A Casa do Colecionador, um novo museu dedicado a décadas de colecionismo, abriu portas na segunda-feira, 19 de outubro, em Moncarapacho, no concelho de Olhão. Instalado numa antiga igreja do século XVIII, o espaço reúne coleções de arte sacra, mais de 260 bengalas, pinturas em marfim e esculturas em pedra, num projeto que pretende valorizar a cultura e atrair visitantes à vila.
Propriedade da Fundação Calçada Correia, o museu nasceu da iniciativa de João Luís Calçada Correia, que decidiu investir na sua terra natal e transformar uma coleção privada num espaço aberto à comunidade. O edifício, que pertenceu à Ordem Terceira de São Francisco, foi alvo de um projeto de reabilitação premiado, que procurou preservar a identidade histórica e espiritual do local, conciliando-a com uma abordagem museográfica contemporânea.
“Escolhi Moncarapacho para concretizar este investimento porque acredito que vale a pena investir nos lugares a que pertencemos, contribuir para a sua valorização e criar condições para que a cultura seja, também, um fator de desenvolvimento local”, afirmou João Luís Calçada Correia durante a inauguração.
O responsável defendeu ainda que a vila merece “uma oferta cultural de qualidade”, capaz de atrair visitantes, despertar o interesse dos mais jovens e enriquecer a vida da comunidade.
Na cerimónia, o presidente da Câmara Municipal de Olhão, Ricardo Calé, considerou a abertura do museu “um dia de referência”, por representar mais um passo na afirmação cultural de Moncarapacho.
O autarca destacou o contributo do investimento público, associativo e privado para o desenvolvimento da vila e agradeceu a João Luís Calçada Correia por ter acreditado no potencial da terra onde nasceu. “Nas várias vertentes, conseguimos mostrar que numa vila com a dimensão de Moncarapacho é possível fazer muito mais do que aquilo que é o objetivo de cada um de nós”, afirmou.
Também presente na inauguração, a ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, elogiou a decisão de transformar uma coleção privada num espaço cultural acessível à comunidade, considerando que se trata de “um lugar que acrescenta à oferta cultural do concelho de Olhão e convida a descobrir um território que tem muito para oferecer além dos destinos mais conhecidos da região”.
Ricardo Calé salientou ainda o papel da cultura num contexto de crescente transformação tecnológica. “Num mundo em constante mudança, em que temos a tecnologia e a inteligência artificial a substituir o ser humano, será a cultura que fará a diferença no futuro”, afirmou. “É um orgulho enorme. Olhão valorizou-se muito hoje com a abertura desta Casa do Colecionador”, concluiu.
Na cerimónia marcaram presença vários autarcas e personalidades ligadas à cultura na região, entre elas a premiada escritora algarvia Lídia Jorge.
A Casa do Colecionador está aberta de terça-feira a sábado, das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 17h00. Os bilhetes custam entre 2,50 e cinco euros.