterior, numa trajetória de expansão que se tem mantido ao longo do ano.

O Administrador Financeiro do Bankinter, Jacob Días,  revelou que em Portugal a taxa de morosidade (Non-Performing Loans) em Portugal estava em 1,36% no final de setembro — um nível de risco contido, que se mantém claramente abaixo do praticado pelo setor bancário português e que evidência a solidez da carteira de crédito.

A captação e gestão de património de clientes manteve uma dinâmica ainda mais robusta. Os recursos totais de clientes atingiram os 21 mil milhões de euros, com um crescimento de 18% homólogo — depois dos 21% registados ao longo de 2025 —, enquanto os ativos sob gestão acumulam uma valorização de 114% desde o início da operação. O rácio de empréstimos sobre depósitos (LtD) situou-se nos 114%, refletindo um crescimento equilibrado entre o crédito concedido e o financiamento captado junto dos clientes.

A conta de resultados confirma a solidez da evolução comercial, realça o Bankinter. Entre janeiro e setembro de 2026, a margem de juros atingiu 240 milhões de euros, mais 13% do que no período homólogo de 2025, e as comissões líquidas cresceram no mesmo ritmo, somando 67 milhões de euros.

Acrescem outros resultados negativos de 5 milhões de euros, o que resulta numa margem bruta de 302 milhões de euros, um crescimento de 12%. A gestão contida dos custos operativos, que aumentaram 10% para 98 milhões de euros, permitiu melhorar o rácio de eficiência em 0,5 pontos percentuais, para 32%, e gerar uma margem de exploração de 205 milhões de euros, também 12% superior à do ano passado. As provisões cresceram apenas 6%, totalizando 27 milhões de euros, sustentando um resultado antes de impostos de 178 milhões de euros, 13% acima do registado entre janeiro e setembro de 2025.

Estes resultados confirmam o peso crescente de Portugal dentro do Grupo Bankinter e a capacidade do banco de crescer rentavelmente em todos os negócios, num contexto de rigor disciplinado nos custos e de qualidade creditícia de excelência.

Exposição a dívida francesa

A CEO do Bankinter explicou na conferência de imprensa que a carteira de dívida pública do Grupo Bankinter é essencialmente de dívida pública espanhola, cujo prémio de risco se mantém contido, abaixo do francês e do italiano, sendo das que revela melhor comportamento. Não foram dados números sobre exposição direta a dívida francesa, nem sobre a forma como a dívida pública está contabilizada no banco, se em yield to maturity ou em mark to market.

A situação de França “não é a mesma” que a de outros países afetados na crise soberana, disse Gloria Ortiz que sublinhou que França tem uma enorme capacidade económica, apesar de as finanças públicas “requererem atenção”, sendo que o momento pré-eleitoral não ajuda a que as mensagens sejam tranquilizadoras.

O banco está convencido de que a situação em França se “equilibrará” quando acabar o período de transição, e de que não haverá problemas na dívida pública europeia, embora o momento seja volátil e os prémios de risco de alguns países possam subir.

Sobre outros temas, a CEO disse que banco tem sensibilidade positiva à subida de taxas, pelo que a margem de juros deve crescer num horizonte de um ano. A nível trimestral pode estabilizar ou contrair ligeiramente. Mas o guidance só será dado em janeiro.

A CEO do banco diz que o investimento em IA e tecnologia não visa reduzir pessoal e ambiciona, a prazo, um rácio de eficiência perto de 30%, “ainda que muito ambicioso”. Há formação em IA para todos os colaboradores.

Gloria Ortiz comentou ainda a atividade da Tulp Group (plataforma holandesa especializada em intermediação e financiamento hipotecário), adquirida a 100%, dizendo que “segue sua atividade normal de intermediação digital em hipotecas. O que estamos fazendo agora é trabalhar para ter uma estrutura para poder financiar diretamente nós através da Tulp”.

As primeiras hipotecas devem ser contabilizadas no final de dezembro ou em janeiro de 2027, inicialmente sob a marca Complet.

Lucros do Bankinter sobem 11% para 901 milhões de euros com Portugal a contribuir com 178 milhões

22 October 2026 at 08:15
Bankinter

O Grupo Bankinter apresentou um lucro líquido de 901 milhões de euros nos primeiros nove meses de 2026, um aumento de 11% face ao mesmo período do ano anterior. O resultado antes de impostos atingiu 1.267 milhões de euros (+10,8%). Portugal contribuiu com um resultado antes de impostos de 178 milhões de euros, mais 13% do que há um ano, reforçando o peso da operação portuguesa no desempenho global.

A rendibilidade dos capitais próprios (ROE) do Grupo Bankinter situou-se em 19,2% e o ROTE em 20,4%. A margem financeira alcançou níveis recorde de 1.762 milhões de euros, com um crescimento de 5,7%, beneficiando do aumento dos volumes de negócio e da gestão dos diferenciais. As comissões líquidas subiram 12,9% para 651 milhões de euros, impulsionadas pela gestão de ativos, intermediação bolsista, negócio transacional e receitas de investimento alternativo. A margem bruta (produto bancário) avançou 6,5% para 2.397 milhões de euros.

Os custos operacionais totalizaram 833,9 milhões de euros, um aumento contido de 2,3%, abaixo do crescimento das receitas. O resultado da margem operacional subiu 8,8% para 1.563,6 milhões de euros. O rácio de eficiência (cost-to-income) consolidou-se em 34,8%, beneficiando da estrutura leve do Grupo e da aplicação de medidas de transformação digital, incluindo inteligência artificial generativa.

Na qualidade dos ativos, o rácio de morosidade melhorou para 1,84% (21 pontos base abaixo do valor de há um ano), com um índice de cobertura de 66,8%.

No balanço, a carteira de crédito totalizou 87.134 milhões de euros, mais 5,6%. Os recursos de clientes e os ativos sob gestão somaram 163.008 milhões de euros (+7,9%), com os recursos de clientes a crescerem 2,2% e os recursos geridos fora de balanço a avançarem 15,2%. Os valores sob custódia subiram 14,2% para 96.226 milhões de euros. No conjunto, os volumes de negócio com clientes (crédito, recursos e ativos sob gestão) atingiram 250.142 milhões de euros, mais 7,1%.

O rácio de capital CET1 reforçou-se para 13,2%, muito acima do mínimo exigido pelo BCE (8,6%).

Atividade em Portugal cresce 13%

Portugal manteve um ritmo de crescimento superior ao do Grupo. A margem bruta, que integra a totalidade das receitas, avançou 12% e o resultado antes de impostos chegou a 178 milhões de euros (+13%). A carteira de crédito atingiu 12.000 milhões de euros, com um aumento de 9%. O património gerido dos clientes — que inclui recursos de clientes, recursos fora de balanço e ativos sob custódia — cresceu 18%, totalizando 21.000 milhões de euros. O país consolida-se como a segunda geografia do Bankinter em volume de negócio e receitas.

Outras geografias

Em Espanha, o resultado antes de impostos atingiu 1.050 milhões de euros (+10%), com a carteira de crédito a crescer 3% e o património dos clientes a avançar 9%. Na Irlanda, o volume de negócio com clientes subiu 26%, a margem bruta cresceu 19% e o resultado antes de impostos chegou a 41 milhões de euros (+21%).

Bankinter dispara el beneficio un 11% en los nueve primeros meses del año, hasta los 900 millones

22 October 2026 at 07:10

Bankinter tiene a tiro de piedra volver a pulverizar su propio récord anual de beneficios. El banco ha elevado en los nueve primeros meses del año las ganancias un 11%, hasta los 901 millones de euros. El número ya ronda los 1.090 millones que ganó en todo el año pasado, su récord sin contar los 1.333 millones que se embolsó en 2021 por el efecto extraordinario de la venta de Línea Directa.

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© Cristina Arias (Cristina Arias)

Sede de Bankinter en Madrid.
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