Chega quer investigar obras, bitcoins e 200 armas desaparecidas nos mandatos de Luís Neves na PJ
O Chega quer alargar a investigação parlamentar aos mandatos de Luís Neves à frente da Polícia Judiciária (PJ) a um conjunto de episódios que vai desde obras realizadas em instalações da polícia e numa propriedade particular aos bens apreendidos em operações criminais, passando pelo desaparecimento de uma carteira de bitcoins e de cerca de 200 armas.
O partido pretende ouvir Luís Neves, o atual diretor nacional da PJ, Carlos Cabreiro, o seu antecessor, Almeida Rodrigues, e vários antigos e atuais dirigentes da polícia, incluindo Pedro do Carmo, antigo diretor nacional adjunto, João Melo e Veríssimo Milhazes.
Entre os nomes propostos estão também Álvaro Pires, responsável pela gestão financeira e patrimonial da PJ desde 2018, e antigos responsáveis de diferentes áreas da instituição. O Chega quer ainda ouvir as antigas ministras da Justiça Francisca Van Dunem e Catarina Sarmento e Castro, bem como a atual titular da pasta, Rita Alarcão Júdice. A lista inclui igualmente o antigo primeiro-ministro António Costa e Vítor Escária, que foi chefe de gabinete do então primeiro-ministro.
O PCP apresentou uma lista mais restrita, propondo ouvir apenas quatro pessoas: Luís Neves, Luísa Proença, antiga diretora nacional adjunta da PJ, o atual diretor nacional, Carlos Cabreiro, e Álvaro Pires, responsável pela gestão financeira e patrimonial da polícia.
O documento, apresentado pelo grupo parlamentar do Chega na comissão, pretende estabelecer uma cronologia de decisões, identificar os responsáveis por cada procedimento e cruzar a documentação administrativa, financeira e operacional. Entre os pedidos estão os processos completos de 17 procedimentos de contratação, os contratos celebrados com a empresa ConstruBarcelos e as comunicações relativas à guarda, transporte e destruição de produtos químicos apreendidos na Operação Pacoba.
A comissão parlamentar de inquérito foi constituída para avaliar a atuação de Luís Neves durante os seus mandatos como diretor nacional da PJ, entre 2018 e 2026, e apurar uma eventual responsabilidade dos membros do Governo que o nomearam e tutelaram. Luís Neves é agora ministro da Administração Interna.
A iniciativa foi desencadeada pelo Chega na sequência de polémicas relacionadas com obras realizadas numa propriedade do atual ministro por uma empresa que celebrou contratos com a PJ e com a guarda, nas instalações dessa empresa, de um atrelado associado a produtos químicos apreendidos numa operação policial.
A comissão tomou posse na semana passada e tem novas reuniões previstas para segunda-feira, com a mesa e os coordenadores, e terça-feira, numa reunião ordinária agendada para duas horas antes do início da discussão na generalidade do Orçamento do Estado para 2027. O líder do Chega, André Ventura, preside aos trabalhos.