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Centro esquerda e extrema direita: a diferença essencial que a imprensa não fez

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Imagine por um minuto que em vez de um candidato de extrema direita houvesse um candidato da esquerda radical em disputa com qualquer outro moderado. Como seria a cobertura das eleições? Será que se buscaria um falso equilíbrio entre as duas forças como acontece desde que os Bolsonaro passaram a disputar a presidência do Brasil?

A resposta é óbvia e a pergunta uma provocação para pensar no embuste que é a imparcialidade da imprensa desde a ascensão da extrema direita pós-redemocratização. Em especial nessas eleições, quando a aliança entre os Bolsonaro e a extrema direita dos Estados Unidos já interfere na nossa soberania, inclusive nas próprias eleições.

Nem assim a imprensa cumpriu o papel de informar com rigor quais são os projetos políticos em disputa no país. Com o argumento da “polarização”, apresentou, e continua a apresentar, a centro-esquerda de Lula como pólo inverso e, portanto, equivalente à extrema direita de Flávio Bolsonaro – um erro, também jornalístico, que enviesa toda a cobertura da campanha.

A esquerda caminhou para o centro enquanto a direita se deslocou para a ponta extrema, esse é o fato oculto sob a suposta “polarização” dos eleitores. A terceira via, tão desejada pela imprensa, está na chapa Lula-Alckmin como sabemos desde 2022. Em termos simples, à moda das redes, Lula não é comunista, mas Flávio é fascista, e a imprensa poderia ter deixado essa diferença clara para a população.

Tendo como escudo a alegada isenção e a falsa equiparação como método, a imprensa contornou o tema mais importante das eleições nacionais, as primeiras depois de uma tentativa de golpe de Estado, quando enfim o país conseguiu condenar presidente e generais que conspiraram contra a nossa suada democracia. E que agora, tem a soberania ameaçada pelos Estados Unidos de Donald Trump e Marco Rubio.

Não estou cobrando de jornais e emissoras de rádio e TV, de propriedade de famílias ricas, que sejam sequer progressistas, como são, aliás, a esmagadora maioria dos jornalistas que para eles trabalham, mas que pelo menos honrem o lugar que ocupam entre as instituições democráticas brasileiras. Assim como não existe democracia sem imprensa livre, não existe imprensa livre sem democracia.

Nem o risco à liberdade de imprensa e de expressão, que deveria ser valor inegociável de jornais, emissoras de TV e rádio, fez com que expusessem claramente a possibilidade real, e já ensaiada, de Flávio Bolsonaro rasgar a Constituição.

O monitoramento e a investigação de questões cruciais dessas eleições, como o lobby dos Bolsonaro no governo Trump, a farsa do Dark Horse, a predominância dos aliados políticos de Flávio no Caso Master e em outros casos envolvendo o crime organizado, a interferência dos Estados Unidos e das Big Techs ficou a cargo de veículos menores, feitos por jornalistas, que podem exercer a profissão de forma totalmente independente.

A imprensa também se esquivou de alertar os cidadãos sobre o que a eleição de Flávio Bolsonaro tiraria dos brasileiros e que afeta todos nós (excluindo o 1% mais rico que ganha 31,6 vezes mais que a metade mais pobre da população). Os usuários do SUS, os médicos, professores, dentistas, e outros profissionais da saúde e educação, assim como as famílias que utilizam os equipamentos públicos não foram alertados do risco que correm os sistemas públicos de educação e saúde – mesmo com muitos exemplos a retirar da pandemia da Covid, incluindo a contribuição desastrosa dos hospitais federais do Rio, gerenciados por indicados pelo próprio Flávio Bolsonaro no governo do pai.

Enquanto cobrava dos candidatos e eleitores o debate sobre “propostas”, e noticiava escândalos com base em vazamentos seletivos, permitiu a omissão de Flávio não apenas em relação às explicações devidas no caso Vorcaro, mas em se posicionar claramente sobre temas que afetam diretamente os direitos individuais e coletivos, como a demarcação de terras indígenas e quilombolas, ou as políticas para a promoção de igualdade de gêneros e de proteção aos direitos das pessoas LGBTQIA+ – inexistente em seu programa de governo e ainda mais relevantes pelo sofrimento imposto às pessoas trans pelo governo Donald Trump, inspiração confessa dos Bolsonaro. Sem falar nos jornalistas, cientistas, artistas e professores perseguidos no governo de Jair e de Trump.

Não se procurou nem ouvir as pessoas de verdade, com reportagens destacadas sobre comunidades que seriam ainda mais ameaçadas pelo garimpo e outros crimes, ou sobre famílias que têm um filho ou filha trans sob ameaça de violência, assim como aquelas que saíram da miséria e temem voltar para ela, ou com adolescentes que dependem de bolsas e programas sociais para ficar na escola e agora não têm garantia de futuro – ainda mais ameaçado com o fim das políticas contra o racismo e a desigualdade de gêneros.

Reduzidas a iniciativas eleitoreiras – mesmo que a crítica também caiba – também não contribuiu para o debate sobre o mérito de políticas como o fim da jornada 6×1 (uma iniciativa da sociedade), a proibição das bets e o aumento ao Bolsa Família. Nem pressionou Flávio para saber o que acontecerá com medidas de evidente interesse público, que têm que ser defendidas como direitos dos cidadãos e já são alvo de críticas, senão pelo próprio Flávio, por medo de perder votos, por seus aliados políticos – incluindo o “mercado”.

Esses e outros exemplos estão expostos agora nas redes sociais na onda que pegou os cidadãos conscientes do desequilíbrio das propostas e da possibilidade de evitar o tsunami anticonstitucional que seria a aliança Bolsonaro-Trump através do convencimento de eleitores menos radicais, apáticos ou ausentes. Não estão errados. Embora os resultados da primeira pesquisa Datafolha de 2º turno coloquem Flávio quatro pontos à frente de Lula, eu não subestimo o poder das formiguinhas em campanhas eleitorais. A ver.

Longa vida aos jornalistas combativos, à mídia independente, e sobretudo aos brasileiros que ainda buscam o diálogo como ferramenta para manter e aprimorar a democracia e garantir a liberdade e os direitos de todos os cidadãos.

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STF pode ser enfraquecido por interesses políticos se Flávio for eleito, avaliam juristas

O Supremo Tribunal Federal (STF) está longe de ser perfeito na análise de três juristas especialistas em direito constitucional, direitos humanos e reforma do Estado ouvidos pela Agência Pública. As suas imperfeições e a recente crise institucional que a mais alta instância do poder judiciário no Brasil e “guardiã da Constituição Federal” está passando, não devem ser, entretanto, usadas como justificativa do jogo político que visa aumentar a impunidade. E é consenso entre os três, que o risco existe. 

“O desgaste do STF pode ser usado politicamente não apenas para corrigir excessos da Corte, o que é legítimo, mas para reduzir sua capacidade de funcionar como limite ao poder político”, afirma Amarílis Costa, doutora em Direitos Humanos e diretora-executiva da Rede Liberdade, que atua em casos de violação de direitos e liberdades individuais. “Uma coisa é democratizar, tornar mais transparente e limitar excessos do STF. Outra é submeter a Corte à maioria parlamentar de ocasião”, argumenta.

Costa destaca a importância da Corte e de sua estabilidade justamente para aqueles que não estão nas rodas do poder. “Isso importa especialmente em direitos humanos, porque minorias e grupos historicamente vulnerabilizados dependem de uma jurisdição constitucional capaz de conter maiorias quando seus direitos estão em risco”, acrescenta.

Advogada Amarillis Costa
Advogada Amarillis Costa vê tentativa de limitar ações do STF contra políticos no poder

O professor de direito na PUC-SP e ex-secretário Nacional de Reforma do Judiciário no governo Dilma Rousseff, Flávio Crocce Caetano, concorda com a advogada. Ele acrescenta que “ a conjuntura política se tornaria muito favorável a medidas autoritárias de um eventual governo Bolsonaro, com diminuição do papel do STF, possível impeachment de ministro, além da redução do prazo de mandatos atuais, aumento do número de cadeiras para obtenção de imediata maioria e parceria perene com o Legislativo”. 

Para Caetano, “experiências autocráticas” em outros países são exemplos de concentração de poder nas mãos do Executivo, com ajuda do Legislativo, para o “apequenamento do Judiciário”. 

O também professor Rubens Beçak, livre-docente em Teoria Geral do Estado na USP, acompanha seus pares sobre o risco de Flávio Bolsonaro, se eleito presidente, “tentar minar o papel do Supremo, mesmo enfrentando “reações da opinião pública, da comunidade jurídica e provavelmente do próprio tribunal”. 

Ele ressalva que isso não significa que “discutir a redução do ativismo judicial, o excesso de decisões monocráticas e até os critérios de indicação dos ministros” não seja legítimo. “Essas mudanças podem contribuir para um Supremo melhor”, avalia Beçak que não descarta a possibilidade de se realizar uma Reforma do Judiciário. 

Reforma do Judiciário pode sanar excesso de decisões individuais

Flávio Caetano é professor na PUC-SP e foi secretário Nacional de Reforma do Judiciário durante a gestão de Dilma Rousseff
Flávio Caetano é professor na PUC-SP e foi secretário Nacional de Reforma do Judiciário durante a gestão de Dilma Rousseff

Já Flávio Caetano diz que “é necessária uma Reforma do Judiciário, que também atinja o Supremo.” Segundo o professor da PUC, estamos “diante de uma crise institucional, e de uma disfuncionalidade do STF”. Essa conjuntura “tem levado a posturas muito individuais dos ministros” e um acúmulo de decisões monocráticas, que faz o Plenário da Corte ficar diminuído. 

Amarílis Costa denomina o problema de individualização excessiva do poder, o que, segundo ela, “não significa eliminar decisões monocráticas”. “Elas são necessárias em situações urgentes. O problema surge quando uma decisão concebida como provisória produz, por longo período, efeitos equivalentes aos de uma decisão definitiva”, explica.

As decisões monocráticas foram alargadas nas práticas das últimas décadas do Supremo, e por isso deveriam ser “extremamente limitadas” na análise de Rubens Beçak. “Não é desejável que um ministro tenha poder individual sobre questões tão importantes”, afirma. “O correto é que a decisão individual, depois de tomada, seja prontamente submetida à Turma ou ao Plenário”, complementa. 

O comportamento do STF em período eleitoral

Rubens Beçak, professor na Faculdade de Direito da USP
Rubens Beçak, professor na Faculdade de Direito da USP, considera correta postura de presidente do STF, Edson Fachin, sobre processo sobre caso Master

Além da concentração de poder, os ministros do STF são, comumente, criticados por decisões que podem influenciar a opinião pública e as intenções de voto em período eleitoral. Para os juristas entrevistados pela Pública, porém, os casos precisam ser analisados de acordo com a realidade e contexto de cada um. 

O presidente do STF Edson Fachin, por exemplo, recebeu críticas de parte do eleitorado do presidente Lula (PT) por manter não dar seguimento às investigações do inquérito do Master e do INSS que ele recolheu ao seu gabinete após os embates entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça.

Os juristas, no entanto, formaram consenso sobre a postura correta do ministro presidente. “Diante de uma situação tão conturbada, achei acertada a decisão do ministro [Edson Fachin]. Ele adotou uma medida provisória, que não me parece representar uma decisão definitiva. Considerei a decisão uma medida um pouco profilática. O presidente tem essa função”, comenta Rubens Beçak.   

Avaliação compartilhada por Flávio Caetano que considera a “decisão do presidente do Supremo de centralizar os casos que envolvam eventuais indícios ou suspeitas envolvendo ministros da própria Corte, tanto nos casos do Banco Master como do INSS, correta”. 

Amarílis Costa também afirma que há fundamento jurídico para a remessa. A advogada, no entanto, pondera que “a preocupação começa quando a preservação de competência se confunde com controle da investigação. Encaminhar informações ao tribunal competente é legítimo. Transformar a Presidência em filtro sobre o que pode ou não ser investigado seria outra coisa”. 

Para ela, “independência judicial não significa imunidade investigativa.” “O modelo será legítimo se proteger a regularidade do procedimento. Se produzir uma estrutura de autoproteção institucional, teremos um problema democrático”, ressalta.

No caso de ministros do Supremo, Flávio Caetano explica que crimes comuns são julgados pelo Plenário do STF. Quando se trata de crime de responsabilidade, o Senado Federal passa a ser o responsável. “O que não está muito claro é como haver uma investigação administrativa de algum ministro do Supremo”, diz. Na interpretação do professor, de toda forma, a “apuração administrativa ou disciplinar” sobre seus próprios membros é um procedimento adequado ao Pleno da Corte.  

A liberdade de Jair Bolsonaro analisada por Nunes Marques

Quando se trata da análise pelo ministro Nunes Marques da revisão criminal do processo que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, os juristas divergem em alguns pontos. 

Flávio Caetano, professor da PUC, afirma que não vê possibilidade desta análise ser feita de forma monocrática porque seria a revisão de algo que foi decidido pelo colegiado. Portanto, apenas o colegiado poderia julgar. 

Já o docente da USP, Rubens Beçak, considera que o ministro poderia sim tomar uma decisão, favorável ou não ao ex-presidente, já que a defesa tem o direito de solicitar essa revisão. Beçak salienta que mesmo sendo “impactante” conceder uma liminar para a libertação do ex-presidente, estaria “dentro do conjunto de competências de quem analisa um pedido de revisão criminal”.

Uma medida cautelar do relator não é “juridicamente impossível” na análise de Amarillis Costa que nesse ponto concorda com Beçak. Por outro lado, a advogada  declara que uma “decisão individual capaz de suspender os efeitos de uma condenação definitiva e alterar a situação de liberdade de um ex-presidente, exigiria fundamentação especialmente robusta e rápida apreciação pelo colegiado”, se aproximando da visão de Caetano.

“O ponto mais delicado é o calendário eleitoral. O Judiciário precisa compreender a conjuntura política sem permitir que ela se transforme em critério jurídico. A pergunta relevante é se a mesma decisão seria tomada, no mesmo momento e com os mesmos fundamentos, caso o condenado fosse outra pessoa e não estivéssemos em período eleitoral”, diz Costa.

Para Caetano, “eventualmente pode haver — não estou dizendo que há — alguma conotação política para um julgamento antecipado de uma revisão que talvez ainda não fosse o momento de ser julgada. Isso tem que ser observado em relação a casos similares, como o Supremo tem se posicionado. A partir daí, pode-se analisar se há um componente de conveniência política ou não”, acrescenta.

Após a divulgação do resultado do primeiro turno das eleições, o jornal Folha de S.Paulo publicou uma reportagem dizendo que o ministro Nunes Marques pretendia soltar uma liminar sobre o pedido de revisão criminal da defesa de Jair Bolsonaro. Por nota, o gabinete do ministro informou que ele encaminharia a solicitação ao Plenário. Na última quarta-feira, 7 de outubro, reconsiderou afirmando que só analisaria o pedido após o segundo turno. 

“O ministro Nunes Marques entendeu, até acertadamente, que deixaria a análise para depois do segundo turno. Não necessariamente por ser presidente do TSE, mas porque foi uma decisão de bom senso, considerando que isso poderia conturbar ainda mais as eleições”, concluiu Rubens Beçak.

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Miguel Gameiro & Pólo Norte As canções que cruzam gerações

Photo: @copyright

Há canções que deixam de pertencer apenas a quem as escreveu e passam a fazer parte da vida de quem as ouve. Acompanham histórias de amor, momentos marcantes e atravessam gerações. Os Pólo Norte são um dos exemplos mais marcantes desse fenómeno na música portuguesa. Liderada por Miguel Gameiro, a banda marcou a década de 90 e, décadas depois, continua presente na memória e no coração de muitos portugueses. 

O Milénio Stadium esteve à conversa com o músico, que recordou o percurso dos Pólo Norte, a ligação emocional com o público, as mudanças na indústria da música e a nova digressão em formato acústico, que leva a banda a salas e auditórios de todo o país. Quando se fala dos Pólo Norte, é inevitável recordar temas como Grito, Aprender a Ser Feliz, O Teu Nome ou Lisboa. Canções com décadas de existência que continuam a ser cantadas por várias gerações. Qual será, afinal, o segredo para criar músicas capazes de resistir ao tempo? Miguel Gameiro admite não ter uma resposta concreta. Fala, antes, da forma como a banda sempre encarou a música: escrever com amor, compor com verdade, cantar com honestidade e tocar com entrega. É nessa autenticidade que, para o músico, reside a verdadeira magia: quando uma canção ultrapassa o estúdio, chega ao coração de alguém e passa a fazer parte da sua história. 

Saber que uma música esteve presente num casamento, numa história de amor ou num momento importante da vida de alguém é, para qualquer artista, motivo de orgulho. Esse vínculo torna-se particularmente evidente nos concertos, onde não é raro ver pais e filhos a cantar juntos os mesmos refrões. Apesar de os mais jovens terem hoje acesso a uma multiplicidade de novos estilos e tendências, a música transmitida em casa continua a manter vivos os clássicos do pop-rock português. É também essa ligação que ganha uma nova dimensão na atual digressão dos Pólo Norte, num formato mais acústico e intimista. Longe da dimensão dos festivais e das festas populares, os teatros e auditórios permitem uma relação mais próxima entre músicos e público. Há silêncio, escuta e atenção a cada nota. Para Miguel Gameiro, este formato coloca maiores desafios aos músicos, mas proporciona uma troca emocional única. 

Numa sala fechada, cada acorde, cada respiração e cada palavra ganham outra intensidade. É um palco que pode trazer uma maior sensação de vulnerabilidade, sobretudo no início, mas onde a resposta do público acaba por transformar cada concerto numa experiência especial. Muitas vezes, basta ouvir os primeiros acordes para surgirem os aplausos. Ao longo de três décadas de carreira, Miguel Gameiro teve ainda oportunidade de partilhar experiências com alguns dos grandes nomes da música portuguesa, como Jorge Palma e Luís Represas. Dessas relações, guarda aprendizagens que vão muito além da música: a humildade, o respeito pela profissão, o amor pela arte e, sobretudo, a importância de manter a verdade em palco. 

O músico recorda momentos em estúdio e conversas que contribuíram para moldar a sua visão sobre a profissão. Uma certeza permanece: a entrega e o respeito pela música devem estar sempre acima de qualquer sucesso passageiro. Também o panorama atual da indústria é muito diferente daquele que os Pólo Norte encontraram quando começaram, em meados dos anos 90. Naquela época, um álbum tinha tempo para crescer. Havia vários singles, apresentações, concertos e espaço para que as músicas conquistassem gradualmente o público e as rádios.

Hoje, a realidade é marcada pela velocidade das plataformas digitais e das redes sociais. Miguel Gameiro identifica ainda uma maior aposta em projetos a solo, num contexto em que manter uma banda exige tempo, ensaios, cumplicidade e maturidade elementos que nem sempre encontram espaço na indústria atual.

Ainda assim, o músico reconhece e valoriza os projetos da nova geração que continuam a apostar no conceito de banda e na criação coletiva. Afinal, a cumplicidade entre músicos é, para si, uma parte insubstituível daquilo que torna uma banda especial. E quanto ao futuro dos Pólo Norte? Miguel Gameiro garante que já não existe a preocupação de corresponder às exigências do mercado ou da rádio convencional. Se surgirem novas canções, serão feitas sobretudo a pensar em quem acompanha a banda há décadas. Depois de tantos anos de estrada, aquilo que continua a levar Miguel Gameiro ao palco é, afinal, algo simples: uma sala cheia, a energia do público e a possibilidade de deixar uma boa memória em quem está do outro lado. Que cada pessoa saia de um concerto com uma recordação feliz, uma reflexão ou simplesmente um sentimento positivo. É essa a ambição. E assim, entre canções que resistem ao tempo e novas histórias que continuam a nascer em cada concerto, Miguel Gameiro mantém-se fiel à música e ao público. Porque, tal como diz uma das canções mais emblemáticas dos Pólo Norte, a vida é também um caminho contínuo onde todos continuamos a aprender a ser felizes.

Paulo Perdiz/MS

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Chouriço com Cogumelos

Créditos: MDC Media Group

Ingredientes

  • 2 chouriço de carne tipo minhoto, cortado às rodelas
  • 200 g de cogumelos
  • Azeite
  • 2 dentes de alho picados
  • Salsa picada
  • Pimenta branca moída na hora
  • Azeitonas pretas para decorar
  • Broa caseira para acompanhar

Modo de preparacão

Aqueça um sauté em lume médio com um fio de azeite. Junte o chouriço às rodelas e cozinhe até ficar bem dourado dos dois lados. Retire e reserve. O chouriço liberta a sua própria gordura, por isso basta um pouco de azeite. No mesmo sauté, acrescente mais um pouco de azeite, se necessário, e junte os cogumelos. Cozinhe os cogumelos até perderem toda a água e ficarem bem dourados. Não encha demasiado a frigideira para que os cogumelos alourem em vez de cozerem.Volte a colocar o chouriço no sauté. Junte os alhos picados e tempere com pimenta. Cozinhe mais um minuto até o alho libertar o aroma. Junte o alho apenas no final para evitar que queime e fique amargo.

Polvilhe com salsa picada antes de servir. Sirva de imediato acompanhado de fatias de broa caseira para aproveitar todos os sabores. Torre ligeiramente a broa para lhe dar ainda mais sabor e textura. Um fio de azeite virgem extra antes de servir realça ainda mais os sabores do prato. Bom apetite!

Rosa Bandeira/MS

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Dua Lipa: A cantora e os livros

Credito: DR

Quatro meses depois da inauguração, a cantora Dua Lipa conheceu na Livraria Lello a biblioteca de 100 livros que criou em parceria com o Service95 Book Club. A ligação de Dua Lipa à literatura continua este mês em Londres, com vários encontros no London Literature Festival.

A cantora foi reconhecida pelos fãs que se encontravam à porta e parou para tirar fotografias com alguns deles, antes de entrar no espaço que já tinha escolhido como um dos seus destinos de passagem obrigatória. A presença na cidade acontece depois de uma passagem por Milão e quatro meses após a abertura da Manifesto Library, a 27 de junho. Apesar de ter estado envolvida na criação do projeto, Dua Lipa não participou na inauguração, integrada na programação do BABELL – Cidade dos Livros.

A relação com a histórica livraria portuense é especial. Em junho, numa parceria com o Google Maps, a artista incluiu a Lello numa lista de 130 lugares que considera de passagem obrigatória nas suas viagens. A seleção abrangia 47 países e tinha dois espaços portugueses: além da livraria no Porto, a Amor Records, em Lisboa. A Manifesto Library está instalada no novo auditório cultural da Livraria Lello, projetado por Álvaro Siza Vieira. Nas estantes estão 100 obras agrupadas em torno de temas como poder, controlo, voz e memória, entre títulos que foram proibidos ou censurados em diferentes contextos.

MS

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Hipnose clínica: O que a ciência descobre quando espreita para dentro da mente

Credito: DR

Durante muito tempo, falar de hipnose era falar de espetáculo: pêndulos a oscilar, voluntários a fazer figuras em palco, a promessa de alguém capaz de controlar a vontade alheia. Essa imagem ainda persiste no imaginário coletivo, mas está cada vez mais longe do que os investigadores observam nos laboratórios e do que os profissionais de saúde fazem nos consultórios.

À luz da neurociência e das ciências do comportamento, a hipnose clínica tem vindo a ganhar um novo estatuto: o de ferramenta terapêutica credível, assente em mecanismos cerebrais e processos psicológicos que já é possível descrever com algum rigor. Segundo os especialistas, trata-se de um estado natural da mente, marcado por uma atenção intensamente focada, uma maior abertura à sugestão e alterações específicas na atividade do cérebro.

Há um mito que a investigação das últimas décadas tem desmontado com particular insistência: o de que a pessoa hipnotizada perde o controlo. Os estudos indicam precisamente o contrário. Trata-se de um processo ativo, em que o indivíduo se mantém consciente e participa de forma intencional na experiência.

Os exames de neuroimagem ajudam a perceber o que se passa durante o estado hipnótico. Os investigadores observam mudanças na forma como diferentes redes cerebrais comunicam entre si. Isto acontece sobretudo no córtex pré-frontal, ligado à atenção e à tomada de decisões, e na chamada rede de modo padrão (Default Mode Network), associada aos pensamentos sobre nós próprios. Abrange também as áreas responsáveis pela perceção e pela integração dos sentidos.

Na prática, explicam os cientistas, este padrão traduz uma maior facilidade em dirigir a atenção para dentro, deixando em segundo plano o ruído do mundo exterior. É nesse espaço que se torna mais fácil reinterpretar pensamentos e emoções. Por isso, há quem descreva a hipnose como um estado de elevada plasticidade mental.

No centro da hipnose está a sugestão terapêutica. Ao contrário do que se possa pensar, o paciente não a recebe passivamente. A sugestão funciona como um estímulo estruturado, capaz de influenciar a forma como se pensa, se percebe e se reage emocionalmente.

Com a repetição e com a experiência vivida em estado hipnótico, essas sugestões podem contribuir para alterar circuitos neurais. Este fenómeno é conhecido como neuroplasticidade. É aqui que reside, segundo os especialistas, a chave da mudança de comportamento: reformular hábitos, atenuar reações automáticas que prejudicam o dia a dia e desenvolver novas formas de autorregulação.

Aquilo a que antes se chamava, de forma algo vaga, “trabalhar o inconsciente” tem hoje uma explicação mais concreta. Trata-se da ativação de processos neurocognitivos que ajudam a pessoa a reorganizar-se por dentro.

Um travão para a ansiedade

A regulação emocional é um dos campos onde a hipnose tem mostrado resultados mais relevantes, sobretudo em casos de ansiedade, stress e dor crónica. A combinação de foco e sugestão dirigida parece modular a atividade da amígdala, a estrutura cerebral que está no centro das respostas ao medo e ao stress.

Ao mesmo tempo, reforça-se a atividade das regiões ligadas ao controlo executivo. Isso permite responder de forma mais consciente, e menos impulsiva, aos estímulos emocionais. Vivemos num tempo marcado pela sobrecarga e pela estimulação constante, e para muitos profissionais este equilíbrio entre reagir e controlar é essencial à saúde mental.

Os efeitos não ficam pela cabeça. A experiência hipnótica está associada a alterações fisiológicas mensuráveis. O coração abranda, os níveis de cortisol (a hormona do stress) descem e ativa-se o sistema nervoso parassimpático, responsável pelo repouso e pela recuperação do organismo. A respiração e a concentração interna desempenham aqui um papel importante.

Tal como outras abordagens mente-corpo, a hipnose reforça uma ideia que a ciência tem vindo a consolidar: a relação entre mente e corpo funciona nos dois sentidos. É possível influenciar processos físicos através de mecanismos psicológicos bem estruturados.

Um complemento, não um milagre

Hoje, a hipnose clínica é usada como complemento em várias áreas da saúde. Vai da gestão da dor às perturbações de ansiedade, e passa também pela insónia, pelos comportamentos aditivos e pela preparação para procedimentos médicos.

Os especialistas são, no entanto, claros num ponto: a hipnose não substitui os tratamentos médicos ou psicológicos convencionais. Pode, isso sim, potenciar os seus efeitos, desde que seja aplicada de forma adequada e por profissionais qualificados. Os resultados dependem de vários fatores, como a relação com o terapeuta, a motivação de quem procura ajuda e a consistência da prática.

Longe dos palcos, a hipnose revela-se, afinal, menos como um truque e mais como uma forma de chegar aos recursos que a própria mente já tem.

MS

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Andebol: Águias travadas no limite na Liga Europeia de andebol

Créditos: JN

Benfica perdeu por apenas um golo na Dinamarca, diante do Holstebro (32-31), enquanto o Águas Santas não resistiu ao poderio dos alemães do Flensburg (22-36). Marítimo salvou a noite portuguesa com triunfo convincente sobre os espanhóis Bidasoa (40-32).

O Benfica voltou a ficar muito perto de pontuar na Liga Europeia de andebol, mas saiu da Dinamarca com a segunda derrota em dois jogos no Grupo F. As águias perderam por 32-31 diante do TTH Holstebro, num encontro marcado pelo equilíbrio e que chegou ao intervalo empatado (15-15). A formação encarnada manteve-se na discussão até aos últimos segundos, mas não conseguiu completar a recuperação. William Bogojevic e Álex Barbeito, ambos com sete golos, foram os melhores marcadores do Benfica.

Do outro lado esteve uma figura bem conhecida dos encarnados. Gustavo Capdeville, antigo guarda-redes do Benfica, defendeu agora as cores do Holstebro e reencontrou o antigo clube numa noite que terminou com festa dinamarquesa.

Na Maia, o Águas Santas ainda assustou o poderoso Flensburg-Handewitt. Os maiatos chegaram a liderar por 8-6, mas os alemães responderam com autoridade, alcançaram o intervalo a vencer por 18-10 e acabaram por se impor por 36-22. Tiago Sousa, com cinco golos, foi o melhor marcador da equipa de Marco Sousa, que permanece com um ponto no Grupo E.

Quem teve motivos para sorrir foi o Marítimo. Depois da derrota pela margem mínima frente ao Limoges na estreia, os insulares bateram o Bidasoa Irún por 40-32, num encontro que já dominavam ao intervalo (20-13). Délcio Pina foi a grande figura da formação madeirense, terminando com dez golos, enquanto Luciano Silva, Diogo Silva e Rúben Santos acrescentaram cinco cada num triunfo convincente que permitiu ao Marítimo celebrar a primeira vitória nesta edição da Liga Europeia.

JN/MS

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Proença comenta polémica na seleção: “Temos de fazer uma vénia ao Ronaldo”

JN

Pedro Proença, presidente da Federação Portuguesa de Futebol, comentou o caso Cristiano Ronaldo, dizendo também que estão perante um “mal-entendido”.

“Somos a primeira seleção europeia a ser classificada para os quartos de final. O que sentimos é que os portugueses voltaram a acreditar na seleção. É o resultado dos jogadores, da equipa técnica e do apoio desta estrutura. Temos gerações extraordinárias. Isto aconteceu em 14 dias de trabalho, foi o que nós prometemos”, começou por elogiar.

Quanto ao caso de Cristiano Ronaldo, repetiu Jorge Jesus ao falar de um “mal entendido”. “Conversas entre treinador e jogadores, o presidente da FPF não se mete. Estamos a falar do maior jogador de todos os tempos. Temos de fazer uma vénia ao Cristiano Ronaldo. Ele está na seleção nacional por mérito próprio. Ele faz parte da nossa seleção, é a nossa bandeira. O mister disse que ele pode ser convocado. Podia ter acabado a carreira na seleção após o Mundial, mas não o fez por amor”, comentou.

“Sou testemunha desta relação que Cristiano tem com o povo português, com a nossa seleção. Portanto, agora que terminaram estes 4 jogos, e era importante ter terminado com tranquilidade porque o tema desportivo era o que nos guiava, vamos ter todos tempo e tranquilidade para nos sentarmos e resolver um mal-entendido. E os mal-entendidos resolvem-se quando este triângulo que é a FPF, treinador e jogadores fazem parte deste processo. Ronaldo faz parte do nosso património e estará cá sempre que o mister assim o quiser”, garantiu.

Pedro Proença foi questionado se esta situação poderá abrir precedentes na seleção. “Com certeza que não está a ser uma casa sem regras. Estas dinâmicas acontecem dentro do grupo de trabalho. A FPF resolve as situações na sua própria casa. Volto a reiterar. Existe uma relação muitíssimo forte entre Jorge Jesus e Cristiano Ronaldo. Se assim não fosse, se calhar Ronaldo já tinha abandonado a nossa Seleção. Não o faz por esta relação umbilical e respeito. Tudo o que vai acontecer nos próximos dias são momentos de tranquilidade, de conversa, de discussão e o que queremos é que em novembro possamos estar novamente todos com a nossa seleção”, concluiu.

JN/MS

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Jorge Jesus a “pensar na equipa” depois de ler o comunicado de Ronaldo

Créditos: JN

Jorge Jesus reagiu, na quarta-feira (7), ao comunicado de Cristiano Ronaldo, no qual acusa o selecionador português de ter mentido e ter estado na origem da polémica que levou CR7 a deixar o último estágio da seleção.

À saída de casa e em declarações à CNN, Jorge Jesus não respondeu às acusações de que foi alvo. “Li o comunicado, e agora, como faço todos os dias, vou para a Federação trabalhar, pensar na equipa e na seleção. Não tenho mais nada a dizer”, comentou o treinador.

Recorde-se que Cristiano Ronaldo teceu duras críticas às decisões e à postura de Jorge Jesus durante e depois do jogo com a Noruega, que Portugal venceu. Em comunicado, o avançado do Al Nassr, de 41 anos, fala mesmo em “absoluta quebra de confiança na palavra do selecionador”.

JN/MS

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Cristiano Ronaldo acusa Jesus de faltar duas vezes à palavra dada

Créditos: JN

Cristiano Ronaldo pede desculpa aos adeptos e colegas de equipa por ter deixado o estágio, atitude que justifica com a “quebra de confiança” no selecionador. Antecipa ainda possível castigo e deixa porta aberta ao regresso.

Seis dias depois de ter abandonado o estágio da equipa das quinas na véspera do jogo com a Dinamarca, Cristiano Ronaldo cumpriu a promessa de dar a sua versão sobre o que se passou, acusando Jorge Jesus de ter faltado duas vezes à “palavra dada”, primeiro quando não o colocou em campo frente à Noruega e depois quando assumiu uma postura de “quero, posso e mando” na conferência de Imprensa antes da partida de Copenhaga, postura essa que “não manifestou, em privado, na véspera”.

Num extenso comunicado, Ronaldo confirmou a existência de uma reunião com Jesus a 48 horas do jogo com os dinamarqueses, na qual o selecionador terá concordado abordar, no início da referida conferência de Imprensa, um texto com oito pontos. Nessa espécie de guião, que foi escrito após outra reunião em que também estiveram presentes Simão Coutinho (diretor-desportivo do Al Nassr) e, por videoconferência, Tiago Craveiro (ex-diretor geral da FPF e atual funcionário de uma das empresas do craque madeirense), não estava incluído, segundo CR7, um “pedido de desculpa” do técnico por não o ter lançado em Oslo depois de o colocar a aquecer e de lhe ter pedido para jogar 30 minutos, quando o plano inicial, acordado entre ambos, era de Ronaldo jogar o primeiro e o último jogo dos quatro realizados por Portugal na Liga das Nações.

“Decidi abandonar o estágio sem esperar por mais nenhuma quebra de palavra. Para mim a verdade ainda é a coisa mais importante na relação entre as pessoas. Por muito que doa, que me digam a verdade”, refere o avançado, que pede “desculpa aos adeptos” por não ter ido agradecer ao relvado após o jogo na Noruega e também aos “companheiros de seleção” por ter abandonado o estágio: “Apesar da absoluta quebra de confiança na palavra do selecionador, eu não o devia ter feito. A responsabilidade é minha. Peço desculpa aos portugueses mais uma vez, mas a quebra da palavra tem, para mim, um impacto definidor. Senti que, a partir dali, a minha permanência iria apenas prejudicar o grupo de trabalho e fiz o que sempre disse que faria se não me sentisse útil: peguei nas malas e saí”.

Em relação ao futuro, Ronaldo deixa em aberto um possível regresso, apesar de antecipar uma suspensão por ter violado os regulamentos. “A consequência deste meu ato deve ser avaliada e punida pela FPF, sem atenuantes. Sou capitão de equipa e isso constitui uma agravante”, escreveu o madeirense. “Se estiver bem fisicamente, a jogar no meu clube, com golos espero, a seguir ao cumprimento da suspensão que me for aplicada, estarei disponível, como sempre estive até hoje, para competir e ganhar pela nossa seleção”, concluiu, prometendo ainda aos adeptos “um ou mais jogos de despedida”, neste caso sem ser forçosamente com a camisola das quinas. 

JN/MS

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“A Praga Laranja”: Estátua dourada e nua de Trump instalada no Parlamento Europeu

Créditos: JN

Numa das movimentadas galerias no interior do Parlamento Europeu, os políticos que por ali passam são agora confrontados com uma visão grotesca e dourada do poder americano: uma estátua de 2,60 metros de altura do Presidente Donald Trump, completamente nu, exceto por uma fina camada de folha de ouro de 23 quilates.  “O Trump gosta de ouro”, disse o artista dinamarquês Jens Galschiøt, criador da estátua, por telefone após a inauguração esta terça-feira. “De certa forma, acho que ele iria gostar desta escultura.” 

Intitulada “A Praga Laranja” (“The Orange Plague”), a obra de arte foi instalada em Estrasburgo, na França, a sede oficial do Parlamento Europeu. A escultura em cobre, também apelidada de “Rei da Injustiça”, imagina o presidente dos EUA aos ombros de uma figura menor e frágil. As suas coxas e barriga flácida envolvem com força a cabeça do homem; as suas mãos seguram com firmeza um longo taco de golfe e a balança da justiça. 

“Estou sentado nas costas de um homem”, lê-se no texto gravado no plinto da estátua. “Ele está a afundar-se sob o meu peso. Farei tudo para o ajudar. Exceto descer das suas costas.” 

Para Galschiøt, a obra simboliza o que ele considera ser a ameaça do presidente americano ao ambiente e à ordem mundial baseada em regras. “O Trump está a destruir todas as coisas em que eu acredito”, afirmou. 

Isto não representa necessariamente uma censura oficial por parte da União Europeia, mas sim do político dinamarquês Per Clausen, que patrocinou a exposição. Os Deputados ao Parlamento Europeu (Eurodeputados) têm o direito de acolher exibições nas instalações do parlamento, embora todas as exposições devam ser aprovadas pelos serviços da instituição. As regras parlamentares proíbem eventos ou exposições considerados “ofensivos, de natureza inflamatória ou contrários aos valores em que a União se funda”, ou que “prejudiquem a dignidade do Parlamento”. 

A permissão não equivale a um apoio explícito ao seu conteúdo. No entanto, Galschiøt, que temia que a candidatura fosse rejeitada, considera a luz verde como uma forma de aprovação tácita por parte dos parlamentares europeus. “Acho que muitos americanos dizem: ‘OK, este é o nosso presidente, mas também é ridículo de certa forma’. E acho que a maioria dos europeus também o vê assim”, disse. 

Galschiøt é conhecido por obras de arte política provocatórias, incluindo o “Pilar da Vergonha”, um memorial às vítimas do massacre da Praça de Tiananmen que foi polemicamente removido de uma universidade em Hong Kong em 2021. O artista explicou que a sua decisão de retratar Trump nu alude ao conto de Hans Christian Andersen, “O Fato Novo do Rei”, no qual um imperador vaidoso desfila pela cidade em pleno estado de nudez. “Os ditadores não gostam que as pessoas se riam deles”, explicou. 

Galschiøt já exibiu “A Praga Laranja” em público várias vezes, incluindo na Conferência de Segurança de Munique e na conferência do clima COP30 da ONU, realizada no Brasil em novembro passado. O artista planeia também exibi-la na COP31 em Antália, na Turquia, no próximo mês. 

Trump ainda não fez comentários sobre a obra de arte. 

Um porta-voz do serviço de imprensa do Parlamento Europeu declarou por e-mail que a exposição foi aprovada pelos questores do parlamento, um grupo partidário transversal de eurodeputados responsável por questões administrativas. “Cada Eurodeputado tem o direito de patrocinar dois eventos culturais ou exposições por mandato parlamentar em áreas dedicadas”, referiu o comunicado, acrescentando que os questores “avaliam a conformidade com as regras em vigor”.

CNN/MS

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“É assassinato”. Morte de Maricarmen reativa protestos pela Habitação em Espanha

Créditos: JN

As associações espanholas que têm mantido nas ruas milhares de pessoas pela crise na Habitação convocaram novas manifestações em homenagem a Maricarmen Abascal, a idosa que morreu na quarta-feira (7) e cujo despejo desencadeou esta onda de protestos.

Maricarmen Abascal, de 87 anos, foi despejada da casa onde viveu mais de 70 anos no dia 23 de setembro e morreu na quarta-feira ao final da tarde, num hospital de Madrid.

A notícia da morte gerou uma nova onda de indignação e, logo na quarta-feira à noite, em Madrid, centenas de pessoas que estão acampadas desde 26 de setembro na praça Porta do Sol, no centro da capital espanhola, fizeram uma marcha de algumas centenas de metros até às imediações do Parlamento nacional, onde foram chumbadas, na semana passada, medidas para a Habitação, precipitando a queda do atual Governo espanhol, liderado pelo socialista Pedro Sánchez, e a convocatória de eleições em Espanha para 29 de novembro.

“Não são mortes, são assassinatos”, gritaram os manifestantes que marcharam até ao edifício do Parlamento. A mesma mensagem – “não é uma morte, é um assassinato” – está também desde hoje num dos cartões deixados numa espécie de altar de homenagem a Maricarmen Abascal entretanto criado na Porta do Sol, à porta da sede do governo regional de Madrid e numa das entradas para o acampamento de protesto pela Habitação.

Centenas de tendas estão organizadas em praças e ruas, com nomes como “rua Maricarmen” ou “praça das precárias”, incluindo tendas grandes que funcionam como serviços de distribuição de comida e outros ou para fazer assembleias. Nas ruas que formam as tendas há também sinais com indicações para ajudar turistas e outros transeuntes a chegar ao metro ou sair do acampamento.

Os tribunais recusaram já por duas vezes declarar ilegal ou inseguro o acampamento e ordenar a evacuação da praça, como pedem as autoridades regionais e municipais, lideradas pelo Partido Popular (PP, direita).

Já o Governo central, do Partido Socialista (PSOE), e com a tutela das forças de segurança, tem realçado que se trata de um acampamento pacífico e que está em causa o respeito pelo direito à reunião.

JN/MS

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Governo descongela valor das propinas a partir de 2027/2028

Créditos: JN

O Governo vai descongelar, a partir do ano letivo 2027/2028, o valor das propinas das licenciaturas, que não sofre alterações desde 2020 e será atualizado à taxa de inflação, segundo a proposta de Orçamento do Estado para 2027 (OE2027).

A medida consta da proposta de lei entregue esta quinta-feira pelo Governo no Parlamento, que prevê que, no ano letivo de 2027/2028, o valor máximo das propinas nas licenciaturas e nos Cursos Técnicos Superiores Profissionais (CTeSP) seja igual ao teto fixado em 2026/2027 (697 euros), acrescido da taxa de variação média do Índice de Preços no Consumidor (IPC), sem habitação, registada em 2026.

A mesma regra de atualização aplica-se aos mestrados indispensáveis ao exercício de uma atividade profissional ou aos casos em que a exigência do grau de mestre esteja definida nos estatutos de ordens profissionais.

Já os restantes mestrados e doutoramentos “devem ter em consideração o custo real da formação”, refere a proposta do executivo.

O Governo já tinha proposto o descongelamento das propinas no ano passado, no âmbito do OE2026, mas a intenção foi travada pela Oposição que aprovou, na discussão em especialidade, uma proposta do PS que mantinha o valor máximo nos 697 euros.

O congelamento das propinas foi aprovado em 2026, na altura por proposta do PCP no âmbito do Orçamento do Estado para 2017.

O valor ficou então fixado em 1.067,85 euros, tendo sofrido reduções sucessivas, e desde 2020/2021 que está nos 697 euros.

JN/MS

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Estado deve seis milhões de euros às livrarias dos manuais escolares

Créditos: JN

O Governo tem em falta seis milhões de euros às livrarias relativos aos manuais escolares fornecidos no âmbito do programa MEGA. O esclarecimento surge depois da denúncia dos valores em atraso feita pela Confederação Portuguesa das Micro, Pequenas e Médias Empresas (CPPME), que está preocupada com a sobrevivência dos pequenos negócios. Já foram emitidos mais de seis milhões de vouchers.

Em resposta ao JN, o ministério da Educação avança que já foram pagos às livrarias 39,2 milhões de euros no âmbito dos manuais escolares de 2026/2027. Neste momento, está em fase de pagamento o montante de 6,1 milhões de euros. “Os pagamentos estão a decorrer de forma regular, à semelhança dos anos anteriores”, assegura o gabinete tutelado por Fernando Alexandre, ministro da Educação.

O Governo explica ainda que a Agência para a Gestão do Sistema Educativo (AGSE) faz, todas as semanas, a extração das faturas registadas pelas livrarias e, consequentemente, procede ao pagamento das faturas que estejam em conformidade com os critérios definidos, nomeadamente se as certidões de não dívida à Autoridade Tributária e à Segurança Social estiverem válidas.

Na terça-feira (6), a CPPME alertou que a faturação dos vouchers ficou disponível a partir de 17 de agosto, mas, várias semanas depois, as livrarias continuam sem receber os respetivos valores. Há casos em que o processo está validado, mas os valores não chegam aos gestores dos estabelecimentos. O cenário já tinha sido confirmado, junto de várias livrarias, em setembro, pelo JN.

Ao mesmo tempo, o ministério da Educação acrescenta que já foram emitidos 6,1 milhões de vouchers para levantamento dos manuais escolares gratuitos. No total, foram resgatados pelos encarregados de educação 5,3 milhões de vales.

JN/MS

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Quem ganha até 970 euros não paga IRS no próximo ano

Créditos: JN

A proposta do Governo para o Orçamento do Estado de 2027 (OE2027) aumenta o valor de referência do mínimo de existência, ou seja, o rendimento anual isento de IRS. Na prática, quem ganha até 970 euros por mês não vai pagar imposto no próximo ano, valor que também será o do salário mínimo em 2027. Os limites dos nove escalões de IRS também foram atualizados em 3,88%.

No documento, o Governo sobe de 12.880 para 13.580 euros o valor de referência do mínimo de existência, aumentando em 50 euros, de 920 para 970 euros, o rendimento mensal isento de IRS. A medida que consta da proposta do OE2027 vai custar ao Estado 121 milhões de euros.

O documento também atualiza os limites dos nove escalões do IRS em 3,88%, o que significa que o rendimento coletável (alvo de imposto) passa também a ser superior. A taxa do 1.º escalão, que neste momento abrange os rendimentos coletáveis até 8.342 euros anuais, passa a abranger valores até 8.666 euros.

A taxa do 2.º escalão, que atualmente é aplicada a rendimentos coletáveis entre 8.342 e 12.587 euros, passa a abarcar o intervalo entre 8.666 e 13.075 euros. O 3.º escalão vai aplicar-se a rendimentos entre 13.075 euros e 18.530 euros; o 4.º escalão a valores entre 18.530 e 23.985 euros.

Para o 5.º escalão, os rendimentos coletáveis serão agora entre 23.985 e 30.538 euros e, para o 6.º escalão, entre 30.538 e 44.762 euros. A taxa do 7.º escalão do IRS passará a abranger os rendimentos acima de 44.762 euros até 48.373 euros, a do 8.º escalão vai abarcar rendimentos entre 48.373 euros e 89.995 euros. E o último escalão será aplicado a rendimentos superiores a 89.995 euros. A atualização da dedução específica e dois escalões do IRS vão custar ao Estado 431 milhões de euros.

A proposta do Governo para o OE2027 concretiza também a subida do salário mínimo nacional para 970 euros no próximo ano. “Em 2027, o Governo da AD elevará o salário mínimo (RMMG) para os 970 euros, concretizando o terceiro aumento consecutivo desde que tomou posse o XXIV Governo Constitucional, em 2024, ano em que a RMMG [Retribuição Mínima Mensal Garantida] se cifrava nos 820 euros”, pode ler-se no documento.

JN/MS

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Governo ultima reforma na saúde com fusões e criação de agência pública

Artur Machado
Créditos: JN

A Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde (DE-SNS), criada há quatro anos, vai ser transformada num novo organismo que poderá integrar a Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) – entidade que gere o dinheiro da saúde – e parte da empresa Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS).

A reforma preparada pelo Governo deverá ser apresentada brevemente, incluindo ainda a fusão da Direção-Geral da Saúde (DGS) com o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), formando-se uma agência de saúde pública.

Segundo o jornal Público, o diretor executivo do SNS, Álvaro Almeida, já foi informado das alterações, ficando ainda a saber que não terminará o mandato, cujo fim seria apenas em fevereiro de 2028.

Com a saída de Álvaro Almeida, na sequência da degradação, nos últimos meses, da relação com a ministra Ana Paula Martins, há dois nomes possíveis na equação para a liderança da entidade resultante da fusão da DE-SNS com a ACSS. Um deles é Nuno Reis, provedor da Santa Casa da Misericórdia de Barcelos. Outro é Carlos Martins, presidente da Unidade Local de Saúde de Santa Maria, que foi secretário de Estado da Saúde do Governo de Durão Barroso.

A DE-SNS foi criada em 2022 no Executivo de António Costa, num momento em que as urgências de obstetrícia já funcionavam com várias limitações.

JN/MS

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Ainda há tanto a agradecer…

As más notícias fazem mais barulho, mas o mundo também avança com o que acontece de positivo. É verdade que todos os dias somos confrontados com guerras, crises e incertezas que nos fazem duvidar do caminho que a humanidade está a seguir. É natural. O medo prende a atenção, e as manchetes sabem disso. Mas, muitas vezes longe dos holofotes, há conquistas silenciosas que mudam milhões de vidas.

Há doenças que estão prestes a desaparecer da face da Terra. Há mais crianças a nascer e conseguirem sobreviver para crescer, vivemos mais anos e há menos pessoas a viver na pobreza extrema. O próprio planeta dá sinais de recuperação. Nada disto aconteceu por acaso. É o resultado do trabalho persistente de cientistas, médicos, voluntários, governos e comunidades que nunca desistiram.

Olhar para estes avanços não significa ignorar o que ainda está por fazer. Significa recusar a ideia de que nada muda e saber que há razões para sermos gratos. E a ciência garante que este olhar também nos faz bem: quem cultiva a gratidão tende a dormir melhor, a sentir menos ansiedade e até a viver mais tempo. Não se trata de ver o mundo cor-de-rosa, mas de treinar o olhar para reconhecer o que está bem, mesmo quando tanto parece estar mal.

Para quem um dia deixou Portugal em busca de uma vida melhor, a gratidão não é um conceito estranho. Antes pelo contrário, sentimos gratidão pelos sacrifícios dos que vieram antes de nós, pelas oportunidades que este país nos abriu e por uma comunidade que continua a saber dar as mãos, sempre que é necessário.

Com o aproximar do Dia de Ação de Graças, resolvemos deixar-vos alguns números que provam que, sim… apesar de tudo, ainda há tanto a agradecer.

 

A esperança em números

Uma doença quase a desaparecer

Em 2025 registaram-se apenas 10 casos humanos da doença do verme-da-Guiné em todo o mundo. Em 1986 eram cerca de 3,5 milhões por ano. Poderá ser a segunda doença humana erradicada, depois da varíola.

Fonte: The Carter Center

Vidas salvas por uma vacina

59 milhões é o número estimado de vidas salvas pela vacina do sarampo entre 2000 e 2024. No mesmo período, as mortes pela doença caíram 88%.

Fonte: Organização Mundial da Saúde

Mais crianças a crescer

A mortalidade de crianças com menos de cinco anos caiu 60% desde 1990. Nessa altura, uma em cada 11 crianças não chegava aos cinco anos. Hoje é uma em cada 27.

Fonte: UNICEF / ONU (UN IGME)

Mais vida para viver (+27 anos)

Em 1950, a esperança de vida média no mundo era de 46 anos. Hoje ronda os 73.

Fonte: Nações Unidas, World Population Prospects

1,5 mil milhões fora da pobreza extrema

Em 1990 havia cerca de 2,3 mil milhões de pessoas a viver em pobreza extrema. Em 2024 eram 817 milhões, apesar de a população mundial ter crescido.

Fonte: Banco Mundial / Our World in Data

Um planeta com mais 85,6% de energia limpa

Esta foi a parte da nova capacidade elétrica instalada no mundo em 2025 que veio de fontes renováveis. Os 692 gigawatts acrescentados nesse ano são um recorde.

Fonte: Agência Internacional para as Energias Renováveis (IRENA)

O céu a sarar-se

A camada de ozono está a recuperar. Deverá voltar aos níveis de 1980 por volta de 2040 na maior parte do mundo e em 2066 sobre a Antártida.

Fonte: Organização Meteorológica Mundial

E porque faz bem agradecer? Gratidão que prolonga a vida

Um estudo de Harvard acompanhou quase 50 mil mulheres com uma média de 79 anos. As que se sentiam mais gratas tinham menos 9% de risco de morrer nos quatro anos seguintes do que as menos gratas. A ligação mais forte foi com as doenças cardiovasculares.

Fonte: Universidade de Harvard, JAMA Psychiatry (2024)

Mais energia para o corpo

Num estudo clássico, um grupo de pessoas escreveu todas as semanas aquilo por que estava grato. Ao fim de nove semanas, faziam quase mais hora e meia de exercício por semana do que o grupo que anotava os seus aborrecimentos. Também se sentiam mais otimistas e mais satisfeitas com a vida.

Fonte: Emmons & McCullough, Journal of Personality and Social Psychology (2003)

Menos ansiedade e menos tristeza

Uma revisão de 64 ensaios clínicos concluiu que práticas simples de gratidão, como um diário ou uma carta de agradecimento, melhoram a saúde mental. Os participantes tinham menos 7,8% de sintomas de ansiedade e menos 6,9% de sintomas de depressão do que quem não fazia estas práticas.

Fonte: Diniz et al., revista Einstein (2023)

MS

 

Para obter estas informações como infográfico, clique AQUI

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Otava dá mais poder, e mais independência, à agência de compras da defesa

CBC

A nova Agência de Investimento na Defesa do Canadá passará a ter mais poder e autoridade adicional para negociar contratos de aquisição, bem como para realizar investimentos em setores-chave da defesa, quando for transformada numa empresa pública (Crown corporation), anunciou o governo federal esta terça-feira.

O Projeto de Lei C-40, que tornará a agência, atualmente a operar sob a alçada dos Serviços Públicos e Aprovisionamento do Canadá (Public Services and Procurement Canada), mais independente, foi apresentado na Câmara dos Comuns.

A entidade terá o seu próprio conselho de administração e um presidente executivo (CEO), um mandato claro, uma estrutura permanente e competências mais específicas para dar um andamento mais rápido às aquisições militares, afirmaram responsáveis federais numa sessão de esclarecimento.

A agência, renomeada Corporação Canadiana para o Investimento na Defesa (Canadian Corporation for Defence Investment), responderá perante um recém-criado ministro-adjunto da defesa assim que o Projeto de Lei C-40 for aprovado pelo Parlamento.

CBC/MS

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‘O Canadá não é nosso inimigo’: Candidato republicano ao Senado pelo Michigan rompe com Trump quanto à guerra comercial

CBC

‘O Canadá não é nosso inimigo’: Candidato republicano ao Senado pelo Michigan rompe com Trump quanto à guerra comercial

O candidato republicano numa disputa renhida pelo lugar vago no Senado pelo estado do Michigan está a apelar ao Presidente dos EUA, Donald Trump, para que ponha fim à guerra comercial com o Canadá.

Mike Rogers lançou um novo anúncio publicitário de 30 segundos no qual critica as tarifas alfandegárias enquanto está sentado num bar desportivo com uma cerveja Labatt — uma marca canadiana popular em estados fronteiriços como o seu.

“Aqui no Michigan sabemos que o Canadá não é nosso inimigo. Precisamos de acabar com esta guerra de tarifas agora mesmo”, afirma Rogers no anúncio, enquanto a imagem da ponte Ambassador Bridge, que liga Windsor a Detroit, surge no ecrã.

“Como senador do Michigan, vou unir ambos os partidos para baixar os vossos preços. Esse é o objetivo número um”, diz Rogers no spot publicitário.

Ao falar aos jornalistas no Salão Oval mais tarde, na quarta-feira (7), o Presidente dos EUA, Donald Trump, desvalorizou o anúncio, redefinindo a mensagem de Rogers sobre a guerra comercial.

“Bem, eu interpretei isso como se ele quisesse que o Canadá fizesse um acordo”, disse Trump. “Nós não queremos que eles fabriquem carros para nós…. É uma longa história, mas eles têm-nos estado a explorar. O Canadá tem-nos estado a explorar há muitos, muitos anos e já não nos vão explorar mais”, afirmou.

Esta atitude de Mike Rogers representa uma mudança de 180 graus, já que anteriormente ele tinha apoiado as tarifas aplicadas por Trump aos produtos canadianos.

Numa entrevista à Fox News este verão, Rogers tinha afirmado que a política comercial de Trump concebida para “reindustrializar” os EUA era “excelente para nós… todas estas medidas são realmente positivas.”

Na altura, o candidato disse que o Canadá quer vender centenas de milhares de automóveis para o Michigan e que isso deveria ser “absolutamente inaceitável”, porque essas exportações “prejudicam os trabalhadores que fabricam automóveis e peças automóveis.”

“Os canadianos não têm sido bons parceiros nesta matéria”, afirmou então.

A rutura de Rogers com o presidente relativamente à política comercial com o Canadá surge numa altura em que as sondagens sugerem que as tarifas de Trump são profundamente impopulares nos EUA.

Apenas 26 por cento dos americanos inquiridos numa sondagem realizada pela Politico no final do mês passado afirmaram que a aplicação de tarifas aos produtos canadianos era a medida correta a tomar.

CBC/MS

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Começou o voto antecipado em Toronto

Créditos: Francisco Pegado

O voto antecipado para as eleições municipais de Toronto começou na terça-feira, 6 de outubro, e decorre até domingo, 11 de outubro. Durante este período, os eleitores podem votar nas eleições para presidente da Câmara, vereadores e administradores dos conselhos escolares. 

As mesas de voto estarão abertas diariamente entre as 10h00 e as 19h00. No dia das eleições, 26 de outubro, as mesas de voto estarão abertas das 10h00 às 20h00. Os eleitores podem consultar o local onde devem votar através do cartão de informação eleitoral recebido pelo correio ou da plataforma MyVote, introduzindo a morada da sua residência principal. Os cartões de informação eleitoral começaram a ser enviados a partir de 20 de setembro aos eleitores elegíveis. 

Quem pode votar em Toronto?

Para votar nas eleições municipais, é necessário ter pelo menos 18 anos, ser cidadão canadiano e residir em Toronto. Pessoas que não residam na cidade também podem votar caso sejam proprietárias ou arrendatárias de um imóvel em Toronto, ou caso essa condição se aplique ao cônjuge. Não podem votar as empresas, as pessoas que estejam a cumprir uma pena de prisão numa instituição prisional ou correcional, nem as pessoas que atuam como executores testamentários, administradores de bens ou noutra qualidade de representante, excepto quando estejam devidamente autorizadas a votar por procuração em nome de outra pessoa.

Que documentos de identificação
são aceites?

No dia da votação, é obrigatório apresentar um documento de identificação válido que indique o nome e a morada em Toronto. São aceites, entre outros, carta de condução, documentos fiscais, cartões bancários, extratos bancários, contas de serviços públicos e determinados documentos emitidos por empregadores. Os passaportes não são aceites, uma vez que não apresentam a morada. O prazo para solicitar o voto por correspondência terminou a 24 de setembro. Os boletins enviados por correio devem ser recebidos até às 12h00 de 14 de outubro.

Outras autarquias iniciam também
o voto antecipado

O voto antecipado também já está disponível em várias outras autarquias da região, sendo que algumas se preparam para abrir os locais de votação nos próximos dias. As datas e os horários variam consoante o município e, em alguns casos, também de acordo com o local de votação.

Em Mississauga o voto antecipado começou a 6 de outubro e decorre até 11 de outubro, em vários locais de votação espalhados pela cidade.

Hamilton iniciou o processo mais cedo, a 3 de outubro, com novas datas previstas para os dias 4, 10, 11, 17 e 18 de outubro. Já em Oakville, a votação começou a 7 de outubro e decorrerá até 18 de outubro.

Esta semana, Halton Hills e Brampton dão início ao voto antecipado. Em Halton Hills, a votação online começa a 9 de outubro e prolonga-se até 24 de outubro, mediante pré-registo. Em Brampton, também a partir de 9 de outubro, as datas variam consoante o local de votação.

Na região, Vaughan inicia o voto antecipado a 9 de outubro, enquanto Milton terá votação entre 12 e 15 de outubro. Em Burlington, o período de votação decorre de 14 a 23 de outubro.

Mais tarde, Markham abre o voto antecipado de 16 a 26 de outubro, seguido de Newmarket, a partir de 17 de outubro, e Richmond Hill, a partir de 20 de outubro.

Na reta final antes das eleições, Ajax e Pickering terão votação online de 19 a 26 de outubro, enquanto Whitby disponibilizará o voto antecipado entre 22 e 25 de outubro, em três locais. Em Oshawa, a votação online decorrerá de 13 a 26 de outubro.

Os eleitores devem consultar os sites oficiais das respetivas autarquias para confirmar os locais, horários e eventuais requisitos de votação antecipada.

FP/MS

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