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Investidores da Unbabel em risco de perder benefício fiscal

23 October 2026 at 07:02

A queda da Unbabel deixa dívidas que poderão chegar aos 28,6 milhões de euros. Mas dois dos seus credores, que investiram na empresa, estão em risco de perder o acesso a benefícios fiscais obtidos através dos seus investimentos. A situação ameaça avolumar as perdas resultantes do colapso da startup especializada em traduções com inteligência artificial (IA).

Em causa está o SIFIDE, um benefício fiscal que permite descontar em IRC os investimentos em atividades de Investigação e Desenvolvimento (I&D), mediante certas condições. Dado que a Unbabel desenvolvia atividades de…

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Intuitivo levanta 1,35 milhões e quer ajudar (também) docentes do Brasil na avaliação

23 October 2026 at 07:00

Depois de ter sido uma das startups investidas pelo fundo Angels Way, a Intuitivo acaba de fechar uma ronda seed de 1,35 milhões de euros. Já com mais de 200 contratos com autarquias e escolas, a edutech, que em 2024 ganhou o melhor pitch da Web Summit, aponta agora o Brasil. Quer ajudar os docentes no processo de avaliação e já pensa em outros mercados europeus e na América Latina.

“O Brasil é o primeiro mercado internacional da Intuitivo. A língua é a mesma, o que nos permite levar a plataforma com poucas adaptações, e o problema é igual ou maior: os professores brasileiros também gastam muito tempo a criar, corrigir e dar feedback a avaliações. Além disso, já tínhamos professores brasileiros a chegar à plataforma de forma orgânica, sem qualquer investimento nosso, o que mostra que há procura real”, justifica João Guimarães, CEO da Intuitivo, ao ECO.

“A entrada vai ser gradual. Já temos uma pessoa da equipa no Brasil e estamos a trabalhar com parceiros locais de conteúdos e de distribuição para chegar mais depressa a professores e escolas”, acrescenta quando questionado sobre os planos para este mercado.

“Tal como em Portugal, o crescimento vai assentar na versão gratuita para professores e na recomendação entre colegas, complementado com a venda a escolas. Portugal continua a ser a nossa base e prioridade. O Brasil é o primeiro passo de uma expansão que poderá depois chegar a outros mercados da América Latina e da Europa”, aponta.

O Brasil é o primeiro mercado internacional da Intuitivo. A língua é a mesma, o que nos permite levar a plataforma com poucas adaptações, e o problema é igual ou maior: os professores brasileiros também gastam muito tempo a criar, corrigir e dar feedback a avaliações. Além disso, já tínhamos professores brasileiros a chegar à plataforma de forma orgânica, sem qualquer investimento nosso, o que mostra que há procura real.

João Guimarães

CEO da Intuitivo

Desenvolvida para apoiar os professores no processo de avaliação — segundo dados da OCDE, citados pela startup, apenas 43% do tempo dos professores é ocupado com o ensino, com o restante a ser despendido na preparação de avaliação, correção e tarefas administrativas. O processo de avaliação (criar avaliações, aplicá-las, corrigir e dar feedback aos alunos) é dos que mais tempo consome e, nesse item em particular, Portugal é líder entre os 44 países analisados —, esta plataforma digital já fechou mais de 200 contratos com autarquias, agrupamentos e colégios, abrangendo um total de mais de 500 escolas, e conta agora 75 mil registos de professores.

Apoiada em Inteligência Artificial, a Intuitivo gera rascunhos de testes a partir de um pedido (tema, ano e nível de dificuldade) e transforma testes antigos em PDF em versões digitais e interativas, prontas a corrigir automaticamente. Tem um banco de “milhares de exercícios” partilhados por outros docentes, pesquisáveis por ano, disciplina e tema, que podem ser copiados e editados, permitindo ainda criar grupos de professores para cocriar, partilhar e rever testes em equipa, descreve a startup.

Hoje somos 18 pessoas, uma das quais já no Brasil. Antes da ronda éramos cerca de 11. O objetivo é passar das 20 pessoas nos próximos meses, reforçando produto e engenharia e as equipas que trabalham diretamente com professores e escolas.

João Guimarães

CEO da Intuitivo

Os alunos acedem às provas através de um link e o professor acompanha a realização do teste em tempo real, havendo mecanismos para prevenir fraudes. Plataforma tem capacidade para mais de 80 mil alunos em simultâneo. “A correção dos exercícios de resposta fechada é instantânea, a das respostas abertas contará com apoio de IA já no ano letivo 2026/27”, refere ainda. No final, os resultados e comentários personalizados chegam aos alunos por e-mail, PDF ou Excel.

“Só no ano letivo 2025/26, os alunos portugueses realizaram cerca de um milhão de avaliações na plataforma. E isso representou uma poupança estimada de 165 mil horas de trabalho docente”, pode ler-se em comunicado.

14 November 2024; Pitch Winner João Guimarães, CEO, Intuitivo; centre, and partners on Centre Stage during day three of Web Summit 2024 at the MEO Arena in Lisbon, Portugal. Photo by Harry Murphy/Web Summit via Sportsfile

Agora querem levar esta plataforma para o Brasil, onde estimam um mercado potencial de 2,2 milhões de professores, cerca de 12 vezes o universo português.

A ronda — liderada pela Caixa Capital e pelo Impact Innovation Fund, gerido pela 3xP Global, no âmbito do Programa de Venture Capital do Fundo de Capitalização e Resiliência (FdCR), gerido pelo Banco Português de Fomento, como participação da Techstars, da COREangels Lisboa e da COREangels Porto — eleva para cerca de 1,5 milhões de euros o capital até aqui levantado pela empresa que quer ainda reforçar a sua equipa.

“Hoje somos 18 pessoas, uma das quais já no Brasil. Antes da ronda éramos cerca de 11. O objetivo é passar das 20 pessoas nos próximos meses, reforçando produto e engenharia e as equipas que trabalham diretamente com professores e escolas”, adianta João Guimarães ao ECO. “No Brasil, a ideia é iniciar com uma equipa local de duas pessoas e crescer a equipa à medida que o mercado vai sendo validado.”

Para onde vão os unicórnios?

23 October 2026 at 00:12

Uma startup que nasce hoje em Lisboa, Munique ou Tallinn encontra, com relativa facilidade, quem lhe financie os primeiros passos. A dificuldade surge depois, quando a ideia já provou o seu valor e é preciso capital a sério para contratar, internacionalizar e ganhar escala.

Nessa fase, o crédito bancário raramente é solução: uma empresa jovem ainda não gera lucros estáveis e tem poucos ativos para dar como garantia. Precisa de capital de risco, de fundos que se tornam sócios da empresa e partilham, com ela, o risco de crescer. Na Europa, estes fundos existem, mas são pequenos e estão confinados a 27 mercados desagregados.

Segundo o Banco Europeu de Investimento, o capital de risco europeu é cerca de seis vezes inferior ao norte-americano, pelo que uma scale-up europeia angaria, ao fim de dez anos, metade do capital de uma congénere de Silicon Valley.

Sem esse financiamento, muitas das empresas mais promissoras crescem fora da Europa. De acordo com o relatório Draghi, entre 2008 e 2021, perto de 30% dos unicórnios aqui fundados transferiram a sede, na sua maioria para o outro lado do Atlântico. Com eles partem empregos, receitas fiscais, propriedade intelectual e tecnologia.

Foi para dar escala aos fundos de capital de risco que a União criou, em 2013, o EuVECA, um passaporte que lhes permite angariar investidores em todos os Estados-Membros. A ideia era acertada, mas as regras envelheceram e o mecanismo vale hoje menos do que prometia. A revisão estava anunciada para este ano; em outubro, a proposta continua por apresentar.

No Grupo do PPE, definimos cinco prioridades, já enviadas à Comissão. A primeira visa corrigir um contrassenso: os gestores com menos de 500 milhões de euros sob gestão beneficiam do regime simplificado do EuVECA, mas, ultrapassado esse limiar, ficam sujeitos às regras dos grandes fundos de investimento, com encargos de supervisão e reporte muito superiores. O sucesso acaba, assim, penalizado no momento em que se concretiza, levando alguns a limitar o próprio crescimento. Propomos elevar a fronteira para, pelo menos, 1,5 mil milhões e indexá-lo à inflação, para que não volte a tornar-se obsoleto.

Pretendemos também pôr fim ao gold-plating, palavra do momento em Bruxelas. Somadas, as exigências e taxas que muitos Estados-Membros acrescentam à legislação europeia pesam excessivamente sobre quem não dispõe de juristas em cada capital. Removidos estes entraves, importa alargar o leque de instrumentos e de investidores: permitir o recurso aos SAFE, comuns nos EUA, que convertem o financiamento de hoje em ações numa ronda futura, e abrir estes fundos a investidores particulares experientes, e não só a quem investe acima de um determinado montante.

A última é, porventura, a mais relevante. As regras prudenciais desincentivam seguradoras e fundos de pensões de investir em capital de risco e o BCE aponta a sua fraca presença como um travão ao financiamento das scale-ups. A Europa dispõe de poupança; falta canalizá-la para a economia real. O Fundo Europeu de Investimento pode ajudar como investidor-âncora: a sua entrada num fundo é um sinal de confiança que atrai capital privado.

Mas mais capital não chega se as empresas, ao crescerem, continuarem a esbarrar em 27 regimes societários. Por isso, a revisão do EuVECA deve avançar a par da EU Inc., o estatuto empresarial europeu. A fragmentação do capital e a do direito das sociedades são duas faces do mesmo problema.

No Parlamento Europeu vamos bater-nos para que esta reforma não se perca pelo caminho. Está em causa saber se a Europa será capaz de transformar talento em prosperidade e ideias em liderança. Até lá, continuaremos a financiar o arranque das nossas melhores empresas para que outros colham os frutos.

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