O volume de reclamações judiciais sobre desinformação e publicidade digital irregular quase triplicou na Justiça Eleitoral em 2026 em relação às eleições de 2022, totalizando 9.571 processos no mesmo período até 1º.out.2026.
Esse montante corresponde a 11,4% do total de processos desse ciclo eleitoral, frente a 4,1% das eleições de 2022, de acordo com análise de dados feita pelo Núcleo.
A maioria desse tipo de processos envolve propaganda irregular em redes sociais e na internet em geral, inclusive impulsionamento de conteúdo denunciado.
Ao todo, o TSE já registrou ao menos 84,1 mil processos judiciais nesse ciclo eleitoral até 1º.out, cerca de 1% a mais do que no mesmo período em 2022.
Como fizemos isso
O Núcleo acessou dados de processos eleitorais no repositório de dados abertos do TSE. Última data de acesso 1º.out.2026.
Esses dados possuem um campo de assunto principal do processo em questão, além de outros assuntos relacionados. O Núcleo fez a junção de duas tabelas a fim de saber todos os assuntos mencionados, a partir do seguinte filtro.
internet (Propaganda Política – Propaganda Eleitoral – Internet)
redes sociais (Propaganda Política – Propaganda Eleitoral – Redes Sociais)
impulsionamento (Propaganda Política – Propaganda Eleitoral – Impulsionamento)
app de mensagem (Propaganda Política – Propaganda Eleitoral – Aplicativo de Mensagem Instantânea)
inteligência artificial (Propaganda Política – Propaganda Eleitoral – Uso de Inteligência Artificial)
deep_fake (Propaganda Política – Propaganda Eleitoral – Deep Fake)
fake news
Propaganda Política – Propaganda Eleitoral – Divulgação de Notícia Sabidamente Falsa (fake_news_a)
Propaganda Política – Propaganda Eleitoral – Divulgação de Notícia Sabidamente Falsa (fake_news_b, variante com caractere diferente)
Divulgação de Falsa Imputação (fake_news_c)
Desinformação sobre a Integridade do Processo Eleitoral (fake_news_d)
Divulgação de Fatos Inverídicos na Propaganda Eleitoral (fake_news_e)
Para a análise foram considerados processos únicos, levando em conta que um processo pode aparecer mais de uma vez quando muda de relator ou de instância. Vale notar que, embora a campanha oficial tenha começado em 16.ago.2026, há processos anteriores a isso sobre essas eleições na Justiça.
O Núcleo utilizou o modelo de IA Claude Fable 5.1 para checar as análises desenvolvidas por humanos e sugerir melhorias.
Faltam 28 minutos pro domingo virar segunda e o vagão só esvazia na estação Guilhermina-Esperança. O ambulante me cumprimenta com a cabeça, senta e acomoda a sacola preta entre as pernas. Estico o pescoço e vejo, lá dentro, algumas cocadas.
Parece que o dia foi bom, mesmo assim quero perguntar das vendas. Daria, com muito prazer, um pouco do meu tempo, do meu sono e até parte do que tenho na carteira para saber não só das cocadas. Quero conhecer, um tiquinho que seja, este trabalhador. Quem vende cocadas até o último trem do domingo tem muito pra contar.
Dou sorte. Mesmo tendo falado o dia inteiro de suas cocadas, que são gostosas, que desfazem na boca, que são baratas, que são mineiras e que vêm direto do Vale do Jequitinhonha, ele ainda quer falar.
Ajeita o boné, pigarreia.
— Meu nome é Getúlio. Getúlio Pereira da Silva. G. P. S. Nunca me perco. Entendeu? (rimos os dois) Mas sou conhecido como Raimundo. Eu explico: Pro ambulante, o marketing é tudo. Entro no vagão e anuncio: “Chegou a melhor cocada do mundo, a cocada do Raimundo”. Eu experimentei essa publicidade porque a rima é boa e eu sempre adorei o nome Raimundo. Tem passageiro que comenta. “Olha aí o Raimundo”. Então, deixa ficar. Virei Raimundo. Quer provar uma? É de graça que hoje esvaziei a sacola três vezes.
Aceito e me delicio com a doce mistura de coco e rapadura.
— Cremosa, né?
— Maravilhosa, Raimundo. Respondo com a boca ainda cheia e uma lasca de coco entre os dentes.
— Tem uns que reclamam da confusão. A gente grita mesmo. O jogador não pede a bola? O motoboy não buzina? O feirante não zoa? Por que a gente não pode? Ninguém é obrigado a saber da vida dos outros, mas será que eles sabem que, por trás de uma cocada, tem uma criança com fome, às vezes doente? Que tem aluguel, um monte de boletos, agiota te ameaçando?
— Quantos filhos você tem?
— Três. Olha aqui no celular. Anderson, Henrique e a caçula, a Marcela.
— Eu não peço nada, eu ofereço. Quem quer, quer. Quem não quer, não quer.
— Muita gente compra?
— Compra. E sabe por quê?
— Por quê?
— Porque o produto é bom e barato. E tem mais (ele sussurra): pobre não tem medo de gastar. Ele me vê e pensa: amanhã eu posso tá desempregado, posso ter que trabalhar como camelô. Então, eu ajudo agora e, se depois eu tiver no sufoco, alguém vai dar uma força.
— Mas dizem que é barato porque é clandestino.
— Mentira. É barato porque não tem intermediário; no supermercado o preço é maior porque eles têm muito mais despesas e também querem mais lucro. Aqui é diferente, vou no depósito e pago à vista.
— Então, por que é proibido?
— Porque é fácil mexer com o pobre. Eu garanto pro senhor. Meu produto não deve nada ao do supermercado. Eu ando de metrô e de trem todo dia e pago a passagem, viu? Eu sou camelô e passageiro ao mesmo tempo e garanto: a gente não atrapalha ninguém. Sabe o que atrapalha?
— O quê?
— O atraso e a superlotação. Tem que botar mais trens para circular. Só que a empresa ou o governo não quer gastar. É simples: com o trem cheio ganham mais. Agora, com a privatização, o que já era ruim ficou pior. Os vigilantes vêm pra cima como se o camelô fosse um bandido. Eu não sou bandido, sou empreendedor.
— Você manda bem, Raimundo. Já tinha falado de marketing, publicidade, agora empreendedor.
— Estudei um pouco. Empreendedor, eu ouvi essa no tempo que tinha passeata, sindicato. Durante um protesto, um cara subiu no caminhão e disse bem assim: Camelô é empreendedor e empreendedor é quem faz o Brasil crescer, nunca esqueci.
— Já tomaram sua mercadoria?
— Já, mas não desanimo. Toda profissão tem risco e eu adoro esse meu trabalho. Só que as autoridades não dão valor. Eles podiam cadastrar a gente.
— Como seria?
— Um número certo de ambulantes em cada trem, todo mundo com crachá, uniforme. Trabalho organizado.
Última estação. Getúlio levanta e me olha.
— Ué, não vai descer?
— Vou voltar. Vim até aqui para te ouvir.
A porta fecha e a gente acena um pro outro.
A voz feminina se impõe.
— Diamante Negro na promoção: é 3 por 5, que eu não brinco.
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Nas duas últimas legislaturas no Congresso Brasileiro, 370 deputados e senadores foram responsáveis por propostas de lei que enfraquecem os direitos indígenas — e 270 deles disputam reeleição neste ano. Ao todo, esses políticos atuaram em 252 projetos, a maioria incidindo negativamente sobre o direito à terra para esses povos.
As informações são baseadas em um levantamento da Agência Pública a partir da nova plataforma lançada pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), o Congresso Anti-Indígena.
Entre os projetos de lei que afetam os indígenas, estão propostas que buscavam anular decretos de demarcação de territórios e outros que alteram a Constituição Federal, para que as decisões sobre a demarcação sejam feitas pelo Congresso Nacional — justamente onde estão os políticos que atuam contra a demarcação de mais terras.
Para Cleber Buzatto, missionário do Cimi Regional Sul, essa atuação mostra que o principal interesse é impedir as demarcações e também explorar as terras.
“Isso demonstra uma articulação dos setores anti-indígenas, seja do ponto de vista político, mas, também, dos grupos econômicos que têm interesses sobre as terras, portanto, se organizam e atuam de forma bastante enfática e violenta contra os direitos indígenas no Congresso Nacional por meio de um conjunto amplo de partidos e parlamentares”, explica Buzzatto.
Entre 513 deputados e deputadas federais eleitos em 2022, apenas cinco se autodeclaram indígenas, menos de 1% do total. Como a Públicamostrou, neste ano, o movimento indígena lançou 47 pré-candidaturas para tentar mudar esse quadro. “É importante que os próprios povos [indígenas] consigam acessar espaços nessas casas legislativas, especialmente no âmbito da Câmara dos Deputados, que é onde tem mais candidatos indígenas disputando as vagas, até para que essa diretriz seja coerente com a defesa de fato dos direitos e dos interesses dos projetos de vida e futuro dos povos indígenas”, afirma.
Atualmente, segundo dados do Cimi, 291 propostas legislativas que impactam os direitos indígenas tramitam no Congresso Nacional. Entre elas, 204 têm efeitos negativos, segundo o levantamento.
PL, de Bolsonaro, é o principal partido a votar em propostas anti-indígenas, aponta levantamento
A partir da análise de mais de 41 mil votos, a plataforma identificou, dentre os partidos políticos, 19 que votaram sempre ou quase sempre em projetos que vão contra os povos indígenas. Apenas oito partidos votaram favoravelmente.
O Partido Liberal (PL), do candidato à presidência Flávio Bolsonaro, fica em primeiro lugar tanto entre os partidos cujos políticos mais propuseram propostas anti-indígenas, quanto entre os parlamentares que mais votam em projetos contrários aos direitos desses povos. São 95 proposições e 6.630 votos desfavoráveis segundo a classificação do Cimi. Em seguida, está o MDB, com 47 proposições, e o Partido Progressista (PP), com 42. Já entre os partidos cujos políticos tiveram mais votos em projetos contrários aos direitos indígenas, após o PL, está o PP, com 3.232 votos, e, em terceiro lugar, o União, com 3.063.
Por outro lado, o Partido dos Trabalhadores (PT), do presidente e candidato Lula, é o que mais teve propostas e votos em projetos classificados como favoráveis aos indígenas, com 4.971 a favor e 71 proposições. Em seguida, está o PSB, com 1.127 votos a favor, e o PDT, com 1.114 votos. O PCdoB, mesmo com apenas 11 deputados na Câmara, tem 100% dos votos direcionados a pautas consideradas favoráveis aos indígenas. Após o PT, entre os partidos que mais propuseram propostas favoráveis, estão o Psol, com 31 propostas.
Políticos que fizeram mais propostas com efeitos negativos aos direitos indígenas, segundo o levantamento
Deputado federal Marcos Pollon (PL-MS)
Candidato à reeleição para deputado federal pelo Mato Grosso do Sul, o deputado tem um total de 26 propostas classificadas como contrárias aos direitos indígenas, sendo 24 delas sobre o direito territorial dos povos tradicionais. O deputado é o terceiro-secretário da Frente Parlamentar Invasão Zero, grupo criado em 2023 que defende o direito à propriedade contra o Marco Temporal.
Entre as principais propostas do deputado está o PL 2145/2023, que altera o “Estatuto do Índio” para impedir o reconhecimento de determinadas áreas como de ocupação tradicional. Já o PDL 521/2025 impede a atuação da Força Nacional em apoio à Funai na Terra Indígena Rio dos Índios (RS) e o PL 4039/2024 obriga a União a indenizar não indígenas em áreas que ocorreu esbulho por indígenas e que não eram demarcadas.
A reportagem procurou a assessoria do deputado, que afirmou, em nota, não reconhecer o Cimi como “autoridade para julgar meu mandato” e que seu trabalho para os povos originários é para que eles “tenham reconhecido o direito de propriedade das terras que ocupam e possam produzir e prosperar nessas áreas, sem violência no campo.”. O deputado também cita que atuou como consultor jurídico em 2015 durante a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Cimi, criada para investigar as ações do órgão no estado. A CPI foi anulada pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3), que a Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul não tinha competência para realizar a CPI.
Senador Luis Carlos Heinze (PP-RS)
Com 15 propostas classificadas como anti-indígenas, todas elas com relação ao direito territorial, o senador Luis Carlos Heinze, que teve passagem na Câmara dos Deputados e no Senado, ocupa o segundo lugar entre os políticos que mais propuseram leis contra os indígenas.
Entre as propostas de autoria do senador, estão três Propostas de Emenda à Constituição (PEC) que transferem do Poder Executivo para o Congresso Nacional a atribuição de demarcar terras indígenas, as PECs 61/2023, 319/2004 e 59/2023.
Questionado sobre sua posição diante a classificação que suas propostas são contrárias aos povos indígenas, Heinze em nota à Pública afirma que “suas propostas não são contrárias aos povos indígenas”. Segundo o senador, sua atuação “é pautada pelo respeito e defesa do direito de propriedade e da segurança jurídica no campo, garantindo a proteção aos produtores que possuem o título legítimo de suas terras” e também defendeu a inclusão dos povos originários “deve passar pela autonomia e pelo desenvolvimento econômico”.
Senador Zequinha Marinho (Pode-PA)
Concorrendo à reeleição no Senado, Zequinha Marinho é autor de 13 proposições legislativas que interferem no direito territorial dos povos indígenas.
Além de criar a PEC 10/2024, que modifica o artigo 231 da Constituição Federal para “permitir aos índios [sic] produzir e comercializar livremente sua produção”, que abre brechas jurídicas para a entrada do agronegócio em territórios reservados, o senador é também assina a PEC 59/2023, que retira o poder do Ministério da Justiça e da Presidência da República para decidir sobre demarcações, colocando o tema sob crivo dos parlamentares.
A reportagem procurou a assessoria do senador, que não respondeu.
Deputada Coronel Fernanda (PL-MT)
Com 13 proposições classificadas como contrárias aos indígenas, e concorrendo para a reeleição na câmara dos deputados, a deputada Coronel Fernanda apresentou propostas que também podem gerar danos ao meio ambiente.
O PDL 466/2023, de sua autoria, suspende o decreto nº 11.367/2023, que recriou o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm), enfraquecendo ferramentas de proteção ambiental e de enfrentamento à grilagem.
Também é de sua autoria o PDL 380/2024, que suspende resolução do Conselho Nacional de Política Indigenista que recomenda ao Governo Federal a inclusão do tema da demarcação das terras indígenas como eixo do Plano Clima.
Procurada, a assessoria da deputada não respondeu.
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Noite de 12 de setembro de 2026, Jaraguá do Sul, Santa Catarina. Um grupo de militantes de esquerda se reúne em uma casa após uma atividade política na cidade. Integra o grupo a advogada Fernanda Klitzke, candidata à suplente na chapa de Décio Lima (PT) ao Senado. Vizinhos chamam a Polícia Militar (PM), reclamando de barulho.
A polícia chega e a candidata se apresenta como advogada aos policiais e questiona uma abordagem. Fernanda é agredida com um mata leão, derrubada no chão, chutada, baleada com tiros de borracha e levada presa. Ela foi liberada em seguida e teve que passar por atendimento médico.
A partir desse caso, de 12 a 28 de setembro, um levantamento da Agência Pública compilou casos de violência política denunciados por candidatos nas eleições deste ano. Foram identificadas 11 ocorrências em quatro das cinco regiões do Brasil. Ao menos uma a cada 37h. O dado que mais chama a atenção é que dos 11 casos, 6 deles (54,5%) envolvem policiais ou agentes de segurança privada como os agressores.
A frequência de casos de violência política levantados pela Pública nesses 17 dias de campanha para o primeiro turno é maior do que a aferida no mais recente estudo realizado pelas ONGs Justiça Global e Terra de Direitos, que há 10 anos compila dados de violência política. No período entre o final do 2º turno da eleição de 2024 e a véspera do início da campanha política de 2026, dia 15 de agosto, foram 354 casos, um a cada 44h. Esse foi o período pré-eleitoral mais violento da série histórica, afirmam as organizações autoras do estudo.
Os 354 casos de violência política do estudo das ONGs representam um aumento de 18,4% em relação aos 299 casos registrados no período pré-eleitoral da edição anterior da pesquisa, entre 1º de novembro de 2022 e 15 de agosto de 2024. O levantamento aponta que a violência política não desaparece fora do calendário eleitoral, tanto que em 2025, ano sem eleições, 225 casos foram registrados.
PMs e seguranças contra a atividade política
O levantamento da Agência Pública encontrou três episódios em que não houve violência física, mas intimidação criminosa a candidatos durante suas atividades de campanha. Foram dois incidentes em São Paulo e um em Pernambuco, envolvendo dois candidatos homens e duas candidatas mulheres.
No último dia 15, a deputada estadual Rosa Amorim (PT), candidata a deputada federal, e a vereadora Jô Cavalcanti (PSOL), candidata a uma vaga na Assembleia Legislativa de Pernambuco, faziam panfletagem em frente ao Instituto Federal de Pernambuco, no Recife. Ambas são negras. Seguranças de uma empresa que prestava serviço na organização da fila de um exame pré-Enem retiraram o material das mãos dos estudantes e jogavam no lixo.
Em São Paulo, no Vale do Anhangabaú, o motoboy e candidato a deputado estadual pelo PSOL, Júnior Freitas, um homem negro, realizava uma atividade de campanha, no dia 19 de setembro, com bandeiras com um grupo de apoiadores quando foram abordados por um segurança dizendo que não era possível fazer campanha no local, que seria privado. O Vale do Anhangabaú é uma praça pública que passou por uma recente modernização e a gestão do espaço e segurança foram privatizados pela prefeitura de São Paulo. Depois da abordagem, questionada pelo candidato, a atividade prosseguiu.
Já o vereador Nabil Bonduki (PT) comandava uma pedalada com apoiadores no Minhocão, no dia 20 de setembro, uma via elevada para carros na capital paulista que aos finais de semana e feriados é liberada para pedestres e bicicletas. Ele foi abordado três vezes durante a atividade, uma delas por uma policial militar que pediu o RG do candidato, perguntou quantas pessoas estavam reunidas com ele e o tempo que ficariam no local.
Para o advogado Alberto Rollo, especialista em direito eleitoral, apesar de não-violentas, as três abordagens configuram o crime previsto no artigo 332 do código eleitoral: impedir propaganda, com pena de detenção de 1 a 6 meses de prisão e multa. Para o jurista, contudo, o que mais preocupa não é a abordagem em si, mas a presença da PM e um eventual direcionamento da polícia.
“O que preocupa mais é, pode ser ignorância [da policial militar que abordou o candidato], ela não sabe, ou pode ser ordem de alguém? É isso que preocupa. A Polícia Militar, eu não vou falar de prefeitura, vou falar de Estado. Polícia Militar é do Estado. Será que existe algum tipo de ordem para dificultar a propaganda de adversários políticos?”, questionou Rollo.
Em Prata, no Cariri paraibano, um grupo de simpatizantes do PT organizou e informou as autoridades locais sobre uma atividade com som em apoio à reeleição do presidente Lula no dia 12 de setembro. PMs e policiais da reserva apareceram no local atirando para o alto e para o chão. Manifestantes foram chamados de baderneiros e vagabundos. O PT denunciou o caso à Corregedoria da PM. A corporação afirmou, entretanto, que houve resistência à abordagem e que, por isso, foi necessário um disparo de advertência.
Ação suprapartidária contra abuso de autoridade
As ações violentas recentes contra candidaturas de esquerda chamaram a atenção do ex-senador Eduardo Suplicy, 85, fundador do PT e atualmente deputado estadual em busca da reeleição. Em vídeo publicado em seu Instagram, ele compilou diversos episódios ocorridos recentemente e defendeu uma atuação conjunta das forças políticas. “É preciso uma ação suprapartidária e denunciar à corregedoria e à ouvidoria da PM e ao Ministério Público e à Justiça Eleitoral”, afirmou.
De acordo com o jurista Alberto Rollo, o policial militar que impede ou atrapalha uma atividade de campanha política “pratica ato de abuso de autoridade, porque está impedindo alguma coisa que é lícita. Então, além do crime do Código Eleitoral, tem o crime de abuso de autoridade”.
Para o advogado, os candidatos vítimas de violência ou de abordagens policiais atrapalhando suas atividades políticas, devem, além de denunciar os casos à Justiça Eleitoral, procurar também a Justiça comum para denunciar o abuso de autoridade.
Segundo Gisele Barbieri, coordenadora de incidência política da Terra de Direitos, os casos de violência policial identificados na pesquisa “vem aumentando” e geralmente ocorrem durante manifestações em defesa de demandas populares e na forma de apreensão irregular de materiais de campanha.
“É preciso cobrar respostas quanto à apuração e responsabilização dos [agentes públicos] envolvidos por parte das corporações. São casos que nos preocupam e apontam para abuso de autoridade por agentes de segurança que deveriam proteger esses representantes políticos, principalmente, no período de campanha e no exercício de seus direitos políticos”, afirmou.
Ameaça à democracia
Para Glaucia Marinho, diretora-executiva da ONG Justiça Global, a participação de agentes de segurança pública na violência política é uma ameaça à democracia. “A pesquisa mostra que inclusive grupos criminosos e, até mesmo, policiais entre os responsáveis pelos atos de violência. Estamos diante de um cenário que ameaça não apenas a vida de representantes políticos, mas também o funcionamento das instituições democráticas. O Estado brasileiro precisa desenvolver e aperfeiçoar mecanismos eficazes de prevenção, proteção, investigação e responsabilização para enfrentar essa violência de forma contínua.”.
A pesquisa realizada pelas ONGs indicou ainda que em 64 episódios (18,1% do total) o agressor também possuía mandato eletivo ou cargo público. Quando somados a policiais e outros agentes estatais, os ataques cometidos por representantes do próprio Estado chegam a quase um terço do total (29,9%).
Situação relatada pelo policial civil e deputado estadual Leonel Radde (PT) ilustra essa realidade. Ele participava de uma atividade política em Charqueadas (RS), no dia 20 de setembro, acompanhado de uma vereadora da cidade, quando passou a ser ameaçado de morte por um policial penal armado e que, o deputado afirma, estaria alcoolizado.
No Rio de Janeiro, em 28 de setembro, o deputado estadual Flavio Serafini (PSOL) denunciou o colega de Alerj, Alexandre Knoploch (PL), por ameaça e invasão. Ambos disputam a reeleição. Em vídeo registrado por apoiadores de Serafini, Knoploch aparece mostrando uma arma na cintura. Em entrevistas, o candidato do PL admitiu ainda ter usado spray de pimenta contra os adversários políticos e afirmou ter sido intimidado.
Ataques são racistas e machistas
A menção ao gênero e à identidade racial de alguns dos políticos vítimas dos casos de violência levantados pela Pública nessa reportagem não é aleatória. A pesquisa da ONG Justiça Global e da Terra de Direitos aponta que metade das vítimas de violência política no período analisado é mulher, apesar de as mulheres ocuparem apenas 18% dos cargos no legislativo, segundo dados do TSE. A violência política, aponta a pesquisa das ONGs, além de machista é racista. Uma a cada três vítimas mulheres de violência política é preta ou parda.
Nos casos compilados pela Pública há 13 vítimas diretas, sendo cinco mulheres, três delas se autodeclaram negras. Entre os oito homens vítimas de violência política, um é negro.
Uma das mulheres negras vítima de violência política é a vereadora Iza Lourença (PSOL), de Belo Horizonte. Candidata a deputada estadual, ela teve o comitê atacado por adolescentes com uma bomba caseira que explodiu no portão do imóvel. Dois funcionários do comitê foram agredidos.
No local, afirma a vereadora, foi roubado um banner e outros materiais da candidata e deixado material de campanha do deputado federal e candidato à reeleição Nikolas Ferreira (PL). Imagens que ela obteve de câmeras de segurança mostram os menores correndo e entregando uma sacola com o banner furtado nas mãos de um homem, que se disse apoiador do PL e que foi detido.
A pesquisa da Justiça Global e da Terra de Direitos encontrou ações assumidas inclusive por grupos ou perfis declaradamente neonazistas ou supremacistas. Foram quatro casos de ameaça, todos contra mulheres pretas, em quatro estados: a prefeita Professora Nilda, de Parnamirim (RN), e as vereadoras Alice Carvalho (Santa Maria, RS), Vivi Reis (Belém, PA) e Adriana Gerônimo (Fortaleza, CE).
Em uma das ameaças, o grupo exigiu que a vítima renunciasse ao cargo para parar com as agressões. No caso de Belém, um grupo que se denomina “Nova Ordem Ariana”, ameaçou de estupro e morte a vereadora Vivi Reis e fez menção a um massacre. O caso de Fortaleza descreve as armas e um plano de dupla execução na casa da vereadora Adriana Gerônimo, alcançando também a esposa da parlamentar.
O último incidente do levantamento da reportagem da Pública também aconteceu em Santa Catarina. Na noite de domingo (27), em Itajaí, a casa da mãe do candidato a senador pelo PT, Décio Lima, uma idosa de 88 anos, que tem Alzheimer, foi atacada a pedradas por uma pessoa em um carro. A pedra quebrou uma janela do imóvel e parte de uma estrutura em madeira. Havia três pessoas no local, mas ninguém se feriu. Na frente da casa havia banners do candidato.
Lisboa é uma cidade onde a arte urbana ganha vida a cada esquina, mas há um espaço no coração da capital onde o graffiti, a crítica política e o humor britânico encontram-se de forma única: o Museu Banksy. Ao visitarmos esta exposição imersiva, somos convidados a mergulhar no universo de um dos artistas mais enigmáticos e influentes dos nossos dias. No espírito da célebre máxima atribuída ao próprio artista “Os direitos de autor são para falhados”, a exposição apresenta-se de forma aberta e orgulhosamente “100% não autorizada”, tendo sido organizada sem o envolvimento direto do criador. Ainda assim, ao longo de mais de 100 reproduções, instalações de vídeo, murais e projeções, a experiência proporciona um olhar profundo sobre a mente e as causas que movem o lendário artista de rua.
Uma das primeiras perguntas que surgem durante a visita é inevitável: afinal, sabe-se quem é Banksy? A resposta continua a ser simples… não. O mistério que envolve a sua identidade real é parte integrante do seu mito. Enquanto alguns visitantes gostariam de desvendar a pessoa por detrás da assinatura, muitos preferem que a sua identidade permaneça oculta, preservando a aura de mistério que envolve cada nova intervenção. O que a história documenta é que Banksy começou a deixar a sua marca nas paredes de Bristol, no Reino Unido, por volta de 1993 ou 1994. Entre 1996 e 1997, integrou uma crew de graffiti e viajou até à região de Chiapas, no México, onde pintou em contexto social associado ao movimento zapatista. Esse contacto inicial moldou o seu compromisso artístico com as causas sociais e políticas. Ao longo dos anos, o seu trabalho expandiu-se da Grã-Bretanha para França, Itália, Estados Unidos e Médio Oriente. Além dos murais clandestinos, Banksy realizou intervenções em espaços públicos, criou esculturas e chegou a ser nomeado para um Óscar pelo documentário Exit Through the Gift Shop. Ao percorrer as salas do museu em Lisboa, fica evidente que a arte de Banksy funciona como uma cebola: cheia de camadas de significado que exigem tempo e reflexão para serem descascadas. A figura infantil é recorrente. As crianças surgem como símbolos interligados de esperança, imaginação e da ideia de que o futuro pertence às novas gerações. Exemplo disso é a emblemática obra Rapariga com Balão (2002). A imagem da menina que deixa fugir, ou tenta alcançar, um balão em forma de coração tornou-se um ícone universal sobre a fragilidade e a persistência dos afetos humanos.
Créditos: MDC Media Group
O estilo de Banksy é frequentemente comparado ao humor ácido dos Monty Python. Na obra Valentine’s Day Mascara (2023), o artista aborda o tema severo da violência doméstica: uma dona de casa dos anos 50, com um olho negro e um dente partido, sorri satisfeita enquanto “esconde” o seu agressor dentro de um frigorífico real abandonado no lixo.
O sorriso reflete a libertação de uma relação abusiva, desconstruindo a imagem romantizada da vida doméstica. A ironia estende-se ao próprio sistema das belas-artes e ao consumismo. Em Art Buff, Banksy brinca com o termo usado no graffiti para a remoção de pinturas, desenhando uma mulher a contemplar um pedestal cuja estátua foi apagada. Já em Show Me the Monet, o artista recria o famoso lago de lírios de Claude Monet, mas acrescenta-lhe dois carrinhos de compras e um cone de trânsito a flutuar na água, denunciando o impacto do consumo desenfreado no meio ambiente. Banksy é também um opositor das guerras e do autoritarismo. Num dos murais criados na Ucrânia, A Luta de Judo, uma criança pequena projeta ao chão um homem adulto praticante da modalidade, numa alusão direta a Vladimir Putin. A figura infantil volta a surgir como a força capaz de derrubar regimes opressores. Outro ponto alto da sua intervenção política foi a fundação do The Walled Off Hotel, na Palestina, junto ao muro que separa a Cisjordânia de Israel.
Créditos: MDC Media Group
Anunciado ironicamente como o hotel com “a pior vista do mundo”, o espaço acolhe obras como o mural da Guerra de Almofadas, onde um soldado e um civil lutam com almofadas em vez de armas, ridicularizando a violência militar. A visita ao Museu Banksy em Lisboa termina, inevitavelmente, com uma piscadela de olho à famosa expressão Exit Through the Gift Shop (Saída pela Loja de Souvenirs). Mesmo na despedida, o espírito do artista lembra-nos de questionar a mercantilização da própria arte. Sair desta exposição é passar a olhar para as paredes da cidade com outros olhos. Mais do que uma galeria de imagens provocatórias, o museu oferece uma experiência imersiva que nos desafia a pensar sobre o poder do graffiti como voz de resistência e transformação social.
Pique grosseiramente os grelos cozidos. Aqueça um fio de azeite numa frigideira e salteie o alho picado até começar a libertar aroma. Junte os grelos picados e salteie durante cerca de 5 minutos. Tempere com sal e pimenta a gosto.
Não deixe o alho queimar. Deve ficar apenas ligeiramente dourado. Coloque os grelos salteados no fundo de uma assadeira, espalhando-os uniformemente. Coloque as alheiras sobre os grelos e pique cada uma várias vezes com um garfo. Picar as alheiras ajuda a evitar que rebentem durante a cozedura.
Leve ao forno pré-aquecido a 180°C durante aproximadamente 15 minutos. Numa frigideira à parte, estrele os ovos, deixando as gemas macias e cremosas. Retire as alheiras do forno e coloque um ovo estrelado por cima de cada uma.
Deixe repousar durante alguns minutos e sirva de imediato, acompanhado de pão rústico, se desejar. Um fio de azeite virgem extra antes de servir realça ainda mais os sabores.
A PowerCo Canada nomeou a EllisDon Corporation como empreiteira geral (general contractor) para a sua gigafábrica de $7 mil milhões em St. Thomas, assinalando um marco fundamental à medida que o projeto avança para a sua próxima fase de construção.
Oprojeto passa agora para as fases de infraestrutura central e estrutural que vão suportar a futura produção.
Os trabalhos incluem a estrutura exterior do edifício de produção (building shell), instalações mecânicas, elétricas e de canalização, sistemas de energia e utilidades, e serviços de apoio ao local. Cerca de 60 trabalhadores da EllisDon encontram-se atualmente no terreno, prevendo-se que o número aumente para cerca de 1.300 trabalhadores no pico da obra, a par de pessoal adicional a apoiar atividades paralelas do projeto, refere o comunicado.
Com 1,5 milhões de pés quadrados (cerca de 140.000 metros quadrados), a fábrica terá o tamanho de 210 campos de futebol apenas no edifício fabril. Todo o parque industrial abrange 1.500 acres, o equivalente a uma área de 850 campos de futebol.
“A instalação da PowerCo representa um investimento transformador no futuro industrial do Canadá, e a EllisDon orgulha-se de desempenhar um papel na sua concretização”, disse Max Mantha, presidente da área de construção da EllisDon, em comunicado. “Como empresa com sede no Canadá e detida pelos próprios funcionários, estamos empenhados em construir a infraestrutura que ajudará a apoiar o crescente setor de fabrico de veículos elétricos e baterias do Canadá. Este projeto criará oportunidades para trabalhadores qualificados, empresas locais e comunidades em todo o sudoeste de Ontário, e estamos ansiosos por trabalhar com a PowerCo e os nossos parceiros neste empreendimento emblemático.”
A primeira pedra do projeto foi lançada em 2025, com a Magil Construction Canada a liderar a construção das fundações de três edifícios principais e o Steelcon Group of Companies a fabricar e a montar os componentes de aço estrutural. A PowerCo declarou que está também a alinhar o calendário do projeto e a estratégia de produto “com a evolução da procura de mercado, os avanços tecnológicos e a estratégia a longo prazo do Grupo Volkswagen”. Espera-se agora que as instalações de St. Thomas iniciem operações em 2029. A PowerCo tinha indicado anteriormente que a produção inicial de baterias estava prevista para 2027. “A gigafábrica de St. Thomas continua a ser uma peça fundamental da nossa estratégia para a América do Norte”, afirmou Joel Karlsberg, diretor de compras da PowerCo Canada. “Continuamos a construir agora, enquanto determinamos como e quando a instalação aumentará de escala ao longo do tempo. Trata-se de acertar o ritmo — e não de dar um passo atrás — para proteger o nosso investimento a longo prazo, apoiar os empregos regionais e posicionar o Canadá, Ontário e St. Thomas para beneficiar num mercado dinâmico e em evolução.”
O Bayview Village está a entrar numa nova era com a conclusão da sua profunda remodelação interior, projetada por Antonio Tadrissi, mais de 60 anos após a sua abertura inicial como um centro comercial ao ar livre.
Asua transformação será integrada num empreendimento de uso misto liderado pelo QuadReal Property Group. A remodelação inclui azulejos de mármore artesanal dispostos em padrão espinha de peixe (chevron), pormenores em latão e cobre, assentos infinity feitos à medida e tetos em estuque veneziano aplicados à colher de pedreiro, explica um comunicado.
Destaca-se também um novo lustre “Big Bang” que ancora a Praça Central (Centre Court), enquanto a escultura de dois andares “Lady Flamingo” se ergue como uma instalação artística dentro do Bayview Village. Várias figueiras-lira (Ficus) de interior estão integradas em todo o novo design.
Localizado no cruzamento da Bayview Avenue com a Sheppard Avenue, o centro alberga mais de 90 lojas de luxo, restaurantes, boutiques e conceitos de bem-estar.
A conclusão da remodelação interior do Bayview Village marca um marco na reinterpretação do plano diretor global de 22 acres, que introduzirá novas ofertas residenciais, comerciais e de espaço público, acrescenta o comunicado.
Concebido como duas vilas distintas, mas interligadas, o empreendimento desenrolar-se-á por fases, estando atualmente em curso a construção da North Village, a primeira fase da reurbanização.
Uma alameda comercial ao ar livre tornar-se-á a espinha dorsal social do distrito, ligando três novos edifícios residenciais ao centro comercial remodelado e a um parque público de 40.000 pés quadrados (cerca de 3.700 metros quadrados) na sua extremidade.
Uma fase futura ao longo da Sheppard Avenue, a South Village, introduzirá um novo distrito focado nos peões.
Quando concluído, o plano diretor adicionará mais de um milhão de pés quadrados de espaço residencial e mais de 100.000 pés quadrados de nova área comercial.
O português Noah Monteiro venceu as duas corridas do Campeonato Espanhol de Fórmula 4 disputadas em Jerez de la Frontera, em Espanha, ficando a quatro pontos da liderança da competição.
Ofilho do antigo piloto de Fórmula 1 Tiago Monteiro conquistou a pole position para ambas as provas, na quinta ronda do campeonato, e assinou ainda a volta mais rápida da segunda corrida.
Na primeira prova, Noah Monteiro liderou todas as voltas e alcançou a sua primeira vitória na época regular, antes de repetir o triunfo numa segunda corrida marcada pelas temperaturas elevadas, com o asfalto a ultrapassar os 50 graus.
Depois de controlar o andamento na corrida inaugural, o português voltou a gerir o desgaste dos pneus na segunda prova, conseguindo a volta mais rápida na fase final.
“Era fundamental arrancar bem e colocar alguma pressão nos principais adversários e foi exatamente isso que consegui fazer. A partir daí, ganhei algum espaço e geri o andamento para não permitir qualquer ataque”, explicou, sobre a primeira vitória do dia. “Trabalhámos muito no último mês e é um orgulho poder conquistar estes resultados, ouvir o hino de Portugal a tocar por duas vezes e agradecer o apoio de todos a partir do lugar mais alto do pódio”, salientou.
Matthew Hauser bateu Vasco Vilaça, campeão mundial de triatlo, na chegada à meta. (Salvador Sas/EFE)
O campeão do mundo de triatlo de Elites, Vasco Vilaça, lamentou a forma “muito feia” como Matthew Hauser o venceu na superfinal de Pontevedra, com um sprint que não deseja ver repetido na modalidade.
“Digo sem medo nenhum que achei muito feio o modo como o australiano acabou a prova. Deveria haver regras contra isto. Sem dúvida que há regras de fair play e isto foi o maior anti-fair play que já vi”, criticou, em declarações à Lusa.
Com o título garantido, uma vez que lhe bastava terminar até quinto, Vasco Vilaça e o australiano, campeão em 2025, disputaram mais um sprint para vencer a superfinal que encerrou a época, com Hauser a mudar de trajetória quando vê o luso a avançar, bloqueando a hipótese de ultrapassagem.
“Ele já me ganhou muitos sprints e respeitei-o quando foi melhor do que eu. Quando estava a passá-lo, a forma como ele se atira para cima de mim, bloqueia e puxa-me para o lado… cheguei ao ponto que tive que começar a lutar contra ele, senão nem conseguia entrar na meta. Foi muito feio…”, recordou.
Vasco Vilaça terminou a época com 5.006,25 pontos, superando o australiano por 260,49, num pódio que contou com o jovem português Ricardo Batista, a 934,80 pontos.
Ainda assim, Vilaça não escondeu alguma frustração: “Sinto que me roubou o primeiro lugar, mas, pior, é que foi muito feio e não foi justo. A parte bonita do desporto é sermos realmente justos e respeitarmo-nos uns aos outros, quem é mais forte do que nós e trabalhar para sermos melhores. Joguei justo toda a época. Custou-me muito no momento, estive ali um minuto depois da prova muito chateado com isso, mas não quis estragar o meu momento de celebração do título mundial por uma coisa feia que outra pessoa fez”.
O português de 26 anos não quer alterar o resultado da prova, mas entende que “provavelmente deveria ser feito algum tipo de protesto”, para evitar que situações análogas manchem novamente a verdade desportiva.
Vasco Vilaça garantiu a Portugal o primeiro título mundial de Elites masculino, juntando-se a Vanessa Fernandes, que o tinha conseguido no feminino, em 2007: Ricardo Batista completou o pódio mundial, que coloca o país como uma das nações mais competitivas do triatlo internacional.
Portugal somou, na quinta-feira (1), a terceira vitória em outros tantos jogos do Grupo A4 da Liga nas Nações, ao vencer na Dinamarca por 2-4, um dia depois de Cristiano Ronaldo abandonar o estágio.
Em Copenhaga, Portugal entrou forte e colocou-se em vantagem logo aos 13 minutos, através de João Cancelo.
Num jogo virado para o ataque, as oportunidades foram surgindo perto das duas balizas e foi Damsgaard a fazer o marcador mexer pela segunda vez, restabelecendo a igualdade, aos 23 minutos.
O 1-1 não durou quase nada e Gonçalo Ramos voltou a colocar Portugal na frente segundos depois, fixando o resultado ao intervalo.
Portugal voltou mais apático do balneário e pagou por isso quase de imediato, com Hojlund a fazer o 2-2, aos 53 minutos.
A toada do encontro prometia mais golos e eles apareceram, lançando as quinas em definitivo para a vitória.
Aos 67 minutos, Vitinha estreou-se a marcar pela seleção A e fez o 2-3, cabendo a João Félix fixar o resultado e confirmar o triunfo luso aos 87 minutos.
O selecionador de Portugal, Jorge Jesus, elogiou a exibição da equipa das quinas “As vitórias são dos jogadores por tudo, pelo que jogam e porque acreditam no que o treinador tem de plano. A equipa está melhor jogo após jogo, está a crescer, e isso é meio caminho andado para que as vitórias apareçam. Esta seleção tem muita qualidade”, destacou Jorge Jesus.
Questionado sobre os últimos dias e sobre a resposta do grupo após o abandono de Cristiano Ronaldo, Jorge Jesus foi taxativo. “Não há nada para o grupo não estar comigo. Percebo a pergunta, mas o importante é o que temos a fazer. As coisas que aconteceram não separaram o grupo, não nos separou e não nos vai separar”, vincou.
Portugal national team player, Cristiano Ronaldo, on the bench during their UEFA Nations League soccer match with Norway at Ullevaal Stadium, Oslo, Norway, 27 September 2026. PAULO NOVAIS/LUSA
O abandono do estágio da seleção nacional por Cristiano Ronaldo é um “terramoto” económico, que ameaça provocar o cancelamento de patrocínios e “minguar” a marca da Federação Portuguesa de Futebol, alertou o especialista em marcas Carlos Coelho.
Em declarações à agência Lusa, o presidente da consultora de branding Ivity Brand Corp considerou que a crise aberta com a saída do capitão de equipa representa uma “perda de valor imensa”, que nenhum resultado desportivo conseguirá estancar, criticando a “cegueira de autoridade” com que o principal ativo do futebol nacional foi gerido.
“A marca da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) mingua muito, portanto, tem-se um retrocesso muito significativo com este acontecimento inesperado e muito mal gerido do ponto de vista do valor ou da perda de valor que isso significa”, afirmou Carlos Coelho, sublinhando que a desvalorização do produto FPF é inevitável quando se perde um dos ativos de maior notoriedade mundial.
O especialista explicou que o impacto não coloca em causa a continuidade nem o futuro desportivo da equipa das ‘quinas’, mas afeta diretamente a vertente económica e comercial do futebol.
“Não é um terramoto no sentido em que desmorona a seleção, não vai deixar de existir, vai continuar, vai jogar e, se Deus quiser, vai ganhar. Não é isso que está em causa, o que está em causa é uma desvalorização de uma marca. De um momento para o outro perde um dos seus ativos”, salientou, acrescentando que “há centenas de milhões de pessoas no mundo que veem Portugal jogar apenas por causa de Cristiano Ronaldo, não querem saber se ganha ou perde”.
Para o consultor, o afastamento do futebolista do grupo de trabalho atinge o coração financeiro da FPF numa altura em que “o futebol deixou de ser desporto para ser uma indústria bilionária”, cuja sustentabilidade depende da capacidade de ampliar audiências.
“Ponham-se no lugar de um patrocinador que assinou contrato na perspetiva de associar a sua marca a estes ativos. Têm mais do que motivo para dizer que os pressupostos mudaram e exigir reuniões, até ao limite de cancelarem contratos. O interesse dos portugueses pela seleção pode subir, mas o desinteresse do mundo vai aumentar”, advertiu.
Sublinhando o paralelo com uma deslocação do Al Nassr à China – em que a ausência do internacional português fez descer a assistência no estádio de 55 mil para cinco mil espetadores -, Carlos Coelho sustentou que o alcance internacional da equipa das ‘quinas’ sofre um “retrocesso muito significativo”.
“Prova de falta de autoridade”
O especialista criticou a forma como o processo foi conduzido, alinhando com posições como as do ex-treinador Alex Ferguson, para quem a desvalorização do jogador constitui “uma destruição de valor” evitável.
“O maior ativo de sempre do futebol português devia ser tratado com respeito e cuidado. Se tem 41 anos, não pode ser gerido, nem desportivamente, nem comunicacionalmente, como um jovem de 17. O que aconteceu foi uma prova de falta de autoridade”, sustentou, em referência ao selecionador Jorge Jesus.
Carlos Coelho defendeu ainda que eventuais bons resultados desportivos não serão suficientes para travar o impacto no mercado internacional, sendo urgente desenhar uma nova abordagem institucional para o atleta.
“Isto não se resolve com bons resultados, porque o resultado só interessa aos portugueses. A única forma de mitigar o efeito é encontrar um lugar para Cristiano Ronaldo na estrutura da seleção – que não precisa de ser no relvado, mas onde o banco não é de certeza” -, através de uma solução diplomática que dignifique o papel que desempenhou ao longo de 20 anos ao serviço do país, sustentou.
Marca Ronaldo “não perde”
Em sentido inverso, o especialista antevê que a marca pessoal do jogador vai sair blindada, beneficiando do próprio impacto mediático do caso.
“A marca Ronaldo não perde. Teve até um ‘boost’ [impulso], abriu os telejornais do mundo e fez manchetes globais. A grande polémica é de consumo interno. Ronaldo continua a ser um embaixador informal com mais alcance diplomático e económico do que qualquer campanha do país”, rematou.
A tomada de posição junta-se aos avisos do diretor-executivo do Instituto Português de Administração de Marketing (IPAM), Daniel Sá, que, em declarações à Lusa, descreveu o capitão como “a maior marca que Portugal já teve”, exortando a FPF a encontrar uma estratégia de transição para mitigar a perda de visibilidade global.
Cristiano Ronaldo abandonou na quarta-feira (30) o estágio da seleção nacional na véspera do embate contra a Dinamarca, para a Liga das Nações, encerrando de forma conturbada uma ligação de 23 anos à equipa das ‘quinas’ e arriscando sanções disciplinares.
Portugal’s forward #07 Cristiano Ronaldo waves to fans as he arrives for a training session at Parken stadium in Copenhagen, Denmark, on September 30, 2026, on the eve of their Nations League Group A4 match against Denmark. Portugal captain Cristiano Ronaldo announced that he had left the team’s training camp in Denmark following a press conference by coach Jorge Jesus. (Photo by Liselotte Sabroe / Ritzau Scanpix / AFP) / Denmark OUT
Edu Aguirre, jornalista espanhol e amigo próximo de Cristiano Ronaldo, conta que o selecionador nacional pediu desculpa ao avançado em privado e prometeu repetir o gesto publicamente. Horas depois, Jorge Jesus assumiu perante os jornalistas que é ele quem decide a utilização dos jogadores, e o futebolista sentiu-se traído.
Cristiano Ronaldo terá ficado revoltado com Jorge Jesus depois de uma promessa que, segundo Edu Aguirre, o selecionador lhe fez numa conversa privada.
De acordo com Aguirre, a conversa aconteceu na noite de terça-feira (29), numa reunião que juntou ainda Pedro Proença, presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF). O treinador terá admitido que não tinha gerido bem a situação e assegurado que faria um pedido de desculpa também diante dos jornalistas.
A versão apresentada por Aguirre é que, no dia seguinte, o discurso público do selecionador acabou por ser diferente do que tinha transmitido ao avançado. Essa mudança terá sido entendida por Ronaldo como uma quebra da palavra dada.
A saída do estágio
As declarações de Aguirre surgem depois de Ronaldo ter abandonado o estágio da seleção, em Copenhaga. O avançado não participou no treino e deixou a concentração após uma conversa com Pedro Proença, seguindo depois para Madrid.
A decisão foi anunciada pelo próprio nas redes sociais. “Após a conferência de imprensa do selecionador nacional, e no seguimento de uma conversa com o presidente da FPF, tomei a decisão de deixar o estágio da seleção nacional”, escreveu.
O capitão português não revelou, por enquanto, todos os motivos que estiveram na origem da saída, mas deixou uma promessa: “A seu tempo, direi a verdade a todos os portugueses sobre as razões que motivaram a minha saída da equipa nacional, à qual sempre me dediquei.”
A FPF confirmou entretanto a saída do jogador da concentração, numa altura em que Portugal se prepara para os próximos compromissos internacionais.
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Nove entre dez colunistas de política da grande imprensa lamentam que a gente esteja discutindo Nossa Senhora da Aparecida no final da campanha eleitoral. Enquanto isso, nunca o noticiário foi tão contaminado pela negação do subjetivo – a religiosidade do brasileiro -, e nunca soou tão parcial – por mais que se reafirme a “isenção” da imprensa. Além de críticas de diversos veículos a respeito da cobertura do episódio, a própria Globo, uma das protagonistas do caso, se tornou alvo de protestos de eleitores.
Sim, esse é um assunto relevante para a população e deve fazer parte do debate público em um momento em que a religião é explorada politicamente e invade até as decisões do TSE, como vimos acontecer mais uma vez.E a imprensa errou de cabo a rabo – do desmentido da Globo sobre uma afirmação correta de uma jornalista responsável, ao bombardeio de títulos e notícias sobre a “fake news”, criada e propagada pela própria imprensa a partir da “correção” e depois manipulada nas redes sociais.
Em vez de defender a jornalista, que jamais disse que Flávio pretendia destronar a santa, mas apenas comentou um fato que já viralizava nas redes – a existência de “um movimento da Igreja Católica de reação a uma parcela de evangélicos que está mobilizando um projeto de lei para tirar de Nossa Senhora da condição de padroeira” – que, segundo ela, poderia ter impacto entre “os eleitores católicos de Lula”, a imprensa embarcou no desmentido da Globo (com aquele comportamento de boiada que já comentei na coluna anterior). Até mesmo entidades como a Abraji e a Fenaj demoraram a manifestar solidariedade e não citaram o nome da empresa que cometeu o erro que gerou agressões à jornalista.
A imprensa também não questionou o fato gravíssimo que foi a censura de opinião do humorista Antônio Tabet, que apenas exerceu o direito à liberdade de expressão como reconheceu o próprio TSE na quarta-feira, após o ministro André Mendonça mudar o seu voto. A reação foi a de “proteger” Flávio de prejuízos eleitorais pela alegada falsa informação – logo ele, que usa a desinformação como ferramenta de campanha e conta com aliados que agridem pessoas nas redes – como fez o blogueiro foragido Allan dos Santos em reação violenta e repugnante ao protesto da CNBB. Nem quando o direito de expressão dos brasileiros foi massivamente cerceado pelas Big Techs depois da determinação de censura de Mendonça – um tema eminentemente jornalístico – reviu sua posição.
De lá para cá cometeu também o erro da arrogância elitista (ou seria constrangimento por seu papel?) ao desvalorizar o tema de um debate público que acontece e precisa acontecer no Brasil sob a desculpa cínica de que eleitores e candidatos deveriam estar discutindo propostas que podem mudar o Brasil (como se a imprensa estivesse fazendo isso, em vez de se embrenhar em vazamentos seletivos de escândalos de corrupção).
A separação de Igreja e Estado é condição necessária para a democracia, estabelecida no Brasil na Constituição de 1891 e reforçada no artigo 19 da Constituição de 1988, que inspirou a legislação eleitoral que proíbe a propaganda política em igrejas e a doação de recursos para campanhas, assim como a destinação de recursos públicos para igrejas – embora isso aconteça, como sugere a ligação da Igreja da Lagoinha com o banqueiro Daniel Vorcaro e seu cunhado Fabiano Zettel, maior doador das campanhas de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas nas eleições de 2022.
Mas a mesma Constituição cidadã, pilar da redemocratização brasileira, foi promulgada pela Assembleia Constituinte “sob a proteção de Deus”, o que não retira a laicidade do Estado, já que o impede de privilegiar uma religião determinada. Talvez seja apenas uma reafirmação da fé que ressoa na nossa alma brasileira, também formada por histórias milagrosas como a dos pescadores que no século 18 encontraram uma pequena imagem de uma santa negra, que fez jorrar peixes em suas redes, e depois se tornou a padroeira do Brasil.
Não se brinca com a fé, como sabe Fernando Henrique Cardoso que perdeu a primeira eleição para prefeito de São Paulo depois da ditadura, em 1985, para qual era francamente favorito, depois de se embananar para responder se acreditava em Deus, pergunta feita pelo jornalista Bóris Casoy, colunista e ex-editor-chefe da Folha de São Paulo, que sabia de antemão a resposta do sociólogo e o efeito negativo sobre sua candidatura.
É exatamente pela complexidade e subjetividade do assunto que a cobertura da imprensa deve ser duplamente cuidadosa, sem vestir a capa da neutralidade enquanto alimenta o discurso dos que valem de crenças religiosas para se eleger – como fez Flávio em aliança com Mendonça, ao transformar a disputa no STF em guerra santa e o ministro em ícone de campanha – e sem desprezar o impacto que esses temas têm para nós, brasileiros.
No Brasil, onde há tantos pais fujões, ausentes ou mesmo estupradores, não há referência afetiva maior do que a mãe, a mulher negra ancestral que criou e cria o povo brasileiro. Nossa Senhora, entre nós, responde por muitos nomes – da Conceição, da Praia, de Aparecida – e tem afinidade (sincretismo) com Oxum, a orixá da feminilidade e maternidade, assim como Nossa Senhora dos Navegantes com Iemanjá.
Nossas “nossas senhoras” nos abençoam dentro da complexa espiritualidade dos brasileiros, que ultrapassa o limite das igrejas e das religiões, como Eduardo Coutinho discute no documentário “Santo Forte” e confirmou recentemente pesquisa do Iser/Quaest.
Os evangélicos – ou os que pretendem agradá-los – têm o direito de discutir se Nossa Senhora da Aparecida do Brasil, declarada padroeira do país pelo Vaticano, em 1930, quando o poder da Igreja Católica era incontestável, deve permanecer como tal, como faz o projeto do pastor e ex-deputado Victor Galli (da ala mais direitista e mais enfurnada na política dos neopentecostais), desde que de forma transparente, com os candidatos assumindo suas convicções e não de maneira subliminar como apontou a CNBB. Também os católicos e outros simpatizantes de Nossa Senhora têm o direito de escolher candidatos de acordo com a sua fé.
O que os políticos evangélicos não podem é celebrar cultos no Congresso Nacional, exigir alinhamento político do Brasil a Israel (que consideram uma nação sagrada), impedir políticas públicas de igualdade de gêneros sob pretexto religioso, negar a autonomia da mulher inclusive em projetos de lei, utilizar templos como plataformas de campanha, destruir culturas indígenas, lançar fake news contra candidatos a ponto de identificar um deles com a figura do “diabo”, apoiar a destruição de terreiros e a agressão a pessoas de outras religiões, sobretudo de origem africana.
É nesse contexto que se trava a batalha por Nossa Senhora, embora nada disso tenha sido mencionado pela imprensa neste debate tão crucial em um país que ainda luta pela separação entre igrejas e Estado e não é capaz de garantir a todos os direitos constitucionais, inclusive a liberdade religiosa, afetada pelo racismo e instrumentalizada por políticos como o próprio Flávio Bolsonaro.
Boa votação a todos, que como sabemos, estarão rezando pela vitória do seu candidato.
O governador do estado do Tennessee (EUA), Bill Lee, anunciou uma suspensão temporária das execuções previstas para 2026, depois de Christa Pike, condenada à morte, ter sobrevivido, esta quarta-feira, a duas doses letais durante a sua execução.
O governador solicitou uma investigação “exaustiva” sobre a execução falhada de Pike e suspendeu as restantes execuções que estavam previstas para este ano no estado.
De acordo com o Centro de Informação sobre a Pena de Morte, estava prevista no Tennessee a execução de Gary Wayne Sutton no próximo dia 3 de dezembro.
Christa Pike sobreviveu a duas doses letais de pentobarbital durante a sua execução e encontra-se a receber tratamento médico, sem que advogados tenham conhecimento do seu estado de saúde.
Pike passou quase três décadas no corredor da morte no Tennessee, após ter sido condenada à morte em 1996 por homicídio, e iria tornar-se a primeira mulher executada neste estado em 200 anos.
O Supremo Tribunal levantou uma suspensão da execução decretada horas antes por um tribunal federal de recurso, abrindo novamente caminho para que o estado aplique a pena capital.
Testemunhas puderam ouvir a respiração de Pike durante quase uma hora após ter recebido as injeções, antes de serem obrigadas a abandonar o local, num episódio para o qual, segundo os próprios jornalistas presentes, o protocolo do Tennessee não parece estabelecer o que deve ser feito.
As testemunhas, entre as quais jornalistas de vários meios de comunicação norte-americanos, descreveram um procedimento muito mais prolongado do que o previsto.
Pike permaneceu acordada, falou e cantou com o guia espiritual, após o início da administração do fármaco e, após a primeira dose, continuou a mover-se e a respirar de forma audível.
A jornalista Catherine Sweeney, da emissora WPLN, explicou que o protocolo do Tennessee prevê uma primeira administração de pentobarbital e, se necessário, uma segunda dose.
As testemunhas indicaram que, após esses dois momentos, Pike continuou a respirar e a emitir sons, incluindo roncos fortes, além de realizar movimentos com a cabeça e o pescoço.
Os glaciares da Suíça, que integram a maior parte do gelo glaciar dos Alpes, perderam 5,5% do seu volume de gelo este ano, a segunda maior queda percentual alguma vez registada devido às ondas de calor.
“Os glaciares alpinos não têm qualquer hipótese de sobreviver a longo prazo nestas condições”, segundo um comunicado divulgado, esta quinta-feira, pelo serviço suíço de monitorização de glaciares GLAMOS e a Academia Suíça de Ciências.
A tendência agravou-se nos últimos anos: só nos últimos cinco, o volume de gelo na Suíça diminuiu quase um quinto, dizem os especialistas.
O relatório corrobora as recentes preocupações de que o aquecimento global está a causar estragos na Europa, o continente que aquece mais rapidamente no mundo.
“O aquecimento que estamos a viver agora pode ser atribuído a 100% às alterações climáticas antropogénicas. É tão simples quanto isso. (…) Sem as emissões humanas ou os combustíveis fósseis, não teríamos qualquer aquecimento neste momento”, disse Matthias Huss, responsável do GLAMOS.
O recuo recorde do gelo glaciar na Suíça ocorreu em 2022, quando o calor do verão, a fraca precipitação de neve no inverno e uma dispersão invulgar de poeira avermelhada trazida do Saara escureceram os glaciares e fizeram com que absorvessem mais calor.
Huss disse que a cobertura de neve no inverno é importante por dois motivos. “Por um lado, protege o gelo exposto do degelo. Quanto mais tempo houver neve, mais tempo se evita a perda do gelo antigo”, disse Huss numa entrevista no Instituto Politécnico Federal ETHZ, onde é professor de glaciologia.
“Por outro lado, a neve também é importante para gerar novo alimento para o glaciar. Quanto mais neve existir, maior será o potencial de manter parte da neve a grandes altitudes e formar novo gelo”, acrescentou Huss.
O grande degelo nos lendários Alpes europeus não é um caso isolado: os especialistas afirmam que o aquecimento global contribuiu para desestabilizar uma encosta dos Himalaias que colapsou em agosto e provocou inundações catastróficas e mortais no Nepal.
Os satélites mostraram um enorme encolhimento dos glaciares em locais como a Gronelândia e a Antártida ao longo do último meio século.
Os especialistas dizem que o “derretimento extremo” enfrentado pelos glaciares suíços este ano incluiu uma redução da espessura média dos glaciares individuais entre 2,5 e 4 metros.
As equipas de especialistas espalharam-se para avaliar o escoamento e as fendas causadas pela água corrente através dos glaciares, em parte despejando corante vermelho nos riachos para rastrear os fluxos de água.
Os glaciares Allalin, Clarident, Rhône e Aletsch – sendo Aletsch o maior dos Alpes – estiveram entre os glaciares que registaram o maior degelo da história este ano.
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou que o copiloto suspeito de atacar o comandante de um voo da FlyDubai passou por um processo de “doutrinação islâmica”.
Questionado sobre quem poderá ter radicalizado o suspeito, Netanyahu afirmou não saber e indicou que Israel está a colaborar com a investigação conduzida pelos Emirados Árabes Unidos. “Vamos chegar ao fundo desta história”, afirmou Netanyahu.
Um vídeo gravado no interior do avião por Shota Musayev, um médico dentista que prestou assistência ao comandante, mostra o copiloto ajoelhado e com as mãos amarradas atrás das costas.
A identidade do copiloto não foi divulgada e o seu estado de saúde permanece desconhecido.
O comandante, Smit Machchhar, elogiado pela atuação durante o incidente, encontrava-se em estado estável, segundo informou durante a noite a Embaixada da Índia na Arábia Saudita.
Elementos dos serviços de informações e de segurança israelitas deslocaram-se à Arábia Saudita para colaborar na investigação, segundo uma fonte da região que falou sob condição de anonimato por não estar autorizada a prestar declarações à imprensa.
Israel pediu que o copiloto seja enviado para o país para ser investigado, embora não seja claro se as autoridades sauditas aceitarão o pedido, segundo a mesma fonte.
A Arábia Saudita não mantém relações diplomáticas formais com Israel, embora os dois países cooperem há vários anos em questões de segurança e informações através de canais alternativos.
O Governo dos Emirados Árabes Unidos anunciou que uma equipa própria começou a investigar o ataque e a apurar “se houve alguma ligação com fins terroristas”.
As autoridades emiradenses salientaram que têm jurisdição sobre o caso, uma vez que o avião está registado no país e a legislação dos Emirados Árabes Unidos se aplica aos crimes cometidos a bordo.
O avião da FlyDubai, que seguia do Dubai para Israel, foi desviado para a Arábia Saudita depois de o copiloto alegadamente ter esfaqueado o comandante e tentado fazer cair a aeronave.
O aparelho aterrou em segurança em Tabuk, depois de passageiros e membros da tripulação terem conseguido dominar o suspeito.
O Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos anunciou que vai mobilizar uma equipa especializada atualmente posicionada na Europa para apoiar a missão de defesa “Sentinela Báltica” da Aliança Atlântica. A missão tem como objetivo o reforço das capacidades de proteção de infraestruturas submarinas e a segurança geral no Mar Báltico.
Em comunicado, os Estados Unidos indicaram que cerca de 40 fuzileiros navais do 2.º Batalhão de Reconhecimento, da 2.ª Divisão de Fuzileiros Navais e da 2.ª Força Expedicionária de Fuzileiros Navais vão “atuar” ao lado da Brigada Costeira da Finlândia para “reforçar atividades”.
A mesma nota salientou que a missão representa “um esforço de defesa coletiva integrado. A nossa participação na (missão) ‘Sentinela Báltica’ demonstra a agilidade dinâmica do Corpo de Fuzileiros Navais em projetar rapidamente capacidades especializadas onde são mais eficazes”, afirmou o comandante do Corpo na Europa e em África, Daniel Shipley. O comandante acrescentou que trabalhar “lado a lado” com os aliados finlandeses reforça a prontidão coletiva, garantindo o que disse ser fluidez operacional como uma equipa “coesa e letal” para dissuadir ameaças híbridas no litoral báltico.
O Corpo de Fuzileiros vai usar na missão pequenos sistemas aéreos não tripulados e sensores costeiros para obter dados “vitais” e auxiliar as análises realizadas pela NATO na região.
O bilionário da tecnologia Elon Musk vai integrar um comité encarregado de identificar as tecnologias e armamentos de que os Estados Unidos vão necessitar no futuro, anunciou o secretário da Defesa, Pete Hegseth.
Batizado “Project Meridian”, o programa visa “abordar o futuro de forma criativa, identificando as áreas que devemos conquistar e as capacidades que devemos dominar”, explicou Hegseth, citado pela agência francesa AFP.
Segundo o chefe da Defesa, o objetivo é “alcançar a dominação tecnológica e militar no campo de batalha para as próximas décadas”. Além do líder da Tesla e da SpaceX, o comité reúne Palmer Luckey, fundador da empresa de defesa norte-americana Anduril, e Newt Gingrich, 83 anos, antigo eleito republicano que presidiu à Câmara dos Representantes.
Para Musk, trata-se de um regresso a uma missão oficial do governo federal, depois de ter liderado, a pedido do Presidente Donald Trump, uma comissão chamada encarregada de cortar nos gastos da função pública norte-americana.
O “Project Meridian”, que Hegseth disse reunir “três dos cérebros mais brilhantes da nação”, tem atividade prevista durante 120 dias.
A iniciativa, supervisionada pelo diretor de tecnologia do Pentágono, Emil Michael, visa descobrir e desenvolver as armas e os sistemas que serão utilizados pelas futuras gerações no campo de batalha, referiu a agência espanhola EP.
Também foi anunciada a criação do Comando de Guerra Autónoma para integrar e mobilizar sistemas robóticos e drones em grande escala em todos os ramos das forças armadas, de acordo com a agência espanhola EP.
Empenhado numa reforma a passo acelerado das forças armadas, Hegseth proferiu um discurso na base norte-americana de Quantico, na Virgínia, destacando designadamente as reduções de efetivos entre os generais e almirantes.
Foi uma noite de festa, mas também de memórias. O First Portuguese Canadian Cultural Centre celebrou os seus 70 anos no sábado, 26 de setembro de 2026, numa grande gala realizada no salão da LiUNA Local 183, na Wilson Avenue, em Toronto.
A sala encheu-se de dirigentes associativos, empresários, professores, antigos alunos, famílias, amigos e representantes políticos que se juntaram para assinalar sete décadas de história de uma instituição que marcou várias gerações da comunidade portuguesa.
Créditos: Francisco Pegado
Entre abraços e reencontros, muitos dos presentes aproveitaram a ocasião para recordar pessoas, momentos e histórias vividas no First Portuguese. Para muitos, a celebração foi tanto uma homenagem à instituição como às pessoas que, ao longo dos anos, ajudaram a construí-la.
A animação da noite esteve a cargo da Karma Band, enquanto pequenas bancas e vendedores deram também movimento à gala. Mas a cultura portuguesa teve um dos seus momentos mais especiais com a atuação do Rancho Folclórico da Nazaré de Toronto, considerado o rancho português mais antigo do Canadá e criado no seio do First Portuguese.
Créditos: Francisco Pegado
A presença do rancho trouxe à celebração música, dança e tradição, mas também uma ligação simbólica às origens da instituição e às gerações que ajudaram a manter vivas as tradições portuguesas no Canadá.
Entre os momentos mais marcantes da noite estiveram os testemunhos de pessoas que continuam profundamente ligadas ao First.
Irene Mendes falou do prazer de continuar a frequentar a instituição “estou muito contente por estar aqui. Venho ao First com frequência e gosto muito de estar aqui. A minha mãe também gosta muito. Gosto sobretudo do ambiente, das pessoas e da convivência.”
Créditos: Francisco Pegado
Aos 98 anos, Laurinda da Conceição também marcou presença e resumiu o sentimento de muitos: “Os portugueses gostam muito de estar aqui. Eu também gosto, sobretudo pela convivência, pelas pessoas e pelo ambiente. É um lugar onde nos sentimos bem e onde gostamos de estar juntos.”
Durante a gala, Laurentino Esteves, conselheiro do conselho das comunidades portuguesas, destacou o caráter pioneiro do First Portuguese: “Estamos a celebrar uma associação pioneira, com 70 anos de história e de serviço à comunidade.”
José Eustáquio, presidente da ACAPO, recordou a sua ligação pessoal à instituição desde a infância e destacou a influência que o First teve na comunidade. “O First Portuguese fez parte da minha vida desde muito cedo. Cresci neste bairro e acompanhei de perto a história da instituição.”
O empresário e filantropo Manuel DaCosta recordou igualmente os primeiros imigrantes e o papel da instituição na construção da comunidade”celebrar os 70 anos do First Portuguese é celebrar também uma parte importante da história da comunidade portuguesa. Esta associação acompanhou o crescimento da nossa comunidade e ajudou muitos dos primeiros imigrantes a estabelecerem-se no Canadá.”
Créditos: Francisco Pegado
Manuel DaCosta destacou ainda a sua admiração pelos pioneiros e recordou o seu envolvimento na preservação do edifício da instituição “tenho uma admiração muito grande pelos pioneiros e pelo trabalho que fizeram. Quando tive a oportunidade de ajudar a preservar o edifício do First, senti que estava também a salvar um pedaço da história portuguesa em Toronto. É algo de que me orgulho.”
A professora Celina de Melo, que dedicou cerca de 40 anos ao First, emocionou-se ao recordar os antigos alunos. “O First foi uma parte muito importante da minha vida. Ganhei uma família muito grande.”
Julie Dzerowicz, deputada federal por Davenport, destacou o papel do First Portuguese no apoio às diferentes gerações da comunidade, enquanto Vítor Silva, coordenador do Partido Socialista para o Círculo Fora da Europa, salientou a importância social das associações portuguesas no estrangeiro e o seu contributo para a ligação entre Portugal e as comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo.
O atual presidente, César Fernandes, encerrou a mensagem de futuro com um apelo à continuidade: “Espero que a instituição continue por muitos mais anos e que haja pessoas preparadas para dar continuidade ao trabalho.”
No final, a gala dos 70 anos deixou mais do que fotografias e discursos. Deixou reencontros, abraços e a sensação de que, para quem passou pelo First Portuguese, aquela noite era também uma celebração da sua própria história.